Mulher: gênero, biologia, trabalho e construção cultural

Você se lembra da música de Benito Di Paula? “Agora, chegou a vez, vou cantar / Mulher brasileira em primeiro lugar / […] Norte a sul / Do meu Brasil / Caminha sambando/ Quem não viu / Mulher de verdade / Sim, senhor / Mulher brasileira é feita de amor.” Refletindo sobre o Dia Internacional da Mulher, podemos perceber que a música sempre exaltou a mulher em prosa e verso, entretanto vemos muitas batalhando no trabalho, criando os filhos, dedicando-se à família, sem falar naquelas que arrumam tempo para estudar e dedicar-se à solidariedade. Temos cientistas de renome, exemplos de várias “guerreiras”. Mas como o Brasil é o quinto país em feminicídio? Infelizmente, nas sociedades humanas, ainda existe uma mentalidade de que mulher deve somente servir ao homem, seja o pai ou o marido, cuidar das tarefas domésticas e das crianças. Trabalhar fora de casa, dirigir um carro ou uma empresa é coisa para homem. O péssimo exemplo de um deputado do Estado de São Paulo, que foi à Ucrânia recentemente, em tempo de guerra, com uma proposta “humanitária”. Postou em uma de suas redes um comentário, afirmando que “as ucranianas são fáceis porque são pobres”, comparando a fila de refugiadas com a fila de baladas no Brasil. Um médico turista, em um dos países do Oriente Médio, também fez comentários maldosos a uma comerciante. Uns meses antes, durante a Copa do Mundo, na Rússia, um advogado foi advertido por mexer com jovens do local. Esses fatos demonstram como a mente machista ainda está fortemente presente no sexo oposto. A cada minuto, temos notícias de violência doméstica, tanto física e psicológica quanto patrimonial. Quase sempre, não há aceitação do término de um relacionamento, significando que o outro é visto como propriedade privada, rejeitando a ideia de liberdade das mulheres e suas conquistas. A pensadora francesa Simone de Beauvoir (1908-1986) fez muitos estudos sobre a condição da mulher na sociedade. Em sua obra O segundo sexo (1949), afirmou que “ninguém nasce mulher, mas se torna mulher”. Conforme a mulher conquista seu espaço, cresce seu reconhecimento. Nesse sentido, a questão do ser mulher não é biológica, mas cultural ao longo da história de um povo. A questão de gênero (masculino/feminino) é vivida por homens e mulheres, independentemente da visão biológica, mas em determinada época e lugar. O corpo é construído culturalmente. Assim, o corpo da mulher, em nossa sociedade, foi “coisificado”, ou seja, passou a ser visto como uma mercadoria, uma “coisa”, basta observar as propagandas. Neste século XXI, muitas mulheres têm ocupado diversos espaços, mas ainda precisamos de mulheres ocupando os espaços políticos, como as câmaras municipais e o Congresso, o cenário científico-acadêmico, etc. Procuremos educar as gerações com sabedoria e nos despertar para a importância de sermos tratadas como seres humanos e não como coisa mercadológica. Há muito trabalho a ser realizado. Aproveitemos a Campanha da Fraternidade, que reflete sobre não condenarmos a mulher, atirando pedras, como faziam os fariseus, mas dando oportunidades, gerando vida. Mulheres, uni-vos! Maria Terezinha CorrêaMestra em Antropologia, especialista em Ensino de Filosofia, graduada em Filosofia e Pedagogia, cursou Teologia, filiada à ABA, APEOESP e SBPC. Atualmente, professora de Filosofia na Prefeitura de São José-SC, membro da Comissão de Prevenção e Combate à Tortura, pela ALESC, voluntária na Pastoral da Pessoa Idosa, ligada à Arquidiocese de Florianópolis.
