“Escritores sem fronteiras”: alunos da Rede de Educação SSpS lançam e-book

Muitos foram os frutos colhidos na realização da 3ª edição da Semana sem Fronteiras, promovida pelas escolas da Rede de Educação Missionárias Servas do Espírito Santo (SSpS), entre os dias 25 e 29 de outubro. O tema foi “Viver a diversidade e construir o respeito no mundo”. Com essa motivação, alunos do ensino médio elaboraram o e-book “Escritores sem fronteiras”, apresentando suas inspirações, aspirações e preocupações. Agostinho Travençolo Junior, idealizador do projeto, explica que os jovens ficaram livres para escolherem o tipo de texto. “Foi possível perceber a diversidade e a criatividade como essência da proposta refletida nas criações”, disse. A obra traz textos em prosa e poesia, compostos por alunos dos colégios Imaculado Coração de Maria (Rio de Janeiro-RJ), Stella Matutina (Juiz de Fora-MG), Espírito Santo (Canoas-RS), Sagrado Coração de Jesus (Belo Horizonte-MG) e Espírito Santo (São Paulo-SP). O trabalho foi acompanhado pelos professores da área de Linguagens. Veja, a seguir, a obra.

Encontro de lideranças da Rede de Educação SSpS destaca o olhar para o futuro

Entre os dias 18 e 20 de novembro, foi realizado o encontro de lideranças juntamente com o corpo gestor da Rede de Educação Missionárias Servas do Espírito Santo (SSpS). A reunião foi no Convento Santíssima Trindade, em São Paulo-SP. O momento foi de formação pessoal para agregar e ampliar o conhecimento e o autoconhecimento da equipe. Nós nos conectamos através do olhar para o futuro, do cuidado com o outro, do cuidado com a gente e da relação com o mundo. Cada participante partilhou as vivências de seu ambiente escolar. Envolvidos nessa perspectiva, destacamos nossas escolas como espaços de missão na Educação. De forma positiva e ricamente partilhada, outros temas de muita relevância foram discutidos, como liderança, o olhar de cuidado, olhar da imparcialidade, olhar que motiva, olhar que valoriza e reflexões sobre as ferramentas de gestão. O encontro também contou com a presença virtual da irmã Maria Theresia Hornermann, Coordenadora-Geral da Congregação. De modo forte e motivador, ela reforçou a importância da presença missionária na educação como um lugar de cultura e evangelização, agregando ainda mais o olhar para o futuro, que hoje nos inspira. Momentos únicos, vivos, de aprendizado e novas conquistas que “falam com sabedoria e ensinam com amor”, tema transversal que iluminará a Rede de Educação Missionárias Servas do Espírito Santo em 2022, pulsam na gente. Raquel FiuzaGestora administrativa do Colégio Stella Matutina, em Juiz de Fora-MG.

Mindfulness: uma alternativa para nossa saúde mental

Em razão do aumento da ocorrência de sintomas como ansiedade, depressão e estresse na Contemporaneidade, fez-se necessária a incorporação de uma técnica não tradicional à medicina do Ocidente. Com isso, programas baseados em mindfulness foram desenvolvidos para que pudessem aplicar sua técnica, de uma maneira simples e não rigorosa, no cotidiano das pessoas, a fim de se tornar um recurso terapêutico não convencional. O mindfulness é uma técnica que teve origem na cultura budista e, como já mencionado anteriormente, foi incorporado na medicina tradicional ocidental, enquadrando-se nas terapias cognitivo-comportamentais. Um aspecto importante a ser considerado é que o principal ponto defendido pelo mindfulness, de maneira simplista, é a detenção da atenção no agora e não em situações passadas ou cenários hipotéticos do futuro (como ocorre na maioria dos distúrbios psicológicos), de maneira que o indivíduo consiga viver no momento presente. Além disso, um dos pilares dessa técnica é a aceitação de todos os sentimentos que a pessoa venha a ter, de modo que ela se possibilite sentir de raiva a alegria, de maneira que ela não tente evitá-los ou então modificá-los. O mindfulness ensina o indivíduo a assumir, sempre, uma posição curiosa e sem julgamentos perante seus pensamentos e emoções. A partir dessa análise, o praticante consegue identificar as “situações-gatilho”, ou seja, as que automaticamente e inconscientemente despertam uma determinada emoção no indivíduo, a qual pode ser a causadora da ansiedade ou então da depressão, por exemplo. Com isso, as terapias baseadas em mindfulness buscam modificar a maneira como o cérebro do indivíduo reage a esses estímulos, isto é, as respostas emocionais reativas, e promover um pensamento racional que permite que o indivíduo consiga pensar antes de responder às situações-gatilho. Isso promove a modificação da fisiologia cerebral, pois os estímulos constantes fazem com que o cérebro se readapte, por exemplo, por meio do fortalecimento do córtex pré-frontal, o qual relaciona-se com a racionalidade. Um exemplo prático foi o programa MindUp, que usava, no cenário escolar, uma terapia baseada em mindfulness conhecida como MBSR (mindfulness-based stress reduction). Em virtude da cobrança de amadurecimento precoce das crianças, elas não são educadas a lidar com suas emoções e sentimentos, o que pode ser um fator limitante em sua convivência social. Como resultado dessa pesquisa, o grupo de crianças que participaram do programa, quando comparadas com o grupo de controle, apresentaram uma diminuição significativa no tempo de resposta às atividades propostas, o que demonstra que o MBSR facilitou a concentração das crianças nas tarefas. Além disso, houve nos alunos uma diminuição dos sintomas depressivos e ansiosos, assim como um aumento em sua empatia, otimismo e, principalmente, em seu controle emocional. O mindfulness, apesar de ser um campo de estudo recente, demonstra resultados semelhantes e, em alguns casos, até mesmo equivalentes aos tratamentos tradicionais com medicamentos, o que é um bom indicativo no caso de pessoas que o buscam como uma forma de terapia. Vale ressaltar, ainda, que ele também pode ser utilizado como ferramenta de melhoramento de qualidade de vida, adequando-se às necessidades do paciente. Caso fosse incorporado no cotidiano das pessoas, o mindfulness as auxiliaria a viver plenamente o agora, assim como a diminuir suas reações emocionais, o que contribuiria para uma vida mais equilibrada. Mariana Veiga é aluna da 3ª série do ensino médio do Colégio Espírito Santo, em São Paulo-SP.

