Papa promove encontro para proteção de crianças

Como resposta a escândalos que envolveram a Igreja Católica em casos de abuso sexual de crianças e adolescentes, o Papa Francisco convocou um encontro com os presidentes das conferências episcopais, superiores-gerais de congregações religiosas e outras autoridades para discutir “A proteção dos menores na Igreja”. O evento, realizado no Vaticano, de 21 a 24 de fevereiro, conta com um total de 190 participantes. Para esse encontro, o Papa pede orações, pois é importante que a Igreja enfrente essa situação, uma vez que, “Se algum membro sofre, todos os membros sofrem juntos” (1Cor 12,26). Segundo o Papa, será “um encontro em solidariedade, humildade e penitência”, e “o compromisso de proteger menores tem de ser assumido, clara e efetivamente, pela comunidade inteira, começando com os que estão nas mais altas posições de responsabilidade”. O Papa Francisco insiste que o abuso sexual de crianças e adolescentes é gravíssimo e tem de ser enfrentado em todos os seus aspectos. Ele acrescenta que a Igreja assumiu ficar, acima de tudo, em solidariedade às vítimas, às suas famílias e às comunidades feridas pelos escândalos. Esse encontro é muito importante para que toda a Igreja tome consciência da gravidade do problema e as medidas necessárias para garantir que as crianças sejam, de fato, protegidas do abuso sexual e de suas consequências físicas, morais e psicológicas. A Coordenadora-Geral das missionárias servas do Espírito Santo, Ir. Maria Theresia Hörnemann, como membro do Conselho da União Internacional das Superioras-Gerais (UISG), também participa do encontro e pede a todas as irmãs, amigos e colaboradores na missão que, com orações, apoiem o evento. Gravidade do problema Os escândalos ocorridos na Igreja é apenas a ponta de um problema ainda mais amplo que afeta a sociedade como um todo. Por tabu, o abuso sexual de menores ficou escondido durante muito tempo, mas está presente em praticamente todas as culturas e sociedades, e só recentemente vem sendo estudado. As estatísticas divulgadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e UNICEF, entre outras, embora assustadoras, não representam a verdadeira extensão dos abusos. Isso porque uma em cada três vítimas não conta para ninguém, seja por medo, vergonha, culpa, confusão ou desconfiança nas instituições. Aqui apresentamos alguns dados baseados em pesquisas: Em 2017, segundo dados da OMS, até 1 bilhão de crianças sofreram violência física, emocional ou sexual. O abuso sexual (de “passar a mão” a estupro), de acordo com algumas estimativas da UNICEF de 2014, afetou mais de 120 milhões de crianças. Em 2017, quase 17 milhões de mulheres adultas admitiram terem sido forçadas a ter relacionamento sexual durante a infância. Isso em 38 países de renda baixa e média. Só na Europa, em 2013, a OMS estimou que quase 18 milhões de bebês haviam sido vítimas de abuso sexual. Na Índia, entre 2001 e 2011, o “Centro Asiático de Direitos Humanos” registrou um total de 48.338 casos de estupro de menores, com um aumento de 336%: de 2.113 casos em 2001 para 7.112 casos em 2011. Nos Estados Unidos, dados oficiais do governo informam que mais de 700 milhões de crianças são vítimas de violência e abuso a cada ano. Mas, afinal, quem comete o abuso contra tantas crianças e adolescentes? O mais preocupante é que, em nível global, esses crimes são cometidos principalmente por pais, parentes ou professores. De acordo com dados do UNICEF relativos a 2017, em 28 países, de cada dez adolescentes que relataram relações sexuais forçadas, nove revelaram serem vítimas de pessoa conhecida ou próxima. Irmã Ana Elídia Caffer Neves, SSpSJornalista, membro da Equipe de Comunicação Congregacional e coordenadora de Comunicação da Província Stella Matutina (BRN)
Nações Unidas declaram 2019 como o Ano Internacional das Línguas Indígenas

