O ano de 2022 na perspectiva de cinco mulheres

Os últimos anos têm sido bem difíceis, seja em nosso país, seja em outros contextos. Mas é preciso cultivar a esperança, atitude diferente de esperar passivamente. Cada pessoa precisa fazer sua parte, para que a sociedade possa voltar a ter o mínimo de leveza. Cinco mulheres convidadas por nosso blog comentam o ano que termina e falam de suas perspectivas para 2022. Desafios, política, espiritualidade, compaixão, saúde são alguns dos temas. Veja a seguir. Novas perspectivas Fim de dezembro e de um longo período sombrio para a humanidade, que, por dois anos, suporta ameaças de uma pandemia e somente agora começa a ter esperanças de alívio. Com esse leve estímulo, nasce meu desejo de que, em 2022, muitas coisas boas voltem: os abraços, os passeios, as viagens, as grandes festas, as oportunidades de trabalho, no momento adormecidas, enfim, os detalhes prazerosos que, pelo distanciamento social, ficaram para trás. Nós, que sobrevivemos aos desafios de 2020 e 2021, já comemoramos a virada do ano e queremos participar ativamente da vida em 2022. Sabemos que são os desafios que nos impulsionam para frente. “É muito sábio, porém, evitar anseios excessivos, mesmo em se tratando de boas causas”, dizia Santo Arnaldo Janssen. Que nossa vida possa voltar a ter leveza, humor! Tem ela de ser uma vida animada, sem ser banal e pequena. Porque não vivemos sozinhos, precisamos de uma vida em que haja um sentido de olhar para o outro, um pouco de paz e de muita gratidão a Deus. A vida sem amor não tem nenhum sentido. Que 2022 nos traga a todos nós muito otimismo, inspiração para nossas capacidades de sonhar e de amar, oportunidades e força de vontade para realizarmos os nossos sonhos. Lúcia Helena de MeloProfessora de Língua Portuguesa para estrangeiros _____________________________________________ Três aspirações para 2022 Todos os dias, rezo o terço para que os membros de minha família (todos eles citados nominalmente) sejam ajudados em suas dificuldades espirituais e temporais. Muito preocupada com a situação política de meu país, rezo também pelo Brasil, porque nosso presidente, já sem nenhuma credibilidade internacional, em vez de governar, somente está interessado na próxima campanha eleitoral, na ganância de obter cada vez mais poder. Enquanto isso, ao nomear seus comparsas para os cargos mais significativos para seus interesses, vão-se desorganizando a saúde, a educação, a cultura, o meio ambiente, os costumes e as relações exteriores. É uma gestão realmente desastrosa! Minha terceira aspiração é pelo fim da pandemia e para que eu tenha mais paciência, enquanto aguardo o atendimento de meus desejos, louvando a Deus pela esperança e pela paz que só Ele pode dar. Maria de Lourdes SimõesProfessora de Língua Portuguesa _____________________________________________ Presença de Deus Eu espero, no ano de 2022, estar com uma vida financeira mais estável e conquistar minha casa própria. Que todos de minha família estejam com saúde! Desejo que acabe esta pandemia para que possamos ter uma vida normal. Que, em 2022, todas as famílias tenham alimento na mesa, que as pessoas se coloquem no lugar do outro e que cada um sinta a dor do próximo. Sei que os que têm melhor condição não têm culpa pelos que não têm, mas um pouco de humildade seria bom para todos. Que, em 2022, não haja tanta desigualdade entre as pessoas, que todos tenham o mesmo direito à saúde e as mesmas oportunidades de educação e de trabalho. Que todos os corações sejam cheios da presença de Deus, pois, no dia em que isso acontecer, veremos o mundo melhor. Ester Souza ReisProfissional de serviços domésticos _____________________________________________ Cultivar a esperança O ano de 2021 termina. Ano com muitas incertezas, com poucas expectativas quanto ao combate à pandemia de covid-19 e muita dor e desesperança a nosso redor! No entanto, queremos cultivar a esperança para o novo ano, na certeza de que o que vírus da covid-19 seja controlado. Mais do que controlar o mal causado pela pandemia, rogamos a Deus que seja combatida a corrupção, a raiz de todos os males na humanidade e na Criação. E que a semente do Verbo Encarnado, que está em cada coração humano e na criação, possa desabrochar para que haja mais vida e vida em plenitude em todo o universo! Irmã Terezinha ColomboMissionária serva do Espírito Santo _____________________________________________ Mudar o mundo para melhor O ano de 2021 foi muito difícil para todos nós. Com muita fé em Deus, que em 2022 possamos ter mais união, amor e oportunidade de mudarmos o mundo para melhor. Josiane AlvesFuncionária do Convento Santíssima Trindade
Solenidade da Epifania do Senhor

