Jovens se preparam para a Missão sem Fronteiras

Estamos nos aproximando da II Missão sem Fronteiras, promovida pela Rede de Educação das Missionárias Servas do Espírito Santo (SSpS). Neste ano, será em Belo Horizonte-MG, de 28 a 30 de junho. O projeto nasceu com o desejo de ser um jeito novo de a juventude fortalecer seu protagonismo como agente de transformação e de esperança, diante de realidades que clamam por dignidade e justiça. Tudo começou com um pequeno grupo do Colégio Sagrado Coração de Jesus que, depois de implantado, ganhou nova e maior proporção, tornando-se um encontro interescolar. A primeira edição, que reuniu 43 jovens das quatro escolas da Rede SSpS, deixou marcas importantes e foi uma experiência muito bonita na vida de cada participante. Experiência marcada pela convivência, solidariedade, resolução de conflitos e ajuda aos imigrantes. O encontro dos alunos tem como objetivo evangelizar a juventude com base na ação missionária dos jovens, da espiritualidade trinitária da Congregação das Missionárias SSpS, em comunhão com a realidade global e com os excluídos dessa realidade. A ideia, de forma especial neste ano, vem ao encontro da Campanha da Fraternidade e do tema transversal que permeia nossa ação pedagógica, a busca por direitos, justiça e pelo bem comum. Ao aproximar-se o encontro, cresce a expectativa dos alunos e educadores envolvidos na edição de 2019, que tem como tema “Rompendo fronteiras para construir a justiça e o bem comum”. Primeiro, por ser um encontro com pessoas de diferentes lugares e com novas realidades; segundo, por partir do desejo vivo de cada jovem, que é tornar o mundo um lugar melhor. Por esse motivo, a proposta de identidade visual também harmoniza com o espírito que anima a missão. O conceito utilizado foi o de permear, atravessar as fronteiras. A ideia é trilhar um caminho para que as fronteiras não existam, um mundo no qual se possa viver, realmente, sem elas. Por isso o balão com a ideia de ser o transporte, afinal, quando a visão é de cima, não há limite. Algo que faça referência à afirmação de que “no céu não existe fronteira”, que cabe tanto no sentido literal quanto figurativo. Além disso, ele é meio de transporte para uma passagem mais leve, simbolizando a leveza de se espalhar o carisma. Assista ao depoimento da jovem Bruna Lopes de Souza, do Colégio Sagrado Coração de Jesus, que participou da Missão sem Fronteiras do ano passado, em São Paulo-SP. Agora ela se prepara para o evento que será em sua própria escola.
E para você, quem é Jesus?

Essa é a questão central do Evangelho deste domingo. Jesus se reúne com seus discípulos e pergunta: “E para vocês, que sou eu?”. No vídeo, o biblista Luiz Catapan aprofunda o Evangelho de Lucas e comenta a resposta de Pedro: “Tu és o Messias de Deus!”. Se, de fato, acredito em Jesus, devo seguir seus ensinamentos, e isso traz consequências. Ele pode transformar minha vida, tornando-a plena de sentido. Confira assistindo ao vídeo.
Uma comunidade para amar e servir

Na Comunidade Madre Maria, em Belo Horizonte-MG, vive um grupo de missionárias servas do Espírito Santo, quase todas octogenárias e muito animadas. As dificuldades próprias da idade não as impedem de continuar a missão. Cada uma assume, de acordo com suas possibilidades, o trabalho que consegue fazer na comunidade e ainda marcam presença na paróquia, na visita aos enfermos no hospital e no serviço aos mais pobres. Neste vídeo, você terá uma ideia de como vivem as irmãs, em seu cotidiano de serviço, oração e convivência entre elas e com outras pessoas. Elas expressam, com alegria, como são missionárias nesta etapa da vida e como buscam amar e servir nas pequenas coisas de cada dia. Assista e deixe-se surpreender.