A diversidade cultural é uma das maiores riquezas que temos no mundo, e é inegável a contribuição das comunidades indígenas para a preservação da história cultural da humanidade. Falantes da maioria das línguas mundiais, esses povos herdaram e continuam transmitindo às sucessivas gerações a história, os costumes, as formas artísticas, as tradições, a memória, o pensamento e significados dessas culturas. De acordo com dados da UNESCO, existem hoje 370 milhões de indígenas no mundo, presentes em 90 países. Ao todo, são 5 mil culturas indígenas distintas. É pela linguagem que esses povos mantêm viva a memória do passado e constroem seu futuro. Apesar dessa relevância, as línguas indígenas vêm desaparecendo em um ritmo alarmante. Assim, diante dessa perda progressiva do que é considerado patrimônio mundial, a UNESCO declarou 2019 como o Ano Internacional das Línguas Indígenas e pretende focar nas seguintes áreas: • aumento da compreensão, da reconciliação e da cooperação internacional; • criação de condições favoráveis para o intercâmbio de conhecimentos e difusão das boas práticas em relação às línguas indígenas; • integração das línguas indígenas no estabelecimento de normas; • empoderamento por meio da capacitação; • crescimento e desenvolvimento por meio da elaboração de novos saberes. Para melhor difundir pesquisas, eventos, vídeos, formas de participação e outras informações, foi criado o site (em espanhol) https://es.iyil2019.org/. Conhecer a cultura desses povos certamente é a melhor maneira para ajudar em sua preservação. A perda de elementos culturais, como as línguas indígenas, é um prejuízo enorme para toda a humanidade e não apenas para um grupo. Por isso empenhemo-nos, todos, na conservação das línguas indígenas! Por: Irmã Stela Maris MartinsPresidente da Redes (Rede de Solidariedade) e graduanda em Ciências Sociais pela PUC Rio.
A acolhida que muda a vida dos migrantes

O fenômeno da migração cresceu tanto no Brasil como no mundo que se tornou um forte apelo missionário para a Congregação, especialmente diante dos inúmeros sofrimentos e dificuldades que os migrantes enfrentam até se integrarem em sua nova terra. Em São Paulo-SP, as missionárias servas do Espírito Santo, ao escutarem as necessidades dos migrantes da região do Brás, deram início ao Centro de Integração do Migrante (CIM). Atualmente, o espaço oferece atividades educativas e culturais para crianças, adolescentes, jovens e adultos. A seguir, publicamos o depoimento de Lucélia Arrioja, imigrante venezuelana que trabalha no CIM como coordenadora de projetos sociais. O CIM ajuda a acalmar as angústias e a diminuir as dores O Centro de Integração do Migrante (CIM), localizado no bairro do Brás, na cidade de São Paulo-SP, funciona desde 12 de dezembro de 2015. Apareceu como uma luz no caminho dos migrantes que chegamos ao país, procurando uma mão amiga, entre tanto cansaço, angústia e momentos difíceis que passamos desde que decidimos começar a viagem até aqui. Nesse sentido, as pessoas que pensaram, criaram e materializaram o projeto trabalharam, dia após dia, com persistência, dedicação, humildade e, sobretudo, uma grande sensibilidade pelo próximo que não necessitava de palavras, porque, pelo olhar, o ouvir e o manter os braços abertos diante de qualquer circunstância, conseguiram ajudar a acalmar as angústias e diminuir as dores. E esse jeito de tratar as pessoas como seres humanos que são fez uma grande diferença que tocou no coração de muitas outras que eram cegas e surdas diante dessa realidade. No percorrer dos anos, multiplicou-se com o envolvimento e apoio de voluntários e pessoas da comunidade, convertendo-se em um espaço alternativo onde todas as pessoas são bem recebidas sem importar raça, cor, religião ou cultura. No entanto, não foi uma tarefa fácil, porque, como migrantes, sejamos de outros países ou dentro do Brasil mesmo, sofremos preconceitos. Muitas pessoas nos olham como ameaças e outras tantas se aproveitam de nossas necessidades e nos exploram com trabalhos forçados ou de muitas horas de duração. Porém o CIM tenta quebrar esses flagelos que nos afetam, usando a educação combinada com diferentes atividades que envolvem crianças, adultos e idosos. Nosso CIM, como muitas pessoas gostam de chamá-lo, veio para transformar a vida de todo aquele que passa ou faz parte dele, porque, em sua essência, tem como premissa proteger, integrar, promover e, sobretudo, acolher a todos e todas. Mas se esforçam para nos empoderar, por meio de cursos livres de capacitação, que nos ajudam a ter outras ferramentas tanto acadêmicas quanto espirituais para nos manter fortalecidos e sentindo que não estamos sozinhos em nossa caminhada nesta metrópole. No meu caso particular, eu considero o Centro como minha segunda casa e as irmãs e companheiros como parte dessa família que formamos baseada num vínculo que