Cuidar do meio ambiente todos os dias

O Dia do Meio Ambiente é 5 de junho, mas este mês todo é voltado para as questões ambientais que, na verdade, devem ser um compromisso de todos nós para cada dia do ano. Temos sempre de cuidar da natureza e do planeta! Se queremos um futuro feliz, precisamos cuidar dos rios, dos oceanos, das florestas, do ar, do solo e de cada cantinho de terra que temos a nosso alcance. Cuidar do meio ambiente é tão essencial à continuação de nossa vida como o respirar, o comer e o beber. Se não respirarmos, comermos e bebermos, vamos morrer! Mas também morreremos se não cuidarmos da natureza, pois é ela que nos dá o ar para respirar, o alimento para comer e água para beber. Neste vídeo, você verá que sempre podemos fazer alguma coisa para tornar o mundo melhor, cuidando do que está a nosso redor. E você? Já está cuidando do meio ambiente? O planeta Terra é nossa casa comum. Cuidemos dele com carinho!

VIVAT – Brasil assume novos desafios

Durante o workshop que se realizou de 27 a 30 de maio, no Centro Missionário Cultural Santíssima Trindade, em São Paulo-SP, o grupo Vivat – Brasil se consolidou e decidiu tornar-se uma filial da Vivat Internacional. Com isso, a instituição brasileira assumirá, com mais eficácia, o compromisso de trabalhar para a erradicação da pobreza, para o desenvolvimento sustentável, a promoção das mulheres e a cultura da paz. Neste vídeo, você assistirá a uma reportagem completa sobre o Workshop Vivat – Brasil, produzida pela Verbo Filmes, e conhecerá o que é a Vivat Internacional e as prioridades assumidas pela Vivat – Brasil. Mensagem final do Workshop Vivat – Brasil Nós, representantes das congregações religiosas membros da Vivat Internacional: Sociedade do Verbo Divino, Missionárias Servas do Espírito Santo, Congregação do Espírito Santo, Irmãs Missionárias do Espírito Santo, Missionários Combonianos, Missionárias Combonianas, Irmãzinhas da Assunção, Irmãs da Santa Cruz e Missionárias Scalabrinianas, estivemos reunidos no Centro Missionário Cultural Santíssima Trindade, em Santo Amaro, São Paulo, nos dias 27 a 30 de maio. O workshop contou com a presença da equipe executiva da Vivat Internacional / Nova Iorque: padre Robert Mirsel, SVD, e irmã Helen Saldanha, SSpS, e teve como objetivo a rearticulação da Vivat no Brasil e a retomada dos trabalhos em conjunto. A ONG Vivat permite a nossas congregações religiosas consolidar o compromisso evangélico por Justiça, Paz e Integridade da Criação, organizando-nos para uma maior incidência no âmbito das Nações Unidas, na defesa e promoção dos direitos das comunidades que acompanhamos. Nesse sentido, refletimos temas relacionados às prioridades da Vivat: Erradicação da Pobreza, Igualdade de Gênero, Desenvolvimento Sustentável e Cultura da Paz. Fizemos memória da caminhada da Vivat no Brasil e das atividades das congregações presentes, análise da conjuntura nacional, partilha da atuação da equipe da Vivat Internacional junto à ONU e aspectos práticos da organização em nível de Brasil. Essas reflexões, realizadas num clima de muita partilha e comunhão, ajudaram-nos a elaborar um plano de ação e a designar uma equipe de articulação para a Vivat Brasil. Para garantir uma presença mais profética e eficaz, decidimos dar os passos necessários para nos tornarmos uma entidade legalmente reconhecida no Brasil como filial da Vivat Internacional. Também vamos divulgar os compromissos assumidos e envolver nossos irmãos e irmãs, em nossas congregações, bem como os leigos e leigas que atuam conosco. Nossa presença num mundo profundamente injusto e desigual desperta em nós a indignação e a solidariedade que, enraizadas na fonte da espiritualidade, suscita em nós o empenho e um compromisso maior com o trabalho em rede da Vivat, em busca da superação das forças que destroem a vida. Nestes dias de encontro, marcou-nos, em particular, a memória das numerosas vítimas em Manaus, mortas em consequência de um sistema carcerário desumano, e das vidas ceifadas pelos crimes socioambientais da mineração, especialmente em Brumadinho e Mariana. Comprometidos com a realidade do povo brasileiro, assumimos como prioridades o desenvolvimento sustentável (com foco no agronegócio e mineração) e a cultura da paz (com ênfase na migração e na proteção das comunidades e lideranças ameaçadas, em particular povos indígenas e populações tradicionais). Também optamos por uma ação imediata da Vivat Brasil na defesa do Estatuto do Desarmamento e no acompanhamento e apoio aos compromissos que nascerão do Sínodo para a Amazônia, reafirmando o protagonismo dos povos amazônicos em busca de novos caminhos para a Igreja e a Ecologia Integral. Concluímos o workshop fortalecidos na esperança e profundamente comprometidos em contribuir para uma vida melhor para o nosso povo, confiantes que as prioridades assumidas possam ser respostas às necessidades dos grupos mais sofridos. Vivat Brasil São Paulo, 30 de maio de 2019.

