José do Advento

“José, Filho de Davi, não tenhas medo de receber Maria como tua esposa…” (Mt 1,20) A liturgia do quarto domingo do Advento nos motiva a buscar inspiração na pessoa de S. José, indicando-o como apoio e guia nos momentos de obscuridade e de dificuldade; ele é o homem do discernimento que, na solidão, no silêncio e na atenção ao seu coração, vai vislumbrando o caminho a assumir e a decisão a ser tomada. Sua presença silenciosa põe em destaque a pessoa de Maria que, por seu fiat e sua maternidade se revela a protagonista do Advento. No contexto do mistério da Encarnação José se revela como um personagem de “segundo plano”, discreto e silencioso, recordando-nos o protagonismo oculto, mas imprescindível, de todos(as) aqueles(as) que atuam em favor do Reino, aparentemente escondidos(as) ou na “segunda fila”. O Advento realça o valor de todas essas pessoas que não são como os cata-ventos que brilham no alto, mas vigas que sustentam o edifício no porão, e que tecem o essencial da existência. Pessoas aparentemente anônimas – mães, mestres, avós, amigos – que estão aí ajudando a construir um novo mundo, às vezes sem o reconhecimento por sua atitude sem preço. Assim também foi o caso do próprio Jesus de Nazaré, durante a maior parte de sua vida. Neste 4º. domingo do Advento, fazemos memória de S. José como o referente de todas as pessoas que vivem uma profunda fidelidade a Deus, quase sem serem percebidas, mas com um protagonismo sem igual na história da Boa Notícia. O mundo precisa de homens e mulheres de discreta e humilde presença para sustentar os outros, sobretudo aqueles que carecem dos recursos necessários e vínculos humanos. A atitude de José, homem de “segunda fila”, revela uma humildade e uma confiança tão cheia de generosidade como de incompreensão. Também foi grande o seu fiat. Abandonou-se no mistério de Deus, e isto implicou assumir uma missão incômoda que, certamente, não foi compreendida e aceita entre seus parentes e vizinhos; com plena disponibilidade e fé adulta acolheu os planos de Deus sem exigir maiores explicações. Seu lugar, a partir de então, é de “segunda fila”, cuidando amorosamente de sua família e renunciando todo protagonismo de intenso brilho. São José é conhecido como o santo do Advento porque neste tempo nos ensina com sua vida a atitude da espera e da confiança total em Deus que sempre cumpre suas promessas, embora, às vezes não coincidam com nossos planos. Com São José podemos aprender de sua fé e sua humildade a dobrar nosso ego; sua valentia nos inspira a viver com mais disponibilidade; seu despojamento nos ajuda a afastar de nossa vida a busca de ostentação e vanglória… Atitudes estas que certamente acabaram lhe proporcionando uma verdadeira paz interior. José de Nazaré foi aquele que se abriu ao Deus surpreendente e deixou-se conduzir por Ele. Dele não se diz muito nos evangelhos, mas o que ali se diz nos revela uma presença surpreendente, capaz de ver mais além do cotidiano e estabelecido. Presença que aponta para uma outra presença, a de Jesus. Lendo o Evangelho com uma sensibilidade mais apurada podemos encontrar, com facilidade, uma descrição muito aproximada de quem era José, da casa de Davi. Em cada gesto de Jesus, revelava-se um ensinamento do Pai e de seu pai José; em cada parábola havia uma expressão da natureza e da terra com o selo de José, e uma mensagem espiritual inspirado a partir do alto. Em cada cura que Jesus realizava havia um modo e uma sensibilidade de tratar o enfermo, o desvalido, herdados da tradição mantida por José; e à hora de orar havia um hábito criado na casa de seu pai, fiel cumpridor da lei mosaica e aberto à novidade e ao mistério que seu filho Jesus deixava transparecer. Enfim, quem, senão José, juntamente com Maria, pôde ensinar a Jesus a tratar às pessoas, a servir os mais pobres, a olhar, a falar, a sorrir…! Seria um equívoco considerar José uma espécie de marionete nas mãos de Deus, ou que fosse atropelado na sua liberdade. A mensagem evangélica tem como ponto de partida a convicção de ser possível o ser humano “escutar e praticar” a vontade de Deus, mesmo quando lhe é pedido algo, à primeira vista, superior à capacidade de suportar. José não deu mostras de agir a contragosto, acuado, pressionado ou duvidoso. Agiu com a liberdade de quem sabe o que faz, colocando-se à inteira disposição de Deus, com total generosidade. Ele conhecia as bases em que se fundamenta sua relação com Deus, onde se enraíza sua disposição para viver em profunda sintonia com Aquele que conduz a história para a sua plenitude. José, na sua vocação paterna, torna-se diá-fano de Deus Pai (deixa transparecer a imagem paterna/materna de Deus). Através do seu modo de ser e de agir, carregado de silêncio inspirador, José, não só revela uma profunda comunhão com Aquele que o chamou a assumir a vocação paterna, mas deixou “fluir”, no cotidiano e na simplicidade de sua vida, os atributos d’Aquele que o conduzia. O coração de José passa a pulsar em acorde com o coração de Deus Pai: a Paternidade divina flui na paternidade humana. Deus Pai encontrou liberdade para ativar e tornar visível em José as características próprias de um pai: “Não se nasce pai, torna-se tal… E não se torna pai, apenas porque se colocou no mundo um filho, mas porque se cuida responsavelmente dele. Sempre que alguém assume a responsabilidade pela vida de outrem, em certo sentido exercita a paternidade a seu respeito”. (Papa Francisco, Patris Corde) Porque estava presente a Deus, José fez-se presente nos momentos decisivos da Família de Nazaré, bem como fez-se presente na vida das pessoas. Uma presença que faz a diferença: presença solidária, marcada pela atenção, prontidão e sensibilidade, próprias de um pai que acompanha tudo com ternura. Sua presença não era presença anônima, mas comprometida; presença que é “música calada” nos lugares cotidianos e escondidos, que sabe enternecer-se e escutar as inquietações que

