Mudanças e escolhas necessárias para enfrentar o covid-19

A mudança é um fenômeno inerente à vida humana. Por isso é importante aprendermos a lidar com ela, da melhor maneira possível, para nos adaptar e desenvolver como pessoas, tornando-nos mais fortes aos possíveis sofrimentos decorrentes dela. A necessidade de mudança pode vir para nós de maneiras completamente diferentes. Pode ser lenta e continuada, de forma que nos dê a chance de ter um maior tempo para processá-la, ou pode vir repentina e imposta, não nos dando chance de nos preparar, obrigando-nos a achar novos caminhos de vida em curto tempo. A nova pandemia que assola a sociedade mundial, provocada pelo covid-19, certamente se enquadra no segundo tipo de mudança citada. Ela não nos deu tempo de nos preparar e muito menos de pensar antecipadamente sobre como lidar com suas exigências e consequências. O covid-19 vem se espalhando muito rapidamente, e o que está em jogo nesse momento é algo que afeta a todos de modo muito forte: a proteção da nossa própria vida e a vida de outros, sejam pessoas amadas, conhecidas ou desconhecidas. Essa necessidade de alteração vivencial, totalmente imposta, gera um impacto grande e generalizado. As pessoas, no começo da disseminação, achavam que, em pouco tempo, tudo passaria, sem maiores complicações. Entretanto o coronavírus ainda está no nosso dia a dia, e a incerteza sobre quando a pandemia acabará tem gerado insegurança e sofrimento em muitos corações. Estamos sendo impelidos a fazer revisões de comportamentos antigos e a criar novos. Mas é importante lembrar que talvez isso não seja novidade para alguns, pois, no período pré-pandemia, muitas organizações já se preocupavam em desenvolver sua competência de inovação e disrupção criativa. Muitas metodologias foram criadas para esse fim. Por que não trazer esses aprendizados para dentro de nossas vidas? Que inovações podemos e devemos fazer em nós e em nossas famílias? Queremos trazer aqui, nestas linhas, mais algumas provocações e reflexões sobre escolhas e mudanças, principalmente para quem não está nem vive com pessoas que estão com risco de saúde ou que vêm tendo sua situação financeira fortemente impactada. Estar em confinamento nos dá uma condição segura, mas, ao mesmo tempo, obriga-nos a, diariamente, ficar de frente com nossas próprias escolhas de vida, sejam elas boas ou ruins. É exatamente em momentos como estes que somos obrigados a viver as consequências das escolhas que fazemos e ficamos mais expostos à forma com que estamos relacionando com nossos familiares e, sobretudo, com os que dividem conosco o mesmo espaço. Começam então a surgir diversos tipos de questionamentos: como estamos funcionando como grupo? Cuidamos tanto dos espaços individuais de cada um como dos espaços coletivos? Estamos delimitando regras de convivência que sejam positivas para o bem-estar de todos? O que tem funcionado? O que não tem funcionado? Que novas ações ou atitudes já deveríamos ter tomado? Por que não as tomamos? De que estamos querendo nos poupar? Estamos construindo com nossos parceiros de espaço (irmãos, colegas, cônjuges, filhos, pais e muitos outras formas de vínculos) relações de reciprocidade e apoio mútuo? Momentos como o que vivemos agora nos obrigam a pensar ou repensar sobre qual é o propósito desse grupo, dessa equipe que compartilha o mesmo espaço. Como essas pessoas podem se apoiar e se ajudar de forma que, apesar das renúncias, o coletivo possa ganhar mais do que um só indivíduo? Viver em harmonia não é e nunca foi fácil, mas exige escolhas, renúncias, disciplina e persistência de todos. Um bom exemplo para pensarmos nessas perguntas está relacionado à maneira como lidamos com as rotinas operacionais da casa e a forma com que educamos nossos filhos para isso. Todos ajudam nas tarefas e obrigações de forma a não sobrecarregar ninguém? Independentemente da idade, todos podem colaborar, dentro de suas capacidades. Até mesmo os menores podem ajudar, guardando brinquedos e ajeitando seus quartos. Dependendo da idade, podem até lavar as vasilhas de plástico, com baixo risco de acidentes. Ensine seus filhos a trabalhar, contribuir e a realizar as responsabilidades tanto as de escola quanto as de casa. Esse é um grande legado que você pode deixar: ajudar seus filhos a se desenvolver de forma autônoma e independente, mas com responsabilidade e foco. Essas serão competências exigidas a eles quando entrarem no mercado de trabalho ou quando tiverem de enfrentar outras mudanças impostas por situações como a que estamos vivendo. Aline Souki Amaral de PaulaMestra em Organizações e Recursos Humanos, pós-graduada em Gestão Estratégica de Recursos Humanos e graduada em Psicologia, professora, coach profissional, master practitioner em PNL e consultora de gestão de pessoas com foco em desenvolvimento e gestão da mudança. _________ Gabriela Federman HofferGraduanda em Administração Pública na Escola de Governo Paulo Neves de Carvalho (Fundação João Pinheiro), com previsão de formatura para 2021, estagiária de Aline Souki em trabalhos de desenvolvimento de lideranças e de gestão estratégica de pessoas.
