Direitos humanos e fraternidade universal

Mais um ano de comemoração pelo aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos. São 73 anos de avanços em garantir o direito à vida dos indivíduos pelo mundo. Desde 10 de dezembro de 1948 que a luta pela dignidade humana passou a ser um desafio universal. Fazer cumprir os 30 artigos estabelecidos pelos representantes de vários países nem sempre tem sido consenso pelos governos. Infelizmente, ainda ocorrem violações dos direitos humanos, o que inclui desrespeito aos direitos civis, sociais e políticos. A violência tem aumentado muito, gerada pelo preconceito, como no caso do racismo ou de fanatismo, causando terrorismo, que ainda existe em várias nações. Com a pandemia, a violação em relação ao acesso à vacina contra a covid-19 e suas variantes nos países mais pobres tem demonstrado o tamanho da desigualdade entre os países. Nossa humanidade anda ameaçada pelo egoísmo, pela discriminação, pela ganância, injustiças. Conforme a Carta Apostólica Fratelli tutti, escrita pelo Papa Francisco, “Muitas vezes, constata-se que, de fato, os direitos humanos não são iguais para todos. O respeito a esses direitos ‘é condição preliminar para o próprio progresso econômico e social de um país’”. A criatividade para que haja igualdade é necessária para que o bem comum possa se torna uma realidade, como afirmou o Pontífice para um grupo de diplomatas, na Albânia, em 2014. Como comemorar o 73º ano da Declaração Universal dos Direitos Humanos se há tantos excluídos (refugiados, famílias inteiras passando fome, homofobia, intolerância religiosa, tortura, desemprego…) no mundo? É necessário preservar o direito dos povos, de suas culturas, independentemente de cor, raça, sexo, religião, nacionalidade, conforme proclama o artigo 2º do mesmo documento. Ser cidadão do mundo, antes, exigia apenas um passaporte. Agora, com a pandemia, o passaporte sanitário também passou a ser exigido. O ir e vir não é mais permitido como antes. Se todos não se conscientizarem da importância da vacinação, a contaminação continuará a ir além fronteiras. Todos devemos entender que somos da mesma espécie, portanto, deveríamos conviver como uma família universal. Em família, uns colaboram com os outros, uns cuidam dos outros. A natureza cuida de todos, concedendo-nos água, ar, terra, fogo para que os alimentos necessários sejam produzidos e sustentem a todos. Assim, o direito natural à vida, à liberdade e à segurança, que foi defendido por John Locke, tornou-se direito positivo. No entanto, nem todos têm acesso ainda a esses direitos, constrangendo até mesmo quem os defende. A igualdade deve ser garantida por meio da lei. Façamos aos outros o que gostaríamos que nos fizessem. A empatia, a solidariedade, a justiça social devem contribuir para que todos cuidem uns dos outros. Que a partilha justa dos bens, a reforma agrária sobre que tanto se falou possam vir a acontecer. A paz é fruto da justiça. Infelizmente, grupos interesseiros têm dominado o que é público, usurpando da coletividade direitos que, além de humanos, são universais, permanentes e insubstituíveis. Leia os trinta artigos da Declaração Universal dos Direitos Humanos e reflita como divulgar e fazer cumprir suas cláusulas, a fim de que todos sejam respeitados em suas vidas. Maria Terezinha CorrêaMestra em Antropologia, especialista em Ensino de Filosofia, graduada em Filosofia e Pedagogia, cursou Teologia pelo Mater Ecclesiae, filiada à ABA, APEOESP e SBPC, atualmente é professora de Filosofia na Prefeitura de São José-SC, membro da Comissão de Prevenção e Combate à Tortura pela ALESC, voluntária na Pastoral da Pessoa Idosa, ligada à Arquidiocese de Florianópolis.