Encontro de lideranças da Rede de Educação SSpS discute ações pós-pandemia

Nos dias 26, 27 e 28 de agosto, foi promovido um encontro das lideranças da Rede de Educação Missionárias Servas do Espírito Santo. A reunião foi nas dependências do Convento Santíssima Trindade, em São Paulo-SP, respeitando todos os protocolos sanitários em relação à covid-19. No evento, a diretoria dos colégios e demais lideranças da Rede tiveram a ocasião de visitar e conhecer uma escola referência em São Paulo, o Colégio Renascença, e debater temas relacionados à Educação de ponta, como sistemas de ensino bilíngue e espaço maker. Assim, vamos poder nos preparar ainda melhor para os desafios que teremos pela frente no pós-pandemia, tanto no aspecto educacional quanto no de gestão administrativa da Rede. Tivemos também foco no planejamento para o desenvolvimento de líderes, buscando processos e ferramentas para que as diretorias dos colégios e o time gestor da Rede possam aprimorar, ainda mais, sua capacidade de trabalhar com as dificuldades e oportunidades da área da Educação. Discutimos também temas como gestão financeira, tecnologia educacional, o novo ensino médio e o importante papel da dimensão missionária em nossas escolas. Assim, nesse encontro marcante, pudemos definir estratégias e ações que vão ajudar a assegurar um futuro sólido e promissor para a Rede de Educação SSpS. Assista ao vídeo com imagens do encontro. Robson Esteves é gestor administrativo da Rede de Educação SSpS.

Narrativas da Criação: conheça o mito do monte Namuli

Dentro das comemorações do Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação, celebrado em 1º de setembro, e da campanha “Semana sem Fronteiras”, promovida pela Rede de Educação Missionárias Servas do Espírito Santo, seguimos contando como outras culturas narram a Criação. Desta vez, vamos conhecer a tradição dos povos Makhuwa e Lomwe, nas Províncias de Niassa, Cabo Delgado, Nampula e Zambézia, situadas ao Norte de Moçambique. No livro Religiões africanas hoje: introdução ao estudo das religiões em Moçambique (Maputo: Paulinas, 2009), o antropólogo Francisco Lerma Martínez faz uma compilação do mito segundo o qual o primeiro homem foi criado por Muluku (Deus), nas grutas do monte Namuli. O lugar tem 2419 metros de altura e é localizado na Serra de Gurue, Província de Zambézia. O recém-criado homem contemplava diariamente a extensa planície verde, onde crescia toda espécie de árvore e planta. Num certo momento, buscando satisfazer sua curiosidade, decidiu descer para conhecer melhor a maravilhosa paisagem. Durante a perigosa descida, tropeçou numa pedra, caiu ferido por terra e desmaiou. Depois de muito tempo, quando despertou e abriu os olhos, deu-se conta de que seu sangue se misturava à água e observou, na cavidade de uma rocha, que estava formando lentamente uma figura semelhante a seu corpo: era a primeira mulher. Formava-se, desse modo, o primeiro casal: um mulupwana (homem) e uma muthyana (mulher). Os dois continuaram a viagem até a planície, descendo por diversos caminhos que iam abrindo. Conforme iam se multiplicando as trilhas, elas se separavam, dando origem a diferentes grupos que hoje compõem esse povo. Segundo Martínez, a expressão “Miyo kokhuma o Namuli” (fui gerado no monte Namuli) sintetiza a identidade dos povos Makhuwa e Lomwe. Veja maisNarrativas da Criação em outras culturas

