Missa marca o início da visitação-geral na Província Stella Matutina

As irmãs Miriam Altenhofen (coordenadora-geral das SSpS) e Kreti Vidal (conselheira) abriram oficialmente a visitação na Província Stella Matutina (Brasil Norte). Na missa realizada neste domingo (8 de fevereiro), em São Paulo, Ir. Miriam refletiu sobre a passagem do Evangelho de Mateus (5,13-16), “o sal da terra e a luz do mundo”. Veja a meditação e saiba o que significa a visitação-geral nas congregações religiosas.
Equipe de Espiritualidade realiza encontro no Rio de Janeiro

A Equipe de Espiritualidade da Província Brasil Norte das missionárias servas do Espírito Santo (SSpS) se reuniu, nos dias 21 e 22 de julho, no Colégio Imaculado Coração de Maria (CICM), no Rio de Janeiro-RJ. O primeiro encontro presencial do grupo teve como objetivo fomentar a interação entre os participantes e o aprofundamento na herança espiritual deixada por Santo Arnaldo Janssen e a geração fundadora. Como tem sido prática na Congregação das SSpS, a equipe também é formada por irmãs e leigos. A programação começou com a acolhida da Ir. Maria Inês Aragão, coordenadora. Por meio de videochamada, a Ir. Maria Percila Vieira, superiora da Província Brasil Norte, também saudou os participantes. Em seguida, houve uma reflexão sobre a parábola do semeador, narrada no Evangelho de Mateus (13,1-23). Cada um recebeu uma sacola com um pequeno recipiente, terra fértil, um galho espinhoso, uma pedra, sementes de girassol, pincel atômico e papel. Usando o material, todos deveriam expressar as impressões sobre a passagem. A partilha foi um momento muito rico e emocionante. A Ir. Maria Inês conduziu um estudo sobre o tema “Paixão pela missão em Arnaldo Janssen”. Foi uma oportunidade para conhecer melhor os fundadores e primeiros missionários e missionárias da Família Arnaldina. No sábado, as atividades começaram ainda na madrugada, quando a equipe se dirigiu ao mirante do Parque do Leblon, para acompanhar o nascer do sol. Espontaneamente, os participantes elevaram a Deus uma oração de louvor. Na sequência, houve um passeio por alguns pontos da Cidade Maravilhosa. À tarde, a equipe revisou o planejamento, destacando as prioridades para os próximos meses. Após a avaliação do encontro, a equipe participou da celebração da Palavra. A liturgia do 16º Domingo do Tempo Comum destacou a parábola do joio e do trigo, presente no Evangelho de Mateus (13,24-43). Como é costume na Família Arnaldina, também foi dirigida uma prece especial à Santíssima Trindade. O momento concluiu-se com a bênção e o abraço da paz. Alessandro Faleiro MarquesMembro das equipes de Comunicação SSpS Brasil e de Espiritualidade da Província SSpS Brasil Norte, diácono permanente na Arquidiocese de Belo Horizonte.
Sobre infância e “desinteligência”

É outubro outra vez, o famoso Mês das Crianças. Nas tristes lembranças, os tiros que atingiram crianças ainda no ventre materno, as supostas “balas perdidas” nas comunidades, a estupidez no trânsito, o extermínio, o “desaparecimento”, a violência sexual, a violência doméstica, as drogas e o tráfico, os afogamentos, os sufocamentos, as agressões, as queimaduras, as vítimas da covid-19, enfim, um sem-fim de motivos. Nas doces lembranças, a alegria, as dancinhas, a espontaneidade, as conquistas motoras do dia a dia, as encantadoras perguntas e respostas no cotidiano, os segredos, as amizades, as músicas, as brincadeiras, a fantasia, as letras e números ganhando sentido, os desenhos e garatujas, as telas, os áudios, os vídeos, os gritos, os choros, as cólicas, as febres, as espinhas, os primeiros amores, a simplicidade complexa do cuidar, enfim, um sem-fim de registros de afeto e zelo. Das lembranças que se misturam e brotam em nós, lágrimas e sorrisos, uma certeza: crianças e adolescentes precisam de proteção integral para usufruir e fruir a infância e juventude, pois estão na peculiar condição de pessoas humanas em desenvolvimento. Aos olhos de uma criança de 6 anos que cunhou a expressão “desinteligente” numa banal cena do cotidiano, envolvendo uma ingênua crítica à conduta de um adulto a seu redor, um aprendizado para a vida. Em contraponto à infância e à adolescência como fase de formação e desenvolvimento, temos os adultos, aos quais cabe zelar, cuidar, oportunizar, proteger e, acima de tudo, ser porta-vozes de condutas e escolhas inteligentes que mudam o mundo. Diria que temos um “trio de adultos” dos quais se espera sabedoria e inteligência: o ESTADO, a FAMÍLIA e a SOCIEDADE em geral. A esse trio de adultos, um recado na potente voz de uma criança: “Não sejam desinteligentes”. O Estado precisa garantir, em qualidade e quantidade, as políticas públicas que garantam acesso e oportunidade de pleno desenvolvimento a todas as crianças e os adolescentes na complexidade do que é traduzir direitos na prática. Não seja “desinteligente”. A família, em sua multiplicidade de arranjos, precisa ser ambiente fértil e protetivo para dar conta dessa missão de proteção em sua dimensão cotidiana. Não seja “desinteligente”. A sociedade, como um todo, deve ser vigilante com relação ao dever de prevenir a ocorrência de ameaça ou violação dos direitos da criança e do adolescente, reagindo a toda forma de desproteção. Sociedade, não seja “desinteligente”. Este mês de outubro, quando celebramos a vida das nossas crianças, seja tempo para que esse “trio de adultos” possa olhar ao redor e para dentro para (re)ver e ter dimensão do alcance formativo e protetivo de nossas escolhas e decisões “inteligentes”, seja na dimensão cotidiana, seja na complexa dimensão social, política, econômica, cultural. Não sejamos “desinteligentes”! (Qualquer semelhança com os princípios do Estatuto da Criança e do Adolescente não é mera coincidência.) Maria José Brant (Deka), assistente social, analista de políticas públicas na Prefeitura de Belo Horizonte-MG, mestra em Gestão Social, mosaicista nas horas vagas.
