Semana Laudato Si’ 2020

O ano de 2020 marca o quinto aniversário da Laudato Si’. A encíclica do Papa Francisco sobre o cuidado com a Casa Comum foi assinada em 24 de maio de 2015. Mais que um documento eclesial, a encíclica é uma proposta de um projeto de vida para a humanidade e para o nosso planeta. A Laudato si’ foi acolhida como um documento profundo e cheio de beleza, e impulsionou pessoas ao redor do mundo a refletirem mais profundamente sobre o Criador e a criação. Sua visão da ecologia integral, que vê as conexões entre como tratamos Deus, a natureza e uns aos outros, oferece-nos verdades simples, porém profundas, sobre os laços que nos unem. Certamente esse documento é uma inspiração durante momentos de dificuldade, como a crise que atravessamos atualmente. Ele nos encoraja a refletir sobre os valores que compartilhamos e a criar um futuro mais justo e sustentável. Em uma grande campanha, o Papa convida todas as pessoas a participar da Semana Laudato Si’, de 16 a 24 de maio, que tem como tema “Tudo está interligado”. Assista, a seguir, ao vídeo do Papa Francisco. Para mais informações e materiais, acesse o site: Semana Laudato Si’ 2020 Vídeo do Papa Francisco:

Um Primeiro de Maio diferente

O Primeiro de Maio de 2020 foi celebrado de forma completamente diferente dos anos anteriores: sem poderem reunir-se, os trabalhadores fizeram uma programação nas redes sociais que se iniciou às 11h30min, com um culto ecumênico, e depois com a fala das principais lideranças nacionais e apresentação de muitos artistas que apoiam a causa da justiça e os direitos dos trabalhadores. Mais uma vez, nosso querido Papa Francisco exerceu sua corajosa profecia e, numa mensagem aos movimentos sociais do mundo todo, no dia 10 de abril, manifestou sua solidariedade aos trabalhadores, especialmente aos informais, neste período de pandemia. Francisco os definiu como “um exército invisível que combate nas trincheiras mais perigosas”. Graças a Deus, nosso Papa, diferente de alguns governantes cruelmente indiferentes ao sofrimento e às mortes, sabe que as vítimas principais desta crise são os pobres, os trabalhadores que, muitas vezes, vivem entre o desespero da fome e a ameaça desta doença mortal. “Sarar, cuidar e compartilhar” é o desafio que Francisco propõe a todos nós que nos reconhecemos seguidores de Jesus. A grande pandemia vem pôr em questão toda a organização da economia mundial, toda forma de exploração dos recursos naturais, nossa relação com a Mãe Terra e a própria relação entre nós. O grande dogma do neoliberalismo, do poder material, cai por terra, e as fortalezas dos impérios do dinheiro mostram sua fragilidade. A emergência sanitária demonstra, ao mesmo tempo, a importância da pessoa e do trabalho humano. Quando hordas de inescrupulosos fazem as carreatas exigindo a abertura de seus comércios a qualquer preço, confessam que, sem o trabalho, seu capital não serve para nada e que pouco se importam se mais gente é infectada ou morta, porque é preciso que o trabalho faça girar sua máquina de lucro. O Primeiro de Maio vem nos lembrar, assim, a primazia do humano, a nobreza do trabalho que completa a obra da Criação. Por isso, nessa data, temos de exigir que, diante de uma crise tão grave, os governantes devem tomar as medidas para defender a vida de seu povo, seja com medidas sanitárias, seja com providências econômicas que socorram as famílias dos trabalhadores desempregados, daqueles momentaneamente afastados de seus postos de trabalho devido à pandemia, dos marginalizados, a população que vive nas ruas… É ainda o Papa quem defende a instituição de um “salário universal que reconheça e dê dignidade às nobres tarefas que desempenham… que nenhum trabalhador fique desprovido de direitos”. Oxalá a Igreja no Brasil e todos nós sigamos as orientações de Francisco, encarnação viva de Jesus, e façamos da luta pela Justiça e da solidariedade concreta nossa prática cristã cotidiana. Para isso é preciso que cada comunidade, cada cristão se proponha, neste Primeiro de Maio, a engajar-se numa ação de solidariedade, seja ela com o recolhimento de alimentos, artigos de higiene pessoal para distribuição a nossos irmãos trabalhadores vítimas da injustiça e da indiferença, seja com a partilha do pão da Palavra, da orientação, da informação a respeito de seus direitos essenciais. Gilberto CarvalhoGraduado em Filosofia e Teologia com especialização em Gerenciamento Público. Ligado à Pastoral Operária (da Igreja Católica), desempenhou diversas funções no Partido dos Trabalhadores (PT) e é Ex-Secretário Geral da Presidência da República. O trabalho em foco A adoção da tese do realismo periférico pelos governos neoliberais desde 2016 no Brasil impulsionou a busca de vantagens competitivas assentadas na redução dos custos de produção, especialmente do trabalho. Para tanto, o estabelecimento de uma nova disciplina na organização do trabalho cada vez mais desregulado. Nesse sentido, o abandono, após mais de uma década, da perspectiva de projeto nacional e do protagonismo mundial evidenciado pelos governos petistas tem revertido o padrão de relação salarial da força de trabalho assentado à estrutura verticalizada da produção industrial, cada vez mais terceirizada. Em decorrência, o esvaziamento das estruturas de representação de interesses dos operários e da burguesia industrial até então referências de compromissos políticos passados em torno do desenvolvimento brasileiro. Retorno ao receituário neoliberal Com o retorno ao receituário neoliberal, a desregulamentação defensiva ganhou centralidade, pois voltada a alternativas para o trabalho assalariado frente à fuga da indústria e à pretensa expansão dos serviços cada vez mais industrializados. Para tanto, a difusão ideológica da meritocracia do empreendedorismo visando a converter o trabalhador em empresário de si próprio nas atividades de prestação de serviços. A dominância da concorrência exposta em escala individual extremada iria se descolar da necessidade do Estado, cabendo a cada um negociar no mercado a venda de serviços multifuncionais. Assim, as exigências de competitividade individual reforçariam as providências de dispor ativos próprios, como o certificado de formação (diploma educacional) e comprovantes de seguros na saúde, assistência e previdência social, não mais incorporado ao contrato de trabalho salarial entre empregado e empregador. Da privatização do Estado para a privatização dos direitos sociais Diferentemente do programa neoliberal da “Era dos Fernandos” (Collor, 1990-1992; e Cardoso, 1995-2002), quando o foco recaiu na privatização do Estado, os governos após golpe de Estado de 2016 concentram-se na privatização dos direitos sociais e trabalhistas. Nesse sentido, o fim dos serviços públicos, incialmente por sua asfixia orçamentária, propulsora do rápido rebaixamento da oferta e sua qualidade, e na sequência, sua privatização, abriria nova modalidade de expansão capitalista fundamentada no empreendedorismo dos serviços. Enquanto avança a desregulamentação defensiva, o Brasil assiste ao acelerado descompasso entre a internacionalização do padrão de consumo cada vez mais excludente das massas empobrecidas e a especialização da estrutura produtiva dependente do extrativismo mineral e vegetal, acompanhado do maior barateamento possível do custo da mão de obra. Sinal disso pode ser traduzido nas informações a respeito da expansão recente da subutilização da força de trabalho no Brasil. Atualmente, a subutilização do trabalho, que atinge um a cada quatro brasileiros, era apenas um pouco mais de 1/7 da força de trabalho no ano de 2014. Com isso, o Brasil que representava 5,3% do total de trabalhadores subutilizados no mundo, em 2014, passou a responder por 9% em 2019, segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT). “A subutilização do trabalho tende

