Para a fome do corpo, o pão. Para a fome do saber, a educação

A cada ano, recebemos um convite para viver, em espírito de mudança pessoal, comunitária e social, o tema transversal nas escolas da Rede de Educação Missionárias SSpS. É ele que, ao ser incluído nos projetos pedagógicos, ajuda na compreensão e na construção de outra realidade social, dos direitos e responsabilidades relacionados com a vida pessoal e coletiva, e da afirmação do princípio da participação política. Ao nascer do tema da Campanha da Fraternidade, que, em 2023, traz ao centro a questão da fome, o tema transversal aponta para a necessidade da busca de ações conjuntas capazes de mudar essa realidade, garantindo a dignidade humana como direito básico. Em um país onde o mapa da fome revela que mais de 33% de sua população experimenta a triste e humilhante situação de não poder se alimentar nem de dar a seus filhos e filhas o sustento indispensável a cada dia, igualdade e fraternidade não podem continuar a ser as palavras mais temidas se, de fato, queremos construir e deixar para as futuras gerações o mundo desejado sobre o qual tanto falamos; afinal, onde aperta a fome, a fraternidade clama. Essa é a razão por que o Papa Francisco, sem rodeios, afirma não haver democracia se existe a fome, pois esta é um dos resultados mais cruéis da desigualdade e afeta inicialmente os mais necessitados, e atinge a sociedade por inteiro. Fome de pão, de paz, de fraternidade, de verdade, de cultura e de tantas outras “fomes” que somente o conhecimento, fruto de uma educação de qualidade para todos, será capaz de contribuir com soluções mais sustentáveis, garantindo a todos o acesso à alimentação e à educação. Que o tema transversal, “Para a fome do corpo, o pão. Para a fome do saber, a educação”, ajude a intensificar a vivência da solidariedade em nossos espaços escolares, ilumine nossos estudantes para que apliquem o conhecimento adquirido na busca de soluções criativas para a superação das grandes causas humanitárias, e que a cidadania solidária ajude a cobrar efetivamente de nossos governantes a realização de políticas públicas que garantam plenamente os direitos sociais de nossa Constituição. Agostinho Travençolo JuniorEducador e assessor da Dimensão Missionária da Rede de Educação Missionárias SSpS.

