Avós: presente na vida dos netos

Celebrar o Dia dos Avós é também refletir e reconhecer o papel que exercem na vida das famílias e da sociedade como um todo. Já se foi o tempo em que os avós eram retratados como velhinhos sentados numa cadeira de balanço. Hoje são muito mais ativos e independentes que no passado e, para muitas famílias, representam a única fonte regular de entrada de renda, devido ao desemprego e ao trabalho informal. Isso se dá devido ao aumento da expectativa de vida que, de 1980 até 2018, subiu de 65,7 para 79,4 anos para as mulheres e de 59,6 para 72,5 anos para os homens. Também a qualidade de vida dos idosos melhorou graças a exercícios físicos e ao avanço da medicina. Se, de um lado, as pessoas vivem mais, por outro, os jovens estão demorando mais para sair da casa dos pais. Isso aumenta o número de idosos que sustentam os filhos e ajudam os netos, não apenas dando presentes, mas se tornando cada vez mais presentes em suas vidas e, em muitos casos, até suprindo a ausência dos pais e garantindo-lhes o sustento. Para confirmar essa realidade, trazemos a história de duas avós que assumiram os netos por diferentes motivos, mas lhes deram a presença de mãe, cuidando, acompanhando e suprindo todas as suas necessidades. _ “Eles me chamam de vó, mas a imagem que eles têm é de mãe.” Neyde Mosca Grecco, 87 anos, mora no bairro do Brooklin, em São Paulo-SP, e é bisavó e mãe ao mesmo tempo. Teve uma única filha, que faleceu com 42 anos, deixando três filhos na idade de 15, 13 e 9 anos. Então assumiu os netos e cuidou deles em todos os sentidos. “Eles me chamam de vó, mas a imagem que eles têm é de mãe”, conta com satisfação. Os netos cresceram e também tiveram filhos e, sempre que necessitam, apelam à avó para ajudar a cuidar das crianças, o que ela faz com muita alegria. Com uma saúde invejável para sua idade, Neyde dirige, leva as crianças à escola, ensina a lição de casa, dá almoço e tudo o que for necessário. São cinco bisnetos, mas, para uma das crianças, Neyde precisou ser pai e mãe. Quando uma das netas se tornou dependente química e engravidou sem as mínimas condições de cuidar da filha, ela não teve dúvida e assumiu a menina até os 8 anos de idade, quando esta foi morar com a tia. “Cuidar dos netos e bisnetos não é um sacrifício, mas uma missão”, declara Neyde. Ela conta que cuidou de sua mãe, do pai e da sogra. Também tomou conta do marido, que ficou dependente três anos antes de falecer. Atualmente, “continuando a missão que Deus mandou para mim”, segundo suas palavras, está dando atenção à empregada doente, que trabalhou com ela durante 44 anos e a ajudou no cuidado de toda a família. __ “Eles não me largam e eu também não largo.” Outro exemplo de avó-mãe é Maria Virgem das Dores de Melo Farias, de 68 anos e que mora no bairro da Cohab Adventista, na periferia de São Paulo-SP. Maria tem três filhos e sete netos, dos quais cuida de quatro desde quando nasceram. “Não queria assim, mas o amor é mais do que tudo”, conta. A primeira neta que assumiu está agora com 11 anos. A menina a chama de mãe e o avô, de pai. Maria conta que seu filho e a mulher já tinham uma criança e estavam em condições muito difíceis, sem a mínima estrutura para cuidar da recém-nascida. Eles somente não ficaram na rua porque o pai pagava o aluguel deles. Depois os dois se separaram, e a menina continuou com os avós. Os outros três netos, de 10, 9 e 4 anos são de sua filha que é mãe solteira e vive com ela, mas não assume as crianças. Maria relata que sofreu muito com a filha sem juízo, que ia às baladas, engravidava e não sabia quem era o pai. A idosa e o marido tiveram de cuidar de tudo, desde levar à escola, dar roupa, comida e tudo mais. “Eu me sinto avó-mãe… É muita responsabilidade, porque aqui é tudo comigo e meu marido”, desabafa. Maria adora as crianças e está feliz com os netos. “Eles não me largam, e eu também não largo”, diz abraçando as crianças. Sobre o que acha da avó, a neta mais velha responde: “Ótima avó, ótima mãe; cuida e dá tudo de bom”, depois acrescentou: “O coração vai ter que aguentar!”