Viver em contínuo Pentecostes

Veja a reflexão elaborada pelo jesuíta padre Adroaldo Palaoro, comentando o Evangelho proclamado nesta Solenidade de Pentecostes, celebrando liturgicamente o início da missão evangelizadora da Igreja. Este também é um dia especial para a Congregação das Irmãs Missionárias Servas do Espírito Santo, que festejam um dos pilares de seu carisma. A passagem está em João 20,19-23.

Conheça o “Dia sem Sapatos”, promovido pela Rede de Educação SSpS

As unidades da Rede de Educação Missionárias Servas do Espírito Santo promoveram o “Dia sem Sapatos”. O projeto foi uma forma de festejar uma das principais datas da Congregação, a Solenidade de Pentecostes; em 2023, celebrada em 28 de maio. Várias ações foram realizadas com base no simples gesto de “descalçar-se”. A Rede preparou um boletim, mostrando como foi a iniciativa. Veja! [dflip id=”10596″ ][/dflip]

No tempo das mentiras, o Espírito Santo nos ensina a verdade

Em um mundo globalizado, marcado pelas inovações tecnológicas, pela propagação de fake news e pela busca incessante, nas redes sociais, de notoriedade e fama a qualquer preço, a Festa de Pentecostes se torna uma oportunidade para a humanidade refletir profundamente não apenas sobre os frutos ou sete dons do Espírito Santo, mas, sobretudo, sobre o amor infinito de Deus diante dos movimentos e cenas que, ultimamente, têm disseminado discursos de ódio, xenofobia, intolerância religiosa em nome da liberdade de expressão, violência e desrespeito aos direitos humanos. Tais acontecimentos, em vários cantos do mundo, devem ser vistos como “sinais dos tempos” em que se faz necessária e imprescindível a presença permanente do Espírito Santo para recriar e renovar a “face da terra”, marcada e maculada pelo feminicídio e derramamento de sangue de inocentes, vítimas de guerras, conflitos armados e pela destruição do meio ambiente ecologicamente equilibrado. A Solenidade de Pentecostes é uma imperatividade do fogo ardente nos corações dos fiéis comprometidos, comprometidas para mudar o mundo e revelar o rosto amoroso do Pai Celeste que, com o Filho, são um: “Eu e meu Pai somos um” (Jo 10,30). O amor da Santíssima Trindade revelado pelo Espírito Santo faz com que os seres humanos (de modo especial, os cristãos) busquem a comunhão sincera e a fraternidade na obediência aos mandamentos. “O que glorifica meu Pai é que deis fruto em abundância; e assim sereis verdadeiramente meus discípulos. Assim como o Pai me amou, Eu, da mesma forma, vos amei. Permanecei no meu amor. Se obedecerdes aos meus mandamentos, permanecereis no meu amor, exatamente como Eu tenho obedecido às ordens do meu Pai e permaneço em seu amor” (Jo 15,8-10). Nesse sentido, vale salientar o pensamento de São José Freinademetz (1852-1908), primeiro missionário verbita na China que, ao lembrar-se dos desafios missionários e da pertinência de se abrir à cultura chinesa, disse que a linguagem do amor é a única língua que todos os povos compreendem. Afinal, quem é o autor de tal abertura às culturas dos outros? Obviamente é o Espírito Santo que nos abre ao conhecimento da divindade do Cristo, mas também congrega todos os povos, todas as raças, línguas e culturas em uma só família, em um só povo, o povo de Deus. Observa-se, nesse caso, a importância da presença do Espírito Santo na vida da Igreja como agente pastoral, como guia dos corações apaixonados por Jesus Cristo, o Mestre, o Bom Pastor, o Rosto