Dia da Amazônia

Comemorando o Dia da Amazônia, 5 de setembro, queremos refletir sobre nossa atitude em relação a essa grande dádiva da criação, importante não somente para nós brasileiros, mas também para a preservação da vida e do equilíbrio climático de todo o planeta. Neste artigo, Frei Betto fala sobre o Sínodo da Amazônia e da necessidade de se cuidar da ecologia integral, incluindo os povos da floresta, que são os mais ameaçados. Como cristãos, somos convidados a adotar uma postura ética em favor da vida e da integridade da criação. Amazônia, o rosto ecológico de Deus A Igreja tem consciência de que, se agora defende a causa indígena, ainda não se libertou da influência do projeto colonizador que vigorou no passado O Sínodo da Amazônia, convocado pelo papa Francisco para outubro, terá lugar em Roma, numa decisão equivocada do Vaticano, pois fora agendado, de início, para ocorrer no coração da selva. Ali se debaterá mais do que a presença da Igreja Católica naquela região interconectada e cada vez mais violenta e desigual. O bioma amazônico engloba nove países e ocupa mais de 7 milhões de km² habitados por 34 milhões de pessoas, das quais 3 milhões são indígenas, que dominam 340 diferentes idiomas. Ali, cada metro quadrado tem mais diversidade do que qualquer outro lugar do planeta. O bioma possui três tipos de rios: os de superfície; o subterrâneo, conhecido como “alter do chão”; e os “rios voadores”, assim chamados por acumular vapor na atmosfera e distribuí-lo em forma de chuva em toda a América do Sul. A Amazônia exerce forte relevância no ciclo do carbono, ao absorvê-lo em bilhões de árvores e impedir sua liberação na atmosfera em forma de gás. Reduz, assim, o aquecimento da Terra. As quatro dádivas da região são: • povos que sabem viver da selva e na selva, sem ameaçá-la; • o ciclo das águas e do carbono; • a biodiversidade; • e a regulação do clima. Segundo o papa Francisco, “os povos amazônicos originários nunca estiveram tão ameaçados em seus territórios como agora”. Em sua sabedoria ancestral, eles nos ensinam a se relacionar com a natureza, os demais seres humanos e Deus. No entanto, agora são vítimas de assassinatos, expulsões de suas terras, ação de grileiros e mineradoras, desmatamento, e proibição de se reunir e organizar. A Igreja tem consciência de que, se agora defende a causa indígena, pela qual há tantos mártires, por outro lado ainda não se libertou da influência do projeto colonizador que vigorou no passado. O Sínodo busca justamente implantar uma Igreja pós-colonial e solidária, com rosto amazônico e indígena. Para a Igreja, a região é muito mais do que um lugar geográfico; é também um lugar teológico, no qual transparece a face de Deus criador. Não há como manter a floresta de pé sem a sabedoria dos povos que a habitam. O “capitalismo verde” não convém, pois se rege pelas leis do mercado e busca patentear princípios e essências, privatizar a água e promover a pirataria dos saberes populares. Os povos indígenas guardam ainda uma sintonia holística com o Cosmo. Seus sentidos aguçados estabelecem um diálogo permanente com a natureza. Conhecem cada ruído, prenunciam a chegada da chuva ou da seca, identificam os recursos medicinais das ervas. O índio não é um indivíduo na natureza. Seu corpo, o território no qual habita e a natureza formam uma unidade. Os indígenas respiram uma cultura que se traduz, de fato, em espiritualidade da reciprocidade. Através de ritos e festas, celebram a exuberância da natureza e exorcizam os espíritos malignos. Sem recorrer à escrita, passam de geração a geração a cultura do cuidado da floresta e do respeito a todos os seres vivos. Para eles, a terra não é um bem econômico, e sim dom gratuito de Deus no qual descansam seus antepassados, e espaço sagrado com o qual interagem para preservar sua identidade e valores. Sofrem, no entanto, sérias ameaças de uma equivocada concepção de desenvolvimento e riqueza que lhes cobiçam as terras para implantar projetos extrativos e agropecuários, indiferentes à degradação da natureza e à destruição de suas culturas. Cinco grandes sintomas da crise planetária se manifestam na Amazônia: 1) mudança climática; 2) envenenamento da água; 3) perda da biodiversidade; 4) degradação da qualidade de vida humana e da natureza; 5) conflitos sociais marcados por violência e assassinatos. A convocação do Sínodo Panamazônico pelo papa Francisco é uma boa nova para toda a humanidade. Frei Betto é escritor, autor de “A obra do artista – uma visão holística do Universo” (José Olympio), entre outros livros. O texto foi publicado originalmente pelo portal O Globo.

