2º Domingo do Tempo Comum

“O que estais procurando?”Jo 1,35-42 O autor do Quarto Evangelho organizou o material dos versículos de 1,19-2,12 em um esquema de sete dias, culminando com o primeiro sinal de Jesus (as Bodas de Caná), cuja consequência foi que “os seus discípulos creram nele” (2,11). Assim fez lembrar os sete dias da Criação, pois, com e em Jesus, acontece a nova criação. Mas Jesus não quis agir sozinho e, desde o início, chamou para si um grupo de seguidores. Embora seja mais conhecido o relato dos Sinóticos, que descreve o chamado dos primeiros discípulos à beira do mar de Galileia (Mc 1,16-20), talvez o relato do Quarto Evangelho guarde uma tradição mais histórica, os primeiros discípulos de Jesus eram seguidores de João, o Batista. O texto de hoje relata a vocação dos primeiros discípulos: André, um discípulo anônimo (o Discípulo Amado?) e Simão Pedro. O chamado dos primeiros discípulos nos apresenta um retrato de vocação válido para todos os tempos e todas as pessoas. A primeira pergunta que Jesus fez é fundamental: “O que vocês procuram?”. Essas são as primeiras palavras de Jesus no Evangelho de João. Uma pergunta muito importante para todos nós hoje: o que é que nós procuramos na vida? O que é o mais importante para nós? Onde procuramos nossa felicidade e realização? Não é uma pergunta meramente teórica, é a base de nossa vivência. Essa pergunta nos interroga, como interrogou os primeiros discípulos, sobre a busca que dá sentido à nossa vida. A resposta dos dois, “Mestre, onde moras?”, mostra que eles queriam criar comunhão com Jesus, pois a frase não significa descobrir seu endereço, mas sua proposta de vida. Ele lança a eles um desafio com o convite: “Venham e vejam”. Em João, “ver” tem o sentido de “crer” (Jo 6,40). Não se trata simplesmente de conhecer a moradia dele, mas algo muito mais profundo: descobrir quem é Jesus, descobrir que Ele veio do Pai e volta para o Pai. Ambos escolhem unir suas vidas e seus destinos a Jesus, pois “ficaram com ele”. Não é possível ser discípulo de Jesus sem que demos tempo para ficarmos com ele: na oração, na reflexão, na leitura de sua Palavra. Mas, para que sejamos discípulos, discípulas, não basta conhecer Jesus de uma maneira intimista e individualista. Logo, André procura partilhar sua descoberta, fazendo com que o próprio irmão chegue a conhecer Jesus. Hoje também é fundamental que os cristãos testemunhem Jesus, para que outros possam crer nele; e esse testemunho é dado muito mais por nossa maneira de viver e agir do que com nossas palavras. O terceiro discípulo do texto é Simão, que ganha o novo nome de “Pedro”: mudar o nome de uma pessoa na Bíblia, muitas vezes, significa uma nova identidade, uma nova vocação (Abrão, Jacó, Sarai, etc.). Pedro vai dar muitas cabeçadas antes de descobrir sua verdadeira identidade. Aliás, somente a encontra no fim do Evangelho, no capítulo 21, quando confessa seu amor incondicional por Jesus e pela comunidade, e ouve o convite definitivo do Mestre: “Siga-me”. Pedro simboliza a experiência de todo discípulo. O seguimento de Jesus é uma caminhada de uma vida toda, com muitos erros e desvios. Mas o amor incondicional de Deus é capaz de vencer todas as fraquezas e pecados. Ser discípulo é um aprendizado permanente. Para que façamos essa caminhada, é necessário que sigamos os passos dos primeiros discípulos. Que saibamos com clareza o que procuramos na vida, que busquemos criar comunhão com Jesus e com a sua comunidade, e que gastemos tempo com ele. Assim teremos a alegria imensa de fazer a grande descoberta da vida e, como os discípulos, chegarmos a realmente “crer nele”, não de uma maneira teórica e difusa, mas por uma experiência real do Deus da vida, encarnado em Jesus de Nazaré. Padre Tomaz Hughes, SVD, biblista e assessor da CRB e do Cebi. Dedicou-se a cursos e retiros bíblicos em todo o Brasil. Publicou diversos artigos e o livro “Paulo de Tarso: discípulo-missionário de Jesus”. Faleceu em 15 de maio de 2017. Suas reflexões bíblicas são muito atuais.