Viver a lei interior da caridade

“Se a vossa justiça não for maior que a justiça dos mestres da Lei e dos fariseus, vós não entrareis no Reino dos Céus” (Mt 5,20) A liturgia deste domingo nos apresenta um longo texto do evangelho de Mateus. É importante que descubramos a mensagem central, essencial e sumamente importante ali presente, se não quisermos correr o risco de nos enredar em cada detalhe, perdendo aquilo que, de verdade, Jesus desejava para as comunidades cristãs. O primeiro parágrafo já nos dá a chave de leitura de todo o texto. Mateus explicita a atitude de Jesus frente à Lei: “Vim para dar-lhe plenitude”; ou seja, Ele não se limita a analisar os detalhes da Lei, nem criticar alguns preceitos, mas dar plenitude e sentido profundo. E esta plenitude não significa melhorar a lei com novas normas que Jesus confrontaria com as antigas, por considerá-las mais perfeitas. A plenitude que o evangelho nos apresenta não vai na direção de “maior perfeição” da lei, mas de uma mudança radical: Jesus mesmo é a plenitude da Lei. Sua pessoa, sua identidade, sua mensagem, sua maneira de viver é a Lei mesma em sua plenitude. Por isso, acolhê-Lo, crer n’Ele, identificar-nos com Ele, vivendo como discípulos seus, nos torna “grandes no Reino dos céus”. Os evangelistas deixam claro que Jesus não vive centrado na Lei; não se dedica a estudá-la nem a explicá-la a seus discípulos. Nunca o vemos preocupado por observá-la de maneira escrupulosa. Certamente, não põe em marcha uma campanha contra a Lei, mas esta não ocupa um lugar central em seu coração. Jesus não foi contra a Lei, mas foi além da Lei. Quis dizer-nos que sempre temos que ir mais além da letra, da pura formulação, até descobrir o espírito da lei. “A lei mata, o espírito vivifica” (S. Paulo). Jesus busca a Vontade de Deus a partir de outra experiência diferente, ou seja, procurando abrir caminho entre os homens para construir com eles um mundo mais justo e fraterno. Isto muda tudo. A Lei já não é o decisivo para saber o que Deus espera de nós. O primeiro é “buscar o reino de Deus e sua justiça”. “Justiça” é um termo particularmente especial para Mateus, e que poderia ser traduzido como “ajustar-se ao modo de agir Deus” “sintonizar-se à sua vontade” – uma justiça que é infinitamente superior à Lei. Para ressaltar a “novidade” da mensagem de Jesus, o evangelista Mateus realça que “se a vossa justiça não for maior que a justiça dos mestres da lei e dos fariseus, vós não entrareis no Reino dos Céus”. O texto aponta para algo de grande profundidade e que toca uma questão básica do caminho espiritual: “a partir de onde eu vivo? vivo a partir da lei externa ou a partir do coração?” Os códigos morais insistem nas ações: “não matar”, “não cometer adultério”, “não jurar”. Mas, provavelmente, todos temos experiência de que é possível não ter cometido nada disso e, no entanto, vivemos com o coração endurecido, desconectado daquilo que é realmente importante. A mensagem de Jesus é radical pois quer chegar à raiz. E por isso nos confronta com nossa própria verdade interior. O evangelho deste domingo nos revela um Jesus que vem para dar plenitude à lei. Mas essa plenitude está muito distante do mero cumprimento externo: não matar, não cometer adultério, não jurar falso… Supõe ir mais adentro, mais a fundo, examinando nossas atitudes, nossas razões, nossos sentimentos e tudo aquilo que nos constrói e define como pessoas. É aí, no centro de nossa humanidade, onde conectamos com o espírito e o divino em nós; onde todos somos uno e nossas ações são um fluir dessa unidade interior. Viver a partir do “coração” significa viver a partir do amor que nasce da compreensão da unidade que somos, e que se modela na “regra de outro”: “faça aos outros o que gostaria que eles fizessem a você”. A nova situação que se instaurou a partir da vinda do Messias não é como a antiga aliança, a aliança da lei exterior ao homem; é, pelo contrário, a aliança da interioridade, a situação que se define pelas atitudes que brotam do coração. Há uma frase que se repete três vezes no texto deste domingo, e que, ao mesmo tempo, é novidade e ruptura. Certamente, ela se revelou escandalosa para muitos contemporâneos de Jesus, judeus fiéis à lei de Moisés, à qual consideravam-na como voz de Deus: “Vós ouvistes o que foi dito… Eu, porém, vos digo”. A novidade e a ruptura estão na afirmação: “Eu, porém, vos digo”. A força da expressão é o “eu”. Sua autoridade reside em sua pessoa. Sua maneira de ser e viver é nossa “lei” e referência. A partir de agora, cumprir a lei é crer n’Ele e segui-lo. A coerência de Jesus é a origem de sua autoridade; não é a dos escribas e fariseus que dizem, mas não fazem. O evangelho pede de todos nós uma mudança absoluta. É como se Jesus nos dissesse: “não fiques só em tuas ações, a lei está dirigida ao coração, ao interior de tua pessoa, às tuas atitudes profundas, às tuas razões para agir, aos teus sentimentos, àquilo que te constrói e te define como pessoa. Tu não podes te limitar em não atacar teu irmão; és chamado a amá-lo, compreendê-lo, perdoá-lo…” Com a novidade do anúncio e da prática de Jesus, realizou-se uma transformação radical nas relações do ser humano com Deus e com os outros. Esta transformação consiste em que o regime da observância da lei foi sucedido por outro regime, o regime filial, que comporta uma situação muito diferente. Por conseguinte, a nova situação consiste em que não só fomos libertados da lei, senão que, além disso – e sobretudo – Deus nos fez verdadeiros(as) filhos(as) seus(suas). Nesse sentido, as relações de intimidade familiar não se fundamentam a partir de um regulamento ou de uma codificação legal. Seria simplesmente absurdo que duas pessoas, que se amam, se pusessem a redigir um regulamento no