Direitos humanos, um compromisso social

Você já parou para pensar por que existe “certidão de nascimento”, “carteira de trabalho” ou contrato em cartório? Que há muitos brasileiros que sonham em ter uma moradia digna com escritura e registro de imóvel? Quando trabalhadores e trabalhadoras puderam reivindicar condições e melhoria de trabalho? Que todos têm direitos à educação e à segurança? Que tortura é crime? Da Antiguidade até meados do século XX, esses direitos não existiam para homens comuns e muito menos para as mulheres, que eram vistas como sem alma! Eles foram conquistados durante muitos séculos, quando pensadores clássicos da Grécia Antiga, por volta do século V a.C., começaram a dar sinais de humanidade para a política da época, surgindo, assim, a “democracia”, isto é, “o poder do povo”. No entanto, o conceito de “povo” como coletividade que vivemos hoje apareceu na França, no século XVIII. De lá para cá, novas conquistas. Além do direito político, surgem os direitos civis e os sociais. A cidadania passa a ser exercida por milhares de indivíduos, conforme a garantia das liberdades individuais de ir e vir, de eleger seus representantes, de organizar-se em partidos, da construção de uma vida digna, como acesso à educação, à saúde, à cultura, ao lazer e à moradia, vai aumentando a qualidade de vida. Infelizmente, em muitos lugares do planeta, nem todas as pessoas gozam desses direitos, por causa das desigualdades sociais, das injustiças, das guerras, resumindo, do poder. Para combater as barbaridades que aconteciam no mundo, surgiu, após a Segunda Guerra Mundial, em 10 de dezembro de 1948, a Declaração Universal dos Direitos Humanos. Há 72 anos, a ONU busca cumprir os 30 artigos da Declaração, com o objetivo de proporcionar o diálogo e impedir conflitos entre os países, devido a questões econômicas, políticas ou culturais. Garantir a vida, a liberdade e o reconhecimento à pluralidade, o respeito mútuo em detrimento a privilégios de grupos particulares, como determina o artigo 1º: “Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos. São dotados de razão e consciência e devem agir em ralação uns aos outros com espírito de fraternidade”. Mas, por que ainda, no Brasil, há tantas famílias morando debaixo de viadutos? Homens e mulheres analfabetos? Trabalhadores sendo explorados? Jovens que nunca assistiram a uma peça de teatro? Prisioneiros ou religiosos sendo torturados? Milhões de pessoas passando fome? A Declaração Universal dos Direitos Humanos deve ser um compromisso social, em que tráfico de pessoas, discriminação, preconceito, torturas, violências devem ser erradicadas de nossa sociedade bem como de outros países.  A maioria dos brasileiros desconhece, ainda, os artigos da Declaração, o que, infelizmente, mantém muitas injustiças e violações quanto aos direitos de crianças e idosos, por exemplo. Procuremos conhecer cada um dos artigos e denunciar quando não são cumpridos por autoridades ou cidadãos. A Declaração Universal dos Direitos Humanos foi feita para todos “sem distinção de qualquer espécie, seja de raça, cor, sexo, língua, religião, opinião política ou de outra natureza, origem nacional ou social, riqueza, nascimento, ou qualquer outra condição”, conforme o artigo 2º. Ela foi contemplada nos artigos da Constituição Federal, no Estatuto da Criança e do Adolescente, no Estatuto do Idoso bem como no Código Civil em vigor. Cabe a cada um ter a consciência de fazer valer esse compromisso social. Maria Terezinha Corrêa Mestra em Antropologia, especialista em Ensino de Filosofia, graduada em Filosofia e Pedagogia, cursou Teologia pelo Mater Ecclesiae, filiada à ABA, APEOESP e SBPC. Atualmente é professora de Filosofia na Prefeitura de São José-SC, membro da Comissão de Prevenção e Combate à Tortura pela ALESC, voluntária na Pastoral da Pessoa Idosa, pertencente à Arquidiocese de Florianópolis-SC. 

