Novena de Pentecostes – sétimo dia – “Fecundai nossa aridez”

O hino “Vinde, Espírito Santo” apresenta uma imagem do Espírito que lava, que rega, que cura. Estamos no centro da atenção da Trindade. Junte-se a nós para rezar o sétimo dia da Novena de Pentecostes!
Aprofundando a complexidade divina

Agostinho de Hipona, também conhecido como Santo Agostinho, foi um dos mais influentes teólogos e filósofos cristãos da história. Sua contribuição para a compreensão da doutrina da Trindade é inestimável, trazendo uma perspectiva rica e profunda sobre a natureza de Deus. A doutrina da Trindade é central para a teologia cristã e busca compreender a natureza de Deus como um Deus “triuno”: um único Deus que existe em três Pessoas distintas, o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Agostinho abordou essa complexidade divina com uma mente analítica e um coração cheio de devoção, com base nos textos sagrados e refletindo sobre sua experiência de fé. Em sua obra De Trinitate (Sobre a Trindade), Agostinho empreendeu a tarefa desafiadora de desvendar o mistério da Trindade, reconhecendo a limitação da mente humana diante da grandeza de Deus. Ele destacou a importância da revelação divina e da fé na busca por compreender a Trindade, ressaltando nossa compreensão intelectual limitada e incompleta, e ressaltando a capacidade humana de conhecer a Deus pela experiência do amor. Agostinho enfatizou que a Trindade é um mistério a ser vivido, mais do que apenas compreendido intelectualmente, destacando a importância da relação entre as Pessoas divinas e descrevendo o Pai como fonte eterna, o Filho como a Palavra encarnada e o Espírito Santo como amor mútuo entre o Pai e o Filho. Três Pessoas divinas distintas, inseparáveis e coeternas. Ao abordar a relação entre as Pessoas da Trindade, também destacou a ideia de que o amor é o vínculo que une as três Pessoas, entendendo o amor como o princípio dinâmico e vivificante da Trindade, um amor que transborda para a criação e para a vida de cada ser humano. Agostinho enfatizou que somos chamados a participar desse amor divino, por meio da comunhão com Deus e de uns com os outros. Para Agostinho, a doutrina da Trindade não é apenas uma especulação teórica, mas uma verdade com implicações práticas em nossas vidas. Enfatizou a importância de buscar a unidade na diversidade, refletindo a natureza da Trindade, apresentando-a como um modelo à comunidade cristã, na qual as diferenças individuais são honradas e celebradas, e o amor mútuo é cultivado. Embora tenha feito grandes contribuições à compreensão da Trindade, ele mesmo admitiu que seu conhecimento era limitado, reconhecendo que o mistério trinitário está além da compreensão plena da mente humana e que, diante de tal grandeza, devemos abordá-la com humildade e reverência. Assim, a abordagem do pensador de Hipona nos ensina que devemos nos engajar com mente aberta e coração adorador diante da grandeza do mistério. Embora possamos nos esforçar para compreender melhor a Trindade, devemos sempre nos lembrar de que Ela permanecerá um mistério divino, que nos desafia a buscar um relacionamento mais profundo com Deus, vivendo em amor e comunhão com os outros e com tudo que nos envolve. Agostinho Travençolo JuniorEducador e assessor da Rede de Educação SSpS.
Solenidade da Santíssima Trindade