“Ajoelharam-se diante dele e lhe prestaram homenagem”Mateus 2,1-12 Hoje, no Brasil, celebramos uma das grandes festas do Ciclo de Natal: a Manifestação do Senhor (Epifania, em grego), cuja data tradicionalmente era 6 de janeiro. Comemoramos o fato de que Jesus foi manifestado não somente a seu próprio povo, mas a todos, representados pelos magos do Oriente. Embora a festa tenha muita popularidade folclórica, ela celebra uma grande verdade da fé: que a salvação em Jesus é para todos os povos, sem distinção de raça, cor ou tradição religiosa. Retomando a grande intuição do profeta Isaías, celebramos hoje a salvação universal em Jesus. O texto de hoje é altamente simbólico. Usa uma técnica da literatura judaica chamada midrash, ou seja, uma releitura de passagens bíblicas, com o intuito de atualizá-las. Assim, usando figuras e símbolos tirados de diversos textos do Antigo Testamento, Mateus quer ensinar algo sobre Jesus. Por exemplo: vêm os magos (nem três, nem reis no texto bíblico!) buscando o Rei dos Judeus. Esses magos lembram os magos que enfrentavam e foram derrotados por Moisés (Êxodo 7,11.22; 8,3.14-15; 9,11) e acabaram reconhecendo o poder de Deus nas maravilhas feitas por ele. Os magos, no relato antigo, contestaram Moisés, mas, no relato mateano, vêm adorar Jesus, pois, para Mateus, Jesus é o Novo Moisés e maior do que Moisés. A estrela é sinal da vinda do Messias, prevista na profecia de Balaão (a “Estrela de Jacó” de Números 24,17). O menino nasce em Belém, segundo a profecia de Miqueias (5,1). Os presentes lembram as profecias de Segundo Isaías e os Salmos sobre os estrangeiros que iriam a Jerusalém levando presentes para Deus (Isaías 49,23; 60,5; Salmo 72,10-11). Herodes é o novo Faraó, que também massacra os filhos do povo de Deus (Êxodo 1,8.16). O texto chama a atenção pelas reações diferentes diante do acontecido. Os que deveriam reconhecer o Messias (pois são versados nas Escrituras) ficam alarmados, pois, para eles, opressores do povo por meio da religião e da política, Jesus e sua mensagem constituem uma ameaça. Outros, pagãos do Oriente, buscando sem ter certeza, arriscam muito para descobrir o verdadeiro Deus e entregam-lhe presentes, sinais da partilha que será característica do Reino que Jesus veio pregar. Hoje em dia, verificam-se as mesmas reações diante de Jesus e de seu Evangelho. Muitos querem reduzir os eventos religiosos a algo folclórico, com shows e cantos, como se vê claramente nas festas natalinas, quando até bancos, que desfrutam de lucros astronômicos e imorais, esteios que são do sistema neoliberal, que cria pobreza em toda parte, promovem apresentações sentimentais de Natal, usando os mesmos pobres que eles ajudam a criar. De forma alguma, esse tipo de celebração questiona nossa sociedade e seus valores. Para outros, o Menino na estrebaria é um sinal do novo projeto de Deus, o mundo fraterno, onde todas as pessoas de boa vontade devem se unir, seja qual for sua raça, nação, gênero ou religião, para construir a fraternidade que Deus quer. Jesus não precisa de presentes, mas sim de nosso esforço na vivência do Reino de Deus. Não caiamos em celebração vazia das histórias do ciclo natalino, reduzindo seu sentido a algo somente sentimental e folclórico. Na prática, temos de optar ou para uma vivência religiosa vazia, como a de Herodes e dos sumos sacerdotes, ou pela mensagem libertadora e salvadora do Menino de Belém, que convoca todos, representados pelos magos, para a construção de um mundo de paz, fraternidade e justiça, pois Jesus veio para que “todos tenham a vida e a tenham plenamente” (João 10,10). Padre Tomaz Hughes, SVD, biblista e assessor da CRB e do Cebi. Dedicou-se a cursos e retiros bíblicos em todo o Brasil. Publicou diversos artigos e o livro “Paulo de Tarso: discípulo-missionário de Jesus”. Faleceu em 15 de maio de 2017. Suas reflexões bíblicas são muito atuais.Pe. Tomaz Hughes, SVD
Um instante de silêncio…

No apagar das luzes de 2021… silêncio. Onde estiver, nestes últimos dias do ano, seja na companhia de quem for, proponha um instante de silêncio. Tempo precioso que vai valer uma eternidade, pois vai nos colocar diante das marcas do que se foi. Um silencioso suspiro para fazer memória aos amores e às dores. Uma fração de tempo para se encontrar com Deus e sorrir, mesmo diante das adversidades. Nada a dizer, nada a ver, apenas um gélido e refrescante vácuo neste mundo tão agitado. Instante para fazer memória aos que estão distantes e para celebrar a vida de tantos que estão diante de nós. Uma sinergia muda e duradoura com tudo o que nos move, nos agiganta, nos encoraja e nos dá sentido para romper mais um ciclo. Um instante de silêncio pelos gritos de gol engasgados na garganta, pelas lágrimas contidas e pelos abraços dados. Muita mudez para os momentos de nudez. Calmaria para enfrentar a indignação. Um instante de silêncio crítico e acolhedor diante do que a vida reserva a cada um de nós. Um instante de fé irmanada, de mãos dadas em missão. Na calada da noite ou do dia, um encontro com o inaudível. A sensação de levitar, em que o silêncio milagrosamente nos coloca no colo e baila conosco. A beleza dos fogos de artifício sem estampidos. Aquele instante de silêncio que nos faz encontrar o caminho do perdão. Instante para escutar o coração pulsando. A quietude do silêncio que eleva nossas preces e desejos aos céus e ao infinito. Um gesto coletivo de silêncio edificante para construir pontes e novos caminhos. Um instante de silêncio indignado para as vítimas da covid-19 e um silêncio esperançoso em homenagem a cada criança que nasceu para renovar nossas esperanças. Onde estiver, nestes últimos dias do ano, seja na companhia de quem for, ou mesmo em sua própria companhia, deixe o silêncio passar e levar você para mais um ano que se inicia. Maria José Brant (Deka), assistente social, analista de políticas públicas na Prefeitura de Belo Horizonte-MG, mestra em Gestão Social, mosaicista nas horas vagas.
