A missão do professor em uma escola católica

É nítido perceber que o papel do professor está sendo ampliado, cada vez mais, ao longo do tempo. Mas será que essa missão, embora tão sublime, ocorre de maneira satisfatória dentro das escolas católicas? No TBT de hoje, reapresentamos o artigo da professora Lariana de Oliveira Castro Simões.
Não desperdiçar alimentos: um compromisso com a fraternidade e a sustentabilidade

Não desperdiçar alimentos é um ato de amor ao próximo, à natureza e às futuras gerações. Também é um gesto de solidariedade em favor das pessoas mais vulneráveis. Veja o artigo do professor Alisson Baraúna, do Colégio Espírito Santo, em São Paulo – SP.
Brindar a vida com o melhor vinho: Jesus

A vida constitui uma grande festa que o Senhor nos concede todos os dias. Porém essa festa só tem sentido se desfrutamos o melhor vinho: Jesus, seu amor e sua misericórdia. Veja o artigo da Ir. Maria de Fátima Kapp, SSpS.
Recordando a canonização de Santo Arnaldo Janssen: amor e gratidão

Há 20 anos, nosso Fundador era reconhecido como santo da Igreja. Ao celebrar a canonização de Santo Arnaldo Janssen, em 5 de outubro de 2003, o Papa São João Paulo II o definiu como a imagem profética da Nova Jerusalém, que difunde a luz divina sobre todos os povos. Veja o artigo elaborado por Maria Cristina Maia, da Equipe de Espiritualidade SSpS da Província Brasil Norte.
Que “trabalheira” ser criança e adolescente.

Crescer é complexo e delicado, e envolve muito trabalho. É um esforço infinito e árduo dar conta de entender o mundo. A infância e a adolescência é o nosso ensaio equilibrista. Nosso TBT hoje revisita o texto de Maria José Brant (Deka). Confira!
Igreja envia missionária leiga para Guiné-Bissau

A consciência de que todas as pessoas batizadas são chamadas a ser evangelizadoras pôde ser celebrada no dia 17 de setembro, quando a comunidade católica da Paróquia São Roque, Diocese de Ponta Grossa-PR, realizou a celebração de envio da missionária Luciane da Luz Bracisiewrcz para a Missão São Paulo VI, na Guiné-Bissau, país localizado na costa oeste da África. A missa foi presidida por Dom Sérgio Arthur Braschi, bispo diocesano, com a presença de clérigos concelebrantes e o povo que, ativa e alegremente, participaram do momento. Desde criança, Luciane participa da vida da Paróquia São Roque. Nos últimos anos, atuou na comunidade como ministra da Liturgia, do Apostolado da Oração, Legião de Maria, Pastoral da Criança e Catequese. Agora, aos 51 anos, ela vive uma nova experiência: o desafio da missão em outro continente. O despertar para esse chamado ocorreu quando ouviu o testemunho do diácono Pedro e a esposa Salete, sobre a Missão São Paulo VI, na Guiné-Bissau. Ao agradecer a oportunidade da vivência, a missionária Luciane afirmou: “Esse foi um momento de alegria por viver a pertença à Igreja missionária, que dá segurança de que não estou indo sozinha em missão, ou por acaso, mas que é Deus quem escolhe, é Jesus quem chama, a Igreja que envia, Nossa Senhora acompanha e o Espírito Santo conduz. Foi com essa certeza e alegria que vivi esse momento de envio”. Na missa, D. Sérgio destacou a importância de enviar missionários da Igreja Local para outras terras: “É a Igreja que envia. A comunidade é que envia. E esse envio é o apoio dado ao missionário”. Após a homilia, Luciane foi chamada, e D. Sérgio, estendendo as mãos, rezou a oração de envio missionário e abençoou a cruz e o Novo Testamento na língua crioula. Em seguida, entregou os objetos à missionária, como símbolos que vão acompanhá-la. “Nós ficamos muito felizes, como Diocese de Ponta Grossa, ao enviar mais uma missionária leiga de nossa Diocese”, disse Dom Sérgio. Padre Adevilson Dias de Lara, pároco, falou sobre o impulso missionário e a alegria na comunidade: “O envio de nossa paroquiana vem somar com o que já temos buscado: sermos uma Igreja missionária em nossa realidade local. Esse envio vem fortificar e dar mais clareza para a comunidade de que todos nós somos missionários”, afirmou. Assista, a seguir, ao vídeo com o depoimento da missionária Luciane da Luz Bracisiewrcz que embarcou para a Guiné-Bissau, na África, no dia 25 de setembro de 2023. Ela vai integrar a comunidade da Missão São Paulo VI, mantida pela Igreja do Paraná na cidade de Quebo. Irmã Hermelinda Maria Ruschel, SSpS, e Marcos Vinícius Merker
