Diante da cruz

Hoje nos colocamos diante da cruz… A Sexta-Feira Santa nos convoca ao silêncio, à contemplação e à coragem de permanecer. Na cruz estão as dores do mundo e o amor que não recua. Na cruz, descobrimos que amar até o fim é nossa maior vocação. A meditação de hoje é com a Ir. Eduarda Gracilda, SSpS. Assista!
Amar servindo

Hoje celebramos o amor que se faz serviço. Na Quinta-Feira Santa, Jesus nos ensina que amar não é apenas sentir, mas é também agir, cuidar, colocar-se a serviço. Quem serve com amor responde ao chamado de Deus todos os dias. A reflexão de hoje é conduzida pela Ir. Ashrita Soreng, SSpS. Assista!
Entregar tudo a Deus

Há momentos em que tudo o que nos resta é confiar. A Quarta-Feira Santa nos recorda a entregar nas mãos de Deus aquilo que pesa no coração. Coloque diante do Senhor suas preocupações, medos e inseguranças. A vocação nasce quando confiamos nossa vida nas mãos do Pai. Assista à reflexão conduzida pela irmã Eva Bueno, SSpS!
Reconhecer nossas fragilidades

A Terça-Feira Santa nos coloca diante de nossas fragilidades. Como Pedro e Judas, também nós falhamos. Deus conhece nossas fraquezas e, mesmo assim, nos chama, nos levanta e nos ensina a recomeçar. Assista à reflexão conduzida pela Ir. Monika Kopf.
O valor do silêncio

A Segunda-Feira Santa nos convida a desacelerar, a praticar o silêncio interior, a abrir espaço para Deus falar. No silêncio, Deus revela o caminho de nossa vocação. A meditação de hoje é conduzida pelas irmãs Ilaria Matte e Ilka Maria Hendges, missionárias servas do Espírito Santo. Assista!
Acolher Jesus de verdade

O Domingo de Ramos nos provoca a dar um passo a mais: não apenas receber Jesus, mas caminhar com ele também nas horas difíceis. Nesta Semana Maior, acompanhe conosco as reflexões propostas pelas irmãs missionárias servas do Espírito Santo (SSpS).
Ser missionária serva do Espírito Santo: saiba como é o acompanhamento das jovens vocacionadas

Jesus “chamou os que Ele quis” (Marcos 3,13b) Desejo ser religiosa e consagrar minha vida ao serviço na Igreja. Sinto que Jesus me chama a ser missionária serva do Espírito Santo (SSpS). Quais são os passos e como ocorre o processo inicial? “Jesus subiu a um monte, chamou os que ele quis, e eles foram para perto dele. Então escolheu doze homens para ficarem com Ele e serem enviados para anunciar o evangelho. A esses doze Ele chamou apóstolos. Eles receberam autoridade para curar enfermidades e expulsar demônios” (Marcos 3,13-15). Eles deixaram tudo e o seguiram. Jesus chamou aqueles a quem Ele quis para subirem o monte e lhe fazerem companhia, vivenciando intimidade com ele, dando a conhecer sua missão e depois vivê-la, anunciando a Boa Notícia do Reino. Os Apóstolos não foram enviados logo para a missão, mas somente depois de um bom tempo de convivência e de formação. Mesmo após enviados, Jesus os chamava para novas instruções, para o descanso, confraternização e oração juntos. Jesus sabia que, em sua missão, Ele enfrentaria dificuldades com seus escolhidos. O Senhor conhecia a fragilidade de seus amigos, porém não desistiu e foi com eles até o fim. Quando Deus chama, Ele nos capacita para que possamos cumprir a missão a nós confiada, concede-nos os meios e os recursos necessários. Precisamos descobrir com Jesus, em sua Palavra e em oração, o que Deus quer fazer em nossa vida. Como missionárias servas do Espírito Santo, somos chamadas a servir na missão da Igreja, sobretudo em situações nas quais a vida é fragilizada e ameaçada, dentro ou fora do País. Realizamos nossa missão em comunidades, no Brasil ou em outros países, onde procuramos vivenciar o diálogo, a comunhão e o acolhimento. Nossa vocação missionária depende do