Na Sagrada Família, tudo fala de Deus

No fim de cada ano, a Igreja celebra a Festa da Sagrada Família, composta por Jesus, Maria e José. É sagrada porque ali mora a predileção de Deus na escolha de seus membros. Maria, por ter sido eleita para ser a mãe de Jesus; José, por ser descendente de Davi; e Jesus, por ser o Filho de Deus. Essa família se reveste do sagrado porque nela tudo fala de Deus e de seu projeto para nos salvar. Nas três pessoas que a compõem, encontramos o lado humano plenamente “humanizado” em todas as suas dimensões biológicas, psíquicas, espirituais. Essa família viveu na aldeia de Nazaré, como as demais que lá estavam. Exercendo o trabalho do dia a dia, ficou escondida e só apareceu (nos Evangelhos) quando nasceu o Menino em Belém; quando o Menino foi apresentado no Templo oito dias após seu nascimento; quando foram em peregrinação à festa, em Jerusalém. Por trinta anos, viveram no anonimato, como viviam todas as famílias da aldeia, embora um fato fizesse a diferença entre as demais famílias: ali morar o Filho de Deus, e seus pais, José e Maria, terem sido escolhidos para a missão de cuidar do “Menino” até que Ele, aos 30 anos, pudesse iniciar publicamente sua missão de revelar o Reino de Deus entre nós. A Sagrada Família nos é apresentada como modelo para todas as outras. Em primeiro lugar, porque foi ali vivido, em plenitude, o amor entre seus membros. Não havia brigas nem dissensões, mas se conjugavam a harmonia e o zelo de uns para com os outros. Mantinham suas relações com a parentela conforme a tradição judaica. Viviam seus compromissos religiosos, frequentando a sinagoga em dia de sábado. José exercia sua profissão de carpinteiro, coadjuvado por seu filho aprendiz. Não temos informação se fabricava móveis, casas ou outros afins, mas certamente era desse trabalho que provia o sustento da família. A Família de Nazaré é modelo para todas, porque viveu o ideal de família humana, unida pelos laços de sangue e por sua particularidade, realizando uma missão especial de visibilizar a salvação de Deus presente no Filho como enviado do Pai. No Filho, mostrou-se o rosto humano de Deus no meio de nós, como o Emanuel. Cada uma das pessoas que a compunham, viveu a missão que recebera de Deus. José, pai adotivo, zeloso nos cuidados de Jesus e de Maria, trabalhador, justo, humilde, cumpridor das leis, que assumiu a vontade de Deus como sua vontade. Maria, a virgem escolhida sem pecado, gestou durante nove meses a obra do Espírito Santo que se realizava em seu ventre. Prestativa, foi ajudar sua prima Isabel, grávida do precursor João Batista; após o nascimento deste, voltou para sua Nazaré, até que o tempo se completasse. Foi recensear-se com o esposo em Belém e lá deu à luz o Filho de Deus, envolveu-o em panos, amamentou-o, recebeu a visita dos Magos, que confirmaram que aquele menino era “luz para as nações”. De volta para sua aldeia, cuidou com zelo de mãe, guardou e meditou, em seu coração, a obra que Deus realizava em seu Filho. Angustiou-se com o extravio do Menino, quando Jesus ficou entre doutores, em Jerusalém, enquanto ela e José voltavam da peregrinação. José, completados seus dias, morreu como justo; não sabemos quando. Maria esteve com seu Filho até a morte dele na Cruz. Lá estava ela, de pé, corajosa, sabedora do gesto salvador do Filho. Permaneceu com os discípulos, aguardou a vinda do Espírito Santo prometido, em Pentecostes. Com os apóstolos, iniciou a Igreja de seu Filho. Quando chegou sua hora, foi assunta ao céu com corpo já glorificado. E assim, permanece para nós o exemplo a ser seguido na vida em família. Família de Nazaré, abençoe nossas famílias! Pe. Deolino Pedro Baldissera, SDSPadre salvatoriano há 43 anos, professor e psicólogo pela Universidade Gregoriana de Roma, com mestrado em Psicologia e doutorado em Ciências da Religião. Atualmente é pároco em Videira-SC.S
Festa da Sagrada Família