Tempo de ajudar Deus a carregar a cruz

Quando no incêndio que, em 1519, destruiu a Igreja de São Marcelo al Corso o crucifixo saiu ileso, o povo romano tomou nota. Tanto que, três anos mais tarde, quando a cidade foi atingida pela peste, o crucifixo foi levado em procissão por 16 dias, pelas ruas de Roma. A cada dia, o contágio regredia e, quando ele voltou a São Marcelo, a peste tinha desaparecido. Esse mesmo crucifixo foi exposto na sexta-feira, 27 de março último, ao dilúvio da noite romana, como arma simbólica contra o novo coronavírus. As câmeras demoravam sobre o busto antigo do Cristo, regado pelas gotas. Só na Itália estavam ligados aproximadamente 8 milhões de televisores. As imagens estavam perfeitas, e os comentários dos repórteres: oh, que poder de imagem! Oh, as lágrimas do céu se unem às do povo! Oh, trágica maravilha! Parece que o crucifixo está muito danificado, talvez irremediavelmente danificado. Dizem que a madeira pode explodir. Esse crucifixo que tinha vencido o fogo e a peste cai por uma chuva romana no fim de março. Homens de máscaras fazem o triste depoimento. E será que esse não é o verdadeiro sinal e o penoso trabalho de decifrá-lo: talvez Deus esteja tão cansado, talvez devêssemos consolá-lo? Essas frases de Leonardo Lenzi e a foto me tocaram profundamente. Lembrei-me de um dos pensamentos de Etty Hillesum, a jovem judia cujos diários e cartas descrevem a vida em Amsterdã, durante a ocupação alemã. Nascida em 1914 na Holanda, foi morta em novembro de 1943, no campo de concentração de Auschwitz. “Quero ajudar, Deus, para que você não me abandone, mas não posso garantir nada com antecedência. Apenas uma coisa está ficando cada vez mais clara para mim: que você não pode nos ajudar, mas que temos que ajudá-lo e, no final, nos ajudarmos. É a única coisa que importa: salvar um pedaço de ti dentro de nós mesmos, Deus. E talvez possamos ajudar a ressuscitar-te nos corações aflitos de outras pessoas. Sim, meu Deus, parece que também você não seja capaz de mudar muito as circunstâncias, elas simplesmente fazem parte desta vida… E, quase com cada batimento cardíaco, fica claro para mim que você não pode nos ajudar, mas que temos que ajudá-lo e defender, até o fim, sua morada dentro de nós.” Talvez, nestes tempos, seja realmente necessário ajudar Deus a carregar a cruz. Ajudá-lo, defendendo sua morada dentro de cada um, cada uma. Ajudá-lo para que sua presença volte a ser lembrada e sentida. Ajudá-lo para que o corpo possa voltar a ser digno e sagrado. Ajudá-lo para que o corpo humano possa ser compreendido como parte do corpo cósmico, digno e sagrado. Que, nesta Semana Santa, possamos ajudar Deus a levar cada um, cada uma mais perto de si e dos outros. Assim nos aproximaremos do Divino. Ir. Petronella Maria Boonen (Nelly) é co-fundadora da linha de Perdão e Justiça Restaurativa do CDHEP e doutora e mestra em Sociologia da Educação pela USP.)

