Uma comunidade a serviço da juventude

A Comunidade Madre Josefa, em Belo Horizonte-MG, tem como missão a formação das jovens que desejam entrar para a Congregação das Missionárias Servas do Espírito Santo. Nos últimos anos, o lugar acolheu as aspirantes e as postulantes de primeiro ano, introduzindo as jovens vocacionadas no estilo de vida comunitária e preparando-as para os passos seguintes da formação inicial. Você já imaginou como uma jovem se torna uma missionária SSpS? Neste vídeo, você vai ter uma ideia de como é pelo menos nas etapas iniciais. Você vai poder ver como é o cotidiano da vida comunitária e da missão. As jovens partilham também seus sonhos e suas buscas, enquanto as irmãs apresentam os desafios e a proposta da comunidade. Você vai perceber que a diversidade de cultura e de idades também fazem parte da formação numa congregação internacional, e grande parte do processo de formação se dá na convivência comunitária. É claro que as jovens estudam e fazem cursos, mas é no dia a dia que vão aprendendo as atitudes e o jeito de ser de uma missionária serva do Espírito Santo. Nesse sentido, é importante o testemunho e a presença de Ir. Giselda Kerber que, aos 83 anos (quando o vídeo foi gravado), dá um show de dedicação à missão. Assista ao vídeo:
Direitos humanos: uma opção pela justiça e pelo bem comum

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) propõe, anualmente, no tempo quaresmal, a Campanha da Fraternidade. O objetivo é colaborar para que a sociedade reflita acerca das dificuldades enfrentadas pela população e sobre a necessidade de conversão. Com isso, o tema escolhido para este ano é “Fraternidade e Políticas Públicas”, com o lema “Serás libertado pelo direito e pela justiça”. Segundo o coordenador da Dimensão Missionária, Agostinho Travençolo Júnior, o tema das políticas públicas está sendo refletido nas escolas da Rede de Educação Missionárias Servas do Espírito Santo e na sociedade como um todo. “O desejo da CF é ajudar a população a pensar na importância das políticas de Estado como meio de assegurar condições para que as pessoas possam viver com dignidade”, explica. Mas o que são políticas públicas? Segundo Agostinho, “Educação, saúde, trabalho, lazer, assistência social, meio ambiente, cultura, moradia, transporte, entre outros, são alguns exemplos de direitos que deveriam ser garantidos aos cidadãos”. Para ele, “O principal objetivo da CF é estimular a participação de todos, à luz da Palavra de Deus, na busca do fortalecimento da cidadania e do bem comum, como sinais de fraternidade”. Agostinho conta que a Equipe Missionária da Rede de Educação e os educadores dos colégios Stella, Sagrado Coração de Maria, Sagrado Coração de Jesus e Espírito Santo se inspiraram na CF 2019 ao escolheram o tema transversal “Direitos humanos: uma opção pela justiça e pelo bem comum”, que permeará todo o trabalho pedagógico da Rede de Educação durante este ano. Pensando na pertinência do tema para o contexto social, Agostinho afirma: “Somos chamados a garantir e colocar em prática direitos que ajudem nosso povo a ser mais feliz”. Tema transversal no Sagrado Cada um dos colégios está colocando em prática o tema transversal e busca viver a CF 2019. Para Simone Fortunato Nunes, coordenadora da Pastoral Missionária do Colégio Sagrado Coração de Jesus, em Belo Horizonte-MG, “A importância de se ter um tema norteador para todas as atividades acadêmicas é a oportunidade de motivar os alunos a perceber que os direitos humanos são o caminho para que a sociedade chegue à justiça e ao bem comum”. “As políticas públicas se tornam necessárias como forma de redistribuição dos bens não ofertados plenamente e suficientemente pelo Estado, principalmente como forma de suprir as demandas existentes, a fim de se evitar que a sociedade corra algum tipo de risco”, explica. Assim, segundo Simone, “O Estado busca garantir a segurança, a ordem e o bem-estar social, almejando, a partir de funções associadas, distributivas e estabilizadoras, as demandas coletivas”. Para a coordenadora, a escola é um desdobramento da garantia de um bem público obrigatoriamente fornecido pelo Estado, que é a educação. E ela define essa área como “um espaço de educação e convívio social, com um papel fundamental na formação de cidadãos críticos, justos e solidários”. Por isso, ela considera imprescindível para as escolas católicas acolher a proposta de reflexão e conversão lançadas pela CNBB. Simone afirma que, “como escola católica, que tem sua filosofia baseada no exemplo do Cristo, torna-se impossível ignorar o desafio social” e explica que “a justiça social é uma das implicações do evangelho”. Por isso, “acreditar, promover e lutar por ela é um testemunho cristão”. “Num mundo afligido por tantas situações que atentam contra a vida, a dignidade e o bem-estar dos seres humanos, é mister que os cristãos reforcem seu compromisso pessoal e social, perguntando-se acerca de sua responsabilidade pelo bem comum, partindo da experiência individual e ampliando para a vivência comunitária, dando vida às palavras do Mestre: ‘Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados!’ (Mateus 5,6)”, conclui. Veja as fotos da abertura da CF – 2019 no Colégio Sagrado Coração de Jesus
Encontro no deserto

Os evangelhos sinóticos narram que, depois da experiência no batismo, Jesus foi conduzido ao deserto (Mt 4,1-11; Mc 1,12-13; Lc 4,1-13). Após quarenta dias naquele lugar, Jesus foi tentado (os quarenta dias, no caso, acenam para os quarenta anos da travessia de Israel no deserto). Há quem veja esse acontecimento das tentações como uma provação da qual Jesus, sendo o Filho de Deus, sai triunfante. Nós, porém, seguindo Juan Antonio Estrada, preferimos ler nesse episódio o processo de assimilação e amadurecimento da experiência que Jesus viveu em seu batismo: “Tu és o meu filho amado, em ti me comprazo” (Mc 1,11b). Todo novo conhecimento de Deus precisa ser assumido pessoalmente, mas o processo é muito complexo. É necessário observar com atenção os efeitos e a interpretação que se faz dessa experiência. Em outras palavras, trata-se de fazer um processo de discernimento para não cair no autoengano. Depois da experiência de Deus, surge uma nova sensibilidade, que precisa ser estruturada no “deserto”. “E logo o Espírito o impeliu para o deserto. E ele esteve no deserto quarenta dias, sendo tentado por Satanás; e vivia entre as feras, e os anjos o serviam” (Mc 1,12-13). É interessante que os evangelistas sublinhem que foi o Espírito quem impeliu Jesus ao deserto. Jesus é inabitado pelo Espírito, mas é tentado porque é parte de uma sociedade e sofre as influências do “dever ser” que essa sociedade lhe impõe. Porém Jesus não teve medo de sua liberdade interior nem das exigências de ser autêntico, por isso ele não se submeteu ao código social e, ou, religioso. Em nossos dias, abundam ofertas de experiências religiosas, mas nos chama a atenção que os efeitos, muitas vezes, ficam num subjetivismo alienante. E é que todos estamos condicionados por nossa personalidade e o código cultural do qual fazemos parte, assim somos presas fáceis de enganos. O âmbito religioso certamente é uma mediação para encontrar Deus, mas também é um lugar de tentação. Aliás, análogo a certas experiências religiosas, intensifica-se o fenômeno patológico, que busca o bode expiatório sobre o qual descarregar a culpa da desgraça e do pecado. Aludir às tentações de Jesus se refere, pois, a tratar do encontro de nós com nós mesmos, em vistas do amadurecimento na fé. É indispensável que reconheçamos nossa vulnerabilidade humana e que nos confrontemos com as forças contraditórias presentes no interior de todo ser humano. A tentação faz parte de nossa estrutura humana, pois está atrelada à insegurança pessoal. Todos buscamos a segurança que neutralize a angústia existencial. Mas acontece que, muitas vezes, ao fugir dessa angústia, acabamos nos submetendo ao “dever ser” que a sociedade nos apresenta e deixamos de almejar ser o que Deus nos chama a ser. Ainda que as tentações respondam às necessidades humanas de satisfazer a fome, ao anseio de ser valorizados e ao desejo de poder, precisamos advertir para a dinâmica diabólica que jaz por trás delas. Essas necessidades, usando-se das carências e desejos humanos, facilmente seduzem ao acúmulo, dominação e triunfalismo, aliás, quando essas tentações se cristalizam, somente causam destruição. Jesus, como homem verdadeiro, inserido numa cultura concreta, sentiu a tentação e a ambiguidade da vida que ameaçava perverter a experiência de seu batismo. Mas ele venceu as tentações, confrontando-as num profundo discernimento. Assim, Jesus transforma as necessidades e desejos humanos, canalizando-os para um projeto de sentido, o projeto do reinado de Deus. Nós, também deixemo-nos conduzir pelo Espírito Santo ao deserto da vida, para aí apreendermos com Jesus a resistir às tentações e aderir a seu projeto de vida. Irmã Juana Ortega, SSpS, é teóloga especializada em Bíblia. Nasceu no México, trabalhou em Moçambique e colabora na Animação Vocacional.