Semana do Migrante convida a acolher e integrar

De 16 a 23 de junho, em todo o Brasil, está sendo realizada a 34ª Semana do Migrante. Estão previstas atividades relacionadas ao tema “Migração e políticas públicas”, retomando a Campanha da Fraternidade deste ano. O lema escolhido é um convite ao compromisso com a causa dos migrantes: “Acolher, proteger, promover, integrar e celebrar. A luta é todo dia”. O Dia Mundial do Migrante é 29 de setembro, mas, no Brasil, comemora-se o Dia do Migrante em 19 de junho. Assim, este é um mês bastante movimentado para todos os que estão envolvidos na Pastoral dos Migrantes ou no apoio às suas lutas. Também as missionárias servas do Espírito Santo estão engajadas nessa missão e, em São Paulo-SP, acompanham e animam as atividades do Centro de Integração do Migrante (CIM), no Bairro do Brás. Atualmente são três irmãs que procuram, no cotidiano, oferecer acolhimento, amizade e um espaço onde os migrantes podem se encontrar, conviver, celebrar a vida e buscar caminhos para enfrentar suas dificuldades. Fundado em 2015, o CIM busca capacitar as pessoas que o procuram, para que tenham melhores condições de se integrar ao mercado de trabalho. Por isso, boa parte das atividades são cursos livres de línguas, especialmente o português, mas também inglês e espanhol, e também formação para o uso dos programas de computador mais utilizados, como Word, Excel e Power Point. Há ainda o de manutenção de computadores e de bolos e salgados, na área da culinária. No dia 6 de julho, haverá a entrega de certificados para os 43 alunos que estão concluindo cursos neste semestre. Já no dia 8 de julho, começarão as inscrições para os novos cursos, incluindo o de “Inovação e Empreendedorismo”, que será conduzido por dois migrantes cubanos. Para a Ir. Malgarete Scapinelli Conte, uma das responsáveis pelo CIM, o trabalho que realizam contribui especialmente para que os migrantes consigam se integrar, com suas culturas, no país que escolheram para viver. “Mas também é questão de amizade e ter um espaço de convivência e partilha”, afirma a missionária. O CIM, até o fim do ano passado, já entregou certificado de conclusão de curso a 178 pessoas. Mas há muitas outras atividades além da capacitação técnica, como atividades para crianças e adolescentes, orientação na regularização de documentos, festas e momentos de convivência que reúnem as famílias, entre outras. Para enfrentar os desafios e superar os sofrimentos da distância da família e do próprio país, um grupo de mulheres se reúne todos os sábados. Também um de homens está sendo formado. Essa é uma maneira de se organizarem e se ajudarem mutuamente. Há ainda um grupo de vivência para adolescentes, com o acompanhamento de uma psicóloga. Para todos esses trabalhos, o CIM conta com o apoio de profissionais voluntários e dos professores e alunos do Colégio Espírito Santo, do Bairro do Tatuapé. Além do atendimento diário no Centro, as irmãs Malgarete, Lucilene Ferreira Soares e Nadir Vieira Pereira estão presentes na Paróquia São João Batista do Brás, onde, às quartas-feiras, celebra-se a Eucaristia em castelhano e, no terceiro domingo de cada mês, é realizada a missa dos migrantes. ___________________________________________________________________________________________ Mensagem do papa Francisco para o dia Mundial do Migrante e do Refugiado 29 de setembro de 2019 Tema: “Não se trata apenas de migrantes” Queridos irmãos e irmãs! A fé assegura-nos que o Reino de Deus já está, misteriosamente, presente sobre a terra (cf. Conc. Ecum. Vat. II, Const. past. Gaudium et spes, 39); contudo, mesmo em nossos dias, com pesar temos de constatar que se lhe deparam obstáculos e forças contrárias. Conflitos violentos, verdadeiras e próprias guerras não cessam de dilacerar a humanidade; sucedem-se injustiças e