CURSO DE BIBLIODRAMA – 2019

O Bibliodrama é uma nova abordagem bíblica a partir da leitura contextualizada e criativa da Palavra de Deus, integrando-a no concreto da nossa vida e missão. Venha conhecer e fazer a experiência desta nova maneira de vivenciar a Bíblia em sua vida pessoal, profissional e na liderança. No Curso apresentaremos os Elementos do Bibliodrama em quatro etapas, cada uma num final de semana durante o ano de 2019: • 1ª etapa: 30 e 31 de março • 2ª etapa: 29 e 30 de junho • 3ª etapa: 17 e 18 de agosto • 4ª etapa: 30 de novembro e 1º de dezembro O curso acontece nos finais de semana com início na sexta-feira à noite com o jantar e momento de integração. Os participantes receberão certificado no final do curso. ……………………………………………………………………………………………………………………………………………………………… DESTINATÁRIOS Educadores (as) e Lideranças Leigas e Religiosas.Vagas limitadas a 25 participantes.Trazer para o curso: Bíblia, caderno para anotações e objetos de uso pessoal. ……………………………………………………………………………………………………………………………………………………………… LOCAL Centro Missionário Cultural Santíssima TrindadeRua São Benedito, 2146 – Santo Amaro – São Paulo/SP – Tel.: 11-5687-7229 ……………………………………………………………………………………………………………………………………………………………… FACILITADORES Ir. Paolo Delucca, SVD Ir. Maria de Fátima Marques de Oliveira, SSpS Ir. Heloise Matos, SSpS ……………………………………………………………………………………………………………………………………………………………… INVESTIMENTO R$ 380,00 para cada etapa, incluindo hospedagem e todas as refeições. O investimento total será de R$ 1.520,00. Cada pessoa custeia sua viagem. INSCRIÇÕES Preencha sua ficha de inscrição até 28/02/2019 pelo Bibliodrama 2019Só serão aceitas as inscrições de quem fizer todas as etapas. Venha vivenciar o Bibliodrama e aprofundar a EspiritualidadeMissionária e Trinitária transformando sua vida e missão.
Vida, missão e martírio: o testemunho da Ir. Dorothy nos desafia

Neste dia 12 de fevereiro, recordamos com indignação o assassinato da Ir. Dorothy Stang, ocorrido em 2005. Missionária da Congregação de Notre-Dame, Ir. Dorothy foi brutalmente alvejada no Município de Anapu–PA. Por décadas, ela se dedicou a aliviar o sofrimento do povo pobre, promover a reforma agrária e a proteger o meio ambiente. Sua ação profética por meio de projetos concretos incomodou os poderosos daquela região: latifundiários interessados na extração de madeira, na expansão do plantio da soja, na conquista do espaço para o gado e na mineração. Depois de 14 anos de seu martírio, percebemos que a Mãe Terra e os filhos do solo paraense continuam sofrendo devido aos avanços do capitalismo selvagem. Indígenas, quilombolas, ribeirinhos e comunidades pobres são os mais vulneráveis aos múltiplos impactos socioambientais gerados pelos megaprojetos. De acordo com informações do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia, dos 2.441 km2 de área desmatada entre agosto de 2017 e maio de 2018, 852 km2 foram no Pará. Somente no mês de maio de 2018, a floresta amazônica perdeu uma área verde equivalente a duas vezes o tamanho de Belo Horizonte. Outro projeto de grande impacto para os comunitários e para o meio ambiente no Pará é a mineração de bauxita. A Mineração Rio do Norte (MRN) é a maior produtora de bauxita do Brasil e a terceira maior operação do mundo. As concessões de lavra da empresa abrangem 123.757,12 hectares de floresta amazônica. Além da contaminação das águas, a grande preocupação para os moradores da região são as barragens de rejeitos construídas pela MRN. Um campo de grandes contradições no Estado se refere à produção, distribuição e custos da energia elétrica. O Pará, depois do Paraná, é o Estado que mais gera energia de fonte hídrica. Com as novas instalações na hidrelétrica de Belo Monte, em 2020, tende a ser o primeiro. A Celpa (Centrais Elétricas do Pará S/A) é a única empresa de distribuição de energia elétrica para todo o Estado. Entre 2017 e 2018, ela acumulou um lucro líquido de 549,32 milhões de reais. No entanto, no Brasil, são os moradores do Pará que pagam mais caro pelo consumo de energia elétrica. Mais grave ainda é que existem comunidades onde não há energia nas casas. Estradas em péssimo estado, escolas precárias, falta de transporte, precariedade no sistema de saúde são outras realidades que ferem os