O que foi o Tríduo Pascal?

Um evento importantíssimo para os cristãos é a paixão, morte e ressurreição de Jesus Cristo. Na verdade é o mistério pascal que dá todo o sentido ao cristianismo e à nossa fé. Sem o sacrifício de Jesus, não haveria salvação para nós. E adivinhem só quando aconteceu isso? Durante a Semana Santa! Queremos voltar um pouco na história pra você entender de verdade o sentido do Tríduo Pascal ou período que vai da Quinta Feira Santa até o Sábado de Aleluia e porque estes dias são tão celebrados pelos cristãos. Veja só: Contextualizando Quinta feira Santa  É o dia que Jesus celebra a Santa Ceia com os seus discípulos e transforma o pão no seu corpo e o vinho no seu sangue como sinal de sua eterna aliança conosco. Foi quando Ele instaurou a Eucaristia e também o sacerdócio, quando disse para continuar a repetir esta ceia e memória dele. Nesta última ceia com os discípulos, Jesus predisse que seria traído e, a partir deste momento, Ele tinha plena consciência do que iria acontecer e que sua missão no mundo estava prestes a ser completada. Depois na ceia, foi para o Horto das Oliveiras onde passou os seus momentos de maior aflição, chegando até a suar sangue. Angustiado, Ele suplicou ao Pai: “Meu Pai, se for possível, afasta de mim este cálice, contudo seja feita a Tua vontade”  (Mateus 23,42). Depois disto ele foi traído por Judas com um beijo e foi levado à julgamento no Sinédrio, onde sofreu maltratos durante toda a noite. Sexta Feira Santa  Pela manhã levaram Jesus a Pôncio Pilatos (o procurador romano) para que este o condenasse a morte. Embora ele não estivesse muito tranquilo com a ideia de condenar Jesus (pois não via nele crime algum), se sentiu pressionado pelo povo e pelos  sacerdotes e entregou Jesus para eles. Como era festa, o costume local permitia soltar um prisioneiro e Pilatos perguntou as pessoas qual prisioneiro eles queriam que fosse solto: Jesus ou Barrabás, um assassino. Mas o povo, manipulado pelas autoridades judaicas, escolheu Barrabás. A partir daí as torturas e humilhações começaram. Colocaram uma coroa de espinhos em sua cabeça, uma capa vermelha em seus ombros, deram murros, chicotadas e o fizeram carregar uma pesada cruz ao monte chamado “Calvário” no qual ele foi crucificado e morto, entregando sua vida em sacrifício por todos nós. A história de sua paixão foi contada em detalhes nos quatro Evangelhos. Vale a pena ler. Sábado Santo O Sábado Santo, também conhecido como Sábado de Aleluia, é um tempo de silêncio, em que os discípulos vivenciaram a dor da perda de seu Mestre querido. Jesus está sepultado e uma grande pedra fecha a entrada de sua tumba. Mas a morte não tem a última palavra, porque o amor de Deus é mais forte do que tudo. Por isso, no sábado à noite celebramos a Vigília Pascal, uma celebração com uma simbologia muito rica. Antigamente a Vigília Pascal durava toda a noite e ia até o romper da aurora quando se celebrava a ressurreição de Jesus. Atualmente a vigília dura cerca de duas horas. Começa do lado de fora da igreja com os fiéis ao redor de uma fogueira. O fogo é abençoado e com ele acende-se o círio pascal, uma grande vela que representa a luz de Cristo Ressuscitado. Todos entram na igreja escura e conforme o sacerdote vai entrando com o círio aceso, os fiéis vão acendendo suas velas a partir da luz do círito pascal iluminando toda a igreja. As leituras, os salmos e os cânticos relembram toda a história da salvação, desde a criação do mundo, passando pela libertação do povo de Israel até a chegada de Cristo. Nesse dia também se faz a bênção da água, a renovação das promessas do batismo e, em alguns lugares, também batizados, pois na igreja primitiva era quando as pessoas que abraçavam a fé cristã recebiam o batismo. É uma celebração cheia de alegria pela vitória de Cristo sobre a morte e que traz a esperança que cada um de nós também ressuscitará. Uma boa páscoa para você!

