A vida missionária na Amazônia

Novena missionária simplificada – Oitavo dia Oração inicialEspírito Santo, sopro de vida, que fazes novas todas as coisas, abre nossos corações às tuas inspirações para que, ao escutar e aprofundar tua Palavra, aumentem em nós o ardor missionário e o cuidado com a Casa Comum, nossa terra, e o amor a todas as tuas criaturas, sobretudo cada pessoa criada à tua imagem e semelhança. Espírito de Sabedoria, guia nossos passos nos caminhos da missão. Amém. ReflexãoO Sínodo da Amazônia, que se realizou em outubro do ano passado, após dois anos de intensa preparação, foi um verdadeiro kairós que, pela ação do Espírito Santo, marcou a história da Igreja, não somente da Pan-Amazônia, mas de todo o mundo. O objetivo principal do Sínodo foi “Identificar novos caminhos para a evangelização daquela porção do povo de Deus, especialmente dos indígenas, frequentemente esquecidos e sem perspectivas de um futuro sereno, e também por causa da crise da Floresta Amazônica, pulmão de capital importância para nosso planeta”. Em fevereiro deste ano, o Papa Francisco publicou a Exortação Apostólica Pós-Sinodal “Querida Amazônia”, apresentando seus sonhos para a Amazônia e convidando todos para retomarem o Documento Final do Sínodo, com suas reflexões, indicativos de novos caminhos para a Evangelização e para a ecologia integral. Palavra de Deus: Lc 4,16-21 16 Ele foi a Nazaré, onde havia sido criado, e, no dia de sábado, entrou na sinagoga, como era seu costume. E levantou-se para ler.17 Foi-lhe entregue o livro do profeta Isaías. Abriu-o e encontrou o lugar onde está escrito:18 “O Espírito do Senhor está sobre mim, porque ele me ungiu para pregar boas-novas aos pobres. Ele me enviou para proclamar liberdade aos presos e recuperação da vista aos cegos, para libertar os oprimidos19 e proclamar o ano da graça do Senhor”.20 Então ele fechou o livro, devolveu-o ao assistente e sentou-se. Na sinagoga, todos tinham os olhos fitos nele;21 e ele começou a dizer-lhes: “Hoje se cumpriu a Escritura que vocês acabaram de ouvir”. Para meditar Nesse texto, Jesus apresenta sua missão como compromisso com os mais vulneráveis e sofredores, e anuncia um ano da graça do Senhor.Como estou vivendo a missão? Como esse Evangelho ilumina a minha prática de vida? Oração do Mês MissionárioDeus Pai, Filho e Espírito Santo,fonte transbordante da missão,ajuda-nos a compreenderque a vida é missão,dom e compromisso.Que Maria, nossa intercessorana cidade, no campo,na Amazônia e em toda parte,ajude cada um de nósa ser testemunhas proféticasdo Evangelho,numa Igreja sinodale em estado permanente de missão.Eis-me aqui, Senhor, envia-me!Amém. Assista ao vídeo Veja as iniciativas missionárias que estão surgindo após o Sínodo da Amazônia. Há muito a fazer, mas vale a pena comprometer-se com a ecologia integral e cuidar de nossa Casa Comum. Para rezar a novena completa com a sua família, comunidade ou grupos on-line, baixe o livrinho:
Idosos: compromisso missionário

No dia 1º de outubro, recordamos temas importantes. Esse foi o Dia do Idoso, marcando a data em que, em 2003, passou a vigorar o Estatuto do Idoso no Brasil e, na liturgia, a memória da Padroeira das Missões, Santa Teresinha do Menino Jesus. Por estarmos ainda nos dias em que se destacam as missões, devemos lembrar que esta não se restringe somente ao décimo mês do ano. Por isso, pensar em missões ad gentes é importante, mas temos de nos preocupar também com uma camada da sociedade que tem enfrentado uma situação muito constrangedora de humilhação social e de “etarismo”: a da pessoa idosa. O que é “etarismo”? Segundo a Sociedade de Geriatria e Gerontologia, “É o preconceito contra os idosos, referente à saúde, à capacidade e empenho, idade, fragilidade”. Principalmente neste tempo de pandemia, temos ouvido, muitas vezes, estereótipos como “não conseguem fazer nada”, “não contribuem com a sociedade”, “são o ônus para a economia”. Chegou-se mesmo a dizer na mídia que, se necessitasse optar por salvar a vida de alguém que estivesse no hospital com covid-19, que fosse privilegiado o mais novo. Além disso, os planos de saúde cobram mensalidades altíssimas quanto mais avançada a idade da pessoa. Outro dia, uma senhora de 92 anos, queixando-se para um funcionário de determinado banco, disse que morriam mais jovens do que idosos. Ela questionou, então, o porquê de os mais velhos não poderem financiar um apartamento (no caso, quando ela tinha 80 anos). Esse preconceito deixa indignadas e constrangidas muitas pessoas idosas, ainda lúcidas de suas faculdades mentais. Logo, para combater o etarismo, precisamos informar às famílias e aos próprios idosos sobre seus direitos, erradicando, assim, a humilhação social que muitos têm