Uma comunidade para amar e servir

Na Comunidade Madre Maria, em Belo Horizonte-MG, vive um grupo de missionárias servas do Espírito Santo, quase todas octogenárias e muito animadas. As dificuldades próprias da idade não as impedem de continuar a missão. Cada uma assume, de acordo com suas possibilidades, o trabalho que consegue fazer na comunidade e ainda marcam presença na paróquia, na visita aos enfermos no hospital e no serviço aos mais pobres. Neste vídeo, você terá uma ideia de como vivem as irmãs, em seu cotidiano de serviço, oração e convivência entre elas e com outras pessoas. Elas expressam, com alegria, como são missionárias nesta etapa da vida e como buscam amar e servir nas pequenas coisas de cada dia. Assista e deixe-se surpreender.

Lições do coronavírus

Todos nós vivemos uma experiência nova que não estava prevista em nossos calendários. Ninguém podia imaginar, até poucos meses atrás, o que está acontecendo com o mundo todo. O coronavírus nos proporcionou uma experiência nova em nossas vidas, despertando-nos coisas que talvez estivessem adormecidas. Uma das que se sobressaem é a solidariedade. Nunca fomos tão solidários. E ela se manifestou de muitas maneiras, algumas inclusive muito criativas. Podemos destacar uma atitude da qual todos participamos. O gesto de “ficar em casa” nos levou a um tipo de solidariedade universal. Ficando em casa, ajudamos muitas pessoas a não contraírem o vírus, contribuímos para deixar os hospitais livres para atender os doentes, damos um descanso à Mãe Terra, porque poluímos menos, dedicamos mais atenção à família, aprendemos a nos relacionar de um modo diferente. Mas essa experiência está levando à descoberta de outras realidades. Uma delas é constatar que somos limitados. Nossa presunção de tudo saber ficou envergonhada. Até o momento, não sabemos como derrotar o vírus com eficiência. Ele está levando vantagem, matando muita gente. Esperamos para logo a descoberta de meios de combatê-lo, mas, por enquanto, ainda não os temos. Nenhum remédio das prateleiras das farmácias garante a cura. A máscara nos desmascara O deparar-nos com nossa impotência se manifesta de outras maneiras, como não poder sair de casa, ter de usar máscaras. Podemos até fazer um jogo de palavras e dizer que nossas máscaras usadas em nossas pretensões de sabe-tudo caíram e nos deixaram nus. Agora temos de usar uma máscara que esconda nosso rosto para nos proteger e pelo bem dos outros. Essa máscara nos desmascara! Esconde nosso rosto que, muitas vezes, mostrava-se “mascarado” porque fingia ser o que não era. A máscara de agora mostra nossa solidariedade. Essa é mais verdadeira. Tivemos de tirar umas e vestir outras. Estas protegem; aquelas camuflavam! Estamos aprendendo a viver do essencial, tivemos de renunciar a muita coisa supérflua. Aprendemos a viver com menos sem perder a qualidade de vida. Quanta coisa deixamos de comprar e não fizeram falta! A vida parece que se tornou mais simples. De um jeito ou de outro, aprendemos a nos virar sem estar com a cabeça cheia de “preciso disso, preciso daquilo”. O que temos é suficiente para nosso hoje. O mundo será diferente Outra experiência é o jeito de nos relacionar com os outros. A obrigação de ficar em casa nos desconectou fisicamente das pessoas com as quais estávamos habituados a conviver. Agora a presença ausente delas nos faz pensar mais nelas, nos preocupar como elas estão. Usamos os celulares para perguntar como estão e dizer-lhes sobre nós. Mostramos nossa cara nos vídeos, nossa fala nos áudios. Prestamos atenção nas respostas que nos dão. Para todos, é uma experiência nova. Fica o desejo de que o tempo de quarentema passe logo para nos reencontrarmos face a face. Isso fica guardado dentro de nós, esperando a oportunidade, quando o vírus nos permitir, de matar a saudade com a presença real. Outra experiência ainda é aquela que nos deixa uma certeza. Depois que tudo passar, o mundo será diferente, não será o mesmo de alguns meses atrás. Toda experiência nova deixa em nós um resíduo que será fonte de recordações, de lembranças do que estamos vivendo agora e sobre as quais falaremos no futuro. Daqui a algum tempo, vamos nos referir, com outro enfoque, a esta era. As novas gerações farão perguntas a respeito. Saberão de ouvir contar. Como isso vai repercutir em suas vidas não sabemos, mas em nós algo ficou permanente. Se o mundo vai mudar para melhor ou pior é difícil dizer, só o tempo responderá, mas uma coisa é certa: o mundo será diferente. O coronavírus nos afastou do trabalho, trazendo preocupações com o ganha-pão. Haverá mais desemprego do que já havia? Como sobreviverão os mais pobres? A economia entrou em colapso. Qual será o tamanho do prejuízo? Como recuperar as finanças? Que consequência trará para os países e como isso vai afetar o PIB de cada um? Os economistas fazem projeções de todo tipo, mas todos estão sem uma resposta segura e definitiva. São projeções! Uns de tom pessimista, outros de desafios que indicam sacrifícios de todos! Mais um motivo para dizer que o mundo não será o mesmo. O grito de Deus Outra experiência, por fim, em nível de fé ou espiritualidade. Primeiro vem uma pergunta: o que Deus está querendo nos dizer com tudo isso? Podemos talvez intuir algumas possíveis respostas. Penso que o coronavírus é uma espécie de “grito” de Deus para nos chamar a atenção. Como os pais fazem quando as crianças estão entretidas com outras coisas. Eles apelam para um “grito” mais forte, e aí os pequenos param e ouvem o que os pais têm a dizer. Deus sempre nos continuou falando, mas nos distraímos muito e não prestamos atenção. Agora Ele levanta sua voz por um minúsculo vírus e nos põe em situação de alerta. Nossos ouvidos moucos acordam, e a voz interior começa a fazer perguntas pelo significado de tudo isso. Quantos retomaram a fé que antes estavam em banho-maria! Quantos enviaram mensagens para outros, convidando-os ao transcendente e incentivando a práticas piedosas! O “grito de Deus” vai ecoar por muito tempo ainda. Seus desígnios nesses fatos ainda não são todos conhecidos. Talvez, com o tempo, descubramos novos significados. Deus sempre faz de tudo para nos salvar, respeitando sempre nossa liberdade. Mesmo quando erramos, afastando-nos dele, Ele não desiste de nós. Talvez tenhamos ido longe demais com nosso modo de viver muito centrado nas coisas, no consumo exagerado, na dissolução dos costumes, no relaxo das boas tradições, na vulgaridade no modo de viver a afetividade, no desapreço à vida, na redução de nossos ideais mais transcendentes. Tudo isso nos levou a um distanciamento do Criador. Ele como Pai-Mãe, vendo o perigo que estamos correndo, deu seu grito de alerta para nos afastar do vírus que estava destruindo nossas relações familiares, isolava-nos em nosso egoísmo, distanciava-nos dos outros, embora pertos. O celular havia tomado