discriminações; tribula-se para superar os desequilíbrios econômicos e sociais, de ordem local ou global. E quem sofre as consequências de tudo isto são sobretudo os mais pobres e desfavorecidos. As sociedades economicamente mais avançadas tendem, no seu seio, para um acentuado individualismo que, associado à mentalidade utilitarista e multiplicado pela rede mediática, gera a “globalização da indiferença”. Neste cenário, os migrantes, os refugiados, os desalojados e as vítimas do tráfico de seres humanos aparecem como os sujeitos emblemáticos da exclusão, porque, além dos incômodos inerentes à sua condição, acabam muitas vezes alvo de juízos negativos que os consideram como causa dos males sociais. A atitude para com eles constitui a campainha de alarme que avisa do declínio moral em que se incorre, se se continua a dar espaço à cultura do descarte. Com efeito, por este caminho, cada indivíduo que não enquadre com os cânones do bem-estar físico, psíquico e social fica em risco de marginalização e exclusão. Por isso, a presença dos migrantes e refugiados – como a das pessoas vulneráveis em geral – constitui, hoje, um convite a recuperar algumas dimensões essenciais da nossa existência cristã e da nossa humanidade, que correm o risco de entorpecimento num teor de vida rico de comodidades. Aqui está a razão por que «não se trata apenas de migrantes», ou seja, quando nos interessamos por eles, interessamo-nos também por nós, por todos; cuidando deles, todos crescemos; escutando-os, damos voz também àquela parte de nós mesmos que talvez mantenhamos escondida por não ser bem vista hoje. “Tranquilizai-vos! Sou Eu! Não temais!” (Mt 14, 27). Não se trata apenas de migrantes: trata-se também dos nossos medos. As maldades e torpezas do nosso tempo fazem aumentar “o nosso receio em relação aos “outros”, aos desconhecidos, aos marginalizados, aos forasteiros (…). E isto nota-se particularmente hoje, perante a chegada de migrantes e refugiados que batem à nossa porta em busca de proteção, segurança e um futuro melhor. É verdade que o receio é legítimo, inclusive porque falta a preparação para este encontro” (Homilia, Sacrofano, 15 de fevereiro de 2019). O problema não está no fato de ter dúvidas e receios. O problema surge quando estes condicionam de tal forma o nosso modo de pensar e agir, que nos tornam intolerantes, fechados, talvez até – sem disso nos apercebermos – racistas. E assim o medo priva-nos do desejo e da capacidade de encontrar o outro, a
O encontro que me devolveu à vida (Lc 7,11-17)

A instauração do Reino de Deus é real e palpável nos sinais e nos ensinamentos de Jesus. Nessa ótica, entendemos o encontro de Jesus com a viúva de Naim (Lc 7,11-17). A grande característica dessa perícope é que se trata de um relato de contrastes entre a morte e a vida. Portanto se emoldura nos costumes e ritos próprios dos cortejos fúnebres. Lembremos que, na maior parte do mundo antigo, o lamento da flauta e outras práticas rituais eram usados para acentuar a desolação e a separação definitiva pela morte. Ora, diante desse drama, Jesus nos mostra a face da compaixão do Abba (Pai), revelando-se como o Senhor da vida e da morte. “Jesus foi a uma cidade chamada Naim, e o acompanhavam seus discípulos com uma grande multidão. Quando chegou à porta da cidade, coincidiu que estavam levando um morto, um filho único filho, cuja mãe era viúva” (vv. 11-12). É interessante que o local do encontro fosse à porta da cidade. Na Antiguidade, as portas da cidade eram de grande importância, pois, além de dar segurança ao lugar, nelas se exercia a justiça, por isso porta e tribunal eram unívocos. Assim, conclui-se que o evangelista apresenta estrategicamente a porta para estabelecer o limite entre a caravana da vida e a caravana da morte. Outro detalhe a ser considerado é que o encontro deve