Encontro com Nicodemos (Jo 3,1-13)

Olhando os evangelhos, vemos Jesus quase sempre rodeado de pessoas pobres, doentes, excluídas. Inclusive, muitas vezes, nem o nome destas é citado. Por isso não deixa de chamar-nos a atenção o relato do encontro entre Jesus e Nicodemos. Pois o texto nos diz que Nicodemos era membro da aristocracia de Jerusalém. A palavra usada para descrevê-lo é archon. Quer dizer, o que era membro do Sinédrio. Este era um tribunal de setenta membros e era a suprema corte dos judeus. Aliás, Nicodemos deve ter sido ser muito rico (cf. Jo 19,39). Outro detalhe que temos é que Nicodemos era um fariseu (v. 1) e, portanto, era gente boa. Como assim, gente boa? Pois é, ao contrário do que comumente ouvimos, os fariseus eram a melhor gente de todo o país, porque se dedicavam a observar a Lei. Lembremos que, para um judeu, a Lei é sagrada, pois ela é a mais perfeita Palavra de Deus. Na Lei, explícita ou implicitamente, encontra-se tudo o que uma pessoa precisa para viver uma vida digna. A Lei encontra-se expressa nos primeiros cinco livros do Antigo Testamento. A Lei consta de grandes, nobres e amplos princípios que o homem deve elaborar por si mesmo. Contudo, com o passar do tempo, entre os estudiosos da Lei, surgiu uma afirmação que dizia: “A Lei é completa; de maneira que, nela, deve haver uma regra e uma regulação para governar todo o possível da vida”. Logo, eles se dedicaram a extrair dos grandes princípios da Lei um número infinito de normas e regulamentos. Os escribas eram os que elaboravam esses regulamentos, e os fariseus eram os que dedicavam suas vidas a obedecê-los. Sendo fariseu, Nicodemos era convencido de que agradava a Deus, por isso nos surpreende que procurasse Jesus. O Evangelista nos diz que era de noite quando Nicodemos se aproximou de Jesus (v. 2). Temos duas possíveis explicações para a afirmação “de noite”. Primeiro pode ter sido uma medida de precaução, para não expor o Sinédrio ou porque Nicodemos sinceramente não tenha querido comprometer-se. Outra razão, no caso, mais plausível, é que os rabinos afirmavam que a noite era o melhor momento para o estudo da Lei. De algum modo, na escuridão da noite, é que Nicodemos procurou Jesus. Quem sabe nele achasse luz à suas mais profundas interrogações? No diálogo entre ambos, há uma série de perguntas e declarações que suscitam mais interrogantes. Será que a intenção do autor é propor-nos uma metodologia que nos faça pensar e encontrar, também nós, as respostas que buscamos “… ‘Rabi, sabemos que vens da parte de Deus como mestre, pois ninguém pode fazer os sinais que fazes se Deus não estiver com ele’. Jesus lhe respondeu: ‘Em verdade, em verdade, te digo: quem não nascer de novo não pode ver o Reino de Deus’” (vv. 2b-3). Num primeiro momento, vemos um Nicodemos maravilhado pelos sinais que Jesus vinha realizando no meio do povo. Os sinais de Jesus que deslumbraram Nicodemos seguem fascinando hoje muitas pessoas. Tanto é assim que o comércio, sabendo de nossas buscas, tem-se mascarado de religioso e, a todo custo, vende-nos a ilusão dos sinais de Jesus. Mas estejamos atentos, pois a proposta de Jesus a Nicodemos, de uma mudança radical, também é para nós! “Jesus lhe respondeu: ‘Em verdade, em verdade te digo: quem não nascer de novo não pode ver o Reino de Deus’” (v. 3). Será que, por detrás desse desafio, Jesus está pedindo que permitamos que seja Ele quem nos faça nascer de novo? A resposta de Nicodemos deixa transparecer sua busca por esse novo nascimento, mas questiona sua possibilidade: “Como pode um homem nascer, sendo já velho” (v. 4). O nascimento novo não era lago estranho aos conhecedores da Escritura hebraica, portanto Nicodemos sabia dele (veja, por exemplo, 1Sm 10,6; Is 32,15; Ez 36,25-27; 37). Entretanto, parece-nos que o problema era que Nicodemos não estava reconhecendo Jesus como Messias, apenas queria discutir com ele como mestre, num nível de conhecimento semelhante. Jesus, porém, fala a Nicodemos numa analogia terrena (água, carne, vento…) e, se Nicodemos não podia compreender isso, como poderia crer se lhe falasse das coisas do céu? Crer é mais do que aceitar racionalmente Jesus e seus ensinamentos. Crer é ter a certeza de que Deus caminha conosco. Crer é confiar que as palavras de Jesus, o Filho de Deus, podem-nos mudar e que essa mudança é tal que somente pode descrever-se como voltar a nascer. Mas essa mudança só é possível pela graça de Deus: “O Vento sopra onde quer, e ouves o seu ruído, mas não sabes de onde vem nem para onde vai. Assim acontece com todo aquele que nasceu do Espírito” (v. 8). Jesus usa a metáfora do vento para descrever a maravilhosa experiência que podemos ter quando Deus se move em nós por meio de seu Espírito. Pois nem o vento nem os movimentos do Espírito de Deus podem ser controlados por ninguém. A presença do Espírito nas pessoas é comprovada pelo efeito que exerce em sua vida. Por isso o seguimento de Jesus não se mede por guardar a Lei nem pelas belas pregações ou pelo conhecimento dos textos sagrados, mas por um amor igual ao de Jesus. Um amor capaz de pôr-nos em movimento para testemunhar que Deus vive e, por isso, o mal que destrói a humanidade pode ser vencido. Irmã Juana Ortega, SSpS, é teóloga especializada em Bíblia. Nasceu no México, trabalhou em Moçambique e colabora na Animação Vocacional.

