À luz do Evangelho Dominical – Ascensão do Senhor

Depois de vários encontros do Ressuscitado com os discípulos, Jesus sobe ao céu diante de seus olhos. Para os discípulos, que ainda não tinham assimilado a morte e a ressurreição de Cristo, foi um novo desafio: assumir, por eles mesmos, o anúncio do Evangelho, contando com a presença de Jesus ressuscitado, porém não mais visível. E nós, será que entendemos o significado da Ascensão de Jesus? Será que, como os discípulos, também temos a tentação de ficar olhando para cima, esperando que Deus faça tudo por nós, sem tomar as iniciativas necessárias para realizar seu projeto em nossa vida? Neste vídeo da Verbo Filmes, o missionário leigo Luís Catapan fala sobre nossa missão como seguidores e seguidoras de Jesus. Esta solenidade também marca o Dia Mundial das Comunicações Sociais. Neste ano, a mensagem do Papa Francisco fala sobre as redes sociais e alerta para o risco de nos isolar nas redes, em vez de nos conectar melhor e nos ajudar uns aos outros. Leia na íntegra a mensagem do Papa. http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/messages/communications/documents/papa-francesco_20190124_messaggio-comunicazioni-sociali.html

À Luz do Evangelho Dominical – 6º Domingo da Páscoa

Estamos no 6º Domingo da Páscoa. Jesus continua o discurso de despedida e promete aos discípulos, e a nós: quem guarda a sua palavra, o Pai o amará e virá fazer morada nele. Também nos dá a sua paz e anuncia o envio do Espírito Santo, o Defensor.

À Luz do Evangelho Dominical – Quinto Domingo da Páscoa

Neste quinto domingo da Páscoa, Jesus revela o imenso amor do Pai e chama os discípulos carinhosamente de filhinhos. Ele sabe que vai morrer em breve e entrega como testamento o mandamento do amor, para que eles possam continuar o projeto do Reino de Deus.

Encontro além da Galileia (Marcos 7,24-30)