Sistema Único de Saúde: indo além do senso comum

Talvez nunca se tenha ouvido falar tanto a respeito do SUS (Sistema Único de Saúde) como nestes últimos anos. Mas, afinal, o que é o SUS? Para isso precisamos voltar um pouco na história. Em 1988, a Constituição Federal estabeleceu que a saúde era um dever do Estado, já que era um direito social. Por isso implantou um sistema de saúde que era único, organizado e internacional. Porém o SUS somente foi concretizado em 1990, com a Lei 8.080. Esta estabeleceu os princípios do SUS, como seria sua organização e as atribuições de cada setor do governo. Pela lei, foram criados os três princípios doutrinários do SUS: universalidade, integralidade e equidade. A universalidade diz que todos os que estejam no território brasileiro, independentemente de quem seja, têm direito ao acesso à saúde gratuita no SUS. Já a integralidade diz que o serviço deve olhar para o paciente de forma integral, biopsicossocial. Assim, considera-se a saúde física, mental e social do paciente. E a equidade garante que quem mais precisa merece ter uma atenção mais intensa, dessa forma os casos mais graves devem ter uma investigação mais aprofundada. A equidade não está descrita na Lei, mas é um princípio que veio ganhando força ao longo dos anos. Além disso, o SUS tem princípios organizativos como: participação social: nas conferências de saúde, os usuários do SUS, gestores, prestadores de serviços e trabalhadores se reúnem para avaliar e propor diretrizes para formular políticas de saúde; complementariedade do setor privado: esse setor é usado pelo SUS como forma complementar; descentralização: o poder é dividido em esferas do governo federal, Estados e Municípios; regionalização: é feita uma divisão das regiões de saúde, visando a garantir a saúde de todos e a diminuir as desigualdades territoriais e sociais; hierarquização: a assistência é dividida em níveis de atenção, sendo elas em primária, secundária e terciária. Algum outro país tem um sistema de saúde semelhante? O Brasil não é o único país a ter um Sistema Único de Saúde. A Inglaterra tem o National Health System (NHS), criado em 1948, o qual serviu de modelo para o SUS. Mas qual a importância de um sistema como o SUS? O SUS é de extrema importância para a vida dos brasileiros, garantindo a saúde de modo integral. Temos a visão de que o SUS atua somente nos postos de saúde e nos hospitais públicos para atendimento, porém o Sistema está presente em ações da vigilância sanitária, vigilância epidemiológica, acompanhamento e promoção da saúde do trabalhador, orientação alimentar, proteção do meio ambiente e no desenvolvimento científico. Ele, portanto, está presente desde as vacinas, fiscalização de alimentos e produtos, garantindo a dispensa de medicação tanto de alto custo como de outros tipos, na fluoração da água para evitar cáries, entre outros. O sistema chega de fato a quem mais precisa? Sim, há diversos programas que garantem a saúde da população. São exemplos as campanhas de vacinação, programas para determinadas doenças como IST (infecções sexualmente transmissíveis), aids (HIV), hepatites, tuberculose, entre outras, atuando desde o diagnóstico até a garantia do tratamento. Quando falamos em programa de HIV, além de assegurar tratamento e teste diagnóstico para a população, é garantida a PREP (profilaxia pré-exposição) e a PEP (profilaxia pós-exposição) que são algumas formas de evitar a infecção pelo vírus HIV, causador da aids. Porém, para ter acesso à PREP, até alguns meses atrás, era necessário que o paciente estivesse em acompanhamento no sistema público, mas, nos últimos meses, foi publicada uma portaria que garantiu o procedimento também aos pacientes do setor privado. Com isso, podemos ver que o SUS está presente em vários momentos de nossas vidas e não somente no atendimento da Unidade Básica de Saúde (UBS) ou no hospital público. O SUS garante nossa saúde no nível biopsicossocial, por meio de suas atividades, não se importando quem seja o atendido. Por isso devemos defendê-lo e, sempre que possível, participar das conferências de saúde para garantirmos melhorias a esse sistema. Agora uma pergunta: você já defendeu o SUS hoje? Para saber mais Processo de regionalização na saúde: perspectivas históricas, avanços e desafios (artigo de Mariana de Castro Brandão Cardoso, Amália Ivine Santana Mattos, Adje Silva Santos e Técia Maria Santos Carneiro e Cordeiro) [link: https://portalatlanticaeditora.com.br/index.php/enfermagembrasil/article/view/502/1024] Nota Informativa nº 11/2021 – CGAHV/DCCI/SVS/MS (orientações para início da prescrição da profilaxia pré-exposição de risco à infecção pelo HIV – PrEP – em Serviços de Saúde Privados) [link: http://www.aids.gov.br/sites/default/files/legislacao/2021/-notas_informativas/nota_informativa_n_11_2021-cgahv_.dcci_svs_ms_prep_saude_suplementar.pdf] Teixeira, P.; Dahdal, M. Medicina preventiva. S.l.: Sanar, 2021. Matheus Ferreira Martins é ex-aluno do Colégio Espírito Santo, em São Paulo-SP, e formado em Medicina pela XLVII turma da Universidade de Mogi das Cruzes (UMC).