Missão: fazer-se discípula, discípulo de Jesus

Missão: na perspectiva de envio O conceito da missionariedade tem mudado de forma significativa nas últimas décadas. As Sagradas Escrituras constituem a fonte e a inspiração dessa mudança, em conexão com a realidade dos povos, a escuta do clamor dos pobres e da Mãe Terra. O sentido bíblico da missão situa-se na perspectiva de envio. Jesus tem consciência de que é enviado de Deus Mãe-Pai. Ele dá continuidade à sua missão, enviando discípulos e discípulas. No Evangelho de São João (20,21-22), encontramos uma das formas de envio. “Jesus disse de novo para eles: ‘A paz esteja com vocês. Assim como o Pai me enviou, eu também envio vocês’. Tendo falado isso, Jesus soprou sobre eles, dizendo: recebam o Espírito Santo’”. Esse é um texto pascal. Para o evangelista João, a Páscoa e o Pentecostes acontecem no mesmo dia. Trata-se do nascimento da Igreja Missionária, a realização da promessa de Jesus: “Mas o Espírito Santo descerá sobre vocês, e dele receberão a força para serem minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judéia e Samaria, até os extremos da terra” (Atos dos Apóstolos 1,8). Jesus reveste os seus seguidores e seguidoras da força do alto, o Espírito Santo, e os envia em missão. “Mas o Paráclito, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, ensinar-vos-á todas as coisas, e vos recordará tudo o que vos tenho dito” (João 14,26). O Espírito Santo é a memória viva de Jesus. Ele revela, no rosto de Jesus ressuscitado, os traços de Deus Mãe-Pai de amor e misericórdia. O Espírito Santo nos capacita para contemplar no rosto dos irmãos e irmãs, desfigurados pelo sofrimento, pela fome, pela injustiça, o rosto de Jesus. Fazer discípulas e discípulos de Jesus Outro texto relevante de envio: “Jesus se aproximou e falou: ‘Toda autoridade me foi dada nos céus e sobre a terra. Portanto, vão e façam com que todos os povos se tornem meus discípulos, batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo […].’” (Mateus 28,18-20). A preocupação de Jesus, revelada no Evangelho de São Mateus, é fazer discípulos: “Vão e façam com que todos os povos se tornem meus discípulos”. O termo discípulo aparece trinta e sete vezes nesse Evangelho. Para Mateus, a missão é essencialmente “fazer discípulos”. O verbo grego “mathetéuein” (“fazer discípulos”) é usado quatro vezes no Novo Testamento, três das quais no Evangelho de São Mateus (13,52; 27,57; 28,19). O verbo é usado no imperativo “vão e façam discípulos…”. O núcleo central é “fazer com que todos os povos se tornem discípulos”. O coração da missão, para Mateus, é fazer e fazer-se discípulos, discípulas de Jesus, num processo vivencial e contínuo e, assim, o evangelho é anunciado. Somos interpeladas, interpelados a fazermo-nos discípulas e discípulos de Jesus, todos os dias, nas mais diversas realidades e contextos. Nota O livro de Atos dos Apóstolos apresenta Pentecostes um tempo depois da Páscoa. Em At 1,2-8 relata como Jesus ensina, orienta e confere instrução aos seus apóstolos até ser elevado aos céus. Seus dos apóstolos permanecem em oração, com Maria, até a vinda do Espírito Santo (At 1,4-8; At 2,1-13). Irmã Maria de Fátima Kapp, SSpS Integra a Comunidade do Colégio Santos Anjos, em Porto União-SC, na qual atua como coordenadora. Colabora como conselheira provincial e acompanha as irmãs junioristas. Fez graduação em Teologia, mestrado em Teologia Bíblica e especialização em Relação de Ajuda.