A experiência de quem contraiu a covid-19

A pandemia causada pelo novo coronavírus, causador da covid-19, entrará para os livros de História. O evento mexeu com quase tudo na vida, não apenas na saúde pública: das relações comerciais e diplomáticas aos contextos escolar, religioso; da experiência do luto ao cotidiano de pessoas, famílias. Neste espaço, você conhecerá o testemunho de quem viveu a experiência de ser infectado. Se você também passou pelo mesmo problema, fique à vontade para partilhar quais foram os aprendizados e o que você tem a agradecer. Veja alguns depoimentos: “Qual nossa essência moral, espiritual e social?” A pergunta que não quer calar: covid-19, quem é você? China, o que é isso? A covid era 19 e nos roubou 2020 inteiro! Pelo jeito, vai invadir também nosso 2021. Aqueles que fazem aniversário se esforçam para encontrar motivos para comemorar, soprar as velinhas de um ano, mas, infelizmente, não há muito o que brindar, mas muito a chorar! E por quanto tempo mais vamos chorar? Amigos se foram. Parentes não estão mais com a gente. A incerteza, o medo nos rodeiam. A saudade e o distanciamento apertam o coração e angustiam a alma. Não basta apenas sermos fortes, é muito além disso e, talvez por isso, as pessoas ainda não conseguiram entender que a essência e o valor de tudo se relativizou. Sapatos da Arezzo? Perfume Givenchy? Produtos de maquiagem? Quem disse Berenice? Boticário? Mara Mac? Roupa da Farm, Renner, Cantão, Riachuelo, Animale? Qual a real importância de tudo isso? Não quero dizer que não gosto disso, mas sim que, num período como este, temos de refletir e discernir do que somos constituídos. Qual nossa essência moral, espiritual e social? Pois é com base nessa consciência que nos reergueremos para esse novo normal que está por vir. E aí, quem sabe, começar a viver mais humanamente, verdadeiramente felizes! Susete Maria da Silva Vieira ParreiraGestora educacional do Colégio imaculado coração de MariaRio de Janeiro _____ “Vivenciar essa experiência me fortaleceu” Quando você recebe o resultado “detectado” no teste de covid-19, um buraco se abre, pois tudo é incerto diante do novo vírus. Eu me senti numa montanha-russa de sintomas e sentimentos: um dia, na reta, em plena recuperação; no outro, de cabeça para baixo, num looping, sem energia sequer para me levantar, para me alimentar. Manter-se com bons pensamentos, em oração, fortaleceu-me para superar esse momento tão difícil, pois não sabemos o rumo do vírus em nosso corpo. Passamos dias isolados de quem mais amamos. Uma loucura! Vivenciar essa experiência me fortaleceu. As mensagens diárias de carinho me encheram de esperança de que tudo ia passar e que eu ficaria bem. Que possamos valorizar o que de fato é importante em nossas vidas: um abraço, a família e o amor. Magda Cristina Bastos do NascimentoCoordenadora pedagógica do ensino fundamental IRio de Janeiro-RJ ______ “Somos seres vulneráveis” Estar mergulhado numa pandemia já é uma experiência inusitada e, quando nos encontramos sentindo, efetivamente, o efeito em nosso organismo, a proporção se torna maior, pois qualquer certeza que pudéssemos vislumbrar, ela não existe. Não existe por não sabermos que rumos seus efeitos fisiológicos tomarão. Somos seres vulneráveis, e a grande lição desta pandemia é nos dar a oportunidade de entender que a espiritualidade é a mola propulsora que nos faz agir. Rever nossa relação com Deus e nos aproximar a Ele, que pode ser pelo amor ou pela dor e, infelizmente, a humanidade necessitou que fosse pela dor. Valorizar o simples, amar e expressar esse amor, estar disponível ao próximo e vivenciar a beleza da gratidão. Sandra Demetrio PereiraGestora administrativa do Colégio imaculado coração de MariaRio de Janeiro ______ “Fortaleceu o lamento pelas diferenças sociais no tratamento da doença” “O que não me mata me fortalece”, disse Nietzsche e assim ilustro o que ficou após eu passar pela dor e pela insegurança, ao ser infectada pelo vírus da covid-19. Fortaleceu a importância do autocuidado. Fortaleceu o vínculo com as pessoas que se preocuparam comigo. Fortaleceu o lamento pelas diferenças sociais no tratamento da doença. Fortaleceu a convicção de minha missão de ajudar o meu próximo. Fortaleceu, sobretudo, a fé em Deus, que, mesmo na condição de fragilidade humana, perante os mistérios da finitude da vida, sempre, sempre é maior que tudo! Alice Takahashi PiresPedagógica do ensino fundamental 1 do Colégio Espírito SantoSão Paulo-SP