18 anos da Pastoral da Pessoa Idosa

Primeiro de outubro. Além de estarmos em plena primavera, é a abertura de um mês de muitas datas significativas. Para a Igreja, celebra-se o Mês das Missões, cuja padroeira é Santa Teresinha do Menino Jesus, acompanhada dos Santos Anjos. Lembramos também o Dia da Padroeira do Brasil e Dia das Crianças (12), do Fisioterapeuta (13), do Professor (15), do Médico (18), do Dentista (25), do Funcionário Público (28) e tantas outras homenagens. Nesse sentido, também se comemora a aprovação da Lei nº 10.741, de 1º de outubro de 2003, que dispõe sobre o Estatuto do Idoso. Dá-se à sociedade, ao Poder Público, ao Estado, às famílias brasileiras a regulamentação de uma série de prerrogativas à pessoa idosa, como o direito à vida, à saúde, à educação, à cultura, à assistência e previdência social, ao lazer, ao esporte, à habitação e ao transporte. A velhice passa a ter uma proteção social como direito fundamental. Assim, nessa mesma data, celebra-se o Dia do Idoso. Diante do quadro demográfico da população brasileira, que tem demonstrado um perfil de envelhecimento, do Ano Internacional do Idoso, promovido pela ONU, e da Carta aos Anciãos, escrita pelo Papa João Paulo II em 1999, a CNBB lançou, em 2003, a Campanha da Fraternidade com o tema: “Fraternidade e as Pessoas Idosas”, tendo como lema: “Vida, dignidade e esperança”. Assim, no ano seguinte, sensibilizada pela situação das pessoas idosas, principalmente nas comunidades carentes, a dr.ª Zilda Arns Neumann, médica, irmã do arcebispo Dom Paulo Evaristo Arns, decidiu iniciar um programa de acompanhamento às pessoas idosas, nascendo a Pastoral da Pessoa Idosa (PPI). Por dezoito anos, a PPI sempre foi marcada pela visita domiciliar. Com a pandemia, contudo, muitas visitas foram substituídas pela conversa ao telefone. Com a vacinação e os cuidados sanitários, a Pastoral da Pessoa Idosa vem retomando as visitas, pois muitas pessoas que moram sozinhas esperam ansiosamente receber os agentes missionários. A experiência da pessoa idosa tem muito a acrescentar à vida da família e da comunidade em geral. Seus ensinamentos e relatos fazem parte da memória da história local. Ouvir a pessoa idosa é importante, pois muito têm a nos ensinar. Infelizmente, o século XXI tem sido de muita correria. Ninguém parece ter tempo para visitar aquele avô ou avó que mora longe dos filhos e netos ou aquela tia que vive sozinha. Em contraponto, há grupos da terceira idade que costumam programar reuniões ou viagens em excursão. Mas, ainda, há aquelas pessoas idosas que não têm condições ou não querem sair, pois preferem ficar em seu “cantinho”. Nosso desafio está em encontrar um tempinho na semana para dar atenção a todos os que são necessitados de atenção e levar a Palavra, o conhecimento. Na educação para jovens e adultos (EJA), é comum ouvir de senhoras e senhores que, depois de aposentados, voltam a estudar: “Voltei para realizar um sonho que eu tinha de estudar”. Depois dos filhos criados, estão voltando… O Brasil ainda tem 11 milhões de pessoas analfabetas (conforme dados do IBGE de 2010) e, entre eles, a maioria é de idosos. Vamos incentivar a pessoa idosa a aproveitar melhor o tempo que tem, respeitando suas fragilidades, oferecendo-lhes conforto, conhecimento, dignidade. O Brasil precisa de todos. Leia o Estatuto do Idoso, procure pesquisar seus direitos. Ter cuidados com a saúde física é importante, mas com a saúde mental e espiritual também. Devemos combater o etarismo e a humilhação social contra os idosos. Se alguém sofre violência tanto física quanto psicológica, financeira, patrimonial, afetiva, denuncie. Ligue para 180. Que Santa Ana, São Joaquim, Zacarias, Isabel e outros exemplos bíblicos, os filósofos Sêneca e Cícero, nossa poetisa Cora Coralina e tantos outros nos inspirem a viver bem. Maria Terezinha Corrêa Mestra em Antropologia, especialista em Ensino de Filosofia, graduada em Filosofia e Pedagogia, Teologia pelo Mater Ecclesiae, filiada à ABA, APEOESP e SBPC, membro da diretoria da Aproffib (Associação dos Professores de Filosofia e Filósofos do Brasil), atualmente é professora de Filosofia na Prefeitura de São José-SC, membro da Comissão de Prevenção e Combate à Tortura pela ALESC e voluntária na Pastoral da Pessoa Idosa, ligada à Arquidiocese de Florianópolis.