Festas e pandemia

Mais um ano de pandemia e, quando se pensava que, após dois anos de guerra contra a covid-19, estaríamos de volta ao normal, ainda precisamos evitar as aglomerações e manter os cuidados sanitários. Em fevereiro de 2020, mesmo a Organização Mundial de Saúde (OMS) tendo alertado as autoridades brasileiras a respeito do novo coronavírus, os eventos carnavalescos e festas em geral “correram soltos” pelo País. Como consequência, a pandemia instalou-se no território nacional, provocando muitas internações. As unidades de terapia intensiva e os hospitais, que não estavam preparados para receber tantos pacientes, entraram em colapso. De norte a sul do País, vimos a triste notícia da falta de materiais hospitalares, como tubos de oxigênio e equipamentos de proteção. Tanto os profissionais da saúde deram a vida, pois foram contaminados, deixando suas famílias desoladas, quanto os idosos e os jovens de serviços essenciais. Embora a vacinação tenha começado com certo atraso no Brasil, por causa da insana conjuntura política nacional, a pandemia parecia estar acabando. Mas as festas de fim de ano novamente causaram o aumento dos casos de internação e mortes, ceifando a vida de 650 mil brasileiros. E como ficam as festas? Festa sempre foi um momento de ação de graças, de gratidão e bênção. Marca um momento ritual para um povo. No caso do carnaval, festa da carne, seria a passagem de dias comuns para o período da Quaresma, que propõe o recolhimento e o jejum, em preparação para a Páscoa. O sentido religioso da maioria das festas, como a do carnaval, foi invertido pela lógica capitalista. Por esta, o evento festivo, em vez de ser de partilha, comemoração, um ritual fraterno, passou a dar valor ao consumismo exacerbado. A economia tomou conta. A festa, em seu sentido original, celebra a vida, mas, no contexto de hoje, não há o que festejar em plena pandemia. Como pular, brincar com tantas famílias enlutadas e sofrendo com entes queridos entubados, com tantos órfãos e viúvas(os)? O fato de aglomerar pessoas já deve servir de alerta, pois, com tantos indivíduos ainda não vacinados, principalmente crianças, o bom senso clama por prudência, moderação, recolhimento. Festa significa cantar, dançar, alegrar-se, celebrar a vida. Porém, na pandemia, fazer isso é gerar morte, e morte prematura. Pensemos em cuidar da vida, continuando a tomar todos os cuidados necessários, mantendo o uso de máscara, a higienização das mãos, evitando aglomerações. Aos poucos, voltaremos à vida coletiva. Agora, cuidemos da saúde de cada um para que, juntos, celebremos a vida em festa. Maria Terezinha CorrêaMestra em Antropologia, especialista em Ensino de Filosofia, graduada em Filosofia e Pedagogia, cursou Teologia pelo Mater Ecclesiae, filiada à ABA, APEOESP e SBPC. Atualmente, professora de Filosofia na Prefeitura de São José-SC, membro da Comissão da ALESC de Prevenção e combate à tortura, voluntária na Pastoral da Pessoa Idosa, ligada à Arquidiocese de Florianópolis, membro da diretoria da Aproffib (Associação de Professores de Filosofia e de Filósofos do Brasil).
A arte como resistência: o centenário da Semana de Arte Moderna

Quem não gosta de ouvir música? Assistir a um filme? Ler um livro? Quando foi a última vez que você visitou um ateliê de pintura ou um museu de belas-artes e contemplou obras-primas? A arte faz parte da existência humana. O filósofo alemão Nietzsche (1844-1900) afirmou que “a arte é o grito de liberdade do ser humano”. Ela é a forma de expressarmos, de várias formas, nossas angústias e sentimentos, seja pela poesia ou pela pintura, pela escultura ou pela fotografia, ou pela escultura, por um filme ou coreografia. Toda cultura sempre tem presente a arte, tanto no domínio religioso quanto no profano. Recorre a técnicas com o fim de elaborar a visão do mundo em que vivemos, criando o belo. Nesse sentido, a estética passou a analisar o sentido, a sensibilidade, o espírito presente nas obras-primas. Enquanto, no Período Moderno, o espírito encarnava-se na arte romântica, no século XIX, de acordo com o filósofo Hegel (1770-1831), o conceito de beleza dependeria de mudanças culturais. O desafio, então, era apresentar a realidade brasileira para o mundo. Neste ano em que comemoramos o centenário da Semana de Arte Moderna, podemos refletir um pouco sobre a importância desse movimento em nosso país, apreciando algumas obras. A identidade e a nacionalidade brasileira foram muito bem retratadas por vários artistas, como o quadro de Tarsila do Amaral acima, além das obras de Anita Malfatti, Mário de Andrade, Oswald de Andrade, Victor Brecheret, Graça Aranha, Menotti Del Picchia, Guilherme de Almeida, Heitor Villa-Lobos, Di Cavalcanti e outros. Destacaram a passagem da economia rural do café para a indústria, a realidade do êxodo, da seca, do morro, do samba, da miscigenação, enfim, de vários cenários sociais, culturais, religiosos e também questões políticas. A arte tem a preocupação de retratar, por meio de traços criativos, situações-problemas e demonstrar a resistência de um povo que trabalha. Segundo Cassiano Cordi, “A missão do artista é criar (o belo, o feio, o trágico…)”. Para alguns estudiosos da arte, há três problemas que fazem parte no campo de investigação da estética: a relação entre arte e a natureza, da arte com o homem e a função da arte. Para que serve a arte? Na relação entre arte e natureza, há três concepções: 1) da reprodução, da imitação que o ser