Ser estudante

Ser estudante hoje é enfrentar um grande desafio, pois, na pandemia, há um ano e meio, toda a rotina das escolas e dos alunos foi mudada. Pude perceber como foi importante o uso de computadores, tablets e celulares no novo formato das aulas. Acredito que foi uma grande vantagem neste período estudar em um colégio católico. Recebi a minha primeira comunhão e percebi ainda o respeito entre as pessoas na forma on-line de aula. Um grande abraço virtual para meus amigos pelo Dia do Estudante. ______________________________________  Uma vez, uma vizinha me perguntou como era ser uma aluna do CICM (Colégio Imaculado Coração de Maria). Falou que deveria ser chato e cheio de regras, mas, na realidade, não chega nem perto disso… Desde pequenos, aprendemos que a escola é, sim, nossa segunda casa e que os amigos são a família que escolhemos. Ah, outra coisa que adoro na escola é o fato da minha família poder fazer parte da minha vida escolar. Fora que muita gente acha que, na aula de Ensino Religioso, estudamos só a religião católica. Durante as aulas, aprendemos sobre o certo, o errado e o princípio de cada religião. E eu só tenho a agradecer o colégio pelos amigos que fiz e pelos valores que vou levar para a vida toda. ______________________________________ Ser estudante hoje em dia é certamente um privilégio. Todos sabemos das dificuldades de cada dia na escola: acordar cedo, a exaustão que um modelo híbrido causa e também a pressão sobre o vestibular, que o ensino médio sofre bastante. Porém muitas pessoas queriam essa oportunidade. Muitos brasileiros queriam aprender sobre Física, Biologia e todas as outras matérias que nós estudamos. Antes de criticar o modelo estudantil para melhorar sua estrutura, é importante que o privilégio da escola chegue para todos os brasileiros. Para nós que estudamos, parabéns! Para os que não estudam, cabe a nós lutarmos por esse direito, visto que temos mais oportunidades. ______________________________________ Ser estudante nunca foi fácil, mas ficou um pouco mais complicado com a chegada da pandemia. Ser estudante atualmente é sinônimo de coragem. No meio do caos que o mundo está vivendo, nós estamos correndo atrás dos nossos sonhos, do nosso futuro. E ter uma escola que luta pelo estudante faz toda a diferença. O CICM incentiva e ajuda os alunos a passarem pelas dificuldades. Sou grata por estar em uma escola que batalha pelo meu futuro junto comigo. ______________________________________ O que é ser estudante? Não existe apenas uma resposta para essa pergunta. Porque ser estudante é buscar pelo conhecimento, é lutar contra o tempo para entregar trabalhos, é vencer obstáculos e é o desejo de seguir uma profissão. Mas o mais importante é que ser estudante é aprender coisas, fazer amigos e ter experiência que vão ser levadas para a vida toda. ______________________________________ Ser estudante pra mim é aprender a melhorar, descobrir um novo mundo a cada matéria nova, é ter professores que tentam sempre inovar e deixar coisas chatas com gostinho de quero mais. É ter uma segunda família, é ser acolhida nos melhores e piores momentos, é crescer e ajudar o mundo a crescer comigo. É ter certeza de que o amanhã é a gente que faz. ______________________________________ Ser estudante é ter a coragem de se permitir a aprender sobre a vida.É olhar ao redor e compreender o melhor – e o pior – da sua realidade.É se adaptar ao turbilhão de pensamentos simultâneos de sua cabeça.É definir seu futuro, mesmo que não entenda seu presente.Ser estudante é conciliar tarefas da escola, da casa e do mundo.É se descobrir como alguém, e conhecer o seu eu.É ser capaz de escrever novas páginas e reescrever momentos.É apontar um lápis quebrado e desenhar uma flor. ______________________________________ Ser um estudante é, na minha concepção, uma jornada na qual poucos param para observar os detalhes do caminho, mas são eles é que fazem a diferença. Costumamos nos ater às provas e trabalhos, a acordar cedo e às nossas responsabilidades, mas ser estudante não é só sobre isso. Estudar é conhecer, explorar, viver várias vidas em uma e adentrar diversos campos diferentes. Infelizmente, em meio a essa pandemia, nosso estudo teve de ser um pouco diferenciado: o fato de termos nos adaptado e resistido até então é algo a se vangloriar. Estudar é crescer humanamente em todos os âmbitos, e eu sou eternamente grata por ter a oportunidade de ser estudante. ______________________________________ Ser um estudante, para mim, é enfrentar todos os desafios impossíveis quando pensamos em aprendizado e, mesmo assim, se manter com foco e determinação por pensar que um dia tudo vai valer a pena. Ser estudante é ser uma pessoa que está constantemente testando seus limites e, mesmo assim, tenta ao máximo se manter firme por acreditar no processo. Isto, para mim, é o que define um estudante: a resistência e a fé no ensino. ______________________________________ Ser estudante, nos dias de hoje, é um desafio. Focar em tantas coisas ao mesmo tempo, neste período caótico em que estamos vivendo, é, na maioria das vezes, desesperador, mas também é reconfortante saber que existe um apoio da escola e dos professores na maioria do tempo. Por mais que existam dificuldades, não existe nada mais gostoso do que estar na escola buscando conhecimento e se relacionando com as pessoas em nossa volta.