ONU, Vivat Internacional e Vivat Brasil: em defesa dos direitos humanos

O Dia das Nações Unidas, ou Dia da ONU, é comemorado em 24 de outubro, desde 1948. A data celebra o aniversário da entrada em vigor da Carta das Nações Unidas, em 1945. Segundo o documento, os objetivos da ONU são: manter a paz e a segurança em todo o mundo; mediar e promover relações amistosas entre as nações; promover cooperações na resolução de problemas internacionais; ser o centro responsável por reunir as nações em prol desses objetivos. Esses propósitos foram se ampliando e, desde 2015, a ONU promove os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). Como congregação missionária, esses intuitos também orientam nossa missão. No ano de 2000, para articular melhor essas frentes, a organização Vivat foi criada como ação conjunta entre as missionárias servas do Espírito Santo e os missionários do Verbo Divino. A Vivat International tem sede em Nova Iorque, conta com 12 congregações religiosas e é reconhecida pelo Conselho Econômico e Social da ONU. A Vivat reconhece que as Nações Unidas são um foro importante para a colaboração e o trabalho em rede com outras organizações no mundo que partilham os mesmos objetivos. Além da sede em Nova Iorque, a Vivat mantém um escritório em Genebra, Suíça, pois é nessa cidade onde a ONU abriga o escritório da Coordenação de Assuntos Humanitários. Neste ano, o posto de Secretaria Executiva da Vivat foi ocupado por nossa irmã Gretta Fernandes, SSpS, que vive em Roma. Assim, a coordenação da Vivat Internacional se dá no triângulo entre Nova Iorque, Genebra e Roma. Vivat Brasil Alguns países, como Argentina, Espanha, Quênia, Indonésia e Irlanda criaram uma Vivat local. No Brasil, após muitas reflexões, optou-se por ser um movimento, um coletivo de membros de congregações, sem instituir uma entidade. Desde o início do ano de 2020, o verbita Pe. José Boeing, com quase 30 anos de missão na Região Amazônica, foi liberado para articular a Vivat Internacional no Brasil. A equipe de coordenação é composta ainda pela Ir. Michael Nolen, da Congregação das Irmãs da Santa Cruz, que, entre muitas outras atribuições, é advogada do Cimi (Conselho Indigenista Missionário); Pe. Dario Bosi, assessor da Repam (Rede Eclesial Pan-Amazônica) e do movimento Igreja e Mineração; e nossa irmã Petronella (Nelly) Boonen, que trabalha pelo Centro de Direitos Humanos e Educação Popular, com uma frente de cultura de paz, perdão e justiça restaurativa. Essa composição da equipe de coordenação no Brasil dá uma ideia dos diversos campos de missão que levaram à escolha das seguintes prioridades: erradicação da pobreza, mulher e questão de gênero; desenvolvimento sustentável e cultura de paz. Mas também são desenvolvidas ações com as temáticas boa saúde e bem-estar; educação de qualidade e redução da desigualdade (ODS/ONU). Em diálogo com a sociedade No Brasil, cerca de 1200 religiosas e religiosos, membros da Vivat Brasil, assumem a urgência da missão de efetivar a presença do Reino de Deus nas diversas realidades do mundo. Portanto, a Vivat atende ao chamado para a vida religiosa se deixar tocar pelas necessidades do povo brasileiro e intervir de forma articulada, para além dos espaços religiosos, com outras esferas privadas e públicas. Existem muitos desafios quando se olha para os objetivos. Cada membro das congregações que compõe essa rede está sendo convidado a escolher como colaborar com a missão Vivat, para que todos e todas tenham vida. Que a celebração do Dia das Nações Unidas possa nos lembrar essa convocação. Ir. Petronella Maria Boonen (Nelly) é co-fundadora da linha de Perdão e Justiça Restaurativa do CDHEP e doutora e mestra em Sociologia da Educação pela USP.)