Liderança transformacional é tema de Seminário Panam

Para as missionárias servas do Espírito Santo (SSpS), a liderança é um serviço necessário para o bom desempenho da missão e que, para ser realizado com eficácia, exige formação. Com a finalidade de melhor preparar seus membros, a Congregação está realizando, de 28 de abril a 3 de maio, em São Paulo-SP, o 1º Seminário de Formação para Equipes Provinciais e Regionais SSpS em nível Panam. Participam do encontro os membros das 11 coordenações provinciais e regionais SSpS do continente americano, num total de 43 irmãs, incluindo duas representantes da Direção-Geral da Congregação, vindas de Roma: irmãs Margareth Leslie Hansen e Maria Cristina Ávalos. Estão presentes missionárias do Chile, Bolívia, Argentina (Missiones, Norte e Sul), Paraguai, México, Cuba, Estados Unidos, Brasil (Norte e Sul) e Itália. A abertura do seminário foi no domingo, com a celebração da missa, e continuou com dinâmicas de grupo para que todas as participantes se conhecessem. A tarde foi dedicada ao aprofundamento da Palavra de Deus que inspirou o evento: “Dai-lhes vós mesmos de comer” (Mc 6,30-44). As irmãs Heloíse Matos, Maria de Fátima Marques e Ir. Paolo Delucca, da equipe de bibliodrama, dinamizaram o encontro com reflexões em grupo, partilha e danças. Durante a semana, as equipes de coordenação refletirão sobre a liderança transformacional, abordando aspectos como trabalho em equipe, estratégia de planejamento e organização, mediação de conflitos e cultura vocacional, entre outros. De acordo com a coordenação do seminário, o objetivo é favorecer um espaço de formação para as equipes provinciais e regionais, no qual será possível experimentar o trabalho em equipe com base na vivência da comunhão, à luz da espiritualidade trinitária, característica da Congregação. Irmã Maria Percila Vieira, da equipe de coordenação Panam, explica que, além do aprofundamento do tema, “o seminário está proporcionando a partilha de experiências, o intercâmbio de informações e a aproximação entre as equipes dos diversos países, o que favorecerá ações conjuntas para o futuro”. Para a conselheira-geral, Ir. Maria Cristina, o seminário “é uma fonte de energia para continuar a construir a comunhão no interior das comunidades”, de modo especial neste ano em que vivenciamos a comunhão dentro da Congregação, em preparação ao próximo Capítulo-Geral. Ela destacou também a abertura e o compromisso das irmãs “em buscar crescer e apostar na vida, defender e construir a vida”. Irmã Margareth acrescenta que, com tantas responsabilidades e decisões que precisam ser tomadas, as equipes de liderança frequentemente não têm o tempo necessário para se encontrar e escutar umas às outras. Assim, o seminário “é uma oportunidade de estar juntas como equipes de Panam, sentir o apoio mútuo, questionar-se e buscar outros caminhos de colaboração”. Ao fazer uma síntese sobre o andamento do seminário, Ir. Maria Cristina afirma: “Sentimos realmente a dinâmica, a presença do Espírito Santo entre nós, através da alegria e do entusiasmo entre todas, portanto estamos muito contentes”. Entre as atividades previstas, está também uma peregrinação à Basílica Nacional de Aparecida, no dia 2 de maio, quando terão oportunidade de conhecer um pouco sobre a fé do povo brasileiro. O encerramento será no dia 3. No dia seguinte, haverá ainda a assembleia de provinciais para eleger a nova equipe de coordenação Panam. Veja alguns momentos do seminário:

À Luz do Evangelho Dominical – Segundo Domingo da Páscoa

Para marcar os 40 anos de fundação, a produtora católica Verbo Filmes está produzindo uma série de vídeos sobre o Evangelho. “À Luz do Evangelho Dominical” são reflexões a partir do contexto atual e da tradição da Igreja que publicaremos semanalmente.