direitos garantidos na Constituição, negligenciados ao povo do Pará. A Igreja local depara com esses desafios e enfrenta seus próprios limites. As distâncias entre as comunidades são grandes. O número de padres e religiosas é baixo para a demanda local. Nem sempre há consenso sobre a organização e a ação da Igreja ante a realidade do lugar. Diante desse quadro, Ir. Dorothy continua sendo um raio de luz no coração da Amazônia. Sua vida, consagração e missão conclama especialmente a vida consagrada religiosa a voltar o olhar para essa parte do Brasil. Sua entrega total e seu sangue derramado é o testemunho mais fiel de que seguir o Evangelho é comprometer-se com a integridade da criação até as últimas consequências. IRMÃ DOROTHY, PRESENTE! Por: Irmã Stela Maris Martins Presidente da Redes (Rede de Solidariedade) e graduanda em Ciências Sociais pela PUC Rio
Solidariedade da Igreja a Brumadinho

Duas semanas depois do rompimento da barragem em Brumadinho-MG, a situação do local e das famílias das vítimas é desoladora. A Arquidiocese de Belo Horizonte, por meio da Paróquia de São Sebastião, em Brumadinho, está mobilizada para visitar as famílias e dar todo o apoio pastoral possível. Os dados oficiais registram, até o momento, 150 mortos e 182 desaparecidos, mas existe a suspeita de que há muito mais. Uma de nossas missionárias, a irmã Francisca Romana da Costa, da Comunidade Madre Maria, em Belo Horizonte-MG, esteve com os agentes de pastoral e outras religiosas visitando as famílias. Ela dá seu depoimento sobre a situação que encontrou. O que podemos fazer para que isso não aconteça mais? “Ao me aproximar da cidade, já sentia algo que não dá para explicar. Um clima de desolação, de luto… Até a natureza demostrava algo estranho, como se, dentro da gente, a destruição tomasse conta. Não dá para explicar… Ao chegar à Paróquia São Sebastião, de onde todos partem para as visitas, percebi que, apesar do clima de muita dor e desolação, a paróquia está bem organizada, e os agentes de pastorais e os jovens estão incansavelmente presentes a cada dia. Eles percorrem a cidade e visitam os afetados pela barragem. O espírito de solidariedade e de compaixão é forte em todos os lados. Na Igreja, colocaram o Santíssimo exposto, oferecendo um momento forte de oração no qual os afetados encontram a força necessária para prosseguir. Nos velórios, os agentes de pastoral dão toda a assistência, com as orações das exéquias, consolando e dando forças às famílias neste momento cruel. Visitei algumas famílias. Estas continuamente indagavam o porquê de tudo isso. Falaram que sempre comentavam sobre o perigo da barragem. Dessas famílias que visitei, algumas já sepultaram seus entes queridos, outras não. As que não encontraram os corpos estão mais desesperadas e sofridas pela tragédia. Elas querem e esperam pelo corpo. O tempo está passando e vai ficando cada vez mais difícil. As estatísticas que divulgam não correspondem ao que é, pois são muito mais desaparecidos. É realmente uma tragédia enorme, que destruiu a vida humana de muitos e toda a natureza. Sabemos que o rio Paraopeba já não tem vida, e vai levando adiante mais e mais destruição. É devastador! Muito se fala, mas o que se faz é pouco. É impossível conter as consequências desses rejeitos, que já estão chegando ao Rio São Francisco. Os nossos trabalhos de missão e como fazemos as visitas são sempre enriquecedores em nossa vida. Mas uma tragédia como esta mexe com tudo em nós. Ver a cidade toda num clima de tanta tristeza choca… Comove o coração e dá uma sensação de impotência diante de tudo isso. Sabemos que a tragédia poderia ser evitada. Sabemos que as medidas de segurança e de fiscalização não foram tomadas… Pela ganância de alguns, muitas vidas se vão! O que podemos fazer para que isso não aconteça mais? Brumadinho agora está sendo em parte assistida, mas o pior ainda está por vir. As consequências de saúde e os traumas psíquicos desta tragédia vão aparecer mais adiante. O efeito devastador destes rejeitos de minério vão prosseguir por quilômetros, destruindo a vida por longo tempo.” Irmã Francisca Romana da Costa, SSpS – Enfermeira, estudou Teologia Pastoral, pós-graduanda em Direção Espiritual, atua como agente de pastoral e animadora vocacional.