amoroso do Pai, de quem procede também o Espírito, o Paráclito (que anima, consola nas dores, nos sofrimentos), o Advogado (que defende, perante as adversidades da vida, nos falsos julgamentos) e o Animador que dá vida e sentido às pastorais e demais atividades eclesiais e sociais. O Espírito da verdade e da vida Vale a pena contextualizar a mensagem do próprio Jesus Cristo quando, na qualidade do enviado do Pai e revelando-se melhor aos discípulos, destacou abertamente sua identidade dizendo “Eu e o Pai somos um”, e a Filipe: “Quem me vê, vê o Pai”. É o Espírito Santo que nos revela esse mistério do amor, da união e comunhão entre o Pai e o Filho. É interessante ressaltar a nobreza da missão do Espírito Santo na sociedade. Em um mundo de mentiras, o Espírito vem nos ensinar pedagogicamente a verdade, pois o Filho de Deus é a Verdade por excelência. Diante da cultura da morte, Ele nos revela o sentido da valoração e valorização da vida. E quando a sociedade oferece vários caminhos que levam à perdição e à morte, o Espírito nos aponta o Caminho que leva ao Pai Celeste e às boas pastagens verdejantes. Em sua homilia de 5 de maio de 2022, o Papa Francisco recordava que o Espírito é o “motor” de nossa vida espiritual, que nos faz ver tudo de maneira nova, segundo o olhar de Jesus. Sabemos, de fato, que o olhar de Jesus é do amor verdadeiro, é compassivo, misericordioso e cheio de ternura para com todos, principalmente para com as pessoas em situação de vulnerabilidade, de exploração e exclusão social. É um olhar transformador. Daí a importância do Espírito Santo que procede do Pai e do Filho como abertura ao amor pleno porque, sem ele, fruto do amor, a vida humana não tem e nunca terá sentido. Vê-se, portanto, a importância do Espírito Santo tanto na vida eclesial como na social, no dia a dia. Nobre lição “O Espírito Santo que o Pai enviará em meu nome, Esse é que vos ensinará tudo e há de recordar-vos tudo o que Eu vos disse” (Jo 14,26). Ensinar o quê? A quem? Como e quando? Revela-se, sobremaneira, que o Espírito transmite o conhecimento do amor que há no Pai e no Filho a toda a humanidade, cumprindo-se, então, a promessa de Jesus. Olhando para a própria etimologia do verbo “ensinar”, percebe-se que o Espírito, tanto na Igreja como na sociedade, age como educador, pois Ele faz com que as pessoas aprendam a amar o Pai e o Filho que o enviaram e revelar o mistério do amor que habita neles. Infelizmente, hoje em dia, há muitos “educadores”, sobretudo no mundo digital, onde muitos são chamados de “influenciadores, influenciadoras”, tornando-se vozes a serem ouvidas no deserto de uma sociedade carecedora de referências e caminhos para muitas pessoas sem bússola, apenas adormecidas por ideologias geradoras de violência, ignorância, intolerância, negatividade e ceticismo com a ciência. É mergulho, aparentemente, sem volta no mundo de incertezas e de relações líquidas. É, justamente, no meio desses desafios da nossa Era que o Espírito ensina e orienta a Igreja a não ter medo, pelo contrário, a seguir o caminho apontado por Jesus, o qual leva ao Pai. Considerando a complexidade da condição humana e sua multidimensionalidade, como diria Edgar Morin, pode-se, no caso da Igreja, com a diversidade de ministérios, dizer que a força do Espírito Santo abre a humanidade a novos horizontes de pensar, ensinar, educar e congregar todos os conhecimentos em um ponto de convergência que é o Cristo. Na Era