Justiça e Paz promove CF 2019

A Comissão Brasileira de Justiça e Paz (CBJP) da CNBB e representantes de Justiça, Paz e Integridade da Criação da Conferência dos Religiosos do Brasil (JPIC – CRB) realizaram, de 22 a 24 de fevereiro, em Brasília-DF, um encontro em aliança das duas organizações. O tema foi “Serás libertado pelo direito e pela justiça” (Is 1,27). O evento teve três objetivos principais: 1) promover a troca de experiências entre as comissões de Justiça e Paz diocesanas, regionais e brasileiras, com as comissões de Justiça, Paz e Integridade da Criação da CRB; 2) analisar a realidade brasileira, tendo como critérios a Encíclica “Laudato Si’”, a Campanha da Fraternidade, a Constituição Brasileira de 1988 e o Sínodo da Amazônia; 3) fortalecer a Rede Brasileira de Justiça e Paz, mobilizando uma comunicação para a transformação social, com destaque para o Dia Mundial dos Pobres, instituído pelo Papa Francisco. A missionária SSpS, irmã Malgarete Scapinelli Conte, membro da Diretoria da Redes (Rede de Solidariedade das Missionárias Servas do Espírito Santo), esteve presente e conta que o encontro reuniu 87 pessoas de 22 Estados. A reunião proporcionou momentos de muita partilha do que cada participante faz relacionado ao tema. “Existe muita vida acontecendo no Brasil, mas se dá pouca visibilidade a esse fazer cotidiano no meio do povo”, afirma Ir. Malgarete. “Apesar das riquezas partilhadas, senti muita indignação ao ver tantas injustiças cometidas por diferentes autoridades”, desabafou. Entre os assuntos discutidos, o que mais a impressionou foram os dados trazidos sobre o modelo predatório de exploração da Amazônia, envolvendo madeira, pecuária, mineração, monocultura e energia. Ela cita que, em quatro décadas, o desmatamento passou de 0,5% do território da floresta original para cerca de 18%. Além de 50% da madeira oriunda da Amazônia serem explorados ilegalmente, pelo menos outros 40% apresentam algum tipo de irregularidade, como fraudes em documentação ou uso de trabalho escravo. De cada 5 hectares de terra na Amazônia 1 é ocupado sem documentação ou com documentos falsos. Irmã Malgarete lembra também que a Amazônia desmatada concentra 9 em cada 10 mortes de ativistas em conflitos no campo e menciona a irmã Dorothy Stang, assassinada em 2005. “A morte da floresta é o fim da nossa vida”, dizia Ir. Dorothy. Muito indignada com a situação, Ir. Malgarete afirma que há estudos que mostram que é possível ter um outro modelo que seja socioambiental e trabalhe a agroecologia direcionada aos povos da floresta e à redistribuição da renda. Reforçando a proposta da Campanha da Fraternidade deste ano (Fraternidade e Políticas Públicas), Ir. Malgarete acrescenta: “Temos muito de trabalhar na conscientização, na formação e troca de experiências, fortalecimento e organização desde as bases e na comunicação, recriando nossa narrativa no anúncio do Reino. É muito importante a participação em conselhos, fóruns, audiências públicas e outros”. A seguir, publicamos a íntegra da carta redigida pelos participantes e dirigida ao povo de Deus. No texto, apresentam suas principais preocupações em relação ao contexto mundial e nacional. Também apresenta propostas de enfrentamento, em consonância com a CF 2019, cujo lema “Serás libertado pelo direito e pela Justiça” (Is 1,27), assumido por eles. MENSAGEM AO POVO DE DEUS III Encontro Nacional da Aliança CBJP/CNBB e JPIC/CRB Nacional de Justiça,Paz e Integridade da CriaçãoXVII Encontro Nacional das Comissões Justiça e Paz e Afins] “Serás libertado pelo direito e pela justiça” (Is 1,27) Nos dias de 22 a 24 de fevereiro de 2019, mais de oitenta representantes da Comissão Brasileira de Justiça e Paz (CBJP), de comissões de Justiça e Paz regionais e diocesanas (CJP), de Justiça, Paz e Integridade da Criação (JPIC) da Conferência de Religiosos e Religiosas do Brasil (CRB) realizaram, em Brasília, na Casa de Retiros Assunção, o III Encontro Nacional da Aliança CBJP/CNBB e JPIC/CRB Nacional, e o XVII Encontro Nacional das CJP e Afins. Os participantes vieram de 22 Estados, garantindo a presença de todas as regiões do País. Com esta carta, saúdam todos e todas que, em nome do Evangelho, dedicam suas vidas