. Com apenas 11 anos, ela entende a situação e sabe que ela e seus primos-irmãos necessitam da avó como mãe que eles realmente têm e, apesar da idade, a avó vai precisar aguentar firme. __ Direitos, carinho e respeito Embora o ideal seja que os pais cuidem de seus filhos e os avós possam gozar de uma vida mais tranquila e sem tantas responsabilidades, as situações da vida muitas vezes levam a uma inversão de papéis. Ainda mais em situações de crise como a atual, a colaboração das pessoas idosas na manutenção do orçamento familiar, especialmente entre as famílias de baixa renda, com frequência é o que salva a família da desestruturação. Seja em qualquer situação, os e as avós merecem todo o carinho e respeito pelo que são, por tudo o que se doaram e continuam se doando, por sua presença que ajuda a unir a família e a enfrentar os desafios, partilhando sua sabedoria e experiência de vida. Merecem nossa gratidão, mas também precisam de nossa atenção e cuidado. No Brasil, o número de idosos vem aumentando, o que demanda políticas públicas que levem em consideração suas necessidades e garantam seus direitos. Com a reforma da Previdência, por mais que seja considerada necessária, haverá uma redução do valor real das aposentadorias, o que influirá negativamente na qualidade de vida dos idosos e no empobrecimento das famílias, especialmente nas pequenas cidades, onde são os idosos que movimentam a economia local. Irmã Ana Elídia
Congresso Verbita: leigos e leigas comprometidos na missão

Foram dois anos de preparação junto aos leigos das paróquias do Verbo Divino para realizar, de 8 a 11 de julho, no Distrito de Santa Isabel, Município de Domingos Martins-ES, o III Congresso Verbita da Subzona Brasil. Com o tema “Leigos e leigas comprometidos na missão”, o encontro contou com 235 participantes, sendo 119 leigos, 87 padres, 6 irmãos, 20 seminaristas e 3 irmãs. Do número total de participantes, 51% foram de leigos. Destes, 65% de mulheres. Conforme apontado no Documento 105 da CNBB, a Igreja reconhece que ainda é preciso ampliar os espaços para uma presença feminina mais incisiva na Igreja, a exemplo de Maria, a primeira leiga cristã. O congresso é realizado desde 2010. O objetivo é enfatizar o propósito de, junto com os leigos e leigas, formar uma única família na missão. A expectativa é marcar os 125 anos de presença verbita no Brasil, a serem celebrados em 2020. A programação dos quatro dias foi intensa. Houve momentos de oração, celebrações, partilhas nas oficinas (Animação Missionária, Animação Vocacional, Bíblia, Comunicação, Jupic, Leigos e Leigas Associados e Espiritualidade), mesa-redonda, apontando e questionando os rumos da SVD no Brasil, análise de conjuntura, Vivat, momento cultural e saída para as comunidades. Três questões foram debatidas nas oficinas e partilhadas em plenário: “De que maneira vemos a participação eficaz do leigo na comunidade?”, “Que perspectivas temos para o futuro?”, “Como podemos nos organizar para que isso aconteça?”