Movimentos lembram os 40 anos da morte do operário católico Santo Dias

Movimentos eclesiais e sociais recordam, nesta quarta-feira, 30 de outubro, os 40 anos do assassinato do sindicalista católico Santo Dias da Silva. O operário é uma das figuras brasileiras mais emblemáticas na luta pelos direitos humanos e por melhores condições a trabalhadores e pessoas pobres. Ele foi morto aos 37 anos, ao tomar um tiro pelas costas, disparado por um policial militar durante uma manifestação pacífica, na porta de uma fábrica localizada na Zona Sul da capital paulista. A irmã Cecília Hansen, missionária serva do Espírito Santo, conheceu de perto o jovem sindicalista. Ela atua no Comitê Santo Dias, que mantém vivas as lutas defendidas pelo militante e a memória do operário. A religiosa conta que, além do engajamento sindical como metalúrgico, Santo Dias tinha uma intensa atuação cristã. “Já em sua terra natal (Terra Roxa, interior de São Paulo), participou da Legião de Maria, Congregação Mariana e das lutas dos trabalhadores rurais”, relata. A irmã acrescenta que o sempre alegre Santo também foi ministro extraordinário da comunhão e frequentemente visitava os enfermos na periferia de São Paulo. “Em sua fé, sempre se mostrou inabalável, mesmo diante das grandes dificuldades. Seu compromisso com os trabalhadores vem de suas convicções da vivência do Evangelho na vida”, testemunha a missionária. Ao lado da esposa, Ana Maria do Carmo, Santo Dias participou do Movimento Custo de Vida. Em plena ditadura militar, na década de 70, contestava o aumento dos gastos das famílias. Uma das iniciativas mais célebres foi um abaixo-assinado firmado por 1,3 milhão de pessoas, pedindo ao presidente da República a redução dos preços de produtos básicos. A apresentação do documento reuniu cerca de 20 mil pessoas na Praça da Sé, no Centro de São Paulo. Santo também participou ativamente da Pastoral Operária, surgida das reflexões das Comunidades Eclesiais de Base (CEB). A morte de Santo Dias causou grande comoção à época, conta Ir. Cecília. O cortejo fúnebre reuniu uma multidão em frente à Catedral da Sé, transformando-se numa grande manifestação contra as forças que oprimiam o povo. Imediatamente após o assassinato do sindicalista, foi criado o Comitê Santo Dias. A primeira ação do Comitê foi acompanhar de perto o julgamento do assassino. As sessões no Tribunal foram seguidas pela população. Irmã Cecília relata que, na primeira instância, o autor foi condenado, contudo, mesmo com a clareza de todas as evidências, o policial foi absolvido na segunda. “Criou uma descrença e desconfiança na Justiça. Mostrou que o poder está acima da Justiça. Fiquei indignada!”, lamenta Ir. Cecília. Parques, praças, pontes, escolas e projetos sociais no Brasil e no exterior ganharam o nome do sindicalista católico. Desde 1998, a Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo concede o Prêmio Santo Dias de Direitos Humanos, e a Arquidiocese de São Paulo criou o Centro Santo Dias de Direitos Humanos, que visa a defender a causa de pessoas de diversas comunidades. Programação Para lembrar os 40 anos do assassinato de Santo Dias, uma intensa programação foi organizada em várias partes do Brasil. Em São Paulo-SP, o Comitê promove a Semana Santo Dias 2019. Veja os principais eventos da programação: 30 de outubro (quarta-feira), 14h Ato em frente à antiga fábrica Sylvania e celebração no Cemitério Campo Grande: Rua Quararibeia, altura do nº 200. 2 de novembro (sábado) 24ª Caminhada pela Vida e pela Paz – saída de pontos diferentes até o Cemitério São Luiz. Às 8h, encontro na Paróquia Santos Mártires: Rua Luís Baldinato, 9. Encontro no CDHEP (Centro de Direitos Humanos e Educação Popular): Rua Dr. Luís da Fonseca Galvão, 180. 3 de novembro (domingo), 8h Missa dos Mártires – Paróquia Santos Mártires: Rua Luís Baldinato, 9. 9 de novembro (sábado) ,10h Roda de Conversa – EMEI Santo Dias da Silva: Praça Michel Mattar, s/nº. 23 de novembro (sábado), 10h Lançamento da 2ª edição do livro “Santo Dias: quando o passado se transforma se em História” – Instituto Cultural de Trabalhadores/as da Zona Sul: Rua Antônio Foster, 100 – Vila Socorro. Outras informações sobre a vida e o legado de Santo Dias, além do programa completo das homenagens em São Paulo estão disponíveis no endereço https://cmpmboicp.wixsite.com/santo-dias Diácono Alessandro Faleiro MarquesDiácono permanente na Arquidiocese de Belo Horizonte, professor de Língua Portuguesa de aspirantes e verbitas estrangeiros na Província Brasil Norte, revisor de textos para as irmãs servas do Espírito Santo.

