Rede de Educação SSpS acolhe diretrizes do Capítulo-Geral

Membros da diretoria e coordenação pedagógica, assessorias e coordenações missionárias se reuniram para refletir e aprofundar o alinhamento de metas que serão explicitadas no Projeto Político Pedagógico Missionário da Rede de Educação Missionárias Servas do Espírito Santo (SSpS). O encontro foi realizado entre os dias 15 e 18 de junho, no Convento da Santíssima Trindade, em São Paulo-SP. Na manhã do dia 15, iniciamos o encontro com os coordenadores missionários dos colégios e os assessores pedagógico e financeiro da Rede. O momento foi conduzido pela Ir. Maria Percila e o assessor Agostinho Travençolo Junior. Nesse primeiro momento, fomos convidados a mergulhar na dinâmica trinitária. A oração nos levou a reconhecer nossa missão diante do mistério de Deus e renovar nosso papel como discípulos e discípulas de Jesus. Em seguida, fomos conhecer um pouco da história do Convento da Santíssima Trindade, para entendermos a missão da Congregação e nossa também. Irmã Maria Percila e Agostinho nos levaram a refletir sobre a pericorese, a dança trinitária, movimento contínuo no qual a Trindade se manifesta ao mundo e nos convida a ser um com eles, como uma ciranda, em que cada um tem seu papel, sua dinâmica pessoal, mas está no todo, sem perder sua identidade. “Por isso vem, entra na roda com a gente…”. Capítulo-Geral e as escolas O grupo refletiu maneiras de incluir nas escolas as diretrizes do Capítulo-Geral das SSpS, realizado em janeiro de 2022. Foi um momento muito rico e intenso. Com base em cada uma das diretrizes do capítulo, foram elaborados objetivos para que facilitem a compreensão e a execução da essência das diretrizes, destacando a importância de se internalizar em todos a identidade missionária de nossas escolas. Na parte da tarde, a equipe missionária se reuniu e se debruçou sobre o Projeto Político Pedagógico Missionário, o marco doutrinal. Foi um momento de muita discussão, aprofundamento e resgate de toda a reflexão feita na parte da manhã. Durante a elaboração do marco doutrinal, foi possível clarear a identidade fundamentada na espiritualidade trinitária e no carisma missionário. Após longas horas, o grupo e as irmãs chegaram a um esboço a ser apresentado, no dia seguinte, para todo o grupo de diretores e coordenadores. No dia 16, já com toda a equipe reunida, no momento da oração da manhã, a orientação para todo o dia de trabalho. Luciana e Lucas, coordenadores missionários dos colégios Stella Matutina e Sagrado Coração de Jesus, conduziram a dinâmica da partilha e da comunhão. Explorando o evangelho da multiplicação dos pães, fizeram-nos refletir sobre a importância de cada um no projeto missionário. Cada um é peça importante na proposta educativa da Rede e, juntos, somos mais fortes. João Carlos, assessor pedagógico, conduziu uma dinâmica de apresentação e nos falou sobre “A gestão educacional no mundo de hoje”. Refletiu sobre o processo da aquisição do conhecimento (significado e sentido) para que possamos (educandos e educadores) ser transformadores da realidade. Em sua fala, abordou também a importância de se compreender e vivenciar a identidade missionária, razão de ser da educação da Rede. Também na ocasião, tivemos um encontro riquíssimo com a professora Aleluia Heringer, que nos trouxe pistas para compreendermos o currículo evangelizador. Trazendo toda a sua experiência como diretora de escola católica, apresentou-nos, com base nos documentos do Papa Francisco, a importância de assumir verdadeiramente a proposta de uma educação evangelizadora nos dias de hoje. Uma educação integradora, que pense o ser humano a partir de uma conversão ecológica, pela qual nos reconheçamos parte, e não “à parte”, da Criação; estamos todos interligados. Projeto Político Pedagógico Missionário À tarde, a equipe da dimensão missionária apresentou para o grupo o esboço do marco referencial missionário e as diretrizes do XV Capítulo-Geral e sua “encarnação” nas escolas: implementar projetos pedagógicos missionários integradores e transversais; cultivar uma linguagem intimamente relacional; promover e agregar ações missionárias; redesenhar processos de gestão para que o novo possa surgir; recriar os vínculos afetivos em nossas comunidades educativas; oportunizar espaços/momentos de vivência holística das espiritualidades; abrir-se a um processo de flexibilização pessoal; experimentar um novo jeito de acolher; sistematizar as ações de conversão ecológica existentes; aderir a um estilo de vida sustentável. Em seguida, foram formados os grupos por segmentos. Cada um começou a discutir e elaborar o novo Projeto Político Pedagógico Missionário, com esse olhar mais voltado para nossa identidade missionária. No dia 17, o dia começou com a oração conduzida por Alisson e Alexandre, coordenadores missionários dos colégios Espírito Santo e Imaculado Coração de Maria. Eles trabalharam com base em palavras inspiradoras para cada participante do encontro. E assim, após a leitura do Evangelho do dia (“Onde está o teu tesouro, aí estará também o teu coração”), convidaram os participantes a construírem, juntos, uma linda aquarela a partir do olhar de cada um, valorizando a diversidade. Irmã Fátima trouxe uma bela reflexão sobre “Olhar da Rede sobre as questões educacionais hoje”. Ela, mais uma vez, falou sobre a importância de compreender o que é uma educação missionária. Uma educação que deseja formar cidadãos realmente transformadores na sociedade. Que nosso aluno que começa lá no infantil, ao chegar no ensino médio, consiga perceber o caminho educativo-missionário percorrido por ele. O sucesso desse aluno deve ser sua capacidade de intervir e transformar sua realidade e a realidade daqueles que convivem com ele, cumprindo verdadeiramente o objetivo da educação missionária. Os grupos, divididos por segmentos, apresentaram suas análises para a elaboração do novo Projeto Político Pedagógico Missionário. A discussão levou ao entendimento da necessidade de se pensar a educação missionária permeando todos os segmentos, sendo o fio condutor entre os segmentos e suas propostas. Evitando, dessa forma, a existência de uma escola fragmentada. Outro momento importante foi o de experimentarmos o novo que se faz presente em nossas escolas, o desafio da educação maker. A assessora tecnológica Karla expôs problemas reais que se apresentam em nosso cotidiano escolar e como a proposta maker pode e deve nos ajudar a superar tais dificuldades. Compreendemos que a construção do saber de forma compartilhada é muito mais