6º Domingo da Páscoa

“Amem-se uns aos outros”João 15,9-17 Poucos trechos do Evangelho de João são tão conhecidos como o de hoje, pelo menos pelas diversas frases lapidares tecidas dentro dele. Sobressai o tema básico do “amor” como a característica que deve distinguir os discípulos e discípulas de Jesus. O amor é um dos temas preferidos da sociedade atual, como mostram os nossos cantos, poemas e novelas, mesmo que seja mais na fala do que na prática. Por isso, torna-se necessário recuperar o sentido profundo do amor nos evangelhos. Até um estudo rápido mostra que o termo tem outro sentido do que aquele que a nossa sociedade liberal e consumista lhe atribui. Na sociedade atual, o amor não passa de um sentimento agradável, uma emoção, quando não de um egoísmo disfarçado. Tendo como base a emoção, torna-se temporário, volúvel, sem consistência, descartável. Passado o sentimento, termina o amor. Uma das consequências dessa visão pós-moderna é o alto índice de divórcios, de separações, de desistências de tudo que é compromisso, pois a base é como areia movediça, não sustenta o peso do dia a dia. O amor ao qual Jesus nos conclama tem outro sentido: é o amor “como eu os amei”. Como foi que Ele nos amou? Dando sua vida por nós. O amor se torna uma atitude de vida e não um sentimento. A comunidade dos discípulos e discípulas (a Igreja) deve ser uma comunidade de pessoas comprometidas com o projeto de Jesus, que veio “para que todos tivessem a vida e a vida plenamente” (João 10,10). A comunidade cristã deve ser muito mais do que um grupo de amigos e companheiros (oxalá fosse isso também, pois frequentemente nem isso é!), deve ser uma comunidade enraizada no amor de Jesus, que é a encarnação do Deus da vida, animada pelo seu Espírito e dedicada a criar o mundo que Deus quer. A pedra de toque de uma comunidade cristã então não será o sentimento e a emoção, mas os frutos que ela dá, frutos que devem permanecer (vers. 16) e que não devem evaporar com a instabilidade dos sentimentos. Tal comunidade vai ser comunidade de vida e partilha, da justiça e solidariedade, da verdadeira paz e dedicação. Saberá ultrapassar os limites da mera simpatia e atração para assumir a vida de cada irmão e irmã como expressão do amor do Pai. É interessante que, embora o trecho se situe no contexto da véspera da Paixão, Jesus fala da alegra, e da alegria completa. É impressionante como, em um mundo que propõe a satisfação imediata pessoal e a “felicidade já” como metas, garantidas pelo consumo e pelas posses, há tanta gente desanimada, triste, insatisfeita e deprimida. Quantos jovens, mesmo (ou talvez especialmente) nas classes mais abastadas, irrequietos e perdidos na vida! Pois a alegria não vem somente das posses e dos bens materiais, e uma vida baseada sobre eles vai necessariamente elevar à frustração. Mas também há muita gente, muitas vezes com uma vida sofrida e difícil, que irradia a verdadeira alegria e profunda paz, pois as suas vidas são alicerçadas sobre a rocha: uma vida de amor verdadeira, na doação de si, na busca de uma vida digna para todos. A sociedade do consumo nos aponta um caminho para a felicidade: sempre ter mais, em uma busca individualista de felicidade, que só pode nos levar à alegria falsa dos shows de Faustão ou Sílvio Santos. Jesus nos aponta o caminho para a verdadeira alegria: uma vida de amor-doação, de busca da justiça e solidariedade, que tem a alegria não como meta, mas que a traz como consequência. Não há nenhum mandamento “simpatizai-vos uns com os outros”, mas há o mandamento do amor. Para isso precisamos de uma vida fortemente fundamentada no Evangelho e no seguimento de Jesus, pois, se não a temos, será impossível sustentá-la. Jesus nos quer como “amigos” e não servos, ou seja, pessoas que livremente assumem seu projeto. Assim assinala que a religião não deve ser simplesmente o cumprimento de uma série de leis e regulamentos, mas o seguimento de um projeto de vida, continuadora de sua missão no mundo atual. Um projeto além de nossas forças humanas, pelo qual precisamos do dom sempre renovado do Espírito Santo, um dom que nos é garantido, pois, como diz o texto: “O Pai dará a vocês qualquer coisa que vocês pedirem em meu nome” (vers. 16). É um projeto que nos coloca na contramão da sociedade atual, mas que nos garante uma vida realizada e plena, que os falsos ídolos do consumismo são incapazes de nos dar. “O que mando é isto: amem-se uns aos outros” (vers. 17). Padre Tomaz Hughes, SVD, biblista e assessor da CRB e do Cebi. Dedicou-se a cursos e retiros bíblicos em todo o Brasil. Publicou diversos artigos e o livro “Paulo de Tarso: discípulo-missionário de Jesus”. Faleceu em 15 de maio de 2017. Suas reflexões bíblicas são muito atuais.