Conheça a Escola para Formadores Jesus Mestre

A Escola para Formadores Jesus Mestre nasceu com o objetivo de proporcionar uma formação integradora aos que vão acompanhar os jovens que querem seguir a vida religiosa e presbiteral. Foi fundada em Porto Alegre-RS, em 1983, por um grupo de professores formados pelo Instituto de Psicologia da Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma, Itália. Em 1989, a Escola se transferiu para São Paulo-SP, o que coincidiu com a conclusão de meus estudos e meu retorno ao Brasil. Desde então, faço o acompanhamento psicoespiritual de religiosas e presbíteros que fazem o curso, participo da equipe de professores e também da diretoria. Nosso desafio é preparar religiosos e religiosas, padres e leigos comprometidos, capazes de integrar, em suas próprias vidas, as dimensões psicológicas e espirituais, as quais se manifestam na vivência da própria vocação de maneira coerente e consistente. Isso significa uma formação integral que capacitará a acompanhar os jovens em sua busca vocacional e processo de formação numa congregação religiosa ou numa diocese. A formação é proporcionada durante quatro etapas, num período de quatro anos. Durante o mês de janeiro, é realizada a formação teórica e, ao longo do ano, a escola continua com os acompanhamentos personalizados e também com os trabalhos e estudos dos conteúdos recebidos, que incluem Antropologia Psicológica, Teoria da Personalidade, Desenvolvimento Humano, Psicodinâmica da Família, Psicologia Social, Psicopedagogia e Teologia da Vida Consagrada, entre outros. Para participar da escola, o candidato ou candidata faz um acompanhamento psicoespiritual com um dos professores e, depois, uma avaliação. Os princípios que norteiam a escola são os valores cristãos, religiosos e humanos. Temos experimentado que a Escola para Formadores Jesus Mestre tem contribuído para toda a Igreja no Brasil e em Angola, na África, onde tive a oportunidade de colaborar durante alguns anos na preparação de formadores, até que eles próprios assumiram a direção da escola de lá. Em relação à vida religiosa, ao oferecer uma base sólida àqueles e àquelas que estão na missão de acompanhar o processo de formação dos jovens, contribuímos também para a formação das lideranças. Nesse sentido, vale a pena ressaltar que um número significativo de religiosos que passaram pela Escola Jesus Mestre hoje atuam na linha de frente de suas congregações. O mesmo se dá entre os presbíteros, uma vez que vários deles foram ordenados bispos e aplicam, em suas atribuições pastorais, o que receberam. Como missionária serva do Espírito Santo, fazer parte da diretoria da escola, para mim, é uma resposta aos apelos do Espírito Santo, para que a vida religiosa consagrada e ordenada sejam instrumentos de transformação diante dos desafios atuais. Estamos contribuindo para a formação de pessoas para que sejam realmente instrumentos do Reino de Deus na realidade de hoje. Pessoalmente, sinto-me realizada quando acompanho pessoas que querem fazer parte da escola, especialmente quando buscam fazer um trabalho pessoal que as ajudem a serem pessoas livres, capazes de dar a vida sem reservas e a se comprometer com a causa dos mais excluídos. Durante este tempo da pandemia, tenho experimentado a ação do Espírito Santo nos impulsionando a sermos criativos para encontrar novas formas de animar, dinamizar os acompanhamentos pessoais e dar continuidade à escola, mesmo neste período em que as aulas não podem ser presenciais. Como fazer isso, quando um dos princípios da escola é a relação interpessoal? Como manter essa relação mesmo à distância? Buscando responder a esses questionamentos, criamos grupos para encontros on-line. Como não será possível realizar as aulas presenciais durante o mês de janeiro, organizamos grupos on-line de aprofundamento dos temas centrais da escola durante os meses de janeiro, fevereiro, março e abril. Assim, estamos acompanhando todos os alunos que já iniciaram a escola nos anos anteriores e também aqueles que querem conhecer a escola para poderem iniciar a formação. E já estamos colhendo os frutos! Irmã Maria Percila Vieira é a atual coordenadora provincial das missionárias servas do Espírito Santo na Província Brasil Norte e presidente da Escola para Formadores Jesus Mestre. É Pedagoga, Psicopedagoga e formada pelo Instituto de Psicologia da Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma, Itália.

Festa do Batismo do Senhor

“Tu és o meu Filho amado, em ti eu ponho meu bem-querer”Mc 1,7-11 Neste domingo que comemora o batismo de Jesus, mais uma vez, encontramos a figura do Precursor, João Batista, que foi uma das principais personagens das liturgias do Advento. Mas, na leitura de hoje, a ênfase mesmo está na aceitação não somente do batismo de João, mas de quem viria depois dele: literalmente, “atrás de mim”. A expressão, que denota a dignidade, como em um cortejo, põe toda a importância na pessoa que vem, pois tirar as sandálias era serviço de um escravo. Jesus é o mais importante, pois, com a vinda dele, inaugura-se o tempo de salvação esperado por muitas pessoas e grupos (como os essênios) somente para o fim dos tempos. Nesse texto de Marcos, o interesse volta-se menos para o batismo de Jesus como tal e mais para a revelação divina que se lhe seguiu. Sendo batizado por João, Jesus coloca-se dentro da humanidade caída e publicamente assume o compromisso com a vontade do Pai. A frase “Viu os céus rasgarem-se, e o Espírito como uma pomba descer sobre si” enfatiza que Deus intervém para realizar suas promessas (cf. Is 63,19) pelo envio do Espírito Santo. Descendo sobre Jesus, o Espírito o designa como sendo o Salvador prometido e esperado. A voz do Pai confirma que Ele reconhece Jesus, desde o início de seu ministério público, como seu Filho (cf. Sl 2,7), seu bem-amado, objeto da sua predileção. Um dos sentidos mais importantes de nosso batismo também é nosso compromisso público com a vontade do Pai. Todos nós podemos sentir a veracidade da mesma frase usada pelo Pai diante de Jesus. Cada um, cada uma de nós também é verdadeiramente filho, filha do Pai celeste (cf. 1Jo 3,1), a quem aprouve escolher-nos. Nada pode nos separar desse amor divino, nem nossa fraqueza nem o pecado (cf. Rm 8,39). O que é importante é reconhecer que Deus nos amou primeiro, incondicionalmente, e cabe a nós responder a esse amor gratuito por uma vida digna de filhos e filhas do Pai, no seguimento de Jesus (cf. 1Jo 4,10-11). Jesus não achou privilégio ser o amado do Pai, mas assumiu as consequências: uma vida de fidelidade, que o levaria até a Cruz e a Ressurreição (cf. Fl 2,6-11). Celebrando essa festa litúrgica, renovemos o compromisso de nosso batismo, comprometendo-nos com o seguimento do Mestre, no esforço de criação do mundo que Deus quer, um mundo onde reinam o amor, a justiça e a verdadeira paz. Nosso batismo confirma que somos parceiros de Deus no ato permanente de criação, fazendo crescer o Reino dele, que “já está no meio de nós” (cf. Mc 1,14). Padre Tomaz Hughes, SVD, biblista e assessor da CRB e do Cebi. Dedicou-se a cursos e retiros bíblicos em todo o Brasil. Publicou diversos artigos e o livro “Paulo de Tarso: discípulo-missionário de Jesus”. Faleceu em 15 de maio de 2017. Suas reflexões bíblicas são muito atuais.