Papa Francisco propõe nova economia

O ENCONTRO FOI ADIADO PARA NOVEMBRO, COM O OBJETIVO DE FAVORECERA PARTICIPAÇÃO DOS JOVENS ECONOMISTAS. Saiba mais. De 26 a 28 de março, Assis, a cidade italiana de São Francisco, receberá mais de 2 mil economistas e empreendedores de 115 países, todos com menos de 35 anos, para participar do encontro “A Economia de Francisco”, evento convocado pelo Papa. O Brasil se fará representar por 30 participantes. A agenda prevê debates sobre • trabalho e cuidado; • gestão e dom; • finança e humanidade; • agricultura e justiça; • energia e pobreza; • lucro e vocação; • políticas para a felicidade; • desigualdade social; • negócios e paz; • economia e mulher; • empresas em transição; • vida e estilos de vida; e • economia solidária. “Não há razão para haver tanta miséria. Precisamos construir novos caminhos”, declarou Francisco ao convocar o evento. Ele propõe uma economia “que faz viver e não mata, inclui e não exclui, humaniza e não desumaniza, cuida da Criação e não a depreda”. E afirma a necessidade de “corrigir os modelos de crescimento incapazes de garantir o respeito ao meio ambiente, o acolhimento da vida, o cuidado da família, a equidade social, a dignidade dos trabalhadores e os direitos das futuras gerações”. Para assessorar o Encontro, o Papa convidou Jeffrey Sachs, Joseph Stiglitz, Amartya Sen, Vandana Shiva, Muhammad Yunus e Kate Raworth. Os temas da desigualdade social e da devastação ambiental ocuparão o centro das atenções. Segundo o economista Ladislau Dowbor, no atual estágio do capitalismo, “não há nenhuma razão para haver miséria no planeta. Se dividirmos os 85 trilhões de dólares que temos de PIB mundial pela população, isso equivale a 15 mil reais por mês por família de quatro pessoas. Isso é amplamente suficiente para todos viverem de maneira digna e confortável”. Hoje, segundo a FAO, 851 milhões de pessoas passam fome. A população mundial é de 7,6 bilhões de pessoas, e o planeta produz alimentos suficientes para 11 bilhões de bocas. Portanto não há falta de recursos, há falta de justiça. Como não há falta de dinheiro, e sim de partilha. Os paraísos fiscais, verdadeiras cavernas de Ali Babás, guardam 20 trilhões de dólares, 200 vezes mais do que os US$ 100 bilhões que a Conferência de Paris estabeleceu para tentar deter um desastre ambiental. No neoliberalismo, o capitalismo adquiriu nova face. Deslocou-se da produção para a especulação. As fabulosas fortunas estocadas nos bancos favorecem prioritariamente os especuladores, e não os produtores. Em suas obras, Piketty demonstra que produzir gera empregos e resulta no crescimento de bens e serviços na ordem de 2% a 2,5% ao ano. Porém quem aplica no mercado financeiro obtém um rendimento de 7% a 9% ao ano. O agravante é que o capital improdutivo quase não paga imposto. E a desigualdade de renda tende a crescer, pois, hoje, 1% da população mundial detém em mãos mais riqueza que os 99% restantes. A soma das riquezas de apenas 26 famílias supera a soma da riqueza de 3,8 bilhões de pessoas, metade da população mundial. E, no Brasil, apenas seis famílias acumulam mais riqueza do que 105 milhões de brasileiros – quase metade de nossa população – que se encontram na base da pirâmide social. Segundo a Revista Forbes, 206 bilionários brasileiros aumentaram suas fortunas em 230 bilhões de reais em 2019, enquanto a economia ficou praticamente estagnada. Enquanto isso, aos mais pobres cabem os R$ 30 bilhões do Programa Bolsa Família. Portanto, como assinala Dowbor, não é o Bolsa Família e a aposentadoria dos velhinhos que prejudicam a economia, e sim a acumulação de riquezas em mãos de grandes grupos privados que não produzem, são meros especuladores financeiros. Essas famílias tinham uma fortuna, em 2012, de R$ 346 bilhões. Em 2019, subiu para 1 trilhão e 206 bilhões de reais. Como em nosso país, lucros e dividendos são isentos de tributação, esses bilionários não pagam impostos. O objetivo do Papa Francisco é que vigore no mundo uma economia socialmente justa, economicamente viável, ambientalmente sustentável e eticamente responsável. Frei Betto é escritor mineiro, autor de “Uma Educação Crítica e Participativa” (Rocco), entre outros livros.