Na corrida frenética pelo ouro, quem paga o preço são os indígenas e a natureza

Desde os anos 1970, a Terra Indígena Yanomami (TIY) é cobiçada para a exploração do ouro não obstante a demarcação realizada em 1992. Com quase 10 milhões de hectares, a reserva em Roraima, com uma população de cerca de 20 mil indígenas vive uma crise sem precedentes que traz à tona o descaso do governo federal nos períodos de 2019 a 2022, de acordo com testemunhas que há anos vivem e labutam na defesa dos direitos dos Povos e da floresta. Se em 2014 os dados de adoecimento não superavam 2 mil, em 2022, esse número teve uma alteração de 10 vezes mais. A extração de recursos minerais, – como o ouro -, dos solos ou cursos d’água em escala ilimitada, – associado a organizações criminosas -, por meio de técnicas manuais ou de maquinários como retroescavadeiras e dragas tem sido a maior causa da crise humanitária que se instalou entre os Yanomami. Estudo conduzido por pesquisadores pelos Instituto de Pesquisas Espaciais (INPE) e da Universidade do sul do Alabama, EUA, revela que quase todo o garimpo ilegal (95%), se se dá em três terras indígenas, Kayapó, Munduruku e a Yanomami, a mais afeta pela ilegalidade. Rica em depósitos de ouro, soma uma população de 26 mil Yanomami e Ye’kwana, distribuídos em 321 aldeias. Não é um cálculo difícil de se fazer para este problema matemático, social, político e ambiental. Nesse meio de campo quem tem mais recursos e forças na disputa, sai na frente. Os garimpeiros, por sua vez, contam com uma megaestrutura favorecida por poderes econômicos, elites locais e o aumento do preço do ouro no mercado internacional, e ainda teve garantido o apoio do governo anterior que durante o mandato favoreceu o transito no parlamento de um projeto de lei para regulamentar, abrir as terras indígenas ao garimpo, o  que é inconstitucional. O missionário da Consolata ugandês, no Catrimani desde 2019, padre Bob Mulega, 34, enfatiza que os garimpeiros, também eles, são vítimas de um sistema de exploração dos povos e da natureza. “Os que atuam nos garimpos ilegais são os mais pobres que não tem outra opção, pois sabemos que no garimpo as condições de vida são péssimas”, conta. Como uma ferida aberta no coração da floresta, uma estrada de 10 km que adentra o território Yanomami para o desmatamento e as grandes crateras abertas  que desnudam a terra na busca de fortuna, tem consequência drástica na vida, na cultura e na espiritualidade e na saúde física  dos povos indígenas e, por outro lado, uma contaminação sem precedentes que devasta a natureza na sua  limpidez.  “Os postos de saúde ficaram desabastecidos de remédios básicos como dipirona, paracetamol, remédios para tratamento da malária. Mais de 500 crianças morreram por patologias que são curáveis.  Abandono completo do posto de saúde usado como posto de combustível pelos garimpeiros”, desabafa em entrevista o padre Corrado Dalmonego, IMC, que realiza pesquisa de doutorado sobre os impactos do garimpo no território. Como uma rede de violação dos direitos humanos, o garimpo além de prejudicar a saúde por transmissão de doenças e por favorecer a negação dos devidos cuidados, impedindo a entrada de recursos, da presença dos missionários, desestrutura a vida familiar, quando se trata das questões de prostituição imposta às mulheres em troca de benesses. Quem adentra a floresta tem uma visão de ambição pelas riquezas naturais com o objetivo de obter lucro em detrimento do bem-viver da floresta e das pessoas que ali convivem em harmonia com ela. O garimpo afeta esse modo de vida. Para o padre Mulega, “a vida do povo tem piorado por causa do contato com as doenças que vêm de fora, a extração ilegal que destrói o meio ambiente, falta de assistência e atendimento adequado à saúde”.  Uma séria consequência disso é a migração dos jovens indígenas para a cidade que, segundo o missionário os atrai para o mundo das drogas e outros contra valores. “Os empresários e políticos precisam ser responsabilizados pela tragédia do garimpo”          Vale recordar que juntamente com os povos originários e a natureza, as pessoas que estão com a mão na massa extraindo o ouro, pobres, marginalizadas, também elas pagam e pagarão alto preço por suas ações, porque como dizem os antigos, “a corda sempre arrebenta pelo lado mais fraco”. Mas para a liderança católica, membro do Conselho Indigenista de Roraima, Gilmara Fernandes, os verdadeiros responsáveis pela tragédia do garimpo precisam ser responsabilizados e, do outro lado, o governo precisa dar atenção aos pobres garimpeiros que estão saindo das terras Yanomami. “Os que estão lá embaixo, trabalhando no garimpo, os mineiros, são a ponta do iceberg. Aqueles que dão a logística, a manutenção, a alimentação, que financiam, – que são os empresários e os políticos -, eles é que precisam ser responsabilizados, investigados”. Sem essa infraestruta os garimpeiros não conseguem viver dentro do território. Ainda, segundo Fernandes, é preciso se perguntar sobre a vida desses garimpeiros pós- saída deste trabalho financiado. Em 1993, garimpeiros foram tirados da terra indígena, porém, se tornaram agricultores, conseguiram acesso à terra, entraram em projetos de reforma agrária, mas hoje, com a chegada da soja, os valores da terra aumentaram significativamente. “A maioria das terras em Roraima está concentrada nas mãos de políticos, empresários, grandes produtores de soja, sendo impossível compra-la. Para onde eles irão, como manterão suas famílias? O governo precisa pensar nessas pessoas que saem do garimpo e vão para os municípios, que voltam para as suas casas ou vão para outras áreas de garimpo”, enfatiza. A vida yanomani por trás das Câmeras Daquilo que as câmeras não captam, tem conhecimento de causa os missionários da Igreja Católica que há mais de 50 anos convivem com os Yanomami, no Catrimani.  Para Mulega os Yanomami são uma sociedade bem estruturada à sua maneira, a partir das suas crenças, do seu modo de conceber a vida e a criação. A forma e os horários de alimentação, as regras para bem-vive em sociedade, o cuidado com a natureza, o lugar das mulheres e das crianças, o papel