. A memória dos congressos da Subzona Brasil foi apresentada pelo padre verbita Marcelo Catani, que analisou, entre outros, os seguintes pontos: • 1995: Todo aquele que der testemunho de mim diante dos homens, testemunhá-lo-ei diante do meu Pai (Mt 10,32). • 2005: Desafiados pelo diálogo profético do Verbo Encarnado e um despertar para novas realidades, tendo como diferencial estar entre os excluídos. • 2010: Congresso de Pastoral Paroquial Verbita. As paróquias são redes de comunidades eclesiais de missão, de Palavra e caridade. • 2015: Romaria à Basílica Nacional, em Aparecida-SP: 120 anos evangelizando o Brasil, colocando os últimos em primeiro lugar, recordando a história, protagonismo dos leigos na missão, família à luz da Palavra e perspectivas futuras. O padre Anselmo Ribeiro, membro do Conselho-Geral dos verbitas, refletiu sobre os rumos que os missionários do Verbo Divino devem tomar no Brasil, com base no amor transformador do Verbo Encarnado, na voz profética do Papa Francisco, nos gráficos apresentados com projeções quantitativas de padres e irmãos até 2030. Em seguida, partilhou os aspectos centrais do Capítulo-Geral ocorrido no ano passado, em Nemi, Itália: • o leigo como parceiro na missão nos 85 países onde os verbitas estão presentes; • a experiência de amor e espiritualidade trinitária (chamado à vida, encarnação, redenção, renovação, comunhão, envio e missão); • comunidade de vida e missão (intenção e cuidado na formação das comunidades, envio, permanência e retorno de missionários, planejamento e programação); • enraizados na Palavra (o nosso nome é a nossa missão, a Palavra no centro da vida, agir através da Palavra – diálogo); • discernimento (para Santo Arnaldo, o discernimento não era uma opção, mas uma necessidade vital para permitir entrar na Palavra e cumprir a vontade de Deus; olhar além dos nossos limites, nosso trabalho não é suficiente); • comprometidos com a missão (estilo de vida simples: financeiro, estruturas, relações, planejamentos); • testemunhas da renovação e transformação (construção de um projeto missionário, comprometidos com a opção fundamental de Jesus, redimensionamento e redistribuição de recursos, capacitando todos os agentes); • 1895-2020 (alcançar um consenso e construir um pacto. Processo de escuta: o que Deus quer de nós? Estamos dispostos a perguntar? Estamos dispostos a ouvir?); • processo de colaboração (leigos e leigas parceiros na missão, corresponsabilidade e formação). O professor João Guilherme Porto, diretor da Faculdade Arnaldo Janssen, apresentou provocações sobre a atual conjuntura, marcada pela evolução tecnológica, percepção acelerada do tempo, realidades em mudança permanente, violência e abismo social naturalizados, profundas e estruturais mudanças sociais. A missão do cristão é estar no mundo, porque nossa casa é onde Deus nos coloca, conforme dizia Santo Arnaldo. O Hino do Laicato Verbita, composto pelo Pe. Cirineu Kuhn, ainda ecoa nas mentes e corações, e traduz essa interculturalidade e presença do leigo na missão desde a geração fundante: “Somos a Igreja viva Nosso rosto você pode ver Somos leigos e leigas verbitas E esta é a nossa maneira de ser!” “Há dois anos, estamos trabalhando nas paróquias do Verbo Divino com os leigos e criando uma preparação na qual damos a conhecer a espiritualidade Arnaldina. Coincidiu com o nosso Capítulo-Geral em Nemi, Roma, Itália, em 2018, quando um dos temas tratados foi sobre ‘o laicato verbita nos 85 países onde estamos trabalhando’. Sentimos a importância da presença que nos marca pela convivência internacional, um estar com o povo e trazer a palavra de Deus com os mais necessitados”, afirmou o irmão Paolo Delucca. Padre Matheus Nurak destaca pontos importantes. “Contamos com a honrosa presença do Superior-Geral, Pe. Paulus Budi Kleden, e Pe. Anselmo Ribeiro, membro do Conselho-Geral. O congresso demonstrou a ressignificação e fortalecimento da participação e do companheirismo dos leigos e leigas na missão verbita, o que não se trata apenas como uma necessidade do tempo atual, mas sim como fundamento que nos marcou desde o início da Congregação.” Maria Cristina MaiaAlém de professora universitária, mestre em Sistemas de Gestão e doutoranda em Educação, é missionária leiga de Deus Uno e Trino e membro da Equipe de Espiritualidade Nacional SSpS/SVD.