“Por que me procuravam? Não sabem que eu devo estar na casa do meu Pai?”Lucas 2,41-52 Na Igreja Católica, hoje é celebrada a Festa da Sagrada Família. Portanto o trecho de Lucas põe em relevo os três membros da família de Nazaré, mas tem como seu tema principal um ensinamento sobre quem é Jesus, sua relação com o Pai e com sua família humana. A história começa enfatizando a identidade da família humana de Jesus como judeus piedosos. Os regulamentos sobre as peregrinações ao Templo de Jerusalém, para a festa da Páscoa, encontram-se em Êxodo 23,17; 34.23; Levítico 23,4-14. Como consequência, entendemos que o ambiente em que Jesus cresceu (e no qual descobriu sua vocação e missão) é aquele dos “pobres de Javé”, os devotos que esperavam a libertação de Israel, por meio da vinda do Messias davídico prometido. Essa viagem prefigura a grande viagem de Jesus a Jerusalém em Lucas 9,51 a 19,27, que Ele fará com seus discípulos e na qual revelará, por palavras e ações, seu relacionamento com o Pai, prefigurado aqui no versículo 49. O texto salienta certas atitudes de Jesus. É bom prestar bem atenção aos verbos. Lucas diz que Jesus estava no Templo entre os doutores: “escutando e fazendo perguntas” (vers. 46). A atitude de Jesus é a de um aluno muito inteligente e não de um mestre (Ele não está “ensinando no Templo”, como muitas vezes dizemos em nossas tradições). Aqui Lucas antecipa para os doze anos o que realmente ocorrerá mais tarde, quando Jesus realmente ensina no Templo e sofre a rejeição e a perseguição por parte dos doutores de Lei e dos sumos sacerdotes. O ponto central do texto se acha em versículo 49: “Por que me procuravam? Não sabiam que eu devo estar na casa do meu Pai?”. Aqui Lucas relata as primeiras palavras de Jesus em seu Evangelho. Agora não é Gabriel nem Zacarias, nem Maria quem diz quem é Jesus, mas Ele mesmo. A palavra que traduzimos como “devo”, em grego “dei”, transmite o tema de “necessidade”, que aparece 18 vezes no Evangelho e, nos Atos dos Apóstolos, 22 vezes, e “expressa um senso de compulsão divina, frequentemente visto como obediência a uma ordem da Escritura ou profecia, ou na conformidade de eventos com a vontade de Deus. Aqui a necessidade consiste no relacionamento inerente de Jesus com Deus, que exige obediência” (Marshall, The Gospel of Luke). No versículo 50, fica claro que seus pais não entendem que o relacionamento de Jesus com o Pai celeste tomava precedência sobre sua relação com eles: “Eles não compreenderam o que o menino acabava de lhes dizer”. A “espada”, a dor de sentir esse distanciamento sem poder compreendê-lo e da que falou Simeão em 2,35, já começa a aparecer. Maria não compreende plenamente (retomando o tema do vers. 19) e tem de continuar sua caminhada de fé, meditando sobre o sentido e identidade de seu filho. Fato encorajador para nós. Quantas vezes acontecem coisas em nossas vidas que não compreendemos e nelas nem conseguimos ver a vontade de Deus? A exemplo de Maria e José, aceitemos essa escuridão, continuemos a caminhada, mas nunca deixemos, com atitude de oração de contemplação, de “conservar em nosso coração todas essas coisas”. Padre Tomaz Hughes, SVD, biblista e assessor da CRB e do Cebi. Dedicou-se a cursos e retiros bíblicos em todo o Brasil. Publicou diversos artigos e o livro “Paulo de Tarso: discípulo-missionário de Jesus”. Faleceu em 15 de maio de 2017. Suas reflexões bíblicas são muito atuais.Pe. Tomaz Hughes, SVD
“Natal: a festa da família”: roteiro para celebrar no lar o nascimento de Jesus

Partilhamos uma proposta de celebração para antes da confraternização com a sua família. Reúna todos em volta da árvore ou perto do presépio para rezarem juntos. Caso não os tenha, pode ser ao redor da mesa. O mais importante é nosso coração estar orante. As pessoas que moram na casa desejam as boas-vindas a todos. MOMENTO 1: ORAÇÃO Reúna todos ao redor da mesa, da árvore ou perto do presépio para rezarem juntos. Leitor 1: Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Todos: Amém. Leitor 2: Dois dias marcam a história da salvação: a noite do Natal e a manhã da Páscoa. Na noite de Natal, o Filho de Deus nasce pequenino e pobre numa gruta. Na manhã da Páscoa, o Filho do Homem renasce forte e fascinante na glória da ressurreição. Leitor 3: Natal é tempo de confraternização e de reunir as pessoas que amamos. Tempo de alegria e de fé, apesar dos momentos difíceis vividos pela humanidade. Tempo de encher o coração de esperança, como fez Maria e José com a chegada humilde de Jesus menino. Leitor 4: Vamos lembrar a história contada por Lucas, no Evangelho: José subiu da cidade de Nazaré, na Galileia, até a cidade de Davi, chamada Belém, na Judeia, para registrar-se com Maria, sua esposa, que estava grávida. Enquanto estavam em Belém, completaram-se os dias para o parto, e Maria deu à luz o seu filho primogênito. Ela o enfaixou e o colocou na manjedoura, pois não havia lugar para eles na hospedaria. Naquela região havia pastores que passavam a noite nos campos, tomando conta do seu