A vida em poemas

Nestes tempos de distanciamento social e de muitos desafios, a poesia pode ser um respiro e um suspiro. Foi pensando nisso que alunos e professores, orientados pela professora Cristiane Imperador, do Colégio Espírito Santo, em São Paulo-SP, partilharam com os leitores e leitoras do blog SSpS suas composições. Procure um bom lugar e se delicie! Museu Tento não ser pessimista,Não viver como museuE sempre buscar o bem atual? Bem, digo buscar você,Mesmo sabendo o não recíproco,Me sinto bem ao seu lado.Meus problemas vão do raloE voltam ao ringue contra mim. A vida é muito curta,Eu sei disso,Mas sua rápida passagemNão me trouxe compreensão,Apenas indagação. Tento os orgulhar,Mostrar que a chama está acesa,Mas o extintor do julgamentoApaga apenas as labaredas,E o resto do corpo fica queimado. Água fria do mar,Acalme o meu viver,Me traga a compreensão que necessitoSeja Iemanjá de meu problemaE me leve para o fundo da água, onde posso esfriar. A vida se tornou complicada,Ainda mais com o desconhecimentoDo seu sentido subjetivo intrínseco.Será o tal sopro do Criador?Ou vislumbres de abandono e dor? Eu quero amar,Quero sonhar e estar bem,Não me permito. Permissão que eu mesmo tireiAo ver, em meus olhos,A doce e azeda decepçãoDe sentir que tudo foi em vão,Perdendo-se em oscilação. Um tipo de vazio,Que eu espero que passe.Como areia no SaaraQue, carregada pelo vento,Compõe a beleza natural. Será minha beleza naturalO ó de todo mal,Com a sinceridade de anjoE a teia animalesca sentimental,Que dita minha existência arenosa?As coisas passam,O passado não volta,Mas estava no futuroQuando lembrei ansiosoDe amar e viver o presente. O museu onde as coisas passam. Mateus Marum (aluno da 3ª série do ensino médio) Ciclo da vida Este é o ciclo da vidaNascemosCrescemosMorremosNão temos como fugir dissoTemos que aproveitar o tempo que temosTemos que fazer coisas que vão ficar nas nossas memóriasEsse é o ciclo da vidaE não tem como fugir. Ana Julia Fonseca Van Utterbeeck (aluna da 1ª série do ensino médio) Sob outro ângulo Fim!De repente, meu mundo virou.Mergulhei sob minha terraE andei sobre meu oceano.Tudo estava confuso!Tudo estava trocado! Porém, observando este universo,Refleti e compreendi!Cuidei de tudo aquilo que me faltavaValorizar até então.Vi o novo diferente no antigo. Descobri que o novoNem sempre é tão ruim,Que a realidade é cheia de incertezas…Mas tudo bem!Sempre há um lado positivo eNegativo nas mudanças…. Sim, era o fim… De minhas velhas certezas,Uma página virada num livro.Surge então, em minha vida, aOportunidade de criar um novo capítulo,Um novo começo! Anne Caroline Gonçalves Martins (aluna da 1ª série do ensino médio) Perdão Paixão, algo que confunde nossa mente Nos faz perder a noção que existimosTrazendo sensações diferentes sucessivamenteNós discutimosPorém, nosso amor supera qualquer barreiraEm meus braços, senti seu corpoEm meu nariz, seu cheiro doceNa minha boca, seus lábios leves como uma penaSeu calor traz calmaSeu amor traz alegriaNão queria ter erradoMeus pensamentos me dominaramMeus erros não permitiram que eu ficasse caladoMas imploro pelo seu perdãoVocê soltou minha mãoAssustada, correu de meu coraçãoPerdão é algo que não conseguiria ouvir de vocêMas eu me ajoelho