Sínodo Pan-Amazônico: uma Igreja em diálogo e escuta

“Amazônia: novos caminhos para a Igreja e para uma ecologia integral” é o tema do Sínodo para a Amazônia, que será realizado em outubro deste ano. Para compreender sua importância em vista de uma melhor atuação pastoral da Igreja na região e especialmente para os povos indígenas, iniciamos, a partir de agora, a publicação de uma série de artigos. Confira! O convite do Papa Francisco aos bispos da Igreja pan-amazônica, com o objetivo de escutar os povos da floresta, foi precedido por gestos de diálogo, encontro e escuta dele mesmo. Em sua visita apostólica ao Peru, no discurso de acolhida aos povos indígenas em Puerto Maldonado (DISCURSO do Papa Francisco em Puerto Maldonado, 2018), o Papa Francisco, referindo-se à atuação missionária da Igreja em meio aos povos indígenas, fez a seguinte observação: “Quem dera que se ouvisse o grito de Deus perguntando: Onde está o teu irmão?” (Gn 4,9). E concluiu que essa pergunta deve ressoar para toda a Igreja. Nesse seu encontro com várias etnias indígenas, o Santo Padre ouviu os clamores desses povos que precisam de ajuda para continuar cuidando da natureza, pois tal missão tem sido muito árdua devido à destruição causada pela derrubada das florestas, mineração e as companhias petroleiras. Ele também agradeceu aos povos indígenas que, pela sabedoria e conhecimentos de suas culturas, puderam penetrar, por séculos, sem destruir o grande tesouro, os recursos naturais das florestas. Nesse encontro, assim se dirigiu a eles (DISCURSO, 2018): Nós, que não habitamos nestas terras, precisamos de vossa sabedoria e de vossos conhecimentos para podermos penetrar, sem o destruir, o tesouro que encerra esta região, ouvindo ressoar as palavras do Senhor a Moisés: “Tira as tuas sandálias dos pés, porque o lugar em que estás é uma terra santa” (Ex 3,5). Essas atitudes e gestos de Francisco fortalecem a caminhada de muitos movimentos indígenas para a revitalização de suas próprias culturas, na luta pelo reconhecimento de seus territórios, pela preservação de suas tradições e línguas. A conquistas de seus direitos foi fruto de uma grande mobilização internacional desde a década de 1970, da qual eles foram os protagonistas (PETRONI, 2013, p. 188). As orientações pastorais do Papa Francisco serão assumidas dentro de um caminho da sinodalidade, conforme a Igreja esteja, de fato, disposta ao diálogo e à escuta. Ao convocar a Igreja presente na Região Pan-Amazônica para buscar novos caminhos de evangelização entre os povos da floresta com um rosto indígena, postulam-se novos paradigmas de missão: ouvir e reconhecer as histórias de fé e os saberes que vêm dos povos da periferia. São caminhos novos de evangelização que fortalecem a autonomia e o protagonismo dos povos originários da Pan-Amazônia. É uma evangelização solidária desses povos que vivem num contexto de profundas ameaças aos direitos fundamentais. Assim, a Igreja é chamada a viver, de forma solidária, suas lutas de revitalização de suas culturas, do direito de preservar seus idiomas, de organização social, de uma cosmovisão ecológica que garanta a sobrevivência de seus descendentes (REPAM, 2018, n. 24). O convite para construir uma Igreja com rosto amazônico exige uma reflexão teológica fundamentada na espiritualidade e cosmovisão desses povos originários da Amazônia (REZENDE, 2013, p. 209). Reconhecer que, em suas histórias sagradas, também se encontram as sementes da Boa-Nova. Nesse sentido, o documento preparatório para o Sínodo na Região Pan-Amazônica afirma ser necessário ter uma “espiritualidade intercultural que nos ajude interagir com a diversidade dos povos e suas tradições” (REPAM, 2018, n. 86). A espiritualidade dos povos originários dessa vasta área geográfica foi transmitida com sabedoria pelos líderes carismáticos, pelos sábios de seus povos, benzedores e muitos que contribuíram para a sustentação de suas culturas e de suas línguas. Tal espiritualidade tem os pés no chão, pois esses povos acreditam num Deus criador de tudo que existe na natureza, por isso ela tem, em si, uma força vital. Esses povos acreditam na comunhão de vida da floresta, vida humana das várias etnias que se entrelaçam como se todos fossem parentes (ALMEIDA, 2005, p. 56). Essa comunhão sustenta a terra, a água, as plantas, os animais, os peixes, enfim tudo o que circunda a natureza são vidas dialogantes com os seres humanos. O documento preparatório para o Sínodo dos Bispos, em vista da Assembleia Especial na Pan-Amazônia, que será realizada em 2019, oferece como instrumento de auxílio na tarefa que o precede um amplo questionário elaborado e enviado a todas as Igrejas particulares, a fim de estabelecer um diálogo com todas as suas bases. A comissão organizadora adotou o método ver, julgar e agir, mas sem dar respostas prontas, pois a sinodalidade envolve todos na busca de novos caminhos. O Sínodo está sendo preparado com os protagonistas e sujeitos da Igreja ameríndia. Traçar novos caminhos à evangelização na Pan-Amazônia envolve o zelo pelos territórios, ecologia e culturas das comunidades locais. Portanto, já desde sua preparação, o Sínodo coloca todos os interlocutores na prática concreta da escuta recíproca. Esse exercício é fundamental para fortalecer as bases de uma Igreja sinodal e vencer as enormes distâncias geográficas, pastorais, sociais e culturais. É o sínodo da aproximação, do encontro, do diálogo e da escuta de uma Igreja universal que acredita que a periferia tem algo importante a dizer, a partilhar, enriquecer e a ensinar, sobretudo no cuidado da casa comum e da ecologia integral. Trecho extraído e adaptado do artigo “A escuta e o diálogo com as tradições sagradas do povo ticuna: um testemunho de evangelização na Amazônia”, da autoria da Ir. Izabel Patuzzo e de Boris Augustein Nef Ulloa, publicado na “Revista Caminhos”, Goiânia, v. 17, n. 1, p. 96-108, jan./jun. 2019. Irmã Izabel Patuzzo, missionária da Imaculada (PIME), faz parte da equipe de professores do Curso de Formação Teológica e Missionária para Leigos do Centro Missionário Cultural Santíssima Trindade, em São Paulo-SP.

