Viver em contínuo Pentecostes

Veja a reflexão elaborada pelo jesuíta padre Adroaldo Palaoro, comentando o Evangelho proclamado nesta Solenidade de Pentecostes, celebrando liturgicamente o início da missão evangelizadora da Igreja. Este também é um dia especial para a Congregação das Irmãs Missionárias Servas do Espírito Santo, que festejam um dos pilares de seu carisma. A passagem está em João 20,19-23.

Ascensão: subir à Galileia, descer ao mundo todo

Veja a reflexão elaborada pelo jesuíta padre Adroaldo Palaoro, comentando o Evangelho proclamado nesta Solenidade da Ascensão do Senhor e Dia Mundial das Comunicações Sociais. A passagem está em Mateus 28,16-20.

A Voz que transforma vidas

Veja a reflexão elaborada pelo jesuíta padre Adroaldo Palaoro, comentando o Evangelho proclamado na liturgia deste 4º Domingo da Páscoa, conhecido como Domingo do Bom Pastor. É também o Dia de Oração pelas Vocações. A passagem é de João 10,1-10.

Vida ressuscitada: portas e janelas abertas ao mundo

Veja a reflexão elaborada pelo jesuíta padre Adroaldo Palaoro, comentando o Evangelho proclamado na liturgia deste 2º Domingo da Páscoa; na perspectiva batismal, conhecido como “in albis” ou Domingo da Divina Misericórdia. A passagem está em João 20,19-31.

Uma Páscoa missionária

Viver em chave pascal significa abraçar cada momento da vida, desde a alegria até a fragilidade e a morte. Páscoa é tempo de coragem. Sair de um simples lugar celebrativo para o encontro com as pessoas. Veja a reflexão do professor Lucas Fortunato, do Colégio Sagrado Coração de Jesus, de Belo Horizonte (MG).

3º Domingo de Páscoa

“É o Senhor!”João 21,1-19 Quase todas as traduções da Bíblia intitulam o capítulo 21 de João como “Apêndice” ou “Epílogo”. Realmente, em uma primeira edição, o Evangelho terminava no capítulo 20. Mas, devido a uma situação nova nas comunidades, tornou-se necessária a adição do último capítulo. Essa situação era a fusão de dois tipos de comunidades cristãs: as de tradição sinótica ou apostólica e as de tradição da comunidade do Discípulo Amado. Essa fusão ocorreu pelo fim do primeiro século e é simbolizado nos versículos 15 a 18, em que Pedro recebe a primazia e a missão de pastor dos discípulos; mas somente após ter afirmado, por três vezes, que amava Jesus (lembrando que, na paixão, ele tinha negado o Senhor por três vezes). A comunidade do Discípulo Amado aceita a função apostólica de Pedro, mas insiste que, antes de ser apóstolo, é mais fundamental ser discípulo, ou seja, amar Jesus. A primeira parte do texto (vers. 1 a 14) tem grandes semelhanças com a história da “pesca milagrosa” de Lucas (5,1-11), mas o contexto pós-ressurrecional é diferente. Como sempre, no Quarto Evangelho, devemos prestar atenção aos símbolos, sejam eles pessoas, eventos ou