Semana Santa no Córrego do Feijão

O Córrego do Feijão é um bairro rural do Município de Brumadinho, Região Metropolitana de Belo Horizonte-MG. No censo demográfico de 2010, foram contados ali 415 residentes. Com o rompimento da barragem da Mina do Feijão, essa comunidade foi a primeira a ser atingida pela lama de rejeitos. Desde então a comunidade passou a viver um verdadeiro pesadelo: gritos sufocados pela lama, perdas de pessoas queridas, histórias de vida destruídas, o desespero diante de tanta dor, os incontáveis dramas pessoais e familiares. É impossível permanecer indiferente diante de um crime dessa magnitude. É urgente contribuir, de alguma forma, para se ir aos poucos tecendo, reconstruindo, preparando a vitória da vida sobre a morte, verdadeiro sentido da Ressurreição, reconstrução e renascimento, retirar da lama e trazer novamente para primeiro plano a dignidade das pessoas: “Perdi meu pai, um primo, o direito de ir e vir, a dignidade, a paz”. Foi certamente com esses objetivos que a Conferência dos Religiosos do Brasil (CRB/Belo Horizonte) organizou, para a Semana Santa, uma missão, priorizando os bairros mais atingidos pelo rompimento da barragem da Companhia Vale. Por meio das irmãs missionárias servas do Espírito Santo (SSpS), solicitei e fui integrada ao grupo para o trabalho específico com os florais de Bach, com as terapeutas florais, Ir. Ana Elídia Neves e Francisca Romana da Costa. Os florais são reconhecidos pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como uma terapia complementar, eficaz, no reequilíbrio do estado emocional, restaurando a harmonia e o bem-estar. Meu trabalho foi o preparo dos florais indicados, adequados ao estado emocional de cada pessoa. É um momento que exige muita concentração e interiorização, para facilitar o contato com o Senhor da Vida, pedindo para aquela pessoa novas forças, esperança, assim como o desejo de uma nova postura diante do crime que se abateu sobre ela. Assim, pela divulgação que naturalmente foi acontecendo, as pessoas foram chegando, trazendo outras, e outras, e outras, o que nos proporcionou realizar um trabalho intenso, atingindo um número de pessoas acima do previsto para o tempo de que dispúnhamos. Também participamos das celebrações da Semana Santa, tradição na pequena comunidade. Significativo foi o Sábado Santo, com o “plantio” de grãos de feijão em um vaso devidamente preparado, representando cada pessoa ali presente, acrescentando quem mais quisessem “plantar”, simbolizando que a comunidade do Córrego do Feijão, atingida pela lama que soterrou pessoas queridas, sonhos, esperanças, histórias, agora, pela força da Ressurreição de Jesus, também ressurgirá, e, unidos, construirão uma nova vida, abertos ao belo que o novo também traz. Agradeço imensamente às SSpS pela oportunidade que me foi dada, de poder acrescentar outras “vidas à minha história, novas lições que me tornam mais pessoa, mais humana, mais completa”, porque “sou feita de retalhos, de pedacinhos coloridos de cada vida que passa pela minha e que vou costurando na alma. E a melhor parte é que nunca estaremos prontos, finalizados… Haverá sempre um retalho novo para ser costurado” (“Sou feita de retalhos”, de Cris Pizziment). Ana Lúcia Florêncio é educadora e missionária leiga A morte e a ressurreição que vêm da lama Três meses depois, o verde começa a cobrir a lama de rejeitos provenientes da barragem e que enterrou pelo menos 270 pessoas. Destas, 233 já foram identificadas e 37 ainda estão sendo procuradas pelos bombeiros. Mas, para os moradores que perderam familiares, vizinhos e tantos amigos, a dor ainda está longe de se atenuar. Várias famílias ainda buscam pelo corpo desaparecido, para darem o adeus final. Para todos eles, a realidade é uma só: a vida nunca mais será a mesma… Uns pensam em sair de lá para não conviver com as lembranças, outros ainda não conseguiram assimilar que seus entes queridos jamais voltarão… Alguns descrevem os gritos dos trabalhadores que não conseguiam escapar da lama… São histórias cheias de terror pelo acontecido e de insegurança pelo que virá depois. Nesse contexto, nossa equipe missionária, coordenada pela CRB de Belo Horizonte, acompanhou as celebrações do Tríduo Pascal na comunidade de Córrego do Feijão. Como o padre estava se desdobrando para atender às 14 comunidades da paróquia, celebramos de maneira simples e informal, para que a comunidade pudesse partilhar a vida e se apoiar na palavra de Deus. Na Quinta-Feira Santa, refletimos sobre o serviço prestado com amor, que pode dar um novo sentido a quem sofre. Na Sexta-Feira da Paixão, caminhamos pelas ruas do bairro, rezando a paixão de Cristo e a paixão deles mesmos… A lama vai aos poucos sendo coberta pelo verde que insiste em crescer, mas a contaminação persiste… E o rio Paraopeba? Quando suas águas poderão voltar à vida? Assim como foi difícil para os discípulos de Jesus acreditar na ressurreição, também o é para os moradores de Córrego do Feijão. Por isso, foi escolhido o símbolo da semente. Ela parece morta, mas a vida está escondida dentro dela, esperando uma chance para se manifestar. Assim, durante a Vigília Pascal, a comunidade plantou grãos de feijão. O compromisso de cuidar para as sementes poderem nascer e crescer é também o de cuidar uns dos outros, na certeza de que, apesar de tudo, a vida continua e é preciso redescobrir a alegria de viver e de amar. Contrastando com esse cenário, o Domingo Pascal foi de muita solenidade e festa. A Vale reformou a Igreja de Nossa Senhora das Dores e a casa paroquial, que haviam sido transformadas em campo de operação de resgate, e lhes deu um novo visual, com gramados e jardim. Uma pequena prova de boa vontade que não apaga a omissão e a irresponsabilidade diante de uma tragédia criminosa que poderia ter sido evitada. Aos moradores do Córrego do Feijão deixamos nossa prece, nosso carinho e a esperança de que a vida é mais forte que a morte. As sementes da ressureição, mais cedo ou mais tarde, desabrocharão. Irmã Ana Elídia Caffer Neves, SSpSJornalista, membro da Equipe de Comunicação Congregacional, coordenadora de Comunicação da Província Stella Matutina (BRN) e terapeuta floral. ____