nos une, traduzido pelo amor que temos uns aos outros e que nos permitiu avançar nesta caminhada que empreendemos há pouco mais de dois anos, desde que saímos da Venezuela. E aconteceu porque, quando chegamos aqui, neste espaço, fomos acolhidos com tanto carinho e com uma “sorofraternidade” que jamais esqueceremos e que, para sempre, agradeceremos. Cada uma das irmãs e professoras(es) que já passaram ou que ainda se encontram trabalhando no CIM terão um lugar muito especial em nossos corações, como tenho a certeza de que estarão nos corações de outros tantos migrantes que estão no Brasil ou que já continuaram sua viagem. A mística de trabalho que aqui se tem faz com que cada vez somemos mais pessoas a participarem ativamente na criação de novos projetos ou na permanência e melhoria dos que já estão sendo executados. Para nós, isso é motivo de alegria e satisfação, porque é um resultado positivo que nos indica que estamos no caminho certo e que, para além dos tropeços, temos a convicção de estar colaborando, a partir de nosso CIM, para a construção de um Brasil melhor para todos os que aqui já vivemos e também para os que vêm chegando. Para finalizar, é importante mencionar que, nos últimos dois anos em que trabalhei nesta instituição, sinto muito orgulho, junto com os meus colegas, pelo fato de ter atendido muitas pessoas que enriqueceram o espaço com sua sabedoria e diversidade cultural. Lucelia del Valle Briceño ArriojaCoordenadora de projetos sociais do CIM
Escolas ainda mais vivas com o retorno às aulas

Um novo ano, um novo ciclo, uma nova etapa, novos aprendizados. Os colégios da Rede Missionárias Servas do Espírito Santo se prepararam para receber seus alunos para mais um ano letivo. Os educadores dos quatro colégios e dos três centros educacionais passaram por uma jornada pedagógica, na qual puderam pensar e discutir os próximos passos nesse encantador caminho rumo ao conhecimento. A irmã Maria Aparecida Ribeiro acompanhou as atividades do Colégio Stella Matutina, em Juiz de Fora-MG, o primeiro a ser fundado, e também de nossas creches. A irmã Maria de Fátima Marques esteve nos Colégios Espírito Santo, em São Paulo-SP, Imaculado Coração de Maria, no Rio de Janeiro-RJ, e no Sagrado Coração de Jesus, em Belo Horizonte-MG. “Levamos a mensagem de nosso papel missionário. Ressaltamos a nossa responsabilidade na formação não só dos alunos, mas sim de toda as famílias. Uma tendência mercadológica vem transformando a educação em commodity. Nossa rede de educação não acredita nisso e não pratica essa visão. Os nossos educadores entendem e avalizam que o carisma missionário de nossa Congregação é a vanguarda da educação. Essa convicção é muito importante, pois são eles que fazem as nossas escolas pulsarem, fazem com que sejam escolas vivas”, enfatiza irmã Maria de Fátima, presidente da Rede de Educação. “Para dar as boas-vindas aos alunos dos colégios da Rede de Educação Missionárias Servas do Espírito Santo, fizemos uma brincadeira divertida: transformarmos as escolas em um álbum de figurinhas”, conta irmã Maria de Fátima. No primeiro dia de aula, os alunos receberam o álbum, mas com apenas um pacotinho de figurinhas. Todos ficaram eufóricos, e a pergunta mais respondida pelos educadores era “Como fazemos para ganhar outras figurinhas?”. Para receber outros pacotinhos, eles devem participar de atividades pedagógicas preparadas especialmente para essa distribuição. Figurinha repetida completa álbum? Não! Então, em momentos de socialização, eles trocarão os cromos. Mesmo com décadas de idade (o caçula é o Colégio Espírito Santo, que tem 80 anos), os nossos colégios não param de se modernizar. O período de férias foi de movimentação intensa em todas as unidades, para deixar as estruturas preparadas para acolher os alunos. As benfeitorias são constantes. O Stella está recebendo novas salas de aulas e banheiros. O Coração de Maria está reformando o espaço que abriga o sistema semi-integral, além de toda a infraestrutura elétrica, telefonia e rede de internet que está sendo refeita, o que garantirá grande otimização na parte tecnológica. Já no Sagrado, a clássica e imponente fachada está sendo restaurada. O Espírito Santo modernizou o sistema de audiovisual das salas de aulas. Nós nos orgulhamos de sermos escolas vivas e estamos preparados para mais um ano letivo com muito empenho e alegria.