compromisso com o seguimento de Jesus Cristo, buscando, como mulheres consagradas, testemunhar e tornar “Conhecido e amado o amor de Deus Uno e Trino por todas as pessoas”, conforme desejava Santo Arnaldo Janssen. Dedicamos nossa vida a Deus por meio da oração e das mais variadas atividades e apostolados, segundo as necessidades mais urgentes do povo ao qual somos enviadas. Quais são os passos para a jovem que deseja ser missionária serva do Espírito Santo? Primeiramente, a jovem que sente “inquietude vocacional”, com interesse e desejo de seguir Jesus, e um profundo anseio de ajudar o próximo, procura conversar com uma irmã SSpS. Isso pode ser pelas redes sociais ou pessoalmente. Manifesta-lhe seu desejo de conhecer algo mais sobre a vida religiosa, a Congregação. A partir de então, será encaminhada e acompanhada pela irmã responsável pelo Serviço de Animação Vocacional. Então iniciará seu processo de discernimento por meio de contato virtual ou presencial, visitas à família, retiros de convivência com outras jovens em nossas comunidades. Como é o processo de formação na Congregação? 1º – Ingresso na comunidade vocacional Tempo de experiência para maior clareza da vocação e descobrir em si os sinais do caminho de seguimento nos passos de Jesus. Nessa primeira experiência, a jovem vai conhecer o carisma, a vida e a missão das irmãs SSpS, e fazer seu processo de crescimento pessoal, comunitário, grupal. A jovem aspirante é acompanhada em seu desenvolvimento humano, autoconhecimento, vida cristã e no chamado pessoal de Deus. Também é acompanhada, de forma pessoal, pela irmã formadora, em sua opção de vida, vivência dos valores humanos, cristãos, experiência comunitária e missão. Nessa etapa de formação, a jovem permanecerá um ano, se já tiver concluído o ensino médio, ou o tempo necessário para terminar esse grau de escolaridade. 2ª – Pré-noviciado A jovem, após maior clareza do chamado de Jesus, continua o processo de discernimento, pelo qual vai aprofundando os temas relacionados ao carisma e à espiritualidade da Congregação, sua de formação humana e espiritual, e experiência de vida comunitária. 3ª – Noviciado Dois anos de intensa preparação para professar os votos de castidade, pobreza e obediência. Um tempo para conhecer Jesus Cristo e uma profunda intimidade e amizade com o Senhor. Começa, então, o seguimento incondicional a Cristo, como missionária serva do Espírito Santo. Período em que são colocados os alicerces para toda a sua vida, como religiosa consagrada. Terminado o período de dois anos a dois anos e meio, a jovem vai se encontrar apta a professar seus votos na Congregação e a viver como religiosa consagrada SSpS, com todas as suas alegrias e desafios. Para entrar em contato A jovem que desejar participar da experiência vocacional na Congregação das Irmãs Missionárias Servas do Espírito Santo ou na Congregação das Irmãs Missionárias Servas do Espírito Santo da Adoração Perpétua (ramo contemplativo da Família Arnaldina) basta entrar em contato com qualquer irmã dessas Congregações. Assim, será direcionada para as irmãs que acompanham as jovens vocacionadas. Caso deseje falar diretamente com o Serviço de Animação Vocacional, os contatos estão a seguir: Missionárias Servas do Espírito SantoIrmã Lusia Sakunab: animacaovocacionalbrn@ssps.org.comIrmã Yohana: (42) 99848-3772Missionárias Servas do Espírito Santo da Adoração PerpétuaIrmã Trindade Maria: (42) 99835-9535 Irmã Maria Cristina Krupek, SSpSFormada em Teologia, pós-graduação em Missiologia, terapeuta holística em constelação sistêmico-familiar, formadora na comunidade do Noviciado PANAM, em San Lorenzo, Paraguai. Irmã Ashrita Soreng, SSpSIndiana, missionária no Brasil.