Mindfulness”: a arte da atenção plena

O fim do ano se aproxima. Na Igreja, celebra-se o tempo de espera, chamado Advento. Depois virá o Natal, o réveillon. Dezembro e janeiro são marcados por muitas festas, confraternizações, passeios, férias. Haverá muitas reuniões de amigos e parentes. Muita gente estará presente fisicamente, mas será que, de fato, estará presente? Haverá sempre aquela pessoa que estará apenas fisicamente ali em cena, porque a mente estará divagando sabe-se lá por onde. Em tempos de ansiedade, algumas mentes estarão pensando na próxima refeição, no dia seguinte, no ano seguinte… Alguns estarão conversando de olho no celular. Muitos estarão conversando com alguém à sua frente, mas, ao mesmo tempo, observando o celular, navegando pelo Youtube, Facebook, Instagram, Twitter, TikTok, Kwai, etc. Cada sinal sonoro de notificação será capaz de interromper até mesmo a melhor experiência de convivência física. A melhor conversa, a melhor partilha, a melhor atividade, a melhor refeição. Quanto a você: já esqueceu o nome de alguém minutos após ser apresentado a essa pessoa? Muitas vezes, você já leu uma página da Bíblia ou de um livro e teve de voltar ao início da página porque já esquecera o que estava escrito no início? Já teve de usar o controle remoto para voltar o filme, porque você estava olhando, mas não estava assistindo às últimas cenas? Mais de uma vez, você já se distraiu numa missa, como celebrante ou como participante, e se perguntou se já tinha rezado uma determinada parte da liturgia? Já rezou o terço no automático, pensando nos afazeres logo após? Quantas vezes você tomou um suco ou comeu alguma comida sem observar o sabor? Já conversou com alguém olhando para o relógio ou bocejando durante a conversa? Se mesmo estando bem de saúde isso acontece com você frequentemente, eu o convido a pensar comigo sobre o significado de mindfulness. Em inglês, essa palavra significa atenção plena. Sugere estar atento, ter atenção e lembrar; estar alerta a todo o momento; manter nossa consciência viva para a realidade presente; estar clara e determinadamente alerta ao que realmente nos acontece em momentos sucessivos da percepção, ou seja, “sair do piloto automático”. É uma ferramenta muito útil na psicoterapia. Dá importância ao momento presente. É muito usada também na meditação. Na prática terapêutica, chama a atenção para a necessidade de estar por inteiro diante do paciente. Na prática pastoral, seja por parte dos religiosos, missionários, confessores, diretores espirituais, seja por parte das lideranças e coordenações leigas de comunidades, pastorais, grupos ou movimentos, esse conceito nos lembra do cuidado que deveríamos ter para com o outro diante de nós. É tratar a pessoa diante de você como se fosse o próprio Jesus. Esse conceito tem sido usado ultimamente, com frequência, para controlar a ansiedade, o estresse, a depressão e até a obesidade. Tem chamado a atenção também para a necessidade de sentirmos autocompaixão. Como podemos exercitar a atenção plena? Uma prática formal necessita da ajuda de um profissional de Psicologia. No entanto, práticas informais são possíveis, como o treinamento diário dos cinco sentidos (audição, visão, tato, olfato e paladar). Assim, dando atenção ao caminhar, ao comer, ao meditar, ao dirigir, ao ouvir o outro. Até mesmo olhar para nós mesmos e sermos mais compassivos com nossos próprios limites, problemas, incapacidades, medos e frustrações. Por que somos compassivos com os outros e rígidos com nós mesmos? Vale a pena pesquisar mais sobre o assunto. Pe. Aparecido Luiz de Souza, SVDPsicólogo.

A surpreendente novidade que vem das “periferias existenciais”