Encontro ao amanhecer (Jo 20,1-18)

Nos relatos da Páscoa, os evangelistas narram, de diversas formas, as experiências de encontro dos discípulos com Jesus ressuscitado. Neste breve escrito, porém, nós nos deteremos concretamente no encontro entre Jesus e Maria de Mágdala, narrado pelo evangelista João. É interessante observar os elementos que compõem a cena: tempo, lugar, agentes e ação: “No primeiro dia da semana, bem de madrugada, quando ainda estava escuro, Maria Madalena foi ao túmulo e viu que a pedra tinha sido retirada do lugar” (v. 1). Tanto Maria como todos nós, quando perdemos alguém que amamos, sentimos intenso desejo de recuar no tempo, para estarmos junto dessa pessoa e retê-la conosco. O fluxo narrativo dessa cena nos introduz a compartilhar da “hora zero” da salvação, ou seja, a participarmos da transição da morte para a vida, da escuridão para a luz (“bem de madrugada, quando ainda estava escuro”). Nesse primeiro versículo, vemos Maria totalmente tomada pelo luto, e isso lhe impede de compreender a ressurreição. Os dois primeiros verbos, “foi” e “viu”, movimentam já o posterior desenlace, pois descrevem a chegada de Maria ao sepulcro e a descoberta do túmulo vazio. A seguir, temos mais três verbos que nos situam na expectativa de um novo encontro: “corre” e “vem” até Pedro e o Discípulo Amado e lhes “diz”: “Tiraram do túmulo o Senhor e não sabemos onde o colocaram” (v. 2). Maria aparece ainda bem confusa. Nossa formação religiosa parece deter-se na crucifixão e deixar por entendida a experiência da ressurreição. Nessa ótica, a confusão de Maria perante os sinais da ressurreição torna-se sinal para sairmos do costume ritual, dos chavões e adentrar-nos na experiência da ressurreição de Jesus Cristo. Maria considerava o cadáver de Jesus como se fosse o Senhor Jesus e por isso retornou ao sepulcro: “Maria tinha ficado perto do túmulo, do lado de fora, chorando. Enquanto chorava, inclinou-se para olhar dentro do túmulo (v. 11)”. O primeiro momento dela é de desilusão. A descrição do estado de ânimo de Maria (ela chora) reafirma a incompreensão diante dos acontecimentos, pois ela ainda estava pressa à ideia de que a morte é o fim de tudo. Certamente o sepulcro vazio é uma prova de que Jesus não está mais ali, porém ainda não é a evidência definitiva da ressurreição. Entretanto nos chama a atenção a repetição do movimento: ela se “curva para ver dentro do túmulo: vê os anjos… Logo se vira para fora” e vê Jesus, mas não o reconhece; pensa que é o jardineiro (cf. vv. 12 e 14). Ou seja, Maria ainda não “entendeu” a aparição. “De fato, ainda não tinham compreendido a Escritura, segundo a qual Ele devia ressuscitar dos mortos” (v. 9). Seguindo o brevíssimo diálogo entre Jesus ressuscitado e Maria Madalena, notamos o processo de saída à luz de Maria. Pois, submersa na tristeza e na desesperança, não percebe que a vida é que vence a morte e não o contrário. Por isso, quando Jesus lhe pergunta por que ela chora e quem ela buscava, ela está mais ainda no escuro e não o reconhece. “Então Jesus falou ‘Maria!’. Ela voltou-se e exclamou em hebraico ‘Rabbuni!’, isto é, Mestre” (v. 16). O tom do diálogo agora é pessoal (“Maria!”, “A quem procurais”). Imediatamente Maria deixa de observar o túmulo e fixa o olhar no brilho do Senhor ressuscitado, o seu “Mestre”. Em nenhum momento Jesus se impôs, porém, deixando-se encontrar, tenta responder às inspirações mais profundas do discípulo, da discípula. Maria se encontra com Jesus vivo, início da nova Criação. E a experiência de ser amada e acolhida como discípula a fortalece para ir anunciar e testemunhar o Ressuscitado: “Vai dizer a meus irmãos: ‘Subo a meu Pai e vosso Pai, meu Deus e vosso Deus’” (v. 17). Maria Madalena se torna então a primeira missionária na pregação e no ministério da Igreja: “‘Eu vi o Senhor!’, e contou o que ele lhe tinha dito” (v. 18). O caminho percorrido por Maria de Mágdala é o da fé, que passa pela crise para chegar a ver, face a face, o Ressuscitado. Existem experiências nas nossas vidas que, pelo seu impacto, jamais serão esquecidas. O encontro ao amanhecer é uma destas que marcaram os discípulos desde o começo. A partir de então, eles caminhariam numa relação de intimidade e convivência no amor com o Ressuscitado. Como Maria Madalena, alegremo-nos, pois Cristo está vivo e está presente entre nós! E seja de noite ou ao amanhecer, o Ressuscitado nos segue, chamando cada um pelo nome e nos espera no amor. Jesus Cristo confia em nós como confiou em Maria e em tantos outros discípulos e discípulas. Por isso nos envia a tecer relações de vida nova e a superar as ideologias de morte do capitalismo monopolista. Deixemo-nos interpelar pela experiência de Maria e que, no Espírito Santo, possamos hoje com ela dizer: “Eu vi o Senhor!”. Irmã Juana Ortega, SSpS, é teóloga especializada em Bíblia. Nasceu no México, trabalhou em Moçambique e colabora na Animação Vocacional.