Encontro sobre o mar (Jo 6,16-21; Mc 6,45-52)

A relação entre as pessoas e Deus começa pelo conhecimento, por isso Jesus se empenhou em modificar a noção que as pessoas tinham sobre Deus. Nesse viés, podemos ler o encontro sobre o mar. Especificamente acompanharemos a narrativa dos evangelistas Marcos e João (Jo 6,16-21; Mc 6,45-52). Esse emblemático episódio também se refere a nós, discípulos e discípulas, hoje submersos na vertigem dos ventos que são contrários à vida. O sociólogo Zygmunt Bauman chamou de “mal líquido” esses ventos (cf. Zygmunt Bauman e Leonidas Donskis. “Mal líquido: vivendo num mundo sem alternativas”). Em sua narrativa, João nos diz que, depois da multiplicação dos pães, houve a tentativa de reter Jesus e fazê-lo rei (6, 15). Diante disso, Marcos acrescenta mais detalhadamente a reação de Jesus: “Logo em seguida, Ele forçou seus discípulos a entrar no barco e passar adiante, para o outro lado, a Betsaida (João menciona Cafarnaum) enquanto ele despedia a multidão. E, tendo-a despedido, foi ao monte para orar” (6,45-46). O pano de fundo é o discernimento de Jesus ante duas complexas questões: 1) a crescente hostilidade das pessoas ortodoxas; 2) o grupo que queria fazer dele um messias nacionalista. E o discernimento dos discípulos. Ambos os evangelistas nos situam no drama que os discípulos enfrentavam nessa travessia: “Já estava escuro, e Jesus ainda não viera encontrá-los. Além disso, soprava um vento forte, e o mar se encrespava” (Jo 6,17-18). Em vista do vento que soprava, eles estavam tentando aproximar-se da margem para obter segurança. João nos diz que os discípulos tinham remado de 25 a 30 estádios (é o equivalente entre cinco e seis quilômetros). Segundo alguns estudiosos, no extremo norte, o lago não tinha mais de seis quilômetros de largura; isso quer dizer que estavam quase chegando ao fim da viagem. Os detalhes que emolduram essa narrativa descrevem a situação das comunidades antes da chegada de Jesus (vv. 16-18) e o seu efeito depois de Ele ter vindo. Notemos, por exemplo, “ao anoitecer”, expressão de sentido figurado significando “tempo de angústia e de perigo”. Ainda se acrescenta o tema do “mar” que, desde os tempos antigos, traz o significado de ameaça e de forças contrárias a Deus. O “vento contrário” pode ser lido reforçando o mesmo cenário de desorientação e perigo. Cria-se, portanto, um contraste entre o antes e o depois da vinda de Jesus nas comunidades dos discípulos. Lembremos que o texto de Marcos nos diz que Jesus “forçou” os discípulos a embarcar e ir à outra margem (v. 45). “Ir, atravessar, seguir” exterioriza o desejo do Mestre de abandonar uma situação, mudando por completo de atitude e se afastando dela. Completa-se a ação do verbo com a expressão “outra