Um Primeiro de Maio diferente

O Primeiro de Maio de 2020 foi celebrado de forma completamente diferente dos anos anteriores: sem poderem reunir-se, os trabalhadores fizeram uma programação nas redes sociais que se iniciou às 11h30min, com um culto ecumênico, e depois com a fala das principais lideranças nacionais e apresentação de muitos artistas que apoiam a causa da justiça e os direitos dos trabalhadores. Mais uma vez, nosso querido Papa Francisco exerceu sua corajosa profecia e, numa mensagem aos movimentos sociais do mundo todo, no dia 10 de abril, manifestou sua solidariedade aos trabalhadores, especialmente aos informais, neste período de pandemia. Francisco os definiu como “um exército invisível que combate nas trincheiras mais perigosas”. Graças a Deus, nosso Papa, diferente de alguns governantes cruelmente indiferentes ao sofrimento e às mortes, sabe que as vítimas principais desta crise são os pobres, os trabalhadores que, muitas vezes, vivem entre o desespero da fome e a ameaça desta doença mortal. “Sarar, cuidar e compartilhar” é o desafio que Francisco propõe a todos nós que nos reconhecemos seguidores de Jesus. A grande pandemia vem pôr em questão toda a organização da economia mundial, toda forma de exploração dos recursos naturais, nossa relação com a Mãe Terra e a própria relação entre nós. O grande dogma do neoliberalismo, do poder material, cai por terra, e as fortalezas dos impérios do dinheiro mostram sua fragilidade. A emergência sanitária demonstra, ao mesmo tempo, a importância da pessoa e do trabalho humano. Quando hordas de inescrupulosos fazem as carreatas exigindo a abertura de seus comércios a qualquer preço, confessam que, sem o trabalho, seu capital não serve para nada e que pouco se importam se mais gente é infectada ou morta, porque é preciso que o trabalho faça girar sua máquina de lucro. O Primeiro de Maio vem nos lembrar, assim, a primazia do humano, a nobreza do trabalho que completa a obra da Criação. Por isso, nessa data, temos de exigir que, diante de uma crise tão grave, os governantes devem tomar as medidas para defender a vida de seu povo, seja com medidas sanitárias, seja com providências econômicas que socorram as famílias dos trabalhadores desempregados, daqueles momentaneamente afastados de seus postos de trabalho devido à pandemia, dos marginalizados, a população que vive nas ruas… É ainda o Papa quem defende a instituição de um “salário universal que reconheça e dê dignidade às nobres tarefas que desempenham… que nenhum trabalhador fique desprovido de direitos”. Oxalá a Igreja no Brasil e todos nós sigamos as orientações de Francisco, encarnação viva de Jesus, e façamos da luta pela Justiça e da solidariedade concreta nossa prática cristã cotidiana. Para isso é preciso que cada comunidade, cada cristão se proponha, neste Primeiro de Maio, a engajar-se numa ação de solidariedade, seja ela com o recolhimento de alimentos, artigos de higiene pessoal para distribuição a nossos irmãos trabalhadores vítimas da injustiça e da indiferença, seja com a partilha do pão da Palavra, da orientação, da informação a respeito de seus direitos essenciais. Gilberto CarvalhoGraduado em Filosofia e Teologia com especialização em Gerenciamento Público. Ligado à Pastoral Operária (da Igreja Católica), desempenhou diversas funções no Partido dos Trabalhadores (PT) e é Ex-Secretário Geral da Presidência da República. O trabalho em foco A adoção da tese do realismo periférico pelos governos neoliberais desde 2016 no Brasil impulsionou a busca de vantagens competitivas assentadas na redução dos custos de produção, especialmente do trabalho. Para tanto, o estabelecimento de uma nova disciplina na organização do trabalho cada vez mais desregulado. Nesse sentido, o abandono, após mais de uma década, da perspectiva de projeto nacional e do protagonismo mundial evidenciado pelos governos petistas tem revertido o padrão de relação salarial da força de trabalho assentado à estrutura verticalizada da produção industrial, cada vez mais terceirizada. Em decorrência, o esvaziamento das estruturas de representação de interesses dos operários e da burguesia industrial até então referências de compromissos políticos passados em torno do desenvolvimento brasileiro. Retorno ao receituário neoliberal Com o retorno ao receituário neoliberal, a desregulamentação defensiva ganhou centralidade, pois voltada a alternativas para o trabalho assalariado frente à fuga da indústria e à pretensa expansão dos serviços cada vez mais industrializados. Para tanto, a difusão ideológica da meritocracia do empreendedorismo visando a converter o trabalhador em empresário de si próprio nas atividades de prestação de serviços. A dominância da concorrência exposta em escala individual extremada iria se descolar da necessidade do Estado, cabendo a cada um negociar no mercado a venda de serviços multifuncionais. Assim, as exigências de competitividade individual reforçariam as providências de dispor ativos próprios, como o certificado de formação (diploma educacional) e comprovantes de seguros na saúde, assistência e previdência social, não mais incorporado ao contrato de trabalho salarial entre empregado e empregador. Da privatização do Estado para a privatização dos direitos sociais Diferentemente do programa neoliberal da “Era dos Fernandos” (Collor, 1990-1992; e Cardoso, 1995-2002), quando o foco recaiu na privatização do Estado, os governos após golpe de Estado de 2016 concentram-se na privatização dos direitos sociais e trabalhistas. Nesse sentido, o fim dos serviços públicos, incialmente por sua asfixia orçamentária, propulsora do rápido rebaixamento da oferta e sua qualidade, e na sequência, sua privatização, abriria nova modalidade de expansão capitalista fundamentada no empreendedorismo dos serviços. Enquanto avança a desregulamentação defensiva, o Brasil assiste ao acelerado descompasso entre a internacionalização do padrão de consumo cada vez mais excludente das massas empobrecidas e a especialização da estrutura produtiva dependente do extrativismo mineral e vegetal, acompanhado do maior barateamento possível do custo da mão de obra. Sinal disso pode ser traduzido nas informações a respeito da expansão recente da subutilização da força de trabalho no Brasil. Atualmente, a subutilização do trabalho, que atinge um a cada quatro brasileiros, era apenas um pouco mais de 1/7 da força de trabalho no ano de 2014. Com isso, o Brasil que representava 5,3% do total de trabalhadores subutilizados no mundo, em 2014, passou a responder por 9% em 2019, segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT). “A subutilização do trabalho tende
