Por que esta semana é santa?

A Semana Santa é um tempo de vivência profunda da fé, no qual acompanhamos de maneira intensa o mistério da paixão, morte e ressurreição de Jesus, especialmente na Sexta-Feira Santa, no Sábado Santo e no Domingo de Páscoa. Este ano, no entanto, a Semana Santa será completamente diferente dos outros anos. Com a pandemia provocada pelo coronavírus, não poderemos participar das celebrações nas igrejas… Não haverá a missa do Lava-pés na Quinta-Feira Santa… Não haverá a adoração da cruz nem a celebração da paixão de Jesus na Sexta-Feira Santa… Tampouco haverá a Vigília Pascal com a bênção do fogo e a entrada triunfante do círio pascal. Também não teremos a missa do Domingo de Páscoa… Então, como esta semana será santa? Como vamos viver a nossa fé e celebrar o ponto culminante da vida cristã que é a Páscoa? Talvez, este momento de sofrimento que atinge todos os países, seja uma oportunidade de participar do mistério da paixão de Jesus, oferecendo nossa dor, nossas incertezas e perdas, a solidão do isolamento, o medo e a angústia que sentimos, unindo-nos ao sofrimento de Jesus para o resgate de toda a humanidade. Viver esta Semana Santa na fé é um grande desafio, mas somos convidados a fazer de nossa casa uma Igreja doméstica, a reunir nossa família e acompanhar pelas TVs católicas as celebrações das missas. Em comunhão espiritual, podemos nos unir a Jesus no dom de sua entrega total e rezar por todos os que estão sofrendo nos hospitais, e também por tantas pessoas que, a exemplo de Jesus, estão colocando a própria vida em risco para cuidar dos doentes ou prestar serviços essenciais. O que celebramos na Semana Santa é justamente o mistério da vida de Jesus e seu amor infinito, que se doa até o fim. É o esvaziamento do Deus que veio ao mundo como criança, ensinou o mandamento do amor e mostrou que é possível, em nossa humanidade, aproximar-nos do Pai e nos acolher como irmãos e irmãs, por que, em Deus, somos todos um. Mas talvez esta realidade ficou esquecida e foi necessário que um vírus invisível viesse nos mostrar que de fato somos um e o que acontece com os demais também nos atinge. A ressurreição de Jesus é a confirmação de tudo quanto Ele fez e ensinou. É o cumprimento da promessa da salvação de Deus que, em Jesus, liberta-nos da morte e nos convida a participar da vida plena. Mas, para chegar à ressurreição, Jesus enfrentou o sofrimento e a morte na Cruz. Nós também superaremos esta crise! Que Deus nos ajude a aprender de tudo o que estamos passando. Que Jesus nos dê a força da solidariedade para viver também o mistério da paixão, morte e ressurreição de toda a humanidade. Quinta-feira Santa Na verdade, o Tríduo Pascal começa na noite da quinta-feira, quando a Igreja recorda a última ceia de Jesus com os seus discípulos. Nessa missa, há o rito do lava-pés, em que Jesus revelou o caminho do serviço e do cuidado com o próximo. Conforme narra o Evangelho de São João, durante a refeição, Jesus pôs um avental, pegou uma toalha e lavou os pés dos seus discípulos. Depois os convidou a fazer o mesmo. Também lembramos a instituição da Eucaristia, quando Jesus, durante a ceia, tomou o pão e o vinho, e os deu aos discípulos, dizendo que eram o seu corpo e o seu sangue. Em todas as missas, fazemos a memória de Jesus, quando o padre consagra o pão e o vinho, que se tornam o corpo e o sangue de Cristo. Após a ceia, Jesus foi ao Monte das Oliveiras, ou Getsêmani, e, sabendo o que estava para acontecer, colocou-se em oração diante do Pai e pediu que afastasse o cálice da dor e da morte, mas se entregou totalmente, dizendo “Faça-se a tua vontade e não a minha”. Naquela mesma noite, Jesus foi preso, humilhado, maltratado… Nas igrejas, no fim da missa dessa noite, o Santíssimo Sacramento é retirado do sacrário e levado para outro local, onde a comunidade fica em adoração. Sexta-feira da Paixão Recordando a paixão e a morte de Jesus, que ocorreram na sexta-feira, os católicos fazem um dia de jejum e oração. Acompanhamos a Via-Sacra de Jesus, desde seu julgamento injusto e condenação à morte, sua flagelação e o caminho até o calvário, carregando a cruz de todas as maldades humanas. A Sexta-Feira da Paixão está muito presente na religiosidade popular, pois, diante de todas as dificuldades que o povo enfrenta para sobreviver, identifica-se com Jesus sofredor. No Senhor, encontra forças e esperança para suportar os desafios da vida. Nas igrejas de todo o mundo, os católicos se reúnem pelas três da tarde para rezar na mesma hora em que Jesus morreu na cruz. É o único dia do ano em que não se celebra a missa. Não se tocam instrumentos musicais e até o altar fica completamente despojado. É feita a narração da paixão de Jesus e se reza por todas as situações do mundo. Na adoração da Cruz, os fiéis se aproximam e beijam o crucifixo. É costume também haver a meditação da Via-Sacra pelas ruas, muitas vezes com encenações, acompanhando os passos de Jesus até o calvário. Na Via-Sacra, rezamos também por todas as pessoas que sofrem injustamente ou são perseguidas, pela superação das forças da morte que oprimem a humanidade, como a fome, o desemprego, a falta de sentido, a falta de saúde, de moradia e tudo o que destrói a dignidade humana, como o abuso sexual, as drogas e tantos outros. Também recordamos Maria, a mãe de Jesus, que o acompanhou em todos esses momentos, entregando-o a Deus. Em seu sofrimento, ela foi corredentora. Em muitas comunidades, há a tradição de rezar as sete dores de Maria. Sábado Santo No Sábado Santo, nós lembramos Jesus na sepultura. É um dia de silêncio e reflexão. Somos convidados a experimentar o vazio e refletir sobre tudo o que Jesus fez e significa em nossa vida. Na