sobre meus errosE peço lhe desculpasNão me deixe sumir de seus pensamentos Leandro Morales (aluno da 1ª série do ensino médio) A mulher Mulher,você é incrível!Você gera e traz uma vida ao mundo,mas não lhe damos o devido valor. Mulher é um ser sensível:emociona-se,apaixona-se,ama, sente, chora…Há acontecimentos que a machucam,não porque são frágeis, mas porque sentem.Você não é obrigada a nada! Mães, profissionais, esposas, adolescentes, meninas, amigas… Eu sou mulher.Sei que devemos lutar pela nossa felicidadee que, se nossa luta incomoda,estamos no caminho certo Mulher,você é extraordináriasó precisa conquistar o seu lugar e mostrar o seu valor.Nossa voz é mudança!Merecemos o nosso destaquee está na hora de descobrirem,que somos iguais. Kimberly Lopes Galvão César (aluna da 1ª série do ensino médio) Um sopro Um momento feliz passarápido, assim como a vida.Pessoas se vão como umsopro de ar que sai pelaboca de uma criança ao assopraras velinhas de seu bolo. Curto e rápido, não é possívelnem ver, assim como você, quede um dia para o outro partiu. Por uma causa tão inesperada,você se foi.Tão pequenina te perdi,ficamos todos desolados. Doeu muito, mas o que ficoué a saudade. Os momentos bons,as memórias… Mas logo vem o presente,que vai passar como um sopro, e tudo irácomeçar novamente, sempre iniciandoe acabando, como o ciclo da vida.Um sopro. Manuela Fernandes Carreño (aluna da 1ª série do ensino médio) Morte Antes de dormir,Sonhadores criam histórias impossíveisDe amores irreaisE com finais felizes. Hipócritas e falsos.Eu crio começosE meiosFelizes. No final, há uma deliciosa tragédia,A qual me atormenta,A qual não queria ter pensado,A qual ficou em meus mais profundos pensamentos. Ela se transformou em medoUm profundo medo.Que, agora, sei que deveria ter feito como os hipócritasE mentido para mim mesmaO fim da doce história é a morte. Louise Cavalcante (aluna da 1ª série do ensino médio) Pandemia + Cientistas: cuidado e proteção Neste momento de pandemia,não tivemos muita alegria.Mas os cientistas não podiam desanimar,pois tinham pouco tempo para a cura encontrar. A cura seria uma vacina capaz de imunizar,mas tiveram pouco tempo para fabricar.As vacinas aos poucos estão chegando,e a população mais velha está tomando. Devemos ter esperança,pois um mundo melhor há para vir.Agradecemos aos cientistas trabalhadores,que lutaram para o mundo todo voltar a sorrir. Vitória Pedriali Dias (aluna do 5º ano do ensino fundamental) Vacina sim! Para todos terem proteção,é preciso esforço e dedicação.E, para termos um raio de esperança,é preciso muita confiança. E, para uma vacina chegar,é preciso um cientista trabalhar.São mais de sete bilhões de pessoas neste mundão,e cada médico tem amor no coração. E toda vacina éfeita por um cientista.Então, não saia de casa.E, se for sair, use máscara! Pedro Vergatti Hulgado Silva (aluno do 5º ano do ensino fundamental) Fim E lá se vai o tempoEscorrendo por meus dedos geladosSe desfazendo em pensamentos amarguradosMisturando-se com todos meus lamentos O relógio já não está girandoOs ponteiros estão perdidosMinutos e horas não fazem mais sentidoÉ a sensação horrível da vida acabando Os batimentos se cessamO calor caiO brilho se vaiE as janelas se fecham Juras de