Projeto Recontos para a Paz – Tia Beringela reconta clássicos em novas versões

Alguma vez já imaginou se o mundo fosse um lugar pacífico de viver? Se não existissem guerras, violência, corrupção e mais uma porção de coisas que assolam a humanidade? Acredite, todos nós imaginamos e sonhamos com isso. Tanto que a Rede de Educação SSpS, somando forças com a Igreja no Brasil, está trabalhando a Campanha da Fraternidade como tema transversal das escolas. Para conquistar a adesão dos alunos de todas as idades foi escolhido o lema: “Viver com amor é viver a paz”,  o que deverá ser traduzido em prática em todas as ações desenvolvidas durante o ano. A agenda deste ano mostrada em nosso blog  foram feitas como meio para se refletir sobre a importância da cultura de paz. Em cada divisória, tanto do ensino fundamental, quanto a do infantil, foram tratado de temas da paz, baseados no “Manifesto 2000 por uma Cultura de Paz e Não-Violência da UNESCO”. A Agenda Infantil, porém, tem um algo mais, ela não só traz histórias de paz, mas vídeos com uma atriz contando cada história. Totalizando são 12 histórias, 1 para cada mês. As histórias são os famosos Conto de Fadas que todos nós conhecemos (Chapeuzinho Vermelho, Peter Pan, Os Três Porquinho e etc.) modificados para um final pacífico e justo. Para este importante trabalho, foi chamada a atriz, recreadora de festas infantis e contadora de histórias Gisele Winter, mais conhecida como Tia Beringela, para contar todos estes contos que estão no nosso canal do youtube.   Vamos aos vídeos? A seguir estão todos os outros feitos para este projeto. Assista e mostre às crianças um jeito saudável de aprender sobre a cultura da paz. Aproveite para se inscrever em nosso canal e receber os vídeos dos próximo projetos.

“Dentro da escala social, a mulher negra é a que mais sente as consequências” – conta a coordenadora de cursos do CESEEP

