Tema transversal 2020 – Escola viva: vê, sente e cuida

A Campanha da Fraternidade (CF) nos convida a uma nova reflexão e ação diante da vida. O tema traz algumas palavras importantes, como vida, dom, compromisso; e como lema palavras de igual importância, como ver, sentir, cuidar e ter compaixão. Todas essas palavras, se bem pensadas e vividas, tornam-se um (projeto) estilo de vida. O estilo de vida ensinado por Jesus, capaz de transformar nosso jeito de nos relacionar com nós mesmos, com os que caminham conosco e com o planeta, nossa Casa Comum. Por esse motivo, o tema transversal escolhido para as escolas da Rede de Educação das Irmãs Servas do Espírito Santo para 2020 é: “Escola viva: vê, sente e cuida”. Os verbos ver, sentir e cuidar estão presentes na história contada por Jesus e conhecida como a “Parábola do Bom Samaritano” (Lc 10,25-37). Ao ver a difícil situação de alguém, o personagem da narrativa olha, para e se coloca no lugar de homem ferido, procurando fazer o melhor que podia naquela circunstância. Cuidado e acolhida que devemos encontrar na família, na sociedade, entre nossos amigos e na escola. E por falar em escola, uma escola viva vive e ensina a fazer da vida dom e compromisso que se traduz no cuidado e na acolhida com as pessoas, lugar por excelência do sagrado. Colocar-se no lugar do outro Há 56 anos, a Campanha da Fraternidade nos convida anualmente a pensar temáticas que venham ao encontro das necessidades existentes em nossa sociedade. Pensando nas questões humanas e no que precisa ser transformado para que a vida seja vivida com dignidade, a CF nos chama a ver a realidade, pensar sobre ela e buscar ações eficazes de mudança. Diante de aspectos essenciais à vida, como saúde, educação, moradia, exclusão, justiça e tantos outros, a CF vem nos provocar neste ano para que vejamos, sintamos e cuidemos da vida. Contudo sabemos que isso exige, de cada um, de cada uma, o compromisso de deixarmos de lado a indiferença diante da necessidade dos que mais precisam de nós. Não por acaso, a Rede de Educação, inspirada na CF de 2020, escolheu com seus educadores um tema transversal para o ano letivo. Esse tema é responsável por motivar nossos alunos, educadores e familiares à sensibilidade e à diligência que nos tornam mais humanos. Ver, sentir e cuidar, como fez o personagem da parábola contada por Jesus, que sentiu empatia pela situação que presenciou e, colocando seu coração, procurou fazer o melhor. Em tempos de extremo individualismo, colocar-se no lugar de outra pessoa tem se tornado cada vez mais difícil. Por isso, a história do Samaritano é uma provocação e um convite feito por Jesus para se repensar uma sociedade indiferente diante das necessidades dos que mais precisam. Nesse sentido, a escola viva deve ser o lugar onde se aprende e se pratica nosso modo de ver, sentir e cuidar de nós, do próximo e do planeta, nossa casa. Verbos interdependentes que ganham sentido quando acontecem nesta mesma ordem: sente quem vê, cuida quem sente. Inevitavelmente só conseguiremos vivenciar essa trilogia se passar pelo coração, pois só quando a transformação acontece de dentro para fora é que conseguimos fazer diferença nos espaços onde atuamos. Agostinho Travençolo Júnior, educador e coordenador da Dimensão Missionária da Rede de Educação SSpS.
Campanha da Fraternidade 2020: Dom e Compromisso

Quantas vezes você viu pessoas pedindo ajuda para comprar uma passagem ou um remédio? Ou viu seres humanos debaixo de viadutos, pessoas que se tornaram moradores de rua? A demanda de migrantes, de pessoas desempregadas em nosso País é grande. O que fazer? Neste ano de 2020, a Igreja Católica no Brasil propõe, a partir do período da Quaresma, a refletir sobre o nosso compromisso com a vida, com o outro, com aquele que deveríamos considerar como “irmão”, pois é nosso semelhante, já que chamamos Deus de Pai. Como ser solidário, solidária com o próximo? Jesus, no Evangelho segundo Lucas (10,25-37), dá-nos a resposta ao contar a Parábola do Bom Samaritano. Um estrangeiro que, no caminho, percebeu o outro caído, machucado, necessitado: “Viu, sentiu compaixão e cuidou dele” (Lc 10,33-34). O samaritano não se omitiu ao ver o problema do outro. A importância do olhar foi fundamental para que ele sentisse compaixão, tivesse empatia. Não ficou criticando os que atacaram o transeunte nem teve preconceito com o caído, porque não era da mesma crença ou porque não era seu conhecido ou conterrâneo; preocupou-se em devolver-lhe a vida, levando-o para uma hospedaria para ser cuidado. Por isso o Mestre perguntou quem, dos três personagens da parábola, foi o mais próximo daquele homem necessitado. Em nossa sociedade brasileira, há diversas situações de dificuldades que precisam ser percebidas, vistas com os “olhos do coração”, ou seja, além das aparências, para que, por meio de atitudes solidárias e cristãs, possam ser geradas soluções, situações de paz. Pequenos gestos são muito importantes para devolver o dom da vida aos semelhantes: olhar para ver a situação do outro, do “próximo”, comover-se com a situação de outrem, não se omitir diante de injustiças, de problemas. Cuidar do outro, auxiliando no que for preciso, encaminhar se necessário; isso também é caridade. A Igreja tem vários exemplos de “samaritanos e samaritanas” comprometidos com o dom da vida, como São Francisco de Assis, São Francisco Xavier, São Vicente de Paula, Dom Hélder, Santa Paulina, Santa Teresa de Calcutá e, mais recentemente, Santa Dulce dos Pobres, que afirmou: “O importante é fazer a caridade, não falar de caridade. Compreender o trabalho em favor dos necessitados como missão escolhida por Deus”. E tantos outros anônimos que oferecem um espaço em sua casa ou num terreno e trabalham no e para o bem dos mais necessitados. Não seja indiferente, preconceituoso. Faça a diferença, outros que dedicam suas vidas aos menos favorecidos. Não adianta somente olhar o vídeo postado nas redes sociais e compartilhar as situações de misérias ou de violências. Isso é continuar na mesmice. Seja presente e comprometido com a vida, que é dom. Denuncie, caso seja necessário. Faça valer o direito à vida, à liberdade, à dignidade. Que tenhamos mais geladeiras solidárias, serviços de ouvir os que estão acamados, os deprimidos, visitas aos idosos e aos doentes, de levar conhecimento àqueles que estão em busca de apoio para aprender um ofício, dar atenção às crianças e aos jovens caídos pelas sarjetas da vida porque perderam seus pais para os desafetos da sociedade desigual. Veja, sinta, cuide de tudo que acontece a seu redor para, assim, compartilharmos e criarmos uma sociedade de justiça, de fraternidade e de paz, a partir de projetos éticos, para o bem de todos. Maria Terezinha CorrêaMestra em Antropologia pela USP, especialista em Ensino de Filosofia pela UFSCar, graduada em Filosofia pela UFJF e em Pedagogia pela Unitins, sócia da APEOESP, ABA e SBPC. Carioca, trabalhou por 27 anos na Rede Estadual de Ensino Oficial de São Paulo, lecionando Filosofia e Sociologia, atuou entre os ribeirinhos de Humaitá-AM e em serviços voluntários e pastorais em várias comunidades.