Tempo de ajudar Deus a carregar a cruz

Quando no incêndio que, em 1519, destruiu a Igreja de São Marcelo al Corso o crucifixo saiu ileso, o povo romano tomou nota. Tanto que, três anos mais tarde, quando a cidade foi atingida pela peste, o crucifixo foi levado em procissão por 16 dias, pelas ruas de Roma. A cada dia, o contágio regredia e, quando ele voltou a São Marcelo, a peste tinha desaparecido. Esse mesmo crucifixo foi exposto na sexta-feira, 27 de março último, ao dilúvio da noite romana, como arma simbólica contra o novo coronavírus. As câmeras demoravam sobre o busto antigo do Cristo, regado pelas gotas. Só na Itália estavam ligados aproximadamente 8 milhões de televisores. As imagens estavam perfeitas, e os comentários dos repórteres: oh, que poder de imagem! Oh, as lágrimas do céu se unem às do povo! Oh, trágica maravilha! Parece que o crucifixo está muito danificado, talvez irremediavelmente danificado. Dizem que a madeira pode explodir. Esse crucifixo que tinha vencido o fogo e a peste cai por uma chuva romana no fim de março. Homens de máscaras fazem o triste depoimento. E será que esse não é o verdadeiro sinal e o penoso trabalho de decifrá-lo: talvez Deus esteja tão cansado, talvez devêssemos consolá-lo? Essas frases de Leonardo Lenzi e a foto me tocaram profundamente. Lembrei-me de um dos pensamentos de Etty Hillesum, a jovem judia cujos diários e cartas descrevem a vida em Amsterdã, durante a ocupação alemã. Nascida em 1914 na Holanda, foi morta em novembro de 1943, no campo de concentração de Auschwitz. “Quero ajudar, Deus, para que você não me abandone, mas não posso garantir nada com antecedência. Apenas uma coisa está ficando cada vez mais clara para mim: que você não pode nos ajudar, mas que temos que ajudá-lo e, no final, nos ajudarmos. É a única coisa que importa: salvar um pedaço de ti dentro de nós mesmos, Deus. E talvez possamos ajudar a ressuscitar-te nos corações aflitos de outras pessoas. Sim, meu Deus, parece que também você não seja capaz de mudar muito as circunstâncias, elas simplesmente fazem parte desta vida… E, quase com cada batimento cardíaco, fica claro para mim que você não pode nos ajudar, mas que temos que ajudá-lo e defender, até o fim, sua morada dentro de nós.” Talvez, nestes tempos, seja realmente necessário ajudar Deus a carregar a cruz. Ajudá-lo, defendendo sua morada dentro de cada um, cada uma. Ajudá-lo para que sua presença volte a ser lembrada e sentida. Ajudá-lo para que o corpo possa voltar a ser digno e sagrado. Ajudá-lo para que o corpo humano possa ser compreendido como parte do corpo cósmico, digno e sagrado. Que, nesta Semana Santa, possamos ajudar Deus a levar cada um, cada uma mais perto de si e dos outros. Assim nos aproximaremos do Divino. Ir. Petronella Maria Boonen (Nelly) é co-fundadora da linha de Perdão e Justiça Restaurativa do CDHEP e doutora e mestra em Sociologia da Educação pela USP.)