CURSO DE BIBLIODRAMA – 2019

O Bibliodrama é uma nova abordagem bíblica a partir da leitura contextualizada e criativa da Palavra de Deus, integrando-a no concreto da nossa vida e missão. Venha conhecer e fazer a experiência desta nova maneira de vivenciar a Bíblia em sua vida pessoal, profissional e na liderança. No Curso apresentaremos os Elementos do Bibliodrama em quatro etapas, cada uma num final de semana durante o ano de 2019: • 1ª etapa: 30 e 31 de março • 2ª etapa: 29 e 30 de junho • 3ª etapa: 17 e 18 de agosto • 4ª etapa: 30 de novembro e 1º de dezembro O curso acontece nos finais de semana com início na sexta-feira à noite com o jantar e momento de integração. Os participantes receberão certificado no final do curso. ……………………………………………………………………………………………………………………………………………………………… DESTINATÁRIOS Educadores (as) e Lideranças Leigas e Religiosas.Vagas limitadas a 25 participantes.Trazer para o curso: Bíblia, caderno para anotações e objetos de uso pessoal. ……………………………………………………………………………………………………………………………………………………………… LOCAL Centro Missionário Cultural Santíssima TrindadeRua São Benedito, 2146 – Santo Amaro – São Paulo/SP – Tel.: 11-5687-7229 ……………………………………………………………………………………………………………………………………………………………… FACILITADORES Ir. Paolo Delucca, SVD Ir. Maria de Fátima Marques de Oliveira, SSpS Ir. Heloise Matos, SSpS ……………………………………………………………………………………………………………………………………………………………… INVESTIMENTO R$ 380,00 para cada etapa, incluindo hospedagem e todas as refeições. O investimento total será de R$ 1.520,00. Cada pessoa custeia sua viagem. INSCRIÇÕES Preencha sua ficha de inscrição até 28/02/2019 pelo Bibliodrama 2019Só serão aceitas as inscrições de quem fizer todas as etapas. Venha vivenciar o Bibliodrama e aprofundar a EspiritualidadeMissionária e Trinitária transformando sua vida e missão.