O encontro além da Galileia significou a Jesus adentrar não somente num território diferente, mas se inserir no próprio núcleo da hostilidade. Lembrando que ambos os povos, por vários fatos, ao longo da história, foram afundando na hostilidade (ver, por exemplo, 1Rs 16,31-33; Ez 26,15-21; 27,3-4.25-33; Zc 9,3). Por outro lado, o texto precedente do estudado aqui nos mostra que o confronto de Jesus com as autoridades judaicas tinha se tornado hostil. Quiçá esse fosse o motivo que fez Jesus ir para o território de Tiro. Considerando esse preâmbulo, será bem mais fácil ao leitor compreender que a cura que a mulher siro-fenícia procura para sua filha vai além de uma solução biológica, pois se insere na ótica das estruturas da existência social (a comunidade dos seguidores de Jesus estava vivendo o conflito de acolher ou rejeitar os pagãos). Observemos: “Saindo dali, Jesus foi para o território de Tiro… Logo em seguida, uma mulher cuja filha tinha um espírito impuro ouviu falar dele e veio a atirar-se a seus pés. Essa mulher era pagã, siro-fenícia de nascimento. Ela pedia a Jesus que expulsasse o demônio de sua filha” (vv. 24-26). O evangelista nos introduz no drama do encontro de Jesus e a mulher de origem pagã. Ela tem um forte motivo para ir ao encontro de Jesus: o desejo de liberdade. E, atirada a seus pés, pede a ele que expulse o demônio de sua filha. Jesus, porém, nos surpreende, já que responde defendendo a honra coletiva dos judeus, “os filhos”, para logo acrescentar “se fartem primeiro”, pois “não fica bem tirar o pão dos filhos para atirá-lo aos cachorrinhos”. Entretanto essas expressões que refletem a hostilidade étnica, cultural e religiosa mostram que Jesus toca o fundo do conflito, para desmitificá-lo e, novamente, restabelecer as relações. É interessante que, a seguir, a mulher retoma a imagem de Jesus e desenvolve-a em seu favor: “É verdade, Senhor, mas também os cachorrinhos comem, debaixo da mesa, as migalhas dos filhos!” (v. 28). Cabe observar que essa é a única vez que Marcos refere o título Kyrios (Senhor) em grego. É essa a invocação com que a comunidade de Marcos vai se dirigir a Jesus ressuscitado. Entretanto a resposta “comer as migalhas dos filhos” é o primeiro passo dado pela representante da comunidade dos pagãos vindos à fé, a mulher siro-fenícia, para restabelecer a relação há séculos rompida entre os judeus e os povos de origem pagã. Destarte os limites da identidade coletiva são redelineados por Jesus, na base da ética universal. Jesus é um pregador revolucionário que vem dos campos da Galileia e que propõe outra sociedade: não mais baseada nos privilégios raciais, na força do capital, nos latifúndios e propriedades privadas, mas fundada na igualdade da confederação das tribos. Portanto a base para a segregação social e racial se vê subvertida por Deus mesmo. E Deus conta com a nossa resposta livre e gratuita que teça relações criadoras (cf. Gn 1,26-28). Diante dessa boa notícia, caberia nos perguntar: quais são então as bases em que se apoiam nossas sociedades quando expressam leis que rejeitam, discriminam e excluem Que sustém e alimenta a ideologia do acúmulo de uns em detrimento de multidões Por que nossa cultura descarta os que são diferentes Além disso, poderíamos também nos perguntar: quais são os mitos que devem ser desconstruídos para restabelecer as relações entre nós e com o nosso planeta A que ou quem convém que caminhemos na contramão daquilo para o que fomos criados? O texto deixa ver que o problema não era simplesmente a nova ordem proposta por Jesus, mas sim o fato de ele questionar os códigos sociais, culturais e religiosos ancorados no mais profundo das pessoas, no coração. O coração, na concepção bíblica, designa o centro da pessoa, é o lugar dos sentimentos e do julgamento. É frequente encontrar na Bíblia referências teológicas ao coração de Deus. Trata-se do dom inesperado de Deus que transcende todas as relações de fidelidade e ultrapassa as expectativa e categorias humanas. No coração, pode-se dizer que se gesta o melhor que há em nós, mas também nele podemos cunhar o mal (cf. Mc 7,14-23). Diante dessa realidade, fica-nos o desafio de ir com Jesus além da Galileia para apreender a dialogar com as causas reais dos nossos conflitos. Situar-nos na fé na dinâmica histórica da vida concreta (território, raça, cultura, valores, ritos, expressões, educação, imaginários coletivos, etc.) implica uma conversão total. Isso porque a fé nos abre ao diálogo para desmitificar os códigos culturais que, muitas vezes, cegam-nos, fazendo crer que somos os únicos e, portanto, temos o direito de “filhos”. O amor a Deus, o amor aos outros e o amor a nosso planeta deverá ser nossa bússola e nunca “o direito dos escolhidos”, que é privilégio de alguns. “E ele lhe disse: ‘Pelo que disseste, vai. O demônio saiu de tua filha’” (v. 29). Jesus expulsa o demônio da exclusão, afirmando que Deus está com os excluídos (pagãos) exatamente para mostrar-lhes que são iguais aos “filhos” e que essa igualdade será defendida por Deus, pois ela é base de nossa identidade (cf. Gn 1,26-27). “Ela voltou para casa… O demônio tinha ido embora” (v. 30). A siro-fenícia compreendeu que realmente Deus liberta, salva e inclui todos, como filhos, na mesa do Reino. E, por isso, é possível pensar, do fundo de nosso coração, outras formas de ser e de nos relacionar. Irmã Juana Ortega, SSpS, é teóloga especializada em Bíblia. Nasceu no México, trabalhou em Moçambique e colabora na Animação Vocacional.

