Adoção: um ato de amor, um sentido para a vida

Em 2002, foi criado no Brasil o Dia Nacional da Adoção, estabelecido para ser comemorado em 25 de maio. Adotar uma criança ou um adolescente é, em primeira instância, um ato de amor. A despeito de todos os trâmites burocráticos e legais, adotar significa abrir nossa vida, nossa casa, nosso amor a um ser humano que precisa de nossa ajuda. Junto a esse status de ato de amor, pode-se dizer que adotar também é um ato de fé. Fé em um mundo melhor, com valores mais sólidos, respeito e dignidade para todas as pessoas. Ao adotar uma criança ou um adolescente, damos o maior passo que alguém pode dar na direção do cuidado com outro ser humano. Há um ditado japonês que fala que vive mais quem encontra um sentido na vida. Muitas vezes, as crianças adotadas passam a ser o sentido da vida dos pais. O legado deixado pelos pais, biológicos ou adotivos, no formato abstrato de ética e moral, é a mais valorosa dádiva que alguém pode receber. Doar seu amor, seu carinho, todas as condições necessárias para que uma pessoa se desenvolva, faz do ato de adotar um grande sentido de vida. No Brasil, as adoções ainda não conseguem dar conta do montante de crianças em abrigos, que esperam por alguém que resolva tomá-las como filhos. Somos um país pobre, que, infelizmente, nos últimos anos, voltou para o mapa da fome. Além das razões financeiras, adotar ainda exige a quebra de paradigmas quanto aos laços sanguíneos. Por mais que os estudos de genética do comportamento e do próprio genoma humano estejam muito avançados, ainda não se pode afirmar, com certeza, que o comportamento se deva somente a influências do meio. Tal fator, somado ao dado de que a maioria das crianças disponíveis para adoção são aquelas cuja história de desestruturação familiar, violência doméstica, morte dos genitores em situação violenta colabora para que as pessoas sejam resistentes à adoção. Mesmo assim, os números são animadores e têm crescido. O Brasil teve aumento de 11,9% nos casos de adoção em 2021, em relação a 2020. Tal dado corrobora a teoria de que, cada vez que a humanidade passa por períodos de grande agitação e estresse, em seguida, aumentam os números de nascimentos e adoções. Foi assim ao fim da II Guerra Mundial, quando a explosão de natalidade foi chamada “baby boom”. A pandemia de covid-19 talvez tenha trazido muitas indagações sobre o sentido da vida para as pessoas que aumentaram os números da adoção em 2021. Afinal, se, segundo Sigmund Freud, o maior medo do ser humano é o medo da morte, um de seus maiores deleites é buscar a felicidade. São inúmeros os casais cujo objetivo principal de se candidatarem à adoção é a busca desse sentido na vida, a oportunidade de amar uma pessoa em crescimento. O aumento da idade da mulher para se ter o primeiro filho também cresceu consideravelmente há mais de 30 anos. A entrada da mulher no mercado de trabalho, consequentemente sua necessidade de formação, tirou-a da linha reprodutiva e construtora de famílias por um tempo. Muitas começam a pensar em formar uma família após os 35 anos. Biologicamente, a mulher tem uma condição que a diferencia consideravelmente do homem na questão reprodutiva. Quanto mais velha, mais difícil se torna a gestação natural. Na falta de condições financeiras para a FIV (fertilização in vitro, processo de reprodução assistida), ou por outras impossibilidades biológicas e patológicas, a adoção acaba sendo a alternativa que mais certamente dará resultados para se ter um filho. Grupos de apoio a adoção estão espalhados pelo Brasil. Fazem reuniões obrigatórias para se entrar na fila da adoção, e os futuros pais aprendem sobre seus filhos, sem os ter ainda. Porém o exercício projetivo mostra pais esperançosos de que, nos meses seguintes, sejam capazes de carregar seu filho e não um boneco realista. Ao contrário de alguns países, como o Japão, por exemplo, que tem elevado índice de adoção de homens adultos, entre 20 e 30 anos, no Brasil, a adoção dos mais jovens é muito mais frequente. Quanto maior a distância temporal do nascimento, mais difícil se torna para a criança ou adolescente ser adotado. No Japão, a prática centenária se deve ao valor que a tradição sanguínea e a hereditariedade de direito têm. A busca de casais por filhos adotivos adultos, principalmente se são possuidores de alguma empresa familiar, é alta. Além de adotá-los como herdeiros, o processo também inclui se casar com a filha herdeira. Nesse caso, o homem herdará o nome da família da esposa para poder perpetuá-lo. Os brasileiros, por sua vez, acreditam que, quanto mais jovem, e mais “sem memórias” for a criança adotada, mais fácil será sua adaptação aos novos pais. Outro fator importante no Brasil é o propósito legal e jurídico de não se separarem irmãos. Ou seja, caso os pais biológicos percam o direito sobre todos os filhos menores de 18 anos, a preferência na adoção é que todos sejam adotados pela mesma família, evitando assim sua separação. Esse fator também acaba por impedir, muitas vezes, que a adoção se realize. Seja a adoção burocrática ou não, fato é que uma criança reacende a chama da vida numa família que pode estar desesperançada. É muito comum que técnicas para “revelação da origem”, ou seja, quando se conta para a criança que ela não é filha biológica, sejam apresentadas argumentações como: “O papai e a mamãe eram muito tristes até o dia em que Papai do Céu trouxe você de presente”; ou ainda, “Você não nasceu da barriga da mamãe! Você veio do meu coração! Por isso você é nosso filho do coração! Porque é no coração que a gente sente que ama uma pessoa. E eu sinto aqui, no meu coração, como eu amo você desde o dia em que você veio para a nossa casa”. Neste Dia Nacional da Adoção, que todos os brasileiros possam parar um minuto e pensar na importância que há em dar a uma criança ou