Setembro Amarelo: mês de conscientização e prevenção contra o suicídio

É muito importante falar sobre o tema. O Setembro Amarelo teve início inspirado na triste história do norte-americano Mike Emme. Ele era um garoto carinhoso e extrovertido. Habilidoso em mecânica, restaurou um Mustang 68 e o pintou de amarelo. Porém, para a surpresa de amigos e parentes, em 1994, ele cometeu suicídio, aos 17 anos. No funeral, foi homenageado pelos amigos com cartões amarelo e uma fita da mesma cor. Daí nasceu a campanha chamada Setembro Amarelo, com destaque para o dia 10. É preciso diferenciar alguns termos. Há a “ideação suicida”, que compõe um número maior do que o de casos de suicídio de fato. Na ideação suicida, a pessoa tem ideias de autoextermínio que não são consumadas. Há também as tentativas de suicídio, que são os casos em que, felizmente, a morte não acontece. Estas estão mais para um pedido de socorro. Atualmente, no Brasil, cerca de 12 mil pessoas cometem suicídio por ano. No mundo, o número chega a 1 milhão. Os motivos são vários: depressão, ansiedade, transtorno bipolar, esquizofrenia, abuso de drogas, endividamento e solidão. A síndrome do burnout também tem sido causa de suicídios. Entre os que o cometem estão jovens, adultos e idosos, de todas as faixas etárias. Chama a atenção o crescente número de idosos que desistem de viver. Entre os fatores presentes nesta faixa etária, estão a solidão, o sentimento de inutilidade (quando o envelhecimento é melancólico), o sentimento de ser um peso para a família e a dificuldade de aceitar e lidar saudavelmente com essa fase da vida, e suas perdas e limitações. Nesse caso, há duas formas de suicídio: há o lento, quando o idoso deixa de tomar os remédios e de se alimentar; e há o suicídio fatal, que causa maior perplexidade. Causa perplexidade também quando o suicida é uma pessoa famosa, uma celebridade, uma pessoa que está dentro do padrão de beleza da mídia. Há muitas polêmicas envolvendo esse tema. O senso comum tem algumas opiniões sobre as causas e a “realidade” dos casos de suicídio. Algumas pessoas afirmam que os jovens, que ocupam a maioria das estatísticas, são frutos de uma geração que não aceita limites e frustrações. Tal opinião é contraditória quando pensamos no grande número de adultos e idosos que também compõem os índices. Afirma-se ainda que a pessoa que comete suicídio não tem fé ou não tem vida de oração. No entanto, em 2021, nove padres tiraram a própria vida. Outra afirmação generalizada é a de que “quem quer cometer suicídio não avisa, não chama atenção”. A princípio, isso parece verdade, no entanto, após o fato acontecer, é possível fazer conexões com algumas atitudes da pessoa em seus últimos dias de vida: frases de impactos nas redes sociais, postagens de fotos dos tempos em que ela se considerava mais feliz, fechamento, automutilação, objetos deixados à vista dentro de casa, desleixo com o autocuidado, uso mais intensivo de álcool e outras drogas, etc. É preciso estar sempre alerta. Há várias formas de ajudar: uma boa conversa, o encaminhamento para um profissional da Psicologia ou da área da Psiquiatria. Há também o número de contato (telefone 141), do Centro de Valorização da Vida (CVV), que funciona 24 horas por dia. Quanto a você, ajude a divulgar esta campanha. Lembre-se: se precisar, peça ajuda. Aparecido Luiz de Souza Psicólogo (CRP 08/149) e missionário da Congregação do Verbo Divino. E-mail cidosouza1@hotmail.com.
