Para servir com amor na missão…

No ano de 1889, começava o grande sonho de Santo Arnaldo Janssen e das Bem-aventuradas Maria Helena e Josefa Stenmanns: a fundação da Congregação das Irmãs Missionárias Servas do Espírito Santo, uma comunidade religiosa missionária dedicada totalmente ao Espírito Santo. Nasceu do anseio mais ardente de nosso Fundador: “Que viva Deus Uno e Trino nos corações de todas as pessoas”. Com esse imenso desejo, hoje estamos presentes em 53 países e nos mais diversos setores, como educação, saúde, justiça restaurativa, migração, entre muitos outros. Nossa missão é fazer com que Deus Uno e Trino seja conhecido e amado onde quer que seja e a quem o Senhor nos chame a servir. Para ser uma missionária serva do Espírito Santo, é necessário se formar, conhecer nosso carisma e espiritualidade, e ir confirmando o chamado que o próprio Deus faz em cada coração. Agora vem a pergunta: será que também posso dedicar minha vida ao serviço do Reino de Deus? Será que sou chamada a ir e anunciar esse amor tão grande de Deus para todas as pessoas? Para saber mais, entre em contato com as Irmãs Crislaine (31) 98237-6433, Adriana Regina da Silva (42) 99930-6341 e Maria Cristina Krupek (69) 98415-7394. Também foi criado, nas redes sociais (Facebook, Instagram e Twitter), o perfil “As Freiras em Missão” no qual há mais informações sobre nossa vida e missão.
Sistema Único de Saúde: indo além do senso comum

Talvez nunca se tenha ouvido falar tanto a respeito do SUS (Sistema Único de Saúde) como nestes últimos anos. Mas, afinal, o que é o SUS? Para isso precisamos voltar um pouco na história. Em 1988, a Constituição Federal estabeleceu que a saúde era um dever do Estado, já que era um direito social. Por isso implantou um sistema de saúde que era único, organizado e internacional. Porém o SUS somente foi concretizado em 1990, com a Lei 8.080. Esta estabeleceu os princípios do SUS, como seria sua organização e as atribuições de cada setor do governo. Pela lei, foram criados os três princípios doutrinários do SUS: universalidade, integralidade e equidade. A universalidade diz que todos os que estejam no território brasileiro, independentemente de quem seja, têm direito ao acesso à saúde gratuita no SUS. Já a integralidade diz que o serviço deve olhar para o paciente de forma integral, biopsicossocial. Assim, considera-se a saúde física, mental e social do paciente. E a equidade garante que quem mais precisa merece ter uma atenção mais intensa, dessa forma os casos mais graves devem ter uma investigação mais aprofundada. A equidade não está descrita na Lei, mas é um princípio que veio ganhando força ao longo dos anos. Além disso, o SUS tem princípios organizativos como: participação social: nas conferências de saúde, os usuários do SUS, gestores, prestadores de serviços e trabalhadores se reúnem para avaliar e propor diretrizes para formular políticas de saúde; complementariedade do setor privado: esse setor é usado pelo SUS como forma complementar; descentralização: o poder é dividido em esferas do governo federal, Estados e Municípios; regionalização: é feita uma divisão das regiões de saúde, visando a garantir a saúde de todos e a diminuir as desigualdades territoriais e sociais; hierarquização: a assistência é dividida em níveis de atenção, sendo elas em primária, secundária e terciária. Algum outro país tem um sistema de saúde semelhante? O Brasil não é o único país a ter um Sistema Único de Saúde. A Inglaterra tem o National Health System (NHS), criado em 1948, o qual serviu de modelo para o SUS. Mas qual a importância de um sistema como o SUS? O SUS é de extrema importância para a vida dos brasileiros, garantindo a saúde de modo integral. Temos a visão de que o SUS atua somente nos postos de saúde e nos hospitais públicos para atendimento, porém o Sistema está presente em ações da vigilância sanitária, vigilância epidemiológica, acompanhamento e promoção da saúde do trabalhador, orientação alimentar, proteção do meio ambiente e no desenvolvimento científico. Ele, portanto, está presente desde as vacinas, fiscalização de alimentos e produtos, garantindo a dispensa de medicação tanto de alto custo como de outros tipos, na fluoração da água para evitar cáries, entre outros. O sistema chega de fato a quem mais precisa? Sim, há diversos programas que garantem a saúde da população. São exemplos as campanhas de vacinação, programas para determinadas doenças como IST (infecções sexualmente transmissíveis), aids (HIV), hepatites, tuberculose, entre outras, atuando desde o diagnóstico até a garantia do tratamento. Quando falamos em programa de HIV, além de assegurar tratamento e teste diagnóstico para a população, é garantida a PREP (profilaxia pré-exposição) e a PEP (profilaxia pós-exposição) que são algumas formas de evitar a infecção pelo vírus HIV, causador da aids. Porém, para ter acesso à PREP, até alguns meses atrás, era necessário que o paciente estivesse em acompanhamento no sistema público, mas, nos últimos meses, foi publicada uma portaria que garantiu o procedimento também aos pacientes do setor privado. Com isso, podemos ver que o SUS está presente em vários momentos de nossas vidas e não somente no atendimento da Unidade Básica de Saúde (UBS) ou no hospital