humano vê a partir do objeto observado; 2) com o Romantismo, a arte parte da criatividade, originalidade do artista, a obra independe da natureza e passa a exprimir sentimentos do artista; 3) por último, a arte resulta das relações do artista com a natureza e de sua experiência com o estar no mundo, desvela a realidade e constrói um sentido novo para sua obra contemporânea (como exemplo, a obra que está acima). Novas formas artísticas surgiram, como o grafite, que também tem demonstrado a diversidade. Com a pandemia, a arte, mais do que nunca, passou a ser necessária para as famílias, as pessoas, mesmo sendo por meio da internet. Mas, infelizmente, nem todos os brasileiros têm acesso à arte por não terem acesso às mídias, geralmente restringem-se a programas de tevê. Essa situação contraria o artigo XXVII da Declaração Universal dos Direitos Humanos, que estabelece o direito de todos terem acesso à cultura. É dever do Estado proporcionar à população eventos culturais e promover momentos de entretenimento. Embora muitas verbas foram cortadas pelo governo, os artistas sobrevivem recriando a realidade, denunciando, pela arte, o mundo em que vivemos. Marilena Chauí diz sobre a arte: “A arte é revelação e manifestação da essência da realidade, amortecida e esquecida em nossa existência cotidiana, reduzida a conceitos nas ciências e na filosofia, transformada em instrumento na técnica e na economia”. Pesquise, aprecie, relembre a Semana da Arte Moderna que ocorreu em 1922. Conheça os artistas da época e descubra o quanto combatiam o preconceito, o racismo, a desigualdade. Valorize os artistas de rua, na internet, de circo, enfim, arte é resistência. Maria Terezinha CorrêaMestra em Antropologia, especialista em Ensino de Filosofia, graduada em Filosofia e Pedagogia, cursou Teologia pelo Mater Ecclesiae, filiada à ABA, APEOESP e SBPC, atualmente, professora de Filosofia na Prefeitura de São José-SC, membro da Comissão da ALESC de Prevenção e combate à tortura, voluntária na Pastoral da Pessoa Idosa, ligada à Arquidiocese de Florianópolis, membro da diretoria da Aproffib (Associação de Professores de Filosofia e de Filósofos do Brasil).
Combate às novas formas de escravidão

Mais um ano, e a humanidade continua com vários desafios a resolver: desemprego, fome, exploração de menores e pessoas vulneráveis, e tantas outras misérias que violam os direitos humanos. Desde os tempos da escravidão que a dignidade humana está ameaçada ou costuma ser abalada pela insegurança e violência. Quais as formas de escravidão que ainda existem? Como combater essa situação? Embora, no Brasil, a Abolição da Escravidão tenha sido declarada em maio de 1888, muitos ainda vivem uma vida escrava. Historicamente, no período do Brasil Colônia, muitos indígenas foram escravizados, tendo de fazer trabalhos forçados, o que causou muitas mortes por doenças e maus-tratos, mesmo com a resistência de alguns. O comércio de escravos negros, vindos do continente africano, passou a ser um comércio inumano. Mesmo com a Abolição, não houve indenização a essas vítimas. A mão escrava passou a ser a mão de obra explorada pelos grandes latifundiários e indústrias. Com a Proclamação da República, muitos imigrantes também passaram a ter uma vida escravizante nas lavouras. Esses fatos causaram novas formas de escravidão contemporânea. Hoje, situações degradantes tornaram-se as novas formas de escravidão em nossa sociedade. Isso devido ao analfabetismo, à falta de qualificação, à consequência de muitos escravos não terem recebido instrução e nenhum pedaço de terra para plantar, à exploração do trabalhador em jornadas exaustivas, à exploração do trabalho infantil, ao trabalho por dívida, à exploração sexual. Como combater esses problemas que vão contra os direitos humanos, a dignidade humana? Lutemos pelo cumprimento de leis trabalhistas conquistadas por vários movimentos sindicais e sociais, denunciemos situações de injustiças, evitemos preconceitos e discriminação, respeitemos cada um, independentemente de sexo, cor, língua, religião. Que possamos erradicar a pobreza, conforme um dos objetivos que constam na Constituição da República Federativa do Brasil de 1988, cobrando políticas públicas nos Municípios onde a camada social menos favorecida é mais atingida. O compromisso político, a empatia, a solidariedade e a fraternidade devem fazer parte das relações sociais, não apenas das pessoais. Procure, neste novo ano de 2022, promover momentos de instrução social para que os menos favorecidos conheçam seus direitos, pois muitos são iludidos com promessas de melhoria de vida, mas, por ingenuidade, acabam caindo em situações sub-humanas. Promova cursos para aqueles que necessitam de orientação não somente técnica, mas também jurídica. Ensine a ler, a escrever, a ter acesso a novas oportunidades, enfim, a educação deve ser o caminho para a libertação da escravidão contemporânea. Unamos forças em ideias novas. Maria Terezinha CorrêaMestra em Antropologia (USP), especialista em Ensino de Filosofia (UFSCar), graduada em Filosofia (UFJF) e Pedagogia (Unitins), em Teologia pelo Mater Ecclesiae, filiada à ABA, APEOESP e SBPC, atualmente, professora de Filosofia na Prefeitura de São José-SC, membro da Comissão de Prevenção e Combate à Tortura, pela ALESC, voluntária na Pastoral da Pessoa Idosa, ligada à Arquidiocese de Florianópolis, membro da diretoria da Aproffib (Associação de Professores de Filosofia e de Filósofos do Brasil).