Quem se humilha será exaltado

No Evangelho deste domingo, Jesus toma refeição na casa de um fariseu. Conhecendo bem sua maneira de pensar e de agir, Jesus propõe uma nova visão, uma nova atitude. Os fariseus eram pessoas piedosas e observavam a lei fielmente, e ao pé da letra. Por isso eram considerados justos, achavam-se melhores que as outras pessoas e merecedores dos lugares mais importantes.  Jesus desarma os esquemas farisaicos e nos convida a sermos humildes, a deixarmos para os outros os melhores lugares. Jesus mostra que é preferível ser chamado à frente do que passar a vergonha de ter de ceder o lugar a alguém mais importante, pois quem se exalta corre o risco de ser humilhado… Quem ocupa o primeiro lugar no coração de Deus? O Evangelho de Lucas deixa claro que são os pobres, os enfermos, aqueles que não têm qualquer prestígio e nem como retribuir. E no nosso coração, quem ocupa o primeiro lugar? No vídeo de hoje, o biblista Ademir Guedes Azevedo, do Centro Bíblico Verbo, mostra como as atitudes de Jesus apontam para uma nova lógica de ser e para os verdadeiros valores do Reino de Deus. A humildade e a gratuidade estão em sintonia com o coração de Deus.

O encontro na casa (Lc 10,38-42)