Creio na ressurreição da carne

Este tempo de Páscoa, sofrendo as consequências da pandemia da covid-19, vemos na ressurreição de Jesus uma grande esperança para todos nós. Jesus venceu a morte e a dor, e nele acreditamos que também nós vamos superá-la. Assim como em tantos momentos de nossas vidas pudemos contar com a graça de Deus, também agora depositamos nele a nossa fé. Quero aqui partilhar para todos a enorme graça que recebemos de nosso Deus misericordioso. E, antes de relatá-la aqui, considero que foi para nós uma grande oportunidade de despertar nos outros a fé que foi tão importante para toda nossa família, esta que manteve sempre a grande confiança em Deus. Foi um milagre, uma verdadeira ressurreição para ele, meu marido, Helvecio Bressan. Em 2016, ele enfrentou um câncer linfoma em três lugares: palato, tireoide e intestino. O primeiro sinal do milagre foi o fato de que ele não queria ir ao dentista e, mesmo assim, marquei a consulta. Como formamos uma só carne, há 48 anos, pelo sacramento do matrimônio, senti uma necessidade de marcar a consulta; fui impulsionada pela luz do Espírito Santo. Meu marido foi ao dentista e descobriu o câncer. Nesse período, nossa fé foi reforçada por muitas orações dos amigos de fé e, principalmente, por nosso grupo de missionários leigos de Deus Uno e Trino (MLDUT). Vou relatar um gesto de uma das integrantes desse grupo, que estava prestes a sair, devido a problemas de saúde. Maria Fernanda fez uma intenção de permanecer no grupo e ainda aceitou a indicação para a coordenação no grupo do Rio de Janeiro, apesar de ela morar bem distante. Com muita sinceridade em meu coração e com muita alegria, afirmo que Helvécio não sentiu, em nenhum dia, durante o tratamento com quimioterapia, enjoo e dor. Ele trabalhou em seu escritório de contabilidade, mantendo sua rotina. Somente ficou isolado por três dias, por indicação médica. Foi internado também por três dias, quando perdeu uma irmã de repente, e sua imunidade baixou muito, havendo então essa necessidade. A luta não foi fácil. Em momento algum, porém, pensei que ele fosse desistir e que meu apoio pudesse enfraquecer. Creio no poder de Deus e em seu amor. A fé que depositamos no Senhor nos manteve no caminho certo. A ressurreição aconteceu na vida de muitos amigos e familiares pelo exemplo de Helvécio, por sua força, fé, coragem, dedicação e disciplina em seu tratamento. Devemos ser eternamente gratos a ti, nosso Deus, pela dádiva da vida e por agora poder testemunhar que confiamos no “Deus da Vida” e na força da oração. O nosso Deus Uno e Trino está vivo no meio de nós. Ele ressuscitou. Aleluia! Rosiná Lopes BressanProfessora aposentada, trabalhou 27 anos no Colégio Nossa Senhora da Piedade, no Rio de Janeiro-RJ, e é missionária leiga de Deus Uno e Trino.