Novena de Pentecostes 2022 – 2º dia

ORAÇÃO INICIAL Vem, Espírito de Entendimento,e supera em nós todas as barreiras. Vem, Espírito de Encontro,e constrói pontes entre nós. Vem, Espírito de Paz,e traz a cura a nossos corações e a nosso mundo. Vem, Espírito de Abertura,e rompe a mesquinhez de nossos corações. Vem, Espírito de Conselho,e mostra-nos o seguinte passo a dar. Vem, Espírito de Conhecimento,e mostra-nos o caminho a seguir, conforme a tua vontade. Vem, Espírito de Sabedoria,e aprofunda nossa confiança em tua orientação. Vem, Espírito de Amor,e ajuda-nos a ser instrumentos de tua bondade. Vem, Espírito de Discernimento,e faz-nos escutar tua voz e seguir teu caminho.                                                (autor desconhecido) Sugestão:  momento de silêncio, para interiorizar a oração e, depois fazer eco da mesma (pode-se utilizar música). ______________________________________________________________ Segundo dia“Movidas pelo Espírito vivificante, reavivamos nossa paixão pela missão de Deus. Buscamos cruzar múltiplas fronteiras para encontrar-nos com as pessoas ali onde estão, especialmente com aquelas que são marginalizadas ou excluídas por nosso mundo.” (XV CG) Canto ao Espírito Santo (escolhido pela responsável da oração) Introdução Quando considero as histórias sobre Jesus, vejo, uma e outra vez, como Ele se abriu a esses encontros (com os pobres). Há uma história hindu que diz: “Olhei à distância, vi algo que se movia e pensei que fosse um animal. Quando me aproximei, vi que era um homem. Quando parei e o olhei nos olhos, vi que era meu irmão”. Se nossa vida espiritual pessoal e nossa experiência coletiva na Igreja nos protegem dessas experiências intensas (de encontrar os pobres), então estamos violando o chamado de nossa fé. Se pensarmos na espiritualidade e na Igreja como um refúgio contra esses encontros desconfortáveis, então provavelmente estamos perdendo a Cristo (que se encontra) entre nós. (Ir. Philip Pinto, CFC) (Tomemos uns momentos de silêncio para refletir sobre esses textos) ORAÇÃO INICIAL Palavra de Deus (Marcos 5,21.25-34) Tendo Jesus passado outra vez para a outra margem, de novo afluiu a ele uma grande multidão. Ora, havia ali uma mulher que, já por doze anos, padecia de um fluxo de sangue. Sofrera muito nas mãos de vários médicos, gastando tudo o que possuía, sem achar nenhum alívio; pelo contrário, piorava cada vez mais. Tendo ela ouvido falar de Jesus, veio por detrás, entre a multidão, e tocou-lhe no manto. Dizia ela consigo: “Se tocar, ainda que seja na orla de seu manto, ficarei curada”. Ora, no mesmo instante, se lhe estancou a fonte de sangue, e ela teve a sensação de estar curada. Jesus percebeu imediatamente que saíra dele uma força e, voltando-se para o povo, perguntou: “Quem tocou minhas vestes?”. Responderam-lhe os seus discípulos: “Vês que a multidão te comprime e perguntas: ‘Quem me tocou?’”. E ele olhava ao redor para ver quem o fizera. Ora, a mulher, atemorizada e trêmula, sabendo o que nela se tinha passado, veio lançar-se a seus pés e contou-lhe toda a verdade. Mas Ele lhe disse: “Filha, a tua fé te salvou. Vai em paz e sê curada do teu mal”.   Dirigente: Em silêncio (aproximadamente dez minutos), reflitamos sobre o texto e a imagem, perguntando-nos: como a presença sanadora de Jesus me desafia a crescer na paixão pela missão de Deus e a verdadeiramente “encontrar as pessoas onde elas estão”? (Depois deste tempo de silêncio, partilhar a reflexão/oração) Oração: Pai-Nosso Canto (escolhido pela responsável da oração) ______________________________________________________________ ORAÇÃO FINAL Deus de ternura e compaixão,Três em Um,sempre dançando,sempre amando,sempre nos chamando a ti,para unir-nos à tua dança… Estivemos reunidas, reunidos,e Tu rezaste conosco e em nós,derramaste teu Espírito em nossos corações,cantaste tua música em nossas almas… Fica conosco agora, para que,ao continuarmos nosso caminho de transformação,possamos levar tua dança ao mundo,escutando e respondendo a teu gritono grito da mãe terra e de nossos irmãos e irmãs; abraçando apaixonadamente sua missãoem nossas comunidades interculturais,como testemunhas de tua bondade e compreensão. Que possamos unir-nos corajosamente à tua dança, Deus de amor,e ser instrumentos de tua compaixão neste mundo. Rezamos esta oração por meio de Jesus Cristo, no Espírito, Amém. Canto final a Maria (escolhido pela responsável da oração) Reze conosco seguindo as publicações diárias, ou com sua comunidade baixando a novena completa.