passado. E o que é humilhação social? De acordo com o psicólogo José Moura Gonçalves Filho, do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo, humilhação social “é um sentimento de desigualdade; consiste numa angústia causada por um impacto traumático que se sofre quando alguém o despreza”. Podemos, portanto, considerar uma tortura invisível, quando é psicológica, pela maneira de se falar com a pessoa idosa. A situação da pessoa idosa no Brasil Somos 211 milhões de habitantes no País. Destes, temos 28 milhões de pessoas idosas, o que representa 13% da população, conforme dados de 2020 publicados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Em 2031, há uma previsão de 43 milhões. A maioria é de baixa renda e tem baixa escolaridade. Os tipos de idosos são variados: urbanos, rurais, aposentados, profissionais, desempregados, os que estão em situação de rua. De acordo com a antropóloga Guita G. Debert (Unicamp), a categoria idoso é uma “construção social”. Discutida por diversos autores, essa construção retrata o papel do idoso na sociedade antes e depois da Revolução Industrial, na cultura ocidental e nas sociedades milenares, o que varia de um contexto para outro. Alguns filósofos, no entanto, podem auxiliar com suas reflexões. Por exemplo, Cícero (século I a.C.), filósofo romano, escreve sobre a velhice com otimismo e coragem, aconselhando a refutar quatro aspectos indesejados que costumam rondar o imaginário dos anciãos: 1) o impedimento das atividades; 2) debilitação do corpo; 3) afastamento dos prazeres; e 4) que está à beira da morte. Outro filósofo, Sêneca (65 d. C.), chama a atenção para a brevidade da vida. Ele recomenda empregar o tempo da melhor maneira, na prática do bem e das virtudes, pois é a única coisa que levamos desta vida. Com as mudanças culturais no século XX, a filósofa francesa Simone de Beauvoir, ao dedicar-se sobre o assunto, divide em dois momentos a questão: a visão de fora, da sociedade; e a visão de dentro, do próprio idoso. A vida através dos olhos dos idosos, seja pobre ou rico, apresenta seus sentimentos como jovens. Por isso, valorizar os sonhos de bisavós, avós, tias, tios e demais pessoas de idade avançada é uma forma de ter respeito. O fato de uma pessoa idosa morar ou querer viver sozinha em sua casa ou apartamento não quer dizer que ela é abandonada. Devemos diferenciar o idoso abandonado do idoso independente e daquele que é solitário. Para isso, é importante a presença da Pastoral da Pessoa Idosa (PPI), que tem como objetivo ouvir e levar a Palavra de Deus ao outro por meio de uma visita a esses nossos irmãos e irmãs que nem sempre têm os seus para conversar ou ligar um pouco. Seja voluntário na Pastoral da Pessoa Idosa. Em sua paróquia ou diocese, procure saber como se inscrever. Esse compromisso missionário deixará felizes muitas pessoas idosas. É mais um serviço da Igreja às famílias que carecem da presença do Estado para orientá-las em suas necessidades. Maria Terezinha CorrêaMestra em Antropologia (USP), especialista em Ensino de Filosofia (UFSCar), graduada em Filosofia (UFJF) e Pedagogia (Unitins), Teologia pelo Mater Ecclesiae, filiada à ABA, APEOESP e SBPC, atualmente professora de Filosofia na Prefeitura de São José-SC, membro da Comissão de Prevenção e Combate à tortura pela ALESC, voluntária na Pastoral da Pessoa Idosa pertencente à Arquidiocese de Florianópolis.
A vida missionária da juventude

Novena Missionária simplificada – Sétimo dia Oração inicialEspírito Santo, sopro de vida, que fazes novas todas as coisas, abre nossos corações às tuas inspirações para que, ao escutar e aprofundar tua Palavra, aumentem em nós o ardor missionário e o cuidado com a Casa Comum, nossa terra, e o amor a todas as tuas criaturas, sobretudo cada pessoa criada à tua imagem e semelhança. Espírito de Sabedoria, guia nossos passos nos caminhos da missão. Amém. ReflexãoA vida dos jovens é repleta de descobertas, experimentos e sonhos, mas também cheia de desafios. No Brasil, cerca de um quarto da população é jovem, mas muitos não têm acesso à educação e ao trabalho, são vítimas da violência e da marginalização. A Juventude Missionária (JM) é um serviço de animação e formação missionária ligada à Pontifícia Obra da Propagação da Fé. Busca animar o espírito missionário e profético nas juventudes, testemunhar a misericórdia de Jesus Cristo e se deixar guiar pelo Mestre de Nazaré. Há 15 anos, a JM cria pequenos grupos de jovens que aprofundam a leitura orante da Bíblia, buscam despertar o espírito missionário em suas paróquias, dioceses e demais espaços da juventude, e tem como ponto culminante a Experiência de Missão Sem Fronteiras com jovens do Brasil inteiro. Neste ano, foi em Planaltina-DF, junto com o 1º Congresso Missionário Nacional. Palavra de Deus: Lc 10,25-37 25 Certa ocasião, um perito na lei levantou-se para pôr Jesus à prova e lhe perguntou: “Mestre, o que preciso fazer para herdar a vida eterna?”