Centro Educacional Madre Josefa: o carisma das SSpS no Complexo do Alemão

O Centro Educacional Madre Josefa (CEMJ) é uma creche sem fins lucrativos, localizada no Morro do Alemão, no Rio de Janeiro-RJ. A obra social administrada pelas irmãs missionárias servas do Espírito Santo (SSpS) foi fundada em 20 de maio de 2003, idealizada pela irmã Irmilde (Ana Katharina Smith). A patrona do CEMJ, a bem-aventurada Madre Josefa, cujo nome de batismo era Hendrina Stenmanns (1852-1903), é, ao lado de Santo Arnaldo Janssen, fundadora da Congregação das SSpS. A história de vida da religiosa é marcada pelos cuidados em favor dos mais necessitados. O CEMJ funciona em regime de externato misto, em turno integral. Hoje atende 80 crianças de 2 a 6 anos incompletos e em vulnerabilidade social. Destina-se à educação infantil e creche, e integra a Rede de Educação Missionárias Servas do Espírito Santo. Como nas outras instituições administradas pelas irmãs, a filosofia de trabalho é inspirada na Santíssima Trindade, modelo de amor e comunhão. O IDH mais baixo A obra está localizada no bairro de Inhaúma, Zona Norte da capital fluminense. O lugar compõe o conjunto de favelas do chamado Complexo do Alemão. Segundo o censo de 2010, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o índice de desenvolvimento humano (IDH) era de 0,711, o 126º e último colocado da cidade do Rio de Janeiro. A pesquisa ainda revelou que a população do bairro era de cerca de 60 mil habitantes, divididos em 21.048 domicílios, numa área de 21.982 km². O Morro emprestou seu nome ao Complexo, embora o personagem que inspirou a alcunha fosse, na verdade, um polonês. Leonard Kacsmarkiewiez, refugiado da Primeira Guerra Mundial e de nome difícil, logo foi apelidado pelos cariocas de “alemão”. Dessa forma, a área que era de sua propriedade passou a ser conhecida como Morro do Alemão. Um dos problemas mais graves na comunidade é a violência. Há uma constante tensão imposta pela disputa armada dos territórios dominados e silenciados pela violência física e psicológica. Mesmo assim, a obra social faz o possível para manter sua presença ao lado do povo, realizado projetos educacionais que visam à perspectiva de uma vida melhor. Desenvolvimento integral O Centro é o braço social do Colégio Imaculado Coração de Maria, também pertencente à Rede de Educação SSpS. Gilmara Solidade, coordenadora, explica que entre os muitos objetivos da ação educativa do CEMJ está o de contribuir para o desenvolvimento das relações interpessoais e da cidadania, por meio de atividades lúdicas. Além disso, a obra social busca enriquecer a autoestima dos educandos e familiares, e favorecer o conhecimento do mundo externo à comunidade, compreendendo e atuando em seu entorno social. Os trabalhos educativos, pastorais e sociais são baseados no patrimônio espiritual das SSpS. Os educandos recebem diariamente quatro refeições, reforçando o desenvolvimento nutricional. O Centro promove atividades pedagógicas e recreativas. Com foco na segurança emocional e no desenvolvimento pleno, as crianças são acompanhadas pelas professoras com formação em Pedagogia e por recreadoras. O grande desafio da obra social é manter toda a estrutura física e modernizar o espaço, para deixá-lo atualizado tecnologicamente e, assim, oferecer qualidade do ensino e aprendizagem. “Encontrei no CEMJ o acolhimento que tanto precisava e aqui descobri a especificidade do meu filho. Portador de TEA (transtorno do espectro autista) e TDAH (transtorno do déficit de atenção com hiperatividade), ele sempre foi incompreendido em outros espaços. O CEMJ me ajudou a aceitar a condição dele e a buscar tratamento. Só tenho a agradecer”, conta Mariman Moraes, mãe do pequeno Davi. Ana Katharina Smith (irmã Irmilde), SSpS, é a idealizadora do CEMJ. Teve atuação marcante no Complexo do Alemão durante mais de 20 anos. Conhecendo os desafios da comunidade, fundou a instituição para dar apoio às famílias que mais precisavam, gerando também emprego aos moradores. Todas as colaboradoras do CEMJ são moradoras do lugar. Em sua maioria, são o aporte financeiro de seu grupo familiar. Elas são incentivadas a estudar e a conquistar seu espaço, respeito e dignidade, assegurando o desenvolvimento de seu potencial.
13º DOMINGO DO TEMPO

“Eu te seguirei para onde quer que fores”Lucas 9,51-62 A liturgia deste 13º Domingo do Tempo Comum traz como tema central a qualidade do seguimento do projeto de Deus. O trecho de Lucas abre um novo ciclo, relatando o início da significativa viagem de Jesus a Jerusalém, onde Ele cumprirá sua missão até “ser levado para o céu” (versículo 51). Ao longo da difícil jornada, o Mestre dará muitos ensinamentos e deixará para o leitor a tarefa de avaliar e responder a alguns dilemas da vida em Cristo. O contexto geográfico não é o mais importante, mas o que ocorre ao longo da viagem e em seu desfecho. Para chegar a Jerusalém, Jesus deve cruzar a região da Samaria. Os samaritanos são tidos pelos judeus como impuros, e as hostilidades mútuas são comuns. Com história de miscigenação e vítima de muito preconceito e intolerância, esse povo não pratica o culto do Templo, e os peregrinos galileus, ao passarem por seu território rumo ao sul, são intimidados, a ponto de, às vezes, sequer conseguirem água para beber. O Senhor envia mensageiros à frente, para preparar-lhe hospedagem, demonstrando a “solenidade” do momento. A missão fracassa. Tiago e João, revoltados com a negativa dos samaritanos, fazem jus ao apelido de “Filhos do Trovão”. Ainda contaminados com a ideia de um messianismo cheio de poder, ao estilo dos opressores deste mundo, desejam vingar-se e sugerem pedir que caia fogo do céu para destruir aquela gente (vers. 54). Jesus imediatamente os repreende (mesmo termo usado para os exorcismos) e, de sua parte, quebra o ciclo de ódio. A passagem expõe um Mestre mais indignado com a reação violenta dos discípulos que com a falta de acolhida dos samaritanos. Um dado curioso: o segundo livro de Lucas, os Atos dos Apóstolos, conta que a Samaria será o primeiro lugar fora da Judeia a acolher a mensagem do Evangelho (Atos 1,8; 8,4-8). Os primeiros desafios, internos e externos, do caminho já dão o tom do difícil seguimento do Senhor. Assim, a continuação do texto deste domingo