“Para educar uma criança, é preciso uma aldeia inteira”

“Para educar uma criança, é preciso uma aldeia inteira.” Esse sábio provérbio africano nos mostra o quanto é trabalhoso, importante e promissor educar uma criança. Se pensarmos sobre ele no contexto da pandemia da covid-19, tempo em que as famílias não puderam contar, ou puderam-no de forma restrita, com o apoio das instituições e da família extensa na educação das crianças, encontraremos crianças apresentando grande risco de não atingirem seu pleno potencial. O que fazer diante desse cenário? Em 2000, o economista norte-americano James Heckman conquistou o Prêmio Nobel de Economia, ao criar métodos científicos que avaliavam a eficácia dos programas sociais dedicados à primeira infância. O economista mostrou que as consequências desses investimentos (ou da falta deles) estão relacionadas ao futuro de uma sociedade, interferindo em taxas de criminalidade, gravidez na adolescência, evasão no ensino médio e níveis de produtividade no mercado de trabalho. Desde o início do século, pedagogos, médicos e cientistas, como Maria Montessori e Emmi Pikler, entre outros, vêm mostrando à humanidade o quanto os primeiros anos de vida são decisivos para o sucesso de uma vida inteira. A criança nasce com um incrível potencial para o desenvolvimento, precisando apenas de um ambiente seguro, de afeto, de cuidado e de estímulos para que conquiste a plenitude de seu potencial. Hoje, a tecnologia e o avanço das neurociências nos permitem comprovar que esse é um período de intenso desenvolvimento cerebral, no qual se estabelecem as bases da saúde, do bem-estar e da produtividade. Já dizia Maria Montessori, “Se houver para a humanidade uma esperança de salvação e de ajuda, esta ajuda só pode vir da criança, porque é nela que se constrói o homem”. Há alguns anos, percebe-se uma crescente valorização da educação da criança pequena. Aos poucos, indivíduos, governantes e instituições estão compreendendo que educar a criança não é só cuidar e brincar sem intencionalidade, e percebendo a importância da educação nessa faixa etária. O documentário O começo da vida, produção brasileira de 2016, divulgou amplamente, nos quatro cantos do planeta, a causa da primeira infância, sendo a principal ferramenta de uma campanha global da UNICEF. O filme nos convida a refletir: estamos cuidando bem dos primeiros anos de vida, que definem tanto o presente quanto o futuro da humanidade? Nesse contexto é que entra a pandemia causada pelo novo coronavírus, trazendo o fechamento das escolas por longo período, o distanciamento físico, o trabalho remoto para alguns, a necessidade de permanecer trabalhando presencialmente para outros ou a falta de trabalho para muitos. A ausência de ações que visem a minimizar os prejuízos deste momento terá consequências, a longo prazo, no capital humano futuro, para todas as camadas sociais, mas principalmente para aqueles que vivem em situação de pobreza e dependem ainda mais dos cuidados e estímulos fornecidos pelas instituições, e têm pouco ou nenhum acesso às ferramentas virtuais de aprendizagem, que, apesar de não serem as ideais, são as possíveis. É papel da família e de cuidadores proteger as crianças do estresse gerado pelo distanciamento social, pela falta de convivência com os pares e também promover desenvolvimento, saúde e bem-estar. Para isso, é preciso que as famílias sejam apoiadas, que haja iniciativas estatais e sociais para que quem cuida das crianças seja cuidado e possa desempenhar seu papel com um mínimo de segurança e a maior tranquilidade possível. Principalmente nestes tempos de incerteza, turbulência e sofrimento, para que não percamos a esperança no futuro, vale lembrar Milton Nascimento, em Coração de estudante: “Há que se cuidar do broto, pra que a vida nos dê flor e fruto”. Ana Amélia Rigotto FernandesProfessora, pedagoga e psicopedagoga, é diretora educacional do Colégio Sagrado Coração de Jesus, da Rede Missionárias Servas do Espírito Santo, em Belo Horizonte-MG.