margem, para…”, dissipando a dúvida sob o lugar a alcançar. Portanto podemos concluir que Jesus quis dirigir-se ao lado oposto do lugar ideológico dominado pelo grupo dos ativistas e pela multidão que queriam fazê-lo rei. E, do mesmo modo, quis que os discípulos se afastassem dessa ideologia. Certamente, em cada época, Jesus “força” seus discípulos a “atravessar”, a “ir à outra margem”. Pois ele quer salvar a humanidade dos ardis ideológicos que a tentam privar de sonhos e projetos alternativos. É que toda ideologia que é contrária ao Evangelho trabalha com a ideia de sedução, desunião e ainda oferece o “melhor”, porém deixa sem alternativas. A fé, ao contrário, é dinâmica, acolhe as diferenças, é otimista, confia que o bem pode vencer o mal e sempre nos abre possibilidades de um mundo melhor e mais humano. O mundo, provavelmente, nunca foi tão inundado de ideologias fatalistas e deterministas como hoje. Basta acessar qualquer meio informativo para perceber o emaranhado de projeções de iminentes crises financeiras, políticas e religiosas. As grandes instituições perdem credibilidade, e ameaças de todo o tipo nos transbordam. E, se analisarmos as informações, muitas delas se sustentam em uma “cultura do medo”. Nesse viés, os messias amorais e oportunistas entram em cena e, com os slogans de paz, segurança nacional, progresso da “nossa” nação, afiançam-se no poder. Mas, como os primeiros discípulos, também temos de levantar os olhos e aguçar os ouvidos, pois o Senhor não nos abandonou. “Viram Jesus aproximar-se do barco, caminhando sobre o mar. Ficaram com medo. Jesus, porém, lhes disse: ‘Sou eu. Não temais’” (Jo 6,19b-20). O relato nos mostra os fadigados discípulos absortos nos remos, tentando se abeirar. Mas, ao levantar os olhos, avistaram Jesus se aproximar deles, caminhando firme sobre as agitadas águas. Então se sentiram alarmados, achando que se tratava de um fantasma. Em seguida, por cima das águas, chegou esta voz tão amada: “Sou eu. Não temais”. O “Sou eu”, mais que uma identificação, refere-se a uma revelação de Deus como salvador de seu povo (cf. Is 43,1-3.10; 44,2.8; Gn 15,1; Lc 1,30). Trata-se, pois, de uma epifania de Jesus, exortando a confiar nele. Avistar Jesus causa-lhes primeiramente medo, porém sua palavra reveladora lhes dá coragem. Os discípulos ainda não estavam entendendo o que para eles significava ter Jesus consigo. “Quiseram, então, recolhê-lo no barco, mas Ele imediatamente chegou à terra para onde iam” (v. 21). Com Jesus Cristo, é possível fazermos a travessia neste “mal líquido”, pois, unidos a ele, poderemos alcançar a outra margem. Ouçamos sua voz! Irmã Juana Ortega, SSpS, é teóloga especializada em Bíblia. Nasceu no México, trabalhou em Moçambique e colabora na Animação Vocacional.