à defesa da justiça e à promoção da paz. O cenário nacional e internacional inspirou constante preocupação. A ameaça de conflito internacional envolvendo especialmente a Venezuela, um possível envolvimento brasileiro nesse conflito armado na região, o modelo predador de desenvolvimento nacional, agressões e ameaças a defensores e a defensoras de direitos humanos, e a destruição de direitos sociais (conquistados e incluídos na Constituição Federal de 1988) constituíram elementos imprescindíveis para compreender o que está em jogo atualmente e mereceu a atenção das comissões reunidas. Foram relacionados ainda a Medida Provisória nº 870/2019 (que redefine as atribuições dos órgãos do Poder Executivo), o Projeto Anticrime e a proposta de reforma da Previdência, apresentada pelo governo federal, como aspectos recentes que marcam a conjuntura nacional brasileira e que confirmam um quadro de incertezas nos próximos anos para o País. As comissões reunidas assumem a perspectiva das populações empobrecidas, por quem o Papa Francisco nutre cuidado e dedicação especiais, e porque foi em sua defesa que ele convocou o Sínodo para a Amazônia. São essas populações, formadas pelos povos indígenas, quilombolas, quebradeiras de coco e outros povos originários e comunidades tradicionais, as principais vítimas da Emenda Constitucional nº 95/2016 (que congelou ao reajuste apenas pela inflação, por 20 anos, os recursos destinados à saúde, educação e outras políticas sociais); da terceirização e reforma trabalhista; da entrega dos territórios preservados às mineradoras; da expansão das monoculturas; e da perda da biodiversidade. Essas reformas aprovadas e as propostas apresentadas atingem principalmente as mulheres, as pessoas idosas, os jovens e as crianças. Defender o ecossistema inclui levar em consideração essas populações tradicionais que, milenar ou secularmente, povoam, de forma harmônica, os diferentes biomas brasileiros. Do mesmo modo, manifestam sua preocupação com o modelo de política criminal adotado pelo atual governo, sobretudo no que se refere ao incentivo ao armamento da população e ao estímulo à violência policial, que poderá vitimizar, principalmente, a juventude pobre e negra que habita as periferias. Tais medidas não levam em conta a complexidade do fenômeno, desresponsabilizam o Estado pela segurança pública
Chega de violência contra a mulher

Celebrar o Dia Internacional da Mulher não é simplesmente reconhecer sua importância na sociedade, a qual é inegável, mas é, antes de tudo, um grito de protesto contra todo o sofrimento que é imposto às meninas e às mulheres no mundo inteiro. Por que será que as mulheres precisam carregar um fardo tão pesado de discriminação, violência, desigualdade e preconceito? Quanto dano faz uma cultura machista! Ser diferente não quer dizer ser inferior ou superior, significa apenas ter habilidades e possibilidades distintas para nos ajudar mutuamente e nos complementar como seres humanos, com os mesmos direitos e deveres. Infelizmente, ainda estamos longe disso. O Brasil ocupa o quinto lugar no ranking dos países onde há o maior índice de feminicídio no mundo. Só em 2016, uma mulher brasileira foi assassinada a cada duas horas. Mas o que é feminicídio? É matar uma mulher pelo fato de ela ser mulher, ou seja, por questões de gênero, em consequência do menosprezo ou discriminação da condição feminina. No Brasil, muitas mulheres são assassinadas pelos seus próprios maridos ou namorados. Até bem pouco tempo, as penas desses crimes eram abrandadas por estes serem considerados passionais e em defesa da honra. Somente a partir de 2015 o assassinato de mulheres passou a ser tido como crime hediondo, graças à Lei 13.104, que alterou o Código Penal Brasileiro. É preciso entender que o feminicídio é o último estágio da violência contra a mulher. Segundo dados divulgados pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, em 2016, a cada hora, 503 mulheres acima de 16 anos foram vitimadas, resultando em 4,4 milhões de casos denunciados. Essas agressões foram desde a ofensa verbal e a ameaça até a violência física. Estes dados são alarmantes! Mas de onde vem toda essa violência? De acordo com a Organização das