Nas últimas semanas, além de celebrarmos a Independência do Brasil, vivenciarmos a Semana da Cidadania, recordarmos o Dia Internacional da Democracia, comemoramos o início da primavera com alertas sobre o El Niño. Também nos conscientizamos sobre saúde mental, evitando o crescimento dos casos de suicídio, e vimos as propagandas e os debates dos candidatos que concorrem nas eleições aos Poderes Legislativo e Executivo, tanto na esfera federal quanto na estadual. Este último fato exige consciência política de cada cidadã e cidadão ao eleger seus representantes.
Lembrando que a palavra “pólis+ethos” vem do grego e significa “conduta da cidade”, é quem conduz a cidade, a nação é o(a) eleitor(a) que vota, escolhendo os que tomarão decisões pela coletividade. Desse modo, “politikós” é a verdadeira política, é a arte de governar, é a administração e/ou organização dos conflitos para o bem comum. Por isso, para escolher os que conduzirão a Nação, os Estados e o Distrito Federal, devemos conhecer aqueles que pensam na coletividade (quais projetos defenderam ao longo da vida, em que tipo de ações sociais participaram e participam, suas atitudes, se votou a favor ou contra a escala 6×1, sobre o aumento do salário do trabalhador, etc.).
Como afirmou Aristóteles, em sua obra A Política (IV a.C.), “O homem é o único entre todos os animais a ter o dom da fala. […] Quanto ao discurso, ele serve para exprimir o útil e o nocivo e, em consequência, o justo e o injusto. […] Só ele sabe discernir o bem e o mal, o justo e o injusto, e os outros sentimentos da mesma ordem”. Nesse sentido, relembrando o dia Sete de Setembro, “o Grito dos Excluídos” é uma ação social que demonstra uma necessidade de “fala” da população menos favorecida, pois a “independência” real que o povo espera ainda não aconteceu plenamente. Há muita corrupção, desigualdades sociais, vários tipos de violências contra as cidadãs e os cidadãos. Enquanto temos uma minoria tirando vantagens nos negócios, existe a maioria que se desdobra para sustentar a família e sobreviver. Então, votar é uma forma de “falar”. Por isso é importante ir às urnas no dia das eleições.
A política existe desde as civilizações antigas, em que predominava a tirania sobre os povos. A democracia nasce na Grécia antiga com a esperança de atenuar o poder na mão de um só. O governo democrático passa a ter a participação do povo, embora, naquele tempo, fosse apenas entre os homens mais privilegiados. No Brasil, a democracia é recente, considerando que nossa República fará 137 anos e foi interrompida por alguns anos de ditaduras. Antes disso, tivemos séculos de dominação europeia. Com a redemocratização, a partir de 1988, a população brasileira voltou a eleger seus representantes.
A participação da população nem sempre demonstra a “vontade geral”, como é proposto em Do Contrato, de Rousseau (XVIII). A falta de conhecimento sobre o que é política ainda é confundida com o “fazer barganha”, ou seja, o interesse particular sobrepõe o interesse geral necessário para acabar, ou, pelo menos, diminuir a desigualdade social. Daí a relevância das leis que devem garantir a igualdade e a liberdade entre os indivíduos, elaboradas pelo Poder Legislativo, operado por senadores, deputados e vereadores.
O Dia Internacional da Democracia, celebrado dia 15 de setembro, recorda e define a importância dos princípios de um governo democrático. Um dos princípios é garantir que ninguém está acima da lei, somos todos iguais, sem distinção de qualquer natureza (CF 1988, art. 5º), e as eleições devem ser livres e justas. Em uma eleição democrática, o voto de todos é igual. Cada indivíduo capaz, conforme a lei, exerce sua cidadania escolhendo seus representantes de modo transparente. Infelizmente, notamos que, em alguns lugares, a vida político-partidária tem muita violência. O fato é que cada cidadão tem a liberdade de participar da sociedade, renunciando, parcialmente, a si mesmo em benefício da coletividade.
Nas eleições deste ano, todos nós temos a oportunidade de escolher um deputado federal, um deputado estadual, dois senadores, um governador com seu vice e um presidente com seu vice. É importante não só conhecer o candidato, mas sua legenda, seu partido, pois este representa e defende projetos de grupos e/ou categorias (de interesses privado ou público) que reforçarão quando estiverem ocupando sua cadeira, seja no Poder Legislativo ou no Poder Executivo. Participe! Exerça sua cidadania com consciência. Acompanhe e cobre as políticas públicas necessárias para todas e todos.
Antropóloga e filósofa, líder na Pastoral da Pessoa Idosa.
Imagem principal: Fernando Frazão (Agência Brasil).