.26 “O que está escrito na Lei?”, respondeu Jesus. “Como você a lê?”27 Ele respondeu: “‘Ame o Senhor o seu Deus de todo o seu coração, de toda a sua alma, de todas as suas forças e de todo o seu entendimento’ e ‘Ame o seu próximo como a si mesmo’”.28 Disse Jesus: “Você respondeu corretamente. Faça isso e viverá”.29 Mas ele, querendo justificar-se, perguntou a Jesus: “E quem é o meu próximo?”.30 Em resposta, disse Jesus: “Um homem descia de Jerusalém para Jericó, quando caiu nas mãos de assaltantes. Estes lhe tiraram as roupas, espancaram-no e se foram, deixando-o quase morto.31 Aconteceu estar descendo pela mesma estrada um sacerdote. Quando viu o homem, passou pelo outro lado.32 E assim também um levita; quando chegou ao lugar e o viu, passou pelo outro lado.33 Mas um samaritano, estando de viagem, chegou onde se encontrava o homem e, quando o viu, teve piedade dele.34 Aproximou-se, enfaixou-lhe as feridas, derramando nelas vinho e óleo. Depois colocou-o sobre o seu próprio animal, levou-o para uma hospedaria e cuidou dele.35 No dia seguinte, deu dois denários ao hospedeiro e disse-lhe: ‘Cuide dele. Quando voltar lhe pagarei todas as despesas que você tiver’.36 “Qual destes três você acha que foi o próximo do homem que caiu nas mãos dos assaltantes?”37 “Aquele que teve misericórdia dele”, respondeu o perito na lei. Jesus lhe disse: “Vá e faça o mesmo”. Para meditar No tempo de Jesus, os samaritanos eram malvistos e considerados infiéis, mas, nesta parábola, foi o único que sentiu compaixão e cuidou do homem ferido e abandonado à beira da estrada, enquanto os especialistas da religião e da lei não fizeram nada.Sou capaz de agir como o samaritano diante do meu próximo que enfrenta dificuldades? Oração do Mês MissionárioDeus Pai, Filho e Espírito Santo,fonte transbordante da missão,ajuda-nos a compreenderque a vida é missão,dom e compromisso.Que Maria, nossa intercessorana cidade, no campo,na Amazônia e em toda parte,ajude cada um de nósa ser testemunhas proféticasdo Evangelho,numa Igreja sinodale em estado permanente de missão.Eis-me aqui, Senhor, envia-me!Amém. Assista ao vídeo O testemunho missionário de inúmeros jovens espalhados pelo Brasil nos anima com sua alegria, saída corajosa e esperança. Para rezar a novena completa com a sua família, comunidade ou grupos on-line, baixe o livrinho:
Psicólogo propõe métodos para vencer a ansiedade

Nos últimos anos, mais e mais pessoas revelam sua luta contra a ansiedade, uma companhia constante e indesejada. Esse é um dos problemas de saúde mental mais comuns atualmente. “Em nossos dias, com tantas coisas para fazer, parece que a pessoa anda correndo demais, sempre fazendo as coisas às pressas! E a ansiedade em alta”, constata o psicólogo Edson Castro. “Por que tem de ser assim?”, ele questiona. Os pensamentos tortuosos e negativos empurram a pessoa para um estado cada vez mais ansioso. A ansiedade não apenas gera mais ansiedade e medo, mas também causa reações físicas. O corpo responde, liberando cortisol e outros hormônios do estresse que podem levar a um conjunto de sintomas que vão desde palpitações cardíacas, sudorese e tontura a nervosismo, rubor, dificuldade de concentração, erupções cutâneas, e muito mais. Além disso, viver com ansiedade pode ser uma experiência que leva ao isolamento. “Não nascemos sabendo como lidar com nossas emoções, sobretudo a ansiedade. Ao longo do tempo, aprendemos, por erros e acertos, como administrá-la”, afirma Castro. A ansiedade leve pode ser vaga e perturbadora, enquanto a severa pode afetar seriamente a vida cotidiana. O psicólogo defende que a ansiedade precisa ser controlada, para que possamos viver bem. Para superar a ansiedade, ele propõe três métodos: 1 – observar como determinado pensamento surgiu;2 – deixá-lo ir embora, não lutar contra ele, mas pensar em algo positivo;3 – dizer para si mesmo: “Está tudo bem”. Quando se está com raiva, tenso ou com medo, os músculos ficam tensos, e a respiração fica superficial, constrita. Nesse momento, o corpo de uma pessoa não está recebendo a quantidade necessária de oxigênio. A respiração longa e profunda reverte esse processo, permitindo que o corpo e a mente fiquem mais calmos. Inspirar, expirar, proceder a algumas respirações profundas todos os dias pode trazer uma melhoria intensa no estilo de vida das pessoas, sugere Castro. Ele prossegue dizendo que quem está ansioso se preocupa em demasia com o futuro. É o conflito entre o presente e o futuro. Na verdade, o futuro não existe, ainda não chegou. O passado