público. O SUS garante nossa saúde no nível biopsicossocial, por meio de suas atividades, não se importando quem seja o atendido. Por isso devemos defendê-lo e, sempre que possível, participar das conferências de saúde para garantirmos melhorias a esse sistema. Agora uma pergunta: você já defendeu o SUS hoje? Para saber mais Processo de regionalização na saúde: perspectivas históricas, avanços e desafios (artigo de Mariana de Castro Brandão Cardoso, Amália Ivine Santana Mattos, Adje Silva Santos e Técia Maria Santos Carneiro e Cordeiro) [link: https://portalatlanticaeditora.com.br/index.php/enfermagembrasil/article/view/502/1024] Nota Informativa nº 11/2021 – CGAHV/DCCI/SVS/MS (orientações para início da prescrição da profilaxia pré-exposição de risco à infecção pelo HIV – PrEP – em Serviços de Saúde Privados) [link: http://www.aids.gov.br/sites/default/files/legislacao/2021/-notas_informativas/nota_informativa_n_11_2021-cgahv_.dcci_svs_ms_prep_saude_suplementar.pdf] Teixeira, P.; Dahdal, M. Medicina preventiva. S.l.: Sanar, 2021. Matheus Ferreira Martins é ex-aluno do Colégio Espírito Santo, em São Paulo-SP, e formado em Medicina pela XLVII turma da Universidade de Mogi das Cruzes (UMC).
21º Domingo do Tempo Comum

“Tu tens palavras de vida eterna”João 6,60-69 Aqui temos a conclusão do grande discurso sobre o Pão da Vida. Mais uma vez, O Evangelho de João deixa claro que, diante de Jesus e de suas palavras, o ouvinte tem de tomar uma decisão radical. Os versículos de nosso texto não escondem o fato de que nem todos conseguem optar por Jesus. As primeiras palavras de hoje, “depois de ter ouvido isso”, demonstram que a divisão nasceu a partir de algum ensinamento de Jesus, sem explicitar o motivo exato da discussão. As preocupações comunitárias dos versículos anteriores, a afirmação de Jesus, de que Ele dá seu corpo como pão da vida, e o fato de que o texto se dirige aos discípulos indicam que provavelmente foi o discurso eucarístico a fonte de divisão. Porém a afirmação de Jesus, de que Ele “dá a vida” (o que causou já uma divisão em 5,19-47) e a identificação de sua palavra reveladora com “o pão vindo do céu”, na primeira parte do discurso, talvez tenham criado a controvérsia. De qualquer maneira, é importante notar que a divisão não se dá entre “os judeus”, no sentido das autoridades judaicas, mas entre os próprios discípulos, muitos dos quais abandonam Jesus nesse momento. Sem dúvida, essa história reflete a experiência da comunidade do Discípulo Amado na década de 90 do primeiro século, quando estava sentindo na pele as dores de divisão, pois muitos de seus membros a estavam abandonando (essa divisão é o pano do fundo das três cartas joaninas). É muito interessante a reação de Jesus diante do abandono da maioria de seus discípulos. Ele não arreda o pé, mas, com toda a calma, até convida os Doze para saírem se não podem aceitar sua Palavra. Jesus não se preocupa com números, mas com a fidelidade ao Pai. Talvez até fique sozinho, mas não vai diluir em nada as exigências do seguimento da vontade do Pai. Um exemplo importante para nós, pois, muitas vezes, caímos na tentação de julgar o êxito pelos números: igrejas cheias indicam sucesso. Mas nem sempre é assim. É mais importante ser coerente com o Evangelho, custe o que custar, do que “fazer média” com a sociedade, às vezes, por uma pregação tão insossa que reduz a religião a mero sentimentalismo, sem consequências sociais. Devemos cuidar de não interpretar erradamente as palavras de Jesus no versículo 63, quando diz que “É o Espírito que vivifica, a carne para nada serve”. Às vezes, usa-se essa frase (e outras de João) para justificar uma religião dualista, na qual tudo o que é “espírito” é bom e tudo o que é material é do mal. Aqui João não distingue duas partes do ser humano, mas duas maneiras de viver. A “carne” é a pessoa humana entregue a si mesma, incapaz de entender o sentido profundo das palavras e dos sinais de Jesus; o “espírito” é a força que ilumina as pessoas e abre seus olhos para que possam entender a Palavra de Deus que se pronuncia em Jesus. Diante do desafio de Jesus, Pedro resume a visão dos que percebem no Senhor algo mais do que um mero pregador. A quem iriam? Só Jesus tem as palavras de vida eterna. Declaração atual, pois é moda na nossa sociedade (até entre muitos católicos praticantes) de correr atrás de tudo o que é novidade: supostas aparições, videntes, esoterismo, religiões orientais, gnosticismo e tantas outras propostas, às vezes até esdrúxulas, enquanto se ignora a Palavra de Deus nas Escrituras. O texto nos convida a nos examinarmos, a verificarmos se estamos realmente buscando a verdade onde ela se encontra, ou se a deixamos de lado, achando (como a multidão no texto) que o seguimento de Jesus “é duro demais”. No meio de tantas propostas de vida, estamos convidados a reencontrar a fonte da verdadeira felicidade e da verdadeira vida, fazendo a experiência de Pedro, que descobriu que Jesus “tem palavras de vida eterna”. Padre Tomaz Hughes, SVD, biblista e assessor da CRB e do Cebi. Dedicou-se a cursos e retiros bíblicos em todo o Brasil. Publicou diversos artigos e o livro “Paulo de Tarso: discípulo-missionário de Jesus”. Faleceu em 15 de maio de 2017. Suas reflexões bíblicas são muito atuais.