narra sobre três personagens. Eles não têm nome, talvez representando um pouco de cada um de nós. O primeiro é radical: “Eu te seguirei para onde quer que fores!”, mas o Nazareno “joga limpo”, dizendo não ter onde sequer reclinar a cabeça. A alusão às tocas das raposas e os ninhos das aves pode denunciar a “estabilidade” dos poderosos, algo contrário a quem se põe a caminho (em Lucas 13,12, por exemplo, Jesus chama Herodes de “raposa”). O segundo personagem (central entre os três) recebe o chamado do Messias. Algo muito importante, porém, impede uma resposta imediata: o drama de perder o pai e a necessidade de ir sepultá-lo antes. Esse trecho, bem delicado, é dos muitos a não serem lidos apressadamente. Em outras passagens dos Evangelhos, vemos o próprio Cristo se comovendo diante da morte e do luto, por isso haveria uma contradição em não aceitar que o filho honrasse o pai numa hora tão significativa. Assim, essa passagem pode ser compreendida na chave de ruptura com as tradições paternas judaicas e no contraste entre morte (passado) e vida (proposta do reinado de Deus). O terceiro personagem, como o primeiro, se oferece para acompanhar o Mestre, mas impõe uma condição: despedir-se dos familiares. A expressão também tem o sentido de desvincular-se de alguma tarefa, talvez de administrar um bem ou serviço, nos termos de hoje. Em suma, sugere-se um apego a algo que o impede de juntar-se livremente à missão (veja a segunda leitura: Gálatas 5,1.13-18). Um aspecto bem típico do conteúdo dessa viagem, já no excerto de hoje, é o autor não informar detalhes desses candidatos ao discipulado e qual a resposta final de cada um. O desenlace fica por conta do ouvinte, o qual tem a chance de pensar também na própria decisão. O caminhar com Jesus não é teórico, mas proveniente de decisão firme e real como a do Mestre. O reinado de Deus não tem lugar para um meio seguimento, mas para um horizonte de esperança. A primeira leitura desta liturgia (1 Reis 19,16b.19-21) dá um bom exemplo: Eliseu larga o arado logo ao ser chamado por Elias e, com coragem, segue adiante. A segunda leitura destaca a verdadeira liberdade. O apego pode nos aprisionar e paralisar, como ocorreu com a mulher de Ló, ao olhar para trás e virar uma estátua de sal (Gênesis 19,26). Possamos andar firmes nos passos do Senhor. Alessandro Faleiro MarquesDiácono permanente na Arquidiocese de Belo Horizonte, professor, editor de textos para as irmãs missionárias servas do Espírito Santo, membro da Equipe de Espiritualidade da Província Brasil Norte das SSpS.
A missão de acolher quem chega ao Brasil

Três datas na segunda metade de junho nos fazem refletir sobre a movimentação humana no Brasil e no mundo. O Dia Nacional do Migrante (dia 19), o Dia Mundial do Refugiado (20) e o Dia do Imigrante (25) colocam em evidência a realidade dessas pessoas e os papéis que governos e sociedade precisam desenvolver no acolhimento dessa população. Nesse contexto, apresentamos duas frentes de trabalho das irmãs missionárias servas do Espírito Santo e favor de quem chega a nosso País. Ações para os migrantes em Alto Alegre-RR “Nosso serviço consiste em estar onde é mais necessário. Essa é a herança recebida pelos fundadores da Congregação das Irmãs Missionárias Servas do Espírito Santo.” Assim pontua a irmã Aurélia Prihodova sobre a importância das ações desenvolvidas pelas quatro religiosas pertencentes a uma comunidade intercultural e internacional na Paróquia Santo Isidoro, em Alto Alegre, Roraima. Além do apoio à paróquia, sobretudo nas áreas de formação, pastoral e administração, elas participam de ações desenvolvidas pela Diocese de Roraima e da rede de atendimento social no movimento migratório da Venezuela e da Guiana Inglesa. Também oferecem apoio nas demandas dos povos indígenas (Macuxi e Wapichana) em sua luta por direitos fundamentais e territoriais. “É um lugar desafiador, onde a gente passa por uma transformação pessoal e comunitária. Nossa missionariedade oportuniza a disposição e flexibilidade de acolher, atender, aprender e servir a humanidade encontrada e integrá-la para o meio social”, afirma a missionária. A atenção especial aos movimentos migratórios começou em meados de 2018. Naquele ano, foram cadastrados 200 estrangeiros que chegaram a Alto Alegre em busca de uma vida digna. Em 2019, os atendimentos aumentaram, com registro de 285 pessoas acolhidas pelo serviço. Apesar da covid-19, a migração não parou nos anos seguintes, mesmo com o fechamento oficial das fronteiras entre Brasil e Venezuela, devido à pandemia. Em 2020, 150 pessoas buscaram apoio na comunidade de Alto Alegre. Em 2021, foram 170 migrantes. E, em 2022, já são 100 cadastrados. “Eles passam por caminhos perigosos e ilegais, chegando ao Brasil sem nada, somente com a violência e violação dos direitos fundamentais. Atendemos aqueles que permaneceram aqui no Município e os que estão sempre chegando. A média é de 350 a 400 pessoas”, comenta Ir. Aurélia. As religiosas atuam em rede com a Diocese de Roraima e com outras instituições, como a Organização Internacional do Migrante (OIM), o Serviço da Pastoral do Migrante (SPM) e a Cáritas Diocesana e Nacional. Primeiramente, o foco do atendimento é a fome. Depois, a documentação. E, em terceiro lugar, as irmãs oferecem aulas de Língua Portuguesa para favorecer a integração das pessoas, famílias e profissionais que saíram da Venezuela devido à crise. A paróquia criou também um grupo de mulheres imigrantes para promover a troca dos saberes culturais e tradicionais, além de escutá-las e de ser um lugar onde elas possam falar. Uma das ações permanentes são os agendamentos com a Polícia Federal e com o Posto de Interiorização e Triagem (Pitrig) para confecção da documentação de refúgio ou de residência das pessoas, ou ainda a renovação dos documentos daquelas que permaneceram no Município com esperança de retornar à Venezuela. Por meio do projeto de interiorização, já foram encaminhadas 75 pessoas para outros Estados do Brasil. De acordo com Ir. Aurélia, as tratativas com o Poder Público Municipal abrem caminho para o atendimento dos migrantes nos postos de saúde bem como a integração das crianças, adolescentes e jovens para a educação. Valendo-se da plataforma da Receita Federal, a Paróquia Santo Isidoro consegue agilizar também a solicitação do CPF sem que eles tenham necessidade de gastar dinheiro com a viagem até a capital, Boa Vista. A