Clima e crianças: pistas para mudar o mundo!

Para começar, uma confissão: ando um pouco sem esperança. Mas sempre que isso acontece, minha intuição me leva a aproximar-me das crianças. Então, é exatamente isso o que farei… Se você, adulto, está lendo este texto, compartilhe e traduza esta mensagem em forma de recado para alguma criança. Primeiramente, um pedido público de desculpas: crianças, nós, adultos, falhamos! Sim! Podem acreditar que adultos não são infalíveis, por isso é hora de dar as mãos e ouvidos à infância e contar um pouco sobre essa confusão e contradição que é falar das mudanças climáticas que ameaçam a vida no planeta. Nós, adultos, que fazemos parte dos governos, das instituições privadas e da sociedade civil como um todo, estamos perdendo as chances de buscar soluções conjuntas e globais para minimizar os efeitos das mudanças climáticas. Nossa Casa Comum está pedindo socorro, e sabemos: o que acontecer à natureza que nos foi confiada estará acontecendo a nós mesmos. Nossa Casa Comum está se esgotando pela forma com a qual a ação humana vem interferindo na natureza. Fato é que mudanças climáticas podem ocorrer por alterações na radiação solar e dos movimentos orbitais da Terra, mas o grande problema é quando ela é consequência das atividades humanas, e é sobre isso que vamos conversar. De forma gradual, começamos a perceber, em nosso cotidiano, os efeitos das mudanças climáticas com o aquecimento global, com a subida do nível das águas do mar, o derretimento acelerado de gelo nos polos, a incidência radical de chuvas e seca, a água se tornando mais escassa, perda da biodiversidade, a desertificação, entre outros. Inspirada nas referências de conteúdo aqui citadas, podemos dizer que nosso planeta é protegido por uma camada de gases que ajuda a manter e viabilizar a vida na Terra. Didaticamente apropriando desses conteúdos, o que acontece é que a “radiação solar que chega a nosso planeta é refletida e retorna diretamente para o espaço, outra parte é absorvida pelos oceanos e pela superfície terrestre, e uma parte é retida por essa camada de gases que causa o chamado efeito estufa. O problema não é o fenômeno natural, mas o agravamento dele. Como muitas atividades humanas emitem uma grande quantidade de gases formadores do efeito estufa, essa camada tem ficado cada vez mais espessa, retendo mais calor na Terra, aumentando a temperatura da atmosfera terrestre e dos oceanos e ocasionando o aquecimento global”. E então, crianças, depois dessa introdução, chegamos ao que interessa. Enquanto esperamos e apostamos que vocês vão crescer e vão nos ajudar a consolidar saídas e alternativas viáveis e criativas, já temos vários caminhos globais, árduos e adultos para fazer “diminuir o desmatamento, investir no reflorestamento, investir em energias renováveis não convencionais (solar, eólica e biomassa, por exemplo), investir na produção e uso de biocombustíveis, reduzir o consumo, reduzir, reaproveitar e reciclar materiais, investir em tecnologia de baixo carbono…”. Enquanto vocês estão crescendo, também temos vários caminhos que dependem de gestos conscientes e opções cotidianas que já podem assumir a liderança e fazer a diferença: pratiquem o consumo consciente e sejam cuidadosas com o que compram e desejam comprar; sempre que puder, usem transporte coletivo; façam a coleta seletiva e aprenda a reutilizar e reaproveitar materiais; economizem energia elétrica e sejam cuidadosas e econômicas no uso da água em geral e na hora do banho; prefira adotar animais, não os comprem; plantem uma horta em família, nem que seja em vasos, e adote o consumo de produtos orgânicos; andem a pé e de bicicleta sempre que puderem; diminuam o consumo de carne e alimente-se com qualidade… Eu poderia seguir com essa lista interminável, mas já vou concluir. Estudem… Estudem muito para que as saídas brotem nas mentes criativas e inquietas que são vocês. E amem, amem muito a diversidade e o mistério da vida na Terra. Referências https://www.wwf.org.br/natureza_brasileira/reducao_de_impactos2/clima/mudancas_climaticas2/ https://www.biologianet.com/ecologia/mudancas-climaticas.htm Maria José Brant (Deka), assistente social, analista de políticas públicas na Prefeitura de Belo Horizonte-MG, mestra em Gestão Social, mosaicista nas horas vagas.