A Palavra que encanta e toca o coração

Para os dez participantes da primeira etapa, o Curso de Bibliodrama foi uma surpresa do começo ao fim. Todos chegaram muito curiosos e descobriram que não se tratava de fazer “dramatizações”, mas de mergulhar numa vivência da Palavra de Deus que encanta e toca o coração. O ingrediente principal do Bibliodrama, segundo o verbita Ir. Paolo Delucca, um dos facilitadores, “é como alimentamos a nossa fé e a nossa alma com a Palavra de Deus”. Também para as outras duas facilitadoras, as irmãs Maria de Fátima Marques e Heloíse Matos, a Bíblia e a vida caminham juntas. Cada pessoa é convidada a se deixar tocar e transformar pela Palavra. O curso foi realizado no Centro Missionário Cultural Santíssima Trindade, no último fim de semana de março, e foi como um retiro para os participantes, dos quais a maioria era educadores e educadoras da Rede de Educação Missionárias Servas do Espírito Santo e ainda algumas irmãs e missionárias leigas de Deus Uno e Trino (MLDUT). Pelos depoimentos, é possível ter uma ideia do que significou o curso. Para a missionária leiga e educadora Maria Cristina Queiroz Maia, o “mapeamento do texto”, um dos elementos do bibliodrama, “permite identificar as motivações, significados e sentimentos que a Palavra gera na relação comigo, com Deus e com o próximo. Essa vivência é curativa e libertadora”. O facilitador Paolo acrescenta que o mapeamento “convida a entrar na história de Jesus e no mistério de nossas vivências cotidianas”. Segundo ele, o Espírito Santo atua em nossa intuição e aprofunda a fé, e, no diálogo com a Santíssima Trindade, o amor se propaga e faz o coração arder, como aconteceu aos discípulos de Emaús. Já a educadora Simone Fortunato Nunes, o bibliodrama contribui para “um novo olhar acerca das leituras bíblicas, atentando para os sinais presentes nas palavras, versículos e parábolas”. Mas o mais interessante para ela é “fazer a ‘ponte’ entre a Bíblia e a vida, num exercício de interiorização que promove o autoconhecimento e o crescimento pessoal”. Irmã Lusia Sakunab também fala do novo olhar e acrescenta: “Ajudou-nos a usar nossa criatividade na vivência da liturgia e nas celebrações do nosso dia a dia”. As educadoras Rogelia Aparecida de Rezende e Luciana Marzulo enfatizaram que o bibliodrama proporcionou uma vivência de encontro com Deus com base na Palavra, consigo mesmas e com os outros. Para Luciana, foi uma “transformação pessoal” e, para Rogelia, um momento de “abrir novos caminhos e de se deixar guiar”. Também a missionária leiga e educadora Nanci Regis Queiroz Afonso ressaltou que a partilha no grupo foi essencial e ajudou a melhor compreender e viver os desafios do dia a dia. “O Bibliodrama me fez mergulhar em mim mesma e encontrar o tesouro da Palavra de Deus de modo muito significativo. Construí pontes em mim. Portas se abriram no meu coração”, acrescentou ela.