A narrativa sobre a visita de Jesus a Marta e Maria é própria do evangelista Lucas. Notemos que Lucas é quem mais faz questão de destacar, em seus escritos, como as mulheres, tal como os homens, são objetos da compaixão e da misericórdia divina (cf. Lc 1,46-55; 1,67-79; 7,36-37; 15,4-10). De diversas formas, Lucas insiste em apresentar a mulher, em conjunto com todos os marginalizados e sofredores deste mundo, destinatária da alegre mensagem de salvação trazida por Jesus Cristo aos pobres (cf. Lc 7,11-17; 7,36-50; 13,10-17; 18,1-8). Nesse preâmbulo, analisaremos o trecho de Lucas 10,38-42, o qual se compreende dentro da temática de todo o capítulo dez. Observemos alguns detalhes importantes da coesão entre as unidades. Nos versículos 1 a 24 (missão dos 72), Jesus enviou dois a dois; Marta e Maria também são duas. Na Parábola do Samaritano (v. 29-37), este levou o ferido à hospedaria-casa. O encontro com Marta e Maria tem lugar na casa (Igreja doméstica). Conclui-se, portanto, que o tema que percorre todo o capítulo é a diaconia e o discipulado na domus eclessiae (Igreja doméstica). No caso que nos compete, a casa é administrada e animada por mulheres: Marta e Maria. Assim, e em vista de uma compreensão mais abrangente, propomos uma tradução que nos parece mais conexa do grego. Ora, quando iam de caminho, entrou Jesus numa aldeia, e certa mulher, por nome Marta, o recebeu em sua casa. Tinha esta uma irmã chamada Maria, a qual, sentando-se aos pés do Senhor, ouvia sua palavra. Marta, porém, estava arrastada, inquieta, envolta da muita diaconia; e colocando-se por cima, disse: “Senhor, não se te dá que minha irmã me tenha deixado a viver a diaconia sozinha? Dize-lhe, pois, que me ajude”. Respondeu-lhe o Senhor: “Marta, Marta, estás ansiosa e perturbada com muitas coisas; uma, porém, é necessária; e Maria escolheu a boa parte, a qual não lhe será tirada”. Os versículos 38 a 40a constituem a exposição da cena com as informações sobre os fatos: o tempo (quando iam de caminho à Jerusalém); as personagens (Jesus, os discípulos, Marta e Maria); seus estados (Jesus indo de viagem com os discípulos; Marta aflita com a diaconia; e Maria exercendo o discipulado); as primeiras ações (Jesus chegou, Marta o recebeu, Maria, a irmã de Marta, sentou-se aos pés de Jesus). É interessante observar que os outros discípulos saem da cena, ficando sós as duas irmãs e Jesus. Além do mais, o autor dirige nossa atenção para o conflito que contrapõe ambas as irmãs, por razão do Senhor Jesus. Marta recebe Jesus em sua casa, o verbo ὑπεδέξατο (receber) está no indicativo aoristo da terceira pessoa do singular. Pelo que é possível deduzir a independência familiar de Marta, ela não pertence ao pai ou ao esposo, pois então seriam eles que receberiam Jesus e a Igreja (cf. Gn 18,1-9). Logo, uma leitura que sustente que o papel de Marta é de uma empregada doméstica deve ser posto em dúvida. Além disso, no texto, não se fala de uma casa particular, mas, pelo conflito nela suscitado, o mais provável é que se trate de uma domus eclessiae da qual Marta é a autoridade. Isso deixa em claro que as igrejas, no começo, eram lideradas por ambos: homens e mulheres. Em épocas recentes, temos acompanhado reflexões sobre o papel da mulher na Igreja e sociedade. Mas, na prática, continua-se relegando a mulher aos serviços domésticos ou, o que é mais dramático, ao papel de escrava do homem e, portanto, objeto no qual ele descarrega sua violência. Percebe-se que ainda há um longo caminho para desmitificar os papéis de gênero pelo bem da igualdade. Por isso é mister, sobretudo aos cristãos, perceber a mensagem que, por meio dessas duas mulheres, Marta e Maria, ícones da comunidade, Lucas nos apresenta. Aliás, o evangelista faz questão de mostrar, ao longo de seus escritos, que, no Reino de Deus, homens e mulheres têm o mesmo lugar. Maria está sentada aos pés do Κυρίου (Senhor), escutando diretamente sua palavra. Lembremos que era costume dos judeus (homens) sentar-se para aprender dos rabinos, porém a mulher ficava longe e somente podia conhecer a lei por meio do marido. Na comunidade de Jesus, contudo, a mulher não precisa de intermediário. Ela mesma é inclusa como discípula que escuta e apreende a Palavra (o magistério de Jesus). Entretanto notemos que surge aqui a questão central do conflito, pois o tempo que Maria dedica a aprender faz com que a carga das funções recaia nas costas de Marta. “Marta, porém, estava arrastada, inquieta, envolta da muita diaconia” (v. 40a). Ora bem, entende-se a diaconia no sentido eclesial (pregação da Palavra, administração da comunidade). Marta está sobrecarregada com o serviço da administração e pede a Jesus que intervenha ante Maria, para que a ajude, porém Jesus responde inversamente e, em vez de enfrentar-se com Maria, enfrenta-se com Marta, mostrando-lhe a raiz de sua inquietação. “Respondeu-lhe o Senhor: Marta, Marta, estás ansiosa e perturbada com muitas coisas; uma, porém, é necessária; e Maria escolheu a boa parte, a qual não lhe será tirada” (v. 42). Jesus não repreende Marta, mas a conduz a perceber o risco de dispersão em que se encontra. O esforço pela organização eclesial e perfeição externa das obras pode afastar da raiz da Palavra, da fonte do Senhor. Quando isso acontece, caímos no legalismo que destrói tanto a quem exerce o serviço como a quem o recebe. Diante do muito serviço que preocupa Marta, Jesus destaca o valor de uma coisa, e Maria o sabe, trata-se da busca do Reino (cf. Lc 12,31; Mt 6,33). “Uma, porém, é necessária; e Maria escolheu a boa parte, a qual não lhe será tirada” (v. 42). A única coisa necessária não pode ser entendida como um simples sentar-se para rezar, mas se trata de acolher Jesus para segui-lo e viver de sua Palavra. O Evangelho, quando traduzido em formas de serviço que distraem e perturbam, provocará conflitos na comunidade. Entretanto, o Evangelho não é imposição, mas acolhida responsável; não é