Pré-noviças falam sobre a JMJ 2019

A Jornada Mundial da Juventude 2019 reuniu, no Panamá, entre 22 e 27 de janeiro, cerca de 200 mil jovens de 159 países. O evento mexeu também com os jovens que não puderam viajar. Assim foi com as pré-noviças da Congregação das Missionárias Servas do Espírito Santo (SSpS), que acompanharam a programação pelas redes sociais e pela televisão. No fim de janeiro, as pré-noviças voltaram das férias passadas com a família. Agora vão para a próxima etapa da formação, que será no Paraguai. Duas entram para o noviciado e três para o segundo ano do pré-noviciado, junto com jovens de outros países do continente pan-americano. Para Sabrina Souza da Cruz, 21 anos e pré-noviça do primeiro ano, o que mais a impressionou na Jornada Mundial da Juventude, além da quantidade de jovens participando, foi a missa de abertura e o discurso do Papa Francisco sobre Maria. Ela disse que se alegrou ao ver “o apoio que a Igreja está sempre dando aos jovens”. Ansiosa pelo que vem pela frente, Sabrina disse que “ir a outro país, conhecer outras culturas, outros povos, outras línguas exige uma entrega maior e traz mais desafios”. Para ela, Maria, a mãe de Jesus, é uma inspiração, especialmente pelo seu sim e confiança em Deus. Crislaine Mayra Lopes Pereira, 25 anos, já foi para o Paraguai e, no dia 10 de fevereiro, inicia o noviciado. Ela também acompanhou a Jornada Mundial da Juventude e destacou a missa de abertura e a via-sacra como os momentos mais significativos. O tema da jornada deste ano, “Eis aqui a serva do Senhor. Faça-se em mim segundo a tua palavra” (Lc 1,38), e as palavras do Papa Francisco sobre Maria foram muito tocantes, segundo Crislaine. Recordando as palavras do Papa que chamou Maria de “influencer” de Deus, porque, mesmo em sua pequenez, ela influenciou a história do mundo, Crislaine se pergunta: “E eu, como vocacionada, como jovem, como posso ser uma influência de Deus na vida dos outros jovens e também das irmãs?”. Para Crislaine, a Jornada Mundial da Juventude é importante para os jovens do Brasil e do mundo por “mostrar que a Igreja está do lado do jovem”. Destaques da JMJ no Panamá Apresentamos aqui alguns momentos de destaque da JMJ, de acordo com as declarações do próprio Papa Francisco, logo depois que retornou do Panamá a Roma. Jovens indígenas: a JMJ foi precedida pelo I Encontro Mundial da Juventude Indígena, cinco dias antes. Segundo o Papa Francisco, foi “um belo gesto”, “uma iniciativa importante que manifestou ainda melhor o rosto multiforme da Igreja na América Latina”, que “é mestiça”. Chegada dos jovens de todo o mundo: “Ver todas as bandeiras desfilarem juntas, dançando nas mãos dos jovens alegres de se encontrar é um sinal profético, um sinal contracorrente em relação à triste tendência atual aos nacionalismos conflitantes, que levantam muros e se fecham para a universalidade, para o encontro com os povos”. Presença de Maria na vida dos jovens: “Foi forte ouvir as palavras proferidas pelos representantes dos jovens dos cinco continentes e, sobretudo, vê-las transparecer em seus rostos. Enquanto houver novas gerações capazes de dizer ‘eis-me aqui’ a Deus, haverá um futuro para