Maio, Mês de Maria e das Mães

O mês de maio é lembrado por dois nomes que mexem com o coração. Nele celebramos, de modo especial, o encontro com Maria, Mãe de Jesus, e o Dia das Mães. Maria, tão cara ao coração dos cristãos, é a portadora da face de Deus permanente que está no meio de nós. Ela representa o amor e a fidelidade de Deus salvador. Nela encontramos o amparo para nossas dores e a esperança da verdadeira felicidade que brota de seu coração puro e amável. Nela projetamos um amor filial, vemos nela a Ave Maria, cheia de graça, porque, em seu ventre, gerou para nós o salvador Jesus Cristo. Ela é o símbolo universal da amabilidade divina e o caminho mais seguro para chegar até seu Filho. Por isso nós a chamamos de Mãe de Deus e nossa. Ela foi a Virgem contemplada sem pecado, preparada desde sempre para ser a Mãe do Salvador e Redentor. Em maio, nós a reverenciamos destacadamente. Dizemos que este é o Mês de Maria. É por causa da Mãe de Jesus que também recordamos o Dia das Mães. Embora todos saibamos que mãe não tem dia, pois todos os dias elas são mães, escolheu-se um data especial para homenageá-las. As mães, com raras exceções, são os referenciais da vida dos filhos. O amor de mãe é insubstituível, e disso elas dão prova todos os dias. São capazes de gestos heroicos em favor dos filhos, da família. Elas têm, por natureza, uma sensibilidade de perceber o que acontece no íntimo dos seus. Captam coisas que somente sua intuição é capaz. Os filhos, mesmo depois de crescidos e adultos, continuam a dizer que comida igual à da mãe ninguém faz. Quando se veem em dificuldades, é a ela que recorrem em busca de conselhos ou socorro. O coração de mãe é grande para perdoar as faltas e extravios de filhos desencaminhados e defendê-los mesmo assim. Como pessoas, não são perfeitas. Como todos os humanos, erram também. Elas também têm necessidades de afeto, carinho, atenção e cuidados que nem sempre encontram naqueles que os devem a elas por gratidão e obrigação. Homenageá-las no Mês de Maria é um gesto de reconhecimento pelo bem que fazem e pela presença que são na vida da família. É verdade que nem todas as mães recebem o que merecem. Há filhos ingratos que esquecem o ventre do qual nasceram. Há mães amarguradas pelo descaso em que se encontram, mães que lutam para sobreviver à mingua do que ganham, mães que morrem como indigentes porque lhes foi tirado o direito de vida digna. Há mães que choram sem serem consoladas, mães anônimas porque esquecidas pelos filhos e familiares em asilos e casas de acolhida. Há mães atormentadas por erros que cometeram, há mães que se perderam nas ilusões a que foram submetidas ou por infidelidades daqueles que juraram estar com elas em todas as circunstâncias, por toda a vida. De todas as mães queremos lembrar com carinho e gratidão. Àquelas amadas e realizadas nossa promessa de continuar amando-as sempre. Àquelas esquecidas nosso pedido de perdão pelas injustiças cometidas contra elas e nossa prece a Maria, Mãe de Jesus, por elas. Para aquelas que já se encontram do outro lado da vida, rogamos a Deus pelo seu repouso eterno. Que o coração de Maria acolha todas elas, proteja e abençoe aquelas que ainda vivem entre nós e conviva com todas aquelas que partiram e se encontram com seu filho Jesus. Salve Maria, Mãe de Jesus! Um salve às mães em seus dias, todos os dias! Oração Ó Maria, Mãe de Jesus e nossa, hoje rogamos a ti por nossas mães. Maravilhados pela vocação à maternidade de todas que geraram a vida em seus ventres, como Tu geraste Jesus. Olha por todas elas, especialmente as mais sofridas, porque mais necessitam de teu auxílio. Conforta-as com tua benção e proteção. Louvamos e bendizemos a Deus Pai por ter feito a mulher com a capacidade de gerar a vida. Só elas podem! É de seu ventre que brota e nasce a vida! É da fecundidade delas que aparece o amor primeiro! É em seu colo que todos aprendemos a lição do amor verdadeiro! Suplicamos ao Espírito Santo, que sua sombra fecundante encha de graças o coração de todas as mães, como fez com Maria. Que Ele ilumine o caminho de cada uma delas e as acompanhe em seu dia a dia, inspirando-lhes o discernimento necessário para realizar bem sua missão de mulher mãe! Maria, mãe de Jesus, Mãe terna e eterna, acompanha, abençoa os dias de nossas mães, sê para elas exemplo de fidelidade e de amor. Cuida delas com teu amor materno! Amém Oração recomendada pelo Papa Francisco para o fim da récita do terço, no mês de maio Oração a Maria “À vossa proteção, recorremos, Santa Mãe de Deus. Na dramática situação atual, carregada de sofrimentos e angústias que oprimem o mundo inteiro, recorremos a vós, Mãe de Deus e nossa Mãe, refugiando-nos sob a vossa proteção. Ó Virgem Maria, volvei para nós os vossos olhos misericordiosos nesta pandemia do coronavírus e confortai a quantos se sentem perdidos e choram pelos seus familiares mortos e, por vezes, sepultados duma maneira que fere a alma. Sustentai aqueles que estão angustiados por pessoas enfermas de quem não se podem aproximar, para impedir o contágio. Infundi confiança em quem vive ansioso com o futuro incerto e as consequências sobre a economia e o trabalho. Mãe de Deus e nossa Mãe, alcançai-nos de Deus, Pai de misericórdia, que esta dura prova termine e volte um horizonte de esperança e paz. Como em Caná, intervinde junto do vosso Divino Filho, pedindo-lhe que conforte as famílias dos doentes e das vítimas e abra o seu coração à confiança. Protegei os médicos, os enfermeiros, os agentes de saúde, os voluntários que, neste período de emergência, estão na vanguarda, arriscando a própria vida para salvar outras vidas. Acompanhai a sua fadiga heroica e dai-lhes força, bondade e saúde. Permanecei junto daqueles que assistem