Páscoa: compromisso com a vida

Há muito tempo que a humanidade não parava para se perguntar: para onde estamos caminhando? Nada mais oportuno do que o período em que estamos vivendo para refletir sobre o sentido da Páscoa, que, em hebraico, significa “passagem”. Percebe-se que, ao longo da História, surgiram aqueles que têm a missão de nos lembrar da importância da vida. Desde os tempos antigos, alguns homens surgiram como líderes espirituais para orientar o povo em que viviam, sejam eles chamados de xamãs, sacerdotes, sacerdotisas ou profetas, transmitiam revelações que norteavam o caminhar das tribos, dos clãs, das primeiras civilizações rumo a um “paraíso” ou a uma “terra onde corria leite e mel”, a exemplo dos patriarcas. A passagem moral e ética do ser humano passou a significar uma melhora de vida, apesar da existência de injustiças vistas como naturais, no caso, a escravidão. Com o crescimento das desigualdades entre os povos, homens e mulheres que não tinham direitos, diante dos poderosos, além dos dirigentes religiosos, surgiram os “conselheiros”, os intelectuais que buscavam criar uma vida boa mediante os recursos da época. Porém, em nossa caminhada humana, veio a figura do “Pastor que dá a vida por suas ovelhas”, dando o exemplo de que “quem quer ser o maior que seja o menor”. O Divino que se tornou humano veio “para servir e não para ser servido”, demonstrando, desde seu nascimento, o compromisso com a missão para que todos tenham vida e vida em abundância, que a vida não é só temporal, mas também espiritual. Nesse sentido, a experiência de libertação do poder egípcio por Moisés, conforme narra o livro do Êxodo, a Páscoa judaica passou a relembrar os quarenta anos de travessia no deserto, sendo que o povo, em sua caminhada, aprendeu a obediência à Lei, a paciência uns com os outros, a repartir os bens entre as famílias, a confiar, a ser perseverante diante das amarguras e fiel ao Deus da Aliança até chegar à Terra Prometida, onde encontraram uma vida de fartura. Passados muitos séculos, contudo, antes do histórico julgamento injusto de Jesus, como o Cristo celebrou a Páscoa? Com uma nova conotação ética. A atitude do Mestre exemplificou que a vida do ser humano deve ser integral. A passagem pelos quarenta dias no deserto nos ensina que, em nossa existência, devemos aprender a viver o jejum dos desejos, a praticar a humildade no servir e a não sucumbir diante do poder (Lc 4,1-12). Além disso, os ensinamentos da Boa-Nova nos propõem exercitar o perdão das ofensas, a partir da reconciliação; o respeito e a fidelidade nas relações interpessoais; a honestidade sempre, sem usar de falácias; a orar pelos inimigos e não apenas por aqueles que nos querem bem; a viver a sinceridade, sem injúrias, para assim celebrarmos as bem-aventuranças (Mt 5,1-48). Desse modo, a prática do bem será o passaporte para a verdadeira Páscoa, em que a “senha” cristã é a caridade, o amor ao próximo. Essa caridade se torna “caridade social” que busca amar o bem comum, o bem de todas as pessoas, individual e socialmente. Por isso celebrar a Páscoa cristã é praticar a justiça que é samaritana (Texto-base CNBB CF 2020, p. 57). Em tempos de calamidades, é fundamental mantermos a fé e a união, sermos “sal e luz” (Mt 5,13-16), onde quer que estejamos, para garantirmos a vida de forma plena. Sermos solidários nos momentos de crise é uma demonstração não só de humanidade, mas também de generosidade fraterna, de compromisso com a vida de todos os que nos rodeiam. Para celebrar a Páscoa, portanto, devemos refletir: como estou caminhando? Com quem estou caminhando? Estou seguindo os passos do Mestre? Lembremos que, tanto na Páscoa judaica quanto na Páscoa cristã, foi necessário para a travessia dos desertos a relação com o outro e consigo mesmo. Percebe-se que, durante o percurso pascoal, devemos seguir com ânimo e, para isso, carregarmos no coração a memória da Eucaristia: a partilha do pão, como aconteceu com dois discípulos a caminho de Emaús (Lc 24,13-32). Assim, celebremos a Páscoa como compromisso da vida, assumindo a missão altruísta de vivenciarmos a esperança, a justiça social aos nossos semelhantes, principalmente aos mais necessitados, como fizeram os primeiros cristãos e fazem os autênticos seguidores contemporâneos do Cristo ressuscitado. Por isso nossa missão é continuar resgatando a vida, ver, sentir e cuidar uns dos outros. Uma abençoada Páscoa a todos! Maria Terezinha Corrêa, mestra em Antropologia, especialista em Ensino de Filosofia, graduada em Filosofia e Pedagogia, Teologia pelo Mater Ecclesiae, filiada à Apeoesp, ABA e SBPC.