Mês Missionário Extraordinário: desafio agora é manter viva a chama

Dioceses, paróquias, congregações e outras comunidades católicas de todo o mundo continuam a apurar os frutos do Mês Missionário Extraordinário, celebrado em outubro deste ano, depois de convocação do Papa Francisco. A proposta foi recordar os cem anos da Carta Apostólica “Maximum illud”, publicada pelo Papa Bento XV, que tratava da atividade desenvolvida pelos missionários no mundo, e reforçar o dever que todo cristão tem de anunciar Cristo. Com o tema central “Batizados e enviados: a Igreja de Cristo e missão no mundo”, o Mês Extraordinário Missionário não se tratou de uma mera estratégia de propaganda. A intenção era de incentivar que cada batizado pudesse primeiramente experimentar um novo e apaixonado encontro com Jesus, para só então transmitir a Boa-Nova aos outros. Ações foram desenvolvidas em todos os continentes. Em alguns lugares, no Brasil e no exterior, falou-se em “Ano Extraordinário Missionário”, pois as reflexões e atividades ocorreram ao longo de meses. A CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) ainda faz um balanço das ações, mas Dom Odelir José Magri, presidente da Comissão Episcopal para a Animação Missionária e Cooperação Intereclesial, adianta que a iniciativa foi bem-sucedida. Para ele, o Mês Missionário foi abraçado pelas dioceses, paróquias e comunidades do País e ajudou a aumentar a consciência missionária na Igreja. Em saída Falou-se, mais do que nunca, em “Igreja em saída”. A expressão foi usada pelo Papa Francisco na Exortação Apostólica “Evangelii gaudium”, publicada em 2013, mesmo ano em que assumiu a cadeira de Pedro. Diferentemente do que logo se possa pensar, a expressão vai muito além do ir de porta em porta realizando atividades pastorais. Cada batizado é representante legítimo da Igreja, parte de seu corpo. Por isso, agir como Jesus, seja em qualquer lugar, é um importante modo de evangelizar, de ser Igreja. Pais e mães de família, trabalhadores, jovens, mulheres, idosos e mesmo as crianças podem anunciar Cristo por onde passam, tanto em palavras, quanto e principalmente em atitudes. As ações organizadas de evangelização, contudo, têm papel importante. Ao longo do Mês Missionário Extraordinário, diversos grupos visitaram famílias, comunidades carentes, hospitais, escolas, presídios e até empresas para conhecer as diferentes realidades e levar a mensagem cristã. O mesmo ocorreu nas comunidades animadas pelas missionárias servas do Espírito Santo e por outros ramos da Família Arnaldina. A preocupação agora, segundo Dom Odelir, é manter vivo o fogo aceso no Mês Missionário. Discípulo com os discípulos Na homilia proferida na missa pelo Dia das Missões, em 20 de outubro, o Papa Francisco recordou o mandado de Jesus de fazer discípulos. “Mas, atenção! Discípulos dele, não nossos. A Igreja só anuncia bem se viver como discípula. E o discípulo segue dia a dia o Mestre e partilha com os outros a alegria do discipulado”, advertiu. O Santo Padre também disse que fazer discípulos não é conquistar, obrigar, fazer prosélitos. Para ele, deve-se colocar ao mesmo nível, discípulo com os discípulos, oferecendo amorosamente o amor recebido de Deus. “Esta é a missão: oferecer ar puro, de alta quota, a quem vive imerso na poluição do mundo; levar à terra aquela paz que nos enche de alegria, sempre que encontramos Jesus no monte, na oração; mostrar, com a vida e mesmo com palavras, que Deus ama a todos e não se cansa jamais de ninguém”, declarou Francisco. O Santo Padre, recordando a “Evangelii gaudium”, também pediu coragem aos fiéis: “Vá com amor ao encontro de todos, porque a sua vida é uma missão preciosa: não é um peso a suportar, mas um dom a oferecer. Coragem! Sem medo, vamos ao encontro de todos!”. Diácono Alessandro Faleiro MarquesDiácono permanente na Arquidiocese de Belo Horizonte, professor de Língua Portuguesa de aspirantes e verbitas estrangeiros na Província Brasil Norte, revisor de textos para as irmãs servas do Espírito Santo.