Semana Santa no Córrego do Feijão

O Córrego do Feijão é um bairro rural do Município de Brumadinho, Região Metropolitana de Belo Horizonte-MG. No censo demográfico de 2010, foram contados ali 415 residentes. Com o rompimento da barragem da Mina do Feijão, essa comunidade foi a primeira a ser atingida pela lama de rejeitos. Desde então a comunidade passou a viver um verdadeiro pesadelo: gritos sufocados pela lama, perdas de pessoas queridas, histórias de vida destruídas, o desespero diante de tanta dor, os incontáveis dramas pessoais e familiares. É impossível permanecer indiferente diante de um crime dessa magnitude. É urgente contribuir, de alguma forma, para se ir aos poucos tecendo, reconstruindo, preparando a vitória da vida sobre a morte, verdadeiro sentido da Ressurreição, reconstrução e renascimento, retirar da lama e trazer novamente para primeiro plano a dignidade das pessoas: “Perdi meu pai, um primo, o direito de ir e vir, a dignidade, a paz”. Foi certamente com esses objetivos que a Conferência dos Religiosos do Brasil (CRB/Belo Horizonte) organizou, para a Semana Santa, uma missão, priorizando os bairros mais atingidos pelo rompimento da barragem da Companhia Vale. Por meio das irmãs missionárias servas do Espírito Santo (SSpS), solicitei e fui integrada ao grupo para o trabalho específico com os florais de Bach, com as terapeutas florais, Ir. Ana Elídia Neves e Francisca Romana da Costa. Os florais são reconhecidos pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como uma terapia complementar, eficaz, no reequilíbrio do estado emocional, restaurando a harmonia e o bem-estar. Meu trabalho foi o preparo dos florais indicados, adequados ao estado emocional de cada pessoa. É um momento que exige muita concentração e interiorização, para facilitar o contato com o Senhor da Vida, pedindo para aquela pessoa novas forças, esperança, assim como o desejo de uma nova postura diante do crime que se abateu sobre ela. Assim, pela divulgação que naturalmente foi acontecendo, as pessoas foram chegando, trazendo outras, e outras, e outras, o que nos proporcionou realizar um trabalho intenso, atingindo um número de pessoas acima do previsto para o tempo de que dispúnhamos. Também participamos das celebrações da Semana Santa, tradição na pequena comunidade. Significativo foi o Sábado Santo, com o “plantio” de grãos de feijão em um vaso devidamente preparado, representando cada pessoa ali presente, acrescentando quem mais quisessem “plantar”, simbolizando que a comunidade do Córrego do Feijão, atingida pela lama que soterrou pessoas queridas, sonhos, esperanças, histórias, agora, pela força da Ressurreição de Jesus, também ressurgirá, e, unidos, construirão uma nova vida, abertos ao belo que o novo também traz. Agradeço imensamente às SSpS pela oportunidade que me foi dada, de poder acrescentar outras “vidas à minha história, novas lições que me tornam mais pessoa, mais humana, mais completa”, porque “sou feita de retalhos, de pedacinhos coloridos de cada vida que passa pela minha e que vou costurando na alma. E a melhor parte é que