Santa Ruah: o sopro que gera vida

“… soprou sobre eles e disse: ‘Recebam o Espírito Santo’” (Jo 20,22) Pentecostes é hoje; é sempre! Não foi só naquele distante dia em que um grupo de discípulos e discípulas assustados(as) se sentiram fortes, encorajados(as), movidos(as) por um impulso tal que os levou a romper os espaços fechados e viver o movimento de “saída”. Pentecostes acontece em cada um de nós; não é pomba nem chama ardente e, talvez, não nos lança ao meio da multidão dando gritos. E, no entanto, o Espírito de Deus continua descendo sobre nós, envolvendo-nos em silêncio, seduzindo-nos sem imposições, sussurrando-nos palavras de amor infinito e ensinando-nos a olhar o mundo e a vida com novos olhos. Somos casa do Espírito! O relato do evangelho deste domingo nos oferece outra perspectiva do encontro do Ressuscitado com seus discípulos: seus olhos viram as feridas, mas seu coração experimentou que Jesus está vivo. E esta experiência os encheu de alegria. O Espírito os capacitou a ter um novo olhar, muito mais profundo. O Espírito do Ressuscitado é o gerador de novos equilíbrios, rompedor de todos os medos; por isso, Ele se revela sempre desconcertante, surpreendente, interpelante. Mas é assim que o Espírito Santo nos abre a uma nova sabedoria, a um novo entendimento, a uma nova gestualidade, a uma nova vida. O Espírito é o sopro que vivifica, anima, restaura e congrega. Somos “filhos(as) do Vento”. O vento impetuoso em Pentecostes faz com que todos nos sintamos cheios de novo alento, de novo sopro de vida. Em outras palavras, sentimo-nos “animados” (= com alma, espírito). Nosso tempo pede que sejamos homens e mulheres do Vento, que ajudam o mundo a respirar e sentir a vida palpitar; que buscam, na terra, viver o sonho do Reino; que alimentam as chamas da esperança nos corações sonhadores; que se reconhecem humildes ante a misericórdia e o infinito de Deus; que acreditam na força dos pequenos e dos gestos simples; que vibram com as conquistas justas e que se compadecem da miséria do humano; que cuidam de tudo e de todos com ternura e carinho. O vendaval em Pentecostes varreu o medo e a desconfiança. Todos se encheram de uma força e de um dinamismo jamais experimentado, que fez mover pessoas, corações e mentes. Sentiram-se como que envolvidos pelo Espírito, que os permitiu falar uma linguagem que todos entendiam. Tal experiência provoca um movimento que rompe fronteiras e barreiras. Assim, o Espírito faz superar o fundamentalismo, a hipocrisia e a apatia. Não há nada de mágico; simplesmente, as pessoas se deixam mover pelo Espírito, que habita o universo e os corações, e se deixam levar pelo sopro divino. Para captar o sentido profundo da presença e ação do Espírito, em nós e na criação, é preciso retornar à expressão hebraica “Ruah”, muito mais densa de sentido e essência. Foi o que fez o Ressuscitado ao “soprar sua Ruah” sobre os discípulos medrosos e fechados. Já no relato do Gênesis, encontramos o primeiro alento divino que deu vida ao barro inerte. Com linguagem atual, podemos dizer que a Ruah nos faz a “respiração boca a boca”, nos devolve o fôlego quando sentimos que a vida nos escapa, quando estamos desalentados, angustiados… A “Ruah” é dinamismo, vida, relação, comunhão divina. É alento, vento, água. É unguento, é consolo, é companhia. “Ruah” é invenção, é fonte de criatividade, de autêntica novidade. É fonte de novas possibilidades no mundo, energia inaugural de novas auroras. É a energia materna de Deus que aquece o coração da Criação, e que tudo sustenta. Detalhemos as características da “Ruah” do Ressuscitado: – Ruah é a ação (ou a presença) de Deus que vitaliza o ser do mundo e, de uma forma peculiar, a história da humanidade. É a expansão de amor do Deus que, ao atuar sem cessar, faz com que a vida nasça e que os seres humanos entrem no mesmo fluxo desse amor. – Ruah é a profundidade mesma de vida dos seres humanos no mundo. Ela sustenta o cosmos e a história, e se explicita em cada um de forma constante, ilimitada, sempre forte. – Ruah é força de esperança, de maneira que ultrapassa as atuais condições da vida. Encontramo-nos em Deus e abertos ao futuro; nossa verdadeira identidade não se apoia naquilo que agora somos, mas, antes, no mistério vitalizante do Espírito divino. – A Santa Ruah não vem para ditar um catálogo de normas, mas para revelar o sentido profundo da nossa vida. Abundante, generosa, sem cor, sem restrições ou fronteiras, assim é o seu dom. Portanto, celebrar Pentecostes não consiste só em recordar uma experiência de dois mil anos atrás; é tomar consciência que nossa vida – pessoal e comunitária – pode mudar com a mesma intensidade que mudou a vida daquele grupo de homens e mulheres, que estavam cheios de temor. Que nos move na celebração de Pentecostes? Olhemos em nosso interior tudo aquilo que é obstáculo para crescer como discípulo(a). Coloquemos nomes: medos, pré-juízos, petrificação, rotina, superficialidade, indiferença, ódio, maldade… Estes obstáculos são como travas que nos impedem caminhar como discípulos(as). É a Ruah que nos purifica a fundo, estabelecendo o “cosmos” em meio ao nosso “caos” interior; é Ela que deixa a descoberto as vivências não integradas, as experiências não pacificadas, as feridas não cicatrizadas… Existem partes de nós mesmos, talvez alguns dos nossos membros, que estão fechados ao próprio movimento da vida, que estão fechados ao Sopro do Vivente. Cada um de nós, de modo bem particular e pessoal, tem um espaço de abertura e um espaço de fechamento. Qual deles prevalece? A missão da “Ruah” não é ajudar a nos “livrar” daquilo que imaginamos que torna sombria nossa existência e nos atemoriza (feridas, rejeições, ressentimentos…), senão que sua ação nos conduz, suavemente, a abraçar tudo e tudo recolher para que não se perca nem um só dos fragmentos da vida e, assim, com imensa gratidão, poder saciar-nos de seus dons. Sua presença não se limita à exterioridade, mas é como a água que penetra na terra