12 de março: o bibliotecário em tempos de educação remota

O Dia do Bibliotecário é celebrado em 12 de março, em homenagem ao nascimento do primeiro bibliotecário concursado do Brasil, Manuel Bastos Tigre (1882-1957). Mas essa profissão pouco conhecida surgiu há séculos, nos tempos remotos da civilização. E o que é que faz um bibliotecário? Bem, esses profissionais organizam, guardam, identificam os assuntos dos livros e dos documentos, traduzem para o sistema da biblioteca e, mais ainda, permitem que eles estejam acessíveis para todos os que possam se interessar. Legal, né?! Não é só na biblioteca que um bibliotecário trabalha, mas provavelmente esse é seu lugar preferido. Já faz um tempo que o mundo digital não é novidade, mas muitos ainda acreditam que as bibliotecas não acompanharam esse ritmo. Será? Bem, posso garantir que isso não é verdade. É só “dar um Google” para descobrir o tanto de bibliotecas digitais e virtuais que existem mundo afora. Sem falar nos inúmeros recursos digitais e on-line que as bibliotecas presenciais oferecem. No Brasil, por exemplo, temos o Domínio Público, http://www.dominiopublico.gov.br/ uma biblioteca virtual criada pelo Ministério da Educação que conta com mais de 180 mil títulos em diversas mídias, disponíveis para baixar gratuitamente. Já a ONU tem um projeto chamado Biblioteca Digital Mundial, https://www.wdl.org/pt/ que reúne documentos oficiais sobre a cultura de diversos países. Acesse e confira! Em tempos de pandemia Só que veio o novo coronavírus, e o digital e o on-line deixaram de ser exceção. Em muitos casos, viraram regra. Há um ano, espreitávamos o que nunca imaginamos viver: a maior pandemia dos nossos tempos. Deixamos nossas salas de aula e passamos a ocupar os cantos da casa. Nossos celulares e computadores ficaram cheios de atalhos e arquivos ocupando suas memórias. Os professores e colegas passaram a ser vizinhos de tela no Classroom, cada um ocupando, literalmente, seu próprio quadrado. Mas onde fica a biblioteca nessa história toda? É engano nosso pensar que a biblioteca está fechada atrás dos portões dos colégios. Tal qual nossa escola é viva, assim também são nossas bibliotecas. Atravessando muros de concreto e a distância, a biblioteca, em tempos de pandemia, tem nos aproximado no amor e na esperança de um breve e caloroso reencontro. Seja nas “aulas de biblioteca” on-line ou nos eventos remotos abrilhantados por um conto ou poema, o papel dos bibliotecários é presente e, às vezes, quase invisível, mas precioso na biblioteca escolar. O paraíso Desde os anos iniciais, os momentos de “contação” de histórias são repletos de encanto e auxiliam no processo de formação de nossos pequenos estudantes, promovendo a resiliência, ampliando o repertório sociocultural e desenvolvendo a comunicação, para a autonomia das crianças. Em cada ação, esses guardiões dos livros carregam a missão de incentivar o pensamento crítico, a imaginação e a curiosidade, ampliando o gosto pela leitura. Dentro desse ambiente aberto e imaginativo, promovido pelos contos, tudo é possível. Os livros, sejam eles digitais ou físicos, permitem-nos encontros preciosos, arrancam-nos suspiros de medo e curiosidade, transbordam-nos alegria e nos encantam profundamente. Aprendemos muito, nesse último ano, sobre o valor da vida. Percebemos que o que realmente importa, muitas vezes, esteve sempre conosco e não precisamos de muito mais para sermos felizes. O escritor argentino Jorge Luis Borges disse: “Sempre imaginei que o paraíso fosse uma espécie de biblioteca”. Parece que ele está certo, não é mesmo? Nem precisamos estar dentro delas para perceber o quanto as bibliotecas são nosso lugar de repouso e alento. Nunca foi um lugar só para aprender e estudar. Em nossas escolas, isso não é novidade. É só observarmos os olhares dos alunos para percebermos que a leitura é a receita que diminui qualquer distância. Teily Ane Teles de AssisBibliotecária escolar no Colégio Stella Matutina, Juiz de Fora-M
A mulher na política brasileira

Quantas vezes você ouviu as expressões “lugar de mulher é na cozinha” ou “mulher no volante, perigo constante”? Essas frases transmitem uma mentalidade machista e preconceituosa. Em tempos remotos, cozinhar já era uma atividade fora da moradia, como acontece em algumas culturas. E quais foram as mulheres que criaram movimento para combater o preconceito e lutar pela liberdade feminina no Brasil? Sabemos que as mulheres brasileiras começaram suas conquistas com muita persistência e busca de ideais. Graças à luta delas pelo direito à vida, à terra, ao estudo básico e superior, ao voto, à dignidade, conquistaram reconhecimento perante a sociedade atual. Como exemplos, temos Dandara, esposa de Zumbi dos Palmares (falecida em 1694); a indígena Clara