Assunção: Maria “completou” sua existência em Deus

Veja a reflexão elaborada pelo jesuíta padre Adroaldo Palaoro, comentando o Evangelho proclamado nesta Solenidade da Assunção da Virgem Maria, uma celebração muito preciosa para cristãos de todo o mundo. A passagem está em Lucas 1,39-56.
Advento: preparar-se para a chegada do noivo

Com o Tempo do Advento, que começa quatro domingos antes do Natal, iniciamos um novo ano litúrgico. Nessa espiral do calendário, vamos celebrando as ações de Deus (chamadas “mistérios”) na vida de seus filhos. A palavra “advento”, originária do latim, referia-se à espera da visita de um imperador. Como ocorreu com outros termos, o conceito foi apropriado pelos cristãos, aqui significando, desde o início, a expectativa pela volta de Jesus, no fim dos tempos (Mt 24,27). O correspondente grego é a palavra parusia (a forma sem acento é a mais usada no Brasil) ou parúsia. Nós, latino-americanos, normalmente somos muito calorosos e acolhedores, por isso nos é fácil entender o espírito desta época. O Advento equivale ao que sentimos quando recebemos a notícia de que uma pessoa muito querida, e a qual não vemos há muito, virá nos fazer uma visita. Quanta alegria! Limpamos a casa, trocamos os lençóis e as toalhas, preparamos deliciosos quitutes. É muito limitado dizer que este período é uma preparação para o Natal. Nestas quatro semanas, de fato, celebramos as três possibilidades do encontro com o Senhor, segundo São Bernardo de Claraval: o primeiro, o intermediário e o último. O primeiro é o da encarnação do Senhor no seio de Maria e nascido como um pobre, num estábulo. Deus, em Jesus, tornou-se um de nós, portanto divinizando nossa condição humana. É o Deus que se fez pobre e rei (este não como pensa o mundo, diga-se!). Não é uma mera lembrança, mas um memorial solenemente celebrado no Tempo do Natal, que começa ao anoitecer do dia 24 de dezembro e vai até a Festa do Batismo de Jesus. São dias em que, pela sagrada liturgia, colocamo-nos diante da manjedoura e testemunhamos a manifestação (epifania) do Messias à humanidade. O encontro intermediário é aquele que ocorre a qualquer hora, a depender de nossa disposição em se deixar abraçar por Deus. O Senhor vem a nosso encontro no Pão da Palavra, nos sacramentos, na oração, nos irmãos e irmãs, em especial nos mais fracos e excluídos. A vinda futura de Jesus é o foco maior do Advento, pelo menos esse foi o intento dos cristãos dos primeiros séculos, ainda antes de uma formulação litúrgica deste período. Nos Evangelhos, o Senhor nos alerta para a necessidade de estarmos acordados para o encontro definitivo com Aquele que, sem qualquer aviso, vem a nós. Diferentemente de certos pensamentos ingênuos e ultrapassados, esse dia terá o tom da alegria, pois a Igreja (a grande comunidade dos batizados), a noiva, será beijada com muito carinho pelo Amado, que virá correndo a seu encontro. Essa linda noiva deve estar bem preparada para esse dia: vestida de justiça, adornada pelas joias da oração e do cuidado com os mais necessitados, trazendo o anel da misericórdia e o ramalhete do amor. Serenidade na liturgia O Tempo do Advento tem algumas particularidades interessantes quanto à liturgia. As leituras envolvem personagens admiráveis, com destaque a três figuras: o profeta Isaías, alimentando-nos com magníficos textos sobre a esperança (nunca precisamos tanto dela como agora!); São João Batista, que veio preparar os caminhos do Senhor; e a Virgem Maria, com seu “sim” ao projeto de Deus, mulher corajosa e modelo para todos nós. Os hinos, costumeiramente muito bonitos quando os ministros do canto seguem o espírito da celebração, levam-nos ao recolhimento e nos chamam à conversão (volta ao caminho seguro). Não se canta o “Glória”, exceto nas solenidades e festas que caem nesse período. O chamado “Hino Angélico” é entoado com toda a alegria a partir da celebração da noite de 24 de dezembro (já no Natal). Ao contrário do que ocorre na Quaresma, a expressão “aleluia” pode ser entoada. Os ornamentos são sóbrios, mas não com a austeridade quaresmal. A cor roxa nos recorda que a casa de nosso coração está sendo preparada para a festa do encontro. No meio do Advento, no terceiro domingo, os paramentos róseos anunciam que a hora da grande alegria está chegando. Esse domingo é chamado Gaudete (alegrai-vos), devido à antífona de entrada: “Alegrai-vos sempre no Senhor. De novo eu vos digo: alegrai-vos! O Senhor está perto!” (cf. Fl 4,4s). O ideal é que os enfeites natalinos sejam expostos do dia 24 até o fim do ciclo do Natal (que, reforço, não se encerra em 6 de janeiro). Desde o primeiro domingo, as igrejas são adornadas com a coroa do Advento. Esse costume pagão foi ressignificado pelos seguidores de Jesus. A ideia é mostrar que, a cada vela acesa conforme avançam os quatro domingos, a luz do Senhor vai vencendo as trevas. É importante que o nascer dessas chamas seja visto por toda a comunidade, mesmo num momento de silêncio. A partir de 17 de dezembro até o entardecer do dia 24, temos o que alguns chamam de “Semana Santa do Natal”. As leituras enfocam mais a primeira vinda do Salvador e insistem nas profecias sobre o cuidado de Deus para com seu povo. É impossível falar desses dias sem mencionar as dulcíssimas “Antífonas do Ó”. São breves versos cristológicos entoados sobretudo nas orações das Vésperas, na Liturgia das Horas, cuja beleza todo o povo é convidado a conhecer. As manifestações populares de fé também têm vez nestes dias, a depender da cultura de cada lugar. A mais famosa em nosso país é a “novena de Natal”, um tesouro que tem produzido abundantes frutos espirituais em nosso povo. Ocasião indispensável para reunir a família, vizinhos e amigos em torno da Palavra e em espírito de fraternidade. É muito louvável que as crianças participem dessa prática. Qualidade do Advento e do Natal Há de se lamentar que um tempo tão frutuoso para nossa caminhada seja ofuscado pela correria às lojas, pela má preparação das liturgias ou mesmo pela ignorância a respeito do que se celebra. Nos dias em que “arrumamos a casa” para uma visita tão preciosa, ganhamos mais um convite de Deus a abandonarmos velhos costumes, caminhos tortuosos e voltarmos à estrada segura de Cristo. Concluo com um trecho do saudoso verbita
Você sabe por que Nossa Sra Aparecida é a padroeira do Brasil?