Palavras para não romantizar…

Eu acredito na força e no poder das palavras. Neste texto, não quero desmerecer a intensidade de palavras, apenas acentuar a banalização, seus usos e desusos no cotidiano. Algumas expressões estão me doendo os ouvidos quando escuto, a depender do contexto. “Birra”, “sustentabilidade”, “guerreira”, “cristão”, “empreendedorismo”, “resiliência” e até mesmo a expressão “mi-mi-mi” vêm me causando estranheza, entre outras tantas palavras. A cena pelas ruas até parece “birra”, mas pode ser um jeito que a criança encontrou de dizer que está esgotada, de mau humor, cansada. Birra é uma expressão cujo uso merece considerar mais nuances e inter-relações. A “sustentabilidade”, descrita nos financiamentos e ações de investimento social de empresas destruidoras do meio ambiente, a que se refere de fato? Ah, o “empreendedorismo”! Tem seu valor transformador sim. Mas também, além de carregar a equivocada culpa de ser pobre porque quer, de não ter tido formação nem oportunidade, carrega agora a culpa de não ser empreendedor, empreendedora no meio do caos e numa sociedade desigual. Sempre haverá aquela que mais assusta. Para mim, “guerreira”, “guerreiro”. Podemos estar, sim, diante de uma pessoa que se agigantou de fato e com uma rede de apoiadores diante de sua guerra particular e pessoal. Mas podemos estar diante de alguém, geralmente uma mulher, que está num processo de esgotamento, precisando de ajuda, desdobrando-se até não conseguir mais… E a tal da “resiliência”? A resistência e a sobrevivência humana ao imponderável e às adversidades podem conter danos evitáveis. Importante sim. Nobre. Mas do que estaríamos exatamente falando? O que deixamos de prevenir? Sobre o “mi-mi-mi”, nem sei o que dizer. Já disseram, não sei a fonte, e vou repetir aqui: “mi-mi-mi” é a dor do outro e que não dói em mim. “Cristão”, então, ganhou contornos de banalidade… Impossível se autoproclamar cristão e não comungar valores evangélicos, a sede de justiça social e aliança com os pequenos. Não são só palavras ao vento. É preciso escutar e contextualizar. Para me ajudar a sair dessa reflexão que iniciei e que não tem fim, faço memória às palavras de Paulo Freire: “É fundamental diminuir a distância entre o que se diz e o que se faz, de tal forma que, num dado momento, a tua fala seja a tua prática”. Eu acredito na força e no poder das palavras. Maria José Brant (Deka), assistente social, analista de políticas públicas na Prefeitura de Belo Horizonte-MG, mestra em Gestão Social, mosaicista nas horas vagas.
Vocação à vida religiosa consagrada

A vocação à vida religiosa consagrada decorre da experiência vivenciada por pessoas simples e normais que buscam o seguimento radical de Cristo, entregando sua vida a Jesus, no cotidiano. A pessoa, ao sentir o apelo do chamado à vida religiosa, começa um processo de discernimento e amadurecimento, realizado por meio de uma caminhada de conhecimento espiritual e humano. Desse modo, começa a viver “o grande tesouro na Igreja naqueles que seguem o Senhor de perto, professando os conselhos evangélicos” (votos de pobreza, de obediência e de castidade), em uma congregação religiosa (Papa Francisco, Oração do Ângelus, 2 fev. 2020). E nesse seguimento, esforça-se para ser “sal e luz” de Jesus por onde passar. No decorrer do processo de formação do vocacionado, é necessário o acompanhamento e ser acolhido numa comunidade de vida religiosa, em busca de crescimento e amadurecimento nas dimensões espiritual, intelectual, comunitária, afetiva e apostólica. Essa ajuda e esforço será para aperfeiçoar as motivações que sustentam a vocação do candidato à vida religiosa. A vivência dessas dimensões estará presente na vida toda do consagrado, da consagrada. Durante a formação, há também os estudos acadêmicos, necessários para proporcionar competência e qualificação exigidas na missão. Na atualidade, torna-se cada vez mais necessário formar solidamente a pessoa, para seguir Jesus nos mais vulneráveis e fragilizados, e tornar-se capaz de fazer conhecida a ação de Cristo, levando-o a ser conhecido