o mundo”. Celebração da Via-Sacra: “Caminhar com Maria atrás de Jesus que leva a cruz é a escola da vida cristã: ali se aprende o amor paciente, silencioso e concreto”. Vigília do sábado à noite: “Na vigília, renovou-se o diálogo vivo com todos os jovens, entusiastas e também capazes de silêncio e escuta”. “Passavam do entusiasmo à escuta e à oração em silêncio.” Missa de encerramento: “Cristo Ressuscitado, com a força do Espírito Santo, falou novamente aos jovens do mundo, chamando-os a viver o Evangelho no ‘hoje’, porque os jovens não são o ‘amanhã’, são ‘o hoje para o amanhã’, não são o ‘entretanto’, mas o hoje, o agora da Igreja e do mundo”. Próxima JMJ A Jornada Mundial da Juventude ocorre a cada três anos. Em 2013, esta se realizou em nosso país, no Rio de Janeiro; em 2016, foi em Cracóvia, na Polônia; neste ano, na cidade do Panamá, capital do Panamá; e a próxima, em 2022, será em Portugal, na cidade de Lisboa.
A tragédia da privatização da Vale

Para a empresa privada Vale S.A., a hipótese de incorrer em crime ambiental é muito mais barata do que garantir a segurança das pessoas, dos animais, enfim, do meio ambiente. No último trimestre, o lucro da companhia ultrapassou a casa dos 5 bilhões de reais. É por isso que a lógica neoliberal-capitalista destrói, não se importa com a vida humana. A tragédia da sexta-feira, 25 de janeiro de 2019, pelo rompimento de uma barragem da mina do Córrego do Feijão, da Vale S.A., é apenas mais uma das muitas que vêm aterrorizando a região, numa periodicidade média de aproximadamente um desastre a cada três anos. O número de vítimas fatais não é proporcional ao tamanho das barragens. Desastres como os das barragens da Mineração Rio Verde (atual Mar Azul/Vale, em Nova Lima-MG, em 2001) ou das minas de Fernandinho (Namisa/CSN, 1986) e Herculano (2014), em Itabirito-MG, tiveram vítimas fatais em número proporcionalmente maior do que o da Samarco, em Mariana-MG. A mineradora Vale, privatizada em 1997, é a terceira maior empresa do Brasil. Está minerando em 30 países e é uma das maiores do mundo. Após cometer o crime trágico do dia 5 de novembro de 2015, em Mariana, o qual ceifou vidas de 19 pessoas, peixes, animais, vegetação… envenenou a mãe terra e a irmã água do Rio Doce, cerca de outras 30 pessoas, nos últimos três anos, foram mortas como vítimas do crime que continua. A VALE prossegue a matança com a cumplicidade de seus aliados, incluindo autoridades e órgãos do Estado de Minas Gerais, governo federal e Poder Judiciário. Com grande perversidade, a Vale segue repetindo a mesma atrocidade anunciada. Dia 25 de janeiro, às 13h20min, o terror recaiu a partir do Município de Brumadinho-MG, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Esse crime cometido pela Vale pode ser muito maior do que o apontado pelos meios de comunicação. A lama tóxica CHEGARÁ AO RIO SÃO FRANCISCO, RUMO AO MAR! Recordemos exatamente quando iniciaram as tragédias tendo como responsabilidade direta a privatização da Vale, na voracidade do neoliberalismo de Fernando Henrique Cardoso. Em 6 de maio de 1997, o governo FHC leiloava a principal empresa brasileira no ramo da mineração e infraestrutura, a Vale do