Vida, missão e martírio: o testemunho da Ir. Dorothy nos desafia

Neste dia 12 de fevereiro, recordamos com indignação o assassinato da Ir. Dorothy Stang, ocorrido em 2005. Missionária da Congregação de Notre-Dame, Ir. Dorothy foi brutalmente alvejada no Município de Anapu–PA. Por décadas, ela se dedicou a aliviar o sofrimento do povo pobre, promover a reforma agrária e a proteger o meio ambiente. Sua ação profética por meio de projetos concretos incomodou os poderosos daquela região: latifundiários interessados na extração de madeira, na expansão do plantio da soja, na conquista do espaço para o gado e na mineração. Depois de 14 anos de seu martírio, percebemos que a Mãe Terra e os filhos do solo paraense continuam sofrendo devido aos avanços do capitalismo selvagem. Indígenas, quilombolas, ribeirinhos e comunidades pobres são os mais vulneráveis aos múltiplos impactos socioambientais gerados pelos megaprojetos. De acordo com informações do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia, dos 2.441 km2 de área desmatada entre agosto de 2017 e maio de 2018, 852 km2 foram no Pará. Somente no mês de maio de 2018, a floresta amazônica perdeu uma área verde equivalente a duas vezes o tamanho de Belo Horizonte. Outro projeto de grande impacto para os comunitários e para o meio ambiente no Pará é a mineração de bauxita. A Mineração Rio do Norte (MRN) é a maior produtora de bauxita do Brasil e a terceira maior operação do mundo. As concessões de lavra da empresa abrangem 123.757,12 hectares de floresta amazônica. Além da contaminação das águas, a grande preocupação para os moradores da região são as barragens de rejeitos construídas pela MRN. Um campo de grandes contradições no Estado se refere à produção, distribuição e custos da energia elétrica. O Pará, depois do Paraná, é o Estado que mais gera energia de fonte hídrica. Com as novas instalações na hidrelétrica de Belo Monte, em 2020, tende a ser o primeiro. A Celpa (Centrais Elétricas do Pará S/A) é a única empresa de distribuição de energia elétrica para todo o Estado. Entre 2017 e 2018, ela acumulou um lucro líquido de 549,32 milhões de reais. No entanto, no Brasil, são os moradores do Pará que pagam mais caro pelo consumo de energia elétrica. Mais grave ainda é que existem comunidades onde não há energia nas casas. Estradas em péssimo estado, escolas precárias, falta de transporte, precariedade no sistema de saúde são outras realidades que ferem os direitos garantidos na Constituição, negligenciados ao povo do Pará. A Igreja local depara com esses desafios e enfrenta seus próprios limites. As distâncias entre as comunidades são grandes. O número de padres e religiosas é baixo para a demanda local. Nem sempre há consenso sobre a organização e a ação da Igreja ante a realidade do lugar. Diante desse quadro, Ir. Dorothy continua sendo um raio de luz no coração da Amazônia. Sua vida, consagração e missão conclama especialmente a vida consagrada religiosa a voltar o olhar para essa parte do Brasil. Sua entrega total e seu sangue derramado é o testemunho mais fiel de que seguir o Evangelho é comprometer-se com a integridade da criação até as últimas consequências. IRMÃ DOROTHY, PRESENTE! Por: Irmã Stela Maris Martins Presidente da Redes (Rede de Solidariedade) e graduanda em Ciências Sociais pela PUC Rio
Solidariedade da Igreja a Brumadinho

Duas semanas depois do rompimento da barragem em Brumadinho-MG, a situação do local e das famílias das vítimas é desoladora. A Arquidiocese de Belo Horizonte, por meio da Paróquia de São Sebastião, em Brumadinho, está mobilizada para visitar as famílias e dar todo o apoio pastoral possível. Os dados oficiais registram, até o momento, 150 mortos e 182 desaparecidos, mas existe a suspeita de que há muito mais. Uma de nossas missionárias, a irmã Francisca Romana da Costa, da Comunidade Madre Maria, em Belo Horizonte-MG, esteve com os agentes de pastoral e outras religiosas visitando as famílias. Ela dá seu depoimento sobre a situação que encontrou. O que podemos fazer para que isso