Missionários e missionárias indonésios participam de encontro em Brasília

A convite do embaixador da Indonésia no Brasil, Eddy Yusuf, missionários e missionárias, católicos e muçulmanos, provenientes do país asiático se encontraram para partilhar experiências. A reunião foi realizada entre os dias 30 de janeiro e 3 de fevereiro, em Brasília-DF, e ressaltou a unidade na diversidade. Os dias foram de muitas atividades e partilhas entre os missionários e o embaixador. Estiveram presentes 49 missionários e missionárias que trabalham em todas as regiões do Brasil. No caso dos católicos, havia representantes de dez congregações: missionários do Verbo Divino (SVD), irmãs missionárias servas do Espírito Santo (SSpS), irmãs da Divina Providência (SDP), passionistas (CP), servas de Maria de Galeazza (SMG), irmãs discípulas de Jesus Eucarístico (DJE), salesianos de Dom Bosco (SDB), xaverianos (SX), scalabrinianas (MSCS) e carmelitas (O.Carm.). O grupo recebeu uma saudação especial do Pe. Budi Kleden (Superior-Geral da SVD). Por meio de videoconferência, ele conduziu uma reflexão sobre como estar numa missão sem perder a identidade da terra natal. “Durante esses dias, parecia que estávamos na Indonésia. A equipe da embaixada ofereceu as refeições com comidas típicas. Tudo foi preparado com muito carinho”, conta a irmã Yustina Sri Ratna Giri, SSpS. Yusuf ressaltou a persistência de cada missionário e missionária. “Somos os embaixadores da nação. Para deixar a Indonésia orgulhosa, precisamos dessa colaboração e reunião como o primeiro passo para nossa colaboração de criar unidade e fazer a maior contribuição para deixar orgulhosa a Indonésia.” Também estiveram presentes o secretário-geral da CNBB, Dom Joel Portella Amado; a presidente da Conferência dos Religiosos do Brasil (CRB), irmã Eliane Cordeiro de Souza; e o diretor do Centro Cultural Missionário (CCM), Pe. Djalma Antônio da Silva, SVD. “A presença deles nos motivou e nos animou. Esperamos que, onde quer que estejamos, tenhamos sempre esperança e a paciência para obter e espalhar essa paz aos que dela necessitem. Nosso dever é continuar o sonho de Deus. Somos missionários que vêm de diferentes culturas e origens, mas têm um coração para servir”, diz Ir. Yustina. Vida e missão no Brasil Para motivar os missionários e missionárias que chegaram recentemente ao Brasil, aqueles com mais tempo no País partilharam suas experiências de conquistas e dificuldades. Segundo Pe. Ferdinand Doren, coordenador das atividades, o grupo refletiu sobre como os missionários, com a própria bagagem cultural, podem contribuir com a Igreja e a sociedade, e se aproximar dos diferentes “Brasis”. No dia 2 de fevereiro, a missa pela Festa da Apresentação do Senhor foi marcada com danças e cantos indonésios. A celebração contou com a participação dos missionários, da equipe da Embaixada e dos fiéis da Paróquia São Sebastião, localizada no Gama-DF. Em seguida, houve uma noite cultural. Segundo o embaixador, 360 cidadãos indonésios estão registrados no Brasil, e 35% deles são missionários católicos. “A Indonésia é a minha amada pátria, uma herança eterna e gloriosa. Seu nome viverá sempre em nossos corações”, declarou Ir. Yustina. Equipe de Comunicação SSpS Brasil.

O que em nós precisa ser evangelizado?

Há algo em nós que precisa ser evangelizado? Façamos uma breve “pesquisa” honesta e tenhamos a coragem de olhar-nos de frente, sem subterfúgios. A seguir, um breve roteiro. Todos temos consciência de nossas finitudes e fragilidades que se manifestam em nossas atitudes e comportamentos. Por exemplo: em nossas mazelas; em nossos apegos; em nossos egoísmos; em nossas manias de julgamentos apressados sobre os outros; em nossos humores alterados; em nossas mágoas carregadas de rancores; em nossas malícias sensuais; em nossos preconceitos; em nossas percepções distorcidas da realidade interpretadas como reais; em nossa avidez por prestígio; em nossas prepotências em relação aos outros; em nossos apegos exagerados aos bens materiais; em nossas relutâncias em sermos solidários; em nossa indiferença diante do sofrimento alheio; em nossa preguiça em discernir à luz da Palavra de Deus; em nossa autossuficiência; enfim, em nossos pecados. Eis aí uma pequena lista de aspectos que precisam ser mais bem evangelizados em nós. Nosso discurso religioso de cristãos nos remete sempre ao Evangelho. É ele o referencial para uma vida realmente digna, ele nos mostra o caminho da verdade. Se olharmos os itens apontados acima, veremos que, em muitos deles, estamos com notas vermelhas, reprovados, precisando de recuperação. Cada um sabe onde sua fraqueza predomina, seu “espinho na carne”, em que precisa melhorar, ser mais autêntico e transparente. O caminho para a santidade é exigente. Ninguém está dispensado do esforço de conversão. Cotidianamente, nós nos deparamos com nossas fraquezas, e elas sugerem que temos caminho pela frente que exige empenho e compromisso. A vivência do Evangelho está ao alcance de todos, mas é preciso assumi-lo com convicção e seriedade. Muitos de nós cristãos o somos somente em palavras, sem comprometimento de coração. Salvam-se as aparências com algumas rezas ou ações beneficentes, mas a vida mesma está longe do compromisso fiel e perseverante com as exigências evangélicas. Fazendo um pequeno teste, podemos nos expor, por exemplo, ao Evangelho, quando nos diz: ame seus inimigos e reze por eles. Perdoe até setenta vezes sete. Vista o desnudo, dê de comer a quem tem fome. Não julgue. Visite o doente. Quem quer ser o maior seja o que mais serve! Diante do Evangelho, não temos aposentadoria, isto é, permitirmo-nos à indiferença porque já rezamos tanto e fizemos tanta caridade. Como se vê, temos muito a evangelizar em nós mesmos! Pe. Deolino Pedro Baldissera, SDSPadre salvatoriano há 43 anos, professor e psicólogo pela Universidade Gregoriana de Roma, com mestrado em Psicologia e doutorado em Ciências da Religião. Atualmente é pároco em Videira-SC.