Camarão (século XVII); Luísa Mahin, mãe de Luís Gama (falecida em 1882); Maria Quitéria, que lutou pela Independência do Brasil (falecida em 1853); Nísia Floresta, primeira educadora negra do Brasil (falecida em 1885); a bióloga e política Bertha Lutz, que lutou pelo direito do voto feminino (falecida em 1976); Lélia Gonzalez, filósofa e antropóloga, cofundadora do Instituto de Pesquisa das Culturas Negras do Rio de Janeiro (falecida em 1994); Therezinha Zerbini, advogada e ativista dos direitos humanos, fundadora do movimento feminista pela anistia (falecida em 2015); e tantas pensadoras e batalhadoras de nosso dia a dia, como Maria da Penha. A discriminação da mulher ocorre em todas as camadas sociais. A violência contra o sexo feminino vem de longa data. Infelizmente, o Brasil é o quinto país no mundo em feminicídio. De acordo com dados do IBGE (2020), com a pandemia, 35% das mulheres brasileiras têm sofrido violência sexual e psicológica. Todavia, graças à coragem de Maria da Penha, vítima de violência doméstica, depois de várias denúncias policiais contra seu parceiro, reivindicou proteção à vida, garantindo para as demais companheiras o direito a um recomeço longe de seus desafetos, ao ser criada a Lei n.º 11.340/2006, que tenta coibir maus-tratos e desrespeito. O Disque 180 e as delegacias da mulher têm sido uma ferramenta de amparo e esperança. Caso precise ou conheça alguém que necessite, utilize. Conforme o censo do IBGE de 2010, a maioria da população brasileira é do sexo feminino (51,5%, sendo 43,6% brancas e 56,10% que se declaram pardas e negras, destacando 9,7% de mulheres indígenas). Isso demonstra que, mesmo sendo a maioria no País, a cidadã brasileira ainda é pouco reconhecida na sociedade. Com efeito, a cada eleição, as brasileiras têm procurado seu espaço na política. No Congresso Nacional, atualmente temos como representantes do povo 76 deputadas federais, o que corresponde a 15% do total de 513 parlamentares, e 12 senadoras, entre os 81 senadores. Percebe-se que há, ainda, uma tímida participação feminina nas eleições também das câmaras municipais, mesmo com a Lei n.º 9.504/1997, que estabelece 30% de mulheres nos partidos políticos. Entretanto sabemos que, na realidade, a participação das mulheres na política brasileira não é satisfatória. Na eleição de 2018, apenas uma governante é do sexo feminino, a do Estado do Rio Grande do Norte, tentando cumprir seu mandato. Na História do Brasil, até hoje, somente tivemos uma presidente, Dilma Rousseff, que sofreu com as pressões machistas. Em 2022, teremos novas eleições e precisamos nos conscientizar da força e da responsabilidade política que todos nós temos. Sabemos que a educação da mulher tem, no Brasil, em seu núcleo familiar, uma história conservadora, gerando preconceitos e discriminação, reproduzindo a mentalidade machista, já que a educação dos filhos, por várias gerações, ficou sob sua responsabilidade. Nesse sentido, desde quando a mulher passou a trabalhar fora, percebeu a exploração da mão de obra, o assédio sexual, além da violência doméstica. Com a união e a força do movimento feminista/feminino, o respeito pelo “sexo frágil” passou a ser conquistado. A afirmação da pensadora francesa Simone de Beauvoir (1905-1986), “Não se nasce mulher; torna-se mulher”, provoca muitas reflexões que geram ações de busca pela liberdade feminina de construções culturais equivocadas. A educação da mulher, embora tímida, reflete na educação bem como em várias esferas sociais. Reconhecer a participação feminina nos projetos de políticas públicas, nas universidades, nas manifestações artísticas e desportivas é necessário para a emancipação da sociedade brasileira, que busca viver uma democracia plena. Infelizmente o “empoderamento” feminino tem incomodado o sexo oposto, acostumado, culturalmente, a ser o poder, tanto no espaço público quanto no privado. A compreensão dos papéis de ambos os sexos se faz necessária para uma parceria que, naturalmente, deveria ser para o bem comum. Que o Dia Internacional da Mulher não seja apenas uma demonstração do carinho, da ternura e da delicadeza estereotipados como características do sexo feminino, que, muitas vezes, se “coisifica” nos comerciais, sendo objeto de desejo, recebendo flores, mas seja de engajamento nos movimentos de luta pela conscientização de políticas públicas à dignidade humana. Maria Terezinha Corrêa Mestra em Antropologia, especialista em Ensino de Filosofia, graduada em Filosofia e Pedagogia, cursou Teologia pelo Mater Ecclesiae, filiada à ABA, APEOESP e SBPC. Atualmente, professora de Filosofia na Prefeitura de São José-SC, membro da Comissão de Prevenção e Combate à Tortura pela ALESC, voluntária na Pastoral da Pessoa Idosa, ligada à Arquidiocese de Florianópolis.