“Ide contar a João o que estais ouvindo e vendo” (Mt 11,4) Na prisão de Maqueronte, onde está confinado por ordem de Herodes, João Batista recebe notícias de Jesus; e o que ele ouve o deixa desconcertado, pois Jesus não corresponde às suas expectativas. João espera um Messias que se imponha pela força terrível do juízo de Deus, salvando àqueles que acolheram seu batismo e condenando àqueles que o rejeitaram. Quem é Jesus? Nem João, nem os rabinos, nem os sacerdotes, nem os apóstolos estavam capacitados para entender Jesus. Sua presença e atuação não se ajustavam ao que eles esperavam do Messias. Jesus rompe com todas as concepções e esquemas mentais, desmonta todas as expectativas, frustra uma visão… A novidade de Jesus é muito maior do que aquilo que podiam esperar; além disso, o que Ele traz vai na direção contrária do que esperavam do Messias. Não vem com poder e força; não vem impor nada, senão propor uma dinâmica de serviço e desatar a vida travada. Jesus tem um caso de amor com a vida. Para sair de suas dúvidas João envia dois discípulos que perguntam a Jesus sobre sua verdadeira identidade: “És tu, Aquele que há de vir, ou devemos esperar um outro”? A resposta de Jesus não é teórica, mas muito concreta e precisa: contai a João o que estais vendo e ouvindo. Eles perguntam a Jesus por sua identidade e este responde através de sua atuação terapêutica (curar e cuidar da vida); Ele se dá a conhecer através de ações concretas em favor da vida: os cegos veem, os coxos andam, os leprosos ficam limpos, os surdos ouvem, os mortos ressuscitam… O que o profeta Isaías anunciava como futuro, agora se faz presente em Jesus. Jesus sabe que sua resposta pode decepcionar àqueles que sonhavam com um Messias poderoso. Por isso acrescenta: “Feliz aquele que não se escandaliza por causa de mim!”. Que ninguém espere outro Messias que realize outro tipo de “obras”; que ninguém invente outro Cristo a seu gosto, pois o Filho foi enviado para tornar a vida mais digna e ditosa para todos, até alcançar a plenitude na festa final do Pai. Estes são os sinais da presença do Messias: alívio para quem sofre, acolhida para quem é excluído, vida para quem se sente morrer, visão para quem se encontra na penumbra, fortaleza para os joelhos frágeis… Feliz aquele que aceita que este é o Deus da Vida, Aquele que desce, se faz carne humana, para acolher em si a dor e o sofrimento de todos, sobretudo daqueles que são vítimas e estão excluídos. O modo de agir de Jesus em favor da vida deve também inspirar o nosso modo de agir durante o Advento. Não tem sentido despertar nossa sintonia com aquele que colocou a vida dos mais pobres e sofredores no centro de sua missão se não ativarmos nossa sensibilidade e nosso compromisso com aqueles que são vítimas das estruturas sociais e políticas injustas. Viver em “estado de Advento” não é se fixar no futuro, aguardando a vinda d’Aquele que já está sempre presente e que se faz visível nos rostos dessas vítimas. “Ser Advento” implica “descer” junto à humanidade, recompondo vínculos quebrados, superando ódios e intolerâncias, mobilizando energias e criatividade para que a vida de todos possa ser desbloqueada e encontre espaço para se expressar em sua plenitude. Portanto, Advento sem compromisso com a vida é Advento estéril, com cheiro de morte. Para conhecer Jesus, o melhor é ver de quem Ele se aproxima e a que Ele se dedica. Para captar bem sua identidade não basta confessar teoricamente que Ele é o Messias, Filho de Deus. É preciso sintonizar-nos com seu modo de ser Messias, que não é outro senão o de aliviar o sofrimento humano, curar a vida ferida e abrir um horizonte de esperança aos pobres. Os cegos, surdos, coxos, leprosos, pobres e muitos outros coletivos no mundo de hoje, continuam sendo símbolos da marginalização mais radical que afeta muitíssimos seres humanos. O texto do evangelho deste domingo quer ressaltar que a chegada do Reino terá consequências para todos, mas sobretudo para os mais excluídos, que tinham perdido toda esperança e o sentido do viver. Como podemos perceber, entre os sinais da presença do Messias não há um só sinal “religioso”: nem culto, nem rezas, nem sacrifícios, nem doutrinas, nem leis… Isto nos deveria fazer pensar. Nós cristãos, com frequência, esquecemos que, para Jesus, primeiramente vem a vida, depois o culto; em primeiro lugar, o compromisso em aliviar a dor humana, depois a religião. Não são só os cegos, surdos, coxos, doentes que fazem presente o Reino, mas também aqueles que se preocupam com eles. Só as ações em benefício dos outros deixam transparecer a presença de Deus. Entrar na dinâmica do Advento, significa estar dispostos a aproveitar qualquer ocasião para tornar presente o Reino, não frustrando aqueles que esperam de nós atitudes comprometidas com a vida. Nas páginas dos Evangelhos não vemos um Jesus fixo no deserto ou no templo, mas caminhando por toda a Galiléia; aproxima-se dos últimos e excluídos, vítimas do contexto social e religioso da época. O centro da sua missão é aliviar todo sofrimento humano, restabelecendo a vida onde ela está ferida. Quando se luta contra o sofrimento, quando se alivia a dor, quando se abre uma vida mais sadia… ali está atuando o Reino de Deus. O que Jesus fez, fundamentalmente, foi curar a vida. Pode-se dizer que toda a atuação de Jesus está encaminhada a criar uma sociedade mais saudável, mais humana, mais respirável, mais leve… Recordemos a rebeldia de Jesus frente a tantos comportamentos patológicos de raiz religiosa; como Ele critica o rigorismo, o legalismo, o culto vazio de amor… Jesus quer sanar a religião; seu esforço visa criar uma sociedade mais justa e solidária; sua oferta de perdão gratuito é para todos; sua atitude acolhedora envolve a todos os maltratados pela vida ou pela injustiça dos homens… Em tempos de fanatismos, intolerâncias e preconceitos, precisamos assumir uma