Somos luz e sabor

“Vós sois a luz, vós sois o sal…” O evangelho deste domingo é a conclusão das bem-aventuranças, proclamadas no domingo passado. Jesus faz uma afirmação lapidar: “vós sois o sal, sois a luz”. O artigo determinado nos adverte que não há outro sal, que não há outra luz. Todos têm direito a esperar algo de nós. O mundo dos cristãos não é um mundo fechado e à parte. A salvação que Jesus propõe é a salvação para todos. É preciso que a única história, o único mundo fique temperado e iluminado pela vida daqueles(as) que seguem a Jesus. Mateus nos traz uma mensagem de muita transcendência para o discipulado. Este texto pertence ao Sermão da Montanha no qual transparece a intenção de Jesus de construir uma nova comunidade, aquela que decide pertencer ao movimento de vida iniciado por Ele, identificando-se com o modo de ser e viver do Mestre da Galiléia. Aqui está a verdadeira identidade dos seguidores(as): ser presença que ilumina e dá sabor à realidade carregada de tantos conflitos e divisões. A originalidade desta nova comunidade não está centrada na pertença a uma nova religião, com seus ritos, leis, doutrinas, hierarquias…, mas no fato de prolongar o movimento humanizador iniciado por Jesus. Movimento de inclusão de todos, movimento que põe em questão toda forma de submissão, movimento que abre um horizonte de esperança e de vida. É importante destacar que as palavras de Jesus dirigidas ao discipulado não são uma promessa, mas uma realidade existencial, porque lhes diz que já são “sal da terra” e já são “luz do mundo”. Ele utiliza estas duas imagens para que todos compreendam que estão equipados de sabedoria e luz para iniciar este caminho. O sal não tem valor para si mesmo, mas para conservar e dar sabor, para diluir-se no processo da vida da terra. Não somos sal para nós, para um pequeno grupo, mas sal para a terra inteira. Ser luz… Tampouco a luz tem valor em si mesma, mas para iluminar os outros. Devemos cair na conta de que Jesus não pede para salgar ou iluminar, mas ser sal, ser luz. O matiz tem sua importância. A missão fundamental de cada um está dentro dele mesmo, não fora. A preocupação de cada um deve ser alcançar a plenitude humana. Se é sal, tudo o que ele toca ficará temperado. Se é luz, tudo ficará iluminado ao seu redor. Com demasiada frequência o cristã acredita ser sal e luz, mas sem dar-se conta de que perdeu toda capacidade de dar sabor e iluminar a vida, porque é sal insosso e luz tímida. O simbolismo do sal aqui é extraordinário: ele não pode salgar a si mesmo. Sua capacidade não lhe é útil para nada. Mas é imprescindível para os outros. É para ser acrescentado a outro alimento, é para ressaltar seu sabor. O humilde sal é feito para os outros, para que os outros sejam eles mesmos. Ele garante o sabor, com a condição de que se dissolva. O sal serve para ativar o sabor dos alimentos; não é o sal que “dá sabor”, mas é ele que realça o sabor de cada alimento. As palavras “sabor” e “sabedoria” tem a mesma raiz do verbo latino: “sapere”, que significa, ao mesmo tempo, tanto “saber” quanto “ter sabor”. Assim como está o sabor para os alimentos, também está o sabor da vida. Sabedoria rica e nova: o coração é “sábio” quando sabe “saborear a verdade”, quando é livre, quando intui a direção da própria existência, quando se sente “seduzido” pelo que é verdadeiro, bom e belo. Saber é experimentar o gosto das coisas. Saber é sentir o sabor. “Sapiencia” quer dizer conhecimento que tem sabor. Segundo a Anotação 2 dos EE, “não é o muito saber que sacia e satisfaz a pessoa, mas o sentir e saborear as coisas internamente”. Portanto, sabedoria é a arte de degustar, distinguir, discernir… O sábio é aquele que conhece, não com a razão, mas sente o gosto daquilo que já está dentro dele. Sábia é a pessoa que sintoniza atentamente seus ouvidos aos desejos do coração. “Onde está a sabedoria que perdemos no conhecimento?” (T.S. Eliot). A verdadeira sabedoria, portanto, nos ajuda a descobrir a profunda raiz da vida e como investir, da melhor maneira e em sua justa medida, nossas energias vitais. Mas, há um forte alerta: “se o sal perde seu sabor, com que se salgará?” Esta frase é um provérbio usado na literatura rabínica pois se refere a um sal extraído do mar Morto e que perdia seu sabor muito rapidamente. Agora, Jesus situa o discipulado diante de uma grande responsabilidade: a inutilidade de uma fé centrada na razão e não vivida a partir da profundidade humana. Viver o seguimento a partir de uma fé focada na doutrina gera ideologia; mas, quando é vivida como raiz existencial gera sentido para chegar a ser o que somos em potencialidade. O tema da luz é muito frequente na Bíblia. Partindo de um dado experimental, descobre-se sua importância para o desenvolvimento da vida. Não só porque a luz é imprescindível para a vida, mas porque o ser humano não pode desenvolver-se na escuridão. Daí que a luz tenha se convertido no símbolo da vida mesma e de tudo o que a rodeia. Assim como a escuridão se converteu no símbolo da morte e de tudo o que a provoca. A escuridão nos paralisa; tudo está aí, mas não podemos nem nos mover. A pequena luz põe as coisas em seu devido lugar, nos faz capaz de contemplar a beleza presente em tudo. É como o primeiro momento da Criação: “Faça-se a luz”, e a partir daí o caos foi se transformando em cosmos. Quem segue Aquele que é a Luz, reacende a faísca de luz dentro de si e se torna reflexo da Luz de Cristo. A vida inspirada pelo seguimento é um “caminhar na Luz”. “Deus é luz e nele não há treva alguma” (1Jo 1,5). Deus revela, potencializa, ilumina, dá sabor. A