À Luz do Evangelho Dominical

Jesus, ao ser interrogado se são poucos os que se salvam, fala que devemos nos esforçar para entrar pela porta estreita… Que porta é essa? Por que é difícil passar por ela? Por que muitos não conseguem entrar? O que faz a porta se fechar? O simbolismo da porta se refere à salvação, e todos nós a buscamos. No tempo de Jesus, havia os fariseus que observavam a lei nos mínimos detalhes e, por isso, consideravam-se salvos e melhores que os outros. Por isso Jesus fala que os primeiros serão os últimos e que os últimos serão os primeiros. Assista ao vídeo, descubra o significado dessa passagem e o que ela tem a dizer para nossa vida.

O encontro que me fez permanecer (Jo 1,35-42)

“No dia seguinte, João se achava lá de novo, com seus discípulos. Ao ver Jesus, que passava, disse: ‘Eis o Cordeiro de Deus’” (vv. 35-36). João Batista é uma figura-chave nas comunidades do Novo Testamento, por isso seu testemunho, ao chamar Jesus de “Cordeiro de Deus”, é de suma importância. Esse título evoca a memória do Êxodo. Naquela noite da primeira Páscoa, os israelitas aspergiram as portas de suas casas com o sangue do cordeiro imolado, em sinal de libertação (cf. Ex 12,13-14). Mais tarde, os profetas Isaías e Jeremias usaram a imagem do cordeiro como alguém que redimiria o povo por meio de seus sofrimentos e sacrifício, aceitos com humildade e amor (cf. Jr 11,19; Is 53,7). Assim, evocando o Êxodo e, em sintonia com esses profetas, João apresenta Jesus a seus discípulos; de alguma forma, expressando: “Eis aqui que chegou o novo Cordeiro Pascal, Ele vem para libertar o povo”. João soube reconhecer em Jesus o Cordeiro-Messias e imediatamente lhe cedeu o lugar que lhe correspondia (cf. Jo 1,20-28), colocando-se em segundo lugar. Na atual sociedade, ocupar o primeiro lugar, o lugar divino, tornou-se a finalidade da vida. Os sistemas ideológicos, aberta ou sutilmente, conduzem-nos a competir pelo sucesso, riqueza, segurança, poder. Mas, na realidade, acontece que o objeto desejado constantemente muda e foge de nossas mãos. No entanto, essa forma de nos comportar tem trazido efeitos desastrosos para a humanidade e a natureza. Diante dessa realidade, o testemunho do Batista é imperativo. Ele nos recorda que o caminho da humanização está em seguir Jesus, o Cordeiro de Deus. Portanto é urgente sair da ilusão de que a finalidade de nossa vida é sermos os primeiros. “Os dois discípulos ouviram-no falar e seguiram Jesus. Jesus voltou-se e, vendo que o seguiam, disse-lhes: ‘Que procurais’. Disseram-lhe: ‘Rabi, onde moras’” (vv. 37-38). André é um dos dois discípulos que, animados por João, foram em busca de Jesus. Logo ele apresenta Jesus como o “Messias” a seu próprio irmão. Seguindo a narrativa, temos uma sequência de repetições: as pessoas que encontram Jesus o apresentam a outras, e assim sucessivamente. Entretanto, analisando todos os detalhes, perceberemos que, em todos os casos, a iniciativa do chamado é divina. Quando