Direitos humanos e a desigualdade social

Infelizmente, em pleno 2022, ano de Copa do Mundo, como ocorre no Catar, ainda ocorrem violações dos direitos humanos. Homofobia, submissão das mulheres, sem falar no feminicídio em vários lugares no mundo, inclusive no Brasil, ocorrência que aumentou muito com a pandemia; a grande violação dos direitos fundamentais da pessoa humana. A má distribuição de renda é um dos principais fatores da desigualdade social. Como combater essa situação? O preconceito tem aumentado a violência, como no caso do racismo que tem sido corrente com pessoas públicas, como jogadores, artistas (como aconteceu num show do cantor Seu Jorge) e, há poucos dias, até com o ex-ministro Gilberto Gil, mesmo tendo sido uma importante autoridade e pessoa idosa. O fanatismo tem causado terrorismo, ameaçando a boa convivência humana, como estabelece a Declaração Universal dos Direitos Humanos, principalmente nos países de extrema pobreza e em desenvolvimento, como Haiti, países da África e regiões do Brasil, bem como em outros da América Latina, além do poder de grandes nações como a Rússia, que ataca cruelmente a Ucrânia. Há 74 anos, a Declaração Universal dos Direitos Humanos tem avançado nas conquistas do direito à vida dos indivíduos pelo mundo, para todos, “sem distinção de qualquer espécie, seja de raça, cor, sexo, língua, religião, opinião política ou de outra natureza, origem nacional ou social, riqueza, nascimento, ou qualquer outra condição”. Desde 10 de dezembro de 1948 que a luta pela dignidade humana passou a ser um desafio universal, entretanto ainda vemos jovens morrerem pelo fato de usar um véu de modo diferente de sua cultura. Os representantes de vários países enfrentam a desigualdade dos governos por vários motivos: cultural-religioso, histórico-político e econômico. É preciso ter pão em todas as mesas, mais empregos, educação para todos, para que o desenvolvimento de cada país possa ser possível; acesso à saúde, revitalizando o calendário das vacinas, medicação e cirurgias; crescer na prática solidária com os menos favorecidos; utilizar as mídias para campanhas justas e solidárias, em vez de manter a ostentação da riqueza que tem gerado cada vez mais desigualdade social. A Declaração Universal dos Direitos Humanos deve ser um compromisso social, eliminando de nossa sociedade a discriminação contra a população negra e indígena, bem como em relação às diferenças de sexos nos empregos, na participação política e social. É necessário o conhecimento dos 30 artigos da Declaração Universal dos Direitos Humanos por parte dos brasileiros que, infelizmente, mantêm muitas injustiças e violações quanto aos direitos de crianças e idosos, por exemplo. Com o conhecimento sobre esse documento, procuremos denunciar quando os artigos não são cumpridos pelas autoridades e, ou, cidadãos comuns. A Declaração também é contemplada na Constituição brasileira de 1988, no Estatuto da Criança e do Adolescente, no Estatuto do Idoso, no Código Civil, na Lei Maria da Penha, no Estatuto da Juventude e demais leis que têm como objetivo proteger e garantir o bem comum a todos, inclusive quanto à vida ambiental. Maria Terezinha CorrêaMestre em Antropologia, especialista em Ensino de Filosofia, graduada em Filosofia e Pedagogia, cursou Teologia pelo Mater Ecclesiae, filiada à ABA, APEOESP, SBPC, Sintran e membro da APROFFIB. Atualmente, é professora de Filosofia na Prefeitura de São José-SC, voluntária na Comissão de Prevenção e Combate à Tortura pela ALESC, na Pastoral da Pessoa Idosa ligada à Arquidiocese de Florianópolis e, recentemente, da ACC de Jales-SP.