“Tomem e comam”

“Desejei ardentemente comer esta ceia com vocês antes de sofrer” (Lc 22,14). Meu coração se consome de dor por ter de deixá-los. Por isso, invoquei o Pai, e Ele me concedeu uma maneira de continuar presente em cada um, cada uma de vocês. Meus sentimentos de amor, carinho e saudade já se antecipam à despedida. Sim, quero deixar-lhes um presente. Quero dar-lhes a mim mesmo como presente para que vocês possam continuar comigo. Como tudo que experimentei do Pai é verdadeiro, eis uma forma de permanecer, mesmo Eu tendo de partir. Quero tanto que vocês, meus discípulos e discípulas, experimentem em mim o que experimentei do Pai. E eu, mesmo partindo, continue tão vivo e presente em vocês como o Pai está em mim… Tinha de ser algo simples, mas profundo, capaz de transformar o mundo. Escolhi, então, a ceia, pois nada é tão íntimo como a amizade que nos une. E compartilhar o alimento representa a comunhão de nossas vidas. Então escolhi o pão, alimento que sustenta e sacia. Mas quero dar-lhes algo que seja mais que o pão. Quero lhes dar a mim mesmo! “Eu sou o pão da vida!” (Jo 6,35). Comam, isto é o meu corpo… Assim, alimentando-se de mim, minha vida circula em cada um de vocês. É a união perfeita do amor: Eu em vocês e vocês em mim. Assim, somos um, um único corpo. Da mesma forma, o sangue, derramado em sacrifício e redenção pelos pecados… É este sangue que lhes dou como bebida, este mesmo sangue gerado no ventre de Maria, alimentado com o amor do Pai e impregnado da essência da vida. O que melhor que o vinho para o assumir? O fruto da videira, esmagado e fermentado, transformado em espírito de festa e de alegria… O vinho da nova e eterna aliança, o vinho do nosso amor e amizade, e de tudo quanto compartilhamos… Este é o meu sangue! Tomai e bebei para que, circulando em suas veias, vocês possam participar da vida eterna que gozo junto do Pai. Venham! Aproximem-se. Este é o presente que lhes dou. Sou eu mesmo! Meu corpo e meu sangue! Agora não será mais despedida. Agora só encontro, permanência, comunhão. Não, não morrerei! A vida é mais forte do que a morte. Estarei com cada um, cada uma de vocês para sempre, e os alimentarei com meu corpo e meu sangue. Este é um compromisso eterno, selado com o sangue derramado na Cruz e confirmado pela Ressurreição. Venham, aproximem-se! Não há mais nada por que temer. Eu sou a VIDA, não existe mais a morte. Nem para mim nem para quem está comigo! Irmã Ana Elídia Caffer Neves, SSpSJornalista, membro da Equipe de Comunicação Congregacional e coordenadora de Comunicação da Província Stella Matutina (BRN)