Direitos humanos e fraternidade universal

Mais um ano de comemoração pelo aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos. São 73 anos de avanços em garantir o direito à vida dos indivíduos pelo mundo. Desde 10 de dezembro de 1948 que a luta pela dignidade humana passou a ser um desafio universal. Fazer cumprir os 30 artigos estabelecidos pelos representantes de vários países nem sempre tem sido consenso pelos governos. Infelizmente, ainda ocorrem violações dos direitos humanos, o que inclui desrespeito aos direitos civis, sociais e políticos. A violência tem aumentado muito, gerada pelo preconceito, como no caso do racismo ou de fanatismo, causando terrorismo, que ainda existe em várias nações. Com a pandemia, a violação em relação ao acesso à vacina contra a covid-19 e suas variantes nos países mais pobres tem demonstrado o tamanho da desigualdade entre os países. Nossa humanidade anda ameaçada pelo egoísmo, pela discriminação, pela ganância, injustiças. Conforme a Carta Apostólica Fratelli tutti, escrita pelo Papa Francisco, “Muitas vezes, constata-se que, de fato, os direitos humanos não são iguais para todos. O respeito a esses direitos ‘é condição preliminar para o próprio progresso econômico e social de um país’”. A criatividade para que haja igualdade é necessária para que o bem comum possa se torna uma realidade, como afirmou o Pontífice para um grupo de diplomatas, na Albânia, em 2014. Como comemorar o 73º ano da Declaração Universal dos Direitos Humanos se há tantos excluídos (refugiados, famílias inteiras passando fome, homofobia, intolerância religiosa, tortura, desemprego…) no mundo? É necessário preservar o direito dos povos, de suas culturas, independentemente de cor, raça, sexo, religião, nacionalidade, conforme proclama o artigo 2º do mesmo documento. Ser cidadão do mundo, antes, exigia apenas um passaporte. Agora, com a pandemia, o passaporte sanitário também passou a ser exigido. O ir e vir não é mais permitido como antes. Se todos não se conscientizarem da importância da vacinação, a contaminação continuará a ir além fronteiras. Todos devemos entender que somos da mesma espécie, portanto, deveríamos conviver como uma família universal. Em família, uns colaboram com os outros, uns cuidam dos outros. A natureza cuida de todos, concedendo-nos água, ar, terra, fogo para que os alimentos necessários sejam produzidos e sustentem a todos. Assim, o direito natural à vida, à liberdade e à segurança, que foi defendido por John Locke, tornou-se direito positivo. No entanto, nem todos têm acesso ainda a esses direitos, constrangendo até mesmo quem os defende. A igualdade deve ser garantida por meio da lei. Façamos aos outros o que gostaríamos que nos fizessem. A empatia, a solidariedade, a justiça social devem contribuir para que todos cuidem uns dos outros. Que a partilha justa dos bens, a reforma agrária sobre que tanto se falou possam vir a acontecer. A paz é fruto da justiça. Infelizmente, grupos interesseiros têm dominado o que é público, usurpando da coletividade direitos que, além de humanos, são universais, permanentes e insubstituíveis. Leia os trinta artigos da Declaração Universal dos Direitos Humanos e reflita como divulgar e fazer cumprir suas cláusulas, a fim de que todos sejam respeitados em suas vidas. Maria Terezinha CorrêaMestra em Antropologia, especialista em Ensino de Filosofia, graduada em Filosofia e Pedagogia, cursou Teologia pelo Mater Ecclesiae, filiada à ABA, APEOESP e SBPC, atualmente é professora de Filosofia na Prefeitura de São José-SC, membro da Comissão de Prevenção e Combate à Tortura pela ALESC, voluntária na Pastoral da Pessoa Idosa, ligada à Arquidiocese de Florianópolis.