Mensagem de Páscoa das missionárias SSpS

“Este é um momento único que, se soubermos vivenciar, na profundidade de seu significado, pode trazer uma grande transformação para todos nós.” Irmã Maria Percila Vieira é a Coordenadora Provincial das missionárias servas do Espírito Santo da Província Stella Matutina e, diante da situação que todos estamos enfrentando por causa da pandemia, envia esta mensagem de Páscoa, com uma palavra de esperança e de encorajamento para todas as irmãs, colaboradores e colaboradoras, parceiros e parceiras da missão, amigos e todas as pessoas, especialmente as famílias, ligadas direta ou indiretamente à nossa missão. Esta mensagem é para você! Aproveite e receba os nossos votos de uma feliz e abençoada Páscoa!

Oração da Via-Sacra

A Via Sacra é uma prática espiritual que nos aproxima de Jesus em sua entrega pela salvação do mundo. Convidamos você a rezar conosco em solidariedade com toda a humanidade que sofre, pedindo pelo fim da pandemia provocada pelo coronavírus. Oração da Via-Sacra A Via Sacra é uma prática espiritual que nos aproxima de Jesus quando Ele mais amou, ou seja, na entrega de sua vida pela salvação do mundo. Convidamos você para rezar conosco a paixão de Jesus em solidariedade com toda a humanidade que sofre, pedindo pelo fim da pandemia provocada pelo coronavírus. O coronavírus nos coloca diante de uma das cruzes que os seres humanos têm que enfrentar ao longo de nossas vidas: a cruz da doença. Uma cruz que pode perturbar todas as áreas da existência: pessoal, familiar, social e até mesmo mundial, como está acontecendo. Rezemos, unidos (as) à cruz de Jesus, para que o Senhor nos ajude em meio a esta circunstância excepcional que requer a cooperação de todos para superá-la. Que encontremos luz e paz na Cruz de nosso Senhor Jesus Cristo. Do Evangelho segundo São Marcos (Mc 15, 12-15) “Tomando novamente a palavra, Pilatos disse-lhes: “Então que quereis que faça daquele a quem chamais rei dos judeus?” Eles gritaram novamente: “Crucifica-o!” (…) Pilatos, desejando agradar à multidão, soltou-lhes Barrabás; e, depois de mandar flagelar Jesus, entregou-o para ser crucificado”. Oração Pedimos nesta estação por todas as pessoas. Somos frágeis. Estamos expostos a vírus, doenças, pecados, perigos… É a “condenação” de nossa limitação e fraqueza humana. Que possamos assumir essa condição de fragilidade que nos identifica: não somos deuses, somos de carne e osso, com tudo o que essa realidade implica. Pai Nosso… Do Evangelho segundo São Marcos (Mc 15, 20) “Depois de o terem escarnecido, tiraram-lhe o manto de púrpura e revestiram-no das suas vestes. Levaram-no, então, para o crucificarem”. Oração Pedimos por todas as autoridades políticas e sanitárias que têm a responsabilidade de gerenciar esta crise causada pelo coronavírus, buscando o bem comum da sociedade. Cabe a elas carregar nas costas a cruz do cuidado da saúde das pessoas. Que Deus ilumine e guie as autoridades na tomada de decisões. Pai Nosso… Do Livro do Profeta Isaías (Is 53,5) “Foi ferido por causa dos nossos crimes, esmagado por causa das nossas iniquidades. O castigo que nos salva caiu sobre ele; fomos curados pelas suas chagas”. Oração Vamos pedir neste período de quarentena para não cairmos na tentação da frivolidade de não levar a sério as recomendações que nos fazem para evitar possíveis contágios, colocando em risco nossa saúde