Rio Doce (hoje apenas Vale). A Vale do Rio Doce tinha um papel estratégico na economia nacional. A empresa foi criada em 1942, durante o governo de Getúlio Vargas, com recursos do tesouro nacional. Durante 55 anos, foi uma empresa mista, e o seu controle acionário pertencia ao governo federal. Batendo recordes atrás de recordes, a empresa se tornou uma das principais estatais do País. Em 1996, a Vale era uma estatal gigantesca, com reservas de metais de US$ 40 bilhões. Mas, antecipadamente, soube-se que grupos de empresas pagariam apenas US$ 3 bilhões para assumirem o poder acionário da estatal. Lembremo-nos do patrimônio da Vale em 1996, segundo a Revista Dossiê Atenção, “Porque a venda da Vale é um mau negócio para o país”, fls. 282-292 da Ação Popular nº 1997.39.00.011542-7/PA. maior produtora de alumínio e ouro da América Latina; maior frota de navios graneleiros do mundo; 1800 quilômetros de ferrovias brasileiras; 41 bilhões de toneladas de minério de ferro; 994 milhões de toneladas de minério de cobre; 678 milhões de toneladas de bauxita; 67 milhões de toneladas de caulim; 72 milhões de toneladas de manganês; 70 milhões de toneladas de níquel; 122 milhões de toneladas de potássio; 9 milhões de toneladas de zinco; 1,8 milhão de toneladas de urânio; 1 milhão de toneladas de titânio; 510 mil toneladas de tungstênio; 60 mil toneladas de nióbio; 563 toneladas de ouro; 580 mil hectares de florestas replantadas, com matéria-prima para a produção de 400 mil toneladas/ano de celulose. Um dia antes do leilão, Fernando Henrique Cardoso afirmou que existia um sentimento “tosco” (rude, grosseiro) aos que se opunham à venda da Vale do Rio Doce e disse que a batalha jurídica em torno da privatização não adiaria o leilão. “Essas pessoas têm um sentimento um pouco tosco e não entendem o significado do que está sendo feito, que foi um ato democrático”, afirmou o então presidente, em 28 de abril de 1997. Para o sociólogo neoliberal, estava ocorrendo era uma “batalha política” na Justiça para impedir o leilão. “Sempre foi assim. Foi assim com a CSN, até mais agressivo. Mas não se vai mudar a data do leilão.” Segundo Fernando Henrique, o fato de o país ter origem ibérica facilitava a disseminação da ideia de que o “mundo parece vir abaixo”: “Não vem abaixo”. Mas já veio abaixo, várias vezes, para centenas de brasileiros! Irmã Luciana Rzepka, SSpS – Professora universitária, educadora, teóloga, bióloga, palestrante, pós-graduada em Ciências da Religião, mestranda em Teologia Bíblica. _ _ _ _ Maria Inês C. Preza Freitas – Professora universitária, educadora, escritora, jornalista, filósofa, palestrante, pós-graduada em Ciências da Religião, Filosofia do Ensino Religioso e Filosofia Clínica; mestra e doutoranda em Filosofia Política e pesquisadora em Filosofia da Psicanálise.
Testemunho Missionário – Irmã Terezinha Colombo

O Testemunho Missionário deste mês apresenta a Ir. Terezinha Colombo, missionária gaúcha apaixonada pela alfabetização. No Tocantins, criou uma escola municipal e assumiu uma paróquia. Atuou também na educação infantil, em São Paulo e em Brasília.
Choramos com a Mãe Terra lágrimas de lama e sangue. Não à impunidade!