À luz do Evangelho Dominical – Ascensão do Senhor

Depois de vários encontros do Ressuscitado com os discípulos, Jesus sobe ao céu diante de seus olhos. Para os discípulos, que ainda não tinham assimilado a morte e a ressurreição de Cristo, foi um novo desafio: assumir, por eles mesmos, o anúncio do Evangelho, contando com a presença de Jesus ressuscitado, porém não mais visível. E nós, será que entendemos o significado da Ascensão de Jesus? Será que, como os discípulos, também temos a tentação de ficar olhando para cima, esperando que Deus faça tudo por nós, sem tomar as iniciativas necessárias para realizar seu projeto em nossa vida? Neste vídeo da Verbo Filmes, o missionário leigo Luís Catapan fala sobre nossa missão como seguidores e seguidoras de Jesus. Esta solenidade também marca o Dia Mundial das Comunicações Sociais. Neste ano, a mensagem do Papa Francisco fala sobre as redes sociais e alerta para o risco de nos isolar nas redes, em vez de nos conectar melhor e nos ajudar uns aos outros. Leia na íntegra a mensagem do Papa. http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/messages/communications/documents/papa-francesco_20190124_messaggio-comunicazioni-sociali.html

Encontro da Palavra revelada com a história vivida

O Curso Internacional de Formação em Bibliodrama foi realizado de 10 de abril a 18 de maio de 2019, no Centro Ad Gentes, em Nemi, Itália. Coordenado pela irmã Maria Illich, SSpS, e padre Rudi Pöhl, SVD, reuniu pessoas de seis países: Alemanha, Filipinas, África, Polônia, Coreia do Sul e Brasil. Entre os participantes estava o educador Agostinho Travençolo Júnior, coordenador da Dimensão Missionária da Rede de Educação Missionárias Servas do Espírito Santo (SSpS). Para ele, participar do curso foi uma oportunidade única e muito especial de experimentar um caminho novo de leitura, escuta e vivência da Sagrada Escritura. Ele ressalta a experiência de interagir com a Palavra de Deus “não meramente como coadjuvante e sim como protagonista”. Segundo Agostinho, o objetivo do curso foi buscar fortalecer a espiritualidade e o encontro com a Palavra de Deus, tendo como base quatro pilares (“relacionamento”, “comunhão”, “missão profética” e “ministério bíblico-pastoral”), além de formar facilitadores do método no bibliodrama. O texto inspirador foi a passagem dos “Discípulos de Emaús” (Lc 24,13-35). Buscando uma nova dinâmica e maneira de experimentar e comunicar a Palavra de Deus, o bibliodrama constitui-se de duas partes que se encontram: a Palavra de Deus e a história pessoal de cada participante. Por esse motivo, no método, cada pessoa é considerada única pelo que é e pelo modo como sente e compartilha sua experiência pessoal com a Palavra. O curso também capacita o participante a tornar presentes personagens e outros objetos do texto sagrado bem como aflorar o melhor e mais verdadeiro de seu mundo interior. Nesse sentido, Agostinho confidencia: “O curso veio para ressignificar minha história onde o Texto Sagrado pode expressar sua força e sabedoria”. Também conta que provocou uma mudança de direção, no sentido de olhar, sentir e tocar a vida de um jeito diferente e mais pleno de significados: “Trouxe para o centro o que deve estar no centro: a Palavra e a vida”, resume. Para Agostinho e demais participantes, Nemi se tornou, por seis semanas, um “laboratório internacional” de vivência e de aprendizado do método, possibilitando diferentes leituras da Bíblia, o que proporcionou uma profunda reflexão dos ensinamentos e dos valores do Evangelho. Agostinho retorna ao Brasil trazendo na bagagem o desejo de partilhar a experiência vivida. Ele quer proporcionar às comunidades educativas dos colégios da Rede de Educação a vivência do método e seus elementos, “para que nossas ações se transformem cada vez mais em expressões criativas e espontâneas”. Com entusiasmo, afirma: “É tempo de partir e de adaptar o método à nossa realidade latino-americana, que clama por dignidade e justiça. Afinal, o Deus de Israel bíblico e de Jesus de Nazaré é o Deus dos excluídos”. Agostinho ressalta ainda o clima intercultural de acolhida. “É o sinal mais claro da Palavra viva nesse encontro, que semeou no coração de cada um, de cada uma, sentimentos de gratidão e o desejo de continuar nessa caminhada”. “Quem ganha é a Dimensão Missionária, por se tornar cada vez mais um espaço de encontro da pessoa com a sua história e com a Palavra que fez morada entre nós”, conclui. Agostinho Travençolo Júnior, educador e coordenador da Dimensão Missionária da Rede de Educação SSpS.