O Dia Internacional Contra a Discriminação Racial, representa alguma coisa para você? Talvez não, talvez seja apenas mais uma data no calendário… mas se você for negra (0), aposto que significa muito mais do que isso. É uma conquista para o reconhecimento do valor da população negra no mundo e para a superação do preconceito. Quem vai falar um pouquinho sobre este assunto é a Nilda de Assis Candido, que trabalha no CESEEP (Centro Ecumênico de Serviços à Evangelização e Educação Popular) como coordenadora de cursos e responsável  pela formação de militantes cristãos e, há 4 anos, em contato direto com as questões que atingem as minorias. Numa entrevista exclusiva para o blog, ela conta que no CESEEP, os cursos “de pastoral e relações de gênero, buscam fomentar o estudo e a reflexão em torno das temáticas urgentes na sociedade.  Os temas permeiam a vida das agentes comunitárias e de organizações não governamental e política sobre a questão de como entendemos as relações humanas dentro dos espaços comunitários e de poder dentro da sociedade” – Explica Nilda. 1 – Qual é a sua experiência com mulheres no CESEEP? “Neste ano de 2018 trabalhamos sobre o Feminismo em Sociedades Racial e Socialmente Desiguais, um trabalho em parceria com o Geledés – Instituto da mulher Negra. Tivemos a presença de representantes da Argentina, Chile, Bolívia, Cuba e do Brasil. A proposta de estudo foi assertiva, por discutir sobre as desigualdades sociais. Ao abordar as desigualdades levanta-se diversos conflitos; de classes, sexo e raça. E, em se tratando de feminismo em sociedade, olha-se para o lugar em que estão inseridas e sempre predomina um lugar de disparidade pelo fato de serem mulheres. E, sofrem, ainda mais pela discriminação e o racismo”. 2 – Você considera que no Brasil ainda exista muito preconceito racial? “Sim, está inserido na história brasileira. Referindo-se ao tratamento dado as pessoas negras, aí sim, temos um preconceito, porque temos um recorte racial que envolve a cor da pele. Socialmente, traz uma concepção de que negro ou negra carrega na sua existência estigmas depreciativos pelo simples fato de ser negro ou negra. Nas ruas vemos isso. Quem são os primeiros a serem abordados em uma diligência policial? O jovem negro. O Atlas da Violência 2017, lançado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e o pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública nos mostram que homens, jovens, negros e de baixa escolaridade são as principais vítimas de mortes violentas no País. A população negra corresponde a maioria (78,9%) dos 10% dos indivíduos com mais chances de serem vítimas de homicídios. Os dados foram publicados no dia 5 de junho de 2017 pela Carta Capital e nos confirmam a existência do preconceito e a discriminação em nossa sociedade”.  3 – Você acredita que uma grande porcentagem da discriminação seja destinada às mulheres negras? “Sim, temos de entender que a mulher negra, dentro de escala social, é quem mais sente as consequências. Quem entra no mercado de trabalho é o homem não negro, logo em seguida, com salários menores, as mulheres não negras. É depois que vem o homem negro. Neste caso em que situação fica a mulher negra?  Em último lugar, e é ela que irá sentir o peso de tamanha desigualdade. Ficará em uma posição de total desvantagem na escala social por ser negra. Exemplo: anúncios de empregos para pessoas de boa aparência. Qual tipo físico está se buscando, qual perfil? Nem sempre é o perfil da pessoa negra. A questão se coloca porque não paramos para pensar sobre isso. Só pensa nestas situações quem as vivencia no seu cotidiano. E quem vivencia estas situações estão sempre nas periferias das cidades. Há avanços sobre o entendimento do problema e formas legais para apoiar as vítimas de racismo ou qualquer tipo de discriminação. Nos últimos anos, com a organização de grupos sociais, há um amplo material literário que vem surgindo e ressurgindo no cenário social que ajuda a entender e a enfrentar a questão. Um caso é a redescoberta de Carolina de Jesus em seu belo livro “Quarto de despejo”. E outras figuras públicas escrevem e militam há muito tempo nos movimentos de mulheres negras como:  Sueli Carneiro e Djamila Ribeiro. São uns dos exemplos que ajudam a entender a questão”. 4 – O que uma mulher negra deve fazer quando é discriminada? “Procurar ajuda e denunciar. Não há outro caminho. Não se sentir sozinha”. 5 – O que podemos fazer para que este quadro mude? “O caminho é a educação. De modo particular, a educação popular tem muito a contribuir no processo de discussão e multiplicação da informação nos diversos coletivos que existem espalhados pela cidade, como rodas de conversas, saraus, carreatas poéticas na periferia do Grajaú e nas redes sociais. Uma educação popular como Paulo Freire enfatizava, a partir da realidade das pessoas. Ressalto à importância da escola, ela tem um papel fundamental neste processo de retratar sobre o assunto entre os alunos e alunas e seu corpo docente dentro das atividades curriculares. E, também as comunidades religiosas”. O que acharam desta entrevista? O tema é bem pertinente aos dias de hoje? Comente o que você achou.

Quer salvar o planeta? Comece em sua casa!