e amado. Toda vocação cristã é seguimento a Jesus Cristo, o que muda é o como. Portanto há diversas formas de segui-lo e servi-lo. Todo seguimento é vivido na missão em formas de vida diferentes: vocação ao matrimônio (família), vida sacerdotal e vida religiosa consagrada. Na vida religiosa, o vocacionado escolhe uma congregação que responda aos apelos do carisma e dons recebidos para sua vida e viver sua vocação. Ou seja, “Graças especiais entre os fiéis de todas as classes, as quais os tornam aptos e dispostos a tomar diversas obras e encargos, proveitosos para a renovação e cada vez mais ampla edificação da Igreja, segundo aquelas palavras” (Constituição Dogmática Lumen Gentium, n.º 12). Em outras palavras, o carisma é a missão concreta vivida com base no Evangelho, do qual são partes integrantes a promoção da justiça, do diálogo inter-religioso, no contato com a cultura moderna. No seguimento à vida religiosa, são necessárias atitudes, valores e padrões de conduta que, em seu conjunto, constituem o que podemos chamar de pressupostos da vocação daqueles que desejam seguir o Cristo encarnado na condição dos pobres. Nesse caso, podemos elencar características ou pressupostos da vocação religiosa consagrada necessários no discernimento da vocação, tais como: Profundo amor pessoal a Jesus Cristo. A pessoa seguidora de Cristo nos pobres mais pobres é alguém que, embora pecadora, sente-se chamada a acompanhar os passos de Jesus. Dá de graça o que de graça recebeu: o dom do amor redentor de Cristo. Hoje, como sempre, é a profunda identificação pessoal com Jesus a principal característica da vocação. Contemplativos na ação. Seguir Jesus na pessoa dos mais pobres é sentir-se unido a Deus, pela salvação de todos. Deus atua nos acontecimentos e por meio das pessoas, no aqui e agora, e é no discernimento que o seguidor de Cristo assume a responsabilidade de suas decisões apostólicas, participa da missão do Senhor. Solidariedade com os mais necessitados. A pessoa seguidora de Cristo no pobre faz-se solidária com os pobres, os marginalizados e os sem vez e sem voz. Sempre em busca do bem maior. A pessoa seguidora de Cristo nos pobres mais pobres sente-se constantemente levada a descobrir onde está o mais necessitado. Para isso, é preciso que não se acomode com o já realizado e tenha uma audácia que a leve a novas fronteiras e a novos desafios. É a busca do bem maior que dá o dinamismo apostólico da missão. Por fim, muito mais que todos os pressupostos para a vida religiosa, necessitamos contar com a responsabilidade e o respeito por parte de toda a comunidade cristã e religiosa. O convite “Vinde e vede” (João 1,39) de Jesus aos vocacionados e aos que estão em formação depende intrinsicamente do testemunho e da oração de todos, os já consagrados e de toda a comunidade cristã. Padre Domingos Chagas, SJMonge eremita na Ermida São Miguel, em Maringá-PR.
Solenidade da Assunção de Nossa Senhora

“Você é bendita entre as mulheres”Lucas 1,39-56 Para entender bem a finalidade de Lucas em relatar os eventos ligados à concepção e ao nascimento de Jesus, é essencial conhecer algo de sua visão teológica. Para ele, o importante é acentuar o grande contraste, mesmo que haja também continuidade, entre a Antiga e a Nova Aliança. A primeira está retratada nos eventos que giram ao redor do nascimento de João Batista, e tem seus representantes em Isabel, Zacarias e João; a segunda está nos relatos ao redor do nascimento de Jesus, com as figuras de Maria, José e Jesus. Para Lucas, a Antiga Aliança está esgotada, deu o que era para dar. Seus símbolos são Isabel, estéril e idosa; Zacarias, sacerdote que duvida do anúncio do anjo; e o nenê que será um profeta, figura típica do Antigo Testamento. Em contraste, a Nova Aliança tem como símbolos a jovem virgem de Nazaré, que acredita e cujo filho será o próprio Filho de Deus. Mais adiante, Lucas enfatiza esse contraste nas figuras de Ana e Simeão, no Templo (Lucas 2,25-38), especialmente quando Simeão reza: “Agora, Senhor, conforme a tua promessa, podes deixar o teu servo partir em paz. Porque