Sabedoria indígena em terras amazônicas

Em preparação ao Sínodo da Amazônia, que será realizado em outubro, estamos publicando uma série de artigos que nos ajudam a conhecer um pouco da realidade pan-amazônica e compreender a importância do sínodo para a Igreja Católica, os povos amazônicos e a sociedade em geral. O documento preparatório “Amazônia: novos caminhos para a Igreja e uma ecologia integral” está organizado em três partes, seguindo o método “ver, julgar (discernir) e agir”. Já apresentamos uma síntese sobre a primeira parte do ver (https://ssps.org.br/diversidade-cultural-e-ambiental-da-pan-amazonia) e, agora, publicamos sucintamente a segunda parte, que fala sobre a história eclesial, direito dos povos e sua sabedoria. Memória histórica A presença humana na Pan-Amazônia tem mais de 10 mil anos, quando o território passou a ser habitado por diferentes povos, incluindo as principais civilizações pré-colombianas. Com o processo de ocupação colonial de Portugal e da Espanha, a partir de 1500 d.C., estes povos sofreram “um agigantado processo de dominações”, cheio de “contradições e dilacerações”, conforme reconhece o Documento de Puebla (DP 6). O próprio documento preparatório do Sínodo afirma: “Lamentavelmente, ainda hoje, existem restos do projeto colonizador que criou manifestações de inferiorização e demonização das culturas indígenas”. A consequência disso é o enfraquecimento das estruturas sociais indígenas e o desprezo de seus saberes e de sua expressão. Os 400 anos de missão e evangelização passaram pelas contradições da mentalidade colonizadora e, apesar dos cerca de 200 anos de independência dos países da Pan-Amazônia, “processos semelhantes continuam se alastrando sobre o território e seus habitantes, hoje vítimas de um novo colonialismo feroz com máscara de progresso”. Essa realidade levou o Papa Francisco a afirmar, em Puerto Maldonado, que, “provavelmente, nunca os povos originários amazônicos estiveram tão ameaçados nos seus territórios como estão agora”. Direito dos povos Em visita a Puerto Maldonado, o Papa Francisco falou que a Amazônia é vista como despensa de recursos naturais, sem levar em conta seus habitantes. As relações harmoniosas entre o Deus Criador, os seres humanos e a natureza foram quebradas pelas consequências nocivas do neoextrativismo de recursos como petróleo, gás, madeira e ouro, e pelos megaprojetos, como hidrelétricas, eixos viários e monoculturas agroindustriais. Francisco denunciou o modelo de desenvolvimento anônimo, obcecado pelo consumismo que transforma o “planeta num lixão”. Os novos colonialismos ideológicos, em nome do progresso, destroem as identidades culturais indígenas, portadoras de sabedoria ancestral de relação harmoniosa com a natureza. Além disso, segundo o Papa, há também políticas perversas de conservação da natureza que não levam em conta seus habitantes, que também têm direito ao desenvolvimento social e cultural. O direito ao território dos povos indígenas, campesinos e outros setores populares ainda gira em torno da falta de regularização de terras e de reconhecimento de suas propriedades ancestrais e coletivas, sem articular a dimensão cultural e a cosmovisão dessas comunidades. Para a Igreja, “Proteger os povos indígenas e seus territórios é uma exigência ética fundamental e um compromisso básico dos direitos humanos”, o que está de acordo com o enfoque da “ecologia integral” da encíclica Laudato Si’ (cf. LS, cap IV). Espiritualidade e sabedoria Na região amazônica, os povos indígenas buscam a sabedoria do bem viver, o que significa estar em comunhão com as outras pessoas, com o mundo, os seres em seu entorno e com o Criador, o que somente será alcançado “quando se realizar o projeto comunitário em defesa da vida, do mundo e de todos os seres vivos”. Dentro da grande diversidade cultural e religiosa, as comunidades são chamadas a se unir em defesa da vida e cuidar da Casa Comum. As famílias, como instituição social, têm dado uma grande contribuição para manter vivas as culturas. Mas há também a presença de algumas seitas motivadas por outros interesses que nem sempre favorecem uma ecologia integral.
