A ferida invisível da ingratidão: entre o ideal do bem e a dignidade do sujeito

Há dores humanas que não aparecem nos diagnósticos clínicos, mas que corroem silenciosamente a alma. Entre elas, a ingratidão talvez seja a mais profunda. Quando o servir implica anulação da pessoa, corre-se o risco de transformar vocações vivas em desertos áridos. Veja o artigo do Pe. Cristóvão Gonçalves, missionário do Verbo Divino.

Hoje eu vou mudar…

Na síntese de um hábil terapeuta compartilhada comigo, mudança é um movimento que se reinventa o tempo todo, quando nos permitimos… Cada dia, cada novo ciclo é sempre um convite para o novo. Está aí 2026, convidando-nos a seguir celebrando as conquistas e os mistérios da vida. Convidamos a meditar conosco a reflexão de Maria José Brant (Deka).

Nuvens e brilho do sol

Quando você olha para o “céu” de sua vida, o que encontra? Só nuvens carregadas (problemas e mais problemas) ou percebe brechas (fé, esperança) em que o sol aparece? Veja a reflexão do Pe. Deolino Pedro Baldissera!

Celebração da Palavra: curiosidades e desafios (parte I)

Segundo dados da CNBB, 70% das comunidades católicas do Brasil guardam o domingo por meio da celebração da Palavra. Essa liturgia, de modo algum, é inferior, merecendo um olhar mais atento; afinal, Deus é generoso em nutrir seus filhos e filhas. Em uma série de dois artigos, conheça algumas curiosidades-características desse tesouro da Igreja e desafios a serem superados. Confira!

Dois testemunhos: “Ninguém tire minha fé”, “Vivo de minha fé”

Padre Deolino Pedro Baldissera nos apresenta dois emocionantes exemplos de fé. Ao visitar o seu Camilo e a dona Maria, como parte da preparação para o Natal, ficou impressionado com a forma com que vivem sua missão cristã. Ele partilha conosco um pouco do que viu. O testemunho dos dois idosos seja para nós estímulo para celebrarmos um autêntico Natal.

Natal: tempo de nascimento para um ser-agir mais sustentável

Em 2024, nossos temas de pauta foram os sete objetivos da plataforma Laudato Si’. A professora Marli Teresinha Everling revisita sete pontos que merecem atenção quando se trata de transições coletivas para um ser-agir mais sustentável. Confira!

“Academia da Espiritualidade”: suor, graças e bênçãos

A “Academia da Espiritualidade” é, de fato, muito exigente e requer muito suor e dedicação. A Páscoa é todo dia! Tempo de renovação e anúncio que se transforma num “estado de graça permanente”. Veja a reflexão de Maria José Brant (Deka)!

Sobre PAI, PAIxão e comPAIxão

Maria José Brant (Deka), assistente social, analista de políticas públicas na Prefeitura de Belo Horizonte-MG, mestra em Gestão Social, mosaicista nas horas vagas.