Dia do Abraço: “O que tiramos de grandes tragédias?”

Em 22 de maio, comemora-se o Dia do Abraço. Esse gesto, às vezes, tão mecânico ou formal, pode ganhar profundos significados conforme o sentimento envolvido. Giovanna Capato Corte Real perdeu, num intervalo de poucos dias, pessoas muito próximas, devido à covid-19. Ela dá um forte testemunho e um conselho que precisa ser ouvido com atenção. Veja a seguir: “Eu me chamo Giovanna, tenho 40 anos e venho falar sobre um assunto ainda muito delicado para mim. Nossa pauta de hoje é o ‘Dia do Abraço’, ou melhor, no meu caso, a falta de alguns desses abraços. Em 2020, no pico da pandemia, o pior ano da minha vida, perdi alguns desses abraços. A covid levou do meu convívio pessoas muito próximas, todos em um intervalo de 12 dias. Foram eles: meu pai, meu avô, minha avó, minha tia e uma prima que se encontrava grávida; perdemos o bebê também. O meu mundo acabou! Eu ainda me encontro em reconstrução, pois foi um baque muito grande e de difícil aceitação. A saudade é muito grande, já que eu tinha convívio diário com essas pessoas. No entanto, o abraço fora reprimido bem antes da partida deles, por conta do isolamento que já acontecia naquele momento. Um abraço que não será substituído! Não houve tempo de viver novos tempos! O que tiramos de grandes tragédias? Na grande maioria, renascemos, a fé fortifica, e o tempo faz com que, de alguma maneira, aceitemos os desígnios de Deus. Amadurecemos. Com isso, passamos a valorizar coisas que antes nos passavam despercebidas, reavaliamos a existência. E a ideia, já que estamos falando de abraço, não é substituir e sim suprir com outros tão importantes abraços. Portanto, hoje, no Dia do Abraço, aconselho: ABRACE!”