Estado laico e diálogo religioso

Todos nós sabemos que as religiões surgiram em meio a mistérios e polêmicas. Cada povo tem suas crenças que, em comum, transmitem valores e códigos sociais. Mas, por que, desde a Antiguidade, há tanta guerra envolvendo crenças religiosas? Desde os tempos das civilizações antigas, as divindades são invocadas para proteger, ganhar guerras, alcançar conquistas e, ou, obter vitórias. Muitas mortes inocentes aconteceram e, ainda hoje, em pleno século XXI, ocorrem mal-entendidos. Como ser tolerante e buscar o respeito com a religião do outro? Embora tenhamos um pequeno avanço na humanidade em relação à tolerância religiosa, ainda existem o preconceito, a discriminação, o fanatismo. Desde o início do cristianismo, a perseguição aos seguidores de Jesus ou simpatizantes levou muitos ao martírio, acusados de traírem o Império Romano. Este acreditava que o imperador era o filho enviado de um de seus deuses. Conforme o Estado monárquico se tornou adepto da religião cristã, toda autoridade era considerada escolhida por Deus e, por isso, vitalícia. E aí “a religião do rei passou a ser a religião do povo”. Cruzadas em nome de Deus passaram a conquistar novas terras, desvirtuando práticas evangélicas, o que ocasionou um cisma dentro da própria Igreja cristã, como historicamente aprendemos, no fim do Período Medieval, com a Reforma e a Contrarreforma. Em busca da paz entre os povos, a tolerância religiosa passou a ser defendida por um grupo de filósofos modernos que combatia o absolutismo. Um dos representantes foi o inglês John Locke (XVII). Este propôs a necessidade de um Estado laico ou civitas. Para uma civilização crescer e se desenvolver, é necessário o respeito para com todos. No Estado republicano ou laico, o direito positivo substitui as leis divinas, geralmente predomina apenas de uma determinada crença. O direito natural à vida, à liberdade e à segurança passa a ser garantido por uma Constituição que acolhe todas as crenças religiosas e respeita, também, os que se dizem agnósticos quanto ao Transcendente. O espaço para a diversidade em todas as dimensões, seja ela cultural, social, econômica ou política, seria para garantir a igualdade e a liberdade. No Brasil, a Proclamação da República, que se deu em 15 de novembro de 1889, já encontrou uma nação plural, isto é, com uma diversidade imensa de culturas. As rebeliões quilombolas em defesa de povos indígenas e dos negros, dos pobres colonos rurais já alertavam para a falta de tolerância. Depois de muitos séculos, as reivindicações dos brasileiros afrodescendentes tornaram o Dia da Consciência Negra também um grito importante para combater o desrespeito referente às religiões afro-brasileiras. Por isso, a necessidade de uma educação emancipada para todos é fundamental para construir um país consciente de seus direitos e deveres, democrático, onde a diversidade cultural, o diálogo religioso deveriam ser uma prática constante da cidadania. No Brasil, segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) de 2010, nós, brasileiros, somos de maioria cristã. Por que a intolerância com a crença do outro? Sejamos ecumênicos! Pratiquemos o bem uns com os outros, vivamos a fraternidade, para, assim, construirmos um Estado de paz. Maria Terezinha Corrêa Mestra em Antropologia, especialista em Ensino de Filosofia, graduada em Filosofia e Pedagogia, cursou Teologia pelo Mater Ecclesiae, filiada à ABA, APEOESP e SBPC, atualmente é professora de Filosofia na Prefeitura de São José-SC, membro da Comissão de Prevenção e Combate à Tortura pela ALESC, voluntária na Pastoral da Pessoa Idosa, ligada à Arquidiocese de Florianópolis, e membro da diretoria da APROFFIB.
18 anos da Pastoral da Pessoa Idosa

Primeiro de outubro. Além de estarmos em plena primavera, é a abertura de um mês de muitas datas significativas. Para a Igreja, celebra-se o Mês das Missões, cuja padroeira é Santa Teresinha do Menino Jesus, acompanhada dos Santos Anjos. Lembramos também o Dia da Padroeira do Brasil e Dia das Crianças (12), do Fisioterapeuta (13), do Professor (15), do Médico (18), do Dentista (25), do Funcionário Público (28) e tantas outras homenagens. Nesse sentido, também se comemora a aprovação da Lei nº 10.741, de 1º de outubro de 2003, que dispõe sobre o Estatuto do Idoso. Dá-se à sociedade, ao Poder Público, ao Estado, às famílias brasileiras a regulamentação de uma série de prerrogativas à pessoa idosa, como o direito à vida, à saúde, à educação, à cultura, à assistência e previdência social, ao lazer, ao esporte, à habitação e ao transporte. A velhice passa a ter uma proteção social como direito fundamental. Assim, nessa mesma data, celebra-se o Dia do Idoso. Diante do quadro demográfico da população brasileira, que tem demonstrado um perfil de envelhecimento, do Ano Internacional do Idoso, promovido pela ONU, e da Carta aos Anciãos, escrita pelo Papa João Paulo II em 1999, a CNBB lançou, em 2003, a Campanha da Fraternidade com o tema: “Fraternidade e as Pessoas Idosas”, tendo como lema: “Vida, dignidade e esperança”. Assim, no ano seguinte, sensibilizada pela situação das pessoas idosas, principalmente nas comunidades carentes, a dr.