Com aproximadamente 123 milhões de católicos, representando mais de 60% da população brasileira, o Brasil é considerado o maior país católico do mundo (Dados do IBGE – 2013). E nada mais católico do que ter a Virgem Maria como a nossa padroeira oficial. Aumente seu repertório católico conhecendo a história de como tudo isso aconteceu. A história Tudo começou em meados de 1717, na Vila Guaratinguetá, que hoje é a cidade de Ouro Preto (MG), quando três pescadores, Domingos Garcia, Filipe Pedroso e João Alves foram chamados para pescar para o evento da chegada do Conde de Assumar, D. Pedro de Almeida e Portugal, Governador da Província de São Paulo e Minas Gerais. Os três foram para o Rio Paraíba, mas sem sucesso, desceram para o rio de Porto Itaguaçu. Na primeira vez que lançaram suas redes, apanharam uma imagem de um corpo sem a cabeça, em seguida apanharam uma cabeça, perceberam que era a escultura de uma mulher, a Virgem Maria. Quando lançaram a rede novamente, um milagre aconteceu, a rede estava completamente cheia de peixes. Um dos pescadores colocou a imagem em sua casa e começou a ser abençoado de uma forma sobrenatural. Seus vizinhos e parentes, sabendo disto, começaram a se reunir em sua casa para orar à Maria. Em pouco tempo a fama dos poderes de Nossa Senhora foi se espalhando pelas regiões do Brasil, devotos de todo o lugar do país vinham prestar cultos a ela. A demanda era tão grande que a pequena casa do pescador não comportava todos que queriam ver a imagem, o Vigário de Guaratinguetá construiu uma Capela no alto do Morro dos Coqueiros no ano de 1734 e colocou a imagem de Maria aberta à visitação. Compreendendo o grande amor e devoção dos brasileiros por Nossa Senhora Aparecida, em 1929 o Papa Pio XI declarou Nossa Senhora Aparecida Padroeira do Brasil. Santuário de Nossa Senhora Aparecida Por iniciativa dos missionários Redentoristas e dos Senhores Bispos, em 11 de novembro de 1955, foi construída a Catedral Basílica de Nossa Senhora da Conceição Aparecida ou Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida. Localizado em Aparecida – SP, é o maior templo católico do Brasil e o segundo maior do mundo, o local abriga 45 mil pessoas e recebe cerca de 7 milhões de visitas por ano. Em 1980, ainda em construção, foi consagrada pelo Papa João Paulo ll e recebeu o título de Basílica Menor. Em 1984, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) declarou oficialmente a basílica como o “maior Santuário Mariano do mundo”.
6 atitudes para celebrar o Ano Mariano antes que ele acabe