Colégio Espírito Santo e comunidade Xerente estreitam laços

Pensar a Casa Comum e a saúde de nosso planeta tem a ver com uma reflexão profunda sobre a atuação humana, a qual deve refletir em ações concretas que possibilitem a continuidade da existência da vida na Terra. E não é de hoje que falamos sobre isso, porém nossas ações ainda são muito tímidas. Quem sabe a esperança esteja no brilho dos olhos das crianças da etnia xerente? Educadoras e alunos das turmas de infantil 5, primeiros e segundos anos do Colégio Espírito Santo, de São Paulo-SP, refletindo sobre o poder da partilha e da educação, conversaram sobre a responsabilidade que temos de manifestar atitudes de amor e de cuidado para com todas as pessoas que fazem parte de nossa “Casa Comum”. Nasceu, então, o projeto “Natal da Casa Comum”, que teve como propósito trabalhar a importância do reconhecimento do outro e das atitudes de amor ao próximo. A comunidade indígena Xerente, localizada no Estado do Tocantins, foi um dos muitos espaços alcançados pelas manifestações de afeto de nossos alunos. Um livro virtual foi encaminhado às crianças que estudam na escola da aldeia. O presente foi recebido da melhor forma possível. Segundo Wakukepre, professor na escola do povo xerente, os alunos realizaram batismos do material como manifestação de gratidão pela troca de conhecimento, de acordo com a tradição da etnia. Foi pensando não somente em nossa relação com as pessoas, mas também em nossa Casa Comum e na saúde de nosso planeta que pretendemos, por meio desse projeto, possibilitar um espaço de troca e reflexão profunda sobre o sentido de sermos humano e, assim, buscarmos ações concretas que possibilitem a continuidade da vida na Terra. Respeitar e reconhecer diferentes culturas é questão fundamental como comunidade escolar. Receber o retorno do projeto “Natal da Casa Comum”, que foi apenas uma pequena manifestação das reflexões que buscamos estimular em nosso cotidiano escolar, e poder compartilhar o resultado dessa ação coletiva só reforça a importância do trabalho que buscamos desenvolver como educadores missionários. Ponte intercultural Outra parceria foi realizada com a ajuda das missionárias servas do Espírito Santo que trabalham com a etnia xerente. Por meio de diálogos de aproximação proporcionado com lideranças da comunidade indígena, nossos educadores vêm realizando trocas de livros, outros materiais didáticos e experiências educativas. A experiência já criou uma ponte intercultural e de fraternidade. Em fevereiro, foram encaminhados aos xerentes diversos materiais escolares e um valor em dinheiro para que eles pudessem adquirir roupas para as crianças da comunidade. A doação também possibilitou a compra de material esportivo para os pequenos, que adoram praticar o futebol.Assim, seguimos cheios de esperança, conseguindo encontrar nas crianças, nas comunidades indígenas, nas atitudes de cuidado, afeto, amor ao próximo, justiça social e tolerância, a cada dia, a cultura de paz que almejamos. Beatriz Von Lasperg Careli é professora do Colégio Espírito Santo, e Agostinho Travençolo Junior é assessor Rede de Educação Missionárias Servas do Espírito Santo.