nunca estaremos prontos, finalizados… Haverá sempre um retalho novo para ser costurado” (“Sou feita de retalhos”, de Cris Pizziment). Ana Lúcia Florêncio é educadora e missionária leiga A morte e a ressurreição que vêm da lama Três meses depois, o verde começa a cobrir a lama de rejeitos provenientes da barragem e que enterrou pelo menos 270 pessoas. Destas, 233 já foram identificadas e 37 ainda estão sendo procuradas pelos bombeiros. Mas, para os moradores que perderam familiares, vizinhos e tantos amigos, a dor ainda está longe de se atenuar. Várias famílias ainda buscam pelo corpo desaparecido, para darem o adeus final. Para todos eles, a realidade é uma só: a vida nunca mais será a mesma… Uns pensam em sair de lá para não conviver com as lembranças, outros ainda não conseguiram assimilar que seus entes queridos jamais voltarão… Alguns descrevem os gritos dos trabalhadores que não conseguiam escapar da lama… São histórias cheias de terror pelo acontecido e de insegurança pelo que virá depois. Nesse contexto, nossa equipe missionária, coordenada pela CRB de Belo Horizonte, acompanhou as celebrações do Tríduo Pascal na comunidade de Córrego do Feijão. Como o padre estava se desdobrando para atender às 14 comunidades da paróquia, celebramos de maneira simples e informal, para que a comunidade pudesse partilhar a vida e se apoiar na palavra de Deus. Na Quinta-Feira Santa, refletimos sobre o serviço prestado com amor, que pode dar um novo sentido a quem sofre. Na Sexta-Feira da Paixão, caminhamos pelas ruas do bairro, rezando a paixão de Cristo e a paixão deles mesmos… A lama vai aos poucos sendo coberta pelo verde que insiste em crescer, mas a contaminação persiste… E o rio Paraopeba? Quando suas águas poderão voltar à vida? Assim como foi difícil para os discípulos de Jesus acreditar na ressurreição, também o é para os moradores de Córrego do Feijão. Por isso, foi escolhido o símbolo da semente. Ela parece morta, mas a vida está escondida dentro dela, esperando uma chance para se manifestar. Assim, durante a Vigília Pascal, a comunidade plantou grãos de feijão. O compromisso de cuidar para as sementes poderem nascer e crescer é também o de cuidar uns dos outros, na certeza de que, apesar de tudo, a vida continua e é preciso redescobrir a alegria de viver e de amar. Contrastando com esse cenário, o Domingo Pascal foi de muita solenidade e festa. A Vale reformou a Igreja de Nossa Senhora das Dores e a casa paroquial, que haviam sido transformadas em campo de operação de resgate, e lhes deu um novo visual, com gramados e jardim. Uma pequena prova de boa vontade que não apaga a omissão e a irresponsabilidade diante de uma tragédia criminosa que poderia ter sido evitada. Aos moradores do Córrego do Feijão deixamos nossa prece, nosso carinho e a esperança de que a vida é mais forte que a morte. As sementes da ressureição, mais cedo ou mais tarde, desabrocharão. Irmã Ana Elídia Caffer Neves, SSpSJornalista, membro da Equipe de Comunicação Congregacional, coordenadora de Comunicação da Província Stella Matutina (BRN) e terapeuta floral. ____