Instituído pela CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) e oficializado pelo Papa Francisco, em 2016 foi declarado o “Ano Nacional Mariano”, que teve início no dia 12 de outubro de 2016 e será concluído em 11 de outubro de 2017. Este período nos convida a voltar o coração para Nossa Senhora e lembrar que assim como ela, também somos seguidores de Cristo. O Ano Mariano celebra os 300 anos da aparição de Nossa Senhora, mãe de Deus que intercede por nossas vidas. É um ano de muita festividade e também de reflexão para todos os católicos. Esse ano sugere, em especial, algumas práticas para nos aproximarmos de Seu Imaculado Coração, assim como a confissão de pecados e a oração pelas almas. Aproveitamos o finalzinho dessa comemoração para lembrar que ainda dá tempo de fazer muita coisa. Pronto pra correr atrás do prejuízo? Veja o que ainda dá pra fazer no Ano Mariano. Consagrar seu coração a Maria: Renove seus votos com ela. Quando reafirmamos a entrega de nossa vida à Virgem Maria, lembramos do compromisso da vida cristã. Confessar os pecados: A confissão de pecados repara os danos que os pecados fazem contra o Imaculado Coração de Maria. Rezar o rosário ou Terço Mariano: Rezar pelo menos uma vez por dia o rosário ou o terço, afasta a tentação de pecar. Se empenhar na oração: Separar um tempo para as penitências e sacrifícios por amor a Deus e à Virgem Maria. Reservar 15 minutos diários de companhia a Virgem Maria: Medite sobre um ou mais dos 15 mistérios do Santo Rosário como: Advento do Natal, a Quaresma, o Tempo Pascal, entre outros. Participar da comunhão: Participe da comunhão na Santa Missa ou na celebração da Palavra. Para conhecer um pouco mais sobre o Ano Mariano, assista o vídeo do Padre Paulo Ricardo que colocamos aqui abaixo. Um bom final de Ano Mariano pra você!
O que aconteceu com a Virgem Maria?

Por acaso você já se perguntou o que aconteceu com a Virgem Maria depois que Jesus terminou seu ministério? Como ela morreu? Existe algum documento que relata sobre o final da vida dela? Se você não tinha pensado sobre isso, não vai nem precisar esquentar a cabeça com esses questionamentos, porque vamos falar tudinho pra você aqui. Depois que Jesus ressuscitou e subiu ao céu, Maria, mãe de Cristo, nunca mais foi citada na Bíblia, mas alguns relatórios de peregrinos, que por lá passavam e registravam suas impressões, conta que Maria teria voltado de Éfeso para Jerusalém, onde moravam seus parentes, quando o Apóstolo João retornou para participar do primeiro Concílio Ecumênico da Igreja (At 15,6-29). Há um texto antigo que diz: “Dois anos depois de Cristo ter vencido a morte e subido ao céu, Maria começou a chorar no refúgio de seu quarto”, ou seja, Maria passou a viver seus últimos dias. Estudos arqueológicos e outros indícios indicam que Maria mais tarde foi para Jerusalém, no Monte Sião, onde morreu enquanto dormia e acordou quando já estava sendo levada para o céu pelos anjos, em 15 de agosto de 43 d.C. e foi sepultada no lugar onde se encontra hoje a Basílica da “Dormição de Nossa Senhora”, na região do Vale do Cedron. Calcula-se que Maria concebeu Jesus aos 14 anos e deu à luz aos 15 (idade normal naquele tempo na Ásia Menor para casar), e Jesus morreu em torno dos 33 anos. Maria então teria 50 anos ao morrer, idade média de vida das mulheres naquele tempo e naquela região. Esse dia ficou conhecido como Dia da Assunção da Virgem Maria ou Dia da Assunção de Nossa Senhora e é comemorado pelos católicos de todo o Brasil, inclusive se tornou feriado municipal nas cidades de Fortaleza e Belo Horizonte. Outra dúvida comum é sobre o uso certo do termo “assunção” e “ascensão”. A diferença entre assunção e ascensão é simples: Ascensão é subir ao céu por sua conta, como Cristo fez e assunção é ser levada ao céu, como é o caso de Nossa Senhora.