meus olhos viram a tua salvação” (2,29). Por isso não devemos reduzir a história de hoje a um relato que pretende mostrar a caridade de Maria em cuidar de sua parenta idosa e grávida. Se a finalidade de Lucas fosse essa, não teria colocado o versículo 56, que a mostra deixando Isabel antes do nascimento de João: “Maria ficou três meses com Isabel; e depois voltou para casa”. É só depois que Lucas trata do nascimento de João. Também não é verossímil que uma moça judia de mais ou menos 14 anos enfrentasse uma viagem tão perigosa como a da Galileia à Judeia! A intenção de Lucas é literária e teológica. Ele coloca juntas as duas gestantes, para que ambas possam louvar a Deus por sua ação nas suas vidas e para que fique claro que o filho de Isabel é o precursor do filho de Maria. Por isso Lucas tira Maria de cena antes do nascimento de João, para que cada relato tenha somente suas personagens principais: de um lado, Isabel, Zacarias e João; do outro, Maria, José e Jesus. O fato de que a criança “se agitou” no ventre de Isabel faz recordar algo semelhante na história de Rebeca, quando Esaú e Jacó “pulavam” no ventre dela, na tradução da Septuaginta de Gênesis 25,22. O contexto, especialmente o versículo 43, salienta que João reconhece que Jesus é seu Senhor. Com a iluminação do Espírito Santo, Isabel pode interpretar a “agitação” de João: é porque Maria está carregando o Senhor. As palavras referentes a Maria: “Você é bendita entre as mulheres, e bendito é o fruto do seu ventre” (vers. 42) fazem lembrar mais duas mulheres que ajudaram na libertação do seu povo: Jael (Juízes 5,24) e Judite (Judite 13,18). Aqui Isabel louva a Maria que traz em seu ventre o libertador definitivo de seu povo. Finalmente, vale destacar o motivo pelo qual Isabel chama Maria de “bem-aventurada” (vers. 45): “Bem-aventurada aquela que acreditou”. Maria é bendita em primeiro lugar, não por sua maternidade, mas pela fé; em contraste com Zacarias, que duvidou. Aqui Maria é principalmente modelo de fé. Podemos também acrescentar que, nesse primeiro capítulo, encontramos as frases da primeira parte da oração da Ave-Maria: “Ave, Maria” (1,28); “Cheia de graça” (1,28); “O Senhor é convosco” (1,28); “Bendita sois vós entre as mulheres” (1,42); “Bendito o fruto do vosso ventre” (1,42). Juntos com Isabel, saibamos honrar Maria, a mãe do Senhor, modelo de fé para todos nós! Mas a fé de Maria (como, aliás, sempre é na Bíblia) não foi uma adesão somente intelectual a Deus. Era o assumir do projeto de Deus (justiça, libertação, solidariedade e salvação integral). Por isso Lucas põe na boca de Maria o grande Cântico do Magnificat, atualizando o Canto de Ana (1 Samuel 2,1-10), cantando a grandeza de nosso Deus, que se põe ao lado dos humilhados e sofridos, e derruba os poderosos e prepotentes! O texto de hoje nos lembra que Maria era uma mulher lutadora, totalmente comprometida com o projeto de Deus para um mundo fraterno. Se Ela estivesse entre nós hoje, sem dúvida (como também Jesus), estaria nos movimentos e pastorais sociais, lutando pela vida digna de todos e celebrando com os irmãos e irmãs a fé no Deus de justiça, libertação e salvação. Dia das Vocações à Vida ConsagradaHoje também é o Dia da Vida Consagrada, na diversidade de suas formas: vida religiosa apostólica, vida contemplativa e monástica, institutos seculares, leigos e leigas consagrados, etc. A vida consagrada, assim entendida, baseia-se numa experiência profunda de Deus, vivida em comunidade, no seguimento de Jesus que era pobre, casto e obediente. Essa experiência leva a um engajamento, dentro do carisma próprio do cada grupo, na continuidade da missão do Mestre, na paixão pelo Reino. Rezemos pelos consagrados e consagradas para que firmem cada vez mais os elementos essenciais da sua vocação específica. Padre Tomaz Hughes, SVD, biblista e assessor da CRB e do Cebi. Dedicou-se a cursos e retiros bíblicos em todo o Brasil. Publicou diversos artigos e o livro “Paulo de Tarso: discípulo-missionário de Jesus”. Faleceu em 15 de maio de 2017. Suas reflexões bíblicas são muito atuais.