rebanho. Um anjo do Senhor apareceu aos pastores, a glória do Senhor os envolveu em luz, e eles ficaram com muito medo. O anjo, porém, disse aos pastores: “Não tenhais medo! Eu vos anuncio uma grande alegria, que o será para todo o povo: hoje, na cidade de Davi, nasceu para vós um salvador, que é o Cristo Senhor. Isto vos servirá de sinal: encontrareis um recém-nascido envolvido em faixas e deitado numa manjedoura”. E, de repente, juntou-se ao anjo uma multidão da corte celeste. Cantavam louvores a Deus, dizendo: “Glória a Deus no mais alto dos céus, e paz na terra aos homens por ele amados”. MOMENTO 2: REFLEXÃO Separe este momento para ouvir as pessoas e trocar experiências. Pergunta-guia: qual a mensagem que essa história revela em seu coração? MOMENTO 3: AÇÃO DE GRAÇAS Neste momento, apresente ao Menino Deus seus motivos de gratidão e pedidos. Acenda uma pequena vela simbolizando a presença de Jesus que nasce e peça que uma criança ou a pessoa mais jovem da família faça a oração. Oração pela família Senhor, diante de teu presépio, venho pedir por minha família.Abençoa as pessoas que amo.Que, dentro de nosso lar, habite a confiança de Maria, o zelo de José, e a inocência do teu rosto de criança.Afasta de nossa casa os que lutam para matar nossos sonhos de paz.Concede-nos a saúde do corpo e da alma, para que possamos cantar teus louvores a cada dia deste novo ano.Que nossas portas estejam sempre abertas para te receber nas visitas que nos fazes em tantos rostos sofridos.Dá-nos a alegria de tua presença em nosso lar: o maior de todos os presentes possíveis.Abençoa nossa família neste Natal. Todos: Amém. MOMENTO 4: CONCLUSÃO Que o Senhor nos abençoe, nos guarde, nos livre de todo mal e nos dê a paz, amém! A todos nós, um feliz Natal! Em seguida, pode-se cantar “Noite feliz” ou outra canção natalina. Noite feliz, noite feliz!O Senhor, Deus de amor,Pobrezinho nasceu em BelémEis na lapa Jesus, nosso bemDorme em paz, ó JesusDorme em paz, ó Jesus Noite feliz, noite feliz!Eis que, no ar, vem cantarAos pastores os anjos do céuAnunciando a chegada de DeusDe Jesus, SalvadorDe Jesus, Salvador Noite feliz, noite feliz!Ó Jesus, Deus da luz,Quão afável é o teu coraçãoQue quiseste nascer nosso irmãoE a nós todos salvarE a nós todos salvar
O presente de Isaías para este Natal

Os últimos anos têm sido muito difíceis em vários aspectos. Mesmo antes da famigerada pandemia de covid-19, nosso país já passava por instabilidades importantes na política, na economia, na segurança pública, na saúde, na educação, nos gestos de gentileza, na religião, nas ideias. Reconheço ser estranho começar um texto de Natal recordando essas mazelas, mas elas vêm ao encontro de um trecho de Isaías que pulsa em meu coração nestes dias. É o início da primeira leitura da liturgia da noite de Natal: “O povo que andava na escuridão viu uma grande luz; para os que habitavam na sombra da morte, uma luz resplandeceu” (Isaías 9,1). Que grande presente esse o de Isaías! Um profeta, uma profetisa de verdade costuma nos tirar do lugar, nos incomodar, seja “puxando nossa orelha”, seja nos animando. Parece que estamos aceitando a vitória das trevas e da morte! Ainda hoje, há pessoas comemorando “apenas” dezenas de mortes diárias causadas pelo covarde coronavírus e seus aliados. Verdadeiramente, andamos à sombra de muitas mortes. Perdemos milhares de nossos irmãos e irmãs devido à pandemia, ao descaso, à violência, à fome e muitos outros males, as também perdemos a esperança, as águas, os animais e as matas. Não deveríamos chegar a esta particular solenidade do Natal do Senhor apenas mandando, via redes sociais, figurinhas pré-fabricadas, quase sempre com as cafoníssimas neve, renas, frases feitas, estrelinhas piscando… Este Natal precisa ser o marco para a ressurreição de muitos vivos e de virtudes como a esperança e a verdade, o valor a trabalhadores, aos pobres e “lascados”, à ciência, a toda a Criação. Jesus já veio como um sofredor. Veio sem as mínimas condições, num curral, e foi colocado num comedouro (eis os verdadeiros termos!), porque não havia lugar para seus pais na hospedaria (Lucas 2,7c). Nessa escuridão experimentada por ele próprio, também foi consolado pela luz do cuidado de Maria, que o enrolou em faixas e o colocou na manjedoura (Lucas 2,7b), talvez o lugar menos inseguro no cenário. Foi visitado por pastores e estrangeiros. Naquelas trevas, a luz da ternura e do amor venceram. Eis a Boa-Nova! Na noite de Natal (dulcíssima, apesar de tudo), não podemos cochilar diante dessas leituras carregadas de vida, santa subversão e ternura, particularmente a esse versículo do profeta. Ele não diz “verá uma grande luz”, mas com a convicção dos grandes na fé, usa outro tempo verbal: o pretérito perfeito. Um fato passado bem delimitado no tempo. Vimos o brilho, mas ouso dizer: continua a surgir diante de nós uma grande luz. Não fechemos nosso coração, nosso olhar para esse resplendor. Deveríamos repetir o trecho como um mantra, a começar de agora até quando julgarmos termos o mínimo de estabilidade e paz. Apesar de tudo, vamos nos permitir um santo e esperançoso Natal. Que as luzes e a vida vençam! Abramos nossos olhos para a glória do Senhor! Alessandro Faleiro MarquesDiácono permanente na Arquidiocese de Belo Horizonte, professor, editor de textos para as irmãs missionárias servas do Espírito Santo, membro da Equipe de Espiritualidade da Província Brasil Norte das SSpS.
Aulas de Matemática Financeira e Empreendedorismo incentivam aluna do Sagrado a abrir a própria empresa

Meu nome é Carolina Cruz. Minha história com o Colégio Sagrado Coração de Jesus se iniciou em 2013, no 4º ano do ensino fundamental. São oito anos de um casamento que eu gostaria que durasse para sempre, mas ciclos se abrem e se fecham, e este ano finalizo o ensino médio com uma bagagem inimaginável de vivências e aprendizados que a escola me proporcionou, e indo além do ensinado em sala de aula. Pouquíssimas escolas do Brasil têm Educação Financeira na grade curricular. Segundo o Ibope, só 21% dos brasileiros com acesso à internet tiveram introdução à educação financeira durante a infância. Isso é um grande problema, não só de caráter econômico, mas que também atinge a esfera social. Se a gente parar para pensar, qualquer pessoa, independentemente da área de atuação, terá que lidar com dinheiro em algum momento da vida. Sair da escola para o mercado de trabalho sabendo a diferença entre juros simples e compostos, cartão de crédito e débito, poupança e aplicação é um diferencial enorme, por isso essa matéria é tão importante nas escolas. Além dela, o Sagrado também insere na grade curricular o Empreendedorismo e Inovação. Você sabe a diferença entre uma MEI, Eireli, LTDA. e S.A.? E se você fosse abrir uma loja, preferiria ela on-line ou física? Seria uma startup? Qual problema você pretende solucionar? Todas essas são perguntas esclarecidas nas aulas de Empreendedorismo, e, graças a esse esclarecimento, hoje tenho minha própria empresa. Eu já sabia que queria cursar Publicidade e Propaganda por conta de dois outros projetos da escola, a SIS (Simulação Intercolegial do Sagrado) e ao POPS (Programa de Orientação Profissional do Sagrado). Além disso, gosto muito de fotografar e criar materiais gráficos, o que, inclusive, já fazia dentro do Colégio, quando algumas oportunidades surgiam. Eu tinha o conhecimento que os professores me passaram e tinha também a vontade de fazer algo. Nasceu então a Bath & Body Saboaria Artesanal, uma criação 100% minha, desde os produtos em si até os rótulos, embalagem, logomarca, atendimento, site… Uma loucura que está dando certo! Grande parte de meu sucesso atribuo à Educação Financeira e ao Empreendedorismo que me foram apresentados na escola. Essas matérias reduziram minha chance de erro e ampliaram minha visão acerca do mercado. Além de todo o conhecimento transmitido, em momento algum, eu me senti desamparada. Os professores, mesmo não fazendo mais parte de minha rotina acadêmica, continuam dando todo o apoio que preciso, e isso é, sem sombra de dúvidas, o aspecto mais importante de todo o processo de aprendizado, porque nós, como alunos, somos valorizados como pessoas. Afinal, para mim, educação é isso, é troca, é vivência, para que, a cada dia, possamos crescer ainda mais. Por isso, o Sagrado é uma #escolaviva que pulsa na gente! Carolina Lopes Diniz Cruz, 18 anosAluna do Colégio Sagrado Coração de Jesus desde 2013; caloura de Publicidade e Propaganda na PUC Minas; criadora e artesã da Bath & Body Saboaria; voluntária da Fazenda de Caná, na recuperação de dependentes químicos; voluntária e secretária de marketing da Simulação Intercolegial do Sagrado (SIS); admiradora de fotografia e artes visuais, buscando aprender e praticar um pouco sempre com a B&B; humana do Nick, da Morghana (os gatos) e de alguns pássaros e peixes; certificada por Cambridge, B2, em Língua Inglesa; viajante nas horas vagas.