já se foi, e o que temos é o momento presente, o “aqui e agora”. Autoconhecimento é a atitude de buscar saber sobre os próprios pensamentos e emoções. “Tem a ver com quando uma pessoa para de buscar respostas fora e começa a buscar dentro si mesma. Quando ela para, silencia-se, todas as coisas da vida ganham um novo sentido e fazem uma nova história de sua vida”, explica. Castro propõe observar os pensamentos, a respiração e também a forma de fazer as coisas. Ele recomenda que a pessoa reserve um momento para se centrar e trazer-se de volta ao momento presente. “Quando você estiver tomando uma refeição, procure se conectar naquele momento, sinta o sabor dos alimentos, mastigue devagar, aproveitando e agradecendo por aquele momento. O sentimento de gratidão ajuda a ter pensamentos positivos.” Para o psicólogo, quando um indivíduo diz “está tudo bem”, é como que se abraçasse. “Isso é cuidar de mim. Consequentemente, eu cuido daqueles que estão a meu redor, porque, se eu estiver bem comigo mesmo, estarei bem para o outro. O resultado é imensa paz e alegria. Com o tempo, eu me torno mestre de mim mesmo! Aprenda a administrar sua ansiedade e aprenda mais sobre você. Invista mais no seu autodesenvolvimento”, aconselha. Assista ao vídeo: Como administrar minha ansiedade? Neste vídeo, eu faço uma reflexão sobre a administração da ansiedade. E como funcionam os nossos pensamentos, e a forma como lidamos com as nossas emoções. Publicado por Edson Castro Psicólogo em Segunda-feira, 6 de julho de 2020
30º Domingo do Tempo Comum

“Desses dois mandamentos dependem toda a Lei e os Profetas”Mt 22,34-40 No Evangelho deste domingo, temos mais uma das controvérsias do capítulo 22; desta vez, com os fariseus. De novo, a pergunta feita por um legista não é para descobrir a verdade, mas para armar uma cilada para Jesus. O verbo traduzido aqui como “para pô-lo à prova” é o mesmo usado no versículo 8 (“armar cilada”). O que seria o maior mandamento era discutido entre as diversas escolas rabínicas da época. Para alguns, o maior era o amor a Deus; para a maioria, era a observância do sábado. O Antigo Testamento enfatiza a importância de amar a Deus e de amar o próximo (Lv 19,18 e Dt 6,5). A originalidade de Jesus está no fato de Ele assemelhar um ao outro, dando-lhes igual importância e, sobretudo, na simplificação e concentração da Lei (que tinha 613 mandamentos) nesses dois elementos. A colocação de Jesus exige uma forma correta de amor próprio: não de egoísmo, mas de autorrespeito. A ligação íntima dos dois mandamentos não é atestada antes de Jesus e marca um avanço moral importante. Mais uma vez, Jesus desloca o eixo da questão, como fez no Evangelho do último domingo, na passagem sobre o imposto a César. Desta vez, Ele se recusa a entrar em discussões fúteis sobre leis, para enfatizar o papel central do amor, tanto a Deus como ao próximo. É importante frisar que o “amor” de que Jesus fala não é um mero sentimento ou emoção, como muitas vezes é na linguagem de hoje. O amor é uma atitude de vida, uma fidelidade à Aliança com Deus, uma vivência solidária com os irmãos e irmãs. Obviamente, não é possível simpatizar-nos com cada pessoa nem gostar de cada pessoa. Mas é possível superar antipatias e aversões na caminhada da construção do projeto de Deus para nosso mundo. A ligação essencial entre o amor a Deus e ao próximo se torna urgente hoje em dia, quando se dá tanto espaço a pregações intimistas e formas alienantes de “espiritualidade”, que muitas vezes não passam de uma busca disfarçada de autorrealização, mas que jamais levam a um compromisso com a transformação de nossa realidade. A frase de Jesus desautoriza qualquer pregação religiosa que separa o amor a Deus do amor ao próximo – um amor não somente afetivo (que talvez, muitas vezes, nem possa ser), mas efetivo, concretizando de maneira prática a solidariedade e a justiça. O nosso texto nos adverte contra qualquer tendência alienante ou legalista. Os mandamentos não são para serem discutidos, mas vividos, no amor e compromisso. Para os rabinos do tempo de Jesus, o mundo todo dependia da Lei, do serviço no Templo e dos atos de bondade. Mateus faz com que a própria Lei dependa dos atos de amor solidário. Esse avanço feito por Jesus desafia a todos nós para que não caiamos na tentação perene de separar os dois aspectos do amor: não é possível amar a Deus sem que amemos o irmão, e o verdadeiro amor ao próximo brota de nosso amor a Deus. Padre Tomaz Hughes, SVD, biblista e assessor da CRB e do Cebi. Dedicou-se a cursos e retiros bíblicos em todo o Brasil. Publicou diversos artigos e o livro “Paulo de Tarso: discípulo-missionário de Jesus”. Faleceu em 15 de maio de 2017. Suas reflexões bíblicas são muito atuais.