“Vocação: graça e missão”

A 58ª Assembleia-Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), por unanimidade, aprovou a realização do terceiro Ano Vocacional da Igreja no Brasil, que deverá ser celebrado de 20 de novembro de 2022 a 26 de novembro de 2023, com a temática “Vocação: graça e missão”. A ideia é celebrar os 40 anos do primeiro ano dedicado à reflexão, oração e promoção das vocações no Brasil. O objetivo é promover a cultura vocacional em todas as instâncias, isto é, nas comunidades eclesiais, nas famílias e na sociedade, para que sejam ambientes favoráveis ao despertar das vocações, como graça e missão, a serviço do Reino de Deus. O texto-base do Ano Vocacional intui aprofundar o tema e o lema, respectivamente, “Vocação: graça e missão”, “Corações ardentes, pés a caminho” (Lc 24,32-33). É uma motivação para cada pessoa acolher o chamado de Jesus Cristo como graça, para que, assim, mais corações ardentes e pés se coloquem a caminho, assumindo e se comprometendo com a missionariedade na Igreja, que vive esse processo contínuo de “estar em saída”. A iniciativa almeja refletir que toda a comunidade cristã é responsável pela animação, cultivo e formações das vocações. Ressaltando os inúmeros esforços e frutos que surgiram com a dinamização dos serviços de animação vocacional, da Pastoral Vocacional e produção de subsídios. Também evidencia o forte anseio de uma Igreja sinodal, missionária, mais próxima e fraterna das realidades em seu entorno. Deus continua a passar pelos diversos caminhos e realidades, e chama, pelo nome, à vocação pessoal e de ser Igreja, vivendo uma vida de fé atuante e comprometida com o projeto salvífico de seu Filho. Nesse sentido, a “vocação: graça e missão” se fundamenta na afirmação de que “a vocação aparece realmente como um dom de graça e de aliança, como o mais belo e precioso segredo de nossa liberdade”, conforme o Documento Final de nº 78. Jesus chamou e enviou os que Ele mesmo quis (cf. Mc 3,13-19), portanto esta é a centralidade e a meta de toda a vocação e missão: a pessoa de Jesus Cristo. Queremos fazer memória aqui dos principais eventos vocacionais da Igreja do Brasil e do continente, para que nos inspire e nos motive neste momento histórico e celebrativo: – 1983: 1º Ano Vocacional do Brasil, com o tema e lema “Vem e segue-me” (Mt 19,21; Mc 10,21; Lc 18,22).– 1994: 1º Congresso Continental Latino-Americano de Vocações (Brasil), com o tema “A Pastoral Vocacional no Continente da Esperança”.– 1999: 1º Congresso Vocacional do Brasil, com o tema “Vocações e ministérios para o Novo Milênio”, e o lema “Coragem! Levanta-te, Ele te chama” (Mc 10,49b).– 2003: 2º Ano Vocacional do Brasil, com o tema “Batismo, fonte de todas as vocações” e o lema “Avancem para águas mais profundas” (Lc 5,4).– 2005: 2º Congresso Vocacional do Brasil, com o tema “Igreja, Povo de Deus a serviço da vida” e o lema “Ide também vós para a minha vinha” (Mt 20,4).– 2010: 3º Congresso Vocacional do Brasil, com o tema “Discípulos missionários a serviço das vocações” e o lema “Ide, pois, fazer discípulos entre todas as nações” (Mt 28,19).– 2011: 2º Congresso Continental Latino-Americano e Caribenho de Vocações (Costa Rica), com o tema “Chamados a lançar as redes para alcançar a vida plena em Cristo” e o lema “Mestre, em teu nome lançarei as redes” (Lc 5,5).– 2014: Simpósio Vocacional do Brasil, com o tema “Ide e anunciai! Vocações diversas para uma grande missão”.