Entenda a relevância da gentileza para uma sociedade harmoniosa

Propagar ações mais humanas, divulgar boas práticas e transmitir amor são pilares que norteiam as bases do conceito de gentileza. Praticar a gentileza é ser mais humano, colocar-se no lugar dos outros, dispor-se a fazer o bem sem olhar a quem e, como o próprio nome já diz, ser gentil. Viver em sociedade nos imprime conceitos e obrigações que devemos cumprir, e uma dessas tarefas é a gentileza. A partir do momento em que não se praticam bons atos para com os outros, torna-se comum o aparecimento de problemas sociais, como violência, pobreza e disseminação de discursos de ódio.Por isso, é fundamental destacar o papel da gentileza para uma sociedade mais harmoniosa, a fim de manter relações sociais mais fluidas e diminuir o índice de violência (física ou não). É como diz a citação de Jean de La Bruyère: “A gentileza faz com que o homem pareça exteriormente como deveria ser interiormente”. No ambiente escolar, a gentileza é trabalhada por meio dos mediadores dos alunos, que são os próprios professores. É claro que educação vem de casa, mas prezar que as crianças tenham atitudes gentis é algo que norteia o papel pedagógico dos professores e da equipe pedagógica, principalmente os profissionais ligados aos primeiros anos do colégio. Gestos de gentileza também fazem com que as pessoas que os praticam se destaquem na própria sociedade, uma vez que atitudes do bem são cada vez menos comuns em uma população que olha mais para si do que para o próximo. Pessoas empáticas são vistas como diferenciadas e, por muitas, acabam sendo ridicularizadas. Ainda é importante ressaltar que gestos gentis também devem ser devolvidos com agradecimento, essa é uma forma de devolver simbolicamente a gentileza feita a você. Afinal, gentileza gera gentileza, é uma relação mútua de trocas, como diria o grande Profeta Gentileza. Trabalhar a concepção de gentileza e afabilidade em um ambiente escolar é fundamental em uma sociedade que preza por uma geração que, além de dar valor a boas atitudes, também busca humanizar o conceito de educação. No dia 29 de outubro, a Rede de Educação Missionárias Servas do Espírito Santo promoveu a Webinar Tecendo Relações com a premiada atriz Denise Fraga. O tema foi “O poder da gentileza: como levar uma vida mais leve”. Confira, na íntegra, o bate-papo com a atriz que marcou sua carreira nas telas do cinema e da televisão, no teatro e como autora de livros. Assista! Professora Andréa Diegues Gomes de Souza, Colégio Imaculado Coração de Maria, Belo Horizonte-MG, formada em Letras/Literatura.
A ética do cuidado na missão no mundo de hoje

A mensagem central da encíclica “Laudato si’” (Louvado sejas) repete esta frase várias vezes ao longo de suas mais de 190 páginas: “Tudo está conectado” (Papa Francisco, 2015). O ser humano não está dissociado. Faz parte de um todo. É o macro e o micro juntos. Cuidar do todo é cuidar da parte, e não cuidar do todo é destruir uns aos outros, sobretudo os mais pobres e vulneráveis. A sociedade contemporânea convive com uma grande contradição. Vivemos em uma sociedade na qual o investimento em conhecimento e comunicação é enorme. Ao mesmo tempo, estamos cada vez mais sozinhos, isolados. As pessoas vivem numa solidão tremenda. A internet possibilita que façamos tudo on-line, sem sairmos de nossas casas, e isso tem causado um isolamento nunca visto. Diante disso, surge uma pergunta: como estamos nos relacionando com nossa casa comum? Como estamos nos relacionando com o nosso semelhante? Estamos muito preocupados com as tecnologias de última geração, meios de comunicação ultramodernos, porém estamos nos esquecendo de olhar para nossa realidade, para o chão nosso de cada dia, para nosso planeta, para nosso semelhante, com um olhar de compaixão. As coisas simples têm ficado de lado. Uma conversa na sala de tevê, um bate-papo tomando café, um sorriso diante de um caso; as pessoas não conversam mais. Necessitamos, no entanto, de coisas simples, como afirma Frei Betto (s.d.): Costumo advertir os balconistas que me cercam à porta das lojas: “Estou apenas fazendo um passeio socrático”. Diante de seus olhares espantados, explico: “Sócrates, filósofo grego, que morreu no ano 399 antes de Cristo, também gostava de descansar a cabeça percorrendo o centro comercial de Atenas. Quando vendedores como vocês o assediavam, ele respondia: “Estou apenas observando quanta coisa existe de que não preciso para ser feliz”. “Tudo está conectado.” Tem-se percebido a urgência de um olhar simples, humanizador sobre nosso planeta e sobre as pessoas. Nosso modo de proceder deverá estar pautado em uma ética do cuidado, isto é, um modo de ser no mundo que se fundamenta nas relações que