Nações Unidas, as agressões estão relacionadas ao sentimento de posse e de controle do homem sobre a mulher e seu corpo, do desejo de limitar sua emancipação e autonomia, e ainda o desprezo e até mesmo o ódio por sua condição de gênero. Todos esses fatores são culturais e precisam ser mudados. Daí a importância de abrir os olhos para o que está acontecendo e denunciar, ajudar as mulheres que sofrem agressões a buscarem amparo legal. Para isso temos a Lei Maria da Penha e a Delegacia da Mulher. Vamos, sim, comemorar o Dia Internacional da Mulher, homenageando sua coragem, sua criatividade, seu cuidado pela vida, sua capacidade de amar e de criar beleza ao seu redor. Vamos agradecer às mulheres por tornarem o mundo um lugar muito melhor… Mas vamos também dizer “chega”! Chega de violência contra a mulher! Chega de feminicídio! Chega de desigualdade, preconceitos, exploração sexual e de todos os tipos de exploração! Chega de abusos contra a mulher! Irmã Ana Elídia Caffer Neves, SSpSJornalista, membro da Equipe de Comunicação Congregacional e coordenadora de Comunicação da Província Stella Matutina (BRN)
Viver bem o tempo da Quaresma

Se você busca Deus e acredita que a fé tem de ser praticada no dia a dia, aqui vão algumas dicas para viver intensamente este tempo da Quaresma. Mas, afinal, o que é mesmo a Quaresma? É o período litúrgico que começa logo depois do carnaval, na Quarta-Feira de Cinzas, e termina antes da celebração da Ceia do Senhor, na Quinta-Feira Santa, quando começa o Tríduo Pascal, que é a celebração da paixão, morte e ressurreição de Jesus. Então, é um caminho de preparação para a Páscoa. E para que serve este tempo? A Igreja Católica sempre ensinou que a Quaresma é um período de conversão, no qual somos chamados a nos tornar pessoas melhores. Para isso, a Igreja propõe algumas práticas espirituais, especialmente o jejum, a oração e a esmola, ou prática da caridade. Vejamos cada uma dessas práticas. Jejum Tem sentido, ainda hoje, jejuar? Tem! Jejuar é deixar de comer ou abster-se de algo. É uma forma de educar o corpo e de fortalecer o espírito para dominar nossas tendências negativas e nos tornarmos pessoas mais livres. Por exemplo, posso jejuar, deixando de comer algo que gosto para ajudar os pobres… Posso também jejuar de vídeo games, de bebida alcóolica e até de cigarro, especialmente se estes começam a prejudicar minha vida. Há outros jejuns também desafiadores e que fazem muito bem, como jejuar de falar mal dos outros… De que tipo de jejum você está precisando? O importante é o sentido de sacrificar algo para o bem do próximo e para corrigir alguma coisa que não está indo bem em minha vida. Oração A oração é muito importante para a nossa vida, especialmente nesta época das redes sociais, que não nos deixam um minuto. Rezar é tirar um tempo para me encontrar com Deus e comigo mesmo; tomar consciência do amor de Deus em minha vida e ver se estou amando de verdade as pessoas. Há muitas maneiras de rezar. Todas as que me ajudam a viver o Evangelho e a fazer o bem ao próximo são boas formas de oração. Esmola Há ainda a esmola e a prática da caridade. O sentido da esmola é ajudar o pobre e quem passa por necessidades. Essa atitude espiritual é básica, e devemos fazê-la com critério. Não basta simplesmente dar uns trocados a qualquer mendigo para acalmar a consciência. É necessário ir às causas que geram mendigos, moradores de rua, crianças abandonadas, pessoas famintas e tantas outras situações que clamam aos céus, e fazer o que está a nosso alcance para superá-las. Campanha da Fraternidade Para nos ajudar a vivenciar as práticas espirituais da Quaresma de tal forma que elas possam transformar as situações de injustiça e melhorar a vida das pessoas, a Igreja no Brasil realiza a Campanha da Fraternidade (CF). A cada ano, a Campanha traz um tema relevante que ajuda a entender, à luz da fé, alguma situação ou problema e a buscar alternativas de solução. Neste ano, o tema da CF 2019 é “Fraternidade e Políticas Públicas”, e o lema “Serás libertado pelo direito e pela justiça” (Is 1,27). Políticas públicas O tema da CF 2019 vai nos ajudar a entender que podemos e devemos atuar como cidadãos e lutar pela garantia dos