o ser humano começa a desejar estar com Deus, o Senhor mesmo sai a seu encontro (cf. Lc 15,20). Jesus voltou-se e os viu. O verbo “voltar” indica que foi Jesus o agente da ação. Ainda o sentido da palavra completa-se pelo verbo “ver”. O verbo “ver”, nos evangelhos sinóticos, está atrelado ao relato da vocação (cf. Mc 1,16.19;2.14; Mt 4,18-19.21; Lc 5,2.27). “Que procurais” é a pergunta mais fundamental para todas as pessoas que desejam se encontrar com Cristo. Pois, sendo honestos, há pessoas que vão atrás de Jesus procurando segurança, conforto, riqueza, prestígio, sucesso. Nesse marco, não há seguimento, apenas antitestemunhos (cf. Mt 6,21-23). André e o outro discípulo não buscavam satisfazer uma simples curiosidade, mas queriam saciar sua sede mais profunda: “Mestre, onde moras”. Eles queriam entrar na morada de Jesus e permanecer com ele. Jesus os percebe e responde-lhes não com uma informação, mas com um convite: “Vinde e vede”. O encontro com Jesus, quando nasce da busca sincera, leva à saciação da mais própria nostalgia do ser humano. “Então eles foram e viram onde morava, e permaneceram com ele, aquele dia. Era a hora décima” (v. 39). O movimento narrativo se desloca do morarpermanecer de Jesus ao permanecer dos discípulos. Agora estes participam da experiência da comunidade cristã de João. André e o outro discípulo vivenciaram o encontro com Jesus de uma forma tão profunda que nunca esqueceram. “Era por volta da hora décima” quando aconteceu o ponto de virada decisivo na vida deles. Logo, a vida nova não se contém, ela cresce como uma avalanche, envolvendo cada vez mais pessoas, pois a alegria de encontrar o Senhor é tal que desborda a outros: “Encontramos o Cristo”. Temos aqui mais um título de Jesus, por meio do qual as pessoas que vão sendo chamadas professam sua fé em Jesus. E nós, também queremos experimentar, na comunidade de Jesus e com Jesus, a saciação de nossa mais profunda nostalgia? “Ele o conduziu a Jesus. Olhando-o, disse-lhe Jesus: ‘Tu és Simão, filho de João. Chamar-te-ás Cefas’” (v. 42). André leva Simão a Jesus. O Senhor o olha. A palavra usada para exprimir esse olhar é emblepein e descreve um olhar profundo, um olhar que pode ler dentro do coração. Jesus o olha, diz a ele seu nome, “Simão”, e logo lhe dá outro (em aramaico, Cefas; em grego, Pedro, ambos significam rocha). No Antigo Testamento, uma mudança de nome selava uma nova relação da pessoa com Deus (cf. Gn 17,5; 32,28). O evangelista revela, porém, a novidade que traz Jesus com a mudança do nome. Jesus olhou a Pedro e viu não somente um pescador da Galileia, mas alguém cheio de possibilidades de se converter em rocha. Rocha que abrigasse as pessoas, independentemente da etnia, religião, gênero ou condição. Alegremo-nos, pois Jesus não só nos vê como somos, mas sim como podemos chegar a ser. Irmã Juana Ortega, SSpS, é teóloga especializada em Bíblia. Nasceu no México, trabalhou em Moçambique e colabora na Animação Vocacional.