Mobilização em torno da Reforma da Previdência

Nestes dias, a Presidência da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) divulgou uma nota sobre a Reforma da Previdência, manifestando apreensão com relação ao Projeto de Emenda Constitucional (PEC 287/2016) em tramitação no Congresso Nacional. A CNBB lembra que a Previdência é um direito social estabelecido pela Constituição de 1988, conquistado com muita participação democrática. Não se trata de uma concessão governamental. A Nota da CNBB afirma que “o sistema de Previdência Social possui uma intrínseca matriz ética” e foi criado para a proteção social de pessoas expostas à vulnerabilidade social. Não se trata apenas de uma questão econômica. Aponta ainda para possibilidades para tornar realidade o Fundo de Reserva do Regime da Previdência Social, para provisionar os recursos exclusivos para a Previdência, tais como a auditoria da dívida pública, a taxação dos rendimentos das instituições financeiras, a revisão da desoneração de exportação de commodities e ainda identificar e cobrar os devedores da Previdência. Alerta ainda que não se trata de disputa ideológico-partidária, mas de um diálogo sincero e fundamentado que deve ser buscado até à exaustão entre governo e sociedade. Diante disso, a CNBB convoca os cristãos, as pessoas de boa vontade e principalmente nossas comunidades a se mobilizarem em torno da Reforma da Previdência, a fim de buscar o melhor para o nosso povo, principalmente os mais fragilizados. Como membros ativos de nossa Igreja, alegramo-nos com essa posição clara manifestada pela CNBB e desejamos dar passos concretos para favorecer a conscientização e a mobilização de todos nessa causa tão premente que vai nos atingir a todos, hoje e no futuro. A base de tudo é conseguirmos dados idôneos. É necessário nos informar devidamente e aprofundar o assunto. Mais ainda, precisamos recuperar o espírito e a intenção primeira que gerou a criação de nosso Sistema de Previdência Social em nossa Constituição. Em seguida, há a necessidade de se produzirem alguns subsídios populares para que a informação esteja ao alcance de todos. Com base nesses subsídios, mobilizar as comunidades, conscientizando-as da situação e do que está em jogo. Muitos são os meios de comunicação disponíveis hoje para divulgarmos e estudarmos esse tema mais a fundo. Os jovens são criativos e saberão nos propiciar novos caminhos. O segundo passo seria a participação e a mobilização das comunidades. A Campanha da Fraternidade deste ano “Fraternidade e Políticas Públicas”, com o seu lema “Serás libertado pelo direito e a justiça” (Is 1,27), por sua vez, convoca-nos, justamente neste ano, a “acolher os pobres e marginalizados, nossos irmãos e irmãs, com políticas públicas justas, e sejamos construtores de uma sociedade humana e solidária”, conforme reza a oração da CF 2019. Em todo sistema de participação, há vários níveis de contribuição. Todos podem se comprometer de alguma forma. Baseando-se nos subsídios produzidos e divulgados para conscientizar as comunidades, podemos produzir celebrações, horas santas, preces e outros materiais litúrgicos e de encontros formativos para envolver a todos dentro dessa causa. De acordo com a realidade, algumas comunidades poderão realizar caminhadas e celebrações campais, dando maior publicidade à iniciativa. As pastorais sociais e os membros mais ativos politicamente na comunidade devem procurar instâncias sociais mais participativas, procurando envolver outras pessoas e mobilizando-as na medida do possível. No texto-base da Campanha, dos números 87 a 104, temos uma boa orientação de como nos engajarmos mais concretamente como atores sociais nas políticas públicas. Os primeiros parágrafos fundamentam essa prática. A seguir são elencadas formas mais comuns de participação, tais como em audiências públicas, nos conselhos gestores ou de direitos, em conferências, fóruns e reuniões, bem como em organizações da sociedade civil e movimentos sociais. Por último, conclama os jovens a desenvolverem protagonismo na elaboração de políticas públicas, garantindo, assim, uma sociedade mais madura e participativa na vida política. No tocante à urgência da Reforma da Previdência, é preciso ver a possibilidade de participação por meio dos grupos de pressão dentro do Congresso e das manifestações de rua que forem convocadas. Nesta hora, após o apelo público da CNBB às comunidades, é de suma importância a unidade e o comprometimento de todos na Igreja. O Espírito Santo é Espírito de União, Fortaleza e Verdade. Que Ele nos inspire como agir neste momento difícil pelo qual nosso País está passando, mostrando-nos concretamente o que fazer a partir de nossa comunidade, e que Ele nos conceda os dons necessários para, de acordo com o Hino da Campanha, “Ser um profeta na atual sociedade, da ação política, com fé participar…” Irmã Maria Inês de Aragão, SSpS, é formada em Economia e Diretora Tesoureira da Redes (Rede de Solidariedade das Missionárias Servas do Espírito Santo). _____ Leia também: Íntegra da Nota da CNBB Hora Santa sobre a Reforma da Previdência

“Pois é dando que se recebe…”

Os leigos, ano após ano, vêm assumindo cada vez mais sua identidade de discípulos missionários numa Igreja aberta, que acolhe a todos. “Vós sois o sal da terra. Vós sois a luz do mundo” (Mt 5,13-14). Essas palavras de Jesus nos confirmam o comprometimento de testemunhar a fé no Deus vivo e fazê-lo conhecido e amado, por meio da ação. Ser sal e luz significa dar significado à vida do próximo, tirá-lo de suas angústias, inquietações e misérias. É sair de si e aceitar o convite de Jesus “Ide…” (Mc 16,15), é promover a “cultura do encontro”, como pede o Papa Francisco, é acolher as crianças para acolher Jesus (Mc 9,37), é ajudar o outro a se reintegrar na sociedade para que todos tenham uma vida digna. Os leigos são pessoas que, em seu dia a dia, onde quer que estejam e em qualquer coisa que façam, procuram viver, conscientemente, sua vida cristã numa dimensão missionária e ação evangelizadora e libertadora, sobretudo com os pobres. Uma ação em que a espiritualidade lhes impulsiona a mostrar ao outro o sentido que tem seu sacrifício, sua dor. A cruz de Jesus vem ressignificar a dor do ser humano, mostrando que, além da dor e do sacrifício, está a ressurreição, a libertação. E essa é a esperança que enche o coração do leigo e dá sentido à sua missão. Uma recente visita ao Lar Franciscano, que zela pelo cuidado com pessoas idosas, trouxe às missionárias leigas do Rio de Janeiro a alegria de sentir que é “dando que se recebe”, como cantamos na oração dedicada a São Francisco. Os missionários leigos de Deus Uno e Trino são membros da família de Santo Arnaldo Janssen, enraizados na espiritualidade trinitária e carisma missionário, guiados pelo Espírito Santo, enviados a compartilhar com todas as pessoas o amor de Deus Uno e Trino. Presentes em diversos Estados do Brasil, atuam nas pastorais em suas paróquias, nos condomínios onde moram, no trabalho e encontram-se periodicamente, para que, juntos, em oração e na partilha, renovem seu compromisso e se fortaleçam na fé. Campanhas e visitas solidárias fazem parte de seu compromisso com a missão. A solidariedade, a compaixão, o amor ao próximo, a misericórdia são ações que aprendemos com o próprio Jesus. Venha, você também, fazer parte do Grupo de Missionários Leigos de Deus Uno e Trino. Nanci Queiroz, MLDUT-RJ ___ ______________________________________________________________________________________________ As MLDUT-RJ contam, aqui, um pouco do significado de pertencer ao grupo e, na união, no encontro e na oração, fortalecerem-se na fé e no amor ao próximo. As fotos e os depoimentos foram obtidos durante a visita ao Lar Franciscano, no Rio de Janeiro-RJ. “Hoje, para mim, foi um dia muito especial. Tive a oportunidade de fazer, mais uma vez, como tantas outras, um evento no Lar Franciscano onde minha mãe mora e sou voluntária, sendo que, desta vez, com um sabor diferente, como leiga missionária. Eu me senti mais forte. Parecia não ser eu. Senti algo muito vibrante que preencheu meu peito e transbordou para todas as pessoas que, com tanto amor e carinho, ali estavam participando. Rogo a Deus que me mantenha firme nessa caminhada, capacitando-me cada vez mais com o dom do amor.” Laura Regina Seixas Torres ______________________________________________________________________________________________ “Para mim, tem sido maravilhoso pertencer ao grupo. Tornei-me uma pessoa melhor, mais preocupada com o próximo. Uma bênção!!!” Maria da Conceição L. Vila Gomes ______________________________________________________________________________________________ “Neste dia de vivência do amor e afeto, recebemos mais uma lição de vida. Quando nos reunimos para partilhar carinho, trazemos [para nós] mais do que levamos. A professora Edneida e o músico Agnaldo levaram alegria, descontração e oração para toda a comunidade do Lar Franciscano. Sou grata a Deus por mais uma experiência de vida. Maria Fernanda P. Azevedo ______________________________________________________________________________________________ “Foi um encontro maravilhoso!!! Eu me senti muito feliz em participar da felicidade de todas aquelas senhoras!!! Muito amor!!!” Rosicleia Maluli ____ ______________________________________________________________________________________________ “Participar do grupo tem sido uma bênção. A vida partilhada em comunidade tem me dado força para seguir com minha missão de leiga missionária neste mundo que precisa tanto de amor e de testemunho desse Deus misericordioso e acessível a todos os que desejam buscá-lo! Obrigada, Família Arnaldina, pelo acolhimento e carinho! Hoje vivo uma verdade que, há muito, escutei de um sacerdote querido: ‘Deus não escolhe capacitados. Ele capacita os escolhidos!’. Que Ele me conceda, cada dia mais, a alegria e a oportunidade de poder viver junto com os MLDUT esse carisma.” Maria Aparecida Carvalho Meirelles de Souza ______________________________________________________________________________________________