direitos fundamentais, como educação, saúde, moradia, trabalho, cultura, lazer, preservação do meio ambiente, oportunidade de acesso às novas tecnologias, entre outros. A Constituição Brasileira de 1988 garante todos esses direitos, mas os governos, muitas vezes envolvidos em corrupção, utilizam os recursos públicos para interesses próprios, deixando grande parte da população brasileira totalmente desassistida. Nesse contexto, o exercício da cidadania é fundamental e pode até mesmo mudar, para melhor, os rumos do País. Mas, para isso, o que temos de fazer? Qual é o caminho para que as políticas públicas respondam às reais necessidades da população e sejam de fato implantadas? É o caminho da participação e da política. Para isso precisamos partir para algumas ações bem concretas: tomar conhecimento do que está acontecendo em nossa cidade; acompanhar a atuação dos políticos que elegemos e também dos outros; participar de fóruns de discussão de questões sociais, de movimentos populares e outros; participar na elaboração e implementação de políticas públicas, por meio dos conselhos deliberativos (criança e adolescente, saúde, assistência social e educação). Essas são algumas das possibilidades, mas, para conhecer melhor as propostas da Campanha da Fraternidade, trazemos alguns links para você consultar: Mais informações: https://campanhadafraternidade2019.com.br/ Kit gratuito da CF: https://bit.ly/2Uc2RaB Texto-base: https://portalkairos.org/tag/cf-2019-texto-base/ Irmã Ana Elídia Caffer Neves, SSpSJornalista, membro da Equipe de Comunicação Congregacional e coordenadora de Comunicação da Província Stella Matutina (BRN)
Encontros que movimentam a água

É interessante que o evangelista sublinhe que eram muitos os que esperavam a cura e logo dirija nossa atenção no encontro a sós entre Jesus e o homem que estava enfermo: “Encontrava-se ali um homem enfermo havia trinta e oito anos. Jesus o viu aí deitado e, sabendo que estava assim desde muito tempo, perguntou-lhe: ‘Queres ficar sadio’” (versículos 5 e 6). O relato nos diz que o homem ficou curado antes mesmo de proferir qualquer palavra de fé: “Jesus lhe disse: ‘Levanta-te, toma tua maca e anda!’” (v. 8). O diálogo que se estabelece entre Jesus e esse homem deixa-nos mais desconcertados, pois, embora se trate de uma cura milagrosa, foge do esquema típico das curas de doenças. Geralmente há um pedido e uma afirmação da fé, mas, neste caso, é Jesus quem, por iniciativa própria, apresenta-se ao enfermo com uma oferta. Mesmo diante da negativa deste, Jesus insiste. Cabe observar que, no caso, o imperativo “Levanta-te” antecipa já a autoridade de Jesus para ressuscitar os mortos (cf. Jo 11). Nessa ótica, o acontecimento transcende a cura física e nos situa perante questões mais profundas que paralisam internamente o ser humano. Podem ser ideologias religiosas ou culturais, indiferença social, sofrimento, injustiça, etc. Na lógica de nossa sociedade, a gratuidade parece absurda. Em geral, somos educados na ideologia mercantilista. Assim, oferecemos algo (inclusive afeto) ou fazemos favores esperando retribuição (que ganho com isso De que me serve isso…, etc.) Dessa forma, quando é evidente que não seremos retribuídos, nós nos negamos a ajudar e até mesmo nos justificamos com razões socialmente válidas (não faço mal a ninguém, eu trabalho, meu dever é cuidar da minha família…). Também colocamos a Deus a concepção retributivo-mercantil, por isso nos custa tanto confiar na gratuidade de seu amor e misericórdia (no fundo, acreditamos mais na recompensa e no castigo). Destarte, preferimos pagar que ofertar, cumprir ritos religiosos que ser compassivos com quem está sofrendo da paralisia sociocultural e religiosa. Aliás, se no mais recôndito de nosso coração, estamos satisfeitos sendo como somos, não haverá uma mudança capaz de acolher a oferta libertadora de Jesus. O enfermo esperava que a água da piscina fosse movimentada e que, daquela vez, conseguisse mergulhar. “O enfermo respondeu: ‘Senhor não tenho ninguém que me leve à piscina quando a água se movimenta. Quando estou chegando, outro entra na minha frente’” (v. 7). O fato de querer curar-se, embora não visse como, pois ninguém o ajudava, foi a primeira atitude para ele receber a cura. E Jesus manda-o que faça o que parecia impossível. Ele diz “Levanta-te!”