“Deus amou tanto o mundo que deu o seu Filho unigênito, para que não morra todo o que nele crer, mas tenha a vida eterna.” (Jo 3,16-18) Hoje celebramos o mistério insondável de Deus, a Santíssima Trindade. Durante os primeiros séculos de sua existência, a Igreja lutou com dificuldades para expressar em palavras o inexprimível: a natureza do Deus em que acreditamos. Chegou à expressão profunda do Credo Niceno-Constantinopolitano o qual celebra o Pai “Criador de todas as coisas”, o Filho “Deus de Deus, Luz da Luz, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro, gerado, não criado, consubstancial com o Pai”, e o Espírito que “dá a vida, e procede do Pai e do Filho”. Mas mesmo essas expressões tão profundas não conseguem explicar a Trindade, pois, se Deus fosse compreensível à mente humana, não seria Deus! Dentro das limitações da linguagem humana, tentamos expressar o mistério da Trindade como “três pessoas em uma única natureza”. Mas, mais importante do que encontrar fórmulas filosóficas ou teológicas abstratas para expressar o que, no fundo, não é possível definir, é descobrir o que a doutrina da Trindade pode nos ensinar para a nossa vida cristã. Talvez o livro de Gênesis possa nos ajudar. Lá se diz que Deus “criou o homem à sua imagem; à imagem de Deus ele o criou; e os criou homem e mulher” (Gn 1,28). Se somos criados à imagem e semelhança de Deus, é de um Deus que é Trindade, que é comunidade, unidade perfeita na diversidade. Assim, só podemos ser pessoas realizadas quando vivemos comunitariamente. Quem vive só para si está destinado à frustração e infelicidade, pois está negando a sua própria natureza. O egoísmo é a negação de quem somos, pois nos fecha sobre nós mesmos, enquanto fomos criados à imagem de um Deus que é o contrário do individualismo, pois é trinitário. No mundo pós-moderno, onde o individualismo social, econômico e religioso é tido como critério fundamental da vida, a doutrina da Trindade nos desafia para que vivamos nossa vocação comunitária, criando uma sociedade de partilha, solidariedade e justiça, no respeito do diferente do outro, pois fomos criados à imagem e semelhança desse Deus que é amor e comunhão. O texto evangélico nos faz lembrar que somos continuadores da missão da Trindade encarnada em Jesus de Nazaré: a de testemunhar o Reino de Deus, vivendo em comunidade o projeto de Jesus, o missionário do Pai, que nos congregou na Igreja pela ação do Espírito Santo. Quando criarmos comunidades alternativas de solidariedade, fraternidade, justiça e paz, estaremos vivendo na imagem e semelhança do Deus Uno e Trino, comunidade e comunhão perfeita, que nos convida a participar da sua própria vida. A festa de hoje não é de um mistério matemático (como se fosse possível explicar “três em um”), mas do mistério do amor de Deus, que nos criou para que vivêssemos comunitariamente à sua imagem e semelhança. É, portanto, ao mesmo tempo, celebração e desafio, para que tornemos cada vez mais concreto o projeto de Deus para toda a humanidade, no caminho do discipulado de Jesus. Padre Tomaz Hughes, SVD, biblista e assessor da CRB e do Cebi. Dedicou-se a cursos e retiros bíblicos em todo o Brasil. Publicou diversos artigos e o livro “Paulo de Tarso: discípulo-missionário de Jesus”. Faleceu em 15 de maio de 2017. Suas reflexões bíblicas são muito atuais.
Solenidade da Santíssima Trindade

Neste domingo, celebramos a Solenidade da Santíssima Trindade, que é o “mistério central da fé e da vida cristã”, de acordo com o Catecismo da Igreja. Para a Congregação Missionária das Servas do Espírito Santo, é o coração de toda a espiritualidade e carisma missionário. Somos convidados a refletir sobre o mistério do Deus único que não é sozinho e se manifesta em três pessoas iguais em poder, divindade e sabedoria, mas com características distintas: Pai, Filho e Espírito Santo. A Santíssima Trindade é a origem e fonte de toda vida, amor e comunhão. A Solenidade da Santíssima Trindade também é a data em que os missionários leigos de Deus Uno e Trino escolheram para celebrar sua vocação laical e consagração. A celebração ocorre sempre no domingo após a Solenidade de Pentecostes e nos convida a abraçar o jeito de ser do próprio Deus, que é diálogo e comunhão de amor. Ao contemplar o mistério da Trindade, descobrimos que Deus é amor e nos quer participantes de sua vida plena. Isso significa viver o diálogo, a partilha e a comunhão, trabalhando para que o mundo seja melhor, sem excluídos, violência nem injustiças, pois o amor do Deus Uno e Trino envolve todas as pessoas, oferecendo sua alegria e sua paz. Santo Arnaldo Janssen e as Bem-Aventuradas Madre Maria e Madre Josefa vivenciaram profundamente a espiritualidade trinitária, traduzindo em ações concretas o que contemplavam na oração. Como herança espiritual, deixaram o lema “Viva Deus Uno e Trino em nossos corações e nos corações de todas as pessoas”. Vivamos também nós esse lema, cuidando para que a dignidade dos filhos e filhas de Deus seja reconhecida e respeitada em todos os seres humanos. Oração à Santíssima Trindade Ó Deus Trindade,Pai, Filho e Espírito Santo,nós vos louvamos pela vossa comunhão. Sois o fundamento e a inspiração de nossa fraternidade.Ajudai-nos a construir uma convivência fraterna,respeitando as diferenças e sendo solidários(as) com todas as pessoas. Abençoai os missionários e as missionárias do mundo inteiroe a nós, que peregrinamos rumo ao Reino de Deus,que é comunhão total e vida eterna. Despertai vocações missionárias no campo e na cidade,para que possamos, com Maria, construir um milênio sem exclusões,na dignidade e na paz. Amém. Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo. Como era no princípio, agora e sempre. Amém.