Publicamos este artigo de Iglesias y Minería (Igrejas e Mineração), pois reflete o pensamento das missionárias SSpS sobre a tragédia de Brumadinho-MG e traz informações que ajudam a entender por que esse desastre poderia ter sido evitadoe não foi. A rede Igrejas e Mineração chora junto às vítimas do crime ambiental de Brumadinho, Minas Gerais (Brasil). Estamos escrevendo hoje desde esta comunidade violada, que bem conhecemos e voltamos a visitar, após termos celebrado com ela várias vezes, na caminhada, a vida e a resistência frente à expansão da mineração. Escrevemos também desde as muitas comunidades latino-americanas atingidas pela violência arrogante do extrativismo, hoje abraçadas silenciosamente à pequena Brumadinho, em lágrimas. Estamos solidários às famílias das vítimas e às comunidades de fé, que terão o árduo desafio de reconstruir a esperança. Unimo-nos também à Arquidiocese de Belo Horizonte, que, com as palavras do Evangelho, definiu a tragédia como “abominação da desolação”, referindo-se aos “absurdos nascidos das ganâncias e descasos com o outro, com a verdade e com o bem de todos”. Seguimos acompanhando e assessorando as igrejas empenhadas nos territórios feridos pela mineração e em todos os conflitos abertos entre empresas extrativas e comunidades (só no Brasil há mais de 70 Dioceses onde foram mapeados conflitos). A impunidade consolida o crime A empresa Vale S.A., junto à BHP Billiton, é responsável por 19 mortes e pela contaminação da bacia do Rio Doce, em 05 de novembro de 2015. A repetição do mesmo dano, três anos depois, com um rastro de mortes e destruição bem mais grave, é a confirmação de sua incapacidade de gestão e prevenção dos danos, de descaso e de conduta criminal. Esta responsabilidade envolve também o Estado, que licencia os projetos extrativos e deveria monitorá-los para garantir a segurança e a vida digna das comunidades e do meio ambiente. A responsabilidade do Estado é dupla, porque a impunidade e a falta de reparações completas e suficientes para as vítimas do crime de Mariana foi uma das condições principais que permitiram o novo crime de Brumadinho. Portas giratórias De braços dados, o capital das mineradoras e o poder político facilitam a instalação ou ampliação de grandes projetos extrativos, minimizando as condicionantes e as regras de licenciamento dos mesmos. A própria mina Córrego do Feijão, cuja barragem de rejeitos estourou, obteve em dezembro de 2018 licença ambiental para expansão de 88% de suas atividades. No Conselho de Políticas Ambientais do Estado de Minas, só o Fórum Nacional da Sociedade Civil na Gestão de Bacias Hidrográficas (Fonasc) votou contra esta expansão, denunciando mecanismos “insanos” para reduzir as exigências no licenciamento de empreendimentos de mineração de grande porte. Não se podem denominar “acidentes ambientais” os desastres provocados por condutas irresponsáveis das empresas aliadas ao poder público. iglesiasymineria.org Sociedade civil organizada mas não escutada Desde 2011 a população de Brumadinho e da região manifesta-se de forma organizada contra a mina, seus impactos e ameaças. O FONASC, em dezembro de 2018, escreveu comunicação oficial ao Secretário Estadual de Meio Ambiente, pedindo a suspensão do licenciamento da mina Córrego do Feijão. A Articulação Internacional dos Atingidos e Atingidas pela Vale denunciou na Assembleia Geral dos Acionistas da Vale, em abril de 2018, “o perigo do reiterado processo de redução de custos e despesas em suas operações”, fazendo explicita menção a diversas barragens de rejeitos. Os responsáveis por estes crimes não podem alegar ou justificar desconhecimento dos riscos e ameaças. Ao contrário, em nome da ilusão do “progresso” e do lucro para muito poucos, há desqualificação sistemática das vozes dissonantes, dos que pedem cautela e cuidado, dos que identificam os riscos e exigem processos de licenciamento detalhados e escuta da população ameaçada, afetada ou atingida pelos projetos. Teimosamente, fazemos ressoar as palavras de Papa Francisco na encíclica Laudato Si’: “no debate, devem