Nove curiosidades sobre a Bíblia

Em artigo passado, apresentei algumas propostas para celebrar o Mês daBíblia. Reforço: reduzir as homenagens à Palavra de Deus, no Mês da Bíblia, a umaprocissão e a palmas é pouco demais. Este é um tempo oportuno de louvar a Deus,justamente buscando nos aprofundar, de vários modos, no conhecimento daSagrada Escritura. No decorrer dos séculos, sobretudo nas últimas décadas, os estudos bíblicostêm avançado de modo significativo. Com o apoio de outras ciências, como aArqueologia, a Linguística, a História, a Teologia, entre muitas outras, vamosdescobrindo dados que nos ajudam a compreender a trajetória de um povo que,com sua experiência de Deus, nos deixou uma valiosa herança.Neste texto, eu gostaria de apresentar nove curiosidades sobre a SagradaEscritura. A ideia é fomentar, de um jeito mais leve, o interesse pelo estudo daBíblia. 1 BibliotecaA palavra “Bíblia” vem da língua grega (como muitas outras que usamos nocristianismo) e tem alma no plural. A tradução seria “biblioteca”, um conjunto delivros. É uma coletânea cultivada, com muito carinho, por séculos. São váriosautores (de santos a pecadores), contextos e modos de lidar com o Sagrado e ohumano. Ao todo, são 73 livros, sendo 46 no Antigo Testamento (AT) e 27 no NovoTestamento (NT). Algumas versões têm livros a menos no AT, pois desconsideram ostextos tardios (deuterocanônicos), escritos em grego. 2 Antigo e Novo TestamentosA palavra “testamento” pode ser entendida como “aliança”, “contrato”. Temos,portanto, uma Antiga e uma Nova Aliança. Em resumo, é um “acordo” entre Deus eos homens: “Eu sou seu Deus, e vocês são meu povo”. Hoje se entende que não éadequado dizer, em vez de Antigo Testamento, “Velho” ou “Primeiro” Testamento;nem “Segundo” Testamento no lugar de Novo Testamento, pois ambos formam umaunidade. Para se referir ao AT, alguns teólogos consideram mais preciso usar aexpressão “Escrituras Hebraicas” ou “Bíblia Hebraica”. 3 Quando foi escrita A maioria dos estudiosos acredita que os textos do AT foram organizados a partir doséculo ano VI antes de Cristo, provenientes de antiquíssimas e veneráveis tradiçõesorais. Sim, existiu “uma bíblia antes da Bíblia”. Talvez o escrito mais antigo seja oCântico de Débora, presente no capítulo 5 do Livro dos Juízes. O último livro do ATa ser compilado foi o da Sabedoria (por volta do ano 50 a.C.). Já os do NTcomeçaram a ser organizados alguns anos depois da morte e ressurreição de Jesus,a partir do ano 50. 4 Não é reportagemA Bíblia não tem o objetivo de ser ata, crônica, reportagem ou manual de ciências(no sentido moderno do termo). Geralmente ela traz os fatos lidos à luz da fé. Afinalidade é, sob inspiração divina, iluminar os caminhos, catequizar, curar, corrigir,consolar. Como exemplo, temos dois relatos da Criação (veja os capítulos 1 e 2 deGênesis). São formas de celebrar transmitidas por escolas diferentes. Ler aEscritura ao pé da letra leva ao fundamentalismo e pode provocar tragédias. 5 Cultura, tempo e lugares diferentesAo meditarmos sobre as passagens bíblicas, devemos ter em conta que é aexperiência espiritual de um povo proveniente de cultura, tempo e lugares bemdiferentes dos nossos. Por isso é importante o estudo bíblico, a meditação, aatualização para nossa realidade. Não à toa, algumas passagens soam estranhas eaté engraçadas para nós deste século XXI. Um exemplo é um trecho de Cântico dosCânticos (capítulo 1, versículo 9), comparando a amada à égua do cavalo do faraó.Um elogio e tanto em tempos antigos, mas, no mínimo, deselegante hoje. 6 Ordem dos livrosA ordem dos livros na Bíblia, tanto no AT quanto no NT, nem sempre se refere àdata em que foram escritos. Com toda a certeza, Gênesis, o primeiro da lista, nãoé o texto mais antigo. Há critérios distintos de organização, como a narrativa deum mesmo evento, o tamanho dos textos, o contexto histórico, o propósitocatequético, etc. O Evangelho mais antigo, por exemplo, é o de Marcos, mas, noNT, ele aparece em segundo lugar, atrás do de Mateus. 