Direitos humanos: uma opção pela justiça e pelo bem comum

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) propõe, anualmente, no tempo quaresmal, a Campanha da Fraternidade. O objetivo é colaborar para que a sociedade reflita acerca das dificuldades enfrentadas pela população e sobre a necessidade de conversão. Com isso, o tema escolhido para este ano é “Fraternidade e Políticas Públicas”, com o lema “Serás libertado pelo direito e pela justiça”. Segundo o coordenador da Dimensão Missionária, Agostinho Travençolo Júnior, o tema das políticas públicas está sendo refletido nas escolas da Rede de Educação Missionárias Servas do Espírito Santo e na sociedade como um todo. “O desejo da CF é ajudar a população a pensar na importância das políticas de Estado como meio de assegurar condições para que as pessoas possam viver com dignidade”, explica. Mas o que são políticas públicas? Segundo Agostinho, “Educação, saúde, trabalho, lazer, assistência social, meio ambiente, cultura, moradia, transporte, entre outros, são alguns exemplos de direitos que deveriam ser garantidos aos cidadãos”. Para ele, “O principal objetivo da CF é estimular a participação de todos, à luz da Palavra de Deus, na busca do fortalecimento da cidadania e do bem comum, como sinais de fraternidade”. Agostinho conta que a Equipe Missionária da Rede de Educação e os educadores dos colégios Stella, Sagrado Coração de Maria, Sagrado Coração de Jesus e Espírito Santo se inspiraram na CF 2019 ao escolheram o tema transversal “Direitos humanos: uma opção pela justiça e pelo bem comum”, que permeará todo o trabalho pedagógico da Rede de Educação durante este ano. Pensando na pertinência do tema para o contexto social, Agostinho afirma: “Somos chamados a garantir e colocar em prática direitos que ajudem nosso povo a ser mais feliz”. Tema transversal no Sagrado Cada um dos colégios está colocando em prática o tema transversal e busca viver a CF 2019. Para Simone Fortunato Nunes, coordenadora da Pastoral Missionária do Colégio Sagrado Coração de Jesus, em Belo Horizonte-MG, “A importância de se ter um tema norteador para todas as atividades acadêmicas é a oportunidade de motivar os alunos a perceber que os direitos humanos são o caminho para que a sociedade chegue à justiça e ao bem comum”. “As políticas públicas se tornam necessárias como forma de redistribuição dos bens não ofertados plenamente e suficientemente pelo Estado, principalmente como forma de suprir as demandas existentes, a fim de se evitar que a sociedade corra algum tipo de risco”, explica. Assim, segundo Simone, “O Estado busca garantir a segurança, a ordem e o bem-estar social, almejando, a partir de funções associadas, distributivas e estabilizadoras, as demandas coletivas”. Para a coordenadora, a escola é um desdobramento da garantia de um bem público obrigatoriamente fornecido pelo Estado, que é a educação. E ela define essa área como “um espaço de educação e convívio social, com um papel fundamental na formação de cidadãos críticos, justos e solidários”. Por isso, ela considera imprescindível para as escolas católicas acolher a proposta de reflexão e conversão lançadas pela CNBB. Simone afirma que, “como escola católica, que tem sua filosofia baseada no exemplo do Cristo, torna-se impossível ignorar o desafio social” e explica que “a justiça social é uma das implicações do evangelho”. Por isso, “acreditar, promover e lutar por ela é um testemunho cristão”. “Num mundo afligido por tantas situações que atentam contra a vida, a dignidade e o bem-estar dos seres humanos, é mister que os cristãos reforcem seu compromisso pessoal e social, perguntando-se acerca de sua responsabilidade pelo bem comum, partindo da experiência individual e ampliando para a vivência comunitária, dando vida às palavras do Mestre: ‘Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados!’ (Mateus 5,6)”, conclui. Veja as fotos da abertura da CF – 2019 no Colégio Sagrado Coração de Jesus

“Dentro da escala social, a mulher negra é a que mais sente as consequências” – conta a coordenadora de cursos do CESEEP