Por que a Solenidade de Pentecostes é tão importante para a Igreja

Sejamos nós os Apóstolos reunidos com Maria no Cenáculo e, juntos, vivenciemos o amor de Deus derramado sobre nós. Esse amor denomina-se Espírito Santo. Amor de Deus em nós e um convite para que continuemos aquilo que se iniciou logo após o Pentecostes: a missão da Igreja. Um convite a levar essa experiência extraordinária que vive e está presente na Igreja e a acompanha no decurso dos séculos, fazendo-a ser viva e atuante no mundo. O Espírito Santo tem papel essencial na vida da Igreja, pois aqui inicia o papel missionário dela. O Espírito é a alma da Igreja, pois vemos em todas as ações realizadas por ela a ação e a força do Espírito, o qual assiste e guia cada iniciativa desenvolvida por ela. O Espírito Santo é o elo da Trindade, em que o Pai gera o Filho na força do Espírito Santo, por isso são modelos de comunidade. Jesus escolhe a festa da colheita dos judeus para enviar o Espírito Santo sobre os Apóstolos e sobre Maria. Faz-se uma analogia com livro de Êxodo (23,14). A passagem destaca que se ofereciam as primícias dos frutos a Deus, assim, a Igreja que nasce na força do Espírito deve anunciar a todos as maravilhas de Deus em favor das pessoas. O ponto de partida de nossa ação missionária pós-Pentecostes é o amor. O Espírito nos lembra que, sem o amor na base, tudo é vão. Ele é o “motor” de nossa vida espiritual, alimentando nossa memória, e nos leva à recordação do amor de Deus, seu olhar pousado sobre nós. Podemos comprovar esse amor nas linhas do Catecismo da Igreja Católica (n. 684) nas quais se afirma: o “Espírito Santo, pela sua graça, é o primeiro no despertar da nossa fé e na vida nova que consiste em conhecer o Pai e Aquele que Ele enviou, Jesus Cristo”. Que possamos receber a força e a graça vinda de Deus a nós pela Festa de Pentecostes e trilhar os passos para chegarmos à alegria de Deus e vê-lo face a face. Para isso, exige-se de nós abertura total ao plano de Deus, que é receber e reconhecer a ação divina pelos dons derramados sobre cada um de nós e que nos torna filhos de Deus. Como filhos, temos nossas obrigações de falar de Deus às pessoas, promover carismas em toda a Igreja. Que a Festa de Pentecostes desperte em nós o ardor missionário de ser Igreja, de acolher o outro e transmitir o amor de Deus a cada pessoa. Que “arda” nosso coração assim como aconteceu no dia de Pentecostes, levemos a mensagem de Deus a todas as pessoas e sempre possamos contar com o Espírito prometido. Maria, a primeira missionária, esteja a nosso lado, inspirando-nos, intercedendo e, acima de tudo, sendo modelo de acolhimento do amor de Deus. Viva o Espírito Santo em nossos corações! Antonio César BurnatProfessor no Colégio Sant’Ana, Ponta Grossa-PR.