7 “Método abacate”Diferentemente de nossa cultura, nem sempre, a mensagem principal de umcapítulo ou mesmo de um livro bíblico está no fim do texto. Muitas vezes, amensagem central está… no centro! É o conhecido “método abacate”. Recordemosque estamos diante de um modo diferente de ver as coisas. 8 AutoriaÉ um costume muito antigo dedicar a autoria de grandes obras a um “patrono”, nãoexatamente a quem escreveu o texto. Por exemplo: a “lei” é atribuída a Moisés; oslivros sapienciais (palavra que remete à sabedoria) são dedicados a Salomão; osSalmos e textos poéticos, a Davi. Isso também ocorre no NT, em que há textos cujaautoria é dedicada a São Paulo ou a outro apóstolo. 9 “Puxão de orelha” no presépioQuando vemos o presépio, notamos duas figuras curiosas: um boi e um burro. Essaforma de retratar o nascimento de Jesus foi criada por São Francisco de Assis, em1223, em Greccio (Itália). Ainda hoje, há quem veja esses animais como a“aquecerem” o Menino Jesus, que nasceu em condições insalubres, pois “não havialugar para eles na hospedaria”, segundo os evangelhos. Na verdade, as duas figurasremetem-se à profecia de Isaías (capítulo 1, versículo 3): “O boi conhece seu dono,e o burro, o cocho de seu senhor; mas Israel não conhece, meu povo nãoentende!”. De fato, é um grande puxão de orelhas que o Pobrezinho de Assis,inspirado no profeta, quis dar nos irmãos e irmãs de todos os tempos, que ouvem,mas ficam indiferentes à Palavra de Deus. A intenção de colocar algumas dessas curiosidades é despertar para oriquíssimo tesouro que é a Palavra de Deus. A Bíblia é uma fonte inesgotável desabedoria a saciar as pessoas ao longo dos séculos. Cada geração descobre naSagrada Escritura uma luz para os desafios e vitórias de cada tempo. O importanteé reconhecer, como ensina a Igreja: o Senhor está presente, de forma real, tambémneste pão que sustenta nossa caminhada. Deixemo-nos encantar com o magníficomundo da Bíblia! Alessandro Faleiro Marques
Mês da Bíblia: homenagens além dos aplausos

A Igreja no Brasil comemora, em setembro, o Mês da Bíblia. Com fundamentos mais ou menos sólidos, alguns teólogos questionam a ideia de meses temáticos, sobretudo quando envolvem a liturgia. Obviamente, sabemos que a Palavra de Deus nos acompanha, todos os dias, ao longo de nossa vida. Ela é sinal da presença do Senhor entre nós (shekinah) e merece toda o nosso carinho. Há algum tempo, contudo, um olhar especial à Sagrada Escritura está consolidado neste período, pelo menos em nosso País. Lastimo muito (muito mesmo!) que as homenagens à Bíblia, em várias de nossas comunidades de fé, resumem-se a uma automatizada procissão com o livro (quase sempre, a meu ver, realizada na hora errada das celebrações) e a uma “protocolar” salva de palmas. É pouco demais! Assim, quando o mês passa, quase tudo continua na mesma. Precisamos aproveitar bem este tempo para bendizer a Deus por sua Palavra entre nós e para buscar aprofundar-nos nesse riquíssimo patrimônio espiritual. Ouso dizer: se não for pela fé, pelo menos seja pela importância da Bíblia como patrimônio cultural da humanidade, como a obra mais publicada de todos os tempos. No propósito de venerar o Sagrado Livro, partilho aqui algumas propostas e experiências de como celebrar bem esse tesouro de nossa fé. Bíblia para todos Em princípio, um testemunho. Tempos atrás, em uma das queridas comunidades cristãs onde sirvo como diácono da Igreja, o povo, animado pelos catequistas, fez um combinado. Comemorariam o Mês da Bíblia de modo mais missionário. Decidiram constatar se todas as famílias do lugar tinham em casa um exemplar da Escritura. Para espanto de muitos, descobriram que, até em lares de pessoas que participavam da Igreja, ela não estava presente. Em outros, existia de modo precário, com o livro em frangalhos ou com traduções ultrapassadas. Animados pelo pároco, o povo assumiu uma campanha de doação de um exemplar a quem precisasse. No fim, dezenas de famílias e indivíduos receberam a Bíblia. A entrega foi realizada em clima de alegria e oração. Algumas na liturgia dominical, outras diretamente nos lares. Um exemplo a ser seguido. O