Carta para um ano que chega

“Vamos receber esse desconhecido ser que chega. Ele vem sem nada, traz apenas a esperança.” Esse trecho foi tirado de um cartão que eu e Mônica enviamos aos amigos e familiares quando dos nascimentos de nossos filhos. Feito pelas irmãs do Mosteiro de Nossa Senhora das Graças, em Belo Horizonte-MG, ainda hoje, 30 anos depois, está presente em nossas vidas, porque fala de algo essencial para todos nós, os humanos: a esperança. Entre tantos sentimentos, a esperança é o que tem o poder de, mesmo em meio às tempestades, acalmar o coração e nos lembrar de que, sim, é possível superar, é possível avançar, é possível evoluir. Sempre! Enquanto escrevo aqui estas palavras, nesta manhã de Natal, penso: quem de nós, um ano atrás, poderia imaginar o tamanho dos desafios que a humanidade iria enfrentar logo depois? Reflito que, para além de todos os sofrimentos, reais e profundos que tantos vivemos, houve, junto, uma transformação silenciosa e profunda: uma grande metamorfose. Como lagartas, encerradas em nossos casulos-casas, tudo aconteceu incognitamente, longe dos olhos do mundo. Em nosso trabalho interno, fomos desafiados por uma avalanche de situações inéditas: famílias convivendo 24 horas por dia, 7 dias por semana, dividindo espaços, equipamentos, dificuldades e também apoios. Como lagartas em seus casulos, tivemos mesmo de reaprender, readaptar, reconsiderar tantas coisas, para que a convivência se tornasse possível e os atritos (inevitáveis) se transformassem em apoios, sorrisos, afetos. Desse modo, o ano que chega não encontrará em nós as mesmas pessoas de um ano atrás: definitivamente, somos outras, transformadas em nova dimensão, com novas habilidades, competências, hábitos e valores! Sim, valores, pois, em nosso recolhimento, pudemos reconhecer o que tem realmente valor e o que tem apenas um preço. Ao olhar para o ano que nos chega, nem posso imaginar o que ele nos trará, mas sei que, como uma folha de papel em branco, ele será um campo para todas as possibilidades… Eis aí a esperança! Então, caro amigo que lê estas linhas, vamos nos preparar para “receber esse desconhecido ser que chega. Ele vem sem nada, traz apenas a esperança”. Confiança, coragem e fé serão nossas melhores companheiras nesta linda viagem que é a vida e o viver. Feliz ano que chega! Carlos Ronan de Alvim Braga é um aprendiz da vida. Compartilha com seus alunos do Colégio Sagrado Coração de Jesus, em Belo Horizonte, o empreendedorismo, sabendo e fazendo saber que o maior empreendimento que podemos ter é nossa própria vida. Vamos juntos!

Solenidade de Santa Maria, Mãe de Deus, e Dia Mundial da Paz

“Maria guardava todos esses fatos e meditava sobre eles em seu coração”Lc 2,16-21 Embora, em Lucas, haja certa confusão sobre as referências cronológicas nas narrativas da infância de Jesus (Quirino não foi governador no tempo de Herodes e não se têm informações extrabíblicas sobre um recenseamento feito por Augusto), a finalidade do autor é situar o nascimento do Salvador firmemente dentro da história humana, especialmente a história humana dos pobres e excluídos. Jesus nasce filho de viajantes, forçados a sair de casa pelo poder opressor do Império, pois a finalidade de um recenseamento é alistar todos para a cobrança de impostos. Assim, o Messias nasce em condições sub-humanas e indignas; como nascem e se criam milhões de crianças, todos os anos, em nossa sociedade atual. Como não há lugar para eles na “hospedaria” (um tipo de albergue para viajantes, onde os animais ficavam no pátio; no primeiro andar, existia a cozinha comunitária; e, no segundo, dormitórios, algo ainda comum em certas regiões do Oriente hoje), Maria dá à luz em uma gruta ou estrebaria e deita Jesus em uma manjedoura. Logo, Lucas introduz mais personagens tirados das fileiras dos excluídos da religião e sociedade de então: os pastores. No tempo de Jesus, são considerados como delinquentes, dispostos sempre ao roubo e à pilhagem, por isso não merecem confiança alguma nem podem testemunhar em juízo. É importante notar que, em Lucas, são pessoas pertencentes a duas categorias proibidas de dar testemunho em juízo (pastores e mulheres) que Deus escolhe para testemunhar os dois eventos mais importantes da história: o nascimento e a ressurreição do Salvador. O Natal se torna festa de inclusão dos que a religião oficial e a sociedade dominante excluem (enquanto a maioria da classe abastada de nossa sociedade atual celebra o Natal exatamente nos templos de consumo de hoje, os shoppings, onde pessoas pobres são excluídas do banquete de poucos). Assim é tão bom escutar (e assimilar) as palavras do Papa Francisco sobre o sentido natalino. Facilmente, até nós, pessoas bem integradas nas Igrejas, assimilamos, como por osmose, a mentalidade consumista e materialista, e, muitas vezes, sem que notemos. Que contradição!