Ser estudante

Ser estudante hoje é enfrentar um grande desafio, pois, na pandemia, há um ano e meio, toda a rotina das escolas e dos alunos foi mudada. Pude perceber como foi importante o uso de computadores, tablets e celulares no novo formato das aulas. Acredito que foi uma grande vantagem neste período estudar em um colégio católico. Recebi a minha primeira comunhão e percebi ainda o respeito entre as pessoas na forma on-line de aula. Um grande abraço virtual para meus amigos pelo Dia do Estudante. ______________________________________ Uma vez, uma vizinha me perguntou como era ser uma aluna do CICM (Colégio Imaculado Coração de Maria). Falou que deveria ser chato e cheio de regras, mas, na realidade, não chega nem perto disso… Desde pequenos, aprendemos que a escola é, sim, nossa segunda casa e que os amigos são a família que escolhemos. Ah, outra coisa que adoro na escola é o fato da minha família poder fazer parte da minha vida escolar. Fora que muita gente acha que, na aula de Ensino Religioso, estudamos só a religião católica. Durante as aulas, aprendemos sobre o certo, o errado e o princípio de cada religião. E eu só tenho a agradecer o colégio pelos amigos que fiz e pelos valores que vou levar para a vida toda. ______________________________________ Ser estudante hoje em dia é certamente um privilégio. Todos sabemos das dificuldades de cada dia na escola: acordar cedo, a exaustão que um modelo híbrido causa e também a pressão sobre o vestibular, que o ensino médio sofre bastante. Porém muitas pessoas queriam essa oportunidade. Muitos brasileiros queriam aprender sobre Física, Biologia e todas as outras matérias que nós estudamos. Antes de criticar o modelo estudantil para melhorar sua estrutura, é importante que o privilégio da escola chegue para todos os brasileiros. Para nós que estudamos, parabéns! Para os que não estudam, cabe a nós lutarmos por esse direito, visto que temos mais oportunidades. ______________________________________ Ser estudante nunca foi fácil, mas ficou um pouco mais complicado com a chegada da pandemia. Ser estudante atualmente é sinônimo de coragem. No meio do caos que o mundo está vivendo, nós estamos correndo atrás dos nossos sonhos, do nosso futuro. E ter uma escola que luta pelo estudante faz toda a diferença. O CICM incentiva e ajuda os alunos a passarem pelas dificuldades. Sou grata por estar em uma escola que batalha pelo meu futuro junto comigo. ______________________________________ O que é ser estudante? Não existe apenas uma resposta para essa pergunta. Porque ser estudante é buscar pelo conhecimento, é lutar contra o tempo para entregar trabalhos, é vencer obstáculos e é o desejo de seguir uma profissão. Mas o mais importante é que ser estudante é aprender coisas, fazer amigos e ter experiência que vão ser levadas para a vida toda. ______________________________________ Ser estudante pra mim é aprender a melhorar, descobrir um novo mundo a cada matéria nova, é ter professores que tentam sempre inovar e deixar coisas chatas com gostinho de quero mais. É ter uma segunda família, é ser acolhida nos melhores e piores momentos, é crescer e ajudar o mundo a crescer comigo. É ter certeza de que o amanhã é a gente que faz. ______________________________________ Ser estudante é ter a coragem de se permitir a aprender sobre a vida.É olhar ao redor e compreender o melhor – e o pior – da sua realidade.É se adaptar ao turbilhão de pensamentos simultâneos de sua cabeça.É definir seu futuro, mesmo que não entenda seu presente.Ser estudante é conciliar tarefas da escola, da casa e do mundo.É se descobrir como alguém, e conhecer o seu eu.É ser capaz de escrever novas páginas e reescrever momentos.É apontar um lápis quebrado e desenhar uma flor. ______________________________________ Ser um estudante é, na minha concepção, uma jornada na qual poucos param para observar os detalhes do caminho, mas são eles é que fazem a diferença. Costumamos nos ater às provas e trabalhos, a acordar cedo e às nossas responsabilidades, mas ser estudante não é só sobre isso. Estudar é conhecer, explorar, viver várias vidas em uma e adentrar diversos campos diferentes. Infelizmente, em meio a essa pandemia, nosso estudo teve de ser um pouco diferenciado: o fato de termos nos adaptado e resistido até então é algo a se vangloriar. Estudar é crescer humanamente em todos os âmbitos, e eu sou eternamente grata por ter a oportunidade de ser estudante. ______________________________________ Ser um estudante, para mim, é enfrentar todos os desafios impossíveis quando pensamos em aprendizado e, mesmo assim, se manter com foco e determinação por pensar que um dia tudo vai valer a pena. Ser estudante é ser uma pessoa que está constantemente testando seus limites e, mesmo assim, tenta ao máximo se manter firme por acreditar no processo. Isto, para mim, é o que define um estudante: a resistência e a fé no ensino. ______________________________________ Ser estudante, nos dias de hoje, é um desafio. Focar em tantas coisas ao mesmo tempo, neste período caótico em que estamos vivendo, é, na maioria das vezes, desesperador, mas também é reconfortante saber que existe um apoio da escola e dos professores na maioria do tempo. Por mais que existam dificuldades, não existe nada mais gostoso do que estar na escola buscando conhecimento e se relacionando com as pessoas em nossa volta.