Testemunho Missionário – Irmã Veramaria Ribeiro Miranda

O nome de batismo da irmã Veramaria era Maria Tereza Ribeiro Miranda. Ela fez os primeiros votos em 1953 e, após uma longa jornada de dedicação e serviço, partiu para a Casa do Pai no ano em que completava seu jubileu de 65 anos de consagração religiosa. Estava com 92 anos de idade. Aqui apresentamos um pouco de sua história e uma síntese do depoimento de várias irmãs que conviveram mais de perto com ela. Sua vida é um testemunho de que vale a pena amar até o fim. “Onde há amor e caridade, Deus aí está” Para os pais, Joaquim e Alda, era Terezinha. Sexta filha de onze irmãos. Para os irmãos, Tereza. Tia Tereza para os sobrinhos, para os sobrinhos-netos e sobrinhos-bisnetos. Em 1930, mudou-se com a família de sua cidade natal, Conceição do Mato Dentro, para Belo Horizonte. Iniciou sua vida escolar no Jardim de Infância Bueno Brandão. Depois, o curso primário no Grupo Escolar Barão do Rio Branco e o ginásio no Colégio Sagrado Coração de Jesus. A escolha posterior pelo curso clássico sinalizava seu interesse pela formação humana. Nessa fase, já dava sinais de sua vocação para a vida religiosa. Assim, as irmãs do colégio ofereceram-lhe o curso superior de Letras na Faculdade Santa Maria. Na infância e na adolescência, Tereza demonstrava sua opção por uma vida sem ambição e com a disposição para ajudar o próximo. Ao terminar seus estudos, manifestou aos pais seu desejo de seguir sua vocação. Seu pai, em sua sabedoria, aconselhou-a a trabalhar fora de casa, para que tivesse a oportunidade de conhecer as coisas do mundo. Foram dois anos dedicados ao trabalho e, ao fim do prazo acordado com os pais, em 1950, realizou seu desejo de ingressar no convento e dedicar-se à vida religiosa. E Maria Tereza tornou-se serva, Serva do Espírito Santo. Espírito que já a habitava mesmo antes de deixar o esteio da casa dos pais. Maria Tereza tornou-se a Ir. Veramaria. Os caminhos da Congregação a levaram longe, para a prática da caridade e da evangelização. O tempo passou, e o mesmo caminho que a levou a trouxe de volta, ao convívio familiar. Sua presença serena e dedicada superava a fragilidade que os anos lhe impuseram. E, até o fim, a “Irmã Fortaleza” manteve-se lúcida e dedicada aos seus. “Deus vê o segredo de nossos corações. Quanto mais próximos d’Ele, mais intensamente o calor desse amor vai nos tornando puras e santas. É uma chama viva, escondida em nós.” O seu lema era o AMOR ao próximo, a caridade. Tinha um bom coração, era honesta, sincera e sempre agradecida. Irmã Veramaria foi uma pessoa muito especial pelo modo carinhoso em lidar com as pessoas. Por onde passou, marcou com sua vida e dedicação. Durante o tempo em que esteve no Rio de Janeiro, ela acompanhou as missionárias vindas de Angola, que passavam por lá quando iam de férias para seus países de origem ou para dar entrada na documentação. Muitas vezes, chegavam doentes, e a Ir. Veramaria as encaminhava para tratamento ou ela mesma cuidava delas em casa. Tinha um grande amor pela missão em Angola, fundada quando estava como coordenadora de nossa Província. Ela recebia no Convento as irmãs que para lá eram designadas e organizava o material que precisava ser enviado. Foi uma presença incansável e colaborou de tal maneira que, de alguma forma, era como se ela também estivesse indo nessa missão. Quando uma irmã ficava doente, cuidava dela com muito empenho e carinho, encaminhando para os devidos tratamentos e dando acompanhamento espiritual. Era muito talentosa e tinha um ouvido muito afinado para a música. Ensaiava com perfeição para os grandes acontecimentos das comunidades por onde passou. Esmerava-se por uma liturgia bem cantada e belas apresentações em nossas festas especiais. Por onde passou, o ambiente de trabalho era de muita organização. Era pessoa muito profunda na experiência de Deus e amava muito a Congregação e, por ela, deu a vida em nossa Província nos vários desafios dos novos tempos. Pensar na Ir. Veramaria é acolher o amor de Deus presente em sua vida de dedicação que marcou nossas vidas de uma maneira muito especial. Assim se expressa uma das irmãs: “Eu sou muito grata por tudo o que ela fez. Nunca ouvi a Ir. Veramaria se lamentar, estava sempre agradecida por tudo. Era acolhedora, compassiva, misericordiosa e justa. Sabia organizar um ambiente agradável para as irmãs se sentirem bem. Foi sempre muito humana com as irmãs da comunidade, respeitosa e compreensiva. Mesmo fraquinha, colaborava sempre na comunidade, preparando as orações e participando da liturgia diária com muito amor, carinho e dedicação. Sempre foi prestativa e caridosa para com todas as pessoas que se aproximavam. Com tudo isso, aprendi muito com seu exemplo de vida. Ela sempre tinha uma boa palavra de ânimo e muito amor à Congregação e à Província. Cultivava o bom humor, a alegria e se fazia presente nos sofrimentos e na dor das coirmãs. Procurava ajudar e se colocava no lugar da outra, era sensível e se compadecia com a dor do próximo. Ela agia com prudência, sabedoria e bondade. Estava sempre em oração, rezava muito. Sempre dizia que estava se preparando para a eternidade. Que ia tirar isso mais aquilo, que não precisava mais… Que ia deixar apenas as coisas de seu uso pessoal e, aos poucos, foi se despojando materialmente. Isso me fez refletir muito, e é uma verdade: só Deus basta, o resto é tudo bobagem! Aprendi da Ir. Veramaria esse desapego total das coisas materiais; deixar tudo, despojar-se totalmente. Aí fica uma pergunta: o que devo deixar? O que estou buscando? O que vou levar? Obrigada, Ir. Veramaria, pelo seu testemunho e seu exemplo de despojamento. Interceda a Deus por nós junto de Deus.”