Não é novidade que o nosso mundo tem sérios problemas com poluição e degradação ambiental, mas também (e ainda bem!) não é novidade que se todos contribuíssem, poderíamos fazer mudanças significativas para reverter todos estes males. Só pra você ter uma noção, atualmente a degradação ambiental causa 12,6 milhões de mortes por ano e a poluição do ar é responsável pela morte de 6,5 milhões por ano (Dados da ONU Meio Ambiente). Terrível não? E como essa semana teremos o Dia da Água e o Dia da Terra, não teria melhor momento pra falarmos sobre este tema, e até mais, a incentivarmos boas ações para salvar o nosso planeta. Dispostas a contribuir para isto, nós adotamos algumas medidas em nosso convento, como reduzir a quantidade de lixo, separar e reciclar, fazer compostagem com o lixo orgânico e, assim,  melhorar o plantio.  Além disso, economizamos água e utilizamos energia solar. A iniciativa já existia, mas foi reforçada na assembleia anual, onde todas nós assumimos o compromisso de cuidar da ‘Casa Comum’ (como é chamado o Planeta Terra pelo Papa Francisco), falamos disto neste post. O que nós fizemos? Cisterna: Para a economia de água, foi construída em nosso jardim uma cisterna. Ela capta água da chuva e a direciona para as atividades que não precisam de água potável, como a lavanderia e a irrigação da horta e do jardim. Composteira: A compostagem é uma técnica que utiliza  o lixo orgânico para produzir adubo natural, rico em nutrientes para as plantas, conforme explica Francisco Rodrigues de Oliveira, jardineiro do convento: “Tem coisas em abundância na natureza que muitas vezes jogamos fora e são reutilizáveis. Aqui nós usamos as folhas secas das árvores, restos de alimentos e cascas de frutas e colocamos na nossa composteira. No final temos um adubo de qualidade que usamos para colocar nas nossas plantas”. – Explica Francisco, jardineiro do convento. Pequenas atitudes a longo prazo, podem acarretar em grandes mudanças lá na frente. Esperamos que você também encontre formas criativas de colaborar com o meio ambiente. É possível fazer cisterna e compostagem caseiras, basta pesquisar um pouquinho, juntar uns baldes e reutilizar os recursos em sua casa. Um boa dica é o canal Ecycle , que tem uma série de dicas sustentáveis para a casa e para vida. Dá uma olhadinha e depois vem contar pra gente qual você escolheu fazer. Vamos adorar saber!

Responda a nossa pesquisa de opinião e concorra a um brinde imperdível!

Olá! Hoje estamos aqui para saber a sua opinião sobre nós! Se você é leitor fiel do nosso blog ou é novo visitante, gostaríamos de saber o que você pensa sobre o nosso conteúdo. Tire uns minutinhos pra responder e concorra a uma camiseta do Centro Missionário Cultural Santíssima Trindade super fashion como estas abaixo.

Cibercensura – Livres até que ponto?