É importante refletir como Lucas nos apresenta a pessoa de Maria nesse texto. Enquanto todos os que ouviam os pastores “assombravam-se” (v. 18), “Maria, porém, conservava isso e meditava tudo em seu íntimo” (v. 19). Dois textos do Antigo Testamento usam o mesmo verbo grego (synetèrein): Gn 37,11 e Dn 4,28, para descrever a perplexidade íntima de uma pessoa que procura entender o significado profundo de um fato. Assim, Lucas enfatiza que Maria não capta de imediato todo o sentido daquilo que ouve, mas medita as palavras, contemplando-as, para descobrir seu significado. Maria cresce na fé, acolhendo e discernindo o sentido profundo dos acontecimentos; torna-se peregrina na fé, modelo para todos nós, convidando-nos a nos mergulhar nos relatos evangélicos, contemplando os mistérios da vida de Jesus e o que eles podem significar para nós hoje. A festa de hoje, também Dia Mundial da Paz, nos faz lembrar a mensagem dos anjos: “Glória a Deus no alto, e na terra paz aos homens que ele ama” (v. 14). Aqui Lucas cria um binômio: dois elementos conjugados, ou seja, uma maneira de dar glória a Deus no alto é a criação da paz entre as pessoas aqui na terra. Atrás do termo “paz”, há um cabedal de reflexão teológica vindo do Antigo Testamento. O nosso termo “paz” capta somente uma parte do que significava a palavra hebraica shalom, que não se limita a uma mera ausência de violência física, mas inclui a realização de tudo que Deus deseja para os seus filhos e filhas. Portanto o texto natalino nos convida e desafia para que demos glória a Deus por meio de nosso esforço em criar um mundo de shalom, onde todos possam “ter a vida e a vida em abundância!” (Jo 10,10). Como o conceito bíblico de shalom foge a nossos conceitos ocidentais, anexo novamente uma excelente reflexão sobre o termo, feita por Frei Ildo Perondi, OFMCap, de Londrina-PR (repetindo o que mandei ano passado). Shalom para todos, todas! Shalom! Quando eu estava em Roma, escrevendo a minha tese, devia fazer uma análise do termo hebraico “Shalom”. Não estava contente com as explicações dadas pelos dicionários, que, em geral, traduziam o termo por “Paz”. Por isso fui procurar um rabino hebreu, que muito carinhosamente me recebeu. ― Falar de Shalom é algo muito importante… – disse-me ele. Talvez seja um dos termos hebraicos mais carregados de sentido e força que temos em nossa língua. É certo que traduzir simplesmente por “Paz” empobrece muito o sentido da palavra original. Enquanto ele falava, calmamente, pegou um copo e tomando uma jarra de água, foi colocando no copo muito devagar, deixando soar o borbulhar da água. O copo foi enchendo, e quando mais chegava perto da borda, ele ia cuidadosamente derramando ainda água… ― Veja bem, não cabe mais nada. Nem uma gota de água neste copo. Se eu colocar mais, vai derramar, vai transbordar. É quando tudo está completo, é a plenitude. Está me entendendo? Balancei a cabeça em sentido negativo, olhando para o copo cheio, de tal modo que não coubesse mais nada. ― O Shalom é isso, irmão meu. É o máximo que pode caber. Quando eu desejo um Shalom a alguém, eu desejo todo o bem, tudo de bom, tanto bem que mais do que isso é impossível desejar. Sinal da quitação, quando não existe nada mais a pagar. Está entendendo? ― Sim, agora entendi o que é o Shalom! ― Não ainda, irmão meu. Para entender bem o sentido do Shalom, é preciso receber o Shalom; é preciso ter o Shalom… Posso ver em você perturbações, conflitos internos… Para você ter o Shalom, é preciso que você tenha a harmonia interna, que você equilibre dentro de você as forças, que se sinta bem, que você esteja em harmonia consigo mesmo, que esteja em paz… ― Agora entendi… ― Ainda não… Você não está sozinho neste mundo. Você