. Além do mais, é interessante que Jesus o mande o enfermo carregar a maca na qual este esteve deitado por trinta e oito anos. Porém o homem não se queixa, não se autocompadece; ao contrário, faz o esforço de levantar-se, carregar sua maca e andar. É, no entanto, um sábado. Logo, a lei rabínica proíbe estritamente as pessoas de carregarem qualquer objeto. Parece, pois, uma ironia que o homem que foi curado agora esteja quebrando a lei. Essa transgressão poderá levá-lo a ser apedrejado até a morte. Por isso, ao ser questionado, ele se defende, colocando a culpa no homem que o curou. É notável que não saiba quem é Jesus, por isso diz: “Aquele que me curou disse: ‘Toma teu leito e anda!’”(v. 11). Na realidade, somente busca ver-se livre da situação. “Mais tarde, Jesus encontra-o no templo e, desta vez, lhe diz: ‘Ficaste saudável, não peques mais’” (v. 14). Agora não é o profundo da piscina que se mexe, mas é o homem, em seu mais recôndito, estremecendo-se ao descobrir que aquele que o curou e mandou carregar sua maca é Jesus. Certamente, depois disso, as acusações se deslocam à pessoa de Jesus. Entretanto a defesa de Jesus é surpreendente: “Meu Pai trabalha sempre, e eu trabalho também” (v. 17b). Jesus mostra-nos que o cerne da lei de Deus é o amor, a misericórdia e a compaixão. Indiscutivelmente, o Filho e o Pai não descansam. Eles continuam procurando-nos junto à “piscina”. Eles nos desafiam a levantar-nos da paralisia, para chegarmos àquilo que devemos ser: filhos de Deus. Jesus nos quer de pé, quer-nos carregando nossa maca como testemunho de que é possível sermos seus seguidores! Irmã Juana Ortega, SSpS, é teóloga especializada em Bíblia. Nasceu no México, trabalhou em Moçambique e colabora na Animação Vocacional.
Escolas Vivas também brincam o carnaval

Colégios da Rede de Educação promovem blocos carnavalescos com temática sobre direitos humanos O carnaval é uma das festas que mais traduzem a diversidade da cultura brasileira, por isso é considerado a celebração mais popular do País. Os enredos das escolas de samba, as temáticas dos blocos de rua e os motes dos bailes em clubes mostram a vibração do povo para assuntos do cotidiano do Brasil. Na programação de uma Escola Viva, o carnaval não fica de fora. É por isso que os colégios da Rede de Educação Missionárias Servas do Espírito Santo organizaram quatro espaços de folia: o Bloco do Stella, Bloco do Sagrado, Bloco do Coração de Maria e Bloco do Espírito Santo. O tema é “Carnaval com alegria e respeito aos direitos humanos”. O objetivo é convidar a comunidade educacional para uma reflexão, usando uma linguagem mais leve. Além disso, a proposta traz para a realidade das escolas o principal assunto que está em voga no País e faz, de forma direta, uma conexão com o tema transversal da Rede de Educação. Nas redes sociais das escolas, a ação já começou na semana que antecede o carnaval. Foram postados diariamente vídeos de professores, relacionando os conteúdos das disciplinas trabalhadas em sala de aula com a festa de Momo. Além disso, em ações de interação e relacionamento com a comunidade, os alunos estão distribuindo ventarolas de papel aos pedestres e vizinhos dos colégios. Elas levam mensagens sobre a importância de se respeitarem os direitos humanos. Para resgatar a expressão de alegria e festividade, os colégios realizarão bloquinhos de carnaval, nos quais os alunos, educadores e pais dos segmentos infantil e fundamental I poderão se divertir com segurança e tranquilidade. A ornamentação traz elementos que convidam os participantes a refletirem sobre o tema central da festa. Link vídeo Stella: https://www.instagram.com/p/BuXHKI9B7_w/ Link vídeo Sagrado: https://www.instagram.com/p/BuXEVo2hxCk/ Link vídeo Espírito Santo: https://www.instagram.com/p/BuZI2LjltzH/ Link vídeo Coração de Maria: https://www.instagram.com/p/BuXFgUNnIwb/
Testemunho Missionário – Irmã Anastasia Maria Kröhling

Sua missão é cuidar da saúde utilizando recursos da natureza. Mora em Juquitiba-SP e atende os que a procuram, ensinando-lhes como utilizar chás, florais e ervas medicinais.