A voz inaudível do Amor que nos chama

Muitas são as vozes que ecoam em nosso mundo de hoje; muitas são as cores e os sabores que distraem nosso olhar, levando-nos para fora, para longe da fonte simples e transparente que nos mantém íntegros e em comunhão com Deus e sua missão. Entre tantas vozes está aquela que nos convida a ir ao encontro, a sermos discípulos, seguidores do Mestre. Mas, em meio a tanto barulho, onde e como podemos escutar a voz inaudível de Deus que grita nosso nome e deseja despertar nossa coragem para servi-lo? Como cristãos batizados, todos somos essencialmente designados a sermos discípulos de Cristo e, no batismo, é plantada em nós a força do amor e a coragem necessária para vivermos profundamente em comunhão com o Espírito Santo, abertos à missão de Deus. Segundo Thomas Merton, “Vivemos em um mundo transparente, e Deus brilha através dele o tempo todo”. Essas palavras nos surpreendem quando olhamos a nosso redor e enxergamos um mundo ferido, chagado pela ambição humana e obscurecido pelas crescentes catástrofes que presenciamos e pelo ódio difundido como base para construção de nossa sociedade. Voltamos então à nossa primeira pregunta: como ouvir essa voz inaudível de Deus que me chama? Como olhar ao redor e enxergar o mundo transparente sobre o qual nos fala Thomas Merton? Como sermos cristãos movidos pela graça, capazes de escutar e enxergar o caminho do Reino, em um momento histórico em que a poluição visual e auditiva impera em nosso dia a dia? Ainda Thomas Merton, em sua sabedoria, nos diz que “Temos, na verdade, de jejuar, orar, negar a nós mesmos e nos tornar homens interiores caso queiramos ouvir a voz de Deus”, para reconhecermos primeiramente em nós mesmos a voz de Deus e assim poder enxergar um mundo transparente e revelador de sua vontade. A descoberta e o cultivo de uma interioridade que nasce do silêncio e do encontro consigo mesmo é base para uma relação próxima com Deus. Essa relação nos dá acesso à consciência da presença de nosso Criador e nos possibilita estar em comunhão com Ele, abrindo espaço para que a graça divina se manifeste, pois “Não está em nós despertarmo-nos, mas é Deus que nos escolhe e nos desperta. Que nos convoca a sermos seres de transformação em tempos conturbados” (Merton, 1948). Seres de transformação que caminham pelo mundo, conhecem e vivem sua vocação de forma profunda e simples, que são capazes não apenas de enxergar um mundo transparente, mas de fazer real a presença amorosa de Deus, não porque são melhores ou mais bonitos, ou saudáveis, como nos exige a sociedade de hoje, mas porque estão conectados interiormente ao Deus da vida, ao Espírito Santo, que nos ajuda a concretizar nosso seguimento a Cristo, pela vivência do amor e da compaixão para com o próximo, pois, sem amor e compaixão, o nosso próprio amor a Cristo é uma ficção. Ir. Juliana de Andrade:Formada em Ciência das Religiões, estuda Psicologia e é Coordenadora da Animação Vocacional da Província SSpS Brasil Norte