ONU, Vivat Internacional e Vivat Brasil: em defesa dos direitos humanos

O Dia das Nações Unidas, ou Dia da ONU, é comemorado em 24 de outubro, desde 1948. A data celebra o aniversário da entrada em vigor da Carta das Nações Unidas, em 1945. Segundo o documento, os objetivos da ONU são: manter a paz e a segurança em todo o mundo; mediar e promover relações amistosas entre as nações; promover cooperações na resolução de problemas internacionais; ser o centro responsável por reunir as nações em prol desses objetivos. Esses propósitos foram se ampliando e, desde 2015, a ONU promove os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). Como congregação missionária, esses intuitos também orientam nossa missão. No ano de 2000, para articular melhor essas frentes, a organização Vivat foi criada como ação conjunta entre as missionárias servas do Espírito Santo e os missionários do Verbo Divino. A Vivat International tem sede em Nova Iorque, conta com 12 congregações religiosas e é reconhecida pelo Conselho Econômico e Social da ONU. A Vivat reconhece que as Nações Unidas são um foro importante para a colaboração e o trabalho em rede com outras organizações no mundo que partilham os mesmos objetivos. Além da sede em Nova Iorque, a Vivat mantém um escritório em Genebra, Suíça, pois é nessa cidade onde a ONU abriga o escritório da Coordenação de Assuntos Humanitários. Neste ano, o posto de Secretaria Executiva da Vivat foi ocupado por nossa irmã Gretta Fernandes, SSpS, que vive em Roma. Assim, a coordenação da Vivat Internacional se dá no triângulo entre Nova Iorque, Genebra e Roma. Vivat Brasil Alguns países, como Argentina, Espanha, Quênia, Indonésia e Irlanda criaram uma Vivat local. No Brasil, após muitas reflexões, optou-se por ser um movimento, um coletivo de membros de congregações, sem instituir uma entidade. Desde o início do ano de 2020, o verbita Pe. José Boeing, com quase 30 anos de missão na Região Amazônica, foi liberado para articular a Vivat Internacional no Brasil. A equipe de coordenação é composta ainda pela Ir. Michael Nolen, da Congregação das Irmãs da Santa Cruz, que, entre muitas outras atribuições, é advogada do Cimi (Conselho Indigenista Missionário); Pe. Dario Bosi, assessor da Repam (Rede Eclesial Pan-Amazônica) e do movimento Igreja e Mineração; e nossa irmã Petronella (Nelly) Boonen, que trabalha pelo Centro de Direitos Humanos e Educação Popular, com uma frente de cultura de paz, perdão e justiça restaurativa. Essa composição da equipe de coordenação no Brasil dá uma ideia dos diversos campos de missão que levaram à escolha das seguintes prioridades: erradicação da pobreza, mulher e questão de gênero; desenvolvimento sustentável e cultura de paz. Mas também são desenvolvidas ações com as temáticas boa saúde e bem-estar; educação de qualidade e redução da desigualdade (ODS/ONU). Em diálogo com a sociedade No Brasil, cerca de 1200 religiosas e religiosos, membros da Vivat Brasil, assumem a urgência da missão de efetivar a presença do Reino de Deus nas diversas realidades do mundo. Portanto, a Vivat atende ao chamado para a vida religiosa se deixar tocar pelas necessidades do povo brasileiro e intervir de forma articulada, para além dos espaços religiosos, com outras esferas privadas e públicas. Existem muitos desafios quando se olha para os objetivos. Cada membro das congregações que compõe essa rede está sendo convidado a escolher como colaborar com a missão Vivat, para que todos e todas tenham vida. Que a celebração do Dia das Nações Unidas possa nos lembrar essa convocação. Ir. Petronella Maria Boonen (Nelly) é co-fundadora da linha de Perdão e Justiça Restaurativa do CDHEP e doutora e mestra em Sociologia da Educação pela USP.)
A vida missionária dos ministros ordenados

Novena Missionária simplificada – Sexto dia Oração inicialEspírito Santo, sopro de vida, que fazes novas todas as coisas, abre nossos corações às tuas inspirações para que, ao escutar e aprofundar tua Palavra, aumente em nós o ardor missionário e o cuidado com a Casa Comum, nossa terra, e o amor a todas as tuas criaturas, sobretudo cada pessoa criada à tua imagem e semelhança. Espírito de Sabedoria, guia nossos passos nos caminhos da missão. Amém. Reflexão“A Igreja é, na sua totalidade, um povo sacerdotal. Graças ao batismo, todos os fiéis participam no sacerdócio de Cristo.” Mas, na base desse sacerdócio e a seu serviço, estão os ministros ordenados pelo sacramento da ordem, cuja missão é servir em nome e na pessoa de Cristo-Cabeça no meio da comunidade. Em nosso país, existem mais de 25 mil ministros ordenados (bispos, padres e diáconos). E qual a missão dos bispos e padres? O Papa Francisco explica que existe algo que configura profundamente o sacerdote ao Cristo: “Só ele está habilitado para presidir a Eucaristia”. Assim como o Senhor ia ao encontro das pessoas, como Bom Pastor, o bispo, o padre e o diácono são inspirados a agir da mesma forma. Eles são convidados a ir, a se encontrar e ficar com os seus, a agir por Jesus. Muitos desses ministros entendem que esse “estar com os seus” é ir além das fronteiras de sua própria nação e servir ao povo de Deus em países e culturas diferentes: essa é a vocação missionária de tantos ministros ordenados. Palavra de Deus: 1Pd 5,1-4 1 Portanto, apelo para os presbíteros que há entre vocês, e