Por que esta semana é santa?

A celebração da Páscoa é o ponto culminante da fé cristã. A ressurreição de Jesus é a confirmação de tudo quanto Ele fez e ensinou. É o cumprimento da promessa da salvação de Deus que, em Jesus, liberta-nos da morte e nos convida a participar da vida plena. Mas, para chegar à ressurreição, Jesus enfrentou o sofrimento e a morte na Cruz. O que celebramos na Semana Santa é justamente o mistério da vida de Jesus e seu amor infinito, que se doa até o fim. É o esvaziamento do Deus que veio ao mundo como criança, ensinou o mandamento do amor e mostrou que é possível, em nossa humanidade, aproximar-nos do Pai e nos acolher como irmãos e irmãs, por que, em Deus, somos todos um. A Semana Santa concentra os principais fatos relacionados à paixão, morte e ressurreição de Jesus, especialmente durante o Tríduo Pascal. Mas o que é o Tríduo Pascal? Como o nome diz, são os três dias de vivência intensa do mistério pascal: a Sexta-Feira Santa, o Sábado Santo e o Domingo de Páscoa. Quinta-feira Santa Na verdade, o Tríduo Pascal começa na noite da quinta-feira, quando a Igreja recorda a última ceia de Jesus com os seus discípulos. Nessa missa, há o rito do lava-pés, em que Jesus revelou o caminho do serviço e do cuidado com o próximo. Conforme narra o Evangelho de São João, durante a refeição, Jesus pôs um avental, pegou uma toalha e lavou os pés dos seus discípulos. Depois os convidou a fazer o mesmo. Também lembramos a instituição da Eucaristia, quando Jesus, durante a ceia, tomou o pão e o vinho, e os deu aos discípulos, dizendo que eram o seu corpo e o seu sangue. Em todas as missas, fazemos a memória de Jesus, quando o padre consagra o pão e o vinho, que se tornam o corpo e o sangue de Cristo. Após a ceia, Jesus foi ao Monte das Oliveiras, ou Getsêmani, e, sabendo o que estava para acontecer, colocou-se em oração diante do Pai e pediu que afastasse o cálice da dor e da morte, mas se entregou totalmente, dizendo “Faça-se a tua vontade e não a minha”. Naquela mesma noite, Jesus foi preso, humilhado, maltratado… Nas igrejas, no fim da missa dessa noite, o Santíssimo Sacramento é retirado do sacrário e levado para outro local, onde a comunidade fica em adoração. Sexta-feira da Paixão Recordando a paixão e a morte de Jesus, que ocorreram na sexta-feira, os católicos fazem um dia de jejum e oração. Acompanhamos a Via-Sacra de Jesus, desde seu julgamento injusto e condenação à morte, sua flagelação e o caminho até o calvário, carregando a cruz de todas as maldades humanas. A Sexta-Feira da Paixão está muito presente na religiosidade popular, pois, diante de todas as dificuldades que o povo enfrenta para sobreviver, identifica-se com Jesus sofredor. No Senhor, encontra forças e esperança para suportar os desafios da vida. Nas igrejas de todo o mundo, os católicos se reúnem pelas três da tarde para rezar na mesma hora em que Jesus morreu na cruz. É o único dia do ano em que não se celebra a missa. Não se tocam instrumentos musicais e até o altar fica completamente despojado. É feita a narração da paixão de Jesus e se reza por todas as situações do mundo. Na adoração da Cruz, os fiéis se aproximam e beijam o crucifixo. É costume também haver a meditação da Via-Sacra pelas ruas, muitas vezes com encenações, acompanhando os passos de Jesus até o calvário. Na Via-Sacra, rezamos também por todas as pessoas que sofrem injustamente ou são perseguidas, pela superação das forças da morte que oprimem a humanidade, como a fome, o desemprego, a falta de sentido, a falta de saúde, de moradia e tudo o que destrói a dignidade humana, como o abuso sexual, as drogas e tantos outros. Também recordamos Maria, a mãe de Jesus, que o acompanhou em todos esses momentos, entregando-o a Deus. Em seu sofrimento, ela foi corredentora. Em muitas comunidades, há a tradição de rezar as sete dores de Maria. Sábado Santo No Sábado Santo, nós lembramos Jesus na sepultura. É um dia de silêncio e reflexão. Somos convidados a experimentar o vazio e refletir sobre tudo o que Jesus fez e significa em nossa vida. Na tradição da Igreja, esse é o dia em que Jesus desce à região dos mortos e resgata Adão e toda a humanidade com ele. Mas, quando chega à noite, toda a tristeza transforma-se em alegria, durante a Vigília Pascal. Está é a mais bela e a mais longa de todas as celebrações. Começa do lado de fora da igreja, ao redor de uma fogueira. O fogo é abençoado e, com ele, acende-se o círio pascal, uma grande vela que é sinal da luz de Cristo ressuscitado. Depois, todo o povo, com velas na mão, entra na igreja ainda escura. O diácono ou o sacerdote entra carregando o círio e anuncia três vezes: “Eis a luz de Cristo!”, e o povo responde: “Demos graças a Deus!”. Da chama do círio pascal, todos acendem a sua vela, iluminando toda a igreja. Então com cantos, leituras e orações, recorda-se a história da salvação desde a criação do mundo até a ressurreição de Cristo. Na Igreja primitiva, a Vigília Pascal terminava ao amanhecer. Atualmente a celebração pode durar de duas a três horas. Além do anúncio da Páscoa, dos cantos alegres e animados, há também a celebração do batismo de adultos e a renovação das promessas batismais. Domingo de Páscoa Domingo é o Dia do Senhor por causa da Ressurreição de Jesus. De manhã bem cedo, as mulheres foram ao túmulo de Jesus e encontraram removida a pedra que o fechava e vazio o lugar. Um anjo anunciou-lhes que Jesus havia ressuscitado, e elas correram, cheias de alegria, anunciar aos apóstolos que Jesus estava vivo. Páscoa é a festa da vida que vence a morte. Por isso é cheia de símbolos que falam de

