Espiritualidade ecológica: um chamado para jovens e adultos

O cuidado com o planeta Terra não se limita às florestas e rios distantes; ele começa nas ruas, praças e comunidades onde vivemos. Cada gesto de cuidado pode ser acompanhado de oração e gratidão. A irmã Hermelinda Maria Ruschel, missionária serva do Espírito Santo, propõe algumas ações para que o zelo pela Casa Comum se transforme também em gestos de espiritualidade.
Juntos pela saúde: espiritualidade & ciência

O Dia Mundial da Saúde é celebrado em 7 de abril. A saúde é um tema que merece constante atenção, movimento e investimento educacional. Os conceitos e iniciativas da Organização Mundial da Saúde (OMS) foram a referência para a professora Marli Teresinha Everling tratar sobre o assunto. Confira!
Zero Waste e Lixo Zero: redes de mobilização para eliminar o desperdício

O Dia Internacional do Lixo Zero é comemorado em 30 de março. Esse é um tema que merece debate e, sobretudo, impõe ação. Com esse objetivo, a professora Marli Teresinha Everling apresenta algumas redes e recursos de mobilização úteis para atividades educacionais. Confira!
Após mobilização, governo revoga decreto de privatização de rios amazônicos

O Diário Oficial da União publicou, nesta terça-feira (24 de fevereiro), a revogação do decreto que permitia a privatização das hidrovias dos rios Tocantins, Madeira e Tapajós, na Amazônia. A notícia foi acolhida com festa por centenas de manifestantes. Veículos da “grande mídia” disseram que houve vandalismo nas instalações da Cargill; religiosos que acompanhavam o movimento negam. Saiba mais!
SSpS apoiam manifesto contra decreto que privatiza rios da Amazônia

As missionárias servas do Espírito Santo (SSpS), ao lado de outras congregações que compõem a Vivat Internacional Brasil, unem-se aos povos indígenas, ribeirinhos e ambientalistas que protestam contra o Decreto n.º 12.600/2025. A medida do governo federal permite a privatização das hidrovias dos rios Tapajós, Madeira e Tocantins. A proposta beneficia o agronegócio, mas coloca em risco a sobrevivência de comunidades amazônicas. Saiba mais!
Hans Jonas: “Princípio responsabilidade: uma ética para a civilização tecnológica”

Quatro anos depois da criação do Dia Mundial da Educação Ambiental, em 26 de janeiro de 1975, o filósofo Hans Jonas publicou o livro “Princípio responsabilidade”. A obra é uma referência para a educação ambiental. No artigo, a prof.ª Marli Teresinha Everling traz um resumo das ideias do filósofo, valiosas também na atualidade.
Espiritualidade e ecologia integral (parte I): passos para uma conversão ecológica