Jornada Mundial dos Pobres

“A esperança dos pobres jamais se frustrará” (Sl 9,19) é a inspiração bíblica para a III Jornada Mundial dos Pobres, que se realizará de 10 a 17 de novembro deste ano. Mas o que é essa jornada e o que ela pretende? O Papa Francisco, após o encerramento do Ano da Misericórdia, em 2016, teve a inspiração de convocar a Jornada Mundial dos Pobres para incentivar as comunidades cristãs e as pessoas de boa vontade a levarem esperança e conforto aos mais necessitados. A jornada é um convite à solidariedade humana e a ações concretas. Na mensagem divulgada pelo Papa, ele afirma que “A opção pelos últimos, por aqueles que a sociedade descarta e lança fora é uma escolha prioritária que os discípulos de Cristo são chamados a abraçar para não trair a credibilidade da Igreja e dar uma esperança concreta a tantos indefesos”. Apesar de todos os avanços tecnológicos que permitem a superação da escassez e a produção de alimentos suficientes para que ninguém passe fome, a pobreza ainda atinge inúmeras pessoas em grande parte de nosso país, pois a riqueza está concentrada em uma quantidade cada vez menor de pessoas. Aumento da pobreza no Brasil De acordo com os dados do Cadastro Único do Ministério da Cidadania, a pobreza extrema no Brasil aumentou e já atinge 13,2 milhões de pessoas. Nos últimos sete anos, mais de 500 mil pessoas entraram em situação de miséria. O Nordeste tem os piores índices, especialmente Piauí, Maranhão e Paraíba. Do ano passado para cá, a extrema pobreza vem aumentando em torno de 10,5% em Roraima e no Rio de Janeiro. No Distrito Federal, o total de famílias inscritas no Cadastro Único, até junho de 2019, era de 158.280, entre as quais 71.091 com renda familiar per capita de até R$ 89,00 por mês. O Brasil já tinha saído do Mapa da Fome em 2014, mas se a situação não melhorar, a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) poderá incluí-lo novamente entre os países em que mais de 5% da população consome menos calorias do que o recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), entre 2016 e 2017, a pobreza no Brasil passou de 25,7% para 26,5% da população. O número dos extremamente pobres, aqueles que vivem com menos de R$ 140,00 mensais, saltou, no período, de 6,6% para 7,4% dos brasileiros. O que fazer diante disso? Quando a vida está ameaçada, é necessário buscar providências concretas, como dar comida a quem tem fome e ajudar a satisfazer as necessidades básicas, que garantam a sobrevivência. Isso é essencial, mas não o suficiente. Precisamos buscar caminhos para que as pessoas possam viver dignamente. Aí vem o papel das políticas públicas que, de acordo com o texto-base da Campanha da Fraternidade 2019, “São ações discutidas, aprovadas e programadas para que todos os cidadãos possam ter uma vida digna, além de serem soluções específicas para as necessidades e problemas da sociedade. É a ação do Estado que busca garantir a segurança, a ordem, o bem-estar, a dignidade por meio de ações baseadas no direito e na justiça”. O governo, de modo geral, não consegue atender às necessidades da população em extrema pobreza e nem sempre tem políticas públicas adequadas. Por isso inúmeras organizações não governamentais (ONG) e instituições religiosas buscam dar atendimento aos mais pobres. As missionárias servas do Espírito Santo, nos países onde atuamos e, de modo bem concreto, no Brasil, desenvolvemos diferentes projetos na linha da superação da pobreza, entre eles a manutenção de creches em bairros pobres, para que as mães possam trabalhar. Mas também atuamos em nível sistêmico em organizações como a Vivat Internacional e, recentemente, a Vivat Brasil, que tem como uma de suas metas a superação da pobreza. Mas cada pessoa pode fazer a sua parte e encontrar formas concretas de ajudar os pobres: “dando o peixe” quando a fome aperta e “ensinando a pescar”, para que a fome não volte. Combater as causas estruturais que geram a pobreza é o melhor caminho para que todos tenham uma vida digna. Irmã Ana Elídia Caffer Neves, SSpSJornalista, membro da Equipe de Comunicação Congregacional e coordenadora de Comunicação da Província Stella Matutina (BRN) _______