números. Chama a atenção que, embora seja a terceira aparição de Jesus, os discípulos não o reconhecem. Isso demonstra que a presença de Jesus depois da ressurreição, embora real, não é igual à sua presença durante sua vida terrestre. Quem o reconhece primeiro é o Discípulo Amado, pois só quem vê com olhos de amor reconhece e vê além das aparências. Como foi o amor que o levou a correr mais depressa do que Pedro ao túmulo, no capítulo 20, é o amor que faz com que ele seja o primeiro a reconhecer a presença de Jesus ressuscitado. Ele é o Discípulo Amado e que ama; Pedro vai sê-lo somente depois de sua profissão de amor (vers. 15 a 17). A pesca simboliza a missão dos discípulos. Segundo muitos estudiosos, o número de 153 peixes se baseia no fato de que os zoólogos gregos da Antiguidade achavam que existiam no mundo 153 espécies de peixe. Então o Evangelho está dizendo que a Igreja (simbolizada pela rede) pode abraçar o universo inteiro: todos os povos e culturas. É interessante que, diferentemente da história em Lucas, a rede não se rompe. A diversidade de culturas, tradições e povos constitui uma riqueza para a Igreja e não deve levar a rompimento da unidade, sem que se imponha a uniformidade (a palavra grega que João usa para “romper” é schisma). Certamente essa visão deve desafiar e questionar tantas tendências de centralização e rigidez que existem na Igreja hoje. O nó da questão está na entrega da missão a Pedro. Ele deve ser o bom pastor das ovelhas e dos cordeiros; dos membros das comunidades. As ovelhas, contudo, não são dele, ele é apenas o pastor. As ovelhas pertencem ao Senhor. Aqui Pedro recebe essa grande missão; nos sinóticos, isso ocorre na estrada de Cesareia de Felipe. Mais importante, porém, do que sua função é sua vocação de discípulo, aquele que ama e segue o Senhor. Só quem ama Jesus profundamente poderá pastorear seus seguidores. Se, no primeiro capítulo do Evangelho, Pedro veio a Jesus por mediação de seu irmão André (João 1,40-42), agora recebe o convite do próprio Mestre: “Siga-me”, pois, no amor, ele fez a opção pelo discipulado. Todos nós recebemos o mesmo convite: “Siga-me”. Seja qual for nossa função e missão na Igreja, somente terá sentido conforme realmente amamos Jesus, um amor que só é autêntico se amamos os outros, na luta comum em favor da construção de um mundo onde todos, todas possam “ter vida e vida em abundância” (cf. João 10,10), pois “Se Deus nos amou a tal ponto, também nós devemos amar-nos uns aos outros” (1 João 4,11). Padre Tomaz Hughes, SVD, biblista e assessor da CRB e do Cebi. Dedicou-se a cursos e retiros bíblicos em todo o Brasil. Publicou diversos artigos e o livro “Paulo de Tarso: discípulo-missionário de Jesus”. Faleceu em 15 de maio de 2017. Suas reflexões bíblicas são muito atuais.