Milhares de jovens vão às ruas em defesa do planeta

Pela primeira vez, os estudantes da Europa estão fazendo uma greve por uma causa ambiental. O movimento tem como lema “#fazpeloclima”. Nesta última semana, milhares de jovens foram às ruas das principais cidades do continente. Querem aliar suas vozes às dos mais de 9 milhões de estudantes que, segundo estimativas, aderiram à convocação mundial “#schoolstrike4climate” e “#fridaysforfuture”. Eles pretendem garantir o direito a uma vida que não esteja ameaçada pelas alterações climáticas e pela inação de muitos governantes. “A solução está nesta geração”, lembram. Entusiasmados, os jovens pintam as letras em torno de um globo azul desenhado nos cartazes de um metro e meio de largura. “Cuide do planeta como cuida de você” ou “Nós queremos ter uma Terra para habitar” são algumas das palavras de ordem. “Se as pessoas forem conscientes de que o mundo está precisando de uma ajuda, vão ver que esses movimentos são importantes”, afirma convicto Wilson, um jovem português, do alto de seus 12 anos. “Se as pessoas não abrirem os olhos para esses problemas, não haverá evolução”, reforça a colega Leonor, de 11, enquanto pintam um planeta com um olhar triste diante do que lhe está acontecendo. Em Portugal, país tão próximo a nós brasileiros, a adesão à greve climática estudantil começou a ganhar forma em janeiro, pela mão de duas estudantes da escola secundária de Palmela, Matilde Alvim e Beatriz Barroso. Elas chegaram a pensar sentar-se, em protesto, na escadaria do parlamento. Pelas redes sociais, sobretudo no Instagram e no WhatsApp, a ideia foi ficando mais consistente. O grupo foi crescendo, e a adesão à greve mundial pelo clima ganhou forma. A coordenação conta agora com cerca de 40 estudantes de vários níveis de ensino, do básico ao universitário, de várias partes daquele país. Os jovens inspiram-se na adolescente sueca Greta Thunberg, de 16 anos, que iniciou a primeira greve escolar numa sexta-feira de fins de agosto, sozinha, em frente ao parlamento sueco. “Há quem diga que eu devia estar na escola: mas por que devo preparar-me para um futuro que pode não existir?”, questionou Greta, durante uma palestra na TEDx, em Estocolmo, em novembro. No mês seguinte, discursava na Cúpula do Clima da ONU, na Polônia, acusando os líderes mundiais de não serem “Suficientemente maduros para encarar os fatos e deixarem o peso das alterações climáticas para as crianças”. Em janeiro último, no Fórum Econômico Mundial de Davos, atirou: “Eu não quero que sejam esperançosos, quero que entrem em pânico. Quero que sintam o medo que eu sinto todos os dias e depois quero que ajam”. A mensagem de Greta repete-se em suas intervenções e contagia outros jovens: “Vocês estão roubando nosso o futuro!”. Nestes dias, a adolescente foi nomeada candidata ao Prêmio Nobel da Paz. Por todo os países europeus têm surgido oficinas para fazer cartazes e atrair mais jovens para a causa. “Admito que tenho sido um colega um pouco chato”, diz Duarte Antão, de 18 anos, estudante de Direito em Coimbra e um dos membros do comitê organizador. Duarte conta que têm sido contatados pelas mais variadas associações e “até por um jardim de infância no Porto, que quer levar 30 crianças à manifestação”. “Há muito por fazer e, segundo os cientistas, temos 12 anos para agir, senão será demasiado tarde”, sublinha o jovem estudante de Coimbra. “O movimento é descentralizado e incentiva o empoderamento e o ativismo jovem. Queremos chamar a atenção para a urgência na ação”, sublinha Carolina Silva, de 18 anos, estudante de Psicologia também em Coimbra. A seu lado, Matilde Alvim, Rita Vasconcelos, Margarida Marques, Beatriz Barroso e Duarte Antão acenam em confirmação. “Esta greve é só o começo”, sublinham numa declaração conjunta. “Com certeza, os jovens acordaram!” Os jovens no mundo chamam a atenção para a “urgência da ação”, na qual incluem a aposta nas energias renováveis (sobretudo na solar), o fechamento das centrais termoelétricas e o fim da exploração de combustíveis fósseis. É preciso reduzir em 55% as emissões de gases de efeito de estufa, como o CO2, até 2030, e em 85% até 2050. Estima-se também que, em meados do século, as emissões que restarem serão compensadas pelas florestas que, vão absorvê-las. Para os jovens, porém, principalmente da Europa, falar em “metas para 2050 é incoerente com a urgência” e defendem que cabe aos governos priorizar essa questão. Lembram que o degelo dos polos se acentua, que a subida do nível do mar é cada vez mais crescente e que os fenômenos climáticos extremos são sentidos cada vez mais com frequência. Diante dessa realidade, afirmam convictos: “Continuamos decididos, empenhados e atentos, e lutando por ter um ambiente sadio onde possamos ter um futuro”. “Nós, os jovens, começamos a nos mexer. Nós vamos mudar o destino da humanidade, quer os adultos, os governos, gostem ou não. Unidos vamos elevar a nossa voz até vermos concretizada uma justiça climática. Exigimos que quem toma as decisões do mundo assuma a responsabilidade e resolva a crise climática”, declaram os organizadores da greve. Os jovens estão dando o primeiro grande passo, mas não querem ficar por aí. Eles mostram-se atentos e rebeldes por uma causa de salvação da humanidade. Irmã Luciana Rzepka, SSpS – Professora universitária, educadora, teóloga, bióloga, palestrante, pós-graduada em Ciências da Religião, mestranda em Teologia Bíblica.