Vida consagrada: sinal do Deus sempre presente

O Dia da Vida Consagrada é celebrado junto com a Solenidade da Assunção de Maria ao Céu. Isso não é coincidência. Maria, a Mãe de Jesus, é modelo de vida para todos os consagrados e consagradas. Nela todos os cristãos podem se inspirar para viverem o seguimento de Jesus em quaisquer circunstâncias da vida atual, pois Maria vai além do tempo. Ao ser elevada ao céu, Maria leva nossa humanidade para junto de Deus. Sua vida de serviço, amor e doação, toda dedicada a Jesus e ao projeto de Deus, abre um caminho de esperança de que também nós poderemos ter nossa vida plenificada em Deus. E a vida religiosa consagrada é um caminho que busca colocar em prática a maneira como Maria viveu, em atitude de total entrega ao Senhor, numa vida de oração e serviço. Os religiosos e as religiosas são pessoas comuns que ouviram o chamado de Deus e buscam, a cada dia, responder sim, a exemplo de Maria, dedicando-se inteiramente ao serviço do Senhor, nas mais variadas situações, como presença de esperança e testemunhas do amor misericordioso de Deus. Os religiosos consagrados são homens e mulheres que deixaram tudo, família, carreira e bens, porque descobriram o tesouro maior que dá sentido às suas vidas e preenche o coração. Ao viver os votos de pobreza evangélica, obediência apostólica e castidade consagrada, tornam-se livres, saindo de si mesmos para ir ao encontro de quem mais precisa. A vida consagrada, com sua criatividade e profecia, enriquece a Igreja com muitos dons e carismas. Por intermédio das freiras, irmãs, missionárias, irmãos consagrados, sacerdotes religiosos, monjas e monges, dá testemunho do seguimento de Cristo e de vida comunitária, unindo as pessoas e convivendo com as diferenças. Para cada situação de sofrimento, podemos encontrar religiosos prestando serviços, muitas vezes no silêncio e na humildade. O Espírito Santo inspira cada congregação religiosa a encarnar algum aspecto do projeto de Jesus e transformar em vida sua Palavra. Assim, temos religiosas e religiosos que abraçam a arte de ensinar crianças, adolescentes e jovens; outros cuidam dos doentes; outros vão às favelas e periferias anunciar a Boa-Nova; outros lutam para que os direitos humanos sejam respeitados… Também nós, missionárias servas do Espírito Santo, abraçamos o chamado de Deus e buscamos, nos mais variados tipos de apostolado, dar testemunho do amor de Deus Uno e Trino que transforma o mundo com ternura e compaixão. Desejamos a todas as consagradas e aos consagrados que possamos ser centelhas de vida e esperança onde as pessoas já não mais acreditam; que possamos contagiar com nossa alegria aqueles que perderam a razão de lutar; que possamos, por nossas atitudes, mostrar que Deus está sempre presente. Irmã Ana Elídia Caffer Neves, SSpS Jornalista, membro da Equipe de Comunicação Congregacional e coordenadora de Comunicação da Província Stella Matutina (BRN)

À Luz do Evangelho Dominical

Neste trecho do Evangelho (Lc 12,49-53), Jesus fala de fogo, divisão e transformação. O projeto do Reino de Deus consome seu coração e todas as suas energias. É uma verdadeira paixão! Um fogo que arde em seu coração e quer levar a transformação ao mundo. Mas transformar a realidade traz conflitos. O projeto de Jesus, o Reino de Deus, supõe mudanças, e estas geram resistências. O importante é entender que, muitas vezes, o amor encontra barreiras e divisões, mas quem é movido por uma verdadeira paixão pelo Reino de Deus é capaz de superar os desafios e ir em frente. Confira a bela mensagem que a biblista Gisele Canário, do Centro Bíblico Verbo, apresenta e como ela fala do fogo que arde no coração de Jesus. Deixe-se contagiar por sua paixão pelo Pai e por seus irmãos. Só quem é tocado por Jesus consegue transformar a realidade a seu redor.

Papo Vocacional – Animação Vocacional

No Papo Vocacional de hoje, o especialista em juventude, Carlos Eduardo Cardozo, explica qual é a meta da Animação Vocacional. Ao contrário do que muitos imaginam, o objetivo não é levar rapazes para o seminário, nem moças para o convento. A Animação Vocacional é um serviço à juventude que ajuda aos e às jovens que se dispõem a um processo de descoberta vocacional a encontrarem o caminho que Deus está propondo no seguimento de Jesus Cristo. A vida religiosa consagrada é um dos caminhos possíveis. Mas o mais importante de tudo é encontrar um lugar onde cada um possa ser feliz de acordo com o plano de Deus. Assista ao vídeo e descubra o que é o acompanhamento vocacional. Se você tiver interesse em conhecer mais, entre em contato conosco.