Irmã Ana Elidia Caffer Neves é missionária serva do Espírito Santo (SSpS) e coordenadora da Província Stella Matutina. No dia 18 de março, ela conduziu uma palestra aos educadores da Rede de Educação SSpS, abordando o tema “Espiritualidade e Ecologia Integral”. A reflexão foi inspirada na Campanha da Fraternidade 2025 e no Ano da Transformação, celebrado pelas SSpS em todo o mundo. Numa série de três artigos, nosso blog publica o conteúdo apresentado pela irmã, propondo três passos para uma firme conversão ecológica. A seguir, a primeira parte. A Igreja no Brasil nos convida a assumir um compromisso com a ecologia integral, tema central da Campanha da Fraternidade deste ano. Paralelamente, nossa Congregação das Missionárias Servas do Espírito Santo (SSpS) nos propõe o Ano da Transformação, uma oportunidade para promover as mudanças necessárias em nossa vida pessoal, comunitária e missionária. Transformar significa também questionar e renovar estruturas arcaicas, buscando novas formas de organização e relacionamento, baseadas em uma vivência mais sinodal, participativa e circular. Ser sinodal significa caminhar juntos, superando a rigidez das estruturas piramidais para construir redes, nas quais todas as pessoas se relacionam, colaboram e se apoiam mutuamente. Tanto a Campanha da Fraternidade quanto o Ano da Transformação reforçam a urgência do cuidado com o meio ambiente e nos desafiam à conversão ecológica. No entanto, falar de transformação e conversão não é suficiente para enfrentar a crise climática que vivemos. Ninguém muda hábitos ou comportamentos apenas por ouvir palavras inspiradoras. A mudança verdadeira não acontece instantaneamente, somente porque uma ideia nos parece interessante ou correta. Toda transformação é desafiadora e nos tira da zona de conforto. É natural resistirmos a tudo que nos provoca e exige de nós novas posturas. A conversão ecológica é um conceito inspirador, mas sua prática exige esforço, persistência e, muitas vezes, um profundo questionamento sobre nossa forma de ser e de estar no mundo. Ao abordar o tema da espiritualidade e ecologia integral, gostaria de trazer algumas reflexões que nos ajudem a responder às seguintes perguntas: Como podemos realizar essa conversão ecológica? O que significa, de forma concreta, para nós, como missionárias servas do Espírito Santo, como Rede de Educação e como educadores comprometidos com um projeto político-pedagógico missionário, viver a conversão ecológica? Como podemos promover processos de transformação para uma vida mais sustentável junto a nossos alunos e às famílias que atendemos? De que forma podemos nos tornar agentes de transformação social no cuidado com a nossa Casa Comum? Para nos auxiliar nesse caminho e dar passos concretos rumo à conversão ecológica, proponho três linhas de ação e vivência: A vivência de uma espiritualidade ecológica. A prática de relações justas. O cuidado com o meio ambiente. Essas três dimensões estão profundamente interligadas e caminham juntas. A espiritualidade e as relações justas nos conduzem naturalmente ao cuidado com a Casa Comum. Quando nos conectamos com a natureza, também fortalecemos nossa conexão com Deus (espiritualidade) e com o próximo (relacionamentos justos). A vivência de uma espiritualidade ecológica Para que uma transformação real aconteça, ou seja, para que alcancemos uma verdadeira conversão ecológica, precisamos de uma motivação interior profunda, de valores que façam sentido para nós e deem um fundamento sólido às nossas decisões. Por isso, a espiritualidade é um caminho essencial. Sem ela, a conversão ecológica pode se tornar apenas uma ideia bonita, mas sem raízes profundas para sustentar a mudança de mentalidade e comportamento. Mas afinal, o que entendemos por espiritualidade? Certamente, cada um de nós tem seu próprio conceito e maneira de vivenciá-la. Como missionária serva do Espírito Santo, parto da espiritualidade trinitária e missionária, que é a base de nossa vida. Gosto também de comparar a espiritualidade à seiva de uma árvore: essencial para sua sobrevivência e crescimento, quase invisível, mas responsável por transportar a água e os nutrientes que dão vitalidade à planta. Da mesma forma, a espiritualidade nutre nossa vida interior, nos fortalece nos momentos de dificuldade e dá sentido à nossa existência. A espiritualidade é um conceito amplo e pode se manifestar de diferentes formas, dependendo da crença religiosa ou visão de mundo de cada pessoa. Em uma abordagem mais universal, podemos defini-la como a busca por significado, propósito e conexão com algo maior que nós mesmos. Pode envolver dimensões religiosas, filosóficas ou pessoais e se expressar através da fé, da meditação, da ética, do cuidado com os outros e com a natureza. Em sua essência, a espiritualidade promove um senso de transcendência e plenitude na vida. Ao relacionarmos espiritualidade e ecologia integral, é importante esclarecer esse conceito. A ecologia integral reconhece que tudo está interconectado: meio ambiente, sociedade, economia e espiritualidade. Essa abordagem, amplamente difundida pela Encíclica Laudato si’, do Papa Francisco, propõe uma relação harmoniosa entre todos os aspectos da vida no planeta, promovendo um desenvolvimento sustentável que respeita tanto a natureza quanto o ser humano. É uma visão holística, pois considera a vida em sua totalidade. O próprio termo “integral” remete à inteireza, plenitude (o contrário de algo fragmentado ou dividido). Na Laudato si’, o Papa Francisco nos alerta que a degradação do meio ambiente não afeta apenas a Mãe Terra, mas impacta sobretudo os mais pobres e vulneráveis. Portanto, o cuidado com o meio ambiente é também uma questão de justiça social, pois tudo está interligado. Se tudo está interligado, não podemos separar a crise ambiental das crises sociais e éticas. Podemos olhar para as diversas realidades que o mundo enfrenta hoje: As guerras entre Rússia e Ucrânia, Israel e Palestina, os conflitos na Síria e em tantos outros países que nem sempre chegam ao nosso conhecimento. O fenômeno da migração, com milhares de refugiados forçados a deixar suas casas. O crescimento da extrema-direita no mundo e as ameaças às democracias. O avanço do fundamentalismo, das polarizações, dos discursos de ódio. A violência contra as mulheres, o racismo, as calamidades naturais cada vez mais extremas, o aumento da fome, as epidemias e pandemias. Tudo isso está interligado. Mesmo quando acontece do outro lado do mundo, de alguma forma, nos afeta. Diante
A desertificação desperta para a espiritualidade ecoteológica