Na era da comunicação ainda existe muita censura por aí, principalmente quando falamos de política, onde temos informações que contém verdades que o povo não pode ficar sabendo. O site observatóriodaimprensa.com.br publicou um artigo da Patrícia Peck Pinheiro, advogada especialista em cultura digital e inovação, que achamos bem interessante e resolvemos compartilhar com vocês aqui no blog. Como combater a cibercensura? A internet é uma terra digital de liberdade, sim, mas não para todos. Dia 12 de março é o Dia Mundial de Combate à Cibercensura. O que isso significa? Que a sociedade da informação ainda precisa lutar contra toda forma de restrição à liberdade de pensamento político. Dentro de um aspecto sociológico, ainda é difícil em muitas culturas, comunidades, até mesmo em algumas famílias, saber lidar com uma visão diferente da própria, com a diversidade. Matamos e morremos por uma ideia. Segundo a ONG Repórteres Sem Fronteira, os “netcidadãos” estão sendo alvo de represálias de governos ao redor de todo o planeta que tentam suprimir a liberdade de expressão no mundo digital. Esta internet transparente denuncia as atrocidades cometidas por quem está no poder e não pode ser calada! Temos que lutar bravamente pelo direito de manter ligada a via digital dos direitos humanos, da paz e da proteção das minorias. Direito de resposta na web Hoje os países considerados “inimigos da liberdade digital” são China, Cuba, Arábia Saudita, Vietnã, Rússia, Egito e Turquia. E podem entrar na lista ainda países como Índia e França. E o que cada um de nós, internauta, pode fazer? A melhor forma de combate é a mobilização digital, pois se combate censura com mais informação! Mas como diferenciar o que é censura do que é o exercício legítimo do direito do Estado ao poder de polícia de remover da internet conteúdo ilícito? Com certeza paira sobre nós um paradoxo entre leis e liberdades. Todo e qualquer ordenamento jurídico de um país tem como principal missão, justamente, proteger a coletividade da arbitrariedade do indivíduo, seja ele um rei tirano, um ditador, ou uma pessoa comum ameaçando outras, como ocorre com o terrorismo. O problema maior ocorre quando não fica claro o limite da autoridade. Ou melhor, quando a própria autoridade comete um ilícito e não quer permitir que isso venha a público ou seja revelado. Outro ponto de tensão está diretamente relacionado às ordens de autoridades sem amparo no devido processo legal, onde alguém pode mandar prender ou soltar sem ter que dar qualquer justificativa ou mostrar provas que embasem sua decisão. Com certeza, não é simples combater a cibercensura, tampouco aprender a lidar com conteúdo controverso na web. Da foto de mulheres sem burca no Oriente às páginas de nazismo no Ocidente, vivemos um momento de reflexão sobre a própria liberdade de escolha e sobre o impacto da informação na sociedade humana. Isso é o que nos mostra o novo ramo da filosofia da informação, com autores consagrados, como Fernando Ilharco ou o pioneiro Luciano Foridi, onde temas como privacidade, liberdade e dignidade humana tendem a ser mais discutidos em um mundo em que o conhecimento está mais democratizado, pulverizado e acessível. Mas uma coisa é certa: quanto maior nossa visão crítica mais vamos exigir que toda remoção de conteúdo seja justificada e que o direito de resposta digital seja garantido na web, não importa qual seja a cidadania, nem o país, pois já vivemos em um único mundo global digital. ****** Patricia Peck Pinheiro é advogada especialista em cultura digital e inovação, autora de 14 livros sobre Direito digital. O que acharam deste artigo? Temos a cibercensura em nosso país? Dê a sua opinião.