ter acontecido no fim da tarde, pois os mortos comumente eram enterrados fora dos muros das cidades, e no fim do dia da morte. Além disso, o autor traz duas multidões caminhando em direções inversas, uma entrando na cidade com Jesus e outra saído da cidade com a viúva. Com Jesus vem uma grande multidão do povo de Deus. Entretanto a que acompanha a mulher é uma multidão suficiente. Significando que a mãe viúva tem a solidariedade de um grupo suficiente de pessoas da comunidade. Entretanto ambas as multidões logo formarão o novo povo de Deus. No desenrolar da ação, o evangelista nos chama a atenção para o momento-chave: o movimento interno de compaixão que se gera em Jesus diante da mulher. Aqui há algo muito bonito, o olhar de Jesus: “Ao vê-la, o Senhor foi movido de compaixão por ela” (v. 13). Esse “ver” de Jesus, seguido do verbo no passivo, indica que Jesus foi profundamente afetado. O sentido do verbo σπλαγχνίζομαι (“mover-se, ser movido de compaixão, comover-se”) é muito intenso, pois tem o significado de sentir com as entranhas. No Novo Testamento, esse verbo é referido somente ao comportamento de Jesus (cf. Mt 18,27; Lc 10,22; 15,20). Essa compaixão de Jesus é um sinal da compaixão de Deus, inaugurando seu Reino, e é destinada às pessoas mais desprotegidas e excluídas. Numa sociedade patriarcal, uma viúva que perdesse seu único filho significava que ela ficaria sem qualquer possibilidade de sustento físico e moral. Pois, com a morte do único filho, acabava-se a descendência da família. Dessa ótica, as mulheres que perdessem seu único filho ficavam na mesma posição de desonra e até de “castigo” de Deus que a mulher estéril. Os profetas compararam as catástrofes de Israel precisamente à mãe que perdia o seu único filho (cf. Jr 6,26; Am 8,10b; Zc 12,10b). Notemos então que não é o morto quem provoca a compaixão em Jesus, mas a mãe que chora imersa na morte do filho. “E disse a ela: não chores!” (v. 13). Essas palavras trazem já a certeza de que não há mais motivo para chorar. Dessa forma, concluímos que a reanimação do jovem é resultado de uma atitude de profunda compaixão de Jesus pela mãe. No Antigo Testamento, órfão e viúva, junto com o estrangeiro, eram os grupos mais pobres e indefensos, portanto Iahweh saiu em seu socorro. O povo da Aliança assim o experimentou e teve de ampará-los por meio das normas jurídicas (cf. Dt 10,18-19; 14,28-29; 24,17-21; 26,12-13; Is 1,17; Jr 22,3). Na atualidade, assistimos a líderes que se autoproclamam cristãos. Mas, em vez de propor ou resguardar leis que defendam os grupos sociais mais pobres e indefesos, atuam contrariamente. O mais escandaloso é que se resguardam sob o nome de Deus e de Maria para realizar sua destruição. Consequentemente, como a viúva de Naim, os mais fracos enfrentam situações de morte e risco. De modo que podemos perguntar-nos: qual é o choro dos marginalizados e excluídos de hoje O que temos perdido Conservamos a certeza de que com Deus nem a morte é uma derrota Diante das situações cruciais da vida, Jesus é o exemplo. E, com a força e autoridade da sua palavra, Jesus diz a ele: “Jovem, eu te digo, levanta-te…, e o morto sentou-se e começou a falar” (vv. 14 e 15). O jovem não somente é reanimado e torna à vida, mas também Jesus o restitui como filho (“Ele o entregou à mãe”), para que aquela mulher torne a encontrar a razão da sua vida e a alegria de doar-se ainda. Movido de “compaixão” com a mulher viúva e dando novamente vida ao menino morto, Jesus assume atitudes em favor da vida, como outrora Iahweh havia realizado em favor de seu povo. Deus sai a nosso encontro, dando-nos motivos para exultar de alegria e glória. Espalhemos essa boa notícia na práxis! Irmã Juana Ortega, SSpS, é teóloga especializada em Bíblia. Nasceu no México, trabalhou em Moçambique e colabora na Animação Vocacional.