À Luz do Evangelho Dominical – Quarto Domingo da Páscoa

O vídeo “À luz do Evangelho dominical” desta semana traz a imagem de Jesus, o Bom Pastor que dá a vida pelas ovelhas. O Senhor conhece cada pessoa pelo nome e vai ao encontro dos pequenos, pobres e excluídos. Ele quer vida plena para todos.

Viver bem o tempo da Quaresma

Se você busca Deus e acredita que a fé tem de ser praticada no dia a dia, aqui vão algumas dicas para viver intensamente este tempo da Quaresma. Mas, afinal, o que é mesmo a Quaresma? É o período litúrgico que começa logo depois do carnaval, na Quarta-Feira de Cinzas, e termina antes da celebração da Ceia do Senhor, na Quinta-Feira Santa, quando começa o Tríduo Pascal, que é a celebração da paixão, morte e ressurreição de Jesus. Então, é um caminho de preparação para a Páscoa. E para que serve este tempo? A Igreja Católica sempre ensinou que a Quaresma é um período de conversão, no qual somos chamados a nos tornar pessoas melhores. Para isso, a Igreja propõe algumas práticas espirituais, especialmente o jejum, a oração e a esmola, ou prática da caridade. Vejamos cada uma dessas práticas. Jejum Tem sentido, ainda hoje, jejuar? Tem! Jejuar é deixar de comer ou abster-se de algo. É uma forma de educar o corpo e de fortalecer o espírito para dominar nossas tendências negativas e nos tornarmos pessoas mais livres. Por exemplo, posso jejuar, deixando de comer algo que gosto para ajudar os pobres… Posso também jejuar de vídeo games, de bebida alcóolica e até de cigarro, especialmente se estes começam a prejudicar minha vida. Há outros jejuns também desafiadores e que fazem muito bem, como jejuar de falar mal dos outros… De que tipo de jejum você está precisando? O importante é o sentido de sacrificar algo para o bem do próximo e para corrigir alguma coisa que não está indo bem em minha vida. Oração A oração é muito importante para a nossa vida, especialmente nesta época das redes sociais, que não nos deixam um minuto. Rezar é tirar um tempo para me encontrar com Deus e comigo mesmo; tomar consciência do amor de Deus em minha vida e ver se estou amando de verdade as pessoas. Há muitas maneiras de rezar. Todas as que me ajudam a viver o Evangelho e a fazer o bem ao próximo são boas formas de oração. Esmola Há ainda a esmola e a prática da caridade. O sentido da esmola é ajudar o pobre e quem passa por necessidades. Essa atitude espiritual é básica, e devemos fazê-la com critério. Não basta simplesmente dar uns trocados a qualquer mendigo para acalmar a consciência. É necessário ir às causas que geram mendigos, moradores de rua, crianças abandonadas, pessoas famintas e tantas outras situações que clamam aos céus, e fazer o que está a nosso alcance para superá-las. Campanha da Fraternidade Para nos ajudar a vivenciar as práticas espirituais da Quaresma de tal forma que elas possam transformar as situações de injustiça e melhorar a vida das pessoas, a Igreja no Brasil realiza a Campanha da Fraternidade (CF). A cada ano, a Campanha traz um tema relevante que ajuda a entender, à luz da fé, alguma situação ou problema e a buscar alternativas de solução. Neste ano, o tema da CF 2019 é “Fraternidade e Políticas Públicas”, e o lema “Serás libertado pelo direito e pela justiça” (Is 1,27). Políticas públicas O tema da CF 2019 vai nos ajudar a entender que podemos e devemos atuar como cidadãos e lutar pela garantia dos direitos fundamentais, como educação, saúde, moradia, trabalho, cultura, lazer, preservação do meio ambiente, oportunidade de acesso às novas tecnologias, entre outros. A Constituição Brasileira de 1988 garante todos esses direitos, mas os governos, muitas vezes envolvidos em corrupção, utilizam os recursos públicos para interesses próprios, deixando grande parte da população brasileira totalmente desassistida. Nesse contexto, o exercício da cidadania é fundamental e pode até mesmo mudar, para melhor, os rumos do País. Mas, para isso, o que temos de fazer? Qual é o caminho para que as políticas públicas respondam às reais necessidades da população e sejam de fato implantadas? É o caminho da participação e da política. Para isso precisamos partir para algumas ações bem concretas: tomar conhecimento do que está acontecendo em nossa cidade; acompanhar a atuação dos políticos que elegemos e também dos outros; participar de fóruns de discussão de questões sociais, de movimentos populares e outros; participar na elaboração e implementação de políticas públicas, por meio dos conselhos deliberativos (criança e adolescente, saúde, assistência social e educação). Essas são algumas das possibilidades, mas, para conhecer melhor as propostas da Campanha da Fraternidade, trazemos alguns links para você consultar: Mais informações: https://campanhadafraternidade2019.com.br/ Kit gratuito da CF: https://bit.ly/2Uc2RaB Texto-base: https://portalkairos.org/tag/cf-2019-texto-base/ Irmã Ana Elídia Caffer Neves, SSpSJornalista, membro da Equipe de Comunicação Congregacional e coordenadora de Comunicação da Província Stella Matutina (BRN)