– 2019: 4º Congresso Vocacional do Brasil, com o tema “Vocação e Discernimento” e o lema “Mostra-me, Senhor, os teus caminhos” (Sl 25,4). Fonte: https://www.vaticannews.va/pt/igreja/news/2021-07/ano-vocacional-brasil-cnbb.html Concluímos nossa reflexão convencidas de que este Ano Vocacional será um grande momento de acender e reacender o ardor da entrega vocacional de cada cristão católico em nosso País. Convidamos você, que lê esta postagem, para participar dos eventos deste 3º Ano Vocacional, que serão promovidos, ao longo do ano, pelas redes sociais da CNBB. A seguir, confira algumas datas já estabelecidas:– lançamento do hino, em 31 de agosto de 2022, por meio de uma live promovida pela CNBB;– a abertura nacional do Ano Vocacional será em 19 de novembro de 2022, na missa das 18h, no Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida;– o encerramento nacional acontecerá em 23 de novembro de 2023. Irmã Adriana Regina da Silva e Irmã Crislaine M. Lopes PereiraServiço de Animação Vocacional, SSpS
Conheça oito atitudes de um catequista por vocação

O belo itinerário de agosto, reconhecendo e orando pelas diversas vocações cristãs, encerra-se com o Dia do Catequista, celebrado no último domingo do mês. Com justiça, a Igreja reconhece esse preciosíssimo dom. Ao longo do ano, milhares e milhares de batizados e batizadas, respondendo ao chamado a ser configurados a Jesus, vão ao encontro de irmãos e irmãs, alguns ainda bem pequenos, para instruí-los no caminho do Senhor. Em maio, esse fundamental ofício ganhou novas luzes, quando o Papa Francisco publicou a Carta Apostólica Antiquum ministerium, instituindo oficialmente o ministério de catequista (existente desde o início da Igreja, diga-se). Depois da elaboração do rito pela Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, as conferências episcopais e as dioceses regulamentarão a norma. Os catequistas não deveriam ser confundidos com professores, mesmo uma pessoa podendo exercer, com grande louvor, as duas funções. A palavra catequese tem origem grega e significa “ecoar”. Aquele ou aquela que se dispõe a esse ministério recebe a sagrada tarefa de “ecoar” não apenas a voz, mas os gestos, o espírito de Jesus. Não é uma mera transmissão de conteúdo, mas um anúncio, com palavras e gestos, de algo a arder antes no peito, após uma experiência de encontro com o Senhor (cf. Lucas 24,13-35). Depois de um tempo e alguns episódios de incompreensão de minha parte, entendi por que se costuma dizer que um catequista jamais tira férias. Claro! Um homem ou mulher, seja jovem ou mais experiente, ecoa Cristo a qualquer momento ou lugar. Quem procura seguir os passos do Senhor não pode (e nem deveria) afastar-se dele. A catequese, de uma forma mais ampla, é uma missão exercida em conjunto. A começar das famílias, depois passando pelo bispo (o primeiro catequista de uma diocese), os presbíteros, diáconos, consagrados e consagradas, e pelo povo de Deus, todos têm o dever de “ensinar” o Evangelho, sobretudo pelo testemunho. Cada um precisa dar sua contribuição. Não adianta se um familiar ensina a uma criança, a um jovem ou mesmo adulto que Jesus é misericordioso, manso e humilde de coração (Mateus 11,29) se, ao chegar à comunidade de fé, esse catequizando é acolhido com rispidez ou indiferença. Por isso, a Igreja entende que todos os batizados são chamados a, de algum modo, serem catequistas. Oito atitudes de um catequista de vocação Voltando-me diretamente a quem exerce esse grandioso ministério (as palavras que conheço são poucas para saudá-los como merecem), eu gostaria de lançar luzes sobre oito aspectos dessa nobilíssima vocação; a maioria inspirados no motu proprio do Papa Francisco. A lista é bem maior, confesso, e não é possível organizá-la por ordem de importância. Fala em nome da Igreja Todo catequista deve ter no coração que nem sempre fala em nome próprio. Pode ocorrer de seu olhar pessoal sobre algum ponto destoar com o da Igreja, baseado na Revelação, na Tradição e no Magistério, mas a palavra do Corpo