ADVENTO: tempo para cuidar das raízes

“O machado já está na raiz das árvores” (Mt3,10) Sentimos indignação quando alguém corta uma árvore e deixa desnudo uma cepa do velho tronco com suas raízes ainda fundadas na terra. Estava já velha, dizem alguns. Era um perigo, comentam outros. Só ocupava lugar, exclamam mais alguns. Todos apresentam justificativas para eliminá-la e jogá-la abaixo. Todos têm razão quando se trata de eliminar o que é visto como inútil ou velho. No entanto, quando acreditavam que o velho tronco estava condenado a desaparecer, se esqueceram que ainda não tinham arrancado suas raízes. Subitamente, quando menos esperavam, viram como novos rebentos brotavam no tronco velho. O tronco estava para ser cortado, mas as raízes ainda tinham vida. E enquanto há vida nas raízes, a vida é possível. “Do velho tronco de Jessé, brotará o rebento que é Jesus”. A vida é mais forte que a velhice; a vida é mais forte que o robusto tronco; a vida sempre triunfa sobre aquilo que consideramos inútil, estorvo ou perigo. O problema que nos aflige hoje, talvez, não seja tanto referente aos troncos, mas um problema de raízes. Há demasiadas vidas sem raízes profundas; há demasiadas instituições carentes de raízes, que terminam sendo instituições vazias; há demasiadas vocações sem raízes profundas, que nascem de ideais mais emotivos que evangélicos; há demasiadas decisões sem raízes, porque são tomadas em um momento emocional, mas sem terra que as sustente; há demasiadas convicções ideológicas sem raízes… Por isso são vidas que morrem facilmente; morrem com a facilidade com a qual morrem os sentimentos que as sustentavam. Suas raízes estão tão na superfície da terra que acabam morrendo antes que o tronco. Cultivamos os ramos com muito esmero, mas nos esquecemos das raízes. Cultivamos muito o tronco, mas não alimentamos as raízes; cultivamos muito a aparência, mas não nos preocupamos em colocar água nas silenciosas raízes que não se veem. Quando as raízes têm vida, pode ser que alguns ramos se sequem, mas ainda permanecem outros sufici-entes para embelezar a árvore. Quando as raízes têm vida, podemos encontrar dificuldades no caminho, mas a vida é mais forte que os obstáculos. Quando as raízes têm vida, podemos passar por momentos de prova, mas a vida que sobe pelo tronco é mais forte. Com frequência, passamos a maior parte do tempo regando os ramos enquanto as raízes morrem de sede. O evangelho deste domingo nos revela que João Batista é o broto novo no velho tronco. No velho “tronco” de ontem (1º. Testamento), “vem a palavra de Deus sobre João, filho de Zacarias, no deserto”. João não é do AT. Tampouco do NT. Ele é a travessia, a ponte, o broto novo. Ele é o anúncio do novo que está prestes a brotar. O AT é um velho tronco que já não dá fruto, mas em suas raízes ainda permanece uma Vida que no NT será revitalizada. Porque o que Deus semeou durante séculos são sementes de Vida. Desaparecerá o tronco, mas suas raízes ainda têm vida. João é o novo rebento que anunciará a nova Árvore e a nova Vida. E ele mesmo começa por lançar água nas velhas raízes, anunciando a conversão do coração. Cultivar as raízes é fazer que, até os velhos troncos renunciem a morrer, mesmo que os cortemos, pois a vida das raízes encontrará novos brotos para continuar crescendo e vivendo. Serão vidas novas; serão troncos novos. O tempo litúrgico do Advento se revela como um momento privilegiado que nos motiva a “descer” em direção às nossas raízes interiores, para ativá-las, cultivá-las e evangelizá-las. Nosso contexto social-político-religioso está saturado das “palhas” da aparência e da superficialidade, gerando o veneno do ódio, da intolerância e da violência contra quem “pensa-sente-ama” de maneira diferente. É preciso levar as águas vivas do evangelho às profundezas do coração. Nesse sentido, Advento nos revela um componente de expansão, que alarga nosso ser, que nos dinamiza e nos eleva, ao mesmo tempo que é experiência radical daquilo que é mais humano em cada um. A partir das “raízes interiores” o Advento ilumina e dá sentido ao nosso modo de ser e viver; ao abarcar toda a vida, alcança também a nossa ação transformadora no mundo. Espiritualidade do Advento é a força vital que sacode nosso mundo interior, alimenta nossas raízes e faz surgir novos brotos que se visibilizam na nossa maneira original e inspirada de ser e viver no mundo de hoje.  Tal força regenerativa procede do Espírito Santo de Deus, que nutre e aquece nossa vida. Compreendemos, então, que espiritualidade não tem a ver com práticas piedosas alienadas e autocentradas; é uma experiência que deve ter raízes no coração, precisa de interioridade. Se não tem interioridade, não tem sonhos nem criatividade. No interior de cada um existe uma riqueza acumulada que procura se expressar (sentimentos, atitudes e valores, crenças, motivações, intuições…). O nível profundo é o nível da Graça, da gratuidade, da abundância… onde a pessoa mergulha no silêncio à escuta de todo seu ser. O Evangelho de Mateus nos apresenta João Batista clamando por conversão, “porque o reinado de Deus está próximo”. João contempla a realidade de seu povo e sente o impacto da violência e exclusão que tanto o poder religioso como o civil impunham a todos. Sua mensagem se concentra neste grito: “Preparai o caminho do Senhor, endireitar suas veredas!” Também o Papa Francisco grita a mesma mensagem aos cristãos de hoje e nos lança uma pergunta: “Estamos decididos a percorrer os caminhos novos que a novidade de Deus nos apresenta ou nos entrincheiramos em estruturas caducas, que perderam a capacidade de resposta?”. O Advento nos mobiliza a “descer” ao chão da vida para cultivar e cuidar do nosso ser essencial com o mesmo cuidado que tem o camponês quando trabalha a terra e a plantação. Apenas aquelas pessoas que se mantêm próximas ao chão, às raízes da vida, conseguem manter também esta postura totalmente radical, a “humilitas” que vem de húmus, o chão escuro, úmido e fértil da terra.  Somos Advento, ou seja, pessoas “radicais”,