ª Zilda Arns Neumann, médica, irmã do arcebispo Dom Paulo Evaristo Arns, decidiu iniciar um programa de acompanhamento às pessoas idosas, nascendo a Pastoral da Pessoa Idosa (PPI). Por dezoito anos, a PPI sempre foi marcada pela visita domiciliar. Com a pandemia, contudo, muitas visitas foram substituídas pela conversa ao telefone. Com a vacinação e os cuidados sanitários, a Pastoral da Pessoa Idosa vem retomando as visitas, pois muitas pessoas que moram sozinhas esperam ansiosamente receber os agentes missionários. A experiência da pessoa idosa tem muito a acrescentar à vida da família e da comunidade em geral. Seus ensinamentos e relatos fazem parte da memória da história local. Ouvir a pessoa idosa é importante, pois muito têm a nos ensinar. Infelizmente, o século XXI tem sido de muita correria. Ninguém parece ter tempo para visitar aquele avô ou avó que mora longe dos filhos e netos ou aquela tia que vive sozinha. Em contraponto, há grupos da terceira idade que costumam programar reuniões ou viagens em excursão. Mas, ainda, há aquelas pessoas idosas que não têm condições ou não querem sair, pois preferem ficar em seu “cantinho”. Nosso desafio está em encontrar um tempinho na semana para dar atenção a todos os que são necessitados de atenção e levar a Palavra, o conhecimento. Na educação para jovens e adultos (EJA), é comum ouvir de senhoras e senhores que, depois de aposentados, voltam a estudar: “Voltei para realizar um sonho que eu tinha de estudar”. Depois dos filhos criados, estão voltando… O Brasil ainda tem 11 milhões de pessoas analfabetas (conforme dados do IBGE de 2010) e, entre eles, a maioria é de idosos. Vamos incentivar a pessoa idosa a aproveitar melhor o tempo que tem, respeitando suas fragilidades, oferecendo-lhes conforto, conhecimento, dignidade. O Brasil precisa de todos. Leia o Estatuto do Idoso, procure pesquisar seus direitos. Ter cuidados com a saúde física é importante, mas com a saúde mental e espiritual também. Devemos combater o etarismo e a humilhação social contra os idosos. Se alguém sofre violência tanto física quanto psicológica, financeira, patrimonial, afetiva, denuncie. Ligue para 180. Que Santa Ana, São Joaquim, Zacarias, Isabel e outros exemplos bíblicos, os filósofos Sêneca e Cícero, nossa poetisa Cora Coralina e tantos outros nos inspirem a viver bem. Maria Terezinha Corrêa Mestra em Antropologia, especialista em Ensino de Filosofia, graduada em Filosofia e Pedagogia, Teologia pelo Mater Ecclesiae, filiada à ABA, APEOESP e SBPC, membro da diretoria da Aproffib (Associação dos Professores de Filosofia e Filósofos do Brasil), atualmente é professora de Filosofia na Prefeitura de São José-SC, membro da Comissão de Prevenção e Combate à Tortura pela ALESC e voluntária na Pastoral da Pessoa Idosa, ligada à Arquidiocese de Florianópolis.
O centenário de Paulo Freire e o ato de ensinar

“Meu sonho de sociedade ultrapassa os limites do sonhar que aí estão.”(Paulo Freire) Você já imaginou um Brasil em que não houvesse analfabetos? Esse era um dos sonhos de Paulo Freire, nosso homenageado. Infelizmente, ainda existem 11 milhões de brasileiros que não sabem ler nem escrever. A maioria de analfabetos em nosso país é de idosos, a partir de 60 anos, representando 26%. Verificando-se os dados regionais, 37% deles estão na Região Nordeste e 25,50% no Norte, conforme o censo de 2010 do IBGE. Considerando que, em 1930, o Ministério da Educação e da Cultura implantou o Dia da Alfabetização, o ato de ensinar freiriano nos permite refletir nesse centenário a importância da filosofia de Paulo Freire para a Educação e a democracia. Quem nunca ouviu falar no Mobral (Movimento Brasileiro de Alfabetização)? Ou no Mova (Movimento de Alfabetização)? E no Método Paulo Freire, que revolucionou o jeito de alfabetizar de modo eficaz e consciente? O pernambucano Paulo Freire nasceu em 19 de setembro de 1921, no Recife-PE. Ele é um dos principais mentores da Educação brasileira. Formou-se em Direito, mas sua vida foi dedicada ao magistério. A partir daí, passou a pensar em um método acessível aos brasileiros adultos que não tiveram oportunidade de se alfabetizarem. Em 1963, coordenou um programa que alfabetizou 300 pessoas em aproximadamente um mês. A partir daí, esteve à frente do Plano Nacional de Alfabetização, durante o governo de João Goulart. Com a ditadura militar, algumas de suas obras criaram polêmica, como o livro Pedagogia do oprimido, o que o obrigou ao exílio em outros países. Com a anistia, voltou para o Brasil e foi secretário municipal de Educação da cidade de São Paulo, entre 1989 e 1991. “Os negros no Brasil nascem proibidos de ser inteligentes”, denunciou. A filosofia de Paulo Freire contribuiu muito para pensar o ato de ensinar. A Educação, de tendência sociocrítica passou a ser uma exigência para a democracia brasileira. Defendia a Educação como conjunto de forças cujo alvo seria a liberdade individual e a transformação social. Privilegiava a iniciativa do educando, que acreditava experimentar um processo de aprendizado consciente. O educando construiria o conhecimento com base no contexto em que vivia, fundindo aprendizagem e experiência social, com o objetivo da liberdade. Para Freire, a importância do ato de ler começava pela leitura do mundo em que se vivia. “A leitura do mundo precede a leitura da palavra”, dizia. Após uma conversa com os educandos sobre o que