Dia do Trabalho: entre a Covid 19 e o risco da fome

Diante de um cenário desolador, é preciso coragem e criatividade para encontrar novas possibilidades e oportunidades. Quanto maior a dificuldade, mais necessitamos cultivar a fé em Deus, a confiança em nós mesmos e na humanidade, e a esperança que sempre há algo que se possa fazer quanto se busca o bem de todos. Neste artigo da Organização Internacional do Trabalho temos uma perspectiva realista da situação atual, não para desanimar, mas para entender o que está acontecendo e buscar alternativas. Boa reflexão para este Primeiro de Maio. Perda de empregos e o risco de perder os meios de subsistência Dados mais recentes da OIT sobre o impacto da pandemia de COVID-19 a respeito do mercado de trabalho revelam o efeito devastador sobre as(os) trabalhadoras(es) da economia informal e centenas de milhões de empresas em todo o mundo. O declínio acentuado e contínuo das horas de trabalho em todo o mundo devido ao surto de COVID-19 significa que 1,6 bilhão de trabalhadoras(es) na economia informal – ou quase a metade da força de trabalho global – correm o risco iminente de ter seus meios de subsistência destruídos, alerta a Organização Internacional do Trabalho (OIT).|De acordo com a terceira edição do “O Monitor da OIT: COVID-19 e o mundo do trabalho ” (em inglês), a queda nas horas de trabalho no atual trimestre (segundo) de 2020 pode exceder em muito o estimado anteriormente. Na comparação com os níveis pré-crise (quarto trimestre de 2019), espera-se agora uma redução de 10,5% nas horas de trabalho, o equivalente a 305 milhões de empregos em período integral (assumindo uma semana de trabalho de 48 horas) no segundo trimestre de 2020. A estimativa anterior era de uma queda de 6,7%, o equivalente a 195 milhões de empregos em tempo integral. Isso se deve ao prolongamento e à extensão das medidas de confinamento. Em termos regionais, a situação piorou para todos os principais grupos regionais. As estimativas indicam uma perda de 12,4% das horas de trabalho no segundo trimestre nas Américas (em comparação com os níveis anteriores à crise) e de 11,8% na Europa e Ásia Central. As estimativas para os demais grupos regionais são bastante próximas e todas excedem 9,5%. Impacto na economia informal A crise econômica causada pela pandemia afetou severamente a capacidade de ganhar a subsistência de quase 1,6 bilhão de trabalhadoras(es) na economia informal (o grupo mais vulnerável no mercado de trabalho), de um total de dois bilhões na economia informal em todo o mundo, e de uma força de trabalho global de 3,3 bilhões de pessoas. Isso se deve a medidas de confinamento e / ou porque essas pessoas trabalham em alguns dos setores mais atingidos pela crise. Estima-se que o primeiro mês da crise tenha resultado em uma queda de 60% na renda das(os) trabalhadoras(es) informais em todo o mundo. Isso se traduz em uma queda de 81% na África e nas Américas, 21,6% na Ásia e no Pacífico e 70% na Europa e Ásia Central. Sem uma fonte alternativa de renda, essas(es) trabalhadoras(es) e suas famílias não terão meios de sobrevivência. Empresas em risco Nas últimas duas semanas, a proporção de trabalhadoras(es) que vivem em países com o fechamento recomendado ou necessário do local de trabalho diminuiu de 81% para 68%. A redução da estimativa anterior de 81%, indicada na segunda edição do Monitor (publicada em 7 de abril), deve-se principalmente às mudanças na China. Em outros países, as medidas de fechamento do local de trabalho aumentaram. Em todo o mundo, mais de 436 milhões de empresas enfrentam o sério risco de interrupção das atividades. Essas empresas pertencem aos setores mais afetados da economia, incluindo 232 milhões de empresas nos comércios atacadista e varejista, 111 milhões no setor manufatureiro, 51 milhões no setor de hospedagem e serviços de alimentação e 42 milhões no setor imobiliário e outras atividades comerciais. São necessárias medidas políticas urgentes A OIT defende a adoção de medidas urgentes, específicas e flexíveis para ajudar as(os) trabalhadoras(es) e as empresas, em particular as empresas menores, as(os) trabalhadoras(es) na economia informal e outras pessoas em situação de vulnerabilidade. “Para milhões de trabalhadores, a ausência de renda é igual à ausência de comida, de segurança e de futuro. […]À medida que a pandemia e a crise do emprego avançam, a necessidade de proteger a população mais vulnerável se torna mais premente.” Guy Ryder, diretor-geral da OIT As medidas para revitalizar a economia devem se basear em uma forte abordagem na criação de empregos e devem ser apoiadas por políticas e instituições de emprego mais fortes, sistemas de proteção social mais abrangentes e com melhores recursos. A coordenação internacional de pacotes de estímulo e de medidas de alívio da dívida também será crítica para tornar a recuperação eficaz e sustentável. As normas internacionais do trabalho, que já possuem consenso tripartite, podem fornecer uma estrutura. “À medida que a pandemia e a crise do emprego avançam, a necessidade de proteger a população mais vulnerável se torna mais premente”, afirmou Guy Ryder, diretor-geral da OIT. “Para milhões de trabalhadores, a ausência de renda é igual à ausência de comida, de segurança e de futuro. Milhões de empresas em todo o mundo estão à beira do colapso. Elas não têm poupança ou acesso ao crédito. Essas são as verdadeiras faces do mundo do trabalho. Se não forem ajudados agora, simplesmente perecerão”. Fonte: OIT Notícias / Organização Internacional do Trabalho – 29 de Abril de 2020
“Eu e minha família serviremos o Senhor!”