o faço na qualidade de presbítero como eles e testemunha dos sofrimentos de Cristo, como alguém que participará da glória a ser revelada: 2 pastoreiem o rebanho de Deus que está aos seus cuidados. Olhem por ele, não por obrigação, mas de livre vontade, como Deus quer. Não façam isso por ganância, mas com o desejo de servir.3 Não ajam como dominadores dos que lhes foram confiados, mas como exemplos para o rebanho.4 Quando se manifestar o Supremo Pastor, vocês receberão a imperecível coroa da glória. Para meditar Nesse texto, Pedro fala das atitudes dos presbíteros em relação ao povo de Deus. É uma missão exigente e que necessita de muito amor e desprendimento. Como podemos apoiar nossos pastores para que realizem bem sua missão?Em que essa Palavra me inspira para realizar bem minha missão? Oração do Mês MissionárioDeus Pai, Filho e Espírito Santo,fonte transbordante da missão,ajuda-nos a compreenderque a vida é missão,dom e compromisso.Que Maria, nossa intercessorana cidade, no campo,na Amazônia e em toda parte,ajude cada um de nósa ser testemunhas proféticasdo Evangelho,numa Igreja sinodale em estado permanente de missão.Eis-me aqui, Senhor, envia-me!Amém. Assista ao vídeo Neste vídeo, vamos conhecer o testemunho do padre Lúcio Espíndola, da Arquidiocese de Florianópolis, que viveu a missão em Guiné-Bissau durante treze anos. Para rezar a novena completa com a sua família, comunidade ou grupos on-line, baixe o livrinho:
Como os indígenas xerentes estão enfrentando a pandemia

Neste ano, a Organização Mundial da Saúde (OMS) decretou a pandemia do novo coronavírus, causador da covid-19 (sigla inglesa para “doença do coronavírus de 2019”), uma enfermidade letal que põe em risco a vida de muitos povos, de modo especial os indígenas do Brasil. Pôde-se observar o quanto o mal afetou diretamente a vida familiar e comunitária desses povos. As poucas informações por parte dos órgãos públicos especializados em saúde indígena e as notícias falsas deixaram confusos os indígenas, sem saberem como agir em casos de contágio. Isso gerou grande medo entre esses brasileiros. Após os primeiros casos de infecção e morte de lideranças e anciãos, iniciou-se uma corrida contra ao tempo. Com a participação das organizações de lideranças indígenas, com o apoio da Igreja Católica, por meio do Cimi (Conselho Indigenista Missionário), e organizações não governamentais, foram organizadas iniciativas importantes. Para que chegassem às aldeias orientações confiáveis, foram produzidos vídeos breves e cartilhas instruindo que as pessoas ficassem em casa, nas aldeias, em seus territórios. Boa parte do material com as orientações da OMS foi transmitida no próprio idioma das comunidades. Os indígenas também contaram com muitos gestos de solidariedade, como doações cestas básicas e máscaras. Desde o início da pandemia, a Articulação dos Povos indígenas do Brasil (APIB) vem realizando um levantamento independente a respeito do total de casos de covid-19. Os números apurados são bem maiores que os divulgados pela Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), que conta somente as ocorrências em terras indígenas homologadas. A compilação de dados da APIB tem sido feita pelo Comitê Nacional de Vida e Memória Indígena e pelas organizações indígenas de base da APIB. Outras linhas de enfrentamento à covid-19 organizadas no Brasil também colaboram com a iniciativa. Diferentes fontes de dados têm sido utilizadas nesse esforço. Além da própria Sesai, o comitê tem analisado números das secretarias municipais e estaduais de Saúde e do Ministério Público Federal (MPF) (veja a seguir). A covid-19 entre os indígenasConfirmados: 36.428Indígenas mortos pela covid-19: 846Povos afetados: 158 Dados dos indígenas no Estado de TocantinsSuspeitos: 6Confirmados: 882Descartados: 505Infectados (quadro de 15 de outubro): 14Cura clínica: 857Óbitos: 9 Dados atualizados em 15 de outubro de 2020. Fonte: Cimi e APIB. Risco maior aos povos indígenas A pandemia do novo coronavírus pode ter consequências muito graves para os povos originários, alerta o Cimi, com base nas informações da Sesai, ao reconhecer que os indígenas são mais vulneráveis a viroses, especialmente a infecções respiratórias, como a covid-19. Segundo a Secretaria, as doenças respiratórias são, ainda hoje, a principal causa de mortalidade infantil entre indígenas. Outras doenças do tipo causaram o genocídio de povos inteiros. Como parte de uma história de contatos forçados, guerras e extermínios, contribuíram para reduzir a população indígena no Brasil ao longo dos séculos. Já o MPF avalia que, devido às especificidades dos povos indígenas, a vulnerabilidade social de diversas comunidades e o alto índice de propagação do coronavírus, é real o risco de genocídio em meio à pandemia. Por isso o MPF emitiu uma série de recomendações a órgãos públicos, ministérios, Estados e Municípios. Dentro dessa realidade, tanto os xerentes (um dos povos indígenas do Tocantins), como os missionários que atendem às comunidades (Ir. Sílvia Wewering, Ir. Maria Leonice Neves e Pe. Martins Rodrigues Putêncio) estão em isolamento social. Seguindo as orientações da vigilância sanitária e da Arquidiocese de Palmas-TO, alguns projetos tiveram de ser interrompidos, como o I Congresso dos Clãs Xerentes, que já estava sendo preparado. Os organizadores já tinham iniciado o plantio das roças de mandioca e de grãos, uma ação contra a fome denominada “Plantar Mais!”