Presença na Marcha das Margaridas

Nos dias 13 e 14 de agosto, cinco missionárias servas do Espírito Santo, representando a Povíncia Stela Matutina – Brasil Norte, participaram da Marcha das Margaridas. A manifestação reuniu em Brasília milhares de mulheres de todo o País, trabalhadoras rurais, das florestas e das águas. Neste ano, o lema da marcha foi “Margaridas na luta por um Brasil com soberania popular, democracia, justiça, igualdade e livre de violência”. A Marcha das Margaridas ocorre a cada quatro anos, desde o ano 2000, inspiradas pela história de Margarida Maria Alves, líder sindical assassinada em agosto de 1983, em Alagoa Grande-PB, por defender os direitos de trabalhadoras e trabalhadores rurais. Este ano é a sexta edição da Marcha, considerada a maior ação de mulheres da América Latina. É realizada pela Confederação Nacional dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares (Contag), com suas 27 federações e mais de 4 mil sindicatos de trabalhadores e trabalhadoras rurais de todo o Brasil. Além da parceria de diversas organizações sociais e movimentos de mulheres, participam representações de 26 países de todos os continentes. Com o apoio também das mulheres indígenas, no dia 14 de agosto, a Marcha saiu em direção à Esplanada dos Ministérios e encerrou-se próximo ao Congresso Nacional. Estiveram presentes mais de 100 mil mulheres, levando suas reivindicações, como desenvolvimento sustentável com justiça, autonomia, igualdade e liberdade. As “margaridas” marcharam por uma vida livre de todas as formas de violência, sem racismo e sem sexissismo; por previdência e assistência social pública, universal e solidária; por saúde pública em defesa do SUS; pela proteção e conservação da sociobiodiversidade e aceso aos bens comuns; por respeito, igualdade e garantia de direitos; por democracia e fortalecimento da participação política das mulheres; por educação não sexista e antirracista, e pelo direito à educação no campo, entre muitos outros gritos, inclusive contra o feminicídio.. Participação das missionárias As irmãs que atuam diretamente no Centro de Integração do Migrante (CIM), Malgarete Scapinelli Conte, Lucilene Soares e Nadir Vieira Pereira, foram a Brasília dar seu apoio. Também a Ir. Maria de Fátima Marques, presidente da Rede de Educação SSpS, e Ir. Maria Aparecida Ribeiro, do Conselho do Instituto Trinitas, foram representando toda a Província. “Como missionárias servas do Espírito Santo, somos chamadas a estar presentes nas lutas dos povos e, como Centro de Integração do Migrante, também iremos para apoiar esta luta que deve ser de todas nós”, explica irmã Malgarete. Ela ainda acentua a importância de as mulheres camponesas levarem suas reivindicações à capital federal, pois “são elas que produzem comida sem veneno para a população”, afirma. “Temos uma potência agroambiental graças a milhões de margaridas que produzem alimentos saudáveis para as cidades, garantindo a soberania alimentar e a preservação das sementes crioulas, dos ecossistemas e da biodiversidade”, acrescenta. O apoio das missionárias não foi apenas pela presença, mas também contribuindo para que outras mulheres de diversos Estados brasileiros também pudessem participar. Mobilização nas escolas A Marcha das Margaridas também foi trabalhada nas escolas da Rede de Educação SSpS. No Colégio Stella Matutina, em Juiz de Fora-MG, a marcha foi recriada simbolicamente com alunos, professores e funcionários. Eles marcharam pelos corredores, em apoio às mulheres do campo e da cidade, por suas vidas e seus direitos. Foram homenageadas nove mulheres que tiveram destaque na história feminista do Brasil ontem e hoje: Margarida Maria Alves, Maria da Penha Maia Fernandes, Marta Vieira da Silva, Irmã Dulce, Nísia Floresta Brasileira Augusta, Nise Magalhães da Silveira, Carolina Maria de Jesus, Marielle Francisco da Silva e Laudelina de Campos Melo. Algumas imagens da Marcha das Margaridas