Encontro no Getsêmani

Os sinóticos narram o encontro de Jesus no Horto das Oliveiras, ou Getsêmani, enfatizando os dois fatos cruciais nesse lugar: a oração e a prisão de Jesus. Ambos os momentos estão impregnados de simbolismos e detalhes que devemos contemplar se almejarmos uma aproximação da experiência que os evangelistas nos querem transmitir, sobre a própria história da paixão de Jesus (ler Mc 14,32-42; Mt 26,36-46; Lc 22,40-46). Seguindo a narrativa de Marcos (14,32-42), a oração no Horto nos insere no quadro do chamado de Jesus aos discípulos, expresso em Marcos (8,34): “autorrenúncia”, “tomar a cruz” e “perder a própria vida para salvá-la”. Todos os elementos estão ligados entre si e já predizem o tema da paixão que se concretizará naquela “noite silenciosa”, no Getsêmani. O evangelista nos mostra, assim, que os acontecimentos da paixão e morte de Jesus são esperados, contudo a linguagem que usa para descrever a experiência de Jesus no Horto é muito forte: ele “mergulha na tristeza” (ekthambeisthai) e na “angústia” (ademonein). Trata-se da revelação de um alto grau de sofrimento e até de terror próprio do ser humano ante a proximidade da morte. Em nosso contexto, a tortura e o assassínio, em suas diversas facetas, tornam-se cada vez mais triviais. É incrível ver como as sociedades que justificam e acolhem mortes cruéis mergulham, sem culpa nem remorso, em dinâmicas perniciosas. Isso se percebe até mesmo na midiatização dos acontecimentos, pois há casos de extermínios (genocídios, etnocídios, feminicídios, atentados, etc.) nos quais as notícias focam em detalhes menores, distraindo-nos da gravidade do problema social. Algumas mídias, inclusive, favorecem veladamente que os assassinatos e outras mortes sejam considerados como coisa banal. Há muitos casos nos quais a vítima termina sendo assinalada como a causadora de sua desgraça. Dessa forma, justifica-se a injustiça, a agressão e o extermínio. Esse problema é bem mais grave do que parece. Como disse a filósofa Hannah Arendt, vivemos a “banalidade do mal”. O ódio político, social, cultural e sexual se espalha por todo canto e, como consequência, cresce o número de crimes hediondos. Diante dessa realidade, é importante observar que Deus Pai não quis a morte de Jesus, “o Filho Amado” (“Este é meu Filho muito amado. Escutai o que ele diz!” – Lc 9,35). Mas Deus acolheu a consagração de Jesus ao Reino, e essa consagração levará Jesus a ser assassinado pelos que rejeitaram o projeto de vida de Deus revelado no Filho, Jesus. Jesus também não buscou a morte, ele não era um sádico. Porém não recuou diante da cruz, porque ele é coerente com o anúncio do reinado de Deus e, portanto, assumiu as consequências. As sociedades, quando erguidas na injustiça e opressão, não aceitam o Evangelho do amor, da justiça, da paz e vida digna, mas preferem matar as pessoas que as desafiam. Por isso, deve-nos ficar claro: não é Deus quem quer a morte, mas são os seres humanos que usam de sua liberdade para fazer o mal, e ainda alguns usam o nome de Deus para verem-se justificados. Porém Deus não é indiferente ou passivo, mas está a nosso lado, segurando-nos no sofrimento e nutrindo nossa esperança de vida plena. No Getsêmani, nós nos encontramos com Jesus, plenamente humano, em diálogo (na oração) com o Abbá (Pai), e, ao mesmo tempo, nós o vemos sofrendo pelo “silêncio” dos amigos mais próximos: “E dizia: ‘Abbá, tudo é possível para ti: afasta de mim este cálice; porém não o que eu quero…’, ao voltar, encontra-os dormindo e diz a Pedro: ‘Simão, dormes’” (vv. 36 e 40). Nos momentos de maior dificuldade é quando mais precisamos do apoio das pessoas que amamos, por isso o silêncio deles pode ser bem mais duro que os golpes dos inimigos. Jesus tinha admitido, diante dos discípulos, que estava abalado até a profundeza do coração: “Minha alma está triste até a morte”. Podemos ler nas entrelinhas das palavras de Jesus a busca de solidariedade dos amigos, entretanto o relato nos diz que os discípulos caíram em profundo sono. Deve ter sido muito difícil para eles aceitarem a dor e o sofrimento real de Jesus, pois não combinava com a imagem do Messias que desejavam. A nós também nos custa aceitar um Messias compassivo, que se faz frágil por amor e que conta com nossa solidariedade para aliviar o sofrimento dos crucificados de hoje. Por isso a pergunta e a recomendação de Jesus a Pedro quiçá sejam hoje o imperativo que precisamos para acordar: “Dormes, Simão Não tiveste força para permanecer acordado por uma hora Fica acordado e ora para não entrar em tentação, pois o espírito está pronto, mas a carne é fraca” (v. 37). Jesus não buscava, entretanto, obter um intervencionismo de Deus, mas queria expressar ao Abbá (Pai) sua tristeza e angústia. Certamente Jesus saiu fortalecido desse encontro para enfrentar a paixão e a morte que o esperavam. Destarte, Jesus mostra-nos que é preciso sobreviver às situações difíceis e lutar contra o mal. É preciso orar, pois a comunicação contínua com Deus nos fortalece para enfrentar o sofrimento e as consequências que, pelo Reino de Deus, apresentam-se inevitáveis. Cristo, assumindo a cruz, solidarizou-se com as vítimas que não têm como evitar o mal e, ainda na dura experiência de abandono dos amigos, manteve-se fiel na entrega a Deus e seu projeto, sem o renegar. Que a consumação e a oblação de Jesus ao projeto de Deus, evidenciadas no Getsêmani, nos fortaleçam na confiança em Deus. E que, acordados, sigamos seus passos, entregues totalmente a Deus e seu projeto do Reino. Irmã Juana Ortega, SSpS, é teóloga especializada em Bíblia. Nasceu no México, trabalhou em Moçambique e colabora na Animação Vocacional.