. A proposta também era ter mais alimentos para o próprio Congresso. “Estamos ainda desconfiados” Em um comunicado, o cacique Sawrepte e o professor Nelson Praze, também indígena, dão detalhes sobre como os xerentes estão enfrentando a pandemia. “No início, nós ficamos surpresos, como todo o mundo. Claro, também um pouco assustados sobre essa doença. Pensamos até que essa doença não iria entrar nas aldeias. Tivemos que adiar o Encontro de Clãs, o Congresso Xerente. Mas, quando o primeiro parente nosso adoeceu e faleceu, nós ficamos muito preocupados. Ao todo, chegaram a morrer três xerentes, um sofrimento muito grande para nós todos aqui. Logo, os nossos anciãos (pajés) ensinaram para todos nós, que somos mais jovens, os remédios do mato, cascas e raízes. Isso nos ajudou bastante, tanto que agora não tivemos mais nenhum caso novo. Além da medicina tradicional, tivemos a proteção do nosso Waptokwazawre, Pai Grande. Estamos ainda desconfiados, com medo de surgir a doença de novo. Por isso estamos cuidando, sempre usando a máscara quando saímos das nossas aldeias. As crianças pararam de ir às escolas. Só as aldeias maiores têm internet, com isso vamos ter um atraso no estudo. Esperamos que tudo possa melhorar no futuro, para nós, para todos!” O Povo Akwẽ Xerente luta pela vida. Os membros dessa comunidade estão se cuidando e continuam reivindicando seus direitos por saúde, especialmente para seus anciãos, que são os guardiões da cultura, das tradições. Irmã Maria Leonice Neves é missionária serva do Espírito Santo, pós-graduada em Pedagogia Social com o tema “A atuação das mulheres indígenas xerentes na sua cultura”. ______ Irmã Sílvia, Thekla Wewering, SSpS, trabalha com o Povo Xerente, no grupo NIPAX (Núcleo de Intercâmbio do Povo Akwẽ Xerente), nos encontros frequentes, no estudo-pesquisa, registro de dados, elaboração de textos e na articulação, apoio e organização de material pedagógico, como cartilhas na língua akwe, do livro “Povo Akwẽ Xerente: Vida/Cultura/Identidade”, e outros.
A vida missionária da Infância e Adolescência Missionária (IAM)

Novena Missionária simplificada – Quinto dia Oração inicialEspírito Santo, sopro de vida, que fazes novas todas as coisas, abre nossos corações às tuas inspirações para que, ao escutar e aprofundar tua Palavra, aumentem em nós o ardor missionário e o cuidado com a Casa Comum, nossa terra, e o amor a todas as tuas criaturas, sobretudo cada pessoa criada à tua imagem e semelhança. Espírito de Sabedoria, guia nossos passos nos caminhos da missão. Amém. ReflexãoA Pontifícia Obra da Infância e Adolescência Missionária (IAM) surgiu em 1843, na França, e hoje está presente em mais de 130 países, entre eles o Brasil. Com o protagonismo de crianças e adolescentes, organiza-se em pequenos grupos nas comunidades e paróquias, inspirados em seu carisma: “Criança e adolescente rezando e ajudando criança e adolescente”. Em seus encontros, escolhem um tema gerador, que é aprofundado, iluminado pela Palavra de Deus e, com uma ação concreta, culmina com uma celebração. Os grupos se encontram na sala, na igreja, nas visitas às famílias e na praça, com o objetivo de fortalecer o compromisso de tornar Jesus conhecido e amado. No Brasil, de acordo com o UNICEF, mais da metade de todas as crianças e adolescentes brasileiros são afrodescendentes, e um terço dos cerca de 820 mil indígenas do país são crianças. São dezenas de milhões de pessoas que têm direitos e deveres e necessitam de condições para desenvolver plenamente todo o seu potencial. Por isso crianças e adolescentes devem receber especial atenção. Palavra de Deus: Lc 10,17-21 17 Os setenta e dois voltaram alegres e disseram: “Senhor, até os demônios se submetem a nós, em teu nome”.18 Ele respondeu: “Eu vi Satanás caindo do céu como relâmpago.19 Eu lhes dei autoridade para pisarem sobre cobras e escorpiões, e sobre todo o poder do inimigo; nada lhes fará dano.20 Contudo, alegrem-se, não porque os espíritos se submetem a vocês, mas porque seus nomes estão escritos nos céus”.21 Naquela hora, Jesus, exultando no Espírito Santo, disse: “Eu te louvo, Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste estas coisas dos sábios e cultos, e as revelaste aos pequeninos. Sim, Pai, pois assim foi do teu agrado”. Para meditar Os setenta e dois discípulos voltam alegres da missão e partilham com Jesus o que eles fizeram. Jesus participa da alegria dos discípulos e lhes mostra qual o verdadeiro motivo de alegria.O que a Palavra de Deus está me dizendo hoje? O que me dá realmente alegria na missão? Oração do Mês MissionárioDeus Pai, Filho e Espírito Santo,fonte transbordante da missão,ajuda-nos a compreenderque a vida é missão,dom e compromisso.Que Maria, nossa intercessorana cidade, no campo,na Amazônia e em toda parte,ajude cada um de nósa ser testemunhas proféticasdo Evangelho,numa Igreja sinodale em estado permanente de missão.Eis-me aqui, Senhor, envia-me!Amém. Assista ao vídeo Neste vídeo, vamos conhecer, pelas próprias crianças, o que é a Infância e a Adolescência Missionária. Também vamos ver o testemunho delas na realização da missão e como se sentem motivadas a serem presença de amor às outras pessoas. Para rezar a novena completa com a sua família, comunidade ou grupos on-line, baixe o livrinho:
Ecumenismo: um novo caminho de fé

“Eles se mostravam assíduos ao ensinamento dos apóstolos, à comunhão fraterna, à fração do pão e às orações” (At 2,42). E logo mais adiante: “A multidão dos fiéis era um só coração e uma só alma. Ninguém considerava seu o que possuía, mas tudo era comum entre eles” (At 4,32). Esse sumário de vida das primeiras comunidades cristãs traduz o sentimento dos apóstolos, dos seguidores de Jesus e constitui-se em elementos fundantes de uma teologia do caminho. Etimologicamente, ecumenismo quer dizer o “mundo habitado”. Esse conceito amplia-se conforme as sociedades evoluem. De mundo habitado para “mundo civilizado”, com uma cultura mais aberta, com os avanços sociais, políticos, econômicos e religiosos que possibilitaram compreender sua amplitude. Em relação ao cristianismo nascente, podemos entender esse “mundo habitado” dentro de uma perspectiva espiritual, pois desta “terra habitada” Deus faz parte, por meio de seu filho Jesus, com a colaboração humana. As expressões máximas desse cuidado eclesial são os concílios ecumênicos, que cuidam das influências do “mundo em geral” nas questões doutrinais e disciplinares da Igreja. Contudo é no Concílio Vaticano II que a questão do ecumenismo tem o avanço e a profundidade em sua abordagem e prática, que, na voz do Papa João XXIII, anunciava-se o “abrir as janelas” da Igreja para o mundo. E o Papa Francisco pede uma Igreja de “portas abertas”, uma Igreja em saída. Igreja de janelas e portas abertas, em saída e a caminho, sob o sopro do Espírito, com novos ventos, em direção aos limites das fronteiras humanas. O movimento ecumênico busca construir a unidade dos cristãos, por meio de maior proximidade e estreitamento de laços entre as Igrejas cristãs, em suas diversas denominações (católica, ortodoxa, luterana, anglicana, entre outras), pela superação de divergências teológicas e culturais, fortalecendo o diálogo e a cooperação para a paz mundial. Mas como compreender essa construção da unidade, se nós, cristãos, que bebemos da mesma fonte, parecemos historicamente divididos em grupos religiosos e que, por vezes, entram em conflitos? A teologia paulina nos imerge na imagem do Corpo de Cristo, que implica um forte compromisso ético de cuidado e solidariedade dos membros uns para com os outros, especialmente para com os mais fracos (1Cor 12,12-27). Essa imagem evoca a unidade da Trindade e nos convoca a “vivermos com um só coração e uma só alma, orientados para Deus”, como diz Santo Agostinho. Apesar do crescimento da consciência da identidade e missão dos cristãos na Igreja e no mundo, ainda há longo caminho a percorrer. Essa responsabilidade que nasce do batismo e da confirmação se manifesta de formas diferentes em cada cultura. Alguns pilares, entre outros, que sustentam a caminhada em busca da fraternidade universal e que podem ser compreensíveis em todas as línguas destacam-se por sua essência e obrigam-nos a pensar em como cuidar bem da “casa comum”, tendo em vista o bem comum de todos: encontro-acolhimento, respeito, justiça e ética. Encontro-acolhimento: ir ao encontro do Outro, com a atitude do Bom Pastor, com a prática do Bom Samaritano, sentar-se junto ao poço de Jacó, sob a ótica da Nova Aliança, “ouvir” o que não está sendo dito e “guardar essas coisas no coração” (Lc 2,51). Respeito: é o primeiro princípio/ da ética; reconhecer o Outro em sua identidade cultural e social, em sua dignidade humana. A gente não vê algumas pessoas que estão à nossa volta. Que saber da experiência nasce da relação entre o conhecimento do outro e a vida humana em sua integridade? Justiça: o termo justiça sempre indica uma relação com o outro. Em Jesus, há uma síntese entre o projeto do Reino de Deus e sua pessoa: a justiça e o justo. Mais do que ser “do bem”, é necessário ser bom. Há uma convocação para uma nova ordem: aquele que adora a Deus é profundamente influenciado a viver esta nova era (o amor, o direito, a justiça, a liberdade, a felicidade), constituindo um novo ethos social e religioso. A lei só é válida quando nela está contida a justiça do Reino. Jesus opera visivelmente ações de justiça do Reino (Lc 7,22-23). Ética: vem de ethos: “morada e proteção do ser humano”. Diferente de cosmético, que apenas enfeita. Falamos de vida boa, digna, justa. O ser humano é o fundamento ético para princípios e valores de vida e a mais vida. Implica sua essência: o ser. Ter a coragem de ser, de ser em relação ao outro e ao mundo. De ser inconformado e indignado com a injustiça e desigualdade, ser determinado, ser engajado, ser comprometido e leal, ser profissional, ser transparente, ser apaixonado pelo que faz, enfim: ser ético; “fé ética é o amor”, como diz Edgar Morin. Há uma referência primeira: Jesus vivia com as pessoas. Esse é o caminho que os apóstolos aprenderam. Mariano Gaioski é formado em Filosofia, Teologia e especialista em História e Educação. Trabalhou em diversas ações pastorais nas dioceses de Registro, Santo Amaro e Campo Limpo, também com adultos em situação de rua e com crianças e adolescentes em situação de acolhimento institucional (abrigos) na cidade de São Paulo. Foi professor e coordenador pedagógico em escolas estaduais de São Paulo, na região de Campo Limpo. E-mail: marianogaioski56@gmail.com.