plataforma on-line do Ministério de Trabalho facilita a confecção da carteira de trabalho e acesso a benefícios sociais e do INSS. Porém, o esforço das missionárias em acolher os migrantes também se depara com dificuldades. “O que desafia nossa missão aqui é a xenofobia. No Município (Alto Alegre), não existem alternativas de poder empregatício. A população é formada por pequenos agricultores que lutam pela sobrevivência com um olhar não muito positivo para os migrantes. Escutamos muitas críticas, mas confiamos em Deus Uno e Trino que envia seu dinamismo e coragem para podermos agir com compromisso, responsabilidade e transparência em todas as atividades na missão a nós confiada”, conta Ir. Aurélia. Da parte de quem recebe essa atenção das irmãs, o sentimento é de gratidão. “Para mim, tem existido apoio, principalmente do Serviço da Pastoral dos Migrantes, que não só me ajudou espiritualmente, mas também me deu a oportunidade laboral. No princípio, foi muito difícil para eu me adaptar a uma língua nova. Deixei tudo lá (em Caracas): casa, trabalho, família e formatura. Algumas vezes, eu me sentia muito deprimida. Mas depois começou minha resiliência. Fui começando a me acostumar com as novas formas de vivência, incluindo cultura, língua e outros costumes. Trabalhei como faxineira, babá, ajudante de cozinha e vendedora de din-din. Pouco a pouco, fui me adaptando até me converter em agente pastoral e funcionária humanitária. Hoje ajudo muitos migrantes vulneráveis como eu”, diz Orladys Enriqueta Hernandez, 44 anos, que migrou da Venezuela para o Brasil devido à crise alimentar, saúde, educação e insegurança. Hoje ela vive em Boa Vista. Centro de Integração do Migrante em São Paulo-SP Inaugurado em 12 de dezembro de 2015, o Centro de Integração do Migrante (CIM) é uma iniciativa das irmãs missionárias servas do Espírito Santo que se configura como um espaço de convivência para a integração social, orientação e capacitação profissional de imigrantes que vivem na capital paulista. O trabalho é desenvolvido em conjunto com a Pastoral do Migrante da Arquidiocese de São Paulo e da Paróquia São João Batista do Brás. A atuação das missionárias no CIM tem seu foco na acolhida, proteção, promoção e integração dos migrantes, promovendo a preservação das diversas culturas e, de modo contínuo e respeitoso, apresentando a cultura brasileira. “Em geral, nossa comunidade é composta por três irmãs. No momento, estamos em duas, coordenando o CIM, atendendo, fazendo visitas, ajudando
A educação precisa ser para todos

Acesso? Qualidade? Inclusão? Palavras muito ouvidas e, constantemente, discutidas em nosso convívio. Mas o que tem a educação a ver com isso? Tudo! Atualmente, há como não perceber as inúmeras cenas de mudanças na sociedade global? O campo educacional, particularmente, tem se articulado para garantir o direito à educação de qualidade, fundamental para promover a formação cidadã, o desenvolvimento social dos estudantes e assegurar a dignidade da pessoa humana, valorizando toda a sua diversidade. Quando falamos sobre acesso à educação, não podemos simplificar ao significado pontual da palavra: ingresso, caminho, ato de chegar ou de se aproximar ou usufruir de algo. Não é como ter uma credencial e ter acesso a algum lugar ou a alguma coisa simplesmente. A Lei de Diretrizes e Bases para a Educação Nacional (Lei n.º 9.394/1996) afirma que “é direito de todo ser humano o acesso à educação básica”, assim como a Declaração Universal dos Direitos Humanos, a qual estabelece que “toda pessoa tem direito à educação”. Ter acesso à educação, portanto, é a capacidade de todas as pessoas de terem oportunidades iguais na educação, independentemente da sua classe social, raça, gênero, sexualidade, origem étnica ou deficiência física e mental. Apesar da evidência do direito educacional, entretanto, ainda há uma grande parte da população brasileira que não tem acesso ao ensino público. E, nesse momento, acrescentamos a palavra qualidade à palavra acesso. Há àqueles que, mesmo tendo acesso ao ensino, não adquirem conhecimentos considerados essenciais, seja por insuficientes investimentos na formação dos docentes ou pela quase inexistência de comprometimento dos governantes com essa causa. Desse modo, aquele que tem o acesso não usufrui da qualidade. Corroborando essas afirmações, o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) 4, voltado especificamente para educação, visa a assegurar a educação inclusiva e equitativa e de qualidade, e promover oportunidades de aprendizagem ao longo da vida, para todos. Conjuntamente ao acesso e à qualidade da educação, temos o desafio de adotarmos uma postura inclusiva nos processos educativos. Postura essa que pressupõe a igualdade de oportunidades e a valorização das diferenças humanas, contemplando, assim, as diversidades étnicas, sociais, culturais, intelectuais, físicas, sensoriais e de gênero dos seres humanos. À vista disso, as práticas escolares não devem ser adaptadas para alguns alunos, e sim transformadas em um ensino diferente para todos. Um ensino que garanta todas e quaisquer condições de aprender, em que as necessidades específicas não sejam ignoradas, mas que os educadores saibam quando e como usar recursos especializados para assegurar que todos aprendam. A educação dentro desse contexto vai muito além de garantir que as crianças e os jovens estejam na escola. Tem a ver com o direito ao desenvolvimento pleno e integral deles, e é nesse ponto que se destaca uma educação de qualidade. É importante mostrar que estando dentro da escola, o aluno será ouvido, valorizado, visto como único e, principalmente, construtor do seu conhecimento, dentro de suas capacidades e necessidades. A escola deve proporcionar oportunidade de desenvolvimento intelectual a todos os alunos, respeitando o tempo de aprendizagem de cada um e o modo como aprendem. Combinar o princípio da igualdade de oportunidades com o princípio da diferença fundamentará os propósitos de uma educação de qualidade, em que todos possam ser vistos com suas particularidades e que elas devem ser consideradas como diversidade e não como problema. “Uma criança, um professor, um livro e uma caneta podem mudar o mundo. A educação é a única solução” (Malala Yousafzai, 2013). Liliane Alves BarcellosPedagoga, psicopedagoga e professora do 1º ano do ensino fundamental no Colégio Sagrado Coração de Jesus, em Belo Horizonte-MG.