Guia Prático para o Mês Missionário Extraordinário

A Vivat Brasil, durante o encontro sobre o Sínodo da Amazônia, ofereceu este guia prático com sugestões e indicações de materiais para ser usados em outubro, para as atividades do Mês Missionário Extraordinário. Agora disponibilizamos na versão eletrônica, com os links para os materiais disponíveis na internet. Motivações e sugestões Para uso nas celebrações paroquiais, nas escolas, nos grupos de base e nas diversas instituições sociais das (arqui)dioceses. Motivação para o Mês Missionário Extraordinário (MME) e o Sínodo para a Amazônia (usar também o material do Mês Missionário):a. contextualizar a partir da Vivat Brasil;b. contexto atual do Brasil / importância do Sínodo e sua relação com o MME. 2. Sugestões práticas: Aproveitar o tempo antes das missas ou celebrações dominicais, para uma maior sensibilização a respeito do Sínodo, com vídeos e canções relativos ao tema da ecologia integral. Usar símbolos ecológicos durante a liturgia. Trabalhar a mesma temática nos diversos encontros e atividades da paróquia, escola ou instituição ao longo do mês de outubro. Utilizar atividades escolares para divulgar e discutir as questões relativas à ecologia integral e à realidade da Amazônia. 3. Durante o Mês Missionário Extraordinário, colocar banners com a temática da Amazônia em frente à comunidade ou instituição. 4. Usar Power Point com fotos e canções durante as missas ou encontros de formação e animação. 5. Sugestão prática para os domingos do mês de outubro:Orações do Mês Missionário Extraordinário e do Sínodo da Amazônia para serem rezadas no fim de celebrações e encontros. Dia 29 de setembro – Vídeo: Preparação para o Sínodo Dia 6 de outubro – Abertura solene do MME – Vídeo: Sínodo para a Amazônia Dia 13 de outubro – Canonização da Ir. Dulce – Vídeo: Mãos Carinhosas Dia 20 de outubro – Domingo das Missões – Vídeo: O Mês Missionário e a Amazônia Dia 27 de outubro – Encerramento do Sínodo da Amazônia – Vídeo: Repam – documentário 6. Orações do Mês Missionário Extraordinário e do Sínodo da Amazônia para serem rezadas no fim de celebrações e encontros.

Dia da Amazônia

Comemorando o Dia da Amazônia, 5 de setembro, queremos refletir sobre nossa atitude em relação a essa grande dádiva da criação, importante não somente para nós brasileiros, mas também para a preservação da vida e do equilíbrio climático de todo o planeta. Neste artigo, Frei Betto fala sobre o Sínodo da Amazônia e da necessidade de se cuidar da ecologia integral, incluindo os povos da floresta, que são os mais ameaçados. Como cristãos, somos convidados a adotar uma postura ética em favor da vida e da integridade da criação. Amazônia, o rosto ecológico de Deus A Igreja tem consciência de que, se agora defende a causa indígena, ainda não se libertou da influência do projeto colonizador que vigorou no passado O Sínodo da Amazônia, convocado pelo papa Francisco para outubro, terá lugar em Roma, numa decisão equivocada do Vaticano, pois fora agendado, de início, para ocorrer no coração da selva. Ali se debaterá mais do que a presença da Igreja Católica naquela região interconectada e cada vez mais violenta e desigual. O bioma amazônico engloba nove países e ocupa mais de 7 milhões de km² habitados por 34 milhões de pessoas, das quais 3 milhões são indígenas, que dominam 340 diferentes idiomas. Ali, cada metro quadrado tem mais diversidade do que qualquer outro lugar do planeta. O bioma possui três tipos de rios: os de superfície; o subterrâneo, conhecido como “alter do chão”; e os “rios voadores”, assim chamados por acumular vapor na atmosfera e distribuí-lo em forma de chuva em toda a América do Sul. A Amazônia exerce forte relevância no ciclo do carbono, ao absorvê-lo em bilhões de árvores e impedir sua liberação na atmosfera em forma de gás. Reduz, assim, o aquecimento da Terra. As quatro dádivas da região são: • povos que sabem viver da selva e na selva, sem ameaçá-la; • o ciclo das águas e do carbono; • a biodiversidade; • e a regulação do clima. Segundo o papa Francisco, “os povos amazônicos originários nunca estiveram tão ameaçados em seus territórios como agora”. Em sua sabedoria ancestral, eles nos ensinam a se relacionar com a natureza, os demais seres humanos e Deus. No entanto, agora são vítimas de assassinatos, expulsões de suas terras, ação de grileiros e mineradoras, desmatamento, e proibição de se reunir e organizar. A Igreja tem consciência de que, se agora defende a causa indígena, pela qual há tantos mártires, por outro lado ainda não se libertou da influência do projeto colonizador que vigorou no passado. O Sínodo busca justamente implantar uma Igreja pós-colonial e solidária, com rosto amazônico e indígena. Para a Igreja, a região é muito mais do que um lugar geográfico; é também um lugar teológico, no qual transparece a face de Deus criador. Não há como manter a floresta de pé sem a sabedoria dos povos que a habitam. O “capitalismo verde” não convém, pois se rege pelas leis do mercado e busca patentear princípios e essências, privatizar a água e promover a pirataria dos saberes populares. Os povos indígenas guardam ainda uma sintonia holística com o Cosmo. Seus sentidos aguçados estabelecem um diálogo permanente com a natureza. Conhecem cada ruído, prenunciam a chegada da chuva ou da seca, identificam os recursos medicinais das ervas. O índio não é um indivíduo na natureza. Seu corpo, o território no qual habita e a natureza formam uma unidade. Os indígenas respiram uma cultura que se traduz, de fato, em espiritualidade da reciprocidade. Através de ritos e festas, celebram a exuberância da natureza e exorcizam os espíritos malignos. Sem recorrer à escrita, passam de geração a geração a cultura do cuidado da floresta e do respeito a todos os seres vivos. Para eles, a terra não é um bem econômico, e sim dom gratuito de Deus no qual descansam seus antepassados, e espaço sagrado com o qual interagem para preservar sua identidade e valores. Sofrem, no entanto, sérias ameaças de uma equivocada concepção de desenvolvimento e riqueza que lhes cobiçam as terras para implantar projetos extrativos e agropecuários, indiferentes à degradação da natureza e à destruição de suas culturas. Cinco grandes sintomas da crise planetária se manifestam na Amazônia: 1) mudança climática; 2) envenenamento da água; 3) perda da biodiversidade; 4) degradação da qualidade de vida humana e da natureza; 5) conflitos sociais marcados por violência e assassinatos. A convocação do Sínodo Panamazônico pelo papa Francisco é uma boa nova para toda a humanidade. Frei Betto é escritor, autor de “A obra do artista – uma visão holística do Universo” (José Olympio), entre outros livros. O texto foi publicado originalmente pelo portal O Globo.