Empoderamento feminino é uma questão de consciência. – Entrevista com Irmã Cecília Hansen

O dia das mulheres sem dúvida é uma data memorável para todos nós, para lembrar da força das mulheres e de toda sua conquista na sociedade ao longo dos anos. E o que mais nos chama a atenção no ser feminino, é que, ao mesmo tempo que possui uma lado carinhoso e delicado, ele também possui um lado forte e virtuoso. Essas incríveis qualidades, infelizmente, não são do conhecimento de muitas mulheres, ou até são, porém existe o medo do despertar desta força. Nossa Ir. Cecília Hansen, que durante 17 anos trabalhou com os grupos de mulheres nas periferias de São Paulo, conta como foi sua vivência de acompanhar, aconselhar e encorajar as mulheres. Baseada em suas experiências, ela afirma que “a mulher precisa tomar consciência do seu papel na sociedade e na Igreja”. Experiência com o Grupo de Mulheres “Na década de 1970, pós Concílio Vaticano II, D. Paulo Evaristo Arns fez um apelo às Congregações para liberar irmãs para a periferia. Esse chamado veio ao encontro do meu desejo de trabalhar com os (as) empobrecidos (as). Em 1972 iniciei meu trabalho em Vila Remo – periferia da Região Sul de São Paulo. Os Padres me convidaram para conhecer e ver a realidade e lá fiquei 17 anos. Naquela época, Vila Remo era uma periferia no extremo da cidade. Tudo faltava. Não tinha água encanada, coleta de lixo, faltava escolas, creches, transporte, etc. A maioria do povo vinha do Nordeste e do Interior de Minas, desenraizada de sua família, cultura e ambiente em busca de melhores condições de vida. Iniciamos o nosso trabalho formando Comunidades Eclesiais de Base. Era uma nova forma de viver a Igreja. Era uma Igreja circular onde todos (as) tinham voz e vez. Cada participante tinha o seu papel: padre, religiosa, leigo e leiga. Trabalhávamos em equipe (em redes). O trabalho foi distribuído. Todos tinham um compromisso com as CEBS  – Comunidade Eclesiais de Base. Eu, pessoalmente, além das CEBS, me dedicava mais à catequese, aos Grupos de Mulheres e ao Movimento do Custo de Vida. A Palavra de Deus nos inspirava e sustentava nossa espiritualidade. Era uma releitura da Bíblia a partir do oprimido, era uma espiritualidade encarnada na Palavra de Deus e na vida – na linha do CEBI (Centro de Estudos Bíblicos)”. Clube das Mães “Sendo uma Igreja onde todos (as) tinham voz e vez, o povo trazia para as nossas celebrações e encontros seus problemas, suas dificuldades, suas necessidades, suas angústias, suas esperanças. Formaram-se vários grupos conforme as suas necessidades. Assim, também as mulheres se organizaram em grupos. Todas as comunidades nos bairros tinham um grupo de mulheres que naquela época se chamava ‘Clube de Mães’. Formaram uma coordenação com representantes de cada Clube de Mães. O grupo escolhia a sua representante. A coordenação se reunia uma vez por mês e cada uma trazia a dinâmica e a vida do seu grupo e levava as propostas da coordenação para o seu grupo de volta. Queríamos a participação de todas as mulheres. Só assim se decidia sobre um assunto ou sobre uma ação assumida por todas. As mulheres sentiram mais que ninguém o sofrimento da situação. Tomaram iniciativas por vários movimentos sociais como: Movimento por creches, escolas, água encanada, transporte, etc. Um movimento que se destacava e se espalhava pela cidade e por todo país era o ‘Movimento do Custo de Vida’. Não conseguimos resultados concretos das nossas reivindicações, mas houve um grande salto na consciência das mulheres. Saíram das quatro paredes de suas casas e começaram a enxergar outras possibilidades na vida. Assumiram seu papel na Igreja e na sociedade”.   Centro Sofia de Solidariedade “Passei um tempo em Goiânia e São Luiz de Maranhão. Voltei em 1995 para São Paulo. Houve muitas mudanças na Igreja e na sociedade. Com a mudança da Igreja de São Paulo, o espaço para as  mulheres foi restringido e, às vezes, elas foram excluídas. Muitas mulheres sentiram a falta de se reunir,  trocar ideias e celebrar. Algumas mulheres se propuseram a se encontrar e convidaram mais mulheres. O Convento Santíssima Trindade nos ofereceu o espaço físico e a infraestrutura. A semente foi lançada e em 1995 o grupo teve início. O objetivo do grupo era olhar um pouco para nós mesmas, resgatar nossa dignidade, tomar consciência do nosso papel na sociedade e na Igreja, cultivar uma mística, vivenciar uma espiritualidade integrada, cósmica e buscar energias e inspiração para o nosso dia a dia. Temos sempre um olhar e um pé na realidade. Refletimos, aprofundamos e participamos da Marcha Mundial das Mulheres, Fórum Social Mundial, Campanhas contra a Dívida Externa e Alca, Centenário das SSpS, Romaria à Aparecida do Norte, Pentecostes, canonização do Pe. Arnaldo e a Beatificação de Madre Josefa, etc… Anualmente avaliamos os nossos encontros. Já trouxeram algum resultado: maior auto-estima, maior consciência do nosso papel,  uma nova concepção de mundo, aprendizagem de como lidar com conflitos, conquistas no espaço público, engajamento em projetos sociais. Todos os encontros se realizavam com dinâmicas participativas, usando técnicas, músicas, danças circulares, exercícios corporais integrando-nos com a natureza e energias do universo, a partir da ótica de relações de gênero e vivenciando uma espiritualidade holística, cósmica. A  natureza com o seu encanto fazia sua parte  na realização desse bem-estar”.