O Dia Internacional Contra a Discriminação Racial, representa alguma coisa para você? Talvez não, talvez seja apenas mais uma data no calendário… mas se você for negra (0), aposto que significa muito mais do que isso. É uma conquista para o reconhecimento do valor da população negra no mundo e para a superação do preconceito. Quem vai falar um pouquinho sobre este assunto é a Nilda de Assis Candido, que trabalha no CESEEP (Centro Ecumênico de Serviços à Evangelização e Educação Popular) como coordenadora de cursos e responsável  pela formação de militantes cristãos e, há 4 anos, em contato direto com as questões que atingem as minorias. Numa entrevista exclusiva para o blog, ela conta que no CESEEP, os cursos “de pastoral e relações de gênero, buscam fomentar o estudo e a reflexão em torno das temáticas urgentes na sociedade.  Os temas permeiam a vida das agentes comunitárias e de organizações não governamental e política sobre a questão de como entendemos as relações humanas dentro dos espaços comunitários e de poder dentro da sociedade” – Explica Nilda. 1 – Qual é a sua experiência com mulheres no CESEEP? “Neste ano de 2018 trabalhamos sobre o Feminismo em Sociedades Racial e Socialmente Desiguais, um trabalho em parceria com o Geledés – Instituto da mulher Negra. Tivemos a presença de representantes da Argentina, Chile, Bolívia, Cuba e do Brasil. A proposta de estudo foi assertiva, por discutir sobre as desigualdades sociais. Ao abordar as desigualdades levanta-se diversos conflitos; de classes, sexo e raça. E, em se tratando de feminismo em sociedade, olha-se para o lugar em que estão inseridas e sempre predomina um lugar de disparidade pelo fato de serem mulheres. E, sofrem, ainda mais pela discriminação e o racismo”. 2 – Você considera que no Brasil ainda exista muito preconceito racial? “Sim, está inserido na história brasileira. Referindo-se ao tratamento dado as pessoas negras, aí sim, temos um preconceito, porque temos um recorte racial que envolve a cor da pele. Socialmente, traz uma concepção de que negro ou negra carrega na sua existência estigmas depreciativos pelo simples fato de ser negro ou negra. Nas ruas vemos isso. Quem são os primeiros a serem abordados em uma diligência policial? O jovem negro. O Atlas da Violência 2017, lançado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e o pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública nos mostram que homens, jovens, negros e de baixa escolaridade são as principais vítimas de mortes violentas no País. A população negra corresponde a maioria (78,9%) dos 10% dos indivíduos com mais chances de serem vítimas de homicídios. Os dados foram publicados no dia 5 de junho de 2017 pela Carta Capital e nos confirmam a existência do preconceito e a discriminação em nossa sociedade”.  3 – Você acredita que uma grande porcentagem da discriminação seja destinada às mulheres negras? “Sim, temos de entender que a mulher negra, dentro de escala social, é quem mais sente as consequências. Quem entra no mercado de trabalho é o homem não negro, logo em seguida, com salários menores, as mulheres não negras. É depois que vem o homem negro. Neste caso em que situação fica a mulher negra?  Em último lugar, e é ela que irá sentir o peso de tamanha desigualdade. Ficará em uma posição de total desvantagem na escala social por ser negra. Exemplo: anúncios de empregos para pessoas de boa aparência. Qual tipo físico está se buscando, qual perfil? Nem sempre é o perfil da pessoa negra. A questão se coloca porque não paramos para pensar sobre isso. Só pensa nestas situações quem as vivencia no seu cotidiano. E quem vivencia estas situações estão sempre nas periferias das cidades. Há avanços sobre o entendimento do problema e formas legais para apoiar as vítimas de racismo ou qualquer tipo de discriminação. Nos últimos anos, com a organização de grupos sociais, há um amplo material literário que vem surgindo e ressurgindo no cenário social que ajuda a entender e a enfrentar a questão. Um caso é a redescoberta de Carolina de Jesus em seu belo livro “Quarto de despejo”. E outras figuras públicas escrevem e militam há muito tempo nos movimentos de mulheres negras como:  Sueli Carneiro e Djamila Ribeiro. São uns dos exemplos que ajudam a entender a questão”. 4 – O que uma mulher negra deve fazer quando é discriminada? “Procurar ajuda e denunciar. Não há outro caminho. Não se sentir sozinha”. 5 – O que podemos fazer para que este quadro mude? “O caminho é a educação. De modo particular, a educação popular tem muito a contribuir no processo de discussão e multiplicação da informação nos diversos coletivos que existem espalhados pela cidade, como rodas de conversas, saraus, carreatas poéticas na periferia do Grajaú e nas redes sociais. Uma educação popular como Paulo Freire enfatizava, a partir da realidade das pessoas. Ressalto à importância da escola, ela tem um papel fundamental neste processo de retratar sobre o assunto entre os alunos e alunas e seu corpo docente dentro das atividades curriculares. E, também as comunidades religiosas”. O que acharam desta entrevista? O tema é bem pertinente aos dias de hoje? Comente o que você achou.