estabelecemos com todas as coisas. Não é à toa que, na encíclica do Papa Francisco, a expressão “tudo está conectado” se repete várias vezes. É uma chamada de atenção para olhar o macro e o micro sobre a ética do cuidado, esse modo de ser e de proceder no mundo, que se baseia numa prática humanizadora de todos as relações. Em “Saber cuidar”, Leonardo Boff (1999) chama a atenção que o que importa é estarmos atentos às pequenas atitudes humanas, nas ações cotidianas, no trato como o nosso semelhante, ou seja, nas coisas simples que marcam nossas relações. “Tudo está conectado.” Para aprofundarmos mais sobre esse assunto tão importante e necessário nos dias atuais, faço um convite muito especial a todos. Um webinar com o teólogo Leonardo Boff. Será no dia 8 de outubro, às 20h, no canal da Província Brasil Norte das irmãs servas do Espírito Santo, no Youtube SSpS Brasil Norte. Participe! Uma breve apresentação sobre o palestrante Leonardo Boff (1938) é teólogo, escritor e professor brasileiro, um dos maiores representantes da Teologia da Libertação, corrente progressista da Igreja Católica. Leonardo Genésio Darci Boff nasceu em Concórdia-SC, no dia 14 de dezembro de 1938. Filho de professor, graduou-se em Teologia no Instituto dos Franciscanos de Petrópolis, Estado do Rio de Janeiro. Doutorou-se em Filosofia e Teologia pela Universidade de Munique, Alemanha, em 1970. Referências BETTO, Frei. Passeio socrático. Blog Frei Betto, s.d. Disponível em: freibetto.org BOFF, Leonardo. Saber cuidar: ética do humano compaixão pela terra. Petrópolis: Vozes, 1999. FRANCISCO, Papa. Carta encíclica Laudato si’. São Paulo: Paulinas, 2015. Gerry Adriano da Silva é filósofo, teólogo e professor de Ensino Religioso no Colégio Stella Matutina, em Juiz de Fora-MG.
Maestro João Carlos Martins participa do Tecendo Relações nesta quinta

Nesta quinta-feira, 13 de agosto, às 19h, o maestro João Carlos Martins participa ao vivo de um bate-papo sobre a arte de agir com amor e emoção para superar os desafios. O artista é o convidado do webinar Tecendo Relações. A conversa será mediada pela professora Edja Camila, do Colégio Imaculado Coração de Maria, no Rio de Janeiro-RJ. A transmissão será pelo canal da Rede de Educação Missionárias Servas do Espírito Santo, no Youtube. O professor Marcus Vinícius Leles de Barcelos, que leciona Literatura e História da Arte no Colégio Sagrado Coração de Jesus, em Belo Horizonte-MG, conta um pouco mais sobre o maestro João Carlos: “Aos 5 anos, João precisou submeter-se a uma cirurgia para a remoção de um tumor benigno incrustrado em seu pescoço. Todavia o procedimento contou com alguns revezes. Sensibilizado, o pai do menino decidiu presenteá-lo com um instrumento, o piano. O pai de João lhe sentenciou ao apresentar o instrumento pelo qual o garoto desenvolveria verdadeira fascinação: ‘Nós vamos perseguir o sonho de você se curar, e você ficará curado’. Iniciou-se, assim, a relação entre o menino e a música. João, sanado em nova cirurgia aos 8 anos, debruçou-se cada vez mais sobre as teclas. Aos 13 anos, João Carlos Martins estabelecera-se como concertista com sólida carreira pelo Brasil. Aos 18, passou a constelar entre os nomes de lustre do cenário internacional. Pouco depois, consagrou-se em apresentações no Carnage Hall, em Nova Iorque, sempre com lotação esgotada. Em tais ocasiões, peças de Bach eram as melhores vitrines para o virtuosismo do brasileiro. João não apenas os versava com facilidade como adestrou seu corpo a um novo patamar de exigência. Tornou-se capaz de executar vinte e uma notas por segundo. Em 1965, o músico residia em Nova Iorque, quando o time da Portuguesa de Desportos visitou a cidade por ocasião de um jogo-treino, para o qual convidou João Carlos Martins a integrar a equipe oficial. Contudo, em um desfecho inusitado, a participação do pianista na partida foi interrompida por um acidente que provocou a perfuração de seu braço à altura do cotovelo e comprometeu o pleno funcionamento do nervo ulnar, relacionado à elaboração motora das falanges. Como consequência, João Carlos Martins precisou afastar-se temporariamente do piano, devido à atrofia de três dedos. A situação se agravou alguns anos depois, quando o músico, que em nenhum momento desistiu da vocação e manteve-se engajado em exaustivos tratamentos, desenvolveu um quadro de lesão por esforço repetitivo. Entretanto, em um exemplo incrível de superação, o pianista conseguiu voltar aos palcos após longas e atribuladas sessões de fisioterapia. Não se desapegou, aliás, da paixão por Bach. Entre 1979 e 1985, realizou várias e significativas gravações das composições do mestre barroco. Em 1995, uma nova pirueta do destino. Ao sair de um teatro na cidade de Sófia, na Bulgária, João