Sobre andar com fé…

Já se foram mais de sete décadas, e essa “senhora” de 74 anos ainda tem muito o que nos ensinar. E diria mais, segue inspirando, e seu conteúdo se torna cada vez mais atualizado e essencial. Para encarar retrocessos por aqui e pelo mundo afora, nunca foi tão urgente revisitar a Declaração Universal dos Direitos Humanos, essa sábia “senhora”, nascida em 1948. Eu destacaria seu artigo inicial: “Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos. São dotados de razão e consciência, e devem agir em relação uns aos outros com espírito de fraternidade.” Uma mistura de liberdade, dignidade, igualdade, razão, consciência e fraternidade em defesa da vida. Uma poderosa seta que indica caminhos e não permite atalhos nem arranjos que coloquem vidas em risco, que tem potência para reescrever nossa realidade mundial. Sigo escrevendo, com a permissão de quem pretende destacar a liberdade de crença nesse cenário de retrocesso, trazendo a discussão de uma maneira simplificada e que possa implicar a muitos. Agora, desatacaria o artigo 18 da Declaração: “Todo ser humano tem direito à liberdade de pensamento, consciência e religião; esse direito inclui a liberdade de mudar de religião ou crença, e a liberdade de manifestar essa religião ou crença pelo ensino, pela prática, pelo culto em público ou em particular.” Também trago para o diálogo a nossa jovem Constituição Federal de 1988, que, em seu artigo 5º, inciso VI, estabelece: “É inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias.” Diante de fatos que se acumulam, faço coro à indignação do Papa Francisco: “Como é possível que hoje muitas minorias religiosas sejam discriminadas? Como permitimos que as pessoas sejam perseguidas simplesmente por professar publicamente sua fé?”. Uma mistura de intolerância, discriminação, perseguição se opõe à liberdade de religião ou de crença, coloca em risco a coexistência pacífica e nos afasta da fraternidade. Supondo que, numa dimensão transcendental, na rota da fé e da livre expressão religiosa, iríamos nos tornar mais fraternos e complacentes com as diferentes concepções e visões de mundo, o que se vê é a intolerância e a discriminação ganhando força. Ao que parece, ao ferir a liberdade religiosa, colocamos em risco toda a humanidade e enfraquecemos os pilares da cultura de paz, da diversidade e da preservação da dignidade humana. Há de se encontrar e alargar os campos de intercessão que existem entre as mais diversas expressões religiosas, de crença, de culto e de fé. O que nos diferencia deve ser mediado pelo diálogo respeitoso e construtivo. De mãos dadas com a Declaração Universal dos Direitos Humanos, vamos seguir construindo pontes e estradas que levem ao caminho do diálogo, do respeito, da paz no mundo e da dignidade humana. Como brasileiros, frutos da terra rica em diversidade de tradições e doutrinas, podemos mostrar ao mundo que andar com fé tem muitos caminhos. Maria José Brant (Deka), assistente social, analista de políticas públicas na Prefeitura de Belo Horizonte-MG, mestra em Gestão Social, mosaicista nas horas vagas.