e a saúde dos outros. Pai Nosso… Do Evangelho segundo São Lucas (Lc 2, 34-35) “Simeão abençoou-os e disse a Maria, sua mãe: ‘Este menino está aqui para queda e ressurgimento de muitos em Israel e para ser sinal de contradição; uma espada trespassará a tua alma. Assim hão de revelar-se os pensamentos de muitos corações’. Sua mãe guardava todas estas coisas no seu coração.” Oração Peçamos a intercessão da Virgem Maria, e para que confiemos na missão de tantos profissionais que zelam “como mães” pela nossa saúde e pelo bem-estar de todos. Pai Nosso… Do Evangelho segundo São Lucas (Lc 23, 26) “Quando o iam conduzindo, lançaram mão de um certo Simão de Cirene, que voltava do campo, e carregaram-no com a cruz, para a levar atrás de Jesus.” Oração Peçamos por todos os profissionais da saúde: médicos, enfermeiros, auxiliares e funcionários dos hospitais que são os Cireneus que ajudam os enfermos a superar a doença. Que Deus os proteja, cuide e fortaleça nesta hora tão difícil. Pai Nosso… Do Evangelho segundo São Lucas (Lc 8, 1-3) “Jesus ia de cidade em cidade, de aldeia em aldeia, proclamando e anunciando a Boa-Nova do Reino de Deus. Acompanhavam-no os Doze e algumas mulheres, que tinham sido curadas de espíritos malignos e de enfermidades: Maria, chamada Madalena, da qual tinham saído sete demônios; Joana, mulher de Cuza, administrador de Herodes; Susana e muitas outras, que os serviam com os seus bens.” Oração Peçamos pelas pessoas que, de maneira altruísta, ajudam, colaboram, se solidarizam, dedicando seu tempo e seus dons para aliviar tantas necessidades que surgem numa situação como esta. Que possamos aprender e estar sempre ao lado daqueles que sofrem, sem rotular ninguém. Pai Nosso… Do Evangelho segundo São Mateus (Mt 26, 36-39) “Jesus chegou a um lugar chamado Getsêmani para orar. E, levando consigo Pedro e os dois discípulos filhos de Zebedeu, começou a entristecer-se e a angustiar-se. Disse-lhes então: “A minha alma está numa tristeza de morte; ficai aqui e vigiai comigo”. E orava dizendo: “Meu Pai, se é possível, afaste-se de mim este cálice. No entanto, não seja como Eu quero, mas como Tu queres”. Oração Peçamos para não cair no medo, na histeria, na desesperança… que não leva a nada. Que o Senhor nos dê serenidade para enfrentar esta situação de emergência em que estamos vivendo. Pai Nosso… Do Evangelho segundo São Lucas (Lc 23, 26-28) “Seguiam Jesus uma grande multidão de povo e umas mulheres que batiam no peito e se lamentavam por Ele. Jesus voltou-se para elas e disse-lhes: ‘Filhas de Jerusalém, não choreis por mim, chorai antes por vós mesmas e pelos vossos filhos’”. Oração Vamos pedir de maneira especial por tantos de nós que acreditamos e estamos rezando para que Deus afaste do mundo o mal do coronavírus. Que Deus escute e atenda às nossas orações. Pai Nosso… Do Evangelho segundo São João ( Jo, 16, 28) “Saí do Pai e vim ao mundo; agora deixo o mundo e vou para o Pai”. Oração Peçamos por todos aqueles que sofrem os efeitos colaterais desta crise. De modo especial pelos pequenos empresários que veem seus meios de subsistência em perigo e pelos trabalhadores que, em consequência, estão sem trabalho. Que tudo possa voltar logo à normalidade. Pai Nosso… Do Livro dos Salmos (Sl 22, 19) “Repartem entre si as minhas vestes e sorteiam a minha túnica.” Oração Rezemos pelos cientistas que estão pesquisando por remédios eficazes