Místico de Cristo tem prioridade. Cultiva a vida de oração É difícil oferecer com credibilidade aquilo que não se tem. Para ecoar a voz e os gestos do Senhor, o catequista deve ter o propósito de se aproximar o máximo possível de Jesus. Isso se dá em primeiro lugar na oração constante e sincera, na escuta atenta da Palavra, a qual deve cair como semente boa em terra fértil. Nesse ponto, nenhum batizado deveria “tirar férias”. Procura se atualizar A Igreja não é um museu ou um antiquário, e é uma pena muitos cristãos não se darem conta disso até hoje. As teologias evoluem, as liturgias não usam o princípio do “pode/não pode”, e o conhecimento da Bíblia, da Doutrina Social da Igreja e dos dogmas vão se aprofundando ao longo do tempo. A própria catequese passa por atualizações desde os primórdios. Quem se propõe a transmitir a fé precisa estar em dia com as boas novidades. Ao longo da catástrofe da pandemia, muitos catequistas tiveram de se adaptar a novas formas de acompanhar os catecúmenos, os noivos, os jovens e as crianças. Isso, contudo, já ocorria de modo mais ou menos intenso ao longo da história, e é preciso estar de espírito dócil aos ventos do Espírito. Participa na vida da comunidade O catequista, a catequista é parte preciosa da comunidade de fé. É preciso ecoar Cristo primeiramente em casa, depois junto aos outros irmãos e irmãs. Não se pode estar numa bolha, assistindo de longe aos desafios e conquistas do povo. Isso implica também gostar de estar com as pessoas, compreender as fraquezas e o sagrado que elas trazem dentro de si. De modo mais amplo, é necessário estar atento à sociedade como um todo, tentando compreender como o cristão, a cristã pode ser “sal da terra e luz do mundo” (cf. Mateus 5,13-16). Por outro lado, uma comunidade madura também respeita e procura iluminar-se pelo testemunho dos catequistas. Têm equilíbrio O termo é muito genérico, mas eu o compreendo aqui mais no sentido de relacionamento humano. Catequese e mau humor não combinam. É necessário se esforçar para saber lidar com os mais diferentes tipos (não é fácil, eu sei!). Administrar conflitos, saber respeitar as ideias dos outros, ceder, ter uma divina paciência, tudo isso é ser bom pastor, pastora, sinal de um amor que vem de Deus. Sabe acolher O catequista deve ter claro: não cuida das próprias ovelhas, mas daquelas pertencentes a Deus, o Pastor-Mor. Ele confia seus queridos filhos e filhas a esse ministro, ministra. Cada catequizando que chega e suas respectivas famílias devem ser considerados verdadeiros presentes do Senhor. Aos olhos da fé, é o Espírito que os impulsiona a querer conhecer as coisas santas. Saber acolher o ser humano, com suas virtudes e fraquezas, é uma dos mais elementares gestos esperados de um catequista. É modelo de generosidade Um legítimo catequista coloca à disposição dos irmãos e irmãs, da Igreja e do mundo o que tem de melhor. Partilha com generosidade seus dons, talentos, seu tempo. Nesse aspecto, recordo a passagem dos cinco pães e dois peixinhos apresentados ao
Vocação à vida religiosa consagrada

A vocação à vida religiosa consagrada decorre da experiência vivenciada por pessoas simples e normais que buscam o seguimento radical de Cristo, entregando sua vida a Jesus, no cotidiano. A pessoa, ao sentir o apelo do chamado à vida religiosa, começa um processo de discernimento e amadurecimento, realizado por meio de uma caminhada de conhecimento espiritual e humano. Desse modo, começa a viver “o grande tesouro na Igreja naqueles que seguem o Senhor de perto, professando os conselhos evangélicos” (votos de pobreza, de obediência e de castidade), em uma congregação religiosa (Papa Francisco, Oração do Ângelus, 2 fev. 2020). E nesse seguimento, esforça-se