Amizade é deixar-se cativar

A amizade é uma das joias mais preciosas que adquirimos no decorrer de nossa vida. Encontrar um amigo não é tarefa fácil. Exige muito. Precisa de cuidados. Demanda atenção. Quem já leu o famoso livro do francês Antoine de Saint-Exupéry encontra, de maneira única, essa realidade no diálogo entre a Raposa e o Pequeno Príncipe. “— Não – disse o príncipe. – Eu procuro amigos. Que quer dizer “cativar”? — É algo quase sempre esquecido – disse a raposa. Significa “criar laços”… — Criar laços? — Exatamente – disse a raposa. – Tu não és ainda para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos. E eu não tenho necessidade de ti. E tu também não tens necessidade de mim. Não passo a teus olhos de uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim único no mundo. E eu serei para ti única no mundo…” E em tempos de frágeis relações, num mundo que se faz deserto, temos sede de encontrar um amigo. Por esse motivo, no dia em que somos convidados a pensar na importância da amizade e nos nossos amigos, os alunos da Rede de Educação nos ajudam a entender seu real significado. Para Ana Clara Loredo Miranda, do 9º ano B do Colégio Stella Matutina, em Juiz de Fora-MG, amizade é “ter alguém em que você possa confiar e que te apoie nos bons e nos maus momentos”. Sua opinião é compartilhada pelos seus colegas de classe Caio Goulart e Lucas do Amaral Rosa. Para Caio, “é ter alguém que te acompanhe em qualquer situação que você estiver”. Lucas acrescenta que “amizade é uma conexão entre duas pessoas, em que se precisa de confiança e querer o bem do outro”. Em São Paulo-SP, os alunos do 9º ano A e B do Colégio Espírito Santo também confirmam o valor da confiança na amizade. Thiago Gonçalves Correia Petri diz que amizade é “ter alguém do seu lado, em que você possa confiar e que vai te ajudar quando necessário”. Já Luiz Felipe Ricobom de Sousa acrescenta que é “compartilhar todos os momentos da vida, é ter confiança, respeito e parceria, é apoiar, é discordar, é estar ao lado, ajudar e, principalmente, dividir sentimentos, alegria, tristeza e saudade…” Também os alunos do ensino médio do Colégio Sagrado Coração de Jesus, em Belo Horizonte-MG, partilharam o que pensam sobre amizade. Para Antônio Vitor Maluf, da 1ª série A, amizade significa “ter empatia com a pessoa, gostar dela e principalmente confiar nela. Sem confiança não se constrói uma amizade, pois ela é fundamental e faz com que você se abra e conte toda a sua vida, sem se preocupar em ser julgado e nas consequências que isso pode trazer”. Victor Abreu, da 2ª série B, diz que “amizade é quando temos alguém em que podemos confiar, não só nos momentos fáceis da vida, mas, principalmente, nos difíceis, pois são nestes que vemos quais são as verdadeiras amizades. É alguém com quem podemos ser nós mesmos sem medo de sermos julgados. É amar e ser amado na mesma intensidade por essa pessoa”. Mariana Beirigo de Castro, da 1ª série, confirma que a “amizade é quando você tem uma pessoa para todos os momentos e sabe que ela vai estar sempre lá. Que entende cada momento seu e que sempre fala a verdade”. E complementa: “É a confiança e o amor depositado em outra pessoa”. E para você? O que é uma verdadeira amizade? Venha dividir conosco, deixando seus comentários pelo Facebook e em nosso blog. Agostinho Travençolo Júnior, educador e coordenador da Dimensão Missionária da Rede de Educação SSpS.
Da interioridade à hospitalidade

Neste domingo, o Evangelho apresenta duas mulheres que recebem Jesus em sua própria casa: Marta e Maria. As duas queriam acolher Jesus da melhor maneira possível. Marta arrumando a casa e preparando a comida; Maria sentando-se aos pés de Jesus e escutando-o. No vídeo, Ir. Nelly Boonen comenta o sentido da hospitalidade e da interioridade, mostrando o valor de ambas e trazendo o tema para nossa realidade cotidiana. Jesus adverte Marta por ela se preocupar com tantas coisas, quando só uma realmente é importante. E nós? Com quantas coisas nos preocupamos… Vivemos ou no passado ou no futuro e não conseguimos nos fazer presentes para acolher quem chega. Só vivendo o momento presente podemos nos encontrar de verdade com a outra pessoa. Em meio a tantas preocupações da vida atual, como abrir a porta da interioridade para estar em casa dentro de nós mesmos? Acolhendo a solidão e o silêncio interior, nós nos capacitamos para acolher de fato as outras pessoas, vivendo a hospitalidade.
Como é a vida de uma irmã SSpS?