12º Domingo do Tempo Comum

“Se alguém quer me seguir, renuncie a si mesmo, tome cada dia sua cruz e me siga”Lucas 9,18-24 Aqui temos a versão lucana da profissão de fé de Pedro, que Marcos põe no caminho de Cesareia de Filipe (Marcos 8,27-35) e coloca como pivô de todo o seu Evangelho. Esse trecho levanta as duas perguntas fundamentais de todos os evangelhos: “Quem é Jesus?”, “O que é ser discípulo dele?”. São duas perguntas interligadas, pois a segunda resposta depende muito da primeira. A minha visão de Jesus determina a maneira de meu seguimento dele. O Evangelho de Lucas situa o texto em um contexto diferente dos outros dois evangelhos sinóticos: diz que Jesus “estava rezando em um lugar retirado, e os discípulos estavam com ele”; enquanto, em Marcos e Mateus, o evento se dá na estrada de Cesareia de Filipe. Uma atitude típica de Jesus em Lucas. Muitas vezes, no Terceiro Evangelho, especialmente antes de momentos importantes em sua vida, Jesus se acha em oração. Pois Ele faz nada por vontade própria, mas escutando a vontade do Pai. O diálogo começa com uma pergunta um tanto inócua: “Quem dizem as multidões que eu sou?”. É inócua, pois não compromete. O “diz que” não compromete ninguém, pois expressa a opinião dos outros. Por isso, chovem respostas da parte dos discípulos: “João Batista, Elias, um dos antigos profetas que ressuscitou!”. Mas Jesus não quer parar aqui (a pergunta foi só uma introdução). Depois vem a “facada”: “E vocês, quem dizem que eu sou?”. Agora não chovem respostas, pois quem responde vai se comprometer, não será a opinião dos outros, mas a opinião pessoal. Essa opinião traz consequências práticas para a vida. Finalmente, Pedro se arrisca: “O Messias de Deus” (os termos “Messias”, em hebraico, e “Cristo”, em grego, têm o mesmo sentido: o Ungido de Deus). Mas a reação de Jesus é, no mínimo, estranha: “Ele proibiu severamente que eles contassem isso a alguém”. Que coisa esquisita! Jesus proíbe que se fale a verdade sobre ele! Como ele espera angariar discípulos desse jeito? O assunto merece mais atenção. Realmente, Pedro acertou em termos de teologia, de “ortodoxia”, conforme diríamos hoje. Ele usou o termo certo para descrever Jesus. Mas Jesus quer esclarecer o que significa ser “O Messias de Deus”. Pois cada um pode entender esse termo conforme sua cabeça, seus desejos. Jesus quer deixar bem claro que ser “messias” para ele é ser o “Servo Sofredor” de Javé. É vivenciar o projeto do Pai, que necessariamente vai levá-lo a um choque com as autoridades políticas, religiosas, e econômicas, enfim, com a classe dominante de seu tempo: “O Filho do Homem deve sofrer muito, ser rejeitado pelos anciãos, pelos chefes dos sacerdotes e doutores da Lei, deve ser morto, e ressuscitar no terceiro dia” (versículo 22). Essa visão que Jesus tinha do Messias, não era a comum. Em geral, o pessoal esperava um messias triunfante, glorioso e guerreiro. O relato em Marcos (mas não a versão em Lucas) mostra-nos que Pedro partilhava essa visão errada, ao ponto de tentar corrigir Jesus e de ganhar do Mestre uma correção dura: “Fique atrás de mim, Satanás! Você não pensa as coisas de Deus, mas as coisas dos homens” (Marcos 8,33). Não basta ter os termos e títulos certos, mas o conteúdo certo. Normalmente todos nós temos os títulos certos para descrever Jesus e sua missão. Nós os aprendemos, desde a infância, desde a catequese para a primeiro comunhão. Mas o que significam esses títulos para nós, em nossa vivência diária? Professamos que Jesus é o Cristo, o Salvador, o Redentor, o Filho de Deus, mas em que minha vida é diferente porque tenho essa crença? Ele realmente é meu Senhor, meu Salvador, da maneira que procuro reproduzir e atualizar suas soluções e atitudes em minha vida, não somente no que crio, mas nas minhas atitudes na vida pública, profissional, familiar e social? A Bíblia nos conta que Deus criou o homem e a mulher na sua imagem e semelhança, mas, na verdade, nós criamos Deus em nossa imagem e semelhança, para que Ele não nos incomode. Nossa tendência é seguir um messias triunfante e não o Servo Sofredor. Mas, para Jesus, não há meio-termo. O discípulo tem de andar nas pegadas do seu mestre: “Se alguém quer me seguir, renuncie a si mesmo, tome cada dia a sua cruz e me siga” (Lucas 9,23). O seguimento de Jesus leva à cruz, pois a vivência das atitudes e opções dele vai nos colocar em conflito com os poderes contrários ao Evangelho. Carregar a cruz não é aguentar qualquer sofrimento. Assim, a religião seria masoquismo. Carregar a cruz é viver as consequências de uma vida coerente com o projeto do Pai, manifestado em Jesus. Segui-lo não é tanto fazer o que Jesus fazia, mas o que ele faria se estivesse aqui hoje. Como Ele foi morto, não pelo povo, mas por grupos de interesse bem claros, “os anciãos, os chefes dos sacerdotes e os doutores da Lei” (a elite dominante em termos econômicos, religiosos e ideológicos), seus seguidores entrarão em conflito com os grupos que hoje representam os mesmos interesses. Por isso sempre haverá a tentação de criarmos um Jesus light, sem grandes exigências, limitado a uma religião intimista e individualista, sem consequências políticas, econômicas ou ideológicas. Seria cair na tentação de Pedro, conforme o relato de Marcos. O texto faz ressoar, para cada um de nós, as duas perguntas de Jesus. É fácil responder ao que os homens dizem dele, o que dizem o Papa, o bispo, o catequista, os teólogos, a tevê. Mas essa pergunta não é tão importante. É a segunda que cada um tem de responder: “Quem é Jesus para mim?”. E a resposta vai se dar não tanto com os lábios, mas com as mãos e os pés. Respondemos quem é Jesus para nós por nossa maneira de viver, por nossas opções concretas, por nossa maneira de ler os acontecimentos da vida e da história. Tenhamos cuidado com qualquer Jesus que
Escolas são guardiãs da tradição das festas juninas