O desafio de ser jovem

Com o passar do tempo, tudo se transforma. Com a juventude, não é diferente. O que era ser jovem 20 anos atrás não o é mais. Os jovens da Pós-Modernidade têm desejos, sonhos e buscam objetivos diferentes, reafirmam suas personalidades, ao mesmo tempo em que fazem parte de grupos, o que se torna paradoxal, mas fortalece a juventude. Os diferentes se atraem, unem-se em causas comuns, lutam por ideais, sem perderem de vista suas perspectivas individuais. Nada melhor do que perceber a juventude ouvindo os próprios jovens falarem. O que sai do coração se torna razão e evidencia uma geração que marca presença em um mundo, muitas vezes, incerto e mutável. Em um bate-papo, jovens de 15 e 16 anos, todos estudantes da 1ª série do ensino médio do Colégio Espírito Santo, em São Paulo-SP, falam de seus desejos, angústias, carreira, escola, sonhos e amizades. Ser estudante, no século XXI, é viver desafios, conviver com o diferente, dedicar-se, lidar com cobranças, mas, ao mesmo tempo, também é prazeroso, segundo João Pedro Dourado, principalmente quando se “adquirem vários conhecimentos, se descobrem coisas novas com os professores e com os amigos, se dialoga sobre assuntos que, em casa, não é possível abordar”.  Outro desafio enfrentado pelos jovens é lidar com o tempo em uma sociedade marcada pela liquidez e tecnologia, em que tudo, rapidamente, torna-se passageiro e obsoleto. Será que temos de ter mais tempo para perder? Será que temos de aprender de forma tão rápida para passar no vestibular e conquistar uma carreira de sucesso? Quanto tempo temos mais? Diante dos olhos daqueles que respondem às perguntas, a juventude se esvai aceleradamente… O tempo também intensifica a cobrança que o jovem vivencia por ter de entrar em uma faculdade federal, ter de passar no ENEM. As tomadas de decisão devem ser muito rápidas. Essas cobranças, segundo eles, “vêm do próprio jovem, em primeiro lugar; em seguida, são externas, por parte da família, da escola e dos professores”, lembra o aluno Tiago Valentim Viana. Quem pensa que os jovens são desinteressados se engana. É fato que os interesses daqueles que nasceram entre os anos de 2003 e 2004 são bem diferentes dos que nasceram na década de 1980 ou mesmo 1990. Os jovens se engajam e se interessam por aquilo que tem aplicação, faz sentido e tem significado. “Quando se aprende o que pode ser usado, tudo se torna mais significativo”, diz Anna Laura Natario. É unânime entre eles que a geração atual tem muita empatia. “A maioria pensa no outro antes de fazer alguma coisa. Essa relação que a gente vai criando, conforme os anos vão se passando, é muito importante e faz muita diferença”, declara Isabella Menezes de Oliveira. Todos percebem que são privilegiados e valorizam o que conquistaram. Quando questionados a respeito dos sonhos, respondem que almejam um mundo em que o outro seja aceito, independentemente da cor, da cultura, da religião, do país de origem. “Todos somos seres humanos, há riqueza na diversidade”, afirma Mariana de Souza Ferreira. Passa ano, sai ano, vai juventude, vem juventude, as transformações chegam, mas há valores que permanecem. A amizade se perpetua, e os amigos se unem, dão conselhos, ajudam, criticam, caso seja preciso, mas sempre com a intenção de ajudar. Ser jovem, na atualidade, é desafiador. Ser jovem, na atualidade, é engrandecedor! Alunos que participaram do bate-papo: Anna Laura Van Der H. Natario, Aline Maria S. Bellangero, João Pedro Dourado F. de Maria, Isabella Menezes de Oliveira, Luiza Perestelo Cinzento, Marina Esteves Pelegrina, Mariana de Souza Ferreira, Tiago Valentim Viana.

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