Povo Pataxó Hã-hã-hãe: novo território, novos desafios

Em janeiro de 2019, um grupo de indígenas do povo Pataxó Hã-hã-hãe foi diretamente atingido pelo rompimento da barragem da mineradora Vale, ocorrido no Município de Brumadinho, Estado de Minas Gerais. O rio Paraopeba do qual dependiam para a alimentação, para a higiene e para seus ritos, tornou-se contaminado pelos rejeitos da mineradora. Com o surgimento de doenças e diante da impossibilidade de continuar na área, os indígenas foram obrigados a sair de seu território e ir para a periferia de Belo Horizonte. Vivendo em condições de vulnerabilidade, insegurança e precariedade, ao menos 23 pessoas foram contaminadas pela covid-19. Com a negligência tanto do Estado quanto da mineradora Vale, responsável pelo crime ambiental, os indígenas passaram a depender frequentemente de doações para a sobrevivência. Em junho de 2021, o alento veio de um grupo de japoneses. Em uma ação histórica no Brasil e na contramão das investidas do governo atual de retirada de terras dos indígenas, membros da Associação Mineira de Cultura Nipo-Brasileira doaram 70% de um território de 36 hectares, pertencente à entidade, em São Joaquim de Bicas, Região Metropolitana de Belo Horizonte. Os outros 30% foram negociados com os indígenas, sendo que o pagamento será feito com a futura indenização da mineradora Vale ao grupo. A ocupação da então “Mata do Japonês” ocorreu imediatamente após o acordo. Cerca de 20 famílias foram para o território, que passou a ser denominado “Aldeia Katurãma”. Porém um novo desafio eclodiu. Desde 2010, a área vem sendo invadida por grileiros. Esses têm se recusado deixar o local. Mesmo se tratando de uma reserva de preservação permanente, os grileiros vêm provocando queimadas, derrubando árvores e ameaçando a segurança do grupo. O Estado tem se mostrado ausente. A Polícia Federal, por exemplo, até o momento, não está fazendo a segurança dos indígenas, deixando suas vidas em situação de risco. Direitos fundamentais, como o acesso à água e à luz, também não estão assegurados. Por outro lado, os indígenas têm buscado revitalizar a área, cuidando das árvores existentes e fazendo o plantio de outras nos locais devastados. Vários atores e coletivos da sociedade civil também têm sido solidários com os indígenas, ajudando-os a suprir as necessidades básicas, construir moradias e lutar por seus direitos. Você também pode fazer parte da história dos pataxós hã-hã-hães e deixar que a história deles faça parte de sua vida. Em primeiro lugar, busque conhecê-los melhor. Se mora distante de São Joaquim de Bicas e não pode encontrá-los pessoalmente, na internet você poderá encontrar reportagens e artigos sobre essa comunidade. Em segundo lugar, divulgue nas redes sociais a atual situação deles. O mundo precisa saber que os povos originários continuam sendo tratados com descaso no Brasil. Em terceiro lugar, os indígenas estão precisando de ajuda para construir a nova aldeia. No momento, estão recebendo doações para a construir uma escola. Caso queira contribuir financeiramente, deixamos o número do pix da Associação Indígena do Povo Katurãma: 42 457 801 0001 20 Outras informações podem ser obtidas pelo e-mail stelamartins.to@gmail.com. A causa indígena é de todos nós! Irmã Stela Martins, SSpS, coordenadora da Redes (Rede de Solidariedade), graduanda no curso de Ciências Sociais.
19º Domingo do Tempo Comum

“Quem come deste pão viverá para sempre”João 6,41-51 Nesse texto, nós nos encontramos no meio do discurso de Jesus sobre o “Pão da Vida”. O gancho que João usa para pendurar a fala é o pedido dos judeus no versículo 35: “Senhor, dá-nos sempre desse pão”. Em resposta, Jesus começa sua grande alocução. Divide-se em duas partes. Na primeira (vers. 35-50), que inclui o texto de hoje, o pão celestial que nos nutre é a revelação ou o ensinamento de Jesus (o tema sapiencial); na segunda parte (vers. 51-58), será a Eucaristia (tema sacramental). O redator da comunidade joanina combinou “o pão do céu” com o material eucarístico da Última Ceia, e assim formou a segunda parte do discurso como texto paralelo à primeira. Isso explica a ausência de um relato da instituição da Eucaristia nos textos da Ceia em João, pois seu conteúdo básico foi colocado aqui. Como seus antepassados murmuravam no deserto contra o pão que Deus mandava (o maná), agora eles se queixam do novo maná. Aqui logo aparece uma característica do João, a ironia. Os judeus (aqui se entendem as autoridades judaicas e não o povo judeu) dizem que conhecem a origem de Jesus, pois só pensam em sua família de origem. Jesus mostra que, na verdade, não a conhecem, pois eles não viram o Pai, sua verdadeira origem. Aqui também aparece, no versículo 47, mais uma característica joanina, a “escatologia realizada”. Enquanto, para os Sinóticos, o juízo é algo que se dá no último dia, para João, frequentemente, já aconteceu, pois a pessoa é salva ou condenada já, por sua aceitação ou não de Jesus como o Filho de Deus. Aqui, de novo, João nos dá o que talvez seja uma variante das palavras da instituição da Eucaristia: “O pão que eu vou dar é a minha própria carne, para que o mundo tenha a vida” (vers. 51). João enfatiza que o Verbo Divino se tornou carne e tem entregado sua carne como alimento da vida eterna. O texto não é fácil, pois é extraído de um discurso muito mais comprido e que forma uma unidade. Mas está ligado, no capítulo 6, à multiplicação dos pães. A participação eucarística no Corpo e Sangue de Jesus exige uma vivência de partilha e solidariedade. Esse tema é caro a João e é retomado em sua Primeira Carta. Padre Tomaz Hughes, SVD, biblista e assessor da CRB e do Cebi. Dedicou-se a cursos e retiros bíblicos em todo o Brasil. Publicou diversos artigos e o livro “Paulo de Tarso: discípulo-missionário de Jesus”. Faleceu em 15 de maio de 2017. Suas reflexões bíblicas são muito atuais.