No calendário das escolas de todo o Brasil, a chegada de junho vem acompanhada pelo colorido de vestimentas caipiras e das bandeirinhas que enfeitam pátios, salas e corredores. Em alguns casos, o período das festas juninas pode se prolongar até julho, em programações que valorizam a cultura, além de promover a alegria e a integração, sendo tudo isso parte do conteúdo pedagógico. A celebração tem suas origens em festividades da Europa que marcavam a passagem da primavera para o verão no Hemisfério Norte, sendo trazida para o Brasil por influência dos portugueses do século XVI. As danças, músicas e comidas que conhecemos hoje evidenciam a mistura de elementos típicos do interior do País e de tradições sertanejas, forjadas pela mescla das culturas africana, indígena e europeia. “A cristianização da festa está diretamente relacionada ao estabelecimento de comemorações de importantes figuras do catolicismo, entre as quais se destacam Santo Antônio (homenageado em 13 de junho), São João (dia 24) e São Pedro (dia 29)”, informa o portal Brasil Escola. Nas escolas das missionárias servas do Espírito Santo, essa tradição também vem de longa data, sendo um dos eventos mais aguardados por toda a comunidade escolar. Danças de quadrilha junina, as brincadeiras e o casamento caipira são algumas das atividades que ficam na memória de quem participa dessas festas. Saiba como é esta prática nos colégios Imaculado Coração de Maria (Rio de Janeiro-RJ), Santa Maria (Cascavel-PR), Espírito Santo (São Paulo-SP) e Espírito Santo (Canoas-RS). Festejos têm caráter pedagógico Dentro de seu planejamento pedagógico, o Colégio Imaculado Coração de Maria entende que valorizar as tradições culturais deste imenso país junto às gerações mais novas é proporcionar acesso à riqueza, beleza e diversidade dos povos originários, povos africanos e europeus. “O Brasil possui como característica reconhecida a multiculturalidade, o que nos enche de orgulho. E trazer uma festa tipicamente campestre para a cidade é dar visão, valorizar e respeitar os traços e costumes típicos desses brasileiros que transformam, em cores e passos vibrantes, as noites das festas juninas do interior do País”, assinalam os educadores. Por isso, a tradicional festa junina da escola não se resume apenas a ensaios, danças e barraquinhas. Engloba um estudo sobre esse Brasil, aparentemente distante, que colocou em evidência artistas como Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro, Dominguinhos, Marinês, Elba Ramalho, além de aspectos culturais e a beleza das festas de Caruaru-PE e de Campina Grande-PB, com seu teto colorido de bandeirinhas, quadrilhas, xotes, baiões e a história da força do povo sertanejo. “Esses valores são passados e debatidos com os alunos, durante as aulas em sala, e depois trazidos aos ensaios, quando professor e aluno fazem uma união entre as músicas mais tocadas nas áreas urbanas com as músicas marcadas por zabumbas, triângulos e sanfonas, para daí saírem as danças que abrilhantam nosso evento”, afirmam os professores do Colégio Imaculado Coração de Maria. A coordenadora pedagógica da educação infantil do Colégio Espírito Santo (CES) de Canoas, Elen Zimmermann, ressalta, inclusive, que as festas juninas integram a competência de Repertório Cultural na Base Nacional Comum Curricular: “Na BNCC, entra toda a parte cultural e de festividades que caracterizam cada Estado do País. Fazemos o estudo das regiões para fundamentar a festa com essas informações. Já trabalhamos como temática a biografia de Luiz Gonzaga e Elba Ramalho, por exemplo”. Essa competência da BNCC estabelece como fundamental que os estudantes conheçam, compreendam e reconheçam a importância das diversas manifestações artísticas e culturais, propondo a participação deles em práticas diversificadas da produção artístico-cultural. Outro aspecto pedagógico é a mescla da festa junina com projetos escolares e eventos como a Copa do Mundo, propondo conexões ainda mais amplas. “A festa junina é uma tradição no CES. É uma atividade muito esperada, cheia de alegria, dança, gostosuras e descontração. Aproveitamos a oportunidade para enfatizar o programa Líder em Mim, desenvolvendo os princípios dos sete hábitos trabalhados com os alunos, colocando-os em ação, de forma a desenvolver a proatividade, a estabelecer o que é mais importante, pensando o ganha-ganha, além de criar sinergia na organização, nos ensaios e na apresentação das danças”, comenta Adriana Maciel, coordenadora pedagógica do ensino fundamental I do colégio gaúcho. Também no Colégio Santa Maria, em Cascavel, a professora Rosangela Maria de Oliveira Bueno, do ensino fundamental, conta como a programação envolve todo um trabalho multidisciplinar: “As festas juninas fazem parte do calendário letivo e são momentos para o desenvolvimento de muitas atividades lúdicas, além de uma valiosa oportunidade para que os professores ensinem conteúdos relativos a diferentes disciplinas, como Geografia, História, Artes e Educação Física. O evento contribui para o desenvolvimento de habilidades socioemocionais, principalmente nas crianças, possibilitando a integração entre todos os envolvidos, e estimula competências impactantes para a socialização, como cooperação, paciência e respeito”. Presença da família e da comunidade A alegria das festas juninas é algo que empolga não somente os estudantes, mas também seus familiares e, em alguns casos, ex-alunos e a comunidade vizinha às escolas. “Nossa festa junina é referência no bairro, pois é um momento em que várias gerações do Colégio Imaculado Coração de Maria se reencontram para aproveitar o festejo e participar da tradicional dança de quadrilha dos ex-alunos”, dizem os professores. O evento inicia com uma procissão, tendo a imagem de Nossa Senhora Aparecida à frente, levada por um colaborador, seguida pelos estandartes dos três santos juninos: Santo Antônio, São João e São Pedro. “É lindo ver toda a comunidade escolar atrelada a esse momento em que se celebra também nossa fé. Nós, educadores deste grande colégio, colocamos nosso saber e nosso coração em prol de uma educação verdadeira, que desenvolve a empatia, o respeito e o reconhecimento por esse patrimônio cultural que são as festas juninas”. No Colégio Espírito Santo, na capital paulista, um dos propósitos também é essa integração. “A nossa festa junina significa família, diversão e tradição. É um dia cheio de brincadeiras populares, comidas típicas e danças, que dão um toque de beleza. É um momento no qual as crianças apresentam o que aprenderam e resgatam o que