Para você que tem curiosidade em saber como é a vida das missionárias servas do Espírito Santo (SSpS), a Ir. Juliana de Andrade vai contar como é. Neste vídeo, ela fala dos pontos principais da vida missionária: a partilha na comunidade, a oração e intimidade com Deus, e o serviço missionário em diferentes lugares e situações. Aqui você vai ter um resumo bem curtinho do que é a Congregação e como as irmãs vivem sua vocação. Mas se você quiser saber mais, é só entrar em contato conosco e teremos grande alegria em responder às suas perguntas por meio desta série Papo Vocacional. Deixe seus comentários e, se gostou, compartilhe com seus amigos. Aqui vai o regulamento para a publicação dos vídeos: O assunto do vídeo deve ser vocacional. A gravação deve ser feita com o celular na posição horizontal. A duração da gravação deve ter tempo mínimo de dois minutos e máximo de três minutos. Na introdução do vídeo, você deve dizer seu nome e de onde você é. Também pode dizer sua idade e o que você faz. Em seguida, poderá contar o que você quiser sobre suas dúvidas e descobertas vocacionais. Ao nos enviar o vídeo, você estará, de antemão, autorizando a publicação. Serão publicados apenas os vídeos que estiverem de acordo com a proposta e apresentarem boa qualidade de imagem e de som. Os vídeos deverão ser enviados para o link https://drive.google.com/drive/folders/1swzkJJBuDCM-hh__Lrwt_V5VSHSVkHcs?usp=sharing Avisar que enviou pelo e-mail mkt.sede@ssps.org.br
Espiritualidade e ecologia integral

É urgente fortalecer relações comunitárias, cooperativas de produção, trabalho colaborativo, consumo consciente, comércio justo, respeito ao próximo e à diversidade e tantos outros aspectos humanos definitivamente incompatíveis com a lógica de acumulação do capital que “coisifica”, “explora”… Vivemos tempos difíceis, com pessoas adoecidas física e espiritualmente, sistemas social, político e econômico marcados pelo egoísmo do “salve-se quem puder”, corrupção… É preciso identificar o que não convém: “Aprender o caminho do inferno para dele se afastar”, como recomendava, há cinco séculos, Nicolau Maquiavel. Não temos mais tempo a perder. Juntos podemos iluminar alguns caminhos para uma ação cotidiana, silenciosa, que pode provocar mudança para uma vida harmoniosa consigo, com o próximo, com a Natureza e com Deus. A espiritualidade e a ecologia integral nascem da prática libertadora de Jesus que fez e continua fazendo, ainda hoje, o apelo a uma profunda conversão interior e integral para vida em abundância (Jo 10,10), de inter-relação entre pessoa-espiritualidade-natureza. Está em curso uma mudança da “ecologia ambiental” para a “ecologia integral”, incluindo a ecologia político-social, cultural, educacional, ética e a espiritual (Laudato Si’) que nos leva a uma consciência do rosto humano de Deus e nos impele a uma profunda defesa e valorização da vida humana em todas as suas manifestações. Como entender a “ecologia integral” com base na realidade que nos cerca e no momento político que vivemos no Brasil? Nossa proposta oferece uma reflexão baseada em três dimensões: religioso-missionária, comunitária e econômica. Vamos a elas. Dimensão religioso-missionária Na dimensão religioso-missionária, somos provocados a refletir sobre a experiência de fé e o diálogo, os desafios e a promoção da ecologia integral. Essa dimensão caracteriza a nossa relação com Deus, o Criador. Por essa relação, pode-se adquirir uma experiência da fé profunda que deve motivar para a convivência cotidiana na relação interpessoal. A experiência com Deus não é somente para construir uma relação vertical, mas ela fundamenta nossa relação com outros seres, outra criação. Nessa relação cabe um compromisso para que as mensagens e os mandamentos divinos sejam realizados para transformar a vida em mais integrada e harmônica. Por isso a missão é fazer o bem, promover e cuidar da vida em todas as suas manifestações, colaborar e fazer acontecer o que Deus quer e deseja desde a