6º Domingo da Páscoa

“Eu lhes dou a minha paz”João 14,23-29 A porta de entrada do texto é o versículo anterior, em que Judas (não o Iscariotes) pergunta a Jesus, durante a Última Ceia, “Por que vais se manifestar a nós e não ao mundo?” (vers. 22). Jesus dá a resposta: o Pai vem morar no cristão que guarda sua Palavra, pois suas palavras são as do Pai. O mundo (aqui entendido como o antirreino, não o mundo físico) não ama a Deus. A presença de Deus somente pode ser experimentada por quem o ama. Não é possível amar Deus sem guardar sua Palavra. O versículo 26 traz a segunda predição no Último Discurso da vinda do Paráclito (João 14,15). Aqui se focaliza mais seu papel de ensinamento, um ensinamento que clarifica o que Jesus ensinou. Ele vai fazer com que os discípulos “lembrem” tudo o que Jesus disse. Aqui, “lembrar” significa a capacidade de entender o verdadeiro sentido das palavras e ações de Jesus, depois da ressurreição (João 2,22; 12,16). O Espírito Santo, aqui descrito como Paráclito (no sistema judicial grego, o Paráclito era o advogado da defesa), não trará ensinamento que seja independente da revelação de Jesus. Ele vai preservar os discípulos de erro e guardá-los perto de Jesus. Com esse dom, Jesus deixa sua paz a sua comunidade. Ele usa a palavra tradicional dos judeus para a paz: shalom. É uma paz baseada na vinda do Espírito, que será atualizada na noite de Páscoa, quando dirá “A paz esteja com vocês! Recebam o Espírito Santo” (João 20,21-22). Enfatiza que não é a paz como o mundo a entende, muitas vezes simplesmente como a ausência de briga. Com frequência, a paz que o mundo dá é aquela falsa, que depende da força das armas para reprimir as legítimas aspirações do povo sofrido, como tantos países experimentaram durante as ditaduras de direita e de esquerda. O shalom é tudo o que o Pai quer para seu povo. Somente existe quando reina o projeto de vida de Deus. Implica a satisfação de todas as necessidades básicas da pessoa humana, da libertação da humanidade do pecado e de suas consequências. Como dizia o saudoso Papa São Paulo VI, “Justiça é o novo nome da paz!”. O shalom dos discípulos não pode ser perturbado pelo fato de sua partida, pois é pela volta do Filho para o Pai que o shalom vai se instalar. A verdadeira paz, o shalom, é um dom de Deus, mas precisa da colaboração humana. Diante de tantas barbaridades hoje, de tanta violência no campo e na cidade, da exploração do latifúndio, da impunidade, qual deve ser a atitude do cristão? Se nós acreditamos no shalom, nunca podemos compactuar com sistemas repressivos ou elitistas que tiram da maioria (ou de uma minoria) os direitos básicos que pertencem a todos os filhos e filhas de Deus. Às vezes, esse shalom convive ao lado do sofrimento e perseguição por causa do Reino, mas quem experimenta na intimidade a presença da Trindade, também experimenta a verdade da frase do texto de hoje: “Não fiquem perturbados nem tenham medo” (vers. 27), pois, disse Jesus, “Eu venci o mundo”. Por isso devemos sempre “fazer a memória de Jesus” (aqui se destaca o momento privilegiado da celebração eucarística), de sua pessoa e de seu projeto, para que tenhamos critérios certos para verificar a presença (ou ausência) do shalom em nossa sociedade e nos comprometemos com a criação do mundo mais justo que Deus quer. Padre Tomaz Hughes, SVD, biblista e assessor da CRB e do Cebi. Dedicou-se a cursos e retiros bíblicos em todo o Brasil. Publicou diversos artigos e o livro “Paulo de Tarso: discípulo-missionário de Jesus”. Faleceu em 15 de maio de 2017. Suas reflexões bíblicas são muito atuais.