Solenidade da Epifania do Senhor

“Ajoelharam-se diante dele e o adoraram”Mt 2,1-12 Hoje, no Brasil, celebramos uma das grandes solenidades do Ciclo de Natal, a Manifestação do Senhor (Epifania, em grego, cuja data tradicionalmente era 6 de janeiro). Nela comemoramos o fato de que Jesus foi manifestado não somente ao seu próprio povo, mas a todos, representados pelos magos do Oriente. Embora a solenidade tenha muita popularidade folclórica, ela celebra uma grande verdade da fé, que a salvação em Jesus é para todos os povos, sem distinção de raça, cor ou tradição religiosa. Retomando a grande intuição do profeta Isaías, celebramos hoje a salvação universal em Jesus. O texto de hoje é altamente simbólico. Usa uma técnica da literatura judaica chamada midrash, ou seja, uma releitura de passagens bíblicas, com o intuito de atualizá-las. Assim, Mateus quer ensinar algo sobre Jesus, usando figuras e símbolos tirados de diversos textos do Antigo Testamento. Por exemplo: • Vêm os magos (nem três, nem reis no texto bíblico!) buscando o Rei dos Judeus. Esses personagens lembram os magos que enfrentaram e foram derrotados por Moisés (Êx 7,11.22; 8,3.14-15; 9,11) e acabaram reconhecendo o poder de Deus nas maravilhas feitas por Ele. Os magos, no relato antigo, contestaram Moisés, mas, no relato mateano, vêm adorar Jesus, pois, para Mateus, Ele é o Novo Moisés e maior do que Moisés. • A estrela é sinal da vinda do Messias, prevista na profecia de Balaão (a “Estrela de Jacó” de Nm 24,17). • O menino nasce em Belém, segundo a profecia de Miqueias (Mq 5,1). • Os presentes lembram as profecias de Segundo Isaías e os Salmos sobre os estrangeiros que iriam a Jerusalém, levando presentes para Deus (Is 49,23; 60,5; Sl 72,10-11). • Herodes é o novo Faraó, que também massacra os filhos do povo de Deus (Êx 1,8.16). O texto chama a atenção pelas reações diferentes diante do acontecido. Os que deveriam reconhecer o Messias (pois são versados nas Escrituras) ficam alarmados, pois, para eles, opressores do povo por meio da religião e da política, Jesus e sua mensagem constituem uma ameaça. Outros, pagãos do Oriente, buscando sem ter certeza, arriscam muito para descobrir o verdadeiro Deus e entregam-lhe presentes, sinais da partilha que será característica do Reino que Jesus veio pregar. Hoje em dia, verificam-se as mesmas reações diante de Jesus e de seu Evangelho. Muitos querem reduzir os eventos religiosos a algo folclórico, com shows e cantos, como se vê claramente nas festas natalinas, quando até bancos, que desfrutam de lucros astronômicos e imorais, esteios que são do sistema neoliberal, que cria pobreza em toda parte, promovem apresentações sentimentais de Natal, usando os mesmos pobres que eles ajudam a criar! De forma alguma, esse tipo de celebração questiona a nossa sociedade e seus valores. Para outros, o menino na estrebaria é um sinal do novo projeto de Deus, o mundo fraterno, onde todas as pessoas de boa vontade devem se unir, seja qual for sua raça, nação, gênero ou religião, para construir a fraternidade que Deus quer. Jesus não precisa de presentes, mas sim de nosso esforço na vivência do Reino de Deus. Não caiamos em celebração vazia das histórias do Ciclo Natalino, reduzindo seu sentido a algo somente sentimental e folclórico. Na prática, temos de optar, ou para uma vivência religiosa vazia, como a de Herodes e dos sumos sacerdotes, ou pela mensagem libertadora e salvadora do Menino de Belém, que convoca todos, representados pelos magos, para a construção de um mundo de paz, fraternidade e justiça, pois Jesus veio para que “todos tenham a vida e a tenham plenamente” (Jo 10,10). Padre Tomaz Hughes, SVD, biblista e assessor da CRB e do Cebi. Dedicou-se a cursos e retiros bíblicos em todo o Brasil. Publicou diversos artigos e o livro “Paulo de Tarso: discípulo-missionário de Jesus”. Faleceu em 15 de maio de 2017. Suas reflexões bíblicas são muito atuais.