Celebre a Páscoa com a gente

A Dimensão Missionária da Rede de Educação das Irmãs Missionárias Servas do Espírito Santo preparou, para os alunos, familiares e educadores dos colégios e centros educativos, três momentos para ajudar a comunidade educativa a pensar, sentir e viver a Páscoa em tempos de distanciamento social. A ideia é trazer a identidade de Rede para este momento tão especial para nós, cristãos. A seguir, apresentamos as três ações e um pouquinho de como cada uma foi pensada. Celebre com a gente e uma feliz Páscoa a todos! Primeira ação Hoje convidamos vocês a refletirem sobre a história da margarida diferente. Todos nós sentimos falta de ouvir histórias, pois elas chegam ao coração, formando imagens com base na experiência sensorial da fala, ajudando-nos a vibrar com quem as narra. Assim Jesus gostava de ensinar. Ouçamos a história e levemos adiante essa ideia! Segunda ação Estamos nos preparando para celebrar o ponto mais alto de nossa fé, a Páscoa. Unamos nossos corações em prece para vivermos juntos este momento especial. Sugerimos que essa ação aconteça no almoço do domingo de Páscoa. Terceira ação Para celebrar a festa da esperança, vamos precisar de pessoas novas para um mundo novo. Para isso, a fé deve ser nosso norte. Fé na vida, fé nas pessoas, fé em dias melhores. Somos todos sementes do amanhã!

Por que esta semana é santa?