Pais-educadores, educadores-pais e a pedagogia de São José

Vivemos tempos tão difíceis… Como consultora educacional, em muitas cidades no Estado do Rio de Janeiro, acompanho partilhas e desabafos sobre os desafios enfrentados pelos pais: lidar com as próprias emoções; ajudar a família a manter a saúde física e mental; conciliar o home office com a atenção aos filhos estudando em casa; enfrentar a crise econômica, contratos suspensos, desemprego, aumento do custo de vida; lidar com a falta de tempo para família, consumido por compromissos profissionais; estabelecer limites e autoridade paterna; dar exemplo e demonstrar coerência para os filhos; prover as necessidades materiais; mas, sobretudo, cuidar e educar. Os desafios não param por aí… Com grande inspiração e senso de urgência, o Papa Francisco decretou 2021 como o “Ano de São José”, para celebrar os 150 anos da declaração do Esposo de Maria como Padroeiro da Igreja Católica. A Carta Apostólica “Patris corde – Com coração de Pai”,¹ sobre a pessoa e a missão extraordinária de São José, aponta sinais que iluminam e inspiram nossos caminhos. O Papa diz que “o objetivo é aumentar o amor por esse grande santo, para nos sentirmos impelidos a implorar a sua intercessão e para imitarmos as suas virtudes”. “A felicidade de José não se situa na lógica do sacrifício de si mesmo, mas na lógica do dom de si mesmo. Naquele homem, nunca se nota frustração, mas apenas confiança. O seu silêncio persistente não inclui lamentações, mas sempre gestos concretos de confiança” (Papa Francisco, Patris corde). A importância de preservar o silêncio em um mundo tão barulhento que nos tira a paz, reservar momentos e “olhar para dentro”, com esperança e confiança. Dedicamos tanto tempo “olhando para fora” e nos esquecemos de (re)descobrir o próprio interior. Tony de Mello diz que “o silêncio não é ausência de som, mas ausência de Ego”. “A vontade de Deus, a sua história e o seu projeto passam também através da angústia de José. Assim ele ensina-nos que ter fé em Deus inclui também acreditar que Ele pode intervir inclusive através dos nossos medos, das nossas fragilidades, da nossa fraqueza. E ensina-nos que, no meio das tempestades da vida, não devemos ter medo de deixar a Deus o timão da nossa barca. Por vezes, queremos controlar tudo, mas o olhar d’Ele vê sempre mais longe” (Papa Francisco, Patris corde). Mesmo em meio a tantas dificuldades, muitas vezes mergulhados no estresse, aprendemos com São José a nos deixar surpreender pelo amor poderoso de Deus, que cuida de nós, que nos surpreende. Aos pés de Jesus, somos todos famintos, e o alimento que dá sustento é o que recebemos das mãos dele, que nos dá força para enfrentar os desafios. “O acolhimento de José convida-nos a receber os outros, sem exclusões, tal como são, reservando uma predileção especial pelos mais frágeis, porque Deus escolhe o que é frágil (1 Coríntios 1,27), é pai dos órfãos e defensor das viúvas (Salmo 68,6) e manda amar o forasteiro. Posso imaginar ter sido do procedimento de José que Jesus tirou inspiração para a parábola do filho pródigo e do pai misericordioso (Lucas 15,11-32)” (Papa Francisco, Patris corde). Muitas vezes, em nossas casas, temos a tendência de tentar colocar os familiares dentro de “formas”, e essa postura autoritária sufoca e castra a identidade e a criatividades de cada familiar, especialmente dos filhos. Por isso, na pessoa de São José, nos gestos de escuta, paciência e acolhimento, buscamos inspiração no modo original de ser presença acolhedora. O Papa apresenta sete características da paternidade de São José: um pai amado, pai da ternura, pai na obediência, pai no acolhimento, coragem criativa (transformar um problema em oportunidade), pai trabalhador, e a sétima característica da paternidade de São José é a sugestiva imagem da sombra (o Papa lembra que não se nasce pai, mas se torna pai). Precisamos não temer como José não temeu (Mateus 1,20). Sigamos em frente, olhando o exemplo do amado São José. Rezemos com o Papa essa oração que ele reza todos os dias, há mais de quarenta anos: “Glorioso Patriarca São José, cujo poder consegue tornar possíveis as coisas impossíveis, vinde em minha ajuda nestes momentos de angústia e dificuldade. Tomai sob a vossa proteção as situações tão graves e difíceis que vos confio, para que obtenham uma solução feliz. Meu amado Pai, toda a minha confiança está colocada em vós. Que não se diga que eu vos invoquei em vão, e dado que tudo podeis junto de Jesus e Maria, mostrai-me que a vossa bondade é tão grande como o vosso poder. Amém” (Papa Francisco, Patris corde). Cristina Maia, membro da Equipe de Espiritualidade da Província Brasil Norte das irmãs missionárias servas do Espírito Santo. Referência¹ PAPA FRANCISCO. Carta Apostólica Patris Corde, por ocasião do 150º aniversário da declaração de São José como Padroeiro Universal da Igreja. Disponível em https://www.vatican.va/content/francesco/pt/apost_letters/documents/papa-francesco-lettera-ap_20201208_patris-corde.html