Compreender a presença de Deus na História

“A minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo” (Sl 42). A renovação de nossa fé e de nossa espiritualidade está no caminho das fontes que as alimentam e saciam e, ao mesmo tempo, com que ardor fazemos este caminho. “Se alguém tem sede, venha a mim e beba” (Jo 7,37). Há dois anos, quando iniciei a minha participação no Centro Missionário Cultural Santíssima Trindade, logo percebi a vontade de todos os participantes do Curso de Teologia em ampliar os conhecimentos bíblico-teológicos, em compreender mais profundamente o significado da presença de Deus na história da humanidade e da humanidade na vida de Deus. Assumi as áreas de Cristologia e Eclesiologia, tendo muito claro que o mais importante era assegurar, desde o início, a linha teológico-pastoral, tendo em vista a presença missionária e pastoral das leigas e leigos na Diocese de Santo Amaro, como serviço a toda a Igreja. Qual seria, então, a melhor metodologia e que estratégias utilizar para adquirir e também construir ferramentas pedagógicas com os participantes do curso? Em relação à Cristologia e Eclesiologia, a ótica utilizada vem de um método simples, constituído de três questões fundamentais: o que queremos? Que caminho devemos fazer? Aonde queremos chegar e, ou, que resultado esperamos? O foco dos trabalhos, dos estudos, das aulas, desde o início, está na construção e manejo de instrumentais, chaves de leitura bíblica, a fim de que sejam facilitadores do abrir novas portas e janelas do conhecimento da Sagrada Escritura, dos Evangelhos, da pessoa de Jesus (seus ditos e feitos), do significado do Reino de Deus na história da humanidade. Esse tem sido o desafio desde as primeiras horas do curso: o caminho sagrado da fé e da vida. E, para isso, é necessário descalçar as sandálias antigas e calçar o projeto de Jesus, aprofundando os conhecimentos para uma melhor compreensão do significado de sua missão no plano de salvação de Deus. Em alguns momentos, é preciso “dar um mergulho” nas raízes da própria experiência de fé e deixar-se provocar, pois o Senhor nos provoca (chama em favor de) e nos envia. O que esperamos e desejamos é que, em sua ação missionária, todos os participantes do curso sejam um sinal vivo da presença do Reino de Deus em suas comunidades: por sua fé, ação e testemunho. E a todos nós, hoje, Ele nos chama e nos envia a semear novas sementes de vida, da Palavra, do diálogo, das ações de justiça, da ética, da comunhão, na unidade e no amor, como um novo modo de ser Igreja, vinho novo (Mt 9,14), celebrando a fé, a unidade, a partilha, as pequenas vitórias, enfim, a vida. Vem e vê! (Jo 1,46) Mariano Gaioski é teólogo e professor com especialização em História e Educação. Tem ampla experiência pastoral e social com adultos, crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade.

À Luz do Evangelho Dominical – 6º Domingo da Páscoa

Estamos no 6º Domingo da Páscoa. Jesus continua o discurso de despedida e promete aos discípulos, e a nós: quem guarda a sua palavra, o Pai o amará e virá fazer morada nele. Também nos dá a sua paz e anuncia o envio do Espírito Santo, o Defensor.

Transformando vidas no Taquaril

As missionárias servas do Espírito Santo estão no bairro do Taquaril, na Região Leste do Município de Belo Horizonte, desde o início da década de 1990, poucos anos após o surgimento do bairro, em 1986. Apesar de ser uma área muito bonita, rodeada pela Serra do Curral, o Taquaril já foi considerado uma das regiões mais pobres do Brasil e a maior periferia da capital mineira. Sua população, em sua maioria, vinda do interior do Estado, precisou enfrentar muitos problemas sociais, além da violência, conflito entre gangues e tráfico de drogas. Graças ao trabalho dedicado da Igreja local e o empenho da população, muitas melhorias foram alcançadas. Exemplo disso é a presença da missionária polonesa Ir. Matilda Gorus. Quando ela chegou ao bairro, não havia praticamente nenhum serviço de atendimento à população. Então ela foi perguntando ao povo qual era a maior necessidade, e as famílias disseram que queriam uma creche, para deixar as crianças e, assim, permitir que as mães pudessem trabalhar. A Creche Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, ligada à Paróquia São Gabriel, teve início em 1996 e vem transformando a vida das crianças e da população. Neste vídeo, você conhecerá um pouco da missão de Ir. Matilda no Taquaril e também verá o depoimento de alguns moradores da comunidade. Eles, incluindo o padre e um pastor evangélico, falam sobre a dedicação e o amor que a missionária tem para com aquele povo. Confira.