A Semana Santa é um tempo de vivência profunda da fé, no qual acompanhamos de maneira intensa o mistério da paixão, morte e ressurreição de Jesus, especialmente na Sexta-Feira Santa, no Sábado Santo e no Domingo de Páscoa. Este ano, no entanto, a Semana Santa será completamente diferente dos outros anos. Com a pandemia provocada pelo coronavírus, não poderemos participar das celebrações nas igrejas… Não haverá a missa do Lava-pés na Quinta-Feira Santa… Não haverá a adoração da cruz nem a celebração da paixão de Jesus na Sexta-Feira Santa… Tampouco haverá a Vigília Pascal com a bênção do fogo e a entrada triunfante do círio pascal. Também não teremos a missa do Domingo de Páscoa… Então, como esta semana será santa? Como vamos viver a nossa fé e celebrar o ponto culminante da vida cristã que é a Páscoa? Talvez, este momento de sofrimento que atinge todos os países, seja uma oportunidade de participar do mistério da paixão de Jesus, oferecendo nossa dor, nossas incertezas e perdas, a solidão do isolamento, o medo e a angústia que sentimos, unindo-nos ao sofrimento de Jesus para o resgate de toda a humanidade. Viver esta Semana Santa na fé é um grande desafio, mas somos convidados a fazer de nossa casa uma Igreja doméstica, a reunir nossa família e acompanhar pelas TVs católicas as celebrações das missas. Em comunhão espiritual, podemos nos unir a Jesus no dom de sua entrega total e rezar por todos os que estão sofrendo nos hospitais, e também por tantas pessoas que, a exemplo de Jesus, estão colocando a própria vida em risco para cuidar dos doentes ou prestar serviços essenciais. O que celebramos na Semana Santa é justamente o mistério da vida de Jesus e seu amor infinito, que se doa até o fim. É o esvaziamento do Deus que veio ao mundo como criança, ensinou o mandamento do amor e mostrou que é possível, em nossa humanidade, aproximar-nos do Pai e nos acolher como irmãos e irmãs, por que, em Deus, somos todos um. Mas talvez esta realidade ficou esquecida e foi necessário que um vírus invisível viesse nos mostrar que de fato somos um e o que acontece com os demais também nos atinge. A ressurreição de Jesus é a confirmação de tudo quanto Ele fez e ensinou. É o cumprimento da promessa da salvação de Deus que, em Jesus, liberta-nos da morte e nos convida a participar da vida plena. Mas, para chegar à ressurreição, Jesus enfrentou o sofrimento e a morte na Cruz. Nós também superaremos esta crise! Que Deus nos ajude a aprender de tudo o que estamos passando. Que Jesus nos dê a força da solidariedade para viver também o mistério da paixão, morte e ressurreição de toda a humanidade. Quinta-feira Santa Na verdade, o Tríduo Pascal começa na noite da quinta-feira, quando a Igreja recorda a última ceia de Jesus com os seus discípulos. Nessa missa, há o rito do lava-pés, em que Jesus revelou o caminho do serviço e do cuidado com o próximo. Conforme narra o Evangelho de São João, durante a refeição, Jesus pôs um avental, pegou uma toalha e lavou os pés dos seus discípulos. Depois os convidou a fazer o mesmo. Também lembramos a instituição da Eucaristia, quando Jesus, durante a ceia, tomou o pão e o vinho, e os deu aos discípulos, dizendo que eram o seu corpo e o seu sangue. Em todas as missas, fazemos a memória de Jesus, quando o padre consagra o pão e o vinho, que se tornam o corpo e o sangue de Cristo. Após a ceia, Jesus foi ao Monte das Oliveiras, ou Getsêmani, e, sabendo o que estava para acontecer, colocou-se em oração diante do Pai e pediu que afastasse o cálice da dor e da morte, mas se entregou totalmente, dizendo “Faça-se a tua vontade e não a minha”. Naquela mesma noite, Jesus foi preso, humilhado, maltratado… Nas igrejas, no fim da missa dessa noite, o Santíssimo Sacramento é retirado do sacrário e levado para outro local, onde a comunidade fica em adoração. Sexta-feira da Paixão Recordando a paixão e a morte de Jesus, que ocorreram na sexta-feira, os católicos fazem um dia de jejum e oração. Acompanhamos a Via-Sacra de Jesus, desde seu julgamento injusto e condenação à morte, sua flagelação e o caminho até o calvário, carregando a cruz de todas as maldades humanas. A Sexta-Feira da Paixão está muito presente na religiosidade popular, pois, diante de todas as dificuldades que o povo enfrenta para sobreviver, identifica-se com Jesus sofredor. No Senhor, encontra forças e esperança para suportar os desafios da vida. Nas igrejas de todo o mundo, os católicos se reúnem pelas três da tarde para rezar na mesma hora em que Jesus morreu na cruz. É o único dia do ano em que não se celebra a missa. Não se tocam instrumentos musicais e até o altar fica completamente despojado. É feita a narração da paixão de Jesus e se reza por todas as situações do mundo. Na adoração da Cruz, os fiéis se aproximam e beijam o crucifixo. É costume também haver a meditação da Via-Sacra pelas ruas, muitas vezes com encenações, acompanhando os passos de Jesus até o calvário. Na Via-Sacra, rezamos também por todas as pessoas que sofrem injustamente ou são perseguidas, pela superação das forças da morte que oprimem a humanidade, como a fome, o desemprego, a falta de sentido, a falta de saúde, de moradia e tudo o que destrói a dignidade humana, como o abuso sexual, as drogas e tantos outros. Também recordamos Maria, a mãe de Jesus, que o acompanhou em todos esses momentos, entregando-o a Deus. Em seu sofrimento, ela foi corredentora. Em muitas comunidades, há a tradição de rezar as sete dores de Maria. Sábado Santo No Sábado Santo, nós lembramos Jesus na sepultura. É um dia de silêncio e reflexão. Somos convidados a experimentar o vazio e refletir sobre tudo o que Jesus fez e significa em nossa vida. Na