4º Domingo do Advento

“Bendito o fruto do seu ventre!”Lucas 1,39-45 Para entender bem a finalidade de Lucas em relatar os eventos ligados à concepção e nascimento de Jesus, é essencial conhecer algo de sua visão teológica. Para ele, o importante é acentuar o grande contraste e também a continuidade entre a Antiga e a Nova Aliança. A primeira está retratada nos eventos que giram ao redor do nascimento de João Batista e tem seus representantes em Isabel, Zacarias e João; a segunda está nos relatos em torno do nascimento de Jesus, com as figuras de Maria, José e Jesus. Para Lucas, a Antiga Aliança está esgotada. Seus símbolos são Isabel, estéril e idosa; Zacarias, sacerdote que não acredita no anúncio do anjo; e o nenê que será um profeta, figura típica do Antigo Testamento. Em contraste, a Nova Aliança tem como símbolos a virgem jovem de Nazaré que acredita e cujo filho será o próprio Filho de Deus. Mais adiante, Lucas enfatiza esse contraste nas figuras de Ana e Simeão, no Templo (Lucas 2,25-38), quando Simeão reza: “Agora, Senhor, conforme a tua promessa, podes deixar o teu servo partir em paz, porque meus olhos viram a tua salvação” (2,29). Assim, não devemos reduzir o texto de hoje a um relato que pretende mostrar a caridade de Maria em cuidar da sua parente idosa e grávida. Se a finalidade de Lucas fosse mostrar Maria como modelo de caridade, não teria colocado o versículo 56, que mostra ela deixando Isabel na hora de maior necessidade, “Maria ficou três meses com Isabel e depois voltou para casa”, antes do nascimento de João. Também não é verossímil que uma moça judia de mais ou menos 14 anos enfrentasse uma viagem tão perigosa como a da Galileia à Judeia. A intenção de Lucas é literária e teológica. Ele coloca juntas as duas gestantes para que ambas possam louvar a Deus por sua ação em suas vidas e para que fique claro que o filho de Isabel é o precursor do filho de Maria. Por isso Lucas tira Maria de cena antes do nascimento de João, para que cada relato tenha somente suas personagens principais: de um lado, Isabel, Zacarias e João; do outro, Maria, José e Jesus. O fato de que a criança “se agitou” no ventre de Isabel faz recordar algo semelhante na história de Rebeca, quando Esaú e Jacó “pulavam” em seu ventre, na tradução, da Septuaginta, de Gênesis 25,22. O contexto, especialmente o versículo 43, salienta que João reconhece que Jesus é seu Senhor. Com a iluminação do Espírito Santo, Isabel pode interpretar a “agitação” de João em seu ventre: é porque Maria está carregando o Senhor. As palavras referentes a Maria, “Você é bendita entre as mulheres, e bendito é o fruto do seu ventre” (vers. 42), fazem lembrar mais duas mulheres que, no Antigo Testamento, ajudaram na libertação de seu povo: Jael (Juízes 5,24) e Judite (Judite 13,18). Aqui, Isabel louva a Maria, que traz no ventre o libertador definitivo de seu povo. Finalmente, vale destacar o motivo pelo qual Isabel chama Maria de “bem-aventurada” (vers. 45): “Bem-aventurada aquela que acreditou”. Maria é bendita, em primeiro lugar, não por sua maternidade somente, mas pela fé; em contraste com Zacarias, que não acreditou. Assim, Lucas apresenta Maria principalmente como modelo de fé. Notemos que, neste capítulo primeiro, nós encontramos frases que podem fundamentar uma compreensão correta da visão bíblica da pessoa e função de Maria, que pode unir, em lugar de dividir, cristãos das diversas confissões: “Ave, Maria” (1,28), “Cheia de graça” (1,28), “O Senhor é convosco” (1,28), “Bendita sois vós entre as mulheres” (1,42), “Bendito o fruto do vosso ventre” (1,42). Lucas nos apresenta a Mãe do Senhor como modelo de fé para todos nós! Benditos somos nós se realmente acreditarmos na Palavra de Deus! Padre Tomaz Hughes, SVD, biblista e assessor da CRB e do Cebi. Dedicou-se a cursos e retiros bíblicos em todo o Brasil. Publicou diversos artigos e o livro “Paulo de Tarso: discípulo-missionário de Jesus”. Faleceu em 15 de maio de 2017. Suas reflexões bíblicas são muito atuais.