A Bíblia nos conta que, numa situação de crise, Josué, que liderava o povo, convocou os anciãos que eram os responsáveis pelos clãs familiares e, depois de uma breve análise da situação, questionou: “Se, porém, não lhes agrada servir ao Senhor, escolham hoje a quem servirão, se aos deuses que os seus antepassados serviram além do Eufrates ou aos deuses dos amorreus, em cuja terra vocês estão vivendo. Mas eu e minha família serviremos ao Senhor” (Josué 24,15). Eis o dilema: a quem servir? Vivemos num mundo contraditório. Estamos em plena crise provocada pelo coronavírus. Há muitas situações alarmantes pela falta de recursos materiais, equipamentos, pessoas habilitadas. Um fenômeno sem precedentes. Ninguém escapa da crise; o mundo todo está sitiado! Ouvem-se notícias de que, em alguns hospitais, os médicos devem decidir a quem socorrer; muitas vezes, “escolher” quem vai receber os cuidados necessários e quem vai “sobrar”! Dilemas difíceis. Ninguém gostaria de ter de fazer escolhas desse tipo. Em nível de governantes, há tendências opostas. Existem aqueles que querem priorizar o isolamento como forma de evitar a propagação do vírus e preservar a vida, há aqueles que se preocupam com a economia, temendo que esta vá para o caos e gere mais desgraça! Quem tem razão? Ambos os problemas são sérios e precisam ser enfrentados. Aqui se poderia pôr a pergunta de Josué: “a quem servir?”. Muitos de nós já estamos aborrecidos de ficar em casa, sem perspectiva de quando isso tudo vai acabar. Os prazos são prolongados, e se veem as notícias de que o pico ainda não chegou e já morreu muita gente. Quantos ainda vão morrer? A cada um são solicitados alguns cuidados: usar máscara, passar álcool em gel nas mãos, observar uma distância dos outros. Todo mundo com medo de contaminar-se. Estamos em crise! Quanto às mensagens que se trocam pelo WhatsApp, algumas trazem incentivo, apoio para perseverar; outras com comentários fora de propósito, outras buscando culpados por isso ou por aquilo, em muitos casos, sem qualquer discernimento. As tais de fakes news correm soltas. Muita gente acreditando em tudo o que lê, vê ou ouve, sem verificar se o que é propagado realmente procede ou é apenas jogo de interesses para confundir as pessoas incautas. Estamos precisando de Josué que nos ajude a discernir como proceder! Estamos vivendo um tempo cheio de interrogações. Quem poderia imaginar, alguns meses atrás, que esta situação ocorreria? Nem em sonhos! De certa forma, fomos pegos de surpresa, sem preparativos adequados para enfrentar o problema. Não temos vacina, não temos remédios, falta espaço adequado para atender os doentes, faltam agentes de saúde para dar conta da demanda. Sem recursos, como servir? Há questionamentos de todos os tipos. Até Deus entra em questão! Muitos se perguntam que aviso Deus estaria dando por meio desta pandemia. Outros, mais adeptos do Deus vingativo, veem como castigo infligido por nossos desmandos. Outros, mais fatalistas, dizem que isso já fora previsto pelos “profetas” de ocasião; e outros, ainda, alarmistas, dizendo que é prenúncio do fim do mundo. Quando não se faz discernimento, todas as hipóteses parecem válidas. Josué é chamado novamente em causa: “a quem servir (ouvir)?”. O certo é que muitas coisas devem mudar depois desta experiência. O mundo não será o mesmo! Resta saber se será um mundo mais humano, no qual a vida seja prioridade sobre o capital. Se vai permanecer a solidariedade que agora se mostra. Se os governantes vão se preocupar mais com a saúde do povo, com saneamento básico, condições de moradia digna, melhor controle da poluição, se haverá políticas pelas quais se busque diminuir a diferença entre os ricos e pobres, com melhor distribuição de renda. Se as pessoas deixarão de ser tão voltadas para o próprio umbigo, se aprenderão a valorizar mais os valores mais altruístas, se deixarão de ser tão vaidosas, se saberão usar melhor o próprio juízo e não meros repetidores de opiniões alheias. Se deixarão de ser tão imediatistas e mais profundas em suas buscas. Poderiam ser colocados muitos outros condicionantes. Por ora, bastaria uma melhora nesses, e o mundo já seria melhor. O futuro nos espera de portas abertas! Dependerá de nós. Vamos ter um mundo melhor se aprendemos com a experiência de que uns dependem dos outros; ninguém dá conta sozinho de si mesmo. Caso optemos por continuar com o que estava antes, com nossas velhas disputas por poder, posse e prazer, servindo a “deuses estrangeiros”, o mundo será pior! Fica a questão de Josué: “a quem vamos servir?” Oração Ó Deus, acompanhais com vossa proteção todos os povos, desde os mais antigos até os que vivem hoje. Muitos patriarcas e profetas vieram antes de vosso filho Jesus, orientando a caminhada do povo para vós. Enviastes vosso Filho e revelastes definitivamente que só há um caminho e uma verdade a seguir para chegar à verdadeira vida. Quem segue por essa trilha alcança a vida em plenitude. Ajudai-nos neste tempo em que vivemos aflitos por causa da pandemia. Vossa proteção continue nos guiando agora e em vista de nosso futuro. Nós hoje renovamos nossa escolha e, como Josué dizemos “Eu e minha família serviremos o Senhor”. Amém. Pe. Deolino Pedro Baldissera, SDSPadre salvatoriano há 43 anos, professor e psicólogo pela Universidade Gregoriana de Roma, com mestrado em Psicologia e doutorado em Ciências da Religião. Atualmente é pároco em Videira-SC.