Encontros que movimentam a água

É interessante que o evangelista sublinhe que eram muitos os que esperavam a cura e logo dirija nossa atenção no encontro a sós entre Jesus e o homem que estava enfermo: “Encontrava-se ali um homem enfermo havia trinta e oito anos. Jesus o viu aí deitado e, sabendo que estava assim desde muito tempo, perguntou-lhe: ‘Queres ficar sadio’” (versículos 5 e 6). O relato nos diz que o homem ficou curado antes mesmo de proferir qualquer palavra de fé: “Jesus lhe disse: ‘Levanta-te, toma tua maca e anda!’” (v. 8). O diálogo que se estabelece entre Jesus e esse homem deixa-nos mais desconcertados, pois, embora se trate de uma cura milagrosa, foge do esquema típico das curas de doenças. Geralmente há um pedido e uma afirmação da fé, mas, neste caso, é Jesus quem, por iniciativa própria, apresenta-se ao enfermo com uma oferta. Mesmo diante da negativa deste, Jesus insiste. Cabe observar que, no caso, o imperativo “Levanta-te” antecipa já a autoridade de Jesus para ressuscitar os mortos (cf. Jo 11). Nessa ótica, o acontecimento transcende a cura física e nos situa perante questões mais profundas que paralisam internamente o ser humano. Podem ser ideologias religiosas ou culturais, indiferença social, sofrimento, injustiça, etc. Na lógica de nossa sociedade, a gratuidade parece absurda. Em geral, somos educados na ideologia mercantilista. Assim, oferecemos algo (inclusive afeto) ou fazemos favores esperando retribuição (que ganho com isso De que me serve isso…, etc.) Dessa forma, quando é evidente que não seremos retribuídos, nós nos negamos a ajudar e até mesmo nos justificamos com razões socialmente válidas (não faço mal a ninguém, eu trabalho, meu dever é cuidar da minha família…). Também colocamos a Deus a concepção retributivo-mercantil, por isso nos custa tanto confiar na gratuidade de seu amor e misericórdia (no fundo, acreditamos mais na recompensa e no castigo). Destarte, preferimos pagar que ofertar, cumprir ritos religiosos que ser compassivos com quem está sofrendo da paralisia sociocultural e religiosa. Aliás, se no mais recôndito de nosso coração, estamos satisfeitos sendo como somos, não haverá uma mudança capaz de acolher a oferta libertadora de Jesus. O enfermo esperava que a água da piscina fosse movimentada e que, daquela vez, conseguisse mergulhar. “O enfermo respondeu: ‘Senhor não tenho ninguém que me leve à piscina quando a água se movimenta. Quando estou chegando, outro entra na minha frente’” (v. 7). O fato de querer curar-se, embora não visse como, pois ninguém o ajudava, foi a primeira atitude para ele receber a cura. E Jesus manda-o que faça o que parecia impossível. Ele diz “Levanta-te!”. Além do mais, é interessante que Jesus o mande o enfermo carregar a maca na qual este esteve deitado por trinta e oito anos. Porém o homem não se queixa, não se autocompadece; ao contrário, faz o esforço de levantar-se, carregar sua maca e andar. É, no entanto, um sábado. Logo, a lei rabínica proíbe estritamente as pessoas de carregarem qualquer objeto. Parece, pois, uma ironia que o homem que foi curado agora esteja quebrando a lei. Essa transgressão poderá levá-lo a ser apedrejado até a morte. Por isso, ao ser questionado, ele se defende, colocando a culpa no homem que o curou. É notável que não saiba quem é Jesus, por isso diz: “Aquele que me curou disse: ‘Toma teu leito e anda!’”(v. 11). Na realidade, somente busca ver-se livre da situação. “Mais tarde, Jesus encontra-o no templo e, desta vez, lhe diz: ‘Ficaste saudável, não peques mais’” (v. 14). Agora não é o profundo da piscina que se mexe, mas é o homem, em seu mais recôndito, estremecendo-se ao descobrir que aquele que o curou e mandou carregar sua maca é Jesus. Certamente, depois disso, as acusações se deslocam à pessoa de Jesus. Entretanto a defesa de Jesus é surpreendente: “Meu Pai trabalha sempre, e eu trabalho também” (v. 17b). Jesus mostra-nos que o cerne da lei de Deus é o amor, a misericórdia e a compaixão. Indiscutivelmente, o Filho e o Pai não descansam. Eles continuam procurando-nos junto à “piscina”. Eles nos desafiam a levantar-nos da paralisia, para chegarmos àquilo que devemos ser: filhos de Deus. Jesus nos quer de pé, quer-nos carregando nossa maca como testemunho de que é possível sermos seus seguidores! Irmã Juana Ortega, SSpS, é teóloga especializada em Bíblia. Nasceu no México, trabalhou em Moçambique e colabora na Animação Vocacional.