As solenidades de Pentecostes e da Santíssima Trindade para as servas do Espírito Santo

“Cada um de nós deve esforçar-se para amar verdadeiramente o Espírito Santo de todo o coração e trabalhar na promoção de sua glória. Quanto mais o missionário fizer isso tanto mais o grande doador das graças, o Espírito Santo de Deus, abençoará seu trabalho” (Santo Arnaldo Janssen). As solenidades de Pentecostes e da Santíssima Trindade, respectivamente denominadas como festa titular e festa principal de nossa Congregação, têm a recomendação de que sejam celebradas com grande ênfase. Como herança de nossa geração fundante, no mundo inteiro, nós, missionárias servas do Espírito Santo, cultivamos a espiritualidade trinitária, com ênfase no Espírito Santo, vínculo de amor e sinal da unidade entre o Pai e o Filho. Em razão disso, ao aproximarem-se dessas datas, nossas comunidades se enchem de uma profunda alegria com os preparativos para bem celebrar essas festas. Nesta semana, enquanto justamente ajudava na ornamentação de nosso colégio com as chamas de Pentecostes, um aluno (novo no colégio) perguntou-me: “Irmã, por que você está enchendo a escola com esses foguinhos?”. Felizmente nem precisei responder, porque o coleguinha que estava ao lado, sendo um aluno que está conosco há mais tempo, respondeu, dizendo que era porque estávamos na semana de Pentecostes, e continuaram conversando sobre o assunto. Esse pequeno aluno, ao explicar ao outro, transmitia um sentido de pertença. O Espírito Santo é como esse movimento, um coração transmite ao outro, e assim “Nele vivemos, nos movemos e existimos” (At 17,28). Nossas constituições caracterizam Pentecostes como “consumação do mistério pascal, em que, pelo envio do Espírito Santo, a Igreja manifestou-se ao mundo pelo testemunho dos apóstolos”. Nas comunidades de missão onde estamos inseridas, empenhamo-nos ao máximo para quem estiver conosco possa também reconhecer a grandiosidade do amor e da presença do Espírito Santo em nossa vida. Quando retomamos a caminhada e o crescimento espiritual de nosso fundador Santo Arnaldo Janssen, vemos que Ele tinha uma grande preocupação: muitos ainda não conheciam o Espírito Santo. Isso o angustiava. Por isso recomendou às três congregações fundadas por ele que, na missão, fossem fiéis à devoção ao Espírito Santo e nada fazer sem antes o consultar. Ele, o Espírito Santo, é o dinamizador da missão, que constantemente atualiza em nós as moções e os apelos às necessidades que surgem no mundo. No primeiro Pentecostes, o Espírito Santo fez com que caíssem as barreiras da comunicação, permitindo que os apóstolos se comunicassem de maneiras diferentes, com uma linguagem que todos pudessem entender. Uma linguagem acessível, que aproxima, atrai e faz acontecer uma sinodalidade, um caminhar junto, como partícipes de um mesmo mistério de amor. Para nós, o desafio continua o mesmo: manter viva a transmissão da espiritualidade. Espiritualidade aqui quer significar aquela orientação fundamental de uma pessoa diante da realidade global, ou seja, de Deus e da humanidade. A espiritualidade trinitária, à qual me referi no início, é centrada no relacionamento entre o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Nela, encontramos o modelo de comunidade e de sociedade que somos chamadas a construir a partir do diálogo, da partilha, da comunhão. Assim, uma semana depois de Pentecostes, temos a Solenidade da Santíssima Trindade, chave central da nossa espiritualidade e razão de nosso carisma missionário: “Tornar Deus Uno e Trino conhecido, amado e glorificado por todas as pessoas!”. Viver o amor e a comunhão trinitária é cuidar para que todos os seres humanos possam viver com dignidade e com seus direitos respeitados, de acordo com a vontade de Deus. “Quanto mais venerarmos o Espírito Santo, mais seremos dignos de sua graça” (Santo Arnaldo Janssen). Irmã Roselene Ventura de Oliveira, SSpSProfessora no Colégio Espírito Santo, Canoas-RS.