para ser “sal e luz” de Jesus por onde passar. No decorrer do processo de formação do vocacionado, é necessário o acompanhamento e ser acolhido numa comunidade de vida religiosa, em busca de crescimento e amadurecimento nas dimensões espiritual, intelectual, comunitária, afetiva e apostólica. Essa ajuda e esforço será para aperfeiçoar as motivações que sustentam a vocação do candidato à vida religiosa. A vivência dessas dimensões estará presente na vida toda do consagrado, da consagrada. Durante a formação, há também os estudos acadêmicos, necessários para proporcionar competência e qualificação exigidas na missão. Na atualidade, torna-se cada vez mais necessário formar solidamente a pessoa, para seguir Jesus nos mais vulneráveis e fragilizados, e tornar-se capaz de fazer conhecida a ação de Cristo, levando-o a ser conhecido e amado. Toda vocação cristã é seguimento a Jesus Cristo, o que muda é o como. Portanto há diversas formas de segui-lo e servi-lo. Todo seguimento é vivido na missão em formas de vida diferentes: vocação ao matrimônio (família), vida sacerdotal e vida religiosa consagrada. Na vida religiosa, o vocacionado escolhe uma congregação que responda aos apelos do carisma e dons recebidos para sua vida e viver sua vocação. Ou seja, “Graças especiais entre os fiéis de todas as classes, as quais os tornam aptos e dispostos a tomar diversas obras e encargos, proveitosos para a renovação e cada vez mais ampla edificação da Igreja, segundo aquelas palavras” (Constituição Dogmática Lumen Gentium, n.º 12). Em outras palavras, o carisma é a missão concreta vivida com base no Evangelho, do qual são partes integrantes a promoção da justiça, do diálogo inter-religioso, no contato com a cultura moderna. No seguimento à vida religiosa, são necessárias atitudes, valores e padrões de conduta que, em seu conjunto, constituem o que podemos chamar de pressupostos da vocação daqueles que desejam seguir o Cristo encarnado na condição dos pobres. Nesse caso, podemos elencar características ou pressupostos da vocação religiosa consagrada necessários no discernimento da vocação, tais como: Profundo amor pessoal a Jesus Cristo. A pessoa seguidora de Cristo nos pobres mais pobres é alguém que, embora pecadora, sente-se chamada a acompanhar os passos de Jesus. Dá de graça o que de graça recebeu: o dom do amor redentor de Cristo. Hoje, como sempre, é a profunda identificação pessoal com Jesus a principal característica da vocação. Contemplativos na ação. Seguir Jesus na pessoa dos mais pobres é sentir-se unido a Deus, pela salvação de todos. Deus atua nos acontecimentos e por meio das pessoas, no aqui e agora, e é no discernimento que o seguidor de Cristo assume a responsabilidade de suas decisões apostólicas, participa da missão do Senhor. Solidariedade com os mais necessitados. A pessoa seguidora de Cristo no pobre faz-se solidária com os pobres, os marginalizados e os sem vez e sem voz. Sempre em busca do bem maior. A pessoa seguidora de Cristo nos pobres mais pobres sente-se constantemente levada a descobrir onde está o mais necessitado. Para isso, é preciso que não se acomode com o já realizado e tenha uma audácia que a leve a novas fronteiras e a novos desafios. É a busca do bem maior que dá o dinamismo apostólico da missão. Por fim, muito mais que todos os pressupostos para a vida religiosa, necessitamos contar com a responsabilidade e o respeito por parte de toda a comunidade cristã e religiosa. O convite “Vinde e vede” (João 1,39) de Jesus aos vocacionados e aos que estão em formação depende intrinsicamente do testemunho e da oração de todos, os já consagrados e de toda a comunidade cristã. Padre Domingos Chagas, SJMonge eremita na Ermida São Miguel, em Maringá-PR.