Solenidade da Santíssima Trindade

“O Espírito não falará em seu próprio nome”João 16,12-15 Hoje celebramos o mistério insondável de Deus, a Santíssima Trindade. Durante os primeiros séculos de sua existência, a Igreja tinha dificuldade para expressar em palavras o inexprimível: a natureza do Deus em que acreditamos. Chegou à expressão belíssima do Credo Niceno-Constantinopolitano, tão pouco usado nas celebrações de hoje, o qual celebra o Pai “criador de todas as coisas”; o Filho, “Deus de Deus, Luz da Luz, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro, gerado, não criado’; e o Espírito que “dá a vida e procede do Pai e do Filho”. Mas, mesmo essas expressões tão profundas não conseguem explicar a Trindade, pois, se Deus fosse compreensível à mente humana, não seria Deus. O Quarto Evangelho nos traz formulações muito bonitas referentes à Trindade, especialmente no último discurso de Jesus. Nesses capítulos (13 a 17), Ele é representado como o Paráclito, uma palavra grega que significa, em nossa linguagem, o Advogado da Defesa. Em diversos textos, João expressa a função do Espírito dentro da comunidade pós-ressurrecional. No capítulo 16, de onde se tira o texto de hoje, existe um trecho trinitário: os versículos 13 a 15 se referem ao Espírito; os versículos 16 a 22, a Jesus; os versículos 23 a 27, ao Pai. No texto de hoje, é enfatizada a função do Espírito de ensinar. Como no capítulo 14, num texto paralelo, esse ensinamento não trará nada de novo. Jesus já recebeu tudo do Pai, e o Paráclito recebe tudo de Jesus. Mas o ensinamento dele vai fazer com que os discípulos compreendam melhor o que significa o ensinamento que receberam de Jesus. Vai fazer com que eles “recordem” suas palavras e, assim, consigam colocá-las em prática. O termo “verdade” que se usa nesse trecho tem o mesmo sentido de outros textos do Quarto Evangelho, isto é, a fé em Jesus como a revelação de Deus e quem fala as palavras de Deus (João 3,20.33; 8,40.47). Dentro das limitações da linguagem humana, tentamos expressar o mistério da Trindade como “três pessoas em uma única natureza”. Mais importante do que encontrar fórmulas abstratas para expressar o que, no fundo, é inexprimível é descobrir o que a doutrina da Trindade pode nos ensinar para nossa vida cristã. Talvez o livro de Gênesis possa nos ajudar. Lá se diz que Deus “criou o homem à sua imagem; à imagem de Deus Ele o criou; e os criou homem e mulher” (Gênesis 1,28). Se somos criados na imagem e semelhança de Deus, é de um Deus que é Trindade, que é comunidade perfeita, na diversidade. Assim, só podemos ser pessoas realizadas conforme vivemos comunitariamente. Quem vive só para si é destinado à frustração e à infelicidade, pois está negando sua própria natureza. O egoísmo é a negação de quem somos, pois nos fecha sobre nós mesmos, enquanto fomos criados na imagem de um Deus que é o contrário do individualismo, pois é Trindade. No mundo pós-moderno, onde o individualismo social, econômico e religioso é tido como critério fundamental da vida, a doutrina da Trindade nos desafia para que vivamos nossa vocação comunitária, criando uma sociedade de partilha, solidariedade e justiça, no respeito do diferente do outro, pois fomos criados na imagem e semelhança desse Deus que é amor e comunhão. A festa de hoje não é de um mistério “matemático” (como pode ter três em um?), mas do mistério do amor de Deus, que nos criou para que vivêssemos comunitariamente na sua imagem e semelhança. Padre Tomaz Hughes, SVD, biblista e assessor da CRB e do Cebi. Dedicou-se a cursos e retiros bíblicos em todo o Brasil. Publicou diversos artigos e o livro “Paulo de Tarso: discípulo-missionário de Jesus”. Faleceu em 15 de maio de 2017. Suas reflexões bíblicas são muito atuais.
Apaixonados, nunca precisamos tanto de vocês!

Data criada mais para afagar o comércio, o Dia dos Namorados é celebrado, no Brasil, em 12 de junho, véspera da memória de Santo Antônio de Pádua, o famoso “casamenteiro”. Essa, entretanto, também pode ser uma ótima ocasião de avaliar como nós, cristãos e cristãs, estamos lidando com os casais apaixonados de todas as idades. Adianto: há muito a ser revisto por nós, na vida pastoral, social e familiar. Antes de escrever estas linhas, eu tinha o desejo de dar algumas dicas para os que se preparam para o matrimônio. Elas seriam baseadas em minhas experiências pessoais e de meu ministério de diácono na Arquidiocese de Belo Horizonte. Bem a tempo, dei-me conta de estar caindo na soberba. Melhor mesmo, para quase todos nós, seria suplicar a reconciliação com os próprios casais. Muitas de nossas comunidades de fé têm dívidas importantes com os namorados. Quantos já não tomaram uma bronca simplesmente por estarem de mãos dadas durante alguma liturgia ou circularem abraçados dentro de algumas de nossas instituições? A rispidez costuma vir de um moralismo sem fundamento, sem Evangelho, disfarçado de “zelo pela casa de Deus”. O amor dos namorados sacramentaliza, sim, o afeto de Deus pela humanidade. Em inúmeras passagens da Bíblia, o noivo é alegoria de Deus Pai ou de Cristo, a depender do contexto. A noiva, ora exuberante, ora anônima, ora pecadora a ser perdoada, é figura do povo, da Igreja. A celebração do matrimônio expõe, diante de nossos olhos, o mistério (sacramento) do Senhor que se derrete de amores por sua amada, antecipa-se e vai ao encontro dela no caminho (no corredor da igreja). Admirado por sua beleza, Ele a beija e firma com ela uma aliança. Para quem ainda não o fez, sugiro meditar, nessa ótica, o Cântico dos Cânticos. Assim, será fácil compreender o motivo de esse ser um dos principais textos de mística da história. Namorados, perdoem-nos por, muitas vezes, nós nos esquecermos de vocês em nossas comunidades de fé! Vocês costumam ser colocados de lado até na programação da Semana da Família, imaginem! No Dia dos Namorados, falamos mais contra o comércio aproveitador do que bendizemos a Deus pelo amor de vocês! Relevem nossa negligência, ao