As três grandes missões dos batizados e o papel da comunidade

Em 2023, a Festa do Batismo do Senhor, uma data móvel, é celebrada em 9 de janeiro. Normalmente, essa liturgia ocorre no domingo, mas, por variações do calendário litúrgico no Brasil, neste ano, cairá numa segunda-feira. Com ela, encerra-se o Ciclo do Natal. No dia seguinte, começa o Tempo Comum (eis uma dica para quem quer saber quando guardar a árvore de Natal e o presépio). Como ocorre com datas importantes da Igreja, sobretudo as que comemoram eventos da vida de Jesus, os ritos são belíssimos. Em muitas comunidades mundo afora, o povo costuma ser aspergido com água benta, e crianças são batizadas. Considero a celebração do batismo uma obra de arte. Se conduzida com o devido esmero, mergulhamos bem na beleza de muitas das bases de nossa fé, na graça de um Deus a nos tocar e a nos confiar algumas nobilíssimas incumbências, visto que somos configurados a quem veio para servir (cf. Marcos 10,45). Eu gostaria de destacar a unção com o crisma, feita logo após o banho na água sagrada. O gesto sinaliza três preciosas missões a emanarem de Jesus: “Que Ele (Deus Pai) as consagre com o óleo santo para que, inseridas em Cristo, sacerdote, profeta e rei, continuem no seu povo até a vida eterna”, diz um trecho da prece recitada nessa hora. Eu gostaria, portanto, de sublinhar, de modo resumido, cada um desses três pontos. 1. Sacerdotes em Cristo Todos os batizados, batizadas, porquanto “enxertados” no Mestre, ganham a dignidade do chamado sacerdócio comum dos fiéis, este que nos une a todos: leigos, ordenados ou consagrados. Pela vocação batismal, somos igualmente filhos e filhas de Deus, mesmo com diferentes responsabilidades. Em Jesus, podemos nos ofertar ao Pai, à Igreja, orar em favor do próximo, assumir o Templo-Cristo. No Senhor, não há mais o véu a nos separar (cf. Marcos 15,38), pelo qual passavam apenas alguns “privilegiados”. 2. Profetas em Cristo As palavras “profeta” e “profecia” andam muito mal-usadas, inclusive entre os cristãos católicos. O termo significa “porta-voz”. O profeta, a profetisa não age ou fala por si, mas como Deus deseja. Exercer a profecia, por atos e palavras, costuma dar trabalho. Muitas vezes, percorrer nos caminhos de Deus significa andar na contramão de várias coisas do mundo, sendo um “incômodo” para os injustos e perseguidores. O profeta anuncia o reinado do Senhor, por ser sábio, sabe falar e se calar na hora certa, também busca antes ouvir e falar com Deus, pede ao Mestre coragem para denunciar as trevas que apequenam o ser humano. 3. Reis em Cristo A terceira missão dos recém-admitidos ao Corpo de Cristo é a de reinar, mas não em trono dourado, e sim na cruz, tal como o Senhor. Os batizados e as batizadas precisam ser os reis, as rainhas do serviço. Esse é o motivo pelo qual os cristãos devem, sim, construir uma sociedade melhor, cuidar do ser humano, da natureza, devem colaborar para uma Igreja melhor, para ela ser, de fato, um sacramento de Deus para o mundo, como deseja o Concílio Vaticano II. O reinado e a profecia em Cristo jogam por terra a famigerada ideia, defendida por opressores do povo e da natureza, de que a Igreja deve se preocupar apenas com temas de sacristia. Apoio da comunidade Como esperar tarefas tão grandiosas de um neófito (palavra de origem grega cujo sentido é “brotinho”)? A própria liturgia batismal dá essa resposta. Ao longo da celebração, pais, padrinhos e outras pessoas são convocados a ajudar os pequenos a crescer na fé, pela observância dos mandamentos e pelo exemplo de vida na Igreja, a família dos seguidores de Jesus. As crianças aprenderão a ser sacerdotes, profetas e reis pelo testemunho dos outros batizados e batizadas. Reforço: estes, solenemente, prometem ser uma comunidade de fé e de amor para os recém-chegados, renunciam ao pecado, a tudo o que causa desunião, ao próprio demônio. Como todos nós perdemos quando essas promessas se tornam apenas palavras soltas, ditas no “piloto automático” ou sem a mínima consciência! O dia do mergulho em Cristo não é uma formatura, mas o início de uma caminhada sem fim. Essa liturgia é uma ótima oportunidade de conversão para os já iniciados. Humildes e frágeis, as crianças, a seu modo, nos questionam sobre como assumimos nosso estado indelével de verdadeiros filhos e filhas de Deus. Volto ao próprio ritual, desta vez a um doce, mas exigente trecho do rito da luz: “Queridas crianças, vocês foram iluminadas por Cristo para se tornarem luz do mundo. Com a ajuda de seus pais e padrinhos (e de todo o povo, eu acrescentaria), caminhem como filhos e filhas da luz”. Alessandro Faleiro Marques

Querido diário!