Pandemia: Vivat Brasil denuncia política de morte

A Vivat Brasil, entidade que reúne diversas congregações religiosas, entre as quais as missionárias servas do Espírito Santo (SSpS) e os missionários do Verbo Divino (SVD), divulgou a nota intitulada “Discriminação racial no Brasil no contexto da emergência covid-19”. O texto, assinado também por diversas outras instituições, denuncia o descaso dos poderes públicos em relação à contenção da covid-19. Segundo a mensagem, grupos minoritários têm sido os mais afetados, sofrendo com as mortes, o abandono por parte das autoridades e a falta de gêneros básicos. O texto recorda que, a cada dez pessoas mortas no mundo, uma é brasileira. As entidades alertam que “há o empenho da União em favor da disseminação do vírus em território nacional” e uma estratégia de propaganda contra a saúde pública. A mensagem também destaca o caos na Região Amazônica, onde chegou mesmo a faltar oxigênio para os enfermos. Com base em estudos, chama a atenção para as disparidades nas mortes, vitimando mais analfabetos, negros e indígenas. Veja, a seguir, íntegra da nota. Discriminação racial no Brasil no contexto da emergência covid-19 Manaus e o Brasil estão se sufocando pela pandemia e pelo descaso do poder público A cada dez pessoas mortas por covid-19 no mundo, uma é do Brasil. Mais uma vez, o grito de socorro se faz mais alto na Amazônia, onde a onda de contaminação está desenhando cenários de indizível degradação e total desrespeito da dignidade humana. A pandemia, alimentada por uma conduta política, econômica e social contraditória, negacionista, indiferente à dor, está amplificando as profundas desigualdades em nosso País. Nossas organizações denunciam que a emergência de hoje deriva de escolhas políticas de ontem. A Lei de Teto de Gastos, por exemplo, dificulta o investimento público e contribui para o aumento das desigualdades, com a privatização de serviços essenciais para o desenvolvimento econômico, como o saneamento básico, educação e saúde. As populações mais afetadas por esta opção política são as pessoas negras e indígenas, fortalecendo assim o racismo estrutural de nossa sociedade. Uma investigação da Faculdade de Saúde Pública da USP e da Conectas Direitos Humanos [1] mostra que a grande proliferação e as mortes por covid-19 não resultam apenas da incompetência ou da falta de condições econômicas e de estrutura pública de saúde. Este estudo indica que, sob o argumento da retomada da atividade econômica a qualquer custo, há o empenho da União em favor da disseminação do vírus em território nacional. A análise detalhada das decisões do governo, em relação à pandemia, revela uma estratégia de propaganda contra a saúde pública, um discurso político que mobiliza argumentos econômicos, ideológicos e morais. Faz-se amplo uso de notícias falsas e informações técnicas sem comprovação científica, com o propósito de desacreditar as autoridades sanitárias, enfraquecer a adesão popular às recomendações de saúde baseadas em evidências científicas e promover o ativismo político contra as medidas de saúde pública necessárias para conter o avanço da covid-19. Outro estudo recente, publicado na revista científica The Lancet Respiratory Medicine, [2] mostra que a proporção geral de mortes hospitalares é maior entre pacientes analfabetos (63%), negros (43%) e indígenas (42%). As disparidades regionais também são marcantes. No Norte e no Nordeste, os índices de mortes hospitalares são de 50% e 48%, enquanto no Centro-Oeste, no Sudeste e no Sul, de 35%, 34% e 31%, respectivamente. A orientação política do governo federal em relação à pandemia foi assumida pelos governos municipal de Manaus e do Estado do Amazonas. Há, portanto, responsabilidades compartilhadas entre as diferentes esferas de poder. Sob o argumento de “salvar a economia”, não ocorreram medidas efetivas para a conter a disseminação da covid-19 na Região Amazônica. O resultado desta firme opção pela economia foram os 945 óbitos por coronavírus em Manaus nos primeiros 20 dias de janeiro de 2021, quase a mesma quantidade do que a somatória de mortes por covid-19 entre agosto (início da segunda onda) e dezembro de 2020. A principal causa de tantas mortes foi a falta de oxigênio nos hospitais e a frágil estrutura hospitalar. O pesquisador Jesem Orellana, do Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia), afirma: “Isto parece ser parte de um projeto que muitos insistem em não enxergar e, neste caso, Manaus é o laboratório a céu aberto, onde todo tipo de negligência e barbaridade é possível, sem punição e qualquer ameaça à hegemonia dos responsáveis pela (não) gestão da epidemia nos mais diferentes níveis”. Nossas organizações denunciam o descaso dos poderes públicos, na esfera federal, estadual e municipal, pelos fatos apresentados e exigem investigações em vista de toda possível responsabilização. Apoiam os mais de 60 pedidos de impeachment do Presidente da República, em particular pelos crimes de responsabilidades com respeito às políticas de saúde pública em tempo de pandemia. Também solicitam a atuação e denúncia da actores internacionais na Região Amazônica, ligados à Organização Mundial da Saúde (OMS), Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) e à Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos (CNUDH) e outros mecanismos de direitos humanos das Nações Unidas, considerando que não há transparência nas informações e menos ainda confiança nas decisões tomadas pelas representações políticas em relação à contenção da covid-19. 