 Choramos com a Mãe Terra lágrimas de lama e sangue.  Não à impunidade! 

Publicamos este artigo de Iglesias y Minería (Igrejas e Mineração), pois reflete o pensamento das missionárias SSpS sobre a tragédia de Brumadinho-MG e traz informações que ajudam a entender por que esse desastre poderia ter sido evitadoe não foi. A rede Igrejas e Mineração chora junto às vítimas do crime ambiental de Brumadinho, Minas Gerais (Brasil).  Estamos escrevendo hoje desde esta comunidade violada, que bem conhecemos e voltamos a visitar, após termos celebrado com ela várias vezes, na caminhada, a vida e a resistência frente à expansão da mineração.  Escrevemos também desde as muitas comunidades latino-americanas atingidas pela violência arrogante do extrativismo, hoje abraçadas silenciosamente à pequena Brumadinho, em lágrimas.  Estamos solidários às famílias das vítimas e às comunidades de fé, que terão o árduo desafio de reconstruir a esperança. Unimo-nos também à Arquidiocese de Belo Horizonte, que, com as palavras do Evangelho, definiu a tragédia como “abominação da desolação”, referindo-se aos “absurdos nascidos das ganâncias e descasos com o outro, com a verdade e com o bem de todos”.  Seguimos acompanhando e assessorando as igrejas empenhadas nos territórios feridos pela mineração e em todos os conflitos abertos entre empresas extrativas e comunidades (só no Brasil há mais de 70 Dioceses onde foram mapeados conflitos).  A impunidade consolida o crime  A empresa Vale S.A., junto à BHP Billiton, é responsável por 19 mortes e pela contaminação da bacia do Rio Doce, em 05 de novembro de 2015. A repetição do mesmo dano, três anos depois, com um rastro de mortes e destruição bem mais grave, é a confirmação de sua incapacidade de gestão e prevenção dos danos, de descaso e de conduta criminal.  Esta responsabilidade envolve também o Estado, que licencia os projetos extrativos e deveria monitorá-los para garantir a segurança e a vida digna das comunidades e do meio ambiente.  A responsabilidade do Estado é dupla, porque a impunidade e a falta de reparações completas e suficientes para as vítimas do crime de Mariana foi uma das condições principais que permitiram o novo crime de Brumadinho.  Portas giratórias  De braços dados, o capital das mineradoras e o poder político facilitam a instalação ou ampliação de grandes projetos extrativos, minimizando as condicionantes e as regras de licenciamento dos mesmos. A própria mina Córrego do Feijão, cuja barragem de rejeitos estourou, obteve em dezembro de 2018 licença ambiental para expansão de 88% de suas atividades. No Conselho de Políticas Ambientais do Estado de Minas, só o Fórum Nacional da Sociedade Civil na Gestão de Bacias Hidrográficas (Fonasc) votou contra esta expansão, denunciando mecanismos “insanos” para reduzir as exigências no licenciamento de empreendimentos de mineração de grande porte.  Não se podem denominar “acidentes ambientais” os desastres provocados por condutas irresponsáveis das empresas aliadas ao poder público. iglesiasymineria.org  Sociedade civil organizada mas não escutada  Desde 2011 a população de Brumadinho e da região manifesta-se de forma organizada contra a mina, seus impactos e ameaças. O FONASC, em dezembro de 2018, escreveu comunicação oficial ao Secretário Estadual de Meio Ambiente, pedindo a suspensão do licenciamento da mina Córrego do Feijão. A Articulação Internacional dos Atingidos e Atingidas pela Vale denunciou na Assembleia Geral dos Acionistas da Vale, em abril de 2018, “o perigo do reiterado processo de redução de custos e despesas em suas operações”, fazendo explicita menção a diversas barragens de rejeitos.  