ter um lugar privilegiado os moradores locais, aqueles mesmos que se interrogam sobre o que desejam para si e para os seus filhos e podem ter em consideração as finalidades que transcendem o interesse econômico imediato” (LS 183). Flexibilizar até quebrar O Presidente recém eleito no Brasil, atendendo às pressões de quem financiou sua campanha, manifestou o plano de flexibilizar ao máximo o controle e licenciamento ambiental. Criticou a suposta “indústria da multa ambiental”; seu Governo esvaziou de atribuições a pasta do Meio Ambiente, suspendeu contratos com ONGs empenhadas em defesa do meio ambiente, extinguiu secretarias que trabalhavam para políticas públicas contra o aquecimento global. Também os Governos anteriores facilitaram a expansão desregrada da mineração no País, promovendo o Plano Nacional de Mineração e reformulando, por decreto, o Marco Legal da Mineração. Os acontecimentos recentes demonstram, violentamente, que estas políticas são um suicídio coletivo e uma ameaça à vida das futuras gerações. Este modelo de crescimento é insustentável e letal; não se pode chantagear quem precisa de emprego para sobreviver em regiões controladas pela mineração, sem garantir ao mesmo tempo segurança, saúde e bem-estar social. Os problemas não se resolvem “apenas com o crescimento dos lucros das empresas ou dos indivíduos”. “Não é possível conciliar, a meio termo, o cuidado da natureza com o ganho financeiro, ou a preservação do meio ambiente com o progresso. Neste campo, os meio-termos são apenas um pequeno adiamento do colapso. Trata-se simplesmente de redefinir o progresso” (LS 190, 194). Falsos diálogos Frequentemente, as empresas e os governos apelam à mediação dos conflitos com as comunidades através do “diálogo”. Buscam, inclusive, a intermediação das igrejas, para oferecer a estes processos maior credibilidade. iglesiasymineria.org Também institucionalmente tem-se investido em mediações extra-judiciais e termos de ajustamentos de conduta para tornar mais efetiva e rápida a reparação de danos e violações ambientais. A falta de execução das mitigações e reparações, a leniência em prevenir novos desastres e a repetição de práticas irresponsáveis e criminosas confirmam: este tipo de de proposta não é um diálogo verdadeiro. É uma estratégia das empresas para seduzir a opinião pública, garantindo uma espécie de licença social para poluir, reduzir a resistência popular e iludir que o grande capital pode se converter aos valores da sustentabilidade e
Solidariedade aos povos tradicionais

Para os indígenas, a terra não é apenas um meio de subsistência, mas é um elemento que envolve todo o sentido de suas vidas. Na relação com a natureza, conectam-se com sua identidade mais profunda, na qual o mundo material (imanente) está integrado ao transcendente. Assim, para esses povos tradicionais, o território onde habitam é um espaço sagrado no qual guardam a memória de seus antepassados, fazem seus ritos ao divino e mantém suas tradições… Coisas que a política neoliberal que cultua o capitalismo na forma do agronegócio não consegue reconhecer. Todos nós estamos acompanhando as políticas do novo governo do Brasil. O setor econômico, sob a responsabilidade de Paulo Guedes, é a menina dos olhos da administração atual. O que nem todos estão sabendo, porque não interessa aos principais meios de comunicação, é que, em nome do crescimento econômico, pessoas estão sendo mortas, elementos de nossa cultura destruídos e a natureza devastada. De acordo com Dom Roque Paloschi, presidente do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), “Aumentaram as invasões a territórios indígenas de norte a sul do Brasil, de leste a oeste, do Caburaí ao Chuí, bem como um discurso que promove a iminência de genocídio dos povos indígenas, sobretudo os povos isolados, que são ameaçados na sua integridade física”. Não podemos ser indiferentes ao sofrimento desses povos e aos ataques aos direitos constitucionalmente garantidos a eles. Sejamos solidários aos indígenas, pessoas que há 518 anos vêm resistindo a tantas violências e injustiças, e a quem devemos voltar nosso olhar para aprender uma relação mais respeitosa com a mãe terra. Por Ir. Stela Maris Martins, SSpS Presidente da Redes (Rede de Solidariedade) e graduanda em Ciências Sociais pela PUC-Rio