Espírito, a Bíblia e os humildes Em uma paróquia de um bairro humilde, na Região Metropolitana de Belo Horizonte-MG, alguns jovens decidiram, em louvável iniciativa, implantar círculos bíblicos. Para isso, procuraram conhecer essa metodologia e se dividiram em pequenos grupos para atender mais pessoas. Quanta riqueza! O exemplo acabou seguido por outros grupos da Igreja. Por grata experiência, todos nós constatamos: o povo, sim, entende da Palavra de Deus. Conhecê-la não é privilégio apenas de iniciados ou intelectuais (é deles também, claro). Muitas interpretações dadas por donas de casa, jovens, idosos, operários são espetaculares, inspiradíssimas, obra-prima do Espírito Santo. Em suma, a Bíblia é, de fato, uma carta de amor de Deus a seu povo. Na liturgia Colocar a Sagrada Escritura em seu devido e nobre lugar na liturgia é urgente em muitas comunidades de fé. Isso vale para os ministros ordenados, as equipes de liturgia, os ministérios de leitores, de canto, etc. É importante observar que a Palavra de Deus está presente desde os primeiros minutos das celebrações. As próprias saudações iniciais são geralmente inspiradas em textos bíblicos (quase sempre das cartas paulinas). O ideal seria valorizar as antífonas, o tema do Evangelho do dia, o Evangeliário (principal livro litúrgico da Igreja) e entrar com a Palavra já na procissão inicial. No espaço litúrgico, é preciso compreender o valor do altar da Palavra (chamado também de ambão), conforme as normas da Igreja. É o lugar donde brota a vida, a cura, o conforto aos feridos, a esperança. Deve primar pela nobre simplicidade, ser belo. Desse lugar sagrado devem ser proclamadas as leituras, os salmos, o Evangelho, opcionalmente a homilia e, conforme estipulado pela maioria das dioceses mundo afora, as preces da assembleia. É onde ocorre o diálogo entre Deus e o povo, e se proclama a ressurreição do Senhor. Não deveria ser usado para fins alheios à liturgia da Palavra nem para afixar cartazes. Presença real de Jesus também no pão da Palavra Este ponto se liga ao anterior, mas merece um destaque. Desde seu início, a Igreja crê e proclama firmemente estar Jesus presente, de forma real, também em sua Palavra. Uma pena, mas muitos batizados, batizadas não conhecem essa áurea base da fé! A prova disso se vê em muitos lugares: os leitores são requisitados de modo precário, mas não se percebe o mesmo desleixo quanto aos que servem o Pão Eucarístico. Ficam aqui alguns questionamentos: se Cristo está no Pão da Palavra e na Eucaristia, por que improvisamos os leitores (chamando inclusive crianças ou pessoas inaptas para proclamar os textos), mas não improvisamos quem distribui a comunhão eucarística? Por que existe o valoroso ministério extraordinário da sagrada comunhão eucarística e, em inúmeras paróquias, faltam os não menos importantes ministérios de leitores, de salmistas e até do canto? Na catequese Catequese e liturgia são “irmãs gêmeas”. Com acerto, os especialistas insistem em não se confundir a instrução para a fé, marcada sobretudo pela experiência de encontro com o Senhor, com o ensino meramente acadêmico. A catequese (para todas as idades) não deveria ser entendida como “aula” nem catequista como “professor”. Mais do que “estudar” sobre a Bíblia, o ideal seria primeiro celebrá-la, experimentá-la. É necessário, antes, formar bem os catequistas para serem próximos da Palavra a qual eles mesmos ecoam com o próprio exemplo. É claro que esta partilha não abrange todas as possibilidades de celebrar o Mês da Bíblia. É imperativo, no entanto, cristãos e cristãs batizados acolherem com alegria o desejo do Concílio Vaticano II, que “devolveu” para o povo o acesso à Sagrada Escritura. É hora de tirar o pó daquela Bíblia exposta apenas como adorno, é momento de valorizar esse “sacrário” ao qual temos fácil acesso em nossos lares, é tempo de manter os ouvidos e o coração bem abertos para acolher a mensagem de Deus. Assim, nossos aplausos à Palavra poderão ser dados com autêntica alegria e convicção. Alessandro Faleiro Marques Membro das equipes de