Laudato si’: cuidando de nossa Casa Comum

Neste mês, a Encíclica Laudato si’ (Louvado sejas, meu Senhor) completou quatro anos de existência. Desde que foi lançada, veio ao mundo como uma grande primavera. Trouxe um florescimento, o aflorar do diálogo com todas as sociedades e religiões. O Papa Francisco lança ao mundo um grande apelo: cuidemos da Casa Comum, cuidemos do planeta. A Laudato si’ expôs, de forma clara, como devemos nos preocupar com a Terra. A novidade está em sua formulação: a Casa Comum. Não foi apenas uma preocupação unilateral em torno do meio ambiente, do meio onde se vive. Mas avançou para algo maior e nos fez pensar que o planeta é nossa casa. E sendo a nossa casa, deve ser cuidada, com afeto, esmero e responsabilidade. Uma obrigação de todos e todas que vivem dentro dela. Para tanto, apontou que, para organizarmos a casa, o planeta, precisamos ter em conta alguns pontos: a pobreza e a fragilidade do planeta, a interligação de tudo no mundo, as formas de poder que derivam das novas tecnologias, uma economia e um progresso não predatórios, o sentido humano da ecologia, a busca por diálogos sinceros entre os povos, a responsabilidade e local da política internacional, a cultura do descarte e um novo estilo de vida. Essa organização da casa comum não é fácil. Depende de cada um de nós, desde os pequenos gestos aos grandes feitos, tanto das Igrejas quanto das sociedades. Desses pontos destacam-se três. Primeiro, sobre a economia e progresso. O Papa Francisco, ao longo dos anos, nos adverte o quanto a ganância por riquezas vem gerando, cada vez mais, a pobreza, a miséria e a morte. Se existe a pobreza é porque não ocorre a distribuição justa dos bens e produtos de cada país. A economia está centrada nas mãos de poucos. Outro ponto é a questão política internacional e local que vem demonstrando o quanto desumaniza os povos. Vemos, na América Central, famílias inteiras em grande deslocamento, em busca de uma nova vida. Há alguns dias, presenciamos o quanto a vida vale pouco: um pai e sua filha, ambos da Guatemala, morreram afogados na travessia para os Estados Unidos. Assistimos a tudo isso e a outros casos mundo afora e nos perguntamos para onde vai o sentido da política humanitária do mundo. Para onde caminha o humano nestes tempos? O terceiro ponto nos mostra como tudo nos interliga dentro da Casa Comum. Na Laudato si’, o Papa Francisco nos mobiliza a pensar em outro mundo possível, de amor, solidariedade e partilha, com uma economia que beneficie a todos e todas, e um progresso que nos leve a um futuro de paz e comunhão. Hoje, no Brasil e em muitos países latino-americanos, presenciamos muitos gestos que nos fazem mais humanos e percebemos o quanto estamos interligados. O maior deles, para nós, cristãos e cristãs, é o Sínodo da Amazônia, que ocorrerá de 6 a 27 de outubro, em Roma. O Sínodo da chamada Pan-Amazônia, que compõe a Bacia Amazônica, toda uma área da selva onde estão muitas nações indígenas, quilombolas, reserva nativo-biológica de plantas e sementes que devem ser preservadas, atualmente palco de disputas internacionais por suas riquezas. Além disso, para nós, cristãos e cristãs católicas, de modo especial, traz a triste questão da falta do encontro de muitos cristãos e cristãs com a Eucaristia. Há povos que não recebem o Corpo de Cristo por falta de sacerdotes. Um assunto que nos provoca a refletir sobre o futuro das vocações religiosas no Brasil. Além desse assunto, outros temas serão discutidos no Sínodo. Oremos por nossos bispos, para que sejam iluminados pela luz do Espírito Santo. Que possamos, juntos, cuidar de nossa Casa Comum. O que apresentamos aqui, no plano de anúncio do papado de Francisco, é anúncio de vida e salvação, motivações nascida a partir da Doutrina Social da Igreja. Por isso a Igreja propõe ao mundo um ideal de uma civilização do amor. O amor social que é a chave para um desenvolvimento autêntico entre os povos. Porque tudo está interligado nesta Casa Comum. Nilda Assis Cândido, mestra em Ciências da Religião (UMESP), coordenadora de curso (CESEEP – Centro Ecumênico de Serviços à Evangelização e Educação Popular), professora de Filosofia da Secretaria de Educação do Estado de São Paulo.