Mulheres e ciência: uma parceria de longa data

Que a ciência é de suma importância para o desenvolvimento de qualquer sociedade, disso todos sabemos. E que a maioria de nós conhece pelo menos um nome de alguém importante nesse avanço, isso também é muito provável. Agora propomos um exercício: tente lembrar o nome de uma mulher que tenha uma posição de destaque na ciência. Se você não lembrou, fique tranquilo! Como a maior parte dos trabalhos que acabam tendo reconhecimento são aqueles liderados por homens, é comum que pensemos que as mulheres não são participantes ativas dessa área. Mas não se iluda! Exemplos não nos faltam. Temos Rosalind Franklin (1920-1958), que tem o título póstumo de “Mãe do DNA”, por ter descoberto o formato helicoidal da molécula; Marie Curie (1867-1934), pioneira nos estudos da radioatividade, foi a primeira mulher a ganhar um Prêmio Nobel e a primeira pessoa a conquistar por duas vezes essa premiação. Mais recentemente, Jaqueline de Jesus e Ester Sabino, que lideraram e sequenciaram o genoma do novo coronavírus. E esses são apenas alguns dos muitos exemplos de importantes mulheres que fizeram com que a ciência chegasse ao que conhecemos hoje. Por tudo isso, trouxemos a doutora Débora Ferreira Barreto Vieira, pesquisadora em Saúde Pública na Fundação Oswaldo Cruz, especialista em Virologia e doutora em Biologia Celular e Molecular, para responder às perguntas de alguns dos alunos da Rede de Educação Missionárias Servas do Espírito Santo. Ela fala sobre sua carreira na ciência e a respeito de nosso cenário atual de saúde. Ao longo de sua caminhada até se tornar uma cientista, percebeu a presença do machismo em algum momento?Não! No decorrer de minha formação, as relações com os colegas foram sempre muito respeitosas. Dentro do cenário que estamos vivendo, você acha que o Brasil é capaz de dar conta de uma campanha de vacinação? Como você vê nosso futuro em relação à produção de vacinas?Sim! Temos um grande trunfo chamado SUS (Sistema Único de Saúde), que é modelo para todo o mundo e, dentro deste contexto, o PNI (Plano Nacional de Imunização), que mostra competência em nosso dia a dia, a exemplo das campanhas de vacinação para a poliomielite, sarampo e para tantos outros agravos. Estou bastante otimista! Temos no Brasil duas grandes referências em produção não só de vacinas como de fármacos, que é o Instituto Butantã (São Paulo) e a Fundação Oswaldo Cruz (Biomanguinhos/Rio de Janeiro). Obviamente que, no cenário atual, em que todo o mundo conflui para um só ponto, não estamos no “time” que gostaríamos. Com a transferência de tecnologia da vacina de Oxford para a Fiocruz e o IFA (ingrediente farmacêutico ativo) chegando dentro do cronograma preestabelecido, acredito que teremos um cenário mais positivo no segundo semestre deste ano. Em seu local de trabalho, você observa uma quantidade significativa de mulheres atuando?Sim! Temos muitas meninas e mulheres atuando no Campus da Fiocruz. Dos 71 laboratórios do Instituto Oswaldo Cruz, 45 são liderados por mulheres. Alguns desses laboratórios são de referência, a citar o Laboratório de Vírus Respiratórios e do Sarampo, que foi nomeado, em 2020, laboratório de referência da Organização Mundial da Saúde para a covid-19 nas Américas, que é chefiado, com maestria, pela doutora Marilda Siqueira. Em sua opinião, o que fez o movimento antivacina crescer nos últimos tempos?A desinformação, as fake news, as falas descabidas e a postura negacionista de chefes de Estado. Precisamos que grandes referências estejam à frente dos veículos de comunicação, informando à população. Precisamos de um diálogo consonante entre a ciência e a sociedade. Sendo cientista, acredita que a política interferiu diretamente na situação do Brasil?Sim! Não foram raras as cenas e falas negacionistas que presenciamos, vindas de importantes formadores de opinião. Corroboro a fala da cientista política Sara Wallace Goodman, da Universidade da Califórnia, quando diz “Em circunstâncias de alta desinformação e falta de informação, as pessoas observam os exemplos. Só podemos ser racionais se nossos líderes forem racionais”. Nós nos vimos numa disputa política pela primazia na aquisição dos imunizantes. Lamentável! Sua credibilidade já foi posta em dúvida por ser mulher?Não! Em algum momento, você se encontrou em um dilema entre ser mãe ou investir na carreira?Não! Tento equilibrar, da melhor maneira possível, essas duas delicadas esferas (maternidade e carreira). Quando as minhas filhas nasceram (sou mãe de trigêmeas), eu já tinha finalizado o doutorado e já era do quadro de servidores da Fundação Oswaldo Cruz. Qual foi a reação das pessoas quando você disse que queria ser cientista?Costumo dizer que eu sou reflexo da garra de minha mãe, Dona Maria José. Venho de uma realidade bastante humilde. Minha mãe só teve acesso a uma “cadeira escolar” depois dos 45 anos de idade. A frase que sempre reverberava nos quatro cantos da casa era: estudem para que a realidade de vocês (há mais uma cientista na família) seja diferente da minha. Imaginem a reação dessa mãe, pai, amigos! Mesmo sem entender direito todo o caminho que eu teria de trilhar, sempre tive muito apoio dos meus pais, que hoje são um orgulho só. Como você descobriu qual área da ciência queria estudar?Na verdade, não descobri a Virologia; fui, sim, tragada por ela. Em conversa com um professor do curso de Ciências Biológicas, relatei a minha frustração pelo fato de serem poucas as aulas práticas. Àquela altura, eu não me sentia preparada para o mercado de trabalho. E foi daí que tudo começou. Esse professor, que hoje é meu colega de profissão, apresentou-me ao Laboratório de Ultraestrutura Viral do Instituto Oswaldo Cruz, Fundação Oswaldo Cruz. Nesse laboratório, construí toda a minha trajetória científica, tive a oportunidade de ser orientada por grandes referências da área de Virologia e Ultraestrutura Viral, como a doutora Ortrud Monika Barth e o doutor Hermann Schatzmayr. Hoje tenho muito orgulho de liderar a equipe deste laboratório que me acolheu e que me deu a oportunidade de realizar todos os meus sonhos profissionais. Ao longo de toda a sua carreira profissional, vivenciar esse caos causado pela covid-19 foi seu maior desafio como cientista?Sem dúvida, este é o momento

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