5º Domingo da Páscoa

“Amem-se uns aos outros”João 13,31-33a.34-35 O texto situa-se no contexto do último discurso de Jesus, na Ceia Pascal. Começa logo após a saída de Judas para trair o Senhor, depois que Jesus lhe disse “o que você pretende fazer, faça-o logo” (João 13,27). Com a licença oficial dada ao agente de Satanás para iniciar o processo que iria matá-lo, Jesus começa o processo de sua glorificação. Sua fidelidade ao projeto do Pai vai levá-lo à cruz, que, no Quarto Evangelho, não é um sinal de derrota, mas da vitória última e permanente de Deus. Por isso, a morte de Jesus, aparente vitória do mal, será a glorificação de Jesus e, nele, do Pai. O anúncio de sua partida, para os judeus uma ameaça (vers. 33), é, para a comunidade de seus discípulos, um momento de emoção e carinho. Sua última dádiva a eles é um novo mandamento: “Eu dou a vocês um novo mandamento: amem-se uns aos outros. Assim como eu amei vocês, vocês devem se amar uns aos outros” (vers. 34). O que há de novo nesse mandamento? O que diferencia a proposta de amor de Jesus e de seus seguidores de outras propostas já conhecidas? O mundo do tempo de Jesus, tanto na sociedade pagã como na judaica, conhecia propostas de amor mútuo. O mandamento de Jesus é novo, em primeiro lugar, porque ele se impõe como exigência essencial para entrar na comunidade “escatológica”. Essa é a comunidade que já experimenta a presença do Reino de Deus, mesmo que ainda espere sua plena realização, ou seja, uma comunidade que experimenta a salvação já realizada em Jesus enquanto ainda experimenta sua situação permanente de fraqueza. Também é novo porque não se fundamenta nas leis sobre o amor, da tradição judaica (por exemplo: Levítico 19,18 ou os documentos do Qumran), mas na entrega de si, de Jesus. O modelo desse amor é o exemplo do próprio Jesus: “Assim como eu vos amei!”. E como Ele nos amou? Entregando-se até a morte, para que todos pudessem “ter a vida, e a vida plenamente” (João 10,10). Esse amor não é sinônimo de simpatia ou sentimento de atração. Exige humildade e a disposição para o serviço que leva a morrer pelos outros. Esse “morrer” normalmente não se expressa por uma morte física, mas morrendo diariamente ao egoísmo e à busca do poder dominador, para que sejamos servidores, especialmente dos mais humildes, a exemplo do Mestre que “não veio para ser servido, mas para servir” (Marcos 10,45). Esse amor é tão fundamental para a comunidade dos discípulos de Jesus que deve se tornar seu sinal característico: “Assim todos reconhecerão que vocês são meus discípulos” (vers. 35). Mais do que uma lista de doutrinas, mais do que práticas litúrgicas ou rituais, embora essas tenham seu lugar, é o amor mútuo e concreto que deve distinguir os discípulos de Jesus. Os Atos dos Apóstolos (11,26) nos lembram que “foi em Antioquia que os discípulos receberam, pela primeira vez, o nome de ‘cristãos’”. Receberam uma nova designação, da parte dos outros, porque sua maneira de viver era marcadamente diferente das outras comunidades religiosas da cidade: era marcada pelo amor mútuo. O Evangelho de hoje nos convida para que honestamente nos examinemos a nós mesmos, para verificar se esse amor-serviço ainda é a marca característica de nós, discípulos e discípulas de Jesus, em nossa vida individual e comunitária. Padre Tomaz Hughes, SVD, biblista e assessor da CRB e do Cebi. Dedicou-se a cursos e retiros bíblicos em todo o Brasil. Publicou diversos artigos e o livro “Paulo de Tarso: discípulo-missionário de Jesus”. Faleceu em 15 de maio de 2017. Suas reflexões bíblicas são muito atuais.Pe. Tomaz Hughes, SVD