viviam, surgia a temática que se tornava o conteúdo do estudo do dia. Do ver, julgar e agir, surgia o Método Paulo Freire. Ensinar é um ato político. Ser professor é mediar, pesquisar, provocar, estimular a esperança em uma nova realidade social. Atualmente, é comum ouvir falar em EJA (educação de jovens e adultos), projetos criados para atender cidadãos acima de 15 anos e adultos que queiram ser alfabetizados e continuar seus estudos na educação básica. Como afirmava Freire: “É preciso ter esperança, mas ter esperança do verbo esperançar, porque tem gente que tem esperança do verbo esperar. E esperança do verbo esperar não é esperança, é esperar”. Que a Educação brasileira brilhe como Paulo Freire sempre a sonhou, valorizando a categoria dos professores da educação básica em geral e proporcionando melhorias a esse contexto. Maria Terezinha CorrêaMestra em Antropologia, especialista em Ensino de Filosofia, graduada em Filosofia e Pedagogia, cursou Teologia pelo Mater Ecclesiae, filiada à ABA, APEOESP, SBPC e Aproffib (Associação dos Professores de Filosofia e Filósofos do Brasil), atualmente é professora de Filosofia na Prefeitura de São José-SC, voluntária na Comissão de Prevenção e Combate à Tortura pela ALESC e na Pastoral da Pessoa Idosa, ligada à Arquidiocese de Florianópolis, membro da Diretoria da Aproffib.
Parabéns às famílias agricultoras, cultivadoras da terra

Você já pensou o que seria da população urbana se não tivéssemos o trabalho dos agricultores e agricultoras? Você se lembra de agradecer àqueles que cultivam a terra toda vez que come um alimento ou bebe um suco? Pois é, muitas vezes, damos importância aos trabalhos oriundos da tecnologia, mas esquecemos que todos nós dependemos dos lavradores e lavradoras que, com suas famílias, todos os dias, acordam e trabalham com a terra, arando, semeando, colhendo, etc. Trabalhar numa indústria fabricando coisas, numa loja ou mesmo como funcionário em um órgão público não nos faz melhores que quem trabalha no campo. O dia 25 de julho é dedicado aos agricultores e agricultoras familiares, pois merecem ser homenageados nos quatro cantos do planeta Terra. Mas, o que significa ser agricultor? Segundo o dicionário Aurélio, “Aquele que agriculta, lavrador”. E o que é agricultura? Conforme o mesmo autor diz, “Arte de cultivar os campos; cultivo da terra; lavoura; cultura. Conjunto de operações que transformam o solo natural para produção de vegetais úteis ao homem”. O livro de Gênesis (ou Bereshit, na língua hebraica) narra a criação do mundo, quando tudo foi preparado para o homem ter alimento. “Que as águas debaixo do céu se ajuntem num só lugar e apareça o chão seco. E assim foi. Ao chão seco Deus chamou ‘terra’ […] E Deus disse: ‘Que enverdeça a terra de vegetação, ervas que semeiem semente e árvores que deem frutos sobre a terra, frutos que contenham semente por espécies. E assim foi. E a terra fez sair a vegetação, ervas que semeiam semente por espécies, e árvores que dão fruto com a semente por espécies” (Gn 1,9-12). Mas a narrativa apresenta o ser humano tendo de tratar a terra para manter-se, pois, ao conhecer o Jardim do Éden, também conheceu sua capacidade de dominar e reproduzir. Ora, a partir daí, Deus disse: “Você comerá o pão com o suor do seu rosto…” (Gn 3,17-19). Embora parecesse um castigo divino, após o cultivo, as bençãos surgem na colheita dos frutos. E, como gratidão, o ser humano procura ofertar o melhor para o Criador, por meio de doação em um determinado período do ano; antes ofertado como sacrifício, depois passou a ser em forma de festa, como a festa das batatas, da uva, da mandioca, da melancia, do pinhão, entre outras. Embora a terra tenha sido feita para todos, infelizmente, há bastante tempo, ela passou a ser cercada por uns que se achavam donos, provocando, assim, a desigualdade social. A miséria, a disputa e a ganância por explorar território, construir castelos, mansões, indústrias causam violências, assassinatos e muitas injustiças, como ainda hoje vemos ou ouvimos nas reportagens. Muitos líderes que defenderam os pobres sem-terra foram assassinados em nosso Brasil. Podemos citar Pe. Josimo, Pe. Ezequiel, Margarida Alves, Ir. Dorothy, entre outros tantos que deram a vida em prol dos agricultores e agricultoras expulsas de suas terras, por causa de latifundiários ou empresas multinacionais. Atualmente, há alguns projetos na Câmara ou no Senado que ameaçam a vida de muitas famílias agricultoras bem como as comunidades indígenas e quilombolas que também dependem e vivem da natureza. Em nosso país, o campesinato amazônida tem muito a ensinar ao campesinato de influência europeia, contudo ambos os grupos de agricultores do campo, seja na terra ou na várzea, todos buscam respeitar o ritmo da mãe terra que, generosamente, ainda nos oferece o alimento através das mãos cultivadoras. Parabéns a todas as famílias agricultoras! Maria Terezinha CorrêaMestra em Antropologia, especialista em Ensino de Filosofia, graduada em Filosofia e Pedagogia, cursou Teologia pelo Mater Ecclesiae, filiada à ABA, APEOESP, SBPC e APROFFIB, atualmente, professora de Filosofia na Prefeitura de São José-SC, voluntária na Comissão de Prevenção e Combate à Tortura pela ALESC e na Pastoral da Pessoa Idosa, ligada à Arquidiocese de Florianópolis.