Presença das ONGs e desfechos da COP-27

Em novembro, os olhares atentos de ambientalistas, especialistas e de todos aqueles com a consciência de que nosso planeta foi levado ao limite voltaram-se para acompanhar a realização da COP-27, a 27ª Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança Climática. Com o lema “Juntos para a implementação”, a conferência reuniu na cidade do Cairo, Egito, líderes mundiais para analisar medidas de contenção às mudanças climáticas, firmou acordos históricos e provocou muitas reflexões sobre minorias e, claro, sobre o futuro do planeta. Para a maioria dos 190 países, a principal medida do encontro foi a declaração final e o acordo histórico sobre perdas e danos causados por eventos climáticos. O ponto fundamental do acordo prevê a criação de um fundo de compensação de danos climáticos que deve fornecer financiamento para os países mais vulneráveis. Em linguagem diplomática e do ponto de vista de organizações não governamentais, especialmente parceiros da Vivat International, essa decisão foi bastante significativa porque estabeleceu um vínculo bem claro entre causa e consequência: de um lado, quem provoca o aquecimento global e a crise climática (os países emissores); de outro, quem sofre as consequências (países pobres que enfrentam os efeitos mais severos do aquecimento global). Para o padre Paulus Ramath, codiretor da Vivat International, que esteve no Egito representando a organização da qual nós, missionárias servas do Espírito Santo somos membros, a criação do fundo é um marco histórico de mais de 30 anos de grandes esforços da sociedade civil. Ele conta também que o protagonismo das ONGs na decisão histórica da COP-27 foi reconhecido pelo secretário-geral da ONU, António Guterres, afirmando que “A justiça e a ambição exigem a voz da sociedade civil”. Simon Stiell, secretário executivo de Mudança Climática da ONU, considerou a decisão um avanço significativo. “Determinamos um caminho a seguir em uma conversa de décadas sobre financiamento para perdas e danos, deliberando sobre como lidar com os impactos nas comunidades cujas vidas e meios de subsistência foram arruinados pelos piores impactos da mudança climática”, declarou. A participação do Vaticano como parte formal da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima e do Acordo de Paris foi extremamente relevante. O novo status do Vaticano significa que a delegação da Santa Sé, liderada pelo cardeal Pietro Parolin, tem voz e poder de voto nas decisões que exigem unanimidade, conforme regras da ONU. Outra iniciativa que merece destaque é a aliança firmada entre os três países detentores de 52% das florestas tropicais primárias do mundo: Brasil, Indonésia e República Democrática do Congo. Líderes dessas três nações querem preservar o bioma. Eles entendem que a Cooperação Sul-Sul (cooperação técnica entre países em desenvolvimento no Sul global) é fundamental para o combate às mudanças climáticas e acreditam que, juntos, podem unir forças para tratar da conservação e da recuperação mundial de florestas. “Deixou muito a desejar” A irmã Rosa Martins, missionária scalabriniana e jornalista, questiona os resultados da COP-27. “Pelos desafios impostos à humanidade por meio dos constantes desastres climáticos que têm dizimado principalmente os países em vias de desenvolvimento, isso graças ao descuido de todos com a natureza, pode-se afirmar que a COP-27 deixou muito a desejar”, afirma. Para ela, analistas e observadores do clima entendem que a Conferência de 2022 teve uma agenda de reparação. Ela recorda que, mesmo com importantes passos, a pauta foi “discutir sobre um financiamento às populações que não conseguem mais resistir ou se adaptar aos impactos das transformações do clima e estão em constante sofrimento com eventos climáticos devido ao efeito estufa, como aumento do nível do mar, imigração constante causadas pela intensidade das chuvas”. “Todos ficam com a sensação e a certeza de que COP-27 não deu a resposta que o mundo precisava ter diante da crise climática contemporânea”, resume. Rosa M. Martins Mestra em Jornalismo, Imagem e Entretenimento pela Fundação Cásper Líbero, licenciada em Filosofia pela Universidade Salesiana de Lorena (Unisal), bacharela em Teologia pela Pontifícia Universidade São Boaventura de Roma. É missionária scalabriniana e vive em Santo André-SP. Indicada ao Prêmio Tarso Genro de Jornalismo em 2020, foi vencedora do Prêmio Papa Francisco, categoria mestrado, do Prêmio CNBB de Comunicação, com a dissertação “Menores estrangeiros não acompanhados: uma análise da representação no fotojornalismo italiano”, em 2021. Trabalhou no Dicastério da Comunicação (nos setores Rádio Vaticano, Vaticanews e transmissão televisiva), como jornalista estagiária, em 2023. É assessora executiva da CRB-SP. É ativista dos direitos humanos e assessora de pastorais na Igreja do Brasil.

Somos melhores juntos!

Para fortalecer as ações nos caminhos da educação, a Rede de Educação Missionárias Servas do Espírito Santo promoveu um encontro com a presença das irmãs e representantes das diretorias das unidades. Foram trabalhados os temas sustentabilidade, liderança, eficiência educacional, entre outros. O evento foi realizado no Convento Santíssima Trindade, em São Paulo-SP, entre os dias 17 e 19 de novembro. Foram trocas importantes e valiosos aprofundamentos técnicos. A cada dia, iniciávamos nosso encontro com uma rica reflexão trazida pela Dimensão Missionária, por meio de textos, dinâmicas e músicas. Esses momentos revigoraram nossa espiritualidade, dinamizando ainda mais a interiorização dos valores missionários, os quais são a base para alcançarmos objetivos de um negócio social. Sim, social, pois de que valeriam os conhecimentos, profissionalização, estratégicas se, em cada membro que compõe esta grande Rede chamada Missionárias Servas do Espírito Santo, não estivesse presente o desejo maior de sermos semeadores e divulgadores de uma educação consistente em suas bases pedagógicas, com ações que vão além dos espaços dos colégios, com o olhar da empatia e respeito às diversidades? Foram dias intensos, produtivos e esclarecedores, numa comunhão de ideias, já que temos “tatuado” em nossos corações a certeza de que nossas escolas são vivas, em movimento e, como não poderia deixar de ser, somos # melhores juntos! Sandra DemétrioGestora administrativa do Colégio Imaculado Coração de Maria, no Rio de Janeiro-RJ.