28 de janeiro de 2021 Comissão Especial para a Ecologia Integral e Mineração da CNBB Conselho Nacional de Igrejas Cristãs no Brasil (Conic) Conselho Indigenista Missionário (Cimi) Franciscans International Fundação Luterana de Diaconia Rede Eclesial Panamazônica (Repam-Brasil) Rede Igrejas e Mineração Serviço Interfranciscano de Justiça, Paz e Ecologia (Sinfrajupe) Articulação Comboniana de Direitos Humanos Vivat International Missionários da Sociedade Verbo Divino Missionárias Servas do Espírito Santo Congregação do Espírito Santo Irmãs Missionárias do Espírito Santo – Espiritanas Congregação das Irmãs da Santa Cruz Missionários Combonianos do Coração de Jesus Irmãs Missionárias Combonianas Irmãs Missionárias de São Carlos Borromeu – Scalabrinianas Missionários Oblatos de Maria Imaculada Congregação das Irmãzinhas da Assunção Irmãs Adoradoras do Sangue de Cristo Congregação dos Sacerdotes do Sagrado Coração de Jesus (grifos conforme o texto original) Notas: [1] Disponível em: https://www.conectas.org/wp/wp-content/uploads/2021/01/Boletim_Direitos-na-Pandemia_ed_10.pdf. Acesso em: 21 jan. 2021. [2] O estudo analisou, entre fevereiro e agosto de 2020, 254.288 mil pacientes no Brasil, com idade média de 60 anos, internados
Vidas preciosas: uma homenagem às vítimas da pandemia

O ano de 2020 ficará marcado na história devido ao inesquecível surto do novo coronavírus. Centenas de milhares de pessoas em todo o mundo morreram em meio à pandemia, tanto pela doença conhecida como covid-19 quanto por outras enfermidades. Cada vida tem valor e é importante para o mundo. Um ato memorial justifica e honra o significado de uma vida única e bela. Neste dia, lembramos e homenageamos as vítimas da pandemia. O físico pode ter acabado, mas o vínculo permanece. Um memorial é momento de celebrar uma pessoa e o sentimento que por ela mantemos. É dizer adeus a um antigo relacionamento, relembrar uma vida bem vivida e mantê-la acesa por meio de lembranças, histórias, por dizer o nome da pessoa querida. A morte tem o poder de apenas tirar o físico, mas a vida permanece para sempre na partilha das histórias de nossos amados. Sim, temos a capacidade de manter vivos nossos entes queridos, por nossas memórias e nossa voz, e esse é, de fato, um poder incrível. “Deixem suas vidas permanecerem em nossas memórias e nossa dor em uma música.” Quando uma pessoa perde alguém querido, é comum realizar um funeral para celebrar sua vida. Mas, com o coronavírus se espalhando rapidamente, apenas os ligados a serviços fúnebres, enquanto trabalham silenciosamente nos bastidores, testemunham o tamanho da crise, chocados com o número de corpos deixados para trás. Funerais alheios a tradições e familiares e amigos privados de participar dos ritos de despedida tornam mais difícil a superação do luto. Lembro-me de quando minha avó morreu. Eu olhava para o rosto dela e tentava memorizar cada detalhe, sabendo que seria a última vez antes de ela ser sepultada. Na pandemia, a obrigação do distanciamento não tem dado a oportunidade de estar ao lado dos moribundos ou de cumprirem-se os ritos fúnebres. Sempre que vou de férias, uma coisa que gosto de fazer é folhear as páginas dos álbuns de fotos. Desejo conhecer as fotografias adicionadas durante minha ausência, então me sento com minha mãe para ouvir a história das novas imagens ou das recuperadas. Embora hoje tiremos milhares de fotos e as salvemos em nossos celulares, computadores, elas não podem ser comparadas às dos álbuns. Nas últimas férias, quando pude visitar minha família, exerci minha atividade favorita de folhear aquelas páginas. Encontrei a foto de minha infância. Fiquei muito surpresa ao me ver como uma criança pequena, em um vestido marrom estampado com flores brancas, e meu pai me segurando… A foto contava a história do “tempo”. Para uma criança, o tempo é eterno, mas agora, como adulta, interpreto como passado. Meu sentimento principal quando olhei aquelas fotos foi de tristeza: meu pai falecido… O tempo passa, o momento passa ao clique do obturador. Mas essas imagens são uma fonte de memórias ligadas à tristeza. Ao testemunhar a morte de um querido, você percebe que o tempo não é eterno e nossos amados também partem. “Dias e noites passam, também a vida como as árvores testemunham as estações da vida.” “Para tudo há uma ocasião e um tempo para cada propósito debaixo do céu: tempo de nascer e tempo de morrer, tempo de plantar e tempo de arrancar o que se plantou” (Eclesiastes 3,1-2). Quando alguém morre, somos forçados a refletir sobre o significado da vida e da morte. Somos obrigados a reconhecer e aceitar a realidade da finitude. Ao enfrentar esse fato, muitas vezes, restam as perguntas: “Por que eles morreram?”, “Por que isso está acontecendo comigo?”. A verdade é que todo mundo morre. Um rito fúnebre pode nos ajudar a lembrar que morrer é inevitável, ao mesmo tempo em que nos encoraja a viver nossas vidas com zelo e paixão, porque ninguém vive para sempre e não nos foi prometido outro dia. Reconhecer a morte e a necessidade de viver uma vida plena oferece esperança para os vivos. Assista ao vídeo em homenagem às vítimas da pandemia. Ir.Elizabeth Rani, é missionária serva do espírito santo, nascida na Índia e há um ano no Brasil. Estudou Pedagogia e Literatura Inglesa e faz parteda Equipe de Comunicação da Província.