Solenidade da Santíssima Trindade

Neste domingo, celebramos a Solenidade da Santíssima Trindade, que é o “mistério central da fé e da vida cristã”, de acordo com o Catecismo da Igreja. Para a Congregação Missionária das Servas do Espírito Santo, é o coração de toda a espiritualidade e carisma missionário. Somos convidados a refletir sobre o mistério do Deus único que não é sozinho e se manifesta em três pessoas iguais em poder, divindade e sabedoria, mas com características distintas: Pai, Filho e Espírito Santo. A Santíssima Trindade é a origem e fonte de toda vida, amor e comunhão. A Solenidade da Santíssima Trindade também é a data em que os missionários leigos de Deus Uno e Trino escolheram para celebrar sua vocação laical e consagração. A celebração ocorre sempre no domingo após a Solenidade de Pentecostes e nos convida a abraçar o jeito de ser do próprio Deus, que é diálogo e comunhão de amor. Ao contemplar o mistério da Trindade, descobrimos que Deus é amor e nos quer participantes de sua vida plena. Isso significa viver o diálogo, a partilha e a comunhão, trabalhando para que o mundo seja melhor, sem excluídos, violência nem injustiças, pois o amor do Deus Uno e Trino envolve todas as pessoas, oferecendo sua alegria e sua paz. Santo Arnaldo Janssen e as Bem-Aventuradas Madre Maria e Madre Josefa vivenciaram profundamente a espiritualidade trinitária, traduzindo em ações concretas o que contemplavam na oração. Como herança espiritual, deixaram o lema “Viva Deus Uno e Trino em nossos corações e nos corações de todas as pessoas”. Vivamos também nós esse lema, cuidando para que a dignidade dos filhos e filhas de Deus seja reconhecida e respeitada em todos os seres humanos. Oração à Santíssima Trindade Ó Deus Trindade,Pai, Filho e Espírito Santo,nós vos louvamos pela vossa comunhão. Sois o fundamento e a inspiração de nossa fraternidade.Ajudai-nos a construir uma convivência fraterna,respeitando as diferenças e sendo solidários(as) com todas as pessoas. Abençoai os missionários e as missionárias do mundo inteiroe a nós, que peregrinamos rumo ao Reino de Deus,que é comunhão total e vida eterna. Despertai vocações missionárias no campo e na cidade,para que possamos, com Maria, construir um milênio sem exclusões,na dignidade e na paz. Amém. Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo. Como era no princípio, agora e sempre. Amém.
Domingo da Santíssima Trindade

Para você se preparar melhor para o domingo, já estamos publicando o vídeo que a Verbo Filmes está produzindo semanalmente com a reflexão dominical. No vídeo de hoje, o biblista Luiz Catapan aprofunda o Evangelho e fala sobre o sentido da Santíssima Trindade na vida dos cristãos. O Deus de amor, compaixão e ternura nos convida a cuidar uns dos outros e a zelar pelo bem de todos. Assista!
Escola de Perdão e Reconciliação tem nova gestão

O VI Encontro Nacional Espere (Enespere), realizado em Belo Horizonte-MG, de 23 a 25 de maio, contou com a participação de voluntários de todas as regiões do Brasil, que acolheram a metodologia da Escola de Perdão e Reconciliação (Espere) como uma das formas de encontrar caminhos e estratégias para uma cultura de paz. O evento teve as presenças do fundador do projeto, padre Leonel Narvaez, e da presidente da Fundación para la Reconciliación, Paula Monroy, ambos procedentes de Bogotá, Colômbia. A programação permitiu a contribuição de todos os inscritos no Seminário Internacional de Cultura de Paz, promovido na Faculdade de Direito da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Palestras, diálogos e partilhas com temas relacionados à alteridade, verdade, ódio e a justiça restaurativa nos âmbitos Judiciário e comunitário marcaram o primeiro dia do encontro. A palestra da dr.ª Petronella Boonen, mais conhecida como Ir. Nelly, missionária serva do Espírito Santo (SSpS), encerrou o dia. Ela convidou professores, alunos, representantes do Judiciário e demais participantes do Seminário a refletirem sobre a “Justiça restaurativa na perspectiva comunitária”. A programação no segundo dia, desta vez, na Casa de Retiros São José, propôs diversas oficinas temáticas. Entre elas a do “Autoperdão”, conduzida por Joana Blaney, do CDHEP (Centro de Direitos Humanos e Educação Popular) de Campo Limpo, e Ir. Helena Suzana Christo, também SSpS, da mesma comunidade de Ir. Nelly, localizada na periferia de São Paulo-SP. Os voluntários se envolveram