Um encontro desafiador: Marcos 5,1-20

O episódio do encontro entre Jesus e o endemoniado de Gadara é como uma luz para humanizar a nossa sociedade globalizada. Pois, certamente, temos alcançado amplo desenvolvimento nos diversos campos da medicina. Destarte muitas doenças já foram superadas ou se tornaram de fácil controle. Entretanto outras adquiriram maior extensão, como é o caso das doenças psíquicas. Diante desse cenário, cabe perguntar-nos: como as doenças afetavam as pessoas no tempo de Jesus? Que faziam elas para recuperar a saúde? E, na nossa sociedade de hoje, quais são as doenças que mais nos comprometem? Que estamos fazendo para recuperar a saúde? Na época de Jesus, a doença ia além de um fato biológico, pois tinha a ver com a incapacidade de viver como filhos de Deus. Imaginemos a dor profunda das pessoas pelo fato de pensarem que tinham sido abandonadas por Deus. Isso, além de estigmatizá-las, permitia que fossem excluídas da convivência social. É o caso do endemoniado gadareno (ler o texto de Mc 5,1-20), que é refletido neste breve escrito. No episódio relatado em Marcos, não se trata da cura de uma doença. Refere–se a um exorcismo cheio de detalhes que devemos observar com atenção, para compreender sua estreita relação com a doença (outra margem do mar, terra pagã, sepulcros, espírito imundo, porcos). No intuito de compreender o significado desse exorcismo, devemos considerar a forte influência que a Palestina recebera da cultura mesopotâmica por volta dos séculos III a.C. e I d.C. Isso fortalecera o fenômeno das possessões por espíritos ou demônios (daimonia). Acreditavam tratar-se de uma série de forças personificadas que tomavam conta dos indivíduos, podendo influenciar e controlar sua existência, além de produzir enfermidades e trazer os males. Porém há contextos culturais em que não se pode protestar contra as injustiças e opressões. Nesse marco, o corpo expressa a queixa contra a sociedade “doente”: “E andava sempre, de dia e de noite, clamando pelos montes e pelos sepulcros, e ferindo-se com pedras” (v. 6). É possível que os indivíduos que sofram opressão nem sejam conscientes da origem de sua condição, mas o fenômeno da “possessão” revela a intensa pressão política e familiar em que se encontram. Perante esses fatos, necessitamos nos perguntar: os estigmas que as sociedades modernas têm para todos os que se rebelam contra a injustiça favorecem a revisão do sistema ou mantêm esse sistema? Quando se outorga um papel marginal às vítimas do sistema opressivo (revoltosos, depressivos, delinquentes, migrantes, viciados, feministas, etc.), a violência se torna o veículo para a manutenção da ordem social injusta. Não é por acaso que triunfem os discursos que fomentam a violência em vistas da segurança nacional e individual. Na sociedade de Jesus, não era diferente, portanto as curas e exorcismos que ele fez suscitaram forte oposição da elite. Isso porque Jesus desafiava o sistema ideológico, tanto político como religioso, e propôs outra forma de entender as relações sociais e outra concepção de Deus. A figura do endemoninhado gadareno denuncia as consequências de um sistema que submete e escraviza. Seu nome “Legião” representa a violência global sistematizada e legalizada. E Jesus manda o espírito sair dele, ou seja, Jesus o liberta, o humaniza, desafiando o sistema de morte. A travessia da posição do endemoniado à proposta libertadora de Jesus rompeu o círculo da violência. Em nossa realidade, as pessoas também estamos submetidas a ideologias contrárias de nossa condição. É impactante a violência na que estamos submergidos, vítimas ou vitimários, vemo-nos imobilizados quando justificamos essa violência. Por isso nós também devemos ter a coragem de sair ao encontro de Jesus e fazermos a travessia de sair de nossos estreitos pensamentos para acolher a proposta libertadora do Senhor. Irmã Juana Ortega, SSpS, é teóloga especializada em Bíblia. Nasceu no México, trabalhou em Moçambique e colabora na Animação Vocacional.