Educação gera vida

Quando pensamos em Educação, muitas vezes, nos vem à memória a imagem das tradicionais salas de aulas, dos conteúdos acadêmicos que são difundidos no espaço escolar, dos mestres detentores do saber. No entanto, atualmente, precisamos fazer uma releitura dessas imagens e entender que tudo mudou. As tradicionais salas de aula tornaram-se espaços dinâmicos de aprendizagem; o professor, mediador dos conhecimentos; e o aluno, protagonista de suas ações. Não que tenhamos criado algo novo, pois inovar não significa fazer o que nunca foi feito, mas ressignificamos o espaço escolar, a fim de torná-lo cada vez mais significativo, mesmo que, para isso, tenhamos de enfrentar muitos desafios. Contudo, diante desse novo cenário de possibilidades, não podemos deixar de priorizar e consolidar, pela práxis educativa, uma formação integral que considere as diversas dimensões do ser humano: física, emocional cognitiva, social e espiritual, e promovendo, como nos dizia Paulo Freire, uma educação transformadora e libertadora, pois não basta apenas dominar conteúdos e técnicas, é necessário ter autonomia e ser cognitivamente capaz de inserir-se socialmente. E, para que tudo isso seja consolidado, é preciso ter muito cuidado, não só no sentido de cautela, mas no de zelo. Formar uma pessoa, em todas as suas dimensões, exige competência, sabedoria e sensibilidade, pois lidamos com vidas e temos a missão de ver, sentir, acolher e cuidar. Educar é ter esperança no futuro, mesmo diante de um presente tão incerto, para semear com sabedoria e colher com paciência, pois são as vidas que agora estão sendo cuidadas que cuidarão de nós, do mundo e dos seres que nele habitam. Muitos afirmam que a arte de educar é, ao mesmo tempo, a mais difícil e bela de todas. O ato de educar é o prolongamento do ato de gerar. Ao educarmos, geramos vidas, pois promovemos o crescimento intelectual e o amadurecimento. A educação transforma e forma, não só durante nove meses, mas durante toda a existência. Ela gera vida plena e em abundância. Assim como uma mãe que traz seu filho no ventre e o acolhe, como seu bem mais precioso, doando um pouco de si, e aprendendo com aquela experiência, educar também é um ato de amor, benevolência e comunhão. Quem educa, também, deixa um pouco de si no outro e leva um pouco do outro para si. E, diante dessa responsabilidade, precisamos pensar em educação, não em seu sentido restrito, mas naquele mais amplo, que ultrapasse as paredes da sala de aula, os conhecimentos, as competências cognitivas e aufira as competências pessoais, a inteligência socioemocional e forme pessoas de bem que olhem não só para si, mas para o outro, para os mais necessitados, para aqueles que precisam, para os animais, vegetais, para o meio ambiente e estejam a serviço da vida. Só assim teremos pessoas capazes de aprender a aprender sempre, de enfrentar os desafios impostos, de buscar soluções adequadas e eficazes para problemas que nunca pensamos enfrentar. Só pessoas preparadas emocionalmente conseguem combater, da melhor maneira, os desafios sociais, econômicos e pessoais, que surgem diariamente, e viver, da melhor forma, uma vida que se transforma e é transformada, da noite para o dia. No momento atual, diante da pandemia do covid-19, estamos, verdadeiramente, tendo de nos reinventar. Estamos vivendo um cenário nunca antes vivido, muito menos esperado, que nos incita a novas aprendizagens. Precisamos reinventar a nossa forma de nos relacionar com o mundo, com o outro, de trabalhar, estudar e de estabelecer uma rotina. Estamos, mais do que tudo, aprendendo que necessitamos nos importar com o nosso semelhante, com o mundo e com detalhes que, diante de nossa correria do dia a dia, deixamos, aos poucos, de nos importar. Sairemos mais fortes dessa situação e com a certeza de que não estamos, ou ficamos, bem individualmente. Só estamos bem coletivamente, porque estamos juntos, somos parte do mundo e geradores de vida. Clarice Aparecida Monreal P. Cavalcante, pedagoga com especialização em orientação educacional e administração escolar, pós-graduada em Gestão Escolar e diretora educacional do Colégio Espírito Santo, em São Paulo-SP.