Combate à violência contra a pessoa idosa e prevenção à tortura

Violência! Como acabar com esse mal? Como ela é gerada e por quê? A violência sempre incomoda a humanidade, pois gera muitos crimes e, com a pandemia, a violência extrema causa desigualdade. Mas o que é violência?A violência é a prática do uso da força sobre um indivíduo ou um grupo. Geralmente, ela surge por causa da injustiça social. Esta, por sua vez, provém do egoísmo, da ambição. Quinze de junho é o Dia Nacional de Combate à Violência contra a Pessoa Idosa, e o dia 26 deste mesmo mês é o Dia de Combate e Prevenção à Tortura. Mulheres, crianças, pessoas idosas, trabalhadores em geral, os menos favorecidos são explorados e se tornam vítimas de vários tipos de violência: física, psicológica, afetiva, ideológica, financeira e patrimonial. A violência física é a mais fácil de identificar, pois atinge diretamente o corpo. Nesse tipo, a agressão física utiliza a força como soco, empurrão, “cascudo”, facada, tiro à queima-roupa, etc. A lesão é visível e, por isso, muitas vezes há hematomas; faz-se corpo de delito. A violência psicológica é praticada de modo sutil e pode ser direta ou indireta. A direta ocorre quando o agressor usa palavras de humilhação, por vezes, diretamente à pessoa, com palavras de baixo calão, que baixa a autoestima. A indireta pode ser mediante ameaças, imposição, medo à vítima. A violência ideológica pertence a um conjunto de ideias sem fundamentação transmitidas pelos veículos de comunicação; propagandas enganosas que projetam nos indivíduos falsas ideias do que comprar, ter coisas que não são necessárias. Outra violência cometida é a financeira, muito comum contra pessoas idosas, praticada por agências bancárias que incentivam a pessoa a fazer empréstimos consignados ou aplicações desnecessárias e também por familiares, quando utilizam o cartão de crédito sem escrúpulo de endividar a vítima, “sujando” o nome da pessoa. Ainda há a violência afetiva, quando a pessoa é privada de ter contato parental. Isso é muito comum em internações arbitrárias de dependentes, seja de menores ou de idosos, em instituições muitas vezes clandestinas. Infelizmente, a violência está em toda parte. A violência doméstica, infantil escolar, como o bullying. Esta última tem gerado revolta contra a escola, causando vítimas inocentes, com massacres de crianças e profissionais da educação. A Declaração Universal de Direitos Humanos estabelece que “Toda pessoa tem direito à vida, à liberdade, à segurança”, o que deve garantir formas de estimular uma proteção coletiva para toda a sociedade. Para isso, é preciso denunciar torturas “invisíveis” que acontecem por familiares ou terceiros mal-intencionados. Disque 100! Disque 180 ou 190. Procure também, em seu Município ou Estado, a Comissão de Combate e Prevenção à Tortura, a Comissão Estadual dos Direitos Humanos da Pessoa Idosa, Comissão Municipal da Pessoa Idosa, Conselho Municipal da Criança e do Adolescente.Defenda quem é indefeso! Maria Terezinha CorrêaMestra em Antropologia (USP), especialista em Ensino de Filosofia (UFSCar), graduada em Filosofia (UFJF), Pedagogia (Unitins) e Teologia pelo Mater Ecclesiae. Filiada à ABA, APEOESP e SBPC. Atualmente, professora de Filosofia na Prefeitura de São José-SC, membro da Comissão de Prevenção e Combate à Tortura pela ALESC, voluntária na Pastoral da Pessoa Idosa, ligada à Arquidiocese de Florianópolis, membro da diretoria da Aproffib (Associação de Professores de Filosofia e de Filósofos do Brasil).