E se Jesus nascesse hoje, como seria?

“Assim, José também foi da cidade de Nazaré da Galileia para a Judeia, para Belém, cidade de Davi, porque pertencia à casa e à linhagem de Davi.Ele foi a fim de alistar-se, com Maria, que lhe estava prometida em casamento e esperava um filho. Enquanto estavam lá, chegou o tempo de nascer o bebê, e ela deu à luz o seu primogênito. Envolveu-o em panos e o colocou numa manjedoura, porque não havia lugar para eles na hospedaria”. Lucas 2:4-7 Quando lemos na Bíblia sobre o nascimento de Jesus, logo nos vem à mente um cenário bucólico de uma aconchegante gruta com uma manjedoura ao centro recheada de palha sequinha e tecidos limpos, com lindos animais como testemunhas do evento divino. Só que não. Acredite: essa imagem que nos é colocada em livros e pela TV não chega nem perto do que se passou naqueles tempos. José e Maria estavam numa fase bem difícil de suas vidas. Primeiramente, ela engravidara antes do casamento. Uma mulher que tivesse relações antes do casamento, naquela época, era condenada por apedrejamento. Além do preconceito e risco de vida que eles estavam passando, o imperador César Augusto havia decretado que fosse feito um recenseamento no país e ele tinha que ser feito na cidade natal da pessoa. Como José pertencia à linhagem do Rei Davi, precisou viajar com Maria para Belém, uma viagem de 138 quilômetros por estradas montanhosas e que durou vários dias. A estação quente e seca de outono também não ajudava e Maria estava com quase 9 meses em cima de um animal pequeno de carga. Chegando à Belém, todos os alojamentos e comércios estavam lotados por causa do registro e o único lugar que José encontrou disponível foi um estábulo, onde improvisaram um leito para Maria ter o seu bebê.  Trazendo para os tempos modernos Situações como estas são vistas todos os dias em todos os lugares do mundo: pessoas sem recursos financeiros, pessoas sendo obrigadas a deixar seus países de origem por conta de guerras, desemprego ou por leis que não as aceitam no território. Trazendo esta situação para os dias de hoje, pense se Jesus bem não poderia ter nascido em qualquer das situações abaixo? Para refletir Que esta reflexão nos sirva como preparo para o verdadeiro nascimento de Jesus em nosso coração: aceitando o próximo como a nós mesmos, sem preconceito ou julgamento. Seja quem for e de onde vier. https://www.youtube.com/watch?v=iEVsOzn2xZU

Você sabe a diferença entre migrante e refugiado?