A maternidade nas palavras de uma mãe

Neste segundo domingo de maio, em várias partes do mundo, é celebrado o Dia das Mães. Ainda que tenha ganhado um tom fortemente comercial (fica atrás apenas do Natal), a data pode ser também uma ocasião de se refletir a respeito de algo bem mais profundo: a experiência da maternidade. Ninguém melhor do que uma própria mãe para dizer sobre a grandeza dessa missão. Assim, pedimos à senhora Leda Lopes Duarte Oliveira, aposentada, que vive em São Paulo-SP, para nos contar um pouco de sua vida. Veja! “Meu nome é Leda. Tenho 60 anos, quatro filhos e cinco netos. Essa missão de ser mãe começou quando eu tinha 19 anos e conheci meus primeiros filhos. Ali tive a oportunidade de desenvolver vários sentimentos e fazer um grande estágio de acertos e erros, porém com todo o carinho e ternura em meu coração, para receber mais dois filhos depois de dez anos. Formamos uma grande família, e concluo o quanto é importante uma figura da mãe. Sinto muita falta da minha, pois foi ela quem me ajudou muito nesta minha caminhada, não só com seu amor e apoio, mas com seus exemplos que hoje tento aplicar no relacionamento com meus netos. Responsabilidade? Muita! Formar moralmente um ser não é fácil, mas diria que é a melhor parte de ser mãe. Mãe com carinho, mãe que perdoa, mãe que agrega valores, mãe que une a família, mãe que releva, mãe presente e mãe que se permite ser frágil e forte ao mesmo tempo, e que tem a oportunidade de experimentar o maior sentimento da vida, o amor.” Desejamos a todas as mães as mais copiosas bênçãos de Deus! Sintam-se abraçadas por todas nós, missionárias servas do Espírito Santo. Feliz Dia das Mães!

4º Domingo da Páscoa

“O Pai e eu somos um”João 10,27-30 O texto de hoje se situa no contexto duma polêmica nos arredores do Templo, entre Jesus e as autoridades judaicas, na ocasião da Festa da Dedicação do Templo. Nos versículos anteriores, estas desafiaram Jesus para que se declarasse abertamente como sendo o Messias. Ele respondeu que já tinha mostrado isso muitas vezes, por meio de suas obras, mas que eles não queriam acreditar, pois não eram suas ovelhas. Assim, fica claro que as ovelhas são os discípulos, pois o verdadeiro discípulo ouve a palavra do Senhor e o segue. São conhecidos por ele; e aqui cumpre lembrar que, na linguagem bíblica, a palavra “conhecer” tem conotações mais profundas do que em nosso uso comum. Significa não tanto um saber intelectual, mas uma intimidade profunda do amor. A Bíblia, muitas vezes, até usa o verbo “conhecer” para significar relação sexual. Assim, Maria questiona o anjo, pois ela “não conhece” homem (Lucas 1,34). O verdadeiro discípulo é aquele ou aquela que realmente tem um relacionamento de intimidade com Deus e que põe em prática sua palavra. E quem conhece Jesus conhece o Pai, pois “o Pai e eu somos um”, como diz Jesus em nosso texto. O versículo 28 afirma que Jesus dá a vida eterna a seus seguidores. Esse é um tema típico de João, e outros textos do Evangelho podem nos ajudar a aprofundá-lo. No Último Discurso, Jesus explica em que consiste a vida eterna: “A vida eterna é esta: que eles conhecem a ti, o único Deus verdadeiro, e aquele que tu enviaste, Jesus Cristo” (João 17,3). Mais uma vez, liga o conceito da vida eterna ao de “conhecer”. Mas em que consiste “conhecer” Deus? O profeta Jeremias pode esclarecer. Em um trecho contundente, no qual ele enfrenta o rei Joaquim e o condena por não pagar os salários de seus operários na construção de seu palácio, Jeremias diz o seguinte, referindo-se ao falecido rei justo Josias: “Ele julgava com justiça a causa do pobre e do indigente; e tudo corria bem para ele! Isso não é me conhecer? – oráculo de Javé” (Jeremias 22,16). Conhecer Deus não é, em primeiro lugar, um exercício intelectual, mas uma atitude de vida: a prática da justiça, especialmente em favor do oprimido e fraco. Segundo João, a vida eterna é, portanto, o prêmio de quem pratica a justiça de Deus (proposta dos discípulos de Jesus) e não dos que “sabem” muita coisa sobre Deus, mas que não praticam a justiça (representados, no texto de hoje, pelas autoridades do Templo). Nosso texto nos traz motivo de muita coragem, pois afirma que ninguém vai arrancar da mão de Jesus o verdadeiro discípulo (vers. 28). Também nos desafia a verificarmos se somos realmente discípulos verdadeiros, se conhecemos Jesus e o Pai, isto é, se praticamos a justiça de seu projeto. Pois a prova de ser verdadeiro discípulo está na prática das obras do Pai e não no conhecimento teórico de religião. Padre Tomaz Hughes, SVD, biblista e assessor da CRB e do Cebi. Dedicou-se a cursos e retiros bíblicos em todo o Brasil. Publicou diversos artigos e o livro “Paulo de Tarso: discípulo-missionário de Jesus”. Faleceu em 15 de maio de 2017. Suas reflexões bíblicas são muito atuais.