criação o mundo. Algumas provocações para sua reflexão e aprofundamento: Como a experiência de fé ajuda no diálogo e promove uma ecologia integral? Quais os desafios da missão na perspectiva da ecologia integral? Dimensão comunitária Na dimensão comunitária, somos provocados a refletir sobre os desafios que se apresentam no dia a dia nas comunidades, na Igreja, na sociedade. Precisamos ir além das limitações pessoais, sabendo que a missão é o maior tesouro. Como criar unidade nas diferentes maneiras de ser religioso, religiosa, cristão no dia de hoje em diferentes frentes de trabalho, como formação, vivências, visão de Igreja, culturas, partilha dos bens e interesses pessoais e comunitários? Só criando um diálogo de vivências comunitárias com respeito mútuo, interesses comuns e crescimento humano que aproximam o discurso da prática de vida. Cultivar os encontros e relacionamentos onde a vida familiar vai crescendo em exemplo e testemunho de fé como evangelizadores da Família Arnaldina. Cultivar verdadeiras amizades significa buscar valores em comum, aprender a gerenciar conflitos inerentes à convivência humana, um diálogo corajoso em refazer relações, momentos de partilha da fé, cultivar sonhos em comum, celebrar acontecimentos que reforçam a identidade. A figura a seguir propõe a “ecologia integral” como centro das atividades pastorais e comunitárias. Algumas provocações para sua reflexão e aprofundamento: Acredito nos valores de uma comunidade que me faz crescer humanamente? Onde busco alimentar meu espírito comunitário? Qual a relação entre uma vida comunitária bem vivida e a contribuição ao meio ambiente? Dimensão econômica Na dimensão econômica, somos provocados a refletir sobre a urgência de uma articulação estratégica dos diferentes níveis do Poder Público para obtenção de resultados efetivos nas políticas ambientais que precisam estar presentes e articulados com as políticas educacionais, industriais, energéticas… Sabe-se da dificuldade em articular esferas de poder autônomas e com focos específicos, mas, pela ênfase na ecologia integral, pode-se estruturar uma grande transformação na realidade socioeconômica do Brasil. Estratégias para uma solução demandam uma abordagem articulada para combater a pobreza, garantir direitos e proteger a natureza. Não se trata de um documento para avaliar o índice de desenvolvimento humano (IDH), mas que o conceito de “ecologia integral” seja estruturante para todas as políticas públicas, no sentido de colocar o Brasil em outro patamar civilizatório, com geração e distribuição de renda e maior sustentabilidade. Como cidadão e cristão, a vida humana se sobrepõe a qualquer outro interesse de natureza econômica, comercial ou política. Algumas provocações para sua reflexão e aprofundamento: Como as políticas públicas podem promover a ecologia integral (CF 2019)? Como estimular o protagonismo dos cidadãos na intervenção social? Equipe de Espiritualidade Nacional SSpS e SVD: Maria Cristina Maia, Ir. Paolo Delucca e Pe. Matheus Nurak.
À luz do Evangelho dominical

Neste domingo, o Evangelho traz alguns questionamentos sobre o modo com o qual devemos pensar e agir como cristãos. A passagem nos propõe algumas perguntas as quais pedem respostas abertas, muito além de um mero “sim” ou “não”. Entre elas está “Quem é o meu próximo?”. No vídeo deste 15º Domingo do Tempo Comum, a irmã Nelly Boonen, missionária serva do Espírito Santo e especialista em Justiça Restaurativa, conduz uma reflexão baseada na chamada “Parábola do Bom Samaritano”. Na história, Jesus narra a atitude de um samaritano que se detém para socorrer um desconhecido caído à beira do caminho e muito machucado depois de um assalto. A missionária também relata o caso de Kristin Verellen, uma belga cujo marido foi morto em 2016, numa série de atentados terroristas em Bruxelas. Em vez de propagar o ódio e a vingança, ela decidiu promover ações de incentivo ao diálogo e à fraternidade. Assista ao vídeo produzido pela Verbo Filmes.