Passando aqui, rapidinho, no primeiro dia do ano de 2024, para conversar sobre a vida em 2023. Hora de fazer o balanço das promessas e atitudes, dos desejos e dos planos para esse ano ímpar. Primeiramente agradecer porque 2023 chegou ao fim e virou páginas que desejaríamos apagar. Lembra-se daquela promessa de ir para academia? Até tentei, mas ainda não deu! Aquela minha tia, para quem eu disse que ligaria toda semana, não conheceu meu afeto virtual. Está com Alzheimer e não se lembra mais de mim. Deu para se aproximar de Deus, nas orações diárias, nas presenças na vida comunitária da igreja de meu bairro. As árvores que desejei plantar, ainda não o fiz! Agora não gasto tudo o que ganho. Não comprei tudo o que gostaria e, a cada dia, quero menos coisas. Do bacon ainda não me despedi… Aquele trabalho voluntário até foi retomado, mas não com a disponibilidade que deveria. Respirei fundo e renovei meu olhar todas as vezes em que aquela pessoa que me fazia revirar os olhos chegou perto de mim. Lembra-se de uma amiga que me rondava feito urubu? Eu a tirei de minha vida. Coloquei pontualidade em minha correria. Passei a acordar mais cedo, para conseguir ser gentil no trânsito. Rezo toda noite, todo dia! Estou aprendendo a rezar o terço… Checkup médico em dia! Cada vez menos, eu deixo a pia adormecer com louças sujas. Ainda não aprendi a fazer pão caseiro e a produzi-lo toda semana. Meu coração segue batendo forte sempre que sigo vendo as crianças crescendo com dignidade. Existe vida virtual, mas o abraço presencial foi resgatado com sucesso. A saudade virou motivo de orgulho, pois só a tem quem amou! Ops! Era para eu dar boas-vindas para 2023! E saiba que foi o que eu fiz! Vamos vislumbrar 2023 construindo, a cada dia, a história que desejaremos contar na próxima virada. Que seja um ano de encontros, e que a fé na vida seja renovada, seja lá quantas e quais forem as linhas escritas pelo Criador neste ano que virá! Que nos encontre disponíveis e encantados! (Esse texto contém licença poética e brinca com o tempo! Que venha 2023!) Maria José Brant (Deka), assistente social, analista de políticas públicas na Prefeitura de Belo Horizonte-MG, mestra em Gestão Social, mosaicista nas horas vagas.

Fim de ano e início de ano

Na história de cada um e na universal, todos os anos, celebramos um fim de ano e um ano novo. Cada vez, renovam-se as esperanças de que algo novo aconteça no ano novo. Ninguém quer celebrar a vida com tristeza e desesperança. Muito embora haja pessoas que, devido a doenças ou outros fatores, temem que o próximo ano seja o último de sua vida que durou os anos que tem. Mesmo assim, espera-se que o ano novo renove as esperanças e dias promissores apareçam. A contagem do tempo é assim. Medimos em dias, meses e anos. O mundo existe há milhões de anos, ninguém sabe ao certo. A história humana tem várias hipóteses que apontam para números calculados pela matemática especializada. Recentemente (!) nossa história mudou a contagem dos anos a partir da data do nascimento de Jesus. Ficou estabelecido em “antes” e “depois”. É daí que dizemos que o ano novo será 2023. A história assim mudada marcou um fim e iniciou um novo começo. Um fim do tempo de espera do Messias e um começo de sua presença salvadora no meio de nós. Se a data assim mudada se revestiu de sentido novo, então, ao celebrarmos um ano novo, temos como referência esse acontecimento, que, para nós, cristãos, é histórico. Deus se encarnou no meio de nós. Jamais houve fato assim e nunca mais haverá outro a não ser por ocasião de sua segunda vinda. Esse fato histórico abriu uma história nova que nos permitiu restabelecer contato com Deus e fazer com ele comunhão, e vivermos com esperança de que a vida não acaba nunca. A morte é apenas uma despedida deste mundo para uma mudança para outro nível, o da eternidade. Lá não celebraremos mais ano novo, porque tudo será novo e eterno. Enquanto nossa vez não chega, e ninguém tem pressa quanto a isso, vamos celebrando um novo ano, desejando uns aos outros o feliz Ano Novo, com festa e alegria. Afinal, celebrar a vida é sempre bom, melhor ainda quando ela está em paz, limpa de ódios e rancores. Ano novo é para ser novo mesmo, não apenas mudança de data no calendário. Para que isso aconteça, é necessária uma atitude interior, que brote do coração, sem fingimento, acreditando de verdade em dias melhores, começando com a melhora de si e com a contribuição de cada um. O mundo se renova conforme nós agimos com positividade, reconhecendo os próprios limites, mas também acreditando que podemos pôr o nosso lado bom a serviço dos outros, construindo uma convivência mais sadia. Então, que venha o novo ano, trazendo felicidade e assim vamos desejando uns aos outros FELIZ ANO NOVO! Pe. Deolino Pedro Baldissera, SDSPadre salvatoriano há 43 anos, professor e psicólogo pela Universidade Gregoriana de Roma, com mestrado em Psicologia e doutorado em Ciências da Religião. Atualmente é pároco em Videira-SC.

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