Comunicar como ato de liberdade

Em 3 de maio, lembramos o Dia Internacional da Liberdade de Imprensa. A data foi instituída em 1993 pela Assembleia-Geral das Nações Unidas, tendo como referência a Declaração de Windhoek. Esse documento foi redigido ao fim de um seminário da UNESCO, realizado na Namíbia, em 1991, sobre a promoção da independência e do pluralismo da imprensa africana. O conteúdo dessa declaração ganhou importância para o mundo todo ao eleger a liberdade, a independência e o pluralismo da imprensa como princípios essenciais para a democracia e os direitos humanos. A data também serve como alerta contra a censura e a violência cometidas a jornalistas por sua atuação profissional. Para refletir sobre a aspectos relacionados a essa comemoração, entrevistamos o jornalista Amilton Belmonte, 53 anos. Natural de São Borja-RS, ele começou sua trajetória aos 16 anos, como locutor e apresentador de rádio. Formado pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos), passou por veículos como Correio do Povo, Rádio Guaíba e Jornal NH. Atuou ainda como coordenador de comunicação da Secretaria da Segurança Pública do Rio Grande do Sul (SSP-RS) e foi diretor do Gabinete de Gestão Integrada (GGI) da Prefeitura de Novo Hamburgo. Desde 2007, é correspondente para a Região Sul do Brasil da Agência de Notícias da Suíça (Swissinfo). Radicado em Santa Catarina, dirige a Belmonte Comunicação e colabora com sites e revistas do País, em temas como segurança, educação e política. Na entrevista ao Blog das Missionárias Servas do Espírito Santo do Brasil (SSpS), ele fala um pouco do atual contexto quanto à liberdade de expressão e da importância de saber lidar com os novos desafios da comunicação. Blog SSpS: Qual sua visão quanto ao momento atual da imprensa no Brasil e no mundo: há liberdade de comunicação? Amilton Belmonte: Acredito que a imprensa brasileira e mundial vive um momento singular, um momento para afirmação. Após esses dois anos de pandemia, ficou claro que comunicar com responsabilidade, transparência e ética é obrigação para os jornalistas, ainda mais em tempo de fake news e ataques à liberdade de informação e aos jornalistas, até por parte de alguns governos, que buscam descredibilizar e desacreditar a profissão. A afirmação das mídias sociais trouxe um avanço espetacular na democratização de informação, mas, ao mesmo tempo, deixou claro que o universo digital das redes é também um território livre, de desinformação, o que pede cuidado e filtros permanentes. Dessa forma, informar com credibilidade, com checagem de fonte e na premissa básica do ponto e contraponto é mais do que obrigação de qualquer profissional sério e com um mínimo de entendimento de sua dimensão social como jornalista e cidadão. Comunicar com seriedade é agora, muito mais do que antes, um ato de afirmação da cidadania, de respeito ao coletivo. Blog SSpS: Como avalia a transformação do processo de difusão da informação? Amilton Belmonte: Vivemos um permanente processo de transformação, em muito impulsionado pelas novas tecnologias, cada vez mais inferindo no nosso cotidiano. E esse é um movimento sem volta, que pede adaptação e atenção constante. Mudou a forma como nos relacionamos no pessoal e no profissional, mudou a maneira como a sociedade busca o outro, seja esse outro um serviço de saúde ou uma tele-entrega de comida. Essas diferentes plataformas de comunicação trouxeram facilidades, mas também podem ser entendidas como um desafio não apenas aos profissionais de imprensa ou de outros setores, que precisam, a todo momento, “ler” o que deseja o leitor, ouvinte, telespectador, internauta. Curtir e compartilhar nunca foi tão impactante na nossa vida, para o bem e para o mal. Mas se trata de um desafio diário a todos nós: não há mais zonas de conforto para quase ninguém. Ou você se adapta ou pode ficar fora da onda. E o impacto dessa tecnologia na timeline da vida talvez não consiga nunca ser mensurado, ou melhor, é mensurado quando um WhatsApp, Facebook ou Instagram falha, “bugando” a vida. Na prática, estamos ansiosos, menos orgânicos. Estamos sendo obrigados a lidar com a pressa e a pressão. Blog SSpS: Qual a posição que o jornalista deve ocupar frente à disseminação de fake news e as pressões por parte de forças políticas polarizadas e de interesses econômicos? Amilton Belmonte: Essa é a hora da verdade para o bom jornalista, o profissional comprometido e sabedor do seu papel social. É o momento de a imprensa ter a dimensão clara desse papel e agir com ética, transparência e coragem, afirmando e reafirmando seu juramento. Nunca foi tão importante como neste momento a informação com credibilidade, fonte fidedigna, checagem dos fatos. A informação desplugada de ideologias, desconectada de qualquer canga econômica ou pública. Este é o momento da unidade de classe, algo historicamente complexo dentro da nossa profissão. E essa unidade que me refiro também é uma unidade com um foco específico, que é a defesa da democracia e das instituições. Não há outra via que não a democrática. Blog SSpS: Você acredita que comunicar é um ato de liberdade? Amilton Belmonte: Sim, a liberdade de informar, de trazer luz a fatos, acontecimentos, pessoas, lugares é essencial a toda e qualquer sociedade. Não vivemos isolados, apenas dialogando com nosso umbigo ou em uma selfie infinita com nosso ego. Somos seres sociais, somos seres que vivemos em coletividade e é na coletividade que acontecem as coisas, é na coletividade que a vida ganha razão. Que comunicar e se comunicar seja essência de diálogo, respeito ao outro, transparência social. Só há comunicação integrativa e afirmativa com liberdade de expressão e só há expressão com liberdade de pensamentos e opiniões. Saiba mais sobre a Declaração de Windhoek: https://www.unesco.org/en/articles/30th-anniversary-windhoek-declaration https://www.europarl.europa.eu/document/activities/cont/201104/20110429ATT18422/20110429ATT18422EN.pdf