Os responsáveis por estes crimes não podem alegar ou justificar desconhecimento dos riscos e ameaças. Ao contrário, em nome da ilusão do “progresso” e do lucro para muito poucos, há desqualificação sistemática das vozes dissonantes, dos que pedem cautela e cuidado, dos que identificam os riscos e exigem processos de licenciamento detalhados e escuta da população ameaçada, afetada ou atingida pelos projetos.  Teimosamente, fazemos ressoar as palavras de Papa Francisco na encíclica Laudato Si’: “no debate, devem ter um lugar privilegiado os moradores locais, aqueles mesmos que se interrogam sobre o que desejam para si e para os seus filhos e podem ter em consideração as finalidades que transcendem o interesse econômico imediato” (LS 183).  Flexibilizar até quebrar  O Presidente recém eleito no Brasil, atendendo às pressões de quem financiou sua campanha, manifestou o plano de flexibilizar ao máximo o controle e licenciamento ambiental. Criticou a suposta “indústria da multa ambiental”; seu Governo esvaziou de atribuições a pasta do Meio Ambiente, suspendeu contratos com ONGs empenhadas em defesa do meio ambiente, extinguiu secretarias que trabalhavam para políticas públicas contra o aquecimento global.  Também os Governos anteriores facilitaram a expansão desregrada da mineração no País, promovendo o Plano Nacional de Mineração e reformulando, por decreto, o Marco Legal da Mineração.  Os acontecimentos recentes demonstram, violentamente, que estas políticas são um suicídio coletivo e uma ameaça à vida das futuras gerações.  Este modelo de crescimento é insustentável e letal; não se pode chantagear quem precisa de emprego para sobreviver em regiões controladas pela mineração, sem garantir ao mesmo tempo segurança, saúde e bem-estar social. Os problemas não se resolvem “apenas com o crescimento dos lucros das empresas ou dos indivíduos”. “Não é possível conciliar, a meio termo, o cuidado da natureza com o ganho financeiro, ou a preservação do meio ambiente com o progresso. Neste campo, os meio-termos são apenas um pequeno adiamento do colapso. Trata-se simplesmente de redefinir o progresso” (LS 190, 194).  Falsos diálogos  Frequentemente, as empresas e os governos apelam à mediação dos conflitos com as comunidades através do “diálogo”. Buscam, inclusive, a intermediação das igrejas, para oferecer a estes processos maior credibilidade. iglesiasymineria.org  Também institucionalmente tem-se investido em mediações extra-judiciais e termos de ajustamentos de conduta para tornar mais efetiva e rápida a reparação de danos e violações ambientais.  A falta de execução das mitigações e reparações, a leniência em prevenir novos desastres e a repetição de práticas irresponsáveis e criminosas confirmam: este tipo de de proposta não é um diálogo verdadeiro. É uma estratégia das empresas para seduzir a opinião pública, garantindo uma espécie de licença social para poluir, reduzir a resistência popular e iludir que o grande capital pode se converter aos valores da sustentabilidade e