O quadro de desertificação se agrava com o crescimento de áreas desérticas, áridas e de secas repentinas. Diante das possíveis consequências geradas pela desertificação, a Igreja (como educadora da fé e da vida) alerta para a necessidade de uma espiritualidade para a Ecoteologia. Saiba mais no artigo de Miriam Bernardete de Souza.
O papel do Estado na proteção do meio ambiente

Em 5 de junho, celebramos o Dia Mundial do Meio Ambiente. A Constituição de 1988 determina que todos têm direito a um meio ambiente equilibrado. Infelizmente, acordos internacionais são ignorados, e persistem as agressões a plantas, animais, ao ar e à água. Mas é importante recordar que a Terra depende de nós, mas nós dependemos muito mais dela. Confira o artigo de Maria Terezinha Correa!
Da sensibilidade na educação ambiental

Comemora-se o Dia Mundial da Educação Ambiental em 26 de janeiro. Com a data, inauguramos nossos textos mensais sobre espiritualidade e preservação de condições de vida na Terra. Duas emoções contraditórias me tomam ao iniciar a escrita: a primeira é de esperança, do verbo esperançar, sempre lembrado por Paulo Freire; a segunda é de temor e reverência pela delicada, provisória e complexa teia que dá sustentação ao equilíbrio do planeta. A narrativa da criação do mundo, em Gênesis (cap. 1), é feita de poesia e contentamento: “E Deus viu que isso era bom”. Aldo Leopold, Rachel Carson e Leonardo Boff assumem a mesma delicadeza para defender a ética da Terra, a ética do cuidado e a integração entre a vida na Terra, no ar e no mar. Vejamos, nas linhas de Boff, quando argumenta a favor de uma educação planetária: Conhecer nossos irmãos e irmãs da comunidade da vida significa reconhecer a importância do Sol, conhecer nossa flora e nossa fauna, a origem das montanhas, dos vales e dos rios e de onde moramos. Mas não só: conhecer a história humana desses lugares, quem foram seus primeiros habitantes, que sinais deixaram, que monumentos nos legaram, que textos literários produziram, que pessoas referenciais geraram como poetas, escritores, escultores, cientistas, músicos e sábios. Isso implica derrubar as paredes das escolas e fazer com que os estudantes entrem em contato direto com a natureza, a organização da cidade, com a distribuição dos espaços, não apenas na forma de curiosidade, mas de reconhecimento e de comunhão com todos os irmão e irmãs que nos circundam (Leonardo Boff. O cuidado necessário, 2012, p. 263). Akira Kurosawa, com igual lirismo, traduziu, em imagens e linguagem cinematográfica, a história de Dersu Uzala, escrita pelo romancista russo Vladimir Arseniev, em 1923. Dersu personifica um caçador que vive numa floresta asiática. Por sua intimidade com o ambiente, guia um grupo de topógrafos e impressiona pela sintonia com as leis naturais e sua relação com os habitantes da floresta, seus fluxos, seu tempo. Para Dersu, a floresta é habitada por muitas “gentes”, como os animais, a Terra e o rio. Estamos em 2023! Precisamos despertar coletivamente para a importância do cuidado de nosso habitat e situá-lo no topo de nossas prioridades. Trata-se de um tempo no qual a fragmentada ciência não dá conta dos complexos desafios que se apresentam; um tempo que pede por outro paradigma de conhecimento: o da sensibilidade, da emoção, da arte e da espiritualidade. Com isso em mente, lembramos o Dia Mundial da Educação Ambiental com pessoas e passagens que educam para a vida, por meio da beleza, de histórias, do ritmo, da experiência e da sutileza. Referências BÍBLIA SAGRADA. Gênesis. Revisada por Frei José Pedreira de Castro. São Paulo: Ave-Maria. p. 49-50 BOFF, Leonardo. O cuidado necessário. Petrópolis: Vozes, 2012. KUROSAWA, Akira. Dersu Uzala. Studio Mosfilm. 1975. Marli Teresinha Everling Professora nos cursos de graduação e pós-graduação em Design da Universidade da Região de Joinville/Univille; coordenadora do Projeto Ethos – Design e relações de uso em contexto de crise ecológica; colaboradora do Instituto Caranguejo de Educação Ambiental.