não aconteça mais? “Ao me aproximar da cidade, já sentia algo que não dá para explicar. Um clima de desolação, de luto… Até a natureza demostrava algo estranho, como se, dentro da gente, a destruição tomasse conta. Não dá para explicar… Ao chegar à Paróquia São Sebastião, de onde todos partem para as visitas, percebi que, apesar do clima de muita dor e desolação, a paróquia está bem organizada, e os agentes de pastorais e os jovens estão incansavelmente presentes a cada dia. Eles percorrem a cidade e visitam os afetados pela barragem. O espírito de solidariedade e de compaixão é forte em todos os lados. Na Igreja, colocaram o Santíssimo exposto, oferecendo um momento forte de oração no qual os afetados encontram a força necessária para prosseguir. Nos velórios, os agentes de pastoral dão toda a assistência, com as orações das exéquias, consolando e dando forças às famílias neste momento cruel. Visitei algumas famílias. Estas continuamente indagavam o porquê de tudo isso. Falaram que sempre comentavam sobre o perigo da barragem. Dessas famílias que visitei, algumas já sepultaram seus entes queridos, outras não. As que não encontraram os corpos estão mais desesperadas e sofridas pela tragédia. Elas querem e esperam pelo corpo. O tempo está passando e vai ficando cada vez mais difícil. As estatísticas que divulgam não correspondem ao que é, pois são muito mais desaparecidos. É realmente uma tragédia enorme, que destruiu a vida humana de muitos e toda a natureza. Sabemos que o rio Paraopeba já não tem vida, e vai levando adiante mais e mais destruição. É devastador! Muito se fala, mas o que se faz é pouco. É impossível conter as consequências desses rejeitos, que já estão chegando ao Rio São Francisco. Os nossos trabalhos de missão e como fazemos as visitas são sempre enriquecedores em nossa vida. Mas uma tragédia como esta mexe com tudo em nós. Ver a cidade toda num clima de tanta tristeza choca… Comove o coração e dá uma sensação de impotência diante de tudo isso. Sabemos que a tragédia poderia ser evitada. Sabemos que as medidas de segurança e de fiscalização não foram tomadas… Pela ganância de alguns, muitas vidas se vão! O que podemos fazer para que isso não aconteça mais? Brumadinho agora está sendo em parte assistida, mas o pior ainda está por vir. As consequências de saúde e os traumas psíquicos desta tragédia vão aparecer mais adiante. O efeito devastador destes rejeitos de minério vão prosseguir por quilômetros, destruindo a vida por longo tempo.” Irmã Francisca Romana da Costa, SSpS – Enfermeira, estudou Teologia Pastoral, pós-graduanda em Direção Espiritual, atua como agente de pastoral e animadora vocacional.
Pré-noviças falam sobre a JMJ 2019

A Jornada Mundial da Juventude 2019 reuniu, no Panamá, entre 22 e 27 de janeiro, cerca de 200 mil jovens de 159 países. O evento mexeu também com os jovens que não puderam viajar. Assim foi com as pré-noviças da Congregação das Missionárias Servas do Espírito Santo (SSpS), que acompanharam a programação pelas redes sociais e pela televisão. No fim de janeiro, as pré-noviças voltaram das férias passadas com a família. Agora vão para a próxima etapa da formação, que será no Paraguai. Duas entram para o noviciado e três para o segundo ano do pré-noviciado, junto com jovens de outros países do continente pan-americano. Para Sabrina Souza da Cruz, 21 anos e pré-noviça do primeiro ano, o que mais a impressionou na Jornada Mundial da Juventude, além da quantidade de jovens participando, foi a missa de abertura e o discurso do Papa Francisco sobre Maria. Ela disse que se alegrou ao ver “o apoio que a Igreja está sempre dando aos jovens”. Ansiosa pelo que vem pela frente, Sabrina disse que “ir a outro país, conhecer outras culturas, outros povos, outras línguas exige uma entrega maior e traz mais desafios”. Para ela, Maria, a mãe de Jesus, é uma inspiração, especialmente pelo seu sim e confiança em Deus. Crislaine Mayra Lopes Pereira, 25 anos, já foi para o Paraguai e, no dia 10 de fevereiro, inicia o noviciado. Ela também acompanhou a Jornada Mundial da Juventude e destacou a missa de abertura e a via-sacra como os momentos mais significativos. O tema da jornada deste ano, “Eis aqui a serva do Senhor. Faça-se em mim segundo a tua palavra” (Lc 1,38), e as palavras do Papa Francisco sobre Maria foram muito tocantes, segundo Crislaine. Recordando as palavras do Papa que chamou Maria de “influencer” de Deus, porque, mesmo em sua pequenez, ela influenciou a história do mundo, Crislaine se pergunta: “E eu, como vocacionada, como jovem, como posso ser uma influência de Deus na vida dos outros jovens e também das irmãs?”