3 dicas de Santo Agostinho para viver bem a Quaresma

A Quaresma, os 40 dias que antecedem o Tríduo Pascal (paixão, morte e ressurreição de Jesus) é um tempo litúrgico importante para os cristãos e não pode ser vivenciada de qualquer jeito. Para este período, preparamos 3 dicas excelentes, inspiradas numa das maiores figuras da Igreja Católica, para você aproveitar ao máximo este tempo de reflexão. Bispo de Hipona, teólogo e escritor, Santo Agostinho é considerado o maior doutor da Igreja. Fez diversos escritos de fé, fervor religioso, metafísica, filosofia, humanismo, temas espirituais, entre outros. Reunimos alguns versos de suas confissões mais apaixonantes e convidamos a aplicá-las na sua vida nestes dias da quaresma. Dica 1 – Procure Jesus dentro de você “Tarde Vos amei, ó Beleza tão antiga e tão nova, tarde Vos amei! Eis que habitáveis dentro de mim, e eu, lá fora, a procurar-Vos!” A mãe de Santo Agostinho era católica e ele já havia ouvido falar de Jesus Cristo através dela, mas foi apenas aos 30 anos de idade que se converteu, depois de muito buscar o sentido da vida em outras religiões. Como o Santo diz acima, nos concentramos em ver Deus em coisas ou pessoas mas o Senhor é simples, sua presença suave se faz em nossos corações. Apenas com uma sincera oração podemos achá-lo em nossas vidas. “Vocês me procurarão e me acharão quando me procurarem de todo o coração” (Jeremias 29,12). Dica 2 – Encontre forças no alimento diário “Não somos nós que transformamos Jesus Cristo em nós, como fazemos com os outros alimentos que tomamos, mas é Jesus Cristo que nos transforma nele. […] A Eucaristia é o pão de cada dia que se toma como remédio para a nossa fraqueza de cada dia.” Na época da quaresma sempre somos chamados à penitência e à conversão. É um tempo de aprofundarmos nossa relação com Deus e com as pessoas, buscando corrigir nossos erros e vivenciar o perdão de Deus, como também perdoar as pessoas que nos ofendem. Nesta quaresma, a Campanha da Fraternidade nos convida à superação da violência que está dentro de cada um (a) de nós, mas também na sociedade como um todo. Para isso, o lema da CF – 2018 nos recorda que “Vós sois todos irmãos” (Mt 23,8). De fato, a fraternidade, o amor mútuo, a solidariedade e o respeito são o melhor caminho que leva à construção da paz e à superação da violência. Mas temos dificuldade em vivenciar, com todas as pessoas, o amor e o compromisso que o Evangelho nos pede. Por isso, necessitamos da força do próprio Cristo para colocar em prática os seus ensinamentos. E onde encontramos essa força? É na Eucaristia! Ao receber regularmente, na Missa, o próprio Jesus que se entrega a nós no pão consagrado. Ele é o nosso alimento, a força que nos ajuda a fazer o bem e a dar a nossa contribuição para a paz em nossas famílias e no mundo em que vivemos. Dica 3 – Demonstre amor em tudo que fizer “Se tu manténs o silêncio, faz isso por amor; Se gritas, fá-lo por amor; Se corrigires, corrigirás com amor; Se perdoares, perdoarás com amor; Se evitas punir, faz isso por amor. Cultiva em ti a planta do amor, pois dela só poderá vir o que é verdadeiramente bom. Por amor. Quem ama nunca faz o mal, e é para o bem que nascemos.” Se pudéssemos descrever a Paixão de Cristo em uma palavra, com certeza seria “amor”. E esse mesmo amor que Jesus demonstrou por nós na cruz, deve ser o amor praticado por nós em tudo que fizermos e a todas as pessoas. Cumprindo assim a palavra do Senhor dita em 1 Coríntios 16.14 “Façam tudo com amor”. O que acharam destas dicas? Gostaram? Então vejam estas do Papa Francisco, que são imperdíveis: http://cnbb.net.br/conheca-a-integra-da-mensagem-papal-sobre-a-cf-2018/ Conheça mais sobre a Campanha da Fraternidade: Resumo do texto base da CF 2018: https://portalkairos.org/resumo-do-texto-base-da-campanha-da-fraternidade-2018/

Websérie ” É Nossa História” – Ep. 6: Vida na Pedreira

A vida na periferia de uma grande cidade é cheia de dificuldades, especialmente para as pessoas mais pobres, para quem falta tudo: moradia digna, acesso à saúde, à educação, à segurança… Pedreira é um bairro da Zona Sul de São Paulo e Ir. Agnes Knips é uma missionária Serva do Espírito Santo de 81 anos que está mudando a vida de centenas de pessoas com sua presença amorosa e ação transformadora. No 6º episódio da websérie “É Nossa História, vamos conhecer o trabalho da Irmã Agnes junto aos doentes, às pessoas idosas e às crianças e adolescentes, especialmente na favela do Abacateiro. E logo temos mais! Fique ligado para o próximo episódio dia 15/03. Inscreva-se em nosso canal para receber a notificação. Até lá. Assista os episódios anteriores: Websérie – Ep. 1 – Adolescentes Grávidas Websérie – Ep. 2 – Povo Akwe Xerente Websérie – Ep. 3 – Crianças em Risco Websérie – Ep. 4 – Projeto Providência – Jovens e Adolescentes Vulneráveis Websérie – Ep. 5 – Justiça Restaurativa

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