Por que esta semana é santa?

A celebração da Páscoa é o ponto culminante da fé cristã. A ressurreição de Jesus é a confirmação de tudo quanto Ele fez e ensinou. É o cumprimento da promessa da salvação de Deus que, em Jesus, liberta-nos da morte e nos convida a participar da vida plena. Mas, para chegar à ressurreição, Jesus enfrentou o sofrimento e a morte na Cruz. O que celebramos na Semana Santa é justamente o mistério da vida de Jesus e seu amor infinito, que se doa até o fim. É o esvaziamento do Deus que veio ao mundo como criança, ensinou o mandamento do amor e mostrou que é possível, em nossa humanidade, aproximar-nos do Pai e nos acolher como irmãos e irmãs, por que, em Deus, somos todos um. A Semana Santa concentra os principais fatos relacionados à paixão, morte e ressurreição de Jesus, especialmente durante o Tríduo Pascal. Mas o que é o Tríduo Pascal? Como o nome diz, são os três dias de vivência intensa do mistério pascal: a Sexta-Feira Santa, o Sábado Santo e o Domingo de Páscoa. Quinta-feira Santa Na verdade, o Tríduo Pascal começa na noite da quinta-feira, quando a Igreja recorda a última ceia de Jesus com os seus discípulos. Nessa missa, há o rito do lava-pés, em que Jesus revelou o caminho do serviço e do cuidado com o próximo. Conforme narra o Evangelho de São João, durante a refeição, Jesus pôs um avental, pegou uma toalha e lavou os pés dos seus discípulos. Depois os convidou a fazer o mesmo. Também lembramos a instituição da Eucaristia, quando Jesus, durante a ceia, tomou o pão e o vinho, e os deu aos discípulos, dizendo que eram o seu corpo e o seu sangue. Em todas as missas, fazemos a memória de Jesus, quando o padre consagra o pão e o vinho, que se tornam o corpo e o sangue de Cristo. Após a ceia, Jesus foi ao Monte das Oliveiras, ou Getsêmani, e, sabendo o que estava para acontecer, colocou-se em oração diante do Pai e pediu que afastasse o cálice da dor e da morte, mas se entregou totalmente, dizendo “Faça-se a tua vontade e não a minha”. Naquela mesma noite, Jesus foi preso, humilhado, maltratado… Nas igrejas, no fim da missa dessa noite, o Santíssimo Sacramento é retirado do sacrário e levado para outro local, onde a comunidade fica em adoração. Sexta-feira da Paixão Recordando a paixão e a morte de Jesus, que ocorreram na sexta-feira, os católicos fazem um dia de jejum e oração. Acompanhamos a Via-Sacra de Jesus, desde seu julgamento injusto e condenação à morte, sua flagelação e o caminho até o calvário, carregando a cruz de todas as maldades humanas. A Sexta-Feira da Paixão está muito presente na religiosidade popular, pois, diante de todas as dificuldades que o povo enfrenta para sobreviver, identifica-se com Jesus sofredor. No Senhor, encontra forças e esperança para suportar os desafios da vida. Nas igrejas de todo o mundo, os católicos se reúnem pelas três da tarde para rezar na mesma hora em que Jesus morreu na cruz. É o único dia do ano em que não se celebra a missa. Não se tocam instrumentos musicais e até o altar fica completamente despojado. É feita a narração da paixão de Jesus e se reza por todas as situações do mundo. Na adoração da Cruz, os fiéis se aproximam e beijam o crucifixo. É costume também haver a meditação da Via-Sacra pelas ruas, muitas vezes com encenações, acompanhando os passos de Jesus até o calvário. Na Via-Sacra, rezamos também por todas as pessoas que sofrem injustamente ou são perseguidas, pela superação das forças da morte que oprimem a humanidade, como a fome, o desemprego, a falta de sentido, a falta de saúde, de moradia e tudo o que destrói a dignidade humana, como o abuso sexual, as drogas e tantos outros. Também recordamos Maria, a mãe de Jesus, que o acompanhou em todos esses momentos, entregando-o a Deus. Em seu sofrimento, ela foi corredentora. Em muitas comunidades, há a tradição de rezar as sete dores de Maria. Sábado Santo No Sábado Santo, nós lembramos Jesus na sepultura. É um dia de silêncio e reflexão. Somos convidados a experimentar o vazio e refletir sobre tudo o que Jesus fez e significa em nossa vida. Na tradição da Igreja, esse é o dia em que Jesus desce à região dos mortos e resgata Adão e toda a humanidade com ele. Mas, quando chega à noite, toda a tristeza transforma-se em alegria, durante a Vigília Pascal. Está é a mais bela e a mais longa de todas as celebrações. Começa do lado de fora da igreja, ao redor de uma fogueira. O fogo é abençoado e, com ele, acende-se o círio pascal, uma grande vela que é sinal da luz de Cristo ressuscitado. Depois, todo o povo, com velas na mão, entra na igreja ainda escura. O diácono ou o sacerdote entra carregando o círio e anuncia três vezes: “Eis a luz de Cristo!”, e o povo responde: “Demos graças a Deus!”. Da chama do círio pascal, todos acendem a sua vela, iluminando toda a igreja. Então com cantos, leituras e orações, recorda-se a história da salvação desde a criação do mundo até a ressurreição de Cristo. Na Igreja primitiva, a Vigília Pascal terminava ao amanhecer. Atualmente a celebração pode durar de duas a três horas. Além do anúncio da Páscoa, dos cantos alegres e animados, há também a celebração do batismo de adultos e a renovação das promessas batismais. Domingo de Páscoa Domingo é o Dia do Senhor por causa da Ressurreição de Jesus. De manhã bem cedo, as mulheres foram ao túmulo de Jesus e encontraram removida a pedra que o fechava e vazio o lugar. Um anjo anunciou-lhes que Jesus havia ressuscitado, e elas correram, cheias de alegria, anunciar aos apóstolos que Jesus estava vivo. Páscoa é a festa da vida que vence a morte. Por isso é cheia de símbolos que falam de