2º Domingo da Páscoa

“A paz esteja com vocês!”João 20,9-31 No texto anterior ao de hoje, Maria Madalena trouxe a notícia da ressurreição aos discípulos incrédulos. Agora é o próprio Jesus que aparece a eles. Não há reprovação nem queixa em suas palavras, apesar da infidelidade de todos eles, mas somente a alegria e a paz as quais Ele já havia prometido no último discurso. Por duas vezes, Jesus proclama seu desejo para a comunidade de seus discípulos: “A paz esteja com vocês”. O tema da paz, do shalom, é importante na vida de Jesus. No Discurso de Despedida, na tradição da Comunidade do Discípulo Amado, no contexto de uma certa angústia humana e da insegurança, junto com a promessa do dom do Paráclito, Jesus deixa com os seus o grande dom da paz: “Eu deixo para vocês a paz, eu lhes dou a minha paz. A paz que eu dou para vocês não é a paz que o mundo dá” (João 14,27). Ele usou a palavra tradicional dos judeus para a paz: shalom. É uma paz baseada na vinda do Espírito, que será atualizada no texto de hoje: “A paz esteja com vocês! Recebam o Espírito Santo” (João 20,21-22). Enfatiza que não é a paz como o mundo a entende; muitas vezes, simplesmente como a ausência de briga. Frequentemente, a paz que o mundo dá é aquela falsa, que depende da força das armas para reprimir as legítimas aspirações do povo sofrido, como tantos países experimentaram e continuam a experimentar hoje, durante as ditaduras de direita e de esquerda. O shalom é tudo o que o Pai quer para seu povo. Só existe quando reina o projeto de vida de Deus. Implica a satisfação de todas as necessidades básicas da pessoa humana, da libertação da humanidade do pecado e de suas consequências. O shalom dos discípulos não pode ser perturbado pela partida de Jesus, pois é pela volta do Filho para o Pai que o shalom vai se instalar. O shalom, a verdadeira paz, é um dom de Deus, mas também um desafio para nós, seus discípulos e discípulas. Pede a colaboração humana. Diante de tantas barbaridades hoje, de tanta violência no campo, da exploração do latifúndio, do tráfico de drogas e de pessoas, da impunidade, qual deve ser a atitude do cristão? Se nós acreditamos no shalom, nunca podemos compactuar com sistemas repressivos ou elitistas que tiram da maioria (ou mesmo de uma minoria) os direitos básicos que pertencem a todos os filhos de Deus. Às vezes, esse shalom convive ao lado do sofrimento e perseguição por causa do Reino; mas quem experimenta, na intimidade, a presença da Trindade também experimenta a verdade da frase de Jesus: “Não fiquem perturbados nem tenham medo” (João 14,27), pois disse Ele, “Eu venci o mundo” (João 16,33). Com frequência, uma leitura fundamentalista do Evangelho, fortemente influenciada por ideologias da direita, insistia que Jesus veio trazer a “paz”, entendido como “ordem e progresso”, na visão positivista das elites dominantes. Mas o próprio texto do Evangelho indica que esse tipo de paz estava longe da mente de Jesus. Ele mesmo diz com todas as letras, em Mateus 10,34: “Não pensem que eu vim trazer paz à terra; eu não vim trazer a paz, e sim a espada”. Obviamente, Jesus não diz que veio trazer a violência; pelo contrário, veio desmascarar uma paz imposta pela força, com base ideológica numa falsa imagem de Deus, e que essa ação profética dele revelaria as divisões já existentes na sociedade, nas religiões, no coração das pessoas. Pois sua prática e pregação exigiram uma tomada de posição diante da violência, ostensiva ou ocultada. A não violência não é sinônima à não ação. Pelo contrário, levou Jesus a lançar-se em uma vida dedicada aos valores do Reino, entre os quais o shalom tinha lugar premente; por isso Ele foi morto pelos interesses ameaçados por essa pregação do verdadeiro shalom, uma aliança de poderes religiosos, políticos, judiciais e econômicos. Por isso devemos sempre “fazer a memória de Jesus”, de sua pessoa e de seu projeto, para que tenhamos critérios certos para verificar a presença (ou ausência) do shalom em nossa sociedade e nos comprometermos com a criação do mundo mais justo que Deus quer. O Reino de Deus não é algo escrito em uma tábua rasa. Já existe a força contrária: a do antirreino. Assim também o shalom não nasce em um vácuo: cria-se em oposição à realidade dura da violência, mesmo quando disfarçada como paz. Por isso será sempre conflituoso, pois necessariamente provocará a reação dos que oprimem e violentam. A dedicação a ele exigirá uma mística profunda. Uma vida dedicada à construção do shalom tem como fundamento uma profunda experiência de Deus. A luta pela paz, pelos oprimidos, por um mundo de igualdade e solidariedade, para nós, cristãos, não pode nascer de uma simples análise de conjuntura nem de uma indignação ética, por tão necessários que esses elementos possam ser. A inspiração última de nossa luta pelo shalom tem de ser enraizada em nossa fé: por ser coerente com o Deus em quem nós acreditamos, o Deus que vê a miséria de seu povo, vítima da violência, que ouve seu clamor em favor da verdadeira paz, que conhece seus sofrimentos e que desce para libertá-lo de todas as formas de violência que atentem contra a vida (Êxodo 3,7-10). É coerência com o seguimento de Jesus, o Verbo Divino que se fez carne e armou sua tenda no meio de nós (João 1,1.14), vindo para que todos tenham a vida e a tenham plenamente (João 10,10). Por isso, devemos ouvir, de novo, a voz profética de Jesus que conclama todos nós à conversão: “Convertam-se e acreditem na Boa Notícia” (Marcos 1,14). As raízes da violência, do antirreino, estão dentro de todos nós, como indivíduos e comunidade. Quando compactuamos com qualquer discriminação, quando defendemos a violência contra qualquer pessoa ou grupo, quando aplaudimos os maus-tratos contra quem quer que seja, quando interpretamos a vida a partir dos opressores, quando nos entregamos à inveja

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