Nós, missionárias, mantemos na região do Brás, em SP, o Centro de Integração do Migrante, um espaço que oferece apoio aos que vem ao país em busca de uma vida melhor. (saiba mais AQUI = link para post).  E é justamente por este trabalho que encontramos muita confusão com o termo ‘migrante’. Não seriam ‘imigrantes’? – nos perguntam. Ou são refugiados? Qual a diferença, afinal? Saber a diferença não só é importante para entendermos a situação, mas por uma questão legal. Misturar os conceitos de “refugiados” e “migrantes” pode enfraquecer o apoio a refugiados e ao refúgio institucionalizado em um momento em que mais refugiados precisam de tal proteção. Veja abaixo o texto que preparamos para esclarecer um pouco a questão. Vamos lá? Os Refugiados Refugiados são pessoas que estão fora de seu país de origem e que não podem voltar ao mesmo devido a guerras e conflitos que colocam em risco sua vida e segurança. Eles são protegidos pelo direito internacional, tendo ajuda de assistência dos países, do ACNUR e de outras organizações. Para a proteção efetiva dos refugiados, a ONU desenvolveu um documento que é considerado um marco para a humanidade: Protocolo de 1967. Nesse documento se encontram todos os direitos e medidas cabíveis quando se trata de refugiados. Os Migrantes Já os migrantes são pessoas que, por conta própria, quiseram sair de seus países em busca de condições melhores de vida. Ao contrário dos refugiados, eles podem voltar para seu país de origem a qualquer momento. Os motivos que levam os migrantes a outros países são desde a busca por emprego à visita a familiares. Há também aqueles que deixam seus países por conta de pobreza, fome ou desastre naturais, mas isto não os deixam em condições de refugiados. A Convenção de 1951 é o documento de base que protege os migrantes com leis internacionais. Você sabe a diferença entre migrante, imigrante e emigrante? Todos têm o significado de estar em movimento. Assim, é migrante a pessoa ou grupo que se desloca de um país para outro. Indo  de um lugar conhecido para um desconhecido. Já emigrante, é a pessoa que saiu de seu país para morar num outro país. E por fim, imigrante é a pessoa que veio morar em nosso país, vinda de um país estranho. Ou seja, o emigrante saiu e o imigrante chegou. Entenderam? Os meus, os seus e os nossos direitos Contribuir para uma sociedade justa e respeitar o próximo é a forma mais concreta para a proteção e o bem-estar do direito de todos. Para entender melhor sobre refugiados e imigrantes e o que eles enfrentam, conheça um pouco das histórias deles neste vídeo feito pela ONU:  

Mulher na política? Só se for agora!

O preconceito ainda é grande quando falamos que as mulheres podem fazer tudo que os homens fazem. Foi apenas em 1932 que as mulheres conseguiram votar pela primeira vez, no Brasil, com o Presidente Getúlio Vargas. Isto mostra que a participação da mulher na política é recente e ainda enfrenta muitas resistências. Apesar de representar a maioria do eleitorado, cerca de 52,13% de acordo com dados do Tribunal Superior Eleitoral, as mulheres não estão exercendo os direitos políticos e eleitorais em condições de igualdade. Atualmente, as mulheres ocupam cerca de 14% dos cargos eletivos no Brasil, uma das taxas mais baixas do mundo. Reconhecendo esta necessidade mundial de igualdade nas sociedades, a Organização das Nações Unidas vem trabalhando com Agenda 2030 que propõe diversas ações para o desenvolvimento sustentável do mundo.  Essa agenda contém 17 objetivos globais que visam a melhoria das pessoas e do planeta e também incentivam a paz, a prosperidade e a parceria. Dentre os objetivos da agenda, a igualdade de gênero e o empoderamento das mulheres e meninas é citado várias vezes, enfatizando a importância do cumprimento deste objetivo para o sucesso de um país: “A efetivação da igualdade de gênero e o empoderamento das mulheres e meninas dará uma contribuição essencial para o progresso em todos os objetivos e metas” – Declaração da ONU. A ONU Mulheres criou também o projeto “Cidade 50-50: Todos e todas pela igualdade” que propõe a igualdade de gêneros nos tribunais eleitorais, mostrando que uma sociedade só pode ser chamada de democrática quando tiver a participação de todas as pessoas independente de crença religiosa, sexo, raça, cultura, classe econômica e outros. Ela também convida os governos a enfrentarem os obstáculos que impedem que mulheres e meninas realizem todo seu potencial. Por que é tão importante que as mulheres estejam na política? A resposta mais óbvia é representatividade. Se o público feminino corresponde a 52,13% do eleitorado, é no mínimo estranho ter 14% de representação no Congresso, 12% nas prefeituras e 3,7% entre os governos estaduais. Seja pelo fato de serem geradoras da vida (e naturalmente mais preocupadas com ela), seja por empatia quanto aos seus próprios direitos e valores, as mulheres na política poderiam defender pautas verdadeiramente importantes às causas feministas. Políticas públicas que permitam que elas possam andar na rua sem medo de sofrer uma violência, por exemplo. Garantias para estudar, trabalhar e ter oportunidades. Enfim, coisas que parecem básicas, mas que não podem esperar pela preocupação dos homens. Não que eles não possam fazê-lo. Mas simplesmente porque as mulheres o podem. Fonte: http://www.gazetadopovo.com.br/blogs/caixa-zero/por-que-e-importante-ter-mulheres-na-politica/

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