Páscoa em gestos concretos

Neste ano, a Rede de Educação Missionárias Servas do Espírito Santo preparou um jeito diferente de envolver alunos, professores e colaboradores no espírito da Páscoa e de uma #EscolaViva. A Campanha de Páscoa, como ficou chamada, tem como objetivo provocar uma reflexão sobre como vivenciar a Semana Santa como tempo de preparação para a festa da Páscoa. Irmã Maria de Fátima Marques, diretora presidente da Rede de Educação explica: “Nesta Páscoa, queremos celebrar a vida. Jesus ressuscitou. A vida renasceu. Com gestos concretos de solidariedade, amizade e compromisso com a justiça e o direito, queremos transformar nossas atitudes para que gerem vida”. A aceitação da campanha foi tão boa que os quatro colégios e os três centros educacionais da Rede de Educação aderiram. Até o Convento Santíssima Trindade quis participar. Irmã Maria Aparecida Ribeiro, coordenadora do convento, acredita que a campanha “vai ajudar muito os nossos colaboradores a vivenciarem, com gestos concretos, a Semana Santa, seja na doação, no encontro com alguém especial ou num gesto de acolhimento”. Mas em que consiste a campanha? Segundo a gerente administrativa Zilda Sousa, na Rede de Educação, as diretoras educacionais trabalharão com suas equipes, e os professores levarão a reflexão também para a sala de aula. A motivação partirá da entrega de alguns cartões com mensagens incentivadoras. Para a assessora de comunicação, Patrícia Campos, a proposta é, “Assim como Cristo ressuscitou em três dias, teremos ações e atividades diferenciadas nos três dias de aula que antecedem o recesso de Páscoa”, durante a Semana Santa. Por isso, em vez de um cartão de Páscoa, foram produzidos quatro. O primeiro cartão está sendo entregue nesta sexta-feira, 12 de abril, e é o que ilustra esta notícia. Os outros serão entregues um na segunda, outro na terça e o último na quarta-feira. “Cada cartão propõe uma atividade que ajuda a refletir sobre o verdadeiro sentido da Páscoa”, lembra Patrícia. Os cartões, com cores alegres e vivas, trazem propostas de gestos concretos. De acordo com Patrícia, não são como um “dever de casa”, mas “um convite para refletir e analisar como estamos lidando com as diversidades que o mundo atual nos impõe”. Segundo ela, trata-se de uma campanha ampla, direcionada a toda a comunidade escolar: alunos, famílias e educadores. “É uma forma de a Congregação ‘cuidar’ das famílias que acreditam em suas escolas para a formação de seus filhos”, conclui. Acompanhe a campanha em nosso Facebook e no Twitter. Compartilhe com seus amigos, e vamos todos transformar a nossa Páscoa em gestos de acolhida, partilha e solidariedade.

Aprendendo com os povos indígenas

Mesmo tendo uma data especial para comemorar o Dia do Índio, 19 de abril, nossos povos indígenas ainda sofrem as consequências do preconceito e da discriminação. Suas terras são invadidas, sua cultura não é respeitada, e a natureza, da qual dependem, está sendo sistematicamente destruída. No entanto os povos indígenas têm muito a nos ensinar, especialmente sobre a cultura do bem viver e o cuidado com as pessoas e com a natureza. Quem dá testemunho disso é Laudovina Pereira, missionária do Cimi (Conselho Indigenista Missionário) e uma de suas coordenadoras. Ela trabalha há 20 anos no Regional do Cimi Goiás/Tocantins e têm contato direto com diversas comunidades indígenas, de diferentes povos. No vídeo que apresentamos, Laudovina fala sobre a beleza da cultura indígena e o que podemos aprender com eles. Seu testemunho é um convite para mudarmos o nosso olhar e descobrir que não há culturas superiores ou inferiores, e sim diferentes visões de mundo. Se nos abríssemos para aprender com nossos irmãos e irmãs indígenas, nossa sociedade seria muito mais feliz, pois daria mais valor ao relacionamento entre as pessoas, à vivência comunitária e à harmonia com a natureza.

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