. Para Crislaine, a Jornada Mundial da Juventude é importante para os jovens do Brasil e do mundo por “mostrar que a Igreja está do lado do jovem”. Destaques da JMJ no Panamá Apresentamos aqui alguns momentos de destaque da JMJ, de acordo com as declarações do próprio Papa Francisco, logo depois que retornou do Panamá a Roma. Jovens indígenas: a JMJ foi precedida pelo I Encontro Mundial da Juventude Indígena, cinco dias antes. Segundo o Papa Francisco, foi “um belo gesto”, “uma iniciativa importante que manifestou ainda melhor o rosto multiforme da Igreja na América Latina”, que “é mestiça”. Chegada dos jovens de todo o mundo: “Ver todas as bandeiras desfilarem juntas, dançando nas mãos dos jovens alegres de se encontrar é um sinal profético, um sinal contracorrente em relação à triste tendência atual aos nacionalismos conflitantes, que levantam muros e se fecham para a universalidade, para o encontro com os povos”. Presença de Maria na vida dos jovens: “Foi forte ouvir as palavras proferidas pelos representantes dos jovens dos cinco continentes e, sobretudo, vê-las transparecer em seus rostos. Enquanto houver novas gerações capazes de dizer ‘eis-me aqui’ a Deus, haverá um futuro para o mundo”. Celebração da Via-Sacra: “Caminhar com Maria atrás de Jesus que leva a cruz é a escola da vida cristã: ali se aprende o amor paciente, silencioso e concreto”. Vigília do sábado à noite: “Na vigília, renovou-se o diálogo vivo com todos os jovens, entusiastas e também capazes de silêncio e escuta”. “Passavam do entusiasmo à escuta e à oração em silêncio.” Missa de encerramento: “Cristo Ressuscitado, com a força do Espírito Santo, falou novamente aos jovens do mundo, chamando-os a viver o Evangelho no ‘hoje’, porque os jovens não são o ‘amanhã’, são ‘o hoje para o amanhã’, não são o ‘entretanto’, mas o hoje, o agora da Igreja e do mundo”. Próxima JMJ A Jornada Mundial da Juventude ocorre a cada três anos. Em 2013, esta se realizou em nosso país, no Rio de Janeiro; em 2016, foi em Cracóvia, na Polônia; neste ano, na cidade do Panamá, capital do Panamá; e a próxima, em 2022, será em Portugal, na cidade de Lisboa.
A tragédia da privatização da Vale

Para a empresa privada Vale S.A., a hipótese de incorrer em crime ambiental é muito mais barata do que garantir a segurança das pessoas, dos animais, enfim, do meio ambiente. No último trimestre, o lucro da companhia ultrapassou a casa dos 5 bilhões de reais. É por isso que a lógica neoliberal-capitalista destrói, não se importa com a vida humana. A tragédia da sexta-feira, 25 de janeiro de 2019, pelo rompimento de uma barragem da mina do Córrego do Feijão, da Vale S.A., é apenas mais uma das muitas que vêm aterrorizando a região, numa periodicidade média de aproximadamente um desastre a cada três anos. O número de vítimas fatais não é proporcional ao tamanho das barragens. Desastres como os das barragens da Mineração Rio Verde (atual Mar Azul/Vale, em Nova Lima-MG, em 2001) ou das minas de Fernandinho (Namisa/CSN, 1986) e Herculano (2014), em Itabirito-MG, tiveram vítimas fatais em número proporcionalmente maior do que o da Samarco, em Mariana-MG. A mineradora Vale, privatizada em 1997, é a terceira maior empresa do Brasil. Está minerando em 30 países e é uma das maiores do mundo. Após cometer o crime trágico do dia 5 de novembro de 2015, em Mariana, o qual ceifou vidas de 19 pessoas, peixes, animais, vegetação… envenenou a mãe terra e a irmã água do