Por mais justiça e menos violência

Protestar de forma pacífica é um direito garantido no artigo 5º da Constituição brasileira. E é assim que membros do Movimento Passe Livre estavam agindo no dia 16 de janeiro último. Os manifestantes se reuniram com o objetivo de contestar o aumento das passagens do metrô e da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) anunciado pelo governador João Doria (PSDB) e em vigor desde o dia 13 deste mês. Vale ressaltar que o aumento de R$ 4,00 para R$ 4,30 equivale ao dobro da inflação registrada em 2018 e está acima do aumento do salário mínimo. Enquanto os manifestantes ainda estavam planejando o percurso que iriam seguir, foram covardemente surpreendidos por uma ação truculenta da polícia. O fotógrafo da Ponte Jornalismo, Daniel Arroyo, foi ferido por um tiro de borracha no joelho direito. Também Willian Vieira, colaborador da Mídia Ninja, foi ferido nas pernas por disparos. Bombas de efeito moral e gás de pimenta também foram usados pelos policiais. Nesse início de governo, percebemos vários elementos de uma política que opta pela força e imposição do medo, sob o pretexto de estabelecer a ordem. Sabemos que as coisas não são bem assim. Uma sociedade de paz só é possível por meio do diálogo e da justiça. O foco deveria estar voltado para o combate à desigualdade e não no ataque àqueles que, com audácia, procuram viver, até as últimas consequências, os princípios da verdadeira política. Aos homens e mulheres que, com sua presença no mundo, buscam uma sociedade melhor a nossa solidariedade! Por: Irmã Stela Maris Martins Presidente da Redes – Rede de Solidariedade e graduanda em Ciências Sociais pela PUC-Rio
O leigo e a Campanha da Fraternidade

Todos participamos, de alguma forma, das políticas públicas, seja como funcionários, seja como usuários dos serviços públicos. Nesse sentido, a Campanha da Fraternidade 2019, com o tema “Fraternidade e Políticas Públicas” e o lema “Serás libertado pelo direito e pela justiça”, do profeta Isaías (1,27), vem trazer ao cidadão brasileiro a participação em ações que construam as políticas públicas nas quais prevaleça o direito e a justiça para todos. Para os leigos cristãos, sobretudo os missionários leigos, comprometidos com o Evangelho, a CF 2019 tem um sentido ainda mais expressivo: o de ser presença viva e atuante em um espaço que é público, cujos usuários são os que compõem a maior parte da população, a qual precisa assumir o protagonismo das mudanças sociais. Nessa ação transformadora, com o objetivo de colaborar para que os direitos humanos sejam respeitados e colocados em prática no espaço público, o leigo vem dar continuidade às ações que se firmaram no Ano Nacional do Laicato e que tiveram uma repercussão bastante construtiva. São passos que vão conscientizar e orientar o cidadão em seus direitos, compartilhar os desafios por uma sociedade justa e solidária, além de intervir, de forma construtiva, em todos os setores da sociedade: primeiro setor (público), segundo setor (privado), bem como no terceiro setor (sem fins lucrativos). A colaboração do leigo vem sendo intensificada na criação de espaços para debates e esclarecimentos sobre os direitos humanos, o que é de grande valor para todos os cidadãos e servidores públicos que nem sempre contam com esse espaço em seu ambiente de trabalho. Mas o cristão leigo tem os caminhos para promover a cultura do encontro e do diálogo, na qual o direito, a justiça e a solidariedade são debatidos com ética e cidadania. São encontros em paróquias, estabelecimentos de ensino, condomínios, comunidades e redes sociais. Reflexões iluminadas pelas ações de Jesus, tão vivas, necessárias e esperadas nos dias de hoje, que superem conflitos, que desfaçam preconceitos e, acima de tudo, que valorizem a vida, a justiça e a paz. Maria Cristina Maia e Nanci Queiroz