Violência e o poder do Estado

Não há um dia em que, ao assistir ou ouvir noticiário, não apareça um caso de violência. Conforme o artigo 5º da Declaração Universal dos Diretos Humanos, “Ninguém será submetido a tortura nem a penas ou tratamentos cruéis, desumanos ou degradáveis”, e o artigo 9º estabelece: “Ninguém pode ser arbitrariamente preso, detido ou exilado”. Porém a sociedade brasileira tem assistido a vários casos conhecidos nacionalmente e que têm repercutido internacionalmente, tanto de civis quanto de militares em serviço. Por que tanta violência? O que tem violado os direitos humanos de tantos cidadãos brasileiros? A partir dos estudos feitos sobre o Período Moderno, constata-se que os indivíduos controlados pelo Estado passam a serem vistos como meros objetos “mercadológicos”, gerados por um “biopoder”, ou seja, o econômico prevalece sobre o corpo social e cultural, sendo a violência e a exploração como consequências. Em O mal-estar na civilização, o psicanalista Sigmund Freud já alertava para os problemas psicológicos que os indivíduos da Modernidade enfrentariam devido ao poder tanto do Estado quanto da religião, o que seria constatado, mas, ultimamente, também poderes paralelos ao governo oficial. Said, que escreveu o Imperialismo do Ocidente, critica os desastres não apenas econômicos, mas também culturais, por quererem conceber o mundo como “aldeia global”, sendo que as crenças, os costumes, as economias locais, próprias das famílias, bem como a linguagem não foram respeitados nas aldeias ou comunidades. Também verificamos que o massacre cultural dos povos a partir da globalização gerada pelo capitalismo não é nem sempre pela violência física, mas ideológica que existe por trás da mídia. Esta busca manter uma ideia de “aldeia global” por meio da tecnologia, agora informatizada, causando a violência às crenças dos indivíduos, à sexualidade, desestruturando indivíduos e suas famílias que, por causa da produção, terão as energias direcionadas à satisfação de determinada classe. Como saber e combater tanta violência que atinge nossa sociedade brasileira? De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), violência é definida como “o uso intencional da força física ou do poder, real ou em ameaça, contra si próprio, contra outra pessoa, ou contra um grupo ou uma comunidade, que resulte ou tenha grande possibilidade de resultar em lesão, morte, dano psicológico, deficiência de desenvolvimento ou privação”. A violência física é a que mais atinge diretamente o corpo. A agressão física utiliza a força; a lesão é visível e, por isso, ficam os hematomas, faz-se corpo de delito. Com a tecnologia, a violência psicológica tem sido muito praticada, de modo direto ou indireto. Na violência psicológica direta, o agressor usa palavras de humilhação, por vezes, diretamente à pessoa, com palavras de baixo nível, que baixa a autoestima, como acontece com o preconceito racista, xingamentos. A indireta pode ser por meio de ameaças, imposição de medo à vítima. A violência ideológica pertence a um conjunto de ideias sem fundamentação transmitidas pelos veículos de comunicação midiática; propagandas enganosas que projetam nos indivíduos falsas ideias do que comprar, ter coisas que não são necessárias ou promessas de felicidade, ou de liberdade que não condizem com o mundo real. Outra violência cometida é a financeira, muito comum, praticada por instituições bancárias, estimulando aposentados e, ou, pensionistas a fazer empréstimos consignados ou aplicações desnecessárias, descontando dos salários, que já são mínimos para a sobrevivência, muitas vezes, de uma família inteira. Essa violência também é praticada por familiares quando utilizam o cartão de crédito do parente ou pessoa amiga, “sujando” o nome do titular por faltar com o compromisso de pagar, dentro do prazo, o que deve. Ainda há a violência afetiva, quando a pessoa é privada de ter contato parental. Isso é muito comum em internações arbitrárias de pessoas idosas, que querem viver independentes, mas, por receberem um benefício, são “cobiçadas” por algum ente querido ou instituição, ou após fazerem a doação de propriedades para os filhos, são levadas para casas de repouso, muitas vezes clandestinas. A violência sexual, que ocorre nas relações hétero ou homossexuais e visa a estimular a vítima ou a utilizá-la para obter excitação ou práticas eróticas, pornográficas, impostas por aliciamento. Infelizmente, a violência está em toda parte. A violência doméstica tem aumentado o feminicídio, a violência escolar, como o bullying e outros preconceitos. Esta última gera revolta contra a escola, causando vítimas inocentes, com massacres de crianças e profissionais da educação. A precarização dos professores tem deixado a categoria doente e é cada dia mais desafiadora em relação aos recursos pedagógicos. A Declaração Universal de Direitos Humanos estabelece, em seus artigos, que “toda pessoa tem direito à vida, à liberdade, à segurança”, o que deve garantir formas de estimular uma proteção coletiva para todos. Para isso, devemos educar para a empatia, o respeito, a solidariedade; criarmos coragem para denunciar ameaças e torturas, se for preciso. Discar 100, discar 180 ou 190. Procurar conhecer a Comissão Estadual dos Direitos Humanos, Conselho Estadual da Mulher, Conselho Municipal da Criança e do Adolescente ou Conselho Tutelar, Ministério Público. Diante de todo poder estabelecido pela globalização, abordar a necessidade de reverter os “monopólios” da monocultura do saber, da produtividade, da mercadoria, da economia, das diversidades e compreender a ecologia do saber, da produtividade, das relações das diferenças, entre outros aprofundamentos, sugere o entendimento de diversas facetas das culturas, do ser humano como uma forma de buscar um convívio social tolerante, fraterno, em que, de fato, todos possam gozar dos direitos, sem violência. Maria Terezinha CorrêaMestra em Antropologia, especialista em Ensino de Filosofia, graduada em Filosofia e Pedagogia, e Teologia pelo Mater Ecclesiae, filiada à ABA, APEOESP, SBPC, Sintram, Aproffib, Pastoral da Pessoa Idosa, ligada à Arquidiocese de Florianópolis, e professora de Filosofia na Rede Pública Municipal de São José-SC.

Sobre enamorar e enamorar-se

Entre tantas datas celebrativas, religiosas, comemorativas e até de apelo comercial, o amor pede passagem no mês de junho, que, tradicionalmente, nos lembra a defesa do meio ambiente. Fica inaugurado um tempo de celebrar o amor em sua fase inicial de aprendizagem, de experimentações afetivas, de mudança de fase, de novos laços, de ampliação das escolhas e desejos. Tempo de renovar juras de amor e de escolher nunca desistir do amor e da partilha. Nestes tempos de celebrar o amor, será preciso não pensar no namoro em si, mas no enamorar, no enamorar-se… Cada um de nós experimenta esses ciclos continuados de encantamento que são a base para as escolhas que fazemos na vida, muito além do amor entre pares. Se eu me enamoro, antes de tudo, crio as defesas para não permitir que nem um ato sequer me faça sentir desrespeitado, desrespeitada nessa proximidade. Se eu me enamoro e enamoro o milagre da vida, minhas escolhas serão balizadas pela defesa intransigente da dignidade da pessoa humana. Na simplicidade, no “enamoramento” e no encantamento, escolhas vão se desenhando diante dos nossos olhos, mãos, corpo e mente. A vida vira um discernimento permanente. Vira namoro, vira vocação, vira devoção, vira meta, vira casamento, vira separação, vira transformação, vira sonhos… A vida, (in)finitamente, apresenta-se em forma de broto e, se cuidada e protegida, vai crescer, alongar-se, achar seu lugar ao sol. Enamorar-se, enamorar e namorar são faces da mesma mirada. É permanecer onde existe a mansidão, a paz interna, a paixão, a devoção, a partilha, a partida, o descanso no colo de alguém, a esperança traduzida em gestos e atitudes. Enamorar-se, enamorar e namorar é “querer permanecer, mesmo podendo voar”. Maria José Brant (Deka), assistente social, analista de políticas públicas na Prefeitura de Belo Horizonte-MG, mestra em Gestão Social, mosaicista nas horas vagas.

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