2021: “esperança” é a palavra

O ano que chega reforça o significado de “esperança”. Nunca fomos tão necessitados dessa que, juntamente com a fé e a caridade, é uma das virtudes cristãs. Irmãs e irmãos dos mais variados contextos de nossa missão partilham os votos de um feliz 2021. Que a luz tenha vez sempre! Veja! ________________________________________ Bênçãos de Deus Trindade Vivemos em 2020 um ano desafiador. Que 2021 venha dissipar as trevas de nosso coração, enchendo-o de esperança e de paz! Desejamos um ano repleto das bênçãos de Deus Trindade! Carla Bonfin de CarvalhoMissionária leiga de Deus Uno e TrinoRio de Janeiro-RJ ________________________________________ Defesa da vida Que 2021 seja um ano abençoado, que nos permita aumentar a nossa consciência de que tudo o que se move é sagrado e pede de nós compaixão e colaboração no cuidado e na defesa da vida. Irmã Helena Suzana Christo, SSpS ________________________________________ Pensar no novo ano é fazer uma reflexão sobre o que termina. Fizemos escolhas que, em certa normalidade de tempos atrás, nem pensaríamos fazer. Vivemos de uma forma diferente, mas temos a certeza de que não faltou intensidade diante do desafio do novo. Cabeça erguida, que o caminho é subida e o destino é o céu, e cada sonho vale muito. Que também possamos deixar pedacinhos de nós pelos caminhos e que, também em 2021, eles possam ser partes de histórias da comunidade de uma escola viva que vê, sente e cuida. E assim, de retalho em retalho, possamos nos tornar, um dia, um imenso bordado de “nós”. Marcos Eduardo Melo dos SantosProfessor de Ensino Religioso do Colégio Espírito SantoSão Paulo-SP ________________________________________ Deixar o mundo melhor do que o encontramos O que desejo para 2021 é que tenhamos coragem para nos enfrentarmos, encontrarmos Deus dentro de nós mesmos e, servindo aos outros, servir a ele. Que cada um de nós possa contribuir para deixar o mundo melhor do que o encontramos, cuidando dos relacionamentos e amando o próximo como a nós mesmos. Paulo Flávio Queiroz GomesProfessor de Biologia no Colégio Sagrado Coração de JesusBelo Horizonte-MG ________________________________________ 2021 será melhor O ano de 2021 será melhor, porque 2020 foi de desafios, de aprendizados, de um reinventar-se. O ano novo será melhor porque, em 2020, exercitamos mais a solidariedade, a escuta, o amor e a doação. Irmã Eva Bueno, SSpSProvíncia Brasil-Sul ________________________________________ Partilhar o amor Que, em 2021, a luz de Cristo nos ilumine para receber, com fé e confiança, o Deus Menino. Ele se encarna para nos ensinar a viver a solidariedade, a partilhar o amor de Jesus que transcende nossa humanidade, para encontrar com o Cristo que há em cada ser humano, a perdoar e viver a alegria de renascer em Cristo, com paz. Que o amor de Cristo encha nosso coração com a luz do novo tempo que se aproxima! Que 2021 seja repleto de esperança, saúde, alegria, amor e paz! Feliz 2021! Valdirene Pereira SilvaNoviça SSpS ________________________________________ Que seja um ano transformador Fechamos 2020, e uma coisa é certa: tivemos de desacelerar, em todos os sentidos. Aprendemos muitas coisas, mas talvez a principal delas foi descobrir que sozinhos não somos nada nem ninguém. Ao desacelerar, tivemos tempo para prestar mais atenção ao outro e a nós mesmos. Aprendemos a identificar e a lidar com nossas próprias emoções e a ter um olhar mais generoso em relação a si próprio e ao próximo. E para 2021? O que podemos esperar? É tempo de transformação, tempo de construir novos caminhos e de fortalecer ainda mais nossa fé. Sem dúvidas, é tempo de acreditar que dias, meses, anos melhores virão por aí. É tempo de traçar novas metas e renovar as esperanças. Que 2021 seja um ano transformador! Luciana Marzullo AraujoCoordenadora missionária do Colégio Stella MatutinaJuiz de Fora-MG ________________________________________ 2021: nova oportunidade O ano de 2020 nos trouxe uma inesperada tempestade. Ninguém estava preparado para enfrentar semelhante pandemia (covid-19). O medo diante da proximidade da doença e da morte gerou muitas reações. Mas certamente também foi como um frear a velocidade com a qual todos estávamos indo. Estamos alvorecendo o ano de 2021. Convido a alegrar-nos! A crise é global, mas também pessoal e comunitária, entretanto não deixa de ser uma oportunidade para a real solidariedade, a fraternidade sincera, o amor concreto, o respeito a todos, independentemente de raça, credo, gênero ou opção sexual; o cuidado com os mais vulneráveis, entre eles a Terra. Cada um de nós pode tornar 2021 um ano verdadeiramente novo. E, por que não, um ano cheio de paz, bondade e harmonia. São estes os meus votos para que 2021 seja bem melhor! Irmã Juana Ortega Torres, SSpSMissionária em Moçambique ________________________________________ Um milagre em cada recomeço Minha expectativa é de que 2021 seja ano de paz saúde, harmonia e muita fé… Que tenhamos sabedoria para lidar com todos os momentos que hão de vir! Existe um milagre em cada recomeço. Rose SantosColaboradora da missão no Convento Santíssima TrindadeSão Paulo-SP ________________________________________ Tempo de serenidade O que falar do ano de 2020, agora que chegou ao fim? Foi um ano para agradecer! O mais diferente em muitas e muitas décadas. Por mais crítico que tenha sido, ele nos apresentou oportunidades únicas nesta nossa passagem pela vida. O ano que, sem compaixão, tirou-nos do automático. Paciência… Resiliência. Fez com que olhássemos para os mais velhos, nos fez conjugar ainda mais o verbo cuidar. Vem aí 2021! Já está invadindo nossas casas, e temos de ter em mente que não podemos nos deixar levar pela angústia, pela ansiedade, pelo medo e pelas incertezas. A palavra de ordem, agora, é serenidade. Que 2021 venha com esperança de um novo tempo! Roberta Pimentel AouilaProfessora de Língua Portuguesa do Colégio Stella MatutinaJuiz de Fora-MG ________________________________________ Aprendizado para toda a vida Virão! Um novo ano, novas formas de ser e agir, novo jeito de ser gente no mundo! Caminhamos, tropeçamos, levantamos e seguimos adiante, cada pessoa a seu modo. Vivemos um processo de cuidado mútuo, um aprendizado para toda a vida. Perdas, despedidas, ganhos, novas oportunidades, alegrias, esperanças e

Vá, 2020

Vá, 2020! Vá e leve com você a dor e o luto dos que ficaram, sentindo a morte de entes queridos e amados… Mas deixe a saudade e nos encha de memórias! Vá, 2020! Leve a insensatez de governantes no poder, mas deixe nossa esperança na boa política! Vá, 2020! Leve o silêncio das escolas vazias, mas deixe as novas possibilidades potentes de aprendizado! Vá, 2020! Leve nossa falta de fé, mas nos deixe plenos de espírito e espiritualidade! Vá, 2020! Leve os dramas vividos em cada família, mas deixe as novas formas de experienciar afetos e conexões! Vá, 2020! Leve o desemprego, mas deixe nossa capacidade de não desistir, jamais! Vá, 2020! Leve as palavras mal ditas, mas deixe um arsenal de motivos para refazer elos desfeitos! Vá, 2020! Leve o peso de relações tóxicas, mas nos deixe acreditando na leveza da humanidade! Vá, 2020! Leve a fome e o racismo… Vá, 2020! Leve os abraços não dados, mas deixe nosso olhar impregnado de acolhida e afeto! Vá, 2020! Leve a correria, mas deixe nossa atitude e compromisso de desacelerar a vida do planeta! Vá, 2020! Leve a solidão de tantos lares e pessoas, mas deixe-nos atentos para sermos presença na vida de tantas pessoas a nosso novo redor! Vá, 2020! Leve as “balas perdidas”, mas deixe nossa indignação e sede por justiça! Vá, 2020! Leve o adoecimento, mas deixe a incansável energia dos profissionais da saúde a nos curar! Vá, 2020! Leve o distanciamento social, mas deixe as novas formas de sermos uns pelos outros! Vá, 2020! Maria José Brant (Deka), assistente social, analista de políticas públicas na Prefeitura de Belo Horizonte-MG, mestra em Gestão Social, mosaicista nas horas vagas.

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