ADVENTO: UM BRADO DE ESPERANÇA

“…ficai preparados! Porque na hora em que menos pensais, o Filho do Homem virá” (Mt 24,44) Estamos no primeiro dia do Novo Ano litúrgico. Começamos com o Advento, que não é somente um tempo litúrgico, mas um modo de viver. Trata-se de uma atitude vital que precisa atravessar toda nossa existência. Não teremos entendido nada da mensagem de Jesus se ela não nos inspira a viver em constante busca daquilo que já está presente em nosso interior. O importante não é recordar a primeira vinda de Jesus; isso é só o pretexto para descobrir que Ele já está presente em nós e na nossa realidade. Também não se trata de nos preparar para a última vinda, que é só uma grande metáfora. O importante é descobrir que Ele está vindo neste instante. É preciso re-acender o espírito do Advento, porque estamos adormecidos ou sonhando com conquistas superficiais, e não assumimos a existência com a devida seriedade. Tudo o que esperamos de Deus, já o temos dentro de nós. “Vigiai”, “estai despertos”, “ficai atentos”: são apelos que ressoarão em nosso interior durante a travessia do Advento. Para ver, é preciso não só ter os olhos abertos, mas também luz. Não se trata de contra-atacar o repentino e nefasto ataque de um ladrão. É preciso estar desperto para assumir a vida com uma consciência lúcida. Trata-se de viver intensamente, para que a vida não transcorra na esterilidade e no vazio. Se permanecemos adormecidos, não acontecerá nada. Isto é o que pode nos causar medo: transcorrer nossa existência sem desatar as ricas possibilidades de plenitude que nos foram confiadas. A alternativa não é salvação ou condenação. Ninguém vai nos condenar. A alternativa é: viver com mais sentido e sabor ou simplesmente vegetar. O Advento é tempo para dispor-nos a algo surpreendente. O que estamos esperando é alucinante, imenso, fora do nosso tempo rotineiro. Intuímos que nossos olhos foram criados para uma visão mais profunda, mais humana, mais plena; desejamos ser um pouco mais lúcidos, mais sensíveis, muito mais corajosos para descobrir a profundidade e a riqueza de tudo o que acontece ao nosso redor e dentro de nós. Eis o mistério: o Esperado traz uma novidade que nos mobiliza e que se revela em cada gesto de humanidade e em cada fragmento de tempo, deste kairós colocado em nossas mãos. Tudo na vida requer preparo, e toda preparação exige empenho e mudança…, envolve uma espera. Somos feitos disso: desejo, súplica, anseio, busca, esperança… No mais profundo de cada um brota um desejo que nos faz bradar ao Eterno, pedindo ajuda: “Vem, Senhor, nos salvar! Vem sem demora nos dar a paz!” Tudo aponta para o vazio infinito dentro de nós, ressoando uma certeza: Ele vem! Ele está vindo em nossa direção! O texto do evangelho deste primeiro domingo de Advento pertence ao chamado gênero apocalíptico. Este gênero literário, recorrendo às imagens e palavras que parecem catastróficas, se utiliza delas para falar de um futuro que se revela como novidade radical. Para acolher Aquele que vem ao nosso encontro é preciso romper os espaços estreitos de nossa vida, alargar o coração, expandir os sentimentos… Para além das imagens utilizadas, a intenção parece clara: é um chamado a “despertar”, “a estar vigilantes”, “a estar preparados”… Dentro do mal-estar social persistente que estamos vivendo, há algo muito saldável: nosso desejo de viver de uma maneira mais propositiva e menos deprimida, mais digna e menos superficial. O que precisamos é re-orientar nossa vida. Não se trata de corrigir um aspecto ou outro de nossa pessoa. Agora o importante é ir ao essencial, encontrar a fonte de vida e salvação. Não podemos deixar que o desespero e o desânimo destruam em nós o dinamismo e o desejo de continuar caminhando dia-a-dia, cheios de vida; não podemos deixar que a esperança vá se diluindo em nós quase sempre de maneira silenciosa e imperceptível; não podemos deixar que, sem nos dar conta, nossa vida vá perdendo cor e intensidade; quando parece que tudo começa a ser pesado e cansativo, a verdadeira alegria vai desaparecendo de nosso coração e já não somos mais capazes de saborear o bom, o belo e o verdadeiro que há na nossa vida. Apesar das sombras e sofrimentos causados pela violência social, política e religiosa que estamos vivendo, o Advento vem des-velar (tirar o véu) e ativar os dinamismos de solidariedade, compaixão, gratuidade… presentes no coração de cada um. A bondade nos constitui, é da nossa essência O ser humano é criado à imagem e semelhança de Deus-Amor, amor incondicional e misericórdia sem limites. O bem e o amor em nós, são mais fortes que o mal e o ódio. O que de Deus há em nós é maior que nossa miséria e limites. Nosso verdadeiro ser é bondoso. Fomos feitos de amor e para o amor. Se vivemos isso, de verdade podemos ser sal, luz e força, uns para com os outros, como nos ensina Jesus. Com a mente bem aberta, atenta, podemos e temos de analisar o que está acontecendo conosco, descobrir e compreender suas causas e comprometer-nos com as mudanças necessárias. Inspirados(as) com a força do Espírito podemos levar adiante as transformações que se fazem necessárias. Assim, o percurso do Advento vem despertar aquela “virtude teologal” tão ausente no atual contexto social e religioso: a esperança; ela é o recurso secreto do ser humano itinerante. Somos abertura e, portanto, estamos sujeitos à mudança. A esperança é a guia que nos orienta na mudança. Esperar é ousar re-nascer, advir, vir-de-novo, re-começar… na fulgurante arte de tecer a vida nisso que ela tem de mais íntimo e cotidiano. Um canto de fé e de esperança segura: esse é o sentido da existência cristã. Movidos por essa esperança, podemos dar sabor à nossa vida, muitas vezes modesta e simples. Ter esperança é, essencialmente, busca incessante, luta por aquilo que não tem lugar agora, mas, acredita-se, terá um dia. A esperança tem suas raízes na eternidade, mas ela se alimenta de pequenas coisas. Nos pequenos gestos