na experiência e puderam reavaliar fatos que deixaram marcas em suas vidas, as quais podem ser vividas com uma melhor compreensão do autoperdão. Por fim, houve a reunião dos coordenadores regionais, a apresentação do levantamento da realidade nacional e a eleição para o novo modelo de coordenação da Espere Brasil para o biênio 2019-2021. As regiões puderam indicar nomes para a nova modalidade de gestão. O grupo reconheceu o esforço e o trabalho desenvolvido pela Ir. Nelly em mais de dez anos de atuação com perdão e justiça restaurativa. Ela foi eleita como articuladora nacional dos núcleos Espere. Essa gestão será compartilhada com a assessoria de Minas Gerais, na área de comunicação, e do Distrito Federal, na secretaria, em diálogo com as cinco coordenações regionais. Mesmo participando pela primeira vez no Enespere, percebo que o encontro fortaleceu a reflexão sobre a importância do perdão e da mediação de conflitos para as comunidades, em especial, as esquecidas pelo Poder Público. Nesse sentido, gostaria de salientar que, nessa missão, a coerência e a ética são primordiais para a efetiva aceitação da proposta. Participar do encontro foi motivo de alegria, especialmente pela oportunidade de conhecer parte daqueles que, em diferentes esferas da sociedade, dinamizam voluntariamente ações que contemplam a metodologia Espere, pois os voluntários e voluntárias nos animam e nos levam a ter esperança na construção de uma realidade verdadeiramente justa e fraterna. Miriam de Souza, São Paulo-SP, voluntária no CDHEP e missionária leiga.
Compreender a presença de Deus na História

“A minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo” (Sl 42). A renovação de nossa fé e de nossa espiritualidade está no caminho das fontes que as alimentam e saciam e, ao mesmo tempo, com que ardor fazemos este caminho. “Se alguém tem sede, venha a mim e beba” (Jo 7,37). Há dois anos, quando iniciei a minha participação no Centro Missionário Cultural Santíssima Trindade, logo percebi a vontade de todos os participantes do Curso de Teologia em ampliar os conhecimentos bíblico-teológicos, em compreender mais profundamente o significado da presença de Deus na história da humanidade e da humanidade na vida de Deus. Assumi as áreas de Cristologia e Eclesiologia, tendo muito claro que o mais importante era assegurar, desde o início, a linha teológico-pastoral, tendo em vista a presença missionária e pastoral das leigas e leigos na Diocese de Santo Amaro, como serviço a toda a Igreja. Qual seria, então, a melhor metodologia e que estratégias utilizar para adquirir e também construir ferramentas pedagógicas com os participantes do curso? Em relação à Cristologia e Eclesiologia, a ótica utilizada vem de um método simples, constituído de três questões fundamentais: o que queremos? Que caminho devemos fazer? Aonde queremos chegar e, ou, que resultado esperamos? O foco dos trabalhos, dos estudos, das aulas, desde o início, está na construção e manejo de instrumentais, chaves de leitura bíblica, a fim de que sejam facilitadores do abrir novas portas e janelas do conhecimento da Sagrada Escritura, dos Evangelhos, da pessoa de Jesus (seus ditos e feitos), do significado do Reino de Deus na história da humanidade. Esse tem sido o desafio desde as primeiras horas do curso: o caminho sagrado da fé e da vida. E, para isso, é necessário descalçar as sandálias antigas e calçar o projeto de Jesus, aprofundando os conhecimentos para uma melhor compreensão do significado de sua missão no plano de salvação de Deus. Em alguns momentos, é preciso “dar um mergulho” nas raízes da própria experiência de fé e deixar-se provocar, pois o Senhor nos provoca (chama em favor de) e nos envia. O que esperamos e desejamos é que, em sua ação missionária, todos os participantes do curso sejam um sinal vivo da presença do Reino de Deus em suas comunidades: por sua fé, ação e testemunho. E a todos nós, hoje, Ele nos chama e nos envia a semear novas sementes de vida, da Palavra, do diálogo, das ações de justiça, da ética, da comunhão, na unidade e no amor, como um novo modo de ser Igreja, vinho novo (Mt 9,14), celebrando a fé, a unidade, a partilha, as pequenas vitórias, enfim, a vida. Vem e vê! (Jo 1,46) Mariano Gaioski é teólogo e professor com especialização em História e Educação. Tem ampla experiência pastoral e social com adultos, crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade.