3º Domingo de Páscoa

“É o Senhor!”João 21,1-19 Quase todas as traduções da Bíblia intitulam o capítulo 21 de João como “Apêndice” ou “Epílogo”. Realmente, em uma primeira edição, o Evangelho terminava no capítulo 20. Mas, devido a uma situação nova nas comunidades, tornou-se necessária a adição do último capítulo. Essa situação era a fusão de dois tipos de comunidades cristãs: as de tradição sinótica ou apostólica e as de tradição da comunidade do Discípulo Amado. Essa fusão ocorreu pelo fim do primeiro século e é simbolizado nos versículos 15 a 18, em que Pedro recebe a primazia e a missão de pastor dos discípulos; mas somente após ter afirmado, por três vezes, que amava Jesus (lembrando que, na paixão, ele tinha negado o Senhor por três vezes). A comunidade do Discípulo Amado aceita a função apostólica de Pedro, mas insiste que, antes de ser apóstolo, é mais fundamental ser discípulo, ou seja, amar Jesus. A primeira parte do texto (vers. 1 a 14) tem grandes semelhanças com a história da “pesca milagrosa” de Lucas (5,1-11), mas o contexto pós-ressurrecional é diferente. Como sempre, no Quarto Evangelho, devemos prestar atenção aos símbolos, sejam eles pessoas, eventos ou números. Chama a atenção que, embora seja a terceira aparição de Jesus, os discípulos não o reconhecem. Isso demonstra que a presença de Jesus depois da ressurreição, embora real, não é igual à sua presença durante sua vida terrestre. Quem o reconhece primeiro é o Discípulo Amado, pois só quem vê com olhos de amor reconhece e vê além das aparências. Como foi o amor que o levou a correr mais depressa do que Pedro ao túmulo, no capítulo 20, é o amor que faz com que ele seja o primeiro a reconhecer a presença de Jesus ressuscitado. Ele é o Discípulo Amado e que ama; Pedro vai sê-lo somente depois de sua profissão de amor (vers. 15 a 17). A pesca simboliza a missão dos discípulos. Segundo muitos estudiosos, o número de 153 peixes se baseia no fato de que os zoólogos gregos da Antiguidade achavam que existiam no mundo 153 espécies de peixe. Então o Evangelho está dizendo que a Igreja (simbolizada pela rede) pode abraçar o universo inteiro: todos os povos e culturas. É interessante que, diferentemente da história em Lucas, a rede não se rompe. A diversidade de culturas, tradições e povos constitui uma riqueza para a Igreja e não deve levar a rompimento da unidade, sem que se imponha a uniformidade (a palavra grega que João usa para “romper” é schisma). Certamente essa visão deve desafiar e questionar tantas tendências de centralização e rigidez que existem na Igreja hoje. O nó da questão está na entrega da missão a Pedro. Ele deve ser o bom pastor das ovelhas e dos cordeiros; dos membros das comunidades. As ovelhas, contudo, não são dele, ele é apenas o pastor. As ovelhas pertencem ao Senhor. Aqui Pedro recebe essa grande missão; nos sinóticos, isso ocorre na estrada de Cesareia de Felipe. Mais importante, porém, do que sua função é sua vocação de discípulo, aquele que ama e segue o Senhor. Só quem ama Jesus profundamente poderá pastorear seus seguidores. Se, no primeiro capítulo do Evangelho, Pedro veio a Jesus por mediação de seu irmão André (João 1,40-42), agora recebe o convite do próprio Mestre: “Siga-me”, pois, no amor, ele fez a opção pelo discipulado. Todos nós recebemos o mesmo convite: “Siga-me”. Seja qual for nossa função e missão na Igreja, somente terá sentido conforme realmente amamos Jesus, um amor que só é autêntico se amamos os outros, na luta comum em favor da construção de um mundo onde todos, todas possam “ter vida e vida em abundância” (cf. João 10,10), pois “Se Deus nos amou a tal ponto, também nós devemos amar-nos uns aos outros” (1 João 4,11). Padre Tomaz Hughes, SVD, biblista e assessor da CRB e do Cebi. Dedicou-se a cursos e retiros bíblicos em todo o Brasil. Publicou diversos artigos e o livro “Paulo de Tarso: discípulo-missionário de Jesus”. Faleceu em 15 de maio de 2017. Suas reflexões bíblicas são muito atuais.

(Des)cobrimento ou (des)matamento do Brasil?

Geralmente, nas escolas, em 22 de abril, era comemorado o Dia do Descobrimento. O patriotismo nacional não era só o futebol, mas a integração nacional das terras brasileiras. Mas comemorar o quê? Desde que os portugueses chegaram, pensando que estavam na Índia, percebeu-se a diferença geográfica, denominando o território de “Novo Mundo”. Interessante que, com o avanço das Ciências, atualmente se sabe que o tal “Mundo” é bem mais antigo que a região do Hemisfério Norte. Quais vantagens o Brasil teve, desde 1500, ao ser (des)coberto por homens perdidos no mar? Estranhamento com os outros seres humanos, contato com outras culturas, línguas, biodiversidade, fartura de terras, minérios, flora e fauna. Aparentemente, não tinham exército, um rei, e achava-se que não cultuavam nenhuma divindade. Todos tinham tudo em comum. Não encontraram ninguém morando ao relento ou passando fome; desigualdade social era algo que não existia entre os nativos. Então, quais as desvantagens? Não se conhecia arma de fogo nem cobiça, chicote, cavalo, armadura, navios enormes, muito menos que o povo europeu era bravo, assassino, bárbaro, a ponto de escravizar os donos da terra e dividirem suas terras em capitanias, ao assinarem o Tratado de Tordesilhas. Hoje, Brasil está descoberto. Suas matas abertas por causa de garimpo, desmatada por causa de madeireiras. Infelizmente, nosso país está mergulhado na corrupção em geral. O (des)matamento deu lugar ao gado, à soja, a coisas do gênero, causando ameaças, despejos, torturas, assassinatos. Que Brasil queremos hoje, depois de 522 anos? Temos um país rico, um povo miscigenado, amável e generoso. Mas por que os indígenas ainda não têm suas terras demarcadas? Por que muitas famílias estão sem teto? Por que há latifúndios multinacionais tomando lugar de populações desamparadas? Para construir um país justo, ético, renovado, precisamos escolher bem nossos representantes e preparar bem a educação dos cidadãos brasileiros, buscando ser transparentes, corajosos em denunciar as coisas erradas e criar projetos que promovam a vida. Maria Terezinha CorrêaMestra em Antropologia, especialista em Ensino de Filosofia, graduada em Filosofia e Pedagogia, cursou Teologia, filiada à ABA, APEOESP e SBPC. Atualmente, professora de Filosofia na Prefeitura de São José-SC, membro da Comissão de Prevenção e Combate à Tortura, pela ALESC, voluntária na Pastoral da Pessoa Idosa, ligada à Arquidiocese de Florianópolis.

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