Arraial do Convento

No Convento, a festa foi “julina”, pois foi celebrada no dia 3 de julho, com muitos doces, pipoca, quentão, bingo, brincadeiras e até música ao vivo. Em vez de quadrilha, fizeram a escolha da “miss caipira”, num clima de muita alegria e participação. ________________ Veja algumas fotos do Arraial
O encontro que rompeu minhas correntes (Lc 13,10-17)

A narrativa do encontro entre Jesus e a mulher encurvada se insere na sequência das curas realizadas por Jesus, em dia de sábado. Porém as narrativas trazem suas próprias peculiaridades. Neste pequeno escrito, nós nos deteremos especificamente nas características particulares do episódio da mulher encurvada. “Ora, Ele estava ensinando numa das sinagogas em dia de sábado. E eis que se encontrava lá uma mulher possuída, havia dezoito anos, por um espírito que a tornara enferma; estava inteiramente encurvada e não podia, de modo algum, endireitar-se. Vendo-a, Jesus a chamou e disse ‘Mulher estás livre de tua doença’” (vv. 10-12). É interessante percebermos a estrutura da narração, pois detalha cuidadosamente o contexto e as condições em que se encontrava a mulher à qual Jesus se dirige. Ela estava possuída havia dezoito anos. O número é simbólico e indica muito tempo. É possível, portanto, que ela estivesse por quase toda sua vida sofrendo desse mal. Aliás, ela estava “inteiramente encurvada”. No Antigo Testamento, o estar encurvado é considerado como uma atitude de humilhação (cf. Gn 4,5-6; Sl 57,7). Mas também encontramos vários textos nos quais o mesmo Deus se ocupa dos cegos, dos encurvados, das viúvas e dos órfãos (cf. Sl 146). Deus tem o poder de erguer o ser humano da prostração: “Mulher, estás livre de tua doença”. Entretanto, Ele conta conosco para romper as correntes e libertar da opressão cultural, social e religiosa. Não é por acaso que Jesus exerça sua atividade libertadora justamente no dia do shabbát (sábado). Jesus segue a tradição profética e lembra ao povo de Israel e a nós que o mandamento da assistência vem antes do mandamento do sábado. Salvar e promover a vida tem prioridade sobre a observância (cf. Mc 3,4). Quando queremos controlar e resguardar, acima da vida, as “leis”, caímos na total desumanização. Consequentemente teremos sociedades doentes e encurvadas. Nesse quadro, a degradação do ser humano se reforça. O exemplo claro é a sobre-exploração da vida em todas as suas formas: mortes violentas; fome massiva; deslocamentos forçados; o aquecimento global causando mudanças climáticas que ameaçam a existência de toda a humanidade. E o mais grave é que, diante desse cenário, os acordos comerciais têm prioridade em relação à vida. No entanto, Deus não nos abandona, segue confiando em nós. Ele, em seu Filho Jesus, aproxima-nos, olha-nos com compaixão e nos atrai, endireitando-nos. A mulher estava possuída por um espírito que a tornava enferma. Ou seja, há uma causa da decomposição, e é fundamental reconhecê-la. Observemos que Jesus é quem toma a iniciativa. Ele vê a mulher, a chama e, com sua palavra e seu toque, a cura. A palavra “chamou-a” é usada somente quando Jesus chama os discípulos (cf. Lc 6,13). Será que Jesus a chama como discípula? Mesmo a imposição das mãos, por parte Jesus, é crucial no texto, pois, mais do que um toque de cura, trata-se de um gesto simbólico. Lucas, no Evangelho, somente narra outra imposição em 4,40. Isso reforça a peculiaridade da imposição de mãos além do sanar. Na obra lucana, esse gesto é feito ao se eleger alguém para um cargo (At 6,5-6; 9,10-18). Será que a imposição de mãos na mulher significa que ela foi eleita? A mulher reage, louvando e glorificando a Deus. O verbo (louvar-glorificar) está em gerúndio, o que remete a uma atuação duradoura. Isso significa que a mulher não apenas expressou um breve louvor pela maravilha recebida, mas, com toda a sua vida, glorificava-servia a Deus na comunidade. Além do mais, seguindo as narrativas de Lucas, percebemos que ele usa elementos estilísticos dos duplicados. Portanto o episódio em questão encontra seu paralelo na cura do homem da mão atrofiada (Lc 6,6-11). Conclui-se que o duplicado “homem-mulher” traz a intenção de realçar a igualdade que mulheres e homens têm no Reino de Deus. O evangelista também nos chama a atenção para as reações dos personagens. A mulher reagiu, louvando a Deus por sua vida, por sua Palavra e por suas ações. A fé que demonstra é exemplar e, por isso, mostra-se como verdadeira filha de Abraão. Os dirigentes religiosos reagem aborrecidos. O povo dos “filhos de Abraão” se mostra cheio de assombro por ver realizarem-se as maravilhas de Deus no meio dele. Com a mulher e seu povo, reconheçamos que a salvação de Deus não está condicionada a atos pessoais. Nem a Lei ou o pecado podem coagir sua ação libertadora. Ergamo-nos! Pois o Reino de Deus já está no meio de nós, eis nossa alegria! Irmã Juana OrtegaMissionária serva do Espírito Santo, teóloga especializada em Bíblia. Nasceu no México, trabalhou em Moçambique e colabora na animação vocacional.