Conversando com Deus

Num desses dias, fui caminhando, como de costume, de nossa pequena comunidade no bairro da Cohab Adventista até o metrô Capão Redondo, na Zona Sul da cidade de São Paulo. O dia estava muito escuro e com nuvens pesadas de uma tempestade pronta para desabar a qualquer momento. Andava rapidamente, com receio de que a chuva caísse antes de eu chegar à estação, quando um jovem que vinha em minha direção, sem mais nem menos, parou sorrindo bem na minha frente. Surpresa, fiquei esperando pelo que ele diria, mas o rapaz não disse nada. Apenas me olhou e apontou para o céu atrás de mim. Sem entender, olhei para trás, e lá estava ele, em todo o seu esplendor: um arco-íris desdobrando-se de um lado ao outro do céu, com um colorido intenso e profundo, contrastando com o céu cor de chumbo. Um dos mais belos arco-íris que já vi em toda a minha vida. Por alguns segundos, maravilhada, fiquei contemplando o espetáculo. Então me lembrei do jovem que estava diante de mim e o agradeci por ter me mostrado o arco-íris. Sem dizer uma palavra, sorriu e continuou o seu caminho. Também continuei o meu, na direção oposta ao fenômeno. Ficara tão tocada com aquela visão que, por várias vezes, parei e olhei para trás. Precisava caminhar, mas não queria perder aquele belo espetáculo da natureza. Nas outras vezes que olhei, o arco-íris continuava lá, mas com menos intensidade e, aos poucos, foi esmaecendo. Percebi que havia recebido uma dádiva do jovem desconhecido e fui refletindo sobre o significado daquele momento. Na verdade, pensei, recebi um presente de Deus. O jovem foi apenas o mensageiro, o anjo que me fez parar e olhar na direção oposta. Sem ele, jamais saberia que havia um arco-íris atrás de mim. Pensei na aliança de Deus com a humanidade, após o dilúvio, e agradeci por Ele continuar presente em nossa vida, em nossa história. Por continuar sua obra criadora, cada dia, de novo. Por me revelar seu amor e seu sorriso naquele dia triste e escuro… Olhei a meu redor, e todos caminhavam apressados e indiferentes. Senti-me privilegiada por ter visto aquele arco-íris e, de alguma maneira, seu colorido se impregnara dentro de mim e mudou meus sentimentos. Pensei na realidade do Brasil… Vivemos tempos escuros, às vésperas de um temporal… A sensação de insegurança, a situação cada dia mais difícil, as pessoas lutando para sobreviver. Enquanto isso, fui me aproximando da entrada do metrô, e lá estavam os camelôs, tentando contornar, na economia informal, a falta de emprego. Precisavam ser muito criativos para conseguir o sustento de cada dia. Quantos teriam visto o arco-íris? Como ninguém olhasse para o céu, conclui que não tinham visto. Continuei caminhando e agradecendo a Deus, mesmo quando me misturei à multidão que se apertava nas catracas da estação. Não sei se entendi o que Deus estava me mostrando, mas sabia que Ele havia me tocado no mais profundo e queria me abrir para sua mensagem. Durante vários dias, continuei a pensar naquele pequeno episódio que, de alguma forma, conectou-me com o Deus que está por trás de todas as coisas. O Deus Pai e Mãe, fonte de amor e de vida, capaz de transformar todas as situações e acontecimentos, por mais desafiadores que sejam, em oportunidades para uma vida melhor e mais feliz. Um Deus que se manifesta dando colorido ao céu tempestuoso e dando sentido ao emaranhado de nossas vidas. Isso trouxe uma confiança profunda em meu coração. Mesmo quando as coisas não vão bem, quando o sol se esconde, o céu fica escuro e parece que tudo vai desabar sobre nossas cabeças… Deus está lá. Mesmo quando a política é um suceder de escândalos e de desmandos, a economia vai mal e parece que o País não tem mais jeito, nada disso é a última palavra. É como se Deus olhasse para nós e desse uma piscadinha de olhos dizendo: “Acordem! Tudo isso passa! Minha aliança continua! Vão em frente. Levantem a cabeça e olhem para o céu. Vocês podem contar sempre comigo! Olhem também ao redor de vocês. Arregacem as mangas e façam as mudanças que precisam ser feitas! Vocês são parte de minha criação e têm o poder para melhorar a realidade em que vivem! Portanto, não desanimem!”. Olhando para o céu, devolveria a piscadinha e diria: “Obrigada por ter me mostrado o arco-íris!”. Irmã Ana Elídia Caffer Neves, SSpSJornalista, membro da Equipe de Comunicação Congregacional e coordenadora de Comunicação da Província Stella Matutina (BRN)

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