A paz depende também de nós

Ao ver tantas situações de sofrimento em nosso País e no mundo, tantas tragédias causadas pela natureza ou pela violência humana, conflitos e guerras em diferentes países, preconceito, fome, miséria, destruição da natureza, abusos de crianças, corrupção e todo tipo de crimes, sinto que estamos chegando ao limite. Muitas vezes, eu me pergunto: o que está acontecendo com nosso mundo? O que está acontecendo no coração do ser humano? Parece-me que estamos colhendo os frutos do ódio, da exploração, da ganância, da perda dos referenciais de fé e da falta de ética e cuidado com os seres humanos e com nosso planeta. Mas será que há alguma coisa que podemos fazer para reverter essa realidade? Com certeza, há, mas depende de cada ser humano, de cada pessoa fazer a sua parte. Num Universo onde tudo está interligado (cf. Laudato Si’), tudo o que acontece ao nosso redor influiu dentro de nós. Mas também o que acontece dentro de nós influiu no mundo a nosso redor. Por isso há uma grande variedade de pequenas ações que estão a nosso alcance e podem fazer uma grande diferença. Por exemplo, se queremos paz no mundo, podemos buscar a paz e a reconciliação dentro de nós e com as pessoas com quem nos desentendemos. Perdoar e pedir perdão pode ser o começo de uma grande transformação. Cultivar a serenidade de espírito, a harmonia, o acolhimento, a tolerância diante das outras pessoas pode transformar o ambiente de trabalho, diminuir o estresse e tornar a vida mais gratificante para mim e para os outros… A meditação e a oração têm o poder de criar o ambiente interior onde as mudanças do pensamento e das atitudes se tornam reais. Cultivar a raiva, o ódio, a crítica destrutiva, a reclamação vai gerar atitudes destrutivas, negativas que prejudicam a mim mesma e aos outros. Mas podemos mudar nossos pensamentos. Bons pensamentos geram bons sentimentos, os quais, por sua vez, levam a atitudes positivas que geram ações que constroem o bem comum. Acreditando nisso, convido você a rezar comigo esta oração, pedindo a Deus a graça da transformação deste mundo violento num mundo de paz, começando com a mudança do meu e do seu mundo interior, de tudo aquilo que ainda precisa ser pacificado e transformado em amor. Oração pela Paz Senhor, diante de ti, trazemos a dor da humanidade que luta e sofre em busca de paz. Trazemos a angústia das vítimas da violência, injustiças e opressão. Trazemos o desespero dos que perderam os entes queridos em situações de conflito. Trazemos também o nosso coração ferido, sedento de tua paz e de teu amor. Queremos, ó Deus, consagrar o dia de hoje à causa da paz, para que chegue o tempo em que todos os dias serão dias de paz. Dá-nos, Senhor, tua luz para construirmos a paz em nossos relacionamentos. Dá-nos, Senhor, tua paz, para aprendermos a acolher sem preconceitos e respeitar a dignidade de cada ser humano. Dá-nos, Senhor, tua paz, para reconhecermos, em cada pessoa, o nosso semelhante e, em toda a criação, o dom generoso de teu amor. Transforma a violência e a injustiça que habitam dentro de nós em dom do amor e compaixão que geram paz. Amém. Irmã Ana Elídia Caffer Neves, SSpSJornalista, membro da Equipe de Comunicação Congregacional e coordenadora de Comunicação da Província Stella Matutina (BRN)