Carlos Martins foi golpeado na cabeça com uma barra de ferro, em um assalto. A concussão causou uma sequela neurológica que impôs restrições ainda mais severas à mobilidade do braço direito. Passou a executar peças que demandassem apenas a utilização de sua mão sã, como o álbum Só para a mão esquerda, composto por Maurice Ravel para Paul Wittgenstein, pianista austríaco que perdeu o braço direito durante a Primeira Guerra Mundial. No entanto, acabou por ter a mão esquerda inviabilizada pelo acometimento de uma nova moléstia, a contratura de Dupuytren. Desse ponto em diante, iniciou um longo périplo pela regência antes que pudesse voltar ao piano. A transição à posição de maestro acarretou novas necessidades de adaptação. Impossibilitado de manusear as partituras em tempo hábil para reger a orquestra, João Carlos Martins passou a memorizar, nota por nota, as peças que se propunha apresentar. Ressignificou também sua fascinação por Bach por meio da criação da Bachiana Filarmônica e da Bachiana Jovem, instituições responsáveis pelo recrutamento e pela revelação de grandes talentos musicais. Surpreendentemente, em 2020, deu-se o reencontro do músico com o piano, por meio de um par de luvas biônicas projetadas pelo designer industrial Ubiratã Bizarro Costa, as quais restituíram a mobilidade às mãos de João. A trajetória de João Carlos Martins é uma peça executada a vários andamentos. Nunca em silêncio. E para aqueles que, a qualquer momento, pensaram-no fora de cena, não se iludam. Como todo bom prestidigitador de Bach, João Carlos Martins é mestre da invenção e do improviso. Tem a arte sutil do ardil e da saída. Tocata e Fuga. Conhecê-lo é um privilégio que será experimentado pelos colaboradores da Rede de educação das Missionárias Servas do Espírito Santo no webinar Tecendo Relações.” Marcus Vinícius Leles de Barcelos é graduado em Letras pela Universidade Federal de Minas Gerais e mestre em Teoria da Literatura e Literatura Comparada pela mesma instituição. É professor de Literatura e de História da Arte do Colégio Sagrado Coração de Jesus.
Empatia, compaixão e cuidado na Rede de Educação SSpS

A Rede de Educação Missionárias Servas do Espírito Santo está promovendo uma série de atividades on-line como parte do projeto “Tecendo Relações”. O próximo webinar ao vivo é nesta quinta-feira, 9 de julho, às 19h, com o tema “Caminhos para viver bem: empatia, compaixão e cuidado!”. A convidada é a Monja Coen, reconhecida como autoridade na abordagem de práticas vivenciais baseadas na sabedoria, na compaixão e na empatia. A webinar será transmitida no endereço https://www.youtube.com/channel/UCJkRvCAyci2WxskppPEidEQ. O tema faz parte da proposta do projeto “Tecendo Relações” que, de acordo com a diretora-presidente da Rede de Educação, Ir. Maria de Fátima Marques, “Nasceu das reflexões realizadas em rede e da preocupação sensível e cuidadosa com as pessoas que fazem parte de nossa missão educativa, como o samaritano que viu, sentiu e se compadeceu”. Dessa forma, o projeto está alinhado com o tema da Campanha da Fraternidade deste ano e busca cuidar do emocional da comunidade educativa, incluindo alunos, educadores, familiares e interessados em aprofundar assuntos que possam ser iluminadores, especialmente durante este período de pandemia. A primeira webinar foi com a psicóloga Aline Souki, que desenvolveu o tema “Gerindo as emoções durante o isolamento social”. O encontro está disponível no Youtube, pelo link https://www.youtube.com/watch?v=rce0Rflu7io. Diante da necessidade de cuidar do emocional e das relações humanas, a Monja Coen vai dialogar e apontar caminhos do bem-viver, tendo a empatia, a compaixão e o cuidado como práticas possíveis e que fazem parte dos valores que iluminam a ação pedagógica das escolas da Rede de Educação SSpS e que ganharam reforço por causa do tema transversal deste ano, que é “Escola viva: vê, sente e cuida”. Coen é uma monja zen budista brasileira de ascendência portuguesa e missionária oficial da tradição Soto Shu, com sede no Japão. Ela vem ajudando muitas pessoas a pensar e a dar à vida um novo significado, com base na espiritualidade, motor que move cada ser humano.“Refletir sobre esses temas se torna necessário e oportuno para que saiamos ainda melhores deste momento de distanciamento social”, afirma Patrícia Campos, assessora de comunicação da Rede de Educação. Ela acredita que, “diante de tantas tribulações, parar um pouco, serenar o coração e ouvir se torna essencial”. O webinar está aberto também ao público em geral. Será uma oportunidade de refletir a partir de uma perspectiva inter-religiosa que certamente ajuda a abrir horizontes para uma compreensão mais ampla da realidade atual e da universalidade do ser humano.