Encontro no deserto

Os evangelhos sinóticos narram que, depois da experiência no batismo, Jesus foi conduzido ao deserto (Mt 4,1-11; Mc 1,12-13; Lc 4,1-13). Após quarenta dias naquele lugar, Jesus foi tentado (os quarenta dias, no caso, acenam para os quarenta anos da travessia de Israel no deserto). Há quem veja esse acontecimento das tentações como uma provação da qual Jesus, sendo o Filho de Deus, sai triunfante. Nós, porém, seguindo Juan Antonio Estrada, preferimos ler nesse episódio o processo de assimilação e amadurecimento da experiência que Jesus viveu em seu batismo: “Tu és o meu filho amado, em ti me comprazo” (Mc 1,11b). Todo novo conhecimento de Deus precisa ser assumido pessoalmente, mas o processo é muito complexo. É necessário observar com atenção os efeitos e a interpretação que se faz dessa experiência. Em outras palavras, trata-se de fazer um processo de discernimento para não cair no autoengano. Depois da experiência de Deus, surge uma nova sensibilidade, que precisa ser estruturada no “deserto”. “E logo o Espírito o impeliu para o deserto. E ele esteve no deserto quarenta dias, sendo tentado por Satanás; e vivia entre as feras, e os anjos o serviam” (Mc 1,12-13). É interessante que os evangelistas sublinhem que foi o Espírito quem impeliu Jesus ao deserto. Jesus é inabitado pelo Espírito, mas é tentado porque é parte de uma sociedade e sofre as influências do “dever ser” que essa sociedade lhe impõe. Porém Jesus não teve medo de sua liberdade interior nem das exigências de ser autêntico, por isso ele não se submeteu ao código social e, ou, religioso. Em nossos dias, abundam ofertas de experiências religiosas, mas nos chama a atenção que os efeitos, muitas vezes, ficam num subjetivismo alienante. E é que todos estamos condicionados por nossa personalidade e o código cultural do qual fazemos parte, assim somos presas fáceis de enganos. O âmbito religioso certamente é uma mediação para encontrar Deus, mas também é um lugar de tentação. Aliás, análogo a certas experiências religiosas, intensifica-se o fenômeno patológico, que busca o bode expiatório sobre o qual descarregar a culpa da desgraça e do pecado. Aludir às tentações de Jesus se refere, pois, a tratar do encontro de nós com nós mesmos, em vistas do amadurecimento na fé. É indispensável que reconheçamos nossa vulnerabilidade humana e que nos confrontemos com as forças contraditórias presentes no interior de todo ser humano. A tentação faz parte de nossa estrutura humana, pois está atrelada à insegurança pessoal. Todos buscamos a segurança que neutralize a angústia existencial. Mas acontece que, muitas vezes, ao fugir dessa angústia, acabamos nos submetendo ao “dever ser” que a sociedade nos apresenta e deixamos de almejar ser o que Deus nos chama a ser. Ainda que as tentações respondam às necessidades humanas de satisfazer a fome, ao anseio de ser valorizados e ao desejo de poder, precisamos advertir para a dinâmica diabólica que jaz por trás delas. Essas necessidades, usando-se das carências e desejos humanos, facilmente seduzem ao acúmulo, dominação e triunfalismo, aliás, quando essas tentações se cristalizam, somente causam destruição. Jesus, como homem verdadeiro, inserido numa cultura concreta, sentiu a tentação e a ambiguidade da vida que ameaçava perverter a experiência de seu batismo. Mas ele venceu as tentações, confrontando-as num profundo discernimento. Assim, Jesus transforma as necessidades e desejos humanos, canalizando-os para um projeto de sentido, o projeto do reinado de Deus. Nós, também deixemo-nos conduzir pelo Espírito Santo ao deserto da vida, para aí apreendermos com Jesus a resistir às tentações e aderir a seu projeto de vida. Irmã Juana Ortega, SSpS, é teóloga especializada em Bíblia. Nasceu no México, trabalhou em Moçambique e colabora na Animação Vocacional.