A criança é sagrada

Um dos sinais mais gritantes de que a sociedade atual perdeu o rumo e está numa profunda crise de valores é o grau de violência que sofrem as crianças. Isso vai desde os pais que somente conversam com os filhos aos gritos até o alto grau de exposição de cenas de violência e sexo que aparecem nos meios de comunicação; tudo de forma tão banal que já não nos escandalizamos e até pensamos que é normal. No entanto tudo isso vai destruindo, aos poucos, o ser da criança e ferindo profundamente sua alma, deixando sequelas para a vida futura. Se o excesso de exposição causa danos, o que dizer a respeito do abuso sexual contra a criança? O que dizer a respeito da pornografia infantil e da pedofilia? O mais triste é que a maioria dos casos de abusos são causados por pessoas próximas à criança e até da própria família. E as consequências para a vítima são devastadoras, às vezes levando até ao suicídio. Dificilmente uma pessoa que foi abusada na infância supera o trauma e consegue ter um bom relacionamento afetivo na vida adulta. As crianças são o que há de mais sagrado e precioso, e deveriam ser protegidas e cuidadas de tal forma que jamais tivessem de enfrentar tal sofrimento. Que grau de perversidade atingimos como humanidade para abrigar esse tipo de conduta? Acredito que o abuso sexual contra crianças e adolescentes é o sintoma de uma sociedade doente e que precisa ser tratada. Não apenas as pessoas que molestam as crianças, mas a sociedade como um todo, pois, de alguma forma, acoberta e compactua. Vale a pena mencionar que esse problema também está presente nas igrejas e nas instituições e, infelizmente, em nenhum lugar as crianças estão realmente seguras. Essa situação é inadmissível e exige mudanças. O Papa Francisco teve a coragem de colocar o dedo na ferida e exigir que as pessoas envolvidas nesse tipo de crime sejam denunciadas e assumam as consequências de seus atos. Em fevereiro deste ano, a Igreja Católica, atendendo à convocação do Papa Francisco, realizou um encontro profético para estudar o problema, ouvir as vítimas, dar encaminhamentos concretos para defender crianças e adolescentes, e eliminar tais abusos dentro da Igreja. O Papa recordou que “Crimes de abuso sexual ofendem Nosso Senhor, causam danos físicos, psicológicos e espirituais às vítimas e lesam a comunidade dos fiéis”. Como resultado desse encontro, recentemente o Papa Francisco publicou um documento motu proprio estabelecendo novos procedimentos para lidar com esses casos, obrigando o clero e os religiosos a denunciarem tais abusos. Essa medida visa não somente a impedir que os agressores voltem a molestar outras crianças como também acabar com a prática do acobertamento. Entre os procedimentos está a obrigatoriedade, para todas as dioceses do mundo, de, até junho de 2020, criar um sistema de atendimento no qual as pessoas que sofreram abusos possam recorrer à Igreja local, com a certeza de que serão bem acolhidas, protegidas de represálias e tratadas com a máxima seriedade. Na implantação das novas medidas, obrigatórias para o clero e para os religiosos, o Papa conta também com o apoio dos leigos, que poderão ajudar, apresentando denúncias e contribuindo com suas especialidades profissionais para oferecer apoio médico, espiritual e psicológico como também no acompanhamento dos processos de investigação. Com essas novas medidas, a Igreja está assumindo a responsabilidade por fatos ocorridos e buscando decididamente proteger crianças e vulneráveis dos abusos de poder e da violência sexual. São passos importantes, pois, de acordo com as palavras do Papa no início do documento: “Para que tais fenômenos, em todas as suas formas, não aconteçam mais, é necessária uma conversão contínua e profunda dos corações, atestada por ações concretas e eficazes que envolvam a todos na Igreja”. Irmã Ana Elídia Caffer Neves, SSpSJornalista, membro da Equipe de Comunicação Congregacional e coordenadora de Comunicação da Província Stella Matutina (BRN)

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