Sobre “agradeSER”

Por toda flor que brotou em meu caminho Por todas as vezes em que eu nunca me senti só Pelas vezes em que tropecei e não caí… Pelas vezes em que caí e me levantei Pelo abraço inesperado e gargalhadas sem fim Pela luz que ilumina cantos obscuros e pelo Sol que nasce iluminando a solidão Pelo rio que corre para o mar e por toda estrela que se apaga Por todas as vezes em que o ciclo da Lua se completa Pelas voltas que o mundo dá Pelas brincadeiras que aprendi Por todo acorde de música que fez meu coração pulsar lentamente Pela saúde que permite meu corpo se recuperar da exaustão Pelo dom de Deus que se expressa em sinfonias, soluções tecnológicas e descobertas científicas Por toda vez que soubemos economizar, num gesto de humildade dos que têm muito mais do que precisam Pelas mãos que ajudam a levantar Pelo amor que não se cansa de enfrentar tanta violência Pela coragem de me calar diante do que não é essencial e de gritar sempre que a vida se encontra ameaçada Pela esperança que me leva para dormir e acorda comigo Pela capacidade de sonhar e pelos sonhos realizados Pelo milagre da vida Por ter vivido amores desfeitos Por viver amores feito infinito Por toda criança que nasce e vence a batalha que é (re)nascer o tempo todo Por todo fio de cabelo branco que vira memória e sabedoria Pelo vivido… Por ser e viver, gratidão! Maria José Brant (Deka), assistente social, analista de políticas públicas na Prefeitura de Belo Horizonte-MG, mestra em Gestão Social, mosaicista nas horas vagas.

Caminho para um novo ser humano

Vivemos hoje imersos em um mundo que nos desconecta da vida natural e tranquila que o Universo nos oferece. As pessoas se “perdem” nelas mesmas e andam cabisbaixas, envoltas em suas realidades superficiais. Abandonou-se o olhar e o contemplar das grandezas que nos vêm do alto. Nós nos acostumamos e acreditamos que somos apenas um ser humano, cheio de defeitos, inacabado, com anseio de ser feliz. As tecnologias são um oásis em meio a tantos afazeres diários e nos conectamos a elas vinte quatro horas. A essência mais profunda do ser humano, contudo, reclama e pergunta: a vida se resume a isso, a fazer e a deixar de fazer coisas? A fazer de conta que se ama e se é amado? E a crise vem como sinal de alerta para mostrar que o ser humano se desviou do caminho pleno da vida. Sua vida “eclipsou-se” em meio a tantas tarefas, esvaziou-se de sentido, e o gatilho disparou, disfarçado de depressão, tristeza, ansiedade, fobias e inseguranças. A “pressão” da falta de sentido fez surgir o que estava escondido nas profundezas do chamado subconsciente. Não se reconhecendo, mas se percebendo um “estranho” dentro de um corpo que deve fazer coisas. A Parapsicologia Sistema Grisa, cientificamente comprovada e aplicada na vida das pessoas, é instrumento efetivo e dinâmico, capaz de reconectar e devolver ao ser humano seu aspecto mais peculiar e exclusivo, o de ser simplesmente humano/espiritual. Doutor Pedro Antônio Grisa, precursor da Parapsicologia Científica Independente, deixou-nos um legado extraordinário que possibilita a milhares de pessoas recuperarem-se dos transtornos mentais, emocionais e físicos, empregando a orientação parapsicológica e a hipnoterapia. A bela missão do parapsicólogo é regatar a essência do ser humano, devolvendo-lhe a capacidade de estar conscientemente conectado com as leis cósmicas (harmonia, evolução, vibração e ser feliz). Irmã Inês MathiasParapsicóloga, reikiana, barras de access.

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