Entenda a diferença entre a Páscoa Judaica e a Cristã

A festa da Páscoa (do hebraico Pessach, que significa passagem) é a mais importante do ano, tanto para os cristãos quanto para os judeus. Contudo, você sabia que as duas religiões a celebram por motivos e em datas diferentes? Para os judeus, ela representa a travessia pelo Mar Vermelho, quando o povo liderado por Moisés passou da escravidão do Egito para a liberdade na Terra Prometida. A Páscoa judaica tem início na primeira lua cheia do equinócio de outono (hemisfério sul).   Já para os cristãos, a Páscoa tem um sentido mais metafísico e ocorre no primeiro domingo de lua cheia do mesmo equinócio. “Ela representa a passagem de Cristo pela morte”, afirma o teólogo Fernando Altmeyer Júnior, da PUC de São Paulo, referindo-se à ressuscitação de Jesus no terceiro dia após a sua crucificação. Segundo Altmeyer, a Páscoa cristã recebeu o nome da comemoração judaica porque a Paixão de Cristo aconteceu no início do Pessach – a festa judaica dura sete dias em Israel e oito em outros lugares. A cerimônia conhecida como Última Ceia teria sido um Seder, o tradicional jantar realizado na véspera do início da Páscoa judaica. Apesar de receberem o mesmo nome mesmo com origens diferentes, ambas, porém, tem um sentido em comum. Tanto para judeus quanto14 para cristãos, a Páscoa é uma data marcante porque significa a vitória sobre a dor e reativa a esperança por uma vida melhor. Em tempos tão atribulados, individualistas e de mitos passageiros, ambas ensejam a união e o encontro familiar, seja pela fé ou pela tradição. Fonte: MetrôNews, Oi Educa, Revista Superinteressante

7 atitudes santas para cada dia da Semana Santa

A Semana Santa ou Semana da Paixão, começa no dia 9 de abril (Domingo de Ramos) e termina em 15 de abril. É a semana em que nós, católicos, celebramos a Paixão, a Morte e a Ressurreição de Jesus Cristo. A memória da paixão, morte e ressurreição de Jesus que vivemos está descrita em Mateus capítulos 21-27; Marcos capítulos 11-15; Lucas capítulos 19-23 e João capítulos 12-19. Convidamos a todos a praticar uma atitude santa para cada grande acontecimento descrito na Bíblia e celebrarmos em nossas vidas a morte e ressurreição de Jesus. 1. Jesus purificou o Templo pela segunda vez O dicionário diz que a palavra purificar significa: purificar o ar, os metais; livrar de manchas morais; purificar o coração. Separe um momento para refletir, o que em sua vida precisa ser “purificado/limpo”? Há alguma atitude errada que você pratica ou praticou que mancha sua moral? Pense nessas coisas e as conserte. 2. Jesus falou sobre o fim dos tempos e a segunda vinda, no Monte das Oliveiras O fim dos tempos é um assunto que as pessoas dificilmente pensam, porque não se preocupam ou porque as deixam com medo. Reflita por um momento em como sua vida anda e qual lugar isto te levaria. O seu fim é ruim? Reze para que Deus te ajude a fazer as escolhas certas. 3. Jesus realizou a última ceia com os discípulos Na última ceia, Jesus se reuniu com os discípulos para comer o pão e beber o vinho, um ato que traz a lembrança do corpo e do sangue de Jesus, que seria sacrificado em favor da humanidade. Convide alguns amigos para ir a sua casa e prepare uma refeição na qual vocês possam dividir este momento e reviver esta memória. 4. Jesus rezou no Getsêmani enquanto esperava que a Sua hora chegasse No Getsêmani, Jesus rezou a Deus pelas aflições que angustiavam sua alma. O que tem te angustiado e tirado sua paz? Reserve um momento do seu dia e conte ao Pai tudo aquilo que te aflige. 5. Jesus foi traído e levado a julgamento Ser traído, além de nos trazer um grande sentimento de tristeza e decepção, pode trazer outros acontecimentos que são consequência do ato da traição, como abandono, doença e etc. Pare e pense em pessoas que te fizeram mal e te decepcionaram, reze para que seu coração e sua mente sejam livres desse sentimento, esta ação trará muita paz a sua vida. 6. Jesus é morto na cruz Jesus morreu para que nossos pecados fossem perdoados. Tire um tempo para refletir sobre esse grande ato de amor pela sua vida. Converse com Deus, agradecendo pela sua bondade e misericórdia. 7. Jesus ressuscitou A morte traz o fim de nossas esperanças, como a morte de Jesus nos trouxe tristeza e desamparo. Peça a Deus que tudo aquilo que um dia morreu, seus sonhos e metas para a sua realização pessoal, renasçam e voltem a ser algo que você possa conquistar.

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