Violência: passado, presente e futuro

Derivada do latim, a palavra violência está associada ao termo “violare”, que significa violação. Violência é usar a agressividade em excesso, de forma intencional, violando a integridade, podendo causar traumas, acidentes e até mesmo mortes. É preciso entender que existem, sim, caminhos que podem combater esses tipos de ações e que eles estão extremamente ligados ao cultivo da paz. A Declaração Universal dos Direitos Humanos, criada há 70 anos por conta dos horrores da Segunda Guerra Mundial, objetivam a promoção de uma vida digna, com direitos e liberdades fundamentais a todo ser humano. Contudo, mesmo depois de muito tempo instituída, não garantiu os direitos fundamentais para uma boa vida, uma vez que, atualmente, ainda existem países comparados a situações de guerra. O Brasil, uma das nações que têm suas condições de vida comparadas às de locais em conflito, tem sua população, muitas vezes, horrorizada e com medo de executar ações simples do dia a dia, como sair para buscar o pão na padaria. Gil Vicente condenou muitos pecados no clássico “Auto da Barca do Inferno”. Corrupção, mentira e falsidade foram “valores” que embarcaram para o inferno no século XVI e, consequentemente, já deveriam ser só mais uma “lembrança”. Mesmo com o passar do tempo, a sociedade não foi capaz de evoluir diante da violação da integridade, da mesma maneira em que progrediu em outros aspectos. Com base nessas informações, após muitos atos históricos extremamente violentos, foram criados muitos acordos, tratados e até mesmo instituições com o propósito de estabelecer a paz. Na virada do milênio, foi elaborado o “Manifesto em Defesa da Paz – 2000”, que contou com a colaboração de personalidades como Dalai Lama e Nelson Mandela, que colocaram no papel vários modos de acabar com atitudes violentas, visando a um mundo mais pacífico. Portanto é necessário que a mídia, o governo e até a população incentivem o respeito, a generosidade e a defesa da liberdade e da diversidade, para que a sociedade pare de pensar que “violência se acaba com violência”. Segundo Mahatma Gandhi, “Não existe caminho para a paz. A paz é o caminho”. Dessa maneira, crianças e jovens poderão crescer num mundo menos violento e mais solidário, acreditando sempre num futuro melhor. Lara Munhoz Mathias é aluna do ensino médio do Colégio Espírito Santo, em São Paulo-SP.

Política de Privacidade

Este site usa cookies para que possamos oferecer a melhor experiência de usuário possível. As informações de cookies são armazenadas em seu navegador e executam funções como reconhecê-lo quando você retorna ao nosso site e ajudar nossa equipe a entender quais seções do site você considera mais interessantes e úteis.

Mais informações sobre: Política de Privacidade