Tempo de ajudar Deus a carregar a cruz

Quando no incêndio que, em 1519, destruiu a Igreja de São Marcelo al Corso o crucifixo saiu ileso, o povo romano tomou nota. Tanto que, três anos mais tarde, quando a cidade foi atingida pela peste, o crucifixo foi levado em procissão por 16 dias, pelas ruas de Roma. A cada dia, o contágio regredia e, quando ele voltou a São Marcelo, a peste tinha desaparecido. Esse mesmo crucifixo foi exposto na sexta-feira, 27 de março último, ao dilúvio da noite romana, como arma simbólica contra o novo coronavírus. As câmeras demoravam sobre o busto antigo do Cristo, regado pelas gotas. Só na Itália estavam ligados aproximadamente 8 milhões de televisores. As imagens estavam perfeitas, e os comentários dos repórteres: oh, que poder de imagem! Oh, as lágrimas do céu se unem às do povo! Oh, trágica maravilha! Parece que o crucifixo está muito danificado, talvez irremediavelmente danificado. Dizem que a madeira pode explodir. Esse crucifixo que tinha vencido o fogo e a peste cai por uma chuva romana no fim de março. Homens de máscaras fazem o triste depoimento. E será que esse não é o verdadeiro sinal e o penoso trabalho de decifrá-lo: talvez Deus esteja tão cansado, talvez devêssemos consolá-lo? Essas frases de Leonardo Lenzi e a foto me tocaram profundamente. Lembrei-me de um dos pensamentos de Etty Hillesum, a jovem judia cujos diários e cartas descrevem a vida em Amsterdã, durante a ocupação alemã. Nascida em 1914 na Holanda, foi morta em novembro de 1943, no campo de concentração de Auschwitz. “Quero ajudar, Deus, para que você não me abandone, mas não posso garantir nada com antecedência. Apenas uma coisa está ficando cada vez mais clara para mim: que você não pode nos ajudar, mas que temos que ajudá-lo e, no final, nos ajudarmos. É a única coisa que importa: salvar um pedaço de ti dentro de nós mesmos, Deus. E talvez possamos ajudar a ressuscitar-te nos corações aflitos de outras pessoas. Sim, meu Deus, parece que também você não seja capaz de mudar muito as circunstâncias, elas simplesmente fazem parte desta vida… E, quase com cada batimento cardíaco, fica claro para mim que você não pode nos ajudar, mas que temos que ajudá-lo e defender, até o fim, sua morada dentro de nós.” Talvez, nestes tempos, seja realmente necessário ajudar Deus a carregar a cruz. Ajudá-lo, defendendo sua morada dentro de cada um, cada uma. Ajudá-lo para que sua presença volte a ser lembrada e sentida. Ajudá-lo para que o corpo possa voltar a ser digno e sagrado. Ajudá-lo para que o corpo humano possa ser compreendido como parte do corpo cósmico, digno e sagrado. Que, nesta Semana Santa, possamos ajudar Deus a levar cada um, cada uma mais perto de si e dos outros. Assim nos aproximaremos do Divino. Ir. Petronella Maria Boonen (Nelly) é co-fundadora da linha de Perdão e Justiça Restaurativa do CDHEP e doutora e mestra em Sociologia da Educação pela USP.)

No país de Alice…

Este desenho é de uma mineirinha que completou 5 anos em plena quarentena. Alice desenhou e trouxe para dentro da bolha seu universo imaginário e particular. Seu desenho despretensioso e espontâneo nos mostra, com sensibilidade e ingenuidade, o alcance dessa vivência pandêmica nela e no mundo que a rodeia. Novamente as crianças nos mostrando o caminho… Vamos nos proteger, vamos para a bolha, só que não mais uma bolha solitária. Agora estamos diante de uma bolha solidária. Vamos enxergar o que vier. De braços abertos, na certeza de que, com esperança e alegria, isso um dia vai passar. Não vamos parar de fazer o que a gente gosta e precisa, vamos aprender fazer de um jeito novo e diferente. Do lado de fora da bolha, há um rabisco acidental que aparentemente nada é. Com os olhos de Alice, vou enxergar o que vislumbro nesse rabisco exterior: – a força daqueles que precisam sair porque ocupam posições estratégicas, independente de hierarquias, todos, cada um, fazendo o essencial; – a fé e a ciência, lado a lado, inspirando-nos, consolando e encontrando saídas; – a teimosia dos que não se cansam de estender as mãos, de forma solidária, mesmo que agora, mediado por cuidados e equipamentos de proteção; – um emaranhado de ideias que não cansam de prospectar um futuro diferente, talvez até melhor e com mais integralidade; – os efeitos de uma globalização sentida na pele; – a arrogância e ignorância de muitos que insistem em manter velhas perspectivas; – um contexto inaceitável de injustiça social; – um esgotamento planetário, entre outras linhas tão cruéis. Esse rabisco inacabado, que é a realidade do lado de fora, a vida como ela é, deixa no ar uma sensação de ruptura e um traço de continuidade que vamos ter de escrever. Que saibamos reinventar a vida no planeta Terra, em nome de Alices, Pedros, Rodriguinhos, Lucas, Valentinas e de tantas crianças que estão aí, acreditando nos adultos que as cercam. Que saibamos, em nome de nossas crianças, em nome de Miguel e Arthur, que acabaram de nascer, e de Lucca que está por vir, redimensionar nossos projetos de vida, nossas convicções e nossas atitudes. O que virá vai depender de todos, de cada um. “Vamos lá fazer o que será!” P.S.: se puder, fique em casa. Abril de 2020 Maria José Brant (Deka), assistente social, estudante de Antropologia, analista de políticas públicas no Programa Bolsa Família, mestra em Gestão Social, mosaicista nas horas vagas.

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