Não há fronteiras para as aves

Ainda me recordo de que, em um de meus dias de descanso de retiro, eu avistava um bando de pássaros a voar muito alto, no céu azul-claro. Isso foi no ano de 2017. Aquelas aves pareciam estranhas para mim. A visão foi tão cativante que me despertou curiosidade e espanto. Eu as segui até que desapareceram de minha vista. “Devem ser aves migratórias que estão se deslocando por causa do inverno”, disse-me um de meus amigos. Um pensamento veio à minha mente: os pássaros deviam estar vindo de uma terra muito distante. Em seu voo, provavelmente, cruzaram vários mares, montanhas e diferentes países. Países? “País” é um termo que os seres humanos inventaram. Temos territórios marcados geograficamente por razões políticas, para defesa da própria cultura, língua, herança e religião. Na verdade, essas aves migratórias têm sorte. Elas não precisam solicitar “visto” para atravessar um determinado território. Elas têm liberdade para voar e residir onde quiserem. Quando voamos, não vemos as fronteiras ou limites que separam um país do outro, como vemos no mapa. Observamos apenas uma enorme massa de terra e um mar ilimitado que se fundem. Os pássaros voam muito alto, em liberdade, e, sem medo, cruzam as fronteiras. Isso nos faz invejá-los. A ironia de nossa vida é que ainda estamos enjaulados e invejamos os pássaros que voam com o “vento”. O céu e a terra lhes pertencem, e nós somos restritos por limites. Um belo fenômeno natural da migração dos pássaros durante o inverno desperta minha atenção para a realidade do mundo de hoje. Fiquei perturbada ao ver as notícias que surgem na mídia sobre o Talibã, novamente assumindo o controle do Afeganistão. Muitos afegãos, em sua luta para buscar um refúgio longe do domínio do Talibã, estavam até tentando subir nas asas dos aviões militares dos Estados Unidos. A guerra e a violência deslocaram pessoas para diferentes países. Não posso, de forma alguma, comparar a vida das pessoas deslocadas com a das aves migratórias. Elas partem para países tropicais, para aproveitarem o clima e a hospitalidade do lugar; depois voltam rejuvenescidas à sua origem. Os refugiados não podem ter certeza do retorno à sua terra. Suas histórias dolorosas não são ouvidas. Eles migram sem saber para onde estão indo. Seus sonhos presentes e futuros são despedaçados enquanto esses indivíduos são deixados com um passado manchado e prejudicado pela guerra e a violência. Sua vida atual é cheia de medo e incerteza. Mulheres e crianças são os grupos mais vulneráveis. Durante a viagem, muitos morrem devido à fome, à doença, entre outros males. Às vezes, a vida dos refugiados evoca piedade e simpatia de muitos, mas o que fazemos para parar essa violência? Enquanto milhares procuram um refúgio, dormimos pacificamente em casas confortáveis. Lembro-me da letra instigante de Bob Dylan, que pergunta: “Quantas orelhas um homem deve ter?Antes que ele possa ouvir as pessoas, chora?Sim, quantas mortes serão necessárias até que ele saibaQue muitas pessoas morreram?” O deslocamento tem um efeito adverso na vida de uma pessoa. O local de nascimento e seus arredores têm um papel importante a desempenhar na formação da identidade de uma pessoa. Quando ele é deslocado de sua terra, sua identidade fica comprometida. Assim, a identidade permanece uma interrogação para refugiados que vivem em uma terra estranha, como estrangeiros. Eles podem fazer uma casa lá? Ou, por outro lado, eles poderão recriar suas casas em seu próprio solo quando voltarem? Talvez não haja mais nada lá, nem membros da família ou seus pertences, mas um sentimento nostálgico de um “doce lar”. Muitas nações fabricam armas mortais para acumular riqueza e poder. Esse negócio catastrófico gera dor e sofrimento. O poder de um país é comprovado por suas armas nucleares? Ou todos estão seguros por si próprios? Bob Dylan pergunta novamente: “Quantas vezes as balas de canhão devem voar antes de serem banidas para sempre?”. Se, por acaso, esses refugiados avistassem esses pássaros migrantes, o que sentiriam? Inveja, ciúme, raiva ou dor? E o que esses pássaros migrantes sentiriam ao olhar para o refugiado que busca asilo? Simpatia, pena ou orgulho? O mundo tem dois tipos de história. Um é de vitória; o outro, de derrota. A história da vitória fala de poder, conquista, nome, fama, glória e orgulho; e a da derrota fala de dor, derramamento de sangue, crueldade, rendição e migração. As crianças nas escolas devem ser ensinadas a pensar e questionar “o que faz uma pessoa ser homem ou mulher?”. Eles devem ser ensinados a ser humanos e não um monstro. Escolho levar para casa a história da derrota que me torna um verdadeiro ser humano, porque sou afetado pela dor do sofrer do próximo. Ir. Elizabeth Rani, SSpSMissionária serva do espírito santo, nascida na Índia e há um ano no Brasil. Estudou Pedagogia e Literatura Inglesa e faz parte da Equipe de Comunicação da Província.