privá-los de espaço e tempo para ouvi-los e apoiá-los quando sofrem pelos desafios típicos desse tempo, como as discussões, as dúvidas, as fraquezas. Como perdemos em não lhes preparar um lugar digno em nossas paróquias, para saborearem juntos um sorvete. Queridos, lamentamos pelo descuido com vocês em tantos de nossos encontros vocacionais! Uma lástima! Como ainda temos coragem de falar de uma família cristã sólida sem um olhar carinhoso a vocês? Tenham misericórdia de nós! Nossas famílias também precisam (re)ver como lidam com os relacionamentos de seus filhos. Algumas se omitem, nem querendo saber com quem os seus estão saindo. Outras, por ciúmes ou superproteção, impedem ou embaraçam o desejo de seus filhos e filhas encontrarem a pessoa amada e com esta constituírem uma família. Quantos lares deixaram de surgir por isso! Também existem pais, mães e toda uma sociedade a forçar uma vocação matrimonial inexistente em alguns jovens, levando-os a uma vida de desventura. Uma pena! Vivemos tempos de culto idolátrico (inclusive por parte de “cristãos”) ao poder, à morte, à fome, ao “mercado”, às armas, à guerra. Assim, queridos casais apaixonados, precisamos muito de vocês! Clamamos por seu testemunho de beijos, abraços, conversas longas, ternas e “bobas”! Não se assustem com “D.R.” (no idioma namorês, “discutir a relação”), pois elas são normais na vida, quanto mais nesse tempo de discernimento. Ignorem os que confundem “namoro santo” com amor sem carícias. Quem inventou isso nunca namorou! Posso lhes garantir! Evitem o jejum de afeto! Apesar de tudo, não desanimem! Sejam muitíssimo bem acolhidos, bem-vindos em nossas comunidades de fé, em nossos encontros vocacionais, em nossos centros de apoio e pátios. Mesmo penitentes, ousamos abençoá-los. Louvado seja Deus por vocês! Dedico este texto a Tânia, minha namorada, com quem orgulhosamente sou casado (também, sim, temos nossas “D.R.”!). Obrigado por tudo! Eu te amo! Alessandro Faleiro MarquesDiácono permanente na Arquidiocese de Belo Horizonte, professor, editor de textos para as irmãs missionárias servas do Espírito Santo, membro da Equipe de Espiritualidade da Província Brasil Norte das SSpS.
As solenidades de Pentecostes e da Santíssima Trindade para as servas do Espírito Santo

“Cada um de nós deve esforçar-se para amar verdadeiramente o Espírito Santo de todo o coração e trabalhar na promoção de sua glória. Quanto mais o missionário fizer isso tanto mais o grande doador das graças, o Espírito Santo de Deus, abençoará seu trabalho” (Santo Arnaldo Janssen). As solenidades de Pentecostes e da Santíssima Trindade, respectivamente denominadas como festa titular e festa principal de nossa Congregação, têm a recomendação de que sejam celebradas com grande ênfase. Como herança de nossa geração fundante, no mundo inteiro, nós, missionárias servas do Espírito Santo, cultivamos a espiritualidade trinitária, com ênfase no Espírito Santo, vínculo de amor e sinal da unidade entre o Pai e o Filho. Em razão disso, ao aproximarem-se dessas datas, nossas comunidades se enchem de uma profunda alegria com os preparativos para bem celebrar essas festas. Nesta semana, enquanto justamente ajudava na ornamentação de nosso colégio com as chamas de Pentecostes, um aluno (novo no colégio) perguntou-me: “Irmã, por que você está enchendo a escola com esses foguinhos?”. Felizmente nem precisei responder, porque o coleguinha que estava ao lado, sendo um aluno que está conosco há mais tempo, respondeu, dizendo que era porque estávamos na semana de Pentecostes, e continuaram conversando sobre o assunto. Esse pequeno aluno, ao explicar ao outro, transmitia um sentido de pertença. O Espírito Santo é como esse movimento, um coração transmite ao outro, e assim “Nele vivemos, nos movemos e existimos” (At 17,28). Nossas constituições caracterizam Pentecostes como “consumação do mistério pascal, em que, pelo envio do Espírito Santo, a Igreja manifestou-se ao mundo pelo testemunho dos apóstolos”. Nas comunidades de missão onde estamos inseridas, empenhamo-nos ao máximo para quem estiver conosco possa também reconhecer a grandiosidade do amor e da presença do Espírito Santo em nossa vida. Quando retomamos a caminhada e o crescimento espiritual de nosso fundador Santo Arnaldo Janssen, vemos que Ele tinha uma grande preocupação: muitos ainda não conheciam o Espírito Santo. Isso o angustiava. Por isso recomendou às três congregações fundadas por ele que, na missão, fossem fiéis à devoção ao Espírito Santo e nada fazer sem antes o consultar. Ele, o Espírito Santo, é o dinamizador da missão, que constantemente atualiza em nós as moções e os apelos às necessidades que surgem no mundo. No primeiro Pentecostes, o Espírito Santo fez com que caíssem as barreiras da comunicação, permitindo que os apóstolos se comunicassem de maneiras diferentes, com uma linguagem que todos pudessem entender. Uma linguagem acessível, que aproxima, atrai e faz acontecer uma sinodalidade, um caminhar junto, como partícipes de um mesmo mistério de amor. Para nós, o desafio continua o mesmo: manter viva a transmissão da espiritualidade. Espiritualidade aqui quer significar aquela orientação fundamental de uma pessoa diante da realidade global, ou seja, de Deus e da humanidade. A espiritualidade trinitária, à qual me referi no início, é centrada no relacionamento entre o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Nela, encontramos o modelo de comunidade e de sociedade que somos chamadas a construir a partir do diálogo, da partilha, da comunhão. Assim, uma semana depois de Pentecostes, temos a Solenidade da Santíssima Trindade, chave central da nossa espiritualidade e razão de nosso carisma missionário: “Tornar Deus Uno e Trino conhecido, amado e glorificado por todas as pessoas!”. Viver o amor e a comunhão trinitária é cuidar para que todos os seres humanos possam viver com dignidade e com seus direitos respeitados, de acordo com a vontade de Deus. “Quanto mais venerarmos o Espírito Santo, mais seremos dignos de sua graça” (Santo Arnaldo Janssen). Irmã Roselene Ventura de Oliveira, SSpSProfessora no Colégio Espírito Santo, Canoas-RS.