Vídeo traz solidariedade das missionárias jovens

As irmãs jovens que ainda estão em formação, tanto postulantes, noviças como irmãs professas de votos temporários, espalhadas em vários países, uniram-se numa iniciativa simples, mas muito significativa: produzir um vídeo para expressar o amor de Deus às pessoas que sofrem por causa da pandemia do covid-19. A iniciativa partiu da noviça Crislaine Mayra Lopes, que atualmente faz estágio na Argentina. Ela sentiu o apelo de fazer alguma coisa “para que as pessoas sentissem mais confiança em Deus e esperança que tudo isso logo vai passar”. Ela conta que veio a inspiração do vídeo e pediu que uma das irmãs jovens do Paraguai, a Ir. Liz Valdez, a ajudasse. Assim, enviaram o convite a todas as irmãs jovens, noviças e postulantes e daí resultou o vídeo. Liz e Crislaine compartilham o significado da iniciativa: Deus nos ama sempre! Como sabemos, essa pandemia afeta a todos nós e, embora muitas informações que recebemos de toda a mídia pareçam muito negativas, nós, como jovens religiosas missionárias da Congregação Missionária das Servas do Espírito Santo, acreditamos e sabemos que estão surgindo ações muito positivas, encorajadoras e, acima de tudo, que expressam esperança a tantas pessoas que estão lidando com situações muito difíceis. Desse modo, reconhecendo o imenso amor que Deus nos oferece em todos os momentos, nós nos colocamos em comunicação entre as irmãs em formação da Zona Panam, com uma proposta nascida de uma noviça. A ideia era fazer vídeos curtos com um texto que falasse sobre a experiência pessoal e, ao mesmo tempo, o que queremos transmitir ao mundo ou, pelo menos, àqueles que chegarem ao vídeo. Hoje a comunicação a distância, através de tantas plataformas ou aplicativos virtuais, é muito fácil e rápida, e muito mais entre os jovens. Então ficamos empolgadas e começamos a compartilhar. Tanto que a resposta foi dada. Representantes do Brasil, Argentina, Paraguai, México, Bolívia e uma colaboração especial da Alemanha tornaram possível ver no vídeo o desejo de cada uma em relação aos outros. Só esperamos que as pessoas não se sintam sozinhas, muito menos abandonadas por Deus. As reações ao nosso vídeo são muito animadoras, a ponto de nos tornarmos beneficiárias da sua mensagem. Assista ao vídeo, cuide-se e confie em Deus:
Uma Páscoa diferente

Neste período de pandemia, em que os alunos estão em casa de férias ou tendo aulas on-line, a Rede de Educação Missionárias Servas do Espírito Santo está buscando, de muitas maneiras, manter o contato com as famílias e acompanhar os estudantes. Entre as muitas ações que vêm sendo realizadas com as famílias das comunidades educativas dos colégios, o trabalho realizado na Semana Santa merece destaque especial. Foram três passos que culminaram na celebração da Páscoa em família. Aqui vale observar a importância do processo que cada família realizou. Desde a preparação do espaço, a produção dos pães até o momento da celebração em si. Parece até que voltamos a celebrar do mesmo jeitinho que Jesus, na primeira páscoa, em nossas casas. A festa da fé, da esperança e da vida nova vivida na intimidade de nossos lares e em pequenos grupos. Olhando o texto bíblico, é curioso perceber o que fala sobre os preparativos da Páscoa. Aproximava-se a festa da tradição judaica que fazia memória da saída do povo do Egito, e o grupo de Jesus realizaria esse preceito. Surgiu, entretanto, um problema: eles não tinham uma casa para que pudessem se reunir. E Jesus encontrou uma solução: “Enviou então dois dos seus discípulos e disse-lhes: ‘Ide à cidade. Um homem levando uma bilha d’água virá a vosso encontro. Segui-o. Onde ele entrar, dizei ao dono da casa: o Mestre pergunta: ‘Onde está a minha sala em que comerei a Páscoa com os meus discípulos?’. E ele vos mostrará no andar superior uma grande sala arrumada com almofadas. Preparai-a ali para nós.” (Marcos 14,13-15) Os discípulos encontraram aquilo que Jesus havia falado. Seguiram o homem da bilha, entraram na casa, e o dono do lugar disponibilizou uma grande sala, no andar superior. Ali os discípulos prepararam a ceia. Como podemos ler, não aparece o nome do homem que ofereceu a sala para Jesus e os discípulos celebrarem a Páscoa. Nos vídeos, veremos como tudo isso aconteceu nas famílias bem como a relação que a Rede de Educação tem buscado estabelecer com cada uma. Assista. Agostinho Travençolo Júnior, educador e coordenador da Dimensão Missionária da Rede de Educação SSpS.