Rio Doce, cerca de outras 30 pessoas, nos últimos três anos, foram mortas como vítimas do crime que continua. A VALE prossegue a matança com a cumplicidade de seus aliados, incluindo autoridades e órgãos do Estado de Minas Gerais, governo federal e Poder Judiciário. Com grande perversidade, a Vale segue repetindo a mesma atrocidade anunciada. Dia 25 de janeiro, às 13h20min, o terror recaiu a partir do Município de Brumadinho-MG, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Esse crime cometido pela Vale pode ser muito maior do que o apontado pelos meios de comunicação. A lama tóxica CHEGARÁ AO RIO SÃO FRANCISCO, RUMO AO MAR! Recordemos exatamente quando iniciaram as tragédias tendo como responsabilidade direta a privatização da Vale, na voracidade do neoliberalismo de Fernando Henrique Cardoso. Em 6 de maio de 1997, o governo FHC leiloava a principal empresa brasileira no ramo da mineração e infraestrutura, a Vale do Rio Doce (hoje apenas Vale). A Vale do Rio Doce tinha um papel estratégico na economia nacional. A empresa foi criada em 1942, durante o governo de Getúlio Vargas, com recursos do tesouro nacional. Durante 55 anos, foi uma empresa mista, e o seu controle acionário pertencia ao governo federal. Batendo recordes atrás de recordes, a empresa se tornou uma das principais estatais do País. Em 1996, a Vale era uma estatal gigantesca, com reservas de metais de US$ 40 bilhões. Mas, antecipadamente, soube-se que grupos de empresas pagariam apenas US$ 3 bilhões para assumirem o poder acionário da estatal. Lembremo-nos do patrimônio da Vale em 1996, segundo a Revista Dossiê Atenção, “Porque a venda da Vale é um mau negócio para o país”, fls. 282-292 da Ação Popular nº 1997.39.00.011542-7/PA. maior produtora de alumínio e ouro da América Latina; maior frota de navios graneleiros do mundo; 1800 quilômetros de ferrovias brasileiras; 41 bilhões de toneladas de minério de ferro; 994 milhões de toneladas de minério de cobre; 678 milhões de toneladas de bauxita; 67 milhões de toneladas de caulim; 72 milhões de toneladas de manganês; 70 milhões de toneladas de níquel; 122 milhões de toneladas de potássio; 9 milhões de toneladas de zinco; 1,8 milhão de toneladas de urânio; 1 milhão de toneladas de titânio; 510 mil toneladas de tungstênio; 60 mil toneladas de nióbio; 563 toneladas de ouro; 580 mil hectares de florestas replantadas, com matéria-prima para a produção de 400 mil toneladas/ano de celulose. Um dia antes do leilão, Fernando Henrique Cardoso afirmou que existia um sentimento “tosco” (rude, grosseiro) aos que se opunham à venda da Vale do Rio Doce e disse que a batalha jurídica em torno da privatização não adiaria o leilão. “Essas pessoas têm um sentimento um pouco tosco e não entendem o significado do que está sendo feito, que foi um ato democrático”, afirmou o então presidente, em 28 de abril de 1997. Para o sociólogo neoliberal, estava ocorrendo era uma “batalha política” na Justiça para impedir o leilão. “Sempre foi assim. Foi assim com a CSN, até mais agressivo. Mas não se vai mudar a data do leilão.” Segundo Fernando Henrique, o fato de o país ter origem ibérica facilitava a disseminação da ideia de que o “mundo parece vir abaixo”: “Não vem abaixo”. Mas já veio abaixo, várias vezes, para centenas de brasileiros! Irmã Luciana Rzepka, SSpS – Professora universitária, educadora, teóloga, bióloga, palestrante, pós-graduada em Ciências da Religião, mestranda em Teologia Bíblica. _ _ _ _ Maria Inês C. Preza Freitas – Professora universitária, educadora, escritora, jornalista, filósofa, palestrante, pós-graduada em Ciências da Religião, Filosofia do Ensino Religioso e Filosofia Clínica; mestra e doutoranda em Filosofia Política e pesquisadora em Filosofia da Psicanálise.
Testemunho Missionário – Irmã Terezinha Colombo

O Testemunho Missionário deste mês apresenta a Ir. Terezinha Colombo, missionária gaúcha apaixonada pela alfabetização. No Tocantins, criou uma escola municipal e assumiu uma paróquia. Atuou também na educação infantil, em São Paulo e em Brasília.