Missão e espiritualidade dos missionários leigos de Deus Uno e Trino

“A onipotência do Pai, a sabedoria do Filho e o amor do Espírito Santo.” Santo Arnaldo Janssen O momento histórico-político-social demanda que cada cristão seja testemunha do amor misericordioso de Deus, testemunha da ação e revelação de Jesus Cristo vivo, a partir do diálogo, da partilha e da comunhão. Somos chamados a construir uma sociedade centrada no amor, como explica Santo Agostinho: “O Pai é o que ama, o Filho é o amado, e o Espírito Santo é o amor”. Desde a década de 1960, o Concílio Vaticano II nos convida a retomar as bases do carisma congregacional, renovando a fidelidade, bebendo das revigorantes fontes da espiritualidade das origens. Dessa forma, a animação na espiritualidade trinitária tem um papel fundamental desde a geração fundante, pois é o enraizamento da vida pessoal e comunitária na Trindade que dá sustento à missão dos verbitas, das missionárias servas do Espírito Santo, das irmãs da Adoração Perpétua como também para os missionários leigos de Deus Uno e Trino (MLDUT). Até hoje, existem várias iniciativas de animação espiritual. Deve-se a Santo Arnaldo Janssen e às cofundadoras, as Bem-Aventuradas Madre Maria e Madre Josefa, a centralidade trinitária e o amor ao Espírito Santo. Como MLDUT, tive a benção de participar de um encontro de aprofundamento no carisma, no Centro de Espiritualidade Arnaldo Janssen (CEAJ), em Steyl, Holanda, em 1999, juntamente com as irmãs servas do Espírito Santo Aglaé Pascoal (in memoriam), Heloíse Matos e um grupo de nove lideranças das escolas da Província Brasil Norte (BRN) das SSpS. Todas as obras buscam ser um louvor à Trindade Santa, por meio da doação gratuita aos irmãos nas creches comunitárias, no centro de integração do migrante, na comunicação, no apoio à população de rua, nas visitas assistenciais dos missionários leigos e tantas outras frentes de trabalho nas quais toda família Arnaldina se empenha, visando à justiça, paz e integridade da criação. Hoje, na Família Arnaldina, a missão é entendida de um modo diferente e mais abrangente. Padre Pernia, SVD, explica que “As gentes estão também aqui entre nós e ao nosso redor. Pode ser a família que mora ao lado, a pessoa que se senta a meu lado no ônibus, o técnico que vem fazer um conserto em minha casa ou a senhora que me atende na feira ou no mercado. Hoje, necessitamos entender a missão ad gentes (chamado missionário além-fronteiras) também como missão inter gentes (missão como lugar de encontro e diálogo no meio das pessoas). A missão inter gentes pode enriquecer nossa compreensão da missão hoje. Não como substituição da missão ad gentes, mas como complemento”. “Nossa tarefa é abrir os corações de todos os homens ao amor.”Madre Josefa Missão da Família Arnaldina Congregação dos Missionários do Verbo Divino: tem a missão especial de anunciar a Boa-Nova de Jesus Cristo em situações em que a necessidade é maior. Congregação das Missionárias Servas do Espírito Santo: dedicam-se, sobretudo, às pessoas excluídas pela sociedade, minorias e povos ameaçados, refugiados, migrantes… Congregação das Missionárias das Servas do Espírito Santo da Adoração Perpétua: irmãs adoradoras espalhadas em quatro continentes, em vinte conventos existentes nos EUA, Argentina, Brasil, Alemanha, Chile, Holanda, Polônia, Filipinas, Índia, Indonésia e Togo. Missionários Leigos de Deus Uno e Trino: a presença dos leigos e das leigas na Congregação das Missionárias Servas do Espírito Santo e na Família Arnaldina como um todo vem desde o tempo da fundação. Os MLDUT são chamados a viver a espiritualidade trinitária e com o carisma missionário inter gentes (no lar, no trabalho, na recreação, na oração, na Igreja e na sociedade), para tornar o amor de Deus Uno e Trino conhecido, amado e glorificado por todas as pessoas. Para isso, procuramos novos caminhos para cumprir nossa tarefa missionária: • partilhar com as pessoas a experiência pessoal e comunitária do Deus Uno e Trino; • ler, rezar, estudar, partilhar a Palavra de Deus e participar da Eucaristia como ato central de nossa vida; • discernir os movimentos do Espírito nas realidades socioeconômico-político-culturais, mediante ações pela justiça, paz, preservação da natureza e defesa da vida humana; • promover a vocação missionária dos leigos, apoiá-los em sua formação e envio a lugares onde são muito necessitados; • promover e incentivar as vocações sacerdotais, religiosas e missionárias, por meio da oração, do discernimento e da ajuda financeira; • fazer promoções em benefício do trabalho de missionário inter gentes e ad gentes, fundamentado na espiritualidade; • trabalhar de mãos dadas com as irmãs SSpS, as irmãs SSpSAP e os missionários do Verbo Divino pela evangelização do mundo e para realizar nosso lema comum: “Viva Deus Uno e Trino em nossos corações e nos corações de todas as pessoas”. Segundo o Concílio Vaticano II, cada leigo deve ser, perante o mundo, uma testemunha da ressurreição e um sinal do Deus vivo. Todos, em conjunto, e cada um, por sua parte, devem alimentar o mundo com frutos espirituais (cf. Gl 5,22) e nele difundir aquele espírito que anima os pobres, mansos e pacíficos, que o Senhor no Evangelho proclamou bem-aventurados (cf. Mt 5,3-9). Numa palavra, “Sejam os cristãos no mundo aquilo que a alma é no corpo”. Maria, Mãe e Estrela da Nova Evangelização, guie os próximos passos para que sejamos cada vez mais enraizados na Palavra, para tornar Deus Uno e Trino, conhecido, amado e glorificado por todas as pessoas, grupos, povos e nações. Cristina Maia Além de professora universitária, mestre em Sistemas de Gestão e doutoranda em Educação, é missionária leiga de Deus Uno e Trino e membro da Equipe de Espiritualidade Nacional SSpS/SVD. ___ __ “Que Jesus nos conceda a graça de sermos repletos do Espírito Santo.”Madre Maria Helena Fontes: Constituição Lumem Gentium. In: Documentos do Concílio Vaticano II: constituições, decretos, declarações. Petrópolis: Vozes, 1966. SACARDO, Ir. Matilde W., SSpS. Manual dos Missionários Leigos de Deus Uno e Trino, 1996. A Santíssima Trindade e a geração fundante. Disponível em: http://www.novosite.ssps.org.br/arquivos/10/downloads/geracao-fundante.pdf. Acesso em: 15 mar. 2019. A Santíssima Trindade: mistério de amor. Disponível em: https://pantokrator.org.br/po/artigos-pantokrator/a-santissima-trindade-misterio-de-amor/. Acesso em: 15 mar. 2019. Espiritualidade missionária. Disponível em: https://www.ssps.org.br/.

Uma comunidade a serviço da juventude

A Comunidade Madre Josefa, em Belo Horizonte-MG, tem como missão a formação das jovens que desejam entrar para a Congregação das Missionárias Servas do Espírito Santo. Nos últimos anos, o lugar acolheu as aspirantes e as postulantes de primeiro ano, introduzindo as jovens vocacionadas no estilo de vida comunitária e preparando-as para os passos seguintes da formação inicial. Você já imaginou como uma jovem se torna uma missionária SSpS? Neste vídeo, você vai ter uma ideia de como é pelo menos nas etapas iniciais. Você vai poder ver como é o cotidiano da vida comunitária e da missão. As jovens partilham também seus sonhos e suas buscas, enquanto as irmãs apresentam os desafios e a proposta da comunidade. Você vai perceber que a diversidade de cultura e de idades também fazem parte da formação numa congregação internacional, e grande parte do processo de formação se dá na convivência comunitária. É claro que as jovens estudam e fazem cursos, mas é no dia a dia que vão aprendendo as atitudes e o jeito de ser de uma missionária serva do Espírito Santo. Nesse sentido, é importante o testemunho e a presença de Ir. Giselda Kerber que, aos 83 anos (quando o vídeo foi gravado), dá um show de dedicação à missão. Assista ao vídeo:

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