Vamos salvar o Planeta Terra

Hoje, 50º aniversário do Dia da Terra, criado para formar consciência em relação aos problemas de contaminação e conservação do planeta, experimentamos uma situação sem precedentes. Talvez este momento de pandemia seja a oportunidade de que precisamos para acordar e tomar as medidas necessárias para salvar não apenas nossa vida, mas a vida do planeta Terra. Há muitas evidências científicas de que a Terra é um superorganismo vivo que regula seu próprio funcionamento, o que inclui as condições atmosféricas, clima e temperatura, correntes marítimas e tantas outras funções que lhe permitem sustentar a vida. Mas, por causa da intervenção devastadora do ser humano, o equilíbrio da Terra foi rompido, e esta adoeceu e luta para sobreviver. As alterações climáticas e o aquecimento global já não são uma suposição. Sofremos na pele suas consequências e nem sequer conseguimos imaginar o que poderá vir pela frente. O secretário-general da ONU, António Guterres, em mensagem pelo Dia da Terra dirigida à comunidade internacional, propôs seis ações para salvar o planeta. Para ele, o impacto do coronavírus é terrível, mas a crise ambiental pode levar a uma situação sem retorno. Para ele, a crise mundial gerada pela pandemia pode ser uma oportunidade para fazer as mudanças necessárias para salvar o planeta. Vejamos a íntegra de seu discurso. “Precisamos transformar a recuperação numa oportunidadereal de fazer as coisas certas para o futuro” Neste Dia Internacional da Terra, todos os olhos estão postos na pandemia da COVID-19 – o maior teste que o mundo enfrentou desde a Segunda Guerra Mundial. Devemos trabalhar juntos para salvar vidas, aliviar o sofrimento e diminuir as suas consequências econômicas e sociais devastadoras. O impacto do coronavírus é imediato e terrível. Mas há outra emergência profunda – a crise ambiental do planeta. A biodiversidade está em declínio acentuado. A ruptura climática está a chegar a um ponto sem retorno. Devemos agir sem hesitação para proteger o nosso planeta, tanto do coronavírus como da ameaça existencial das perturbações climáticas. A crise atual é um despertar sem precedentes. Precisamos transformar a recuperação numa oportunidade real de fazer as coisas certas para o futuro. Por isso, proponho seis ações relacionadas com o clima para moldar a recuperação e o trabalho que temos pela frente. Primeiro: ao gastarmos enormes quantias de dinheiro para recuperar do coronavírus, precisamos de criar novos empregos e negócios através de uma transição limpa e verde Segundo: quando o dinheiro dos contribuintes for usado para resgatar empresas, este deve estar vinculado à obtenção de empregos verdes e ao crescimento sustentável. Terceiro: o poder das políticas orçamentais deve transformar a economia cinzenta em verde e tornar as sociedades e as pessoas mais resilientes. Quarto: os fundos públicos devem ser usados para investir no futuro, não no passado, e utilizados em setores e projetos sustentáveis que ajudam o meio ambiente e o clima. Os subsídios aos combustíveis fósseis devem terminar e os poluidores devem começar a pagar pela sua poluição. Quinto: os riscos e as oportunidades relacionados com o clima devem ser incorporados no sistema financeiro, bem como em todos os aspetos da formulação de políticas públicas e de infraestruturas. Sexto: precisamos trabalhar juntos como uma comunidade internacional. Esses seis princípios constituem um guia importante para juntos recuperarmos melhor. Os gases de efeito de estufa, assim como os vírus, não respeitam fronteiras nacionais. Neste Dia da Terra, por favor, juntem-se a mim para exigir um futuro saudável e resiliente para as pessoas e para o planeta. António Guterres (secretário-geral), mensagem por ocasião do Dia Internacional da Terra (22 de abril de 2020). Fonte: UN Web TV Assista também a mensagem do Conselho Indigenista Missionário (Cimi) para o Dia Mundial da Terra:
Semana dos Povos Indígenas Sementes de vida, resistência e esperança

Desde 1943, 19 de abril é lembrado, em nosso país, como o “Dia do Índio”. Um olhar sincero e honesto sobre a contínua relação de exploração, violência e preconceitos de vários atores de nossa sociedade com os povos indígenas nos faz questionar qual o sentido remanescente dessa data. Assumir a causa indígena como nossa é uma das mais apreciadas formas de celebrar e colaborar na luta e na resistência desses povos. A Semana dos Povos Indígenas 2020, organizada pelo Conselho Indigenista Missionário (Cimi), apresenta a seguinte reflexão e convida todas e todos nós a assumir ações em defesa da vida dos povos originários e de nossa Casa Comum. O que podemos fazer em apoio à causa indígena no Brasil 1 – A defesa da vida dos povos indígenas começa com a defesa de seus territórios e com a ecologia integral que conecta o exercício da justiça, da igualdade e da solidariedade com o exercício do cuidado com a natureza (proposta: trabalhar essas questões em grupos). 2 – O Sínodo para a Amazônia propôs definir e discutir um novo pecado, “O pecado ecológico como uma ação ou omissão contra Deus, contra o próximo, a comunidade e o meio ambiente. É um pecado contra as gerações futuras e se manifesta em atos e hábitos de contaminação e destruição da harmonia do ambiente, em transgressões contra os princípios da interdependência e na ruptura das redes de solidariedade entre as criaturas e contra a virtude da justiça” (DF 82). 3 – Como um novo estilo de vida, uma “sobriedade feliz” (LS 224s), de toda a sociedade está ligado com a defesa da vida dos povos indígenas e com o pecado ecológico? 4 – Fazer um levantamento da presença de grupos indígenas na minha região e visitar o cárcere, para saber se há indígenas presos, quais foram os motivos e se existe proteção jurídica para eles. 5 – Manifestarmo-nos contra qualquer iniciativa jurídica ou legislativa que atentem contra os direitos indígenas assegurados constitucionalmente. Nesse sentido, é importante solicitar junto ao Supremo Tribunal Federal que, ao julgar o Recurso Extraordinário número 1.017.365, caracterizado como sendo de repercussão geral, faça-o tendo como parâmetro os direitos originários dos povos (fato jurídico do Indigenato) contra a tese jurídica do marco temporal, que pretende impor restrições às demarcações de terras, argumentando que os indígenas somente teriam direito a uma terra se nelas estivessem fisicamente, ocupando-a, por ocasião da promulgação da Constituição Federal, em 5 de outubro de 1988. Essa tese é uma aberração jurídica e precisa ser extirpada do sistema de justiça brasileiro. O Cimi (Conselho Indigenista Missionário) preparou dois vídeos para marcar a Semana dos Povos Indígenas: Fonte: folder da Semana dos Povos Indígenas 2020 Ir. Stela Martins, SSpS Coordenadora da Redes Rede de Solidariedade