Solenidade de Pentecostes

“Todos ficaram repletos do Espírito Santo”Atos dos Apóstolos 2,1-11 A liturgia de hoje nos descreve a descida do Espírito Santo sobre a comunidade dos discípulos, em duas tradições: a de Lucas (Atos dos Apóstolos) e a da Comunidade do Discípulo Amado (João 20). Salta aos olhos que uma leitura fundamentalista da Bíblia (infelizmente ainda muito comum entre nós) leva a gente a um beco sem saída, pois, no Evangelho de João, a Ressurreição, a Ascensão e a descida do Espírito se dão no mesmo dia (a Páscoa), enquanto Lucas separa os três eventos, dentro de um período de cinquenta dias. Por isso devemos ler os textos dentro dos interesses teológicos dos diversos autores: os 40 dias de Lucas, por exemplo, entre a Ressurreição e a Ascensão, correspondem aos 40 dias da preparação de Jesus no deserto, para a sua missão. Pois, como Jesus ficou “repleto do Espírito Santo” (Lucas 4,1) e se lançou na sua missão “com a força do Espírito” (Lucas 4,14), a comunidade cristã se preparou durante o mesmo período e, na festa judaica de Pentecostes, também experimentou que “todos ficaram repletos do Espírito Santo” (Atos dos Apóstolos 2,4). Uma leitura superficial do texto de Atos dá a impressão de um relato uniforme e coeso, mas isso se deve à habilidade literária do autor. Na verdade, ele costurou um relato só, tecendo elementos de duas tradições. Uma leitura cuidadosa nos mostra essas duas tradições: a primeira está nos versículos 1 a 4, uma tradição mais antiga e apocalíptica; a segunda está nos versículos 5 a 11, mais profética e missionária. Nos primeiros versículos, estamos no ambiente de uma casa, onde os discípulos se reuniram. Atos nos faz lembrar que estavam reunidos três grupos distintos, os Onze, as mulheres (entre as quais Maria, a mãe de Jesus), e os irmãos do Senhor. Embora talvez representem três tradições cristológicas diferentes no tempo de Lucas, ele faz questão de enfatizar que todos estavam reunidos com “os mesmos sentimentos e eram assíduos na oração” (Atos 1,14). Quer dizer, a descida do Espírito não é algo mágico, mas consequência da unidade na fé e no seguimento do projeto de Jesus. O primeiro relato (versículos 1 a 4) usa imagens apocalípticas, símbolos da teofania, ou da manifestação da presença de Deus: o som de um vendaval e as línguas de fogo. A expressão externa da descida do Espírito é o “falar em outras línguas” (não o “falar em línguas” – glossolalia – tão valorizado por muitos grupos de cunho neopentecostal). A segunda tradição muda o enfoque. O ambiente muda da casa para um lugar público, provavelmente o pátio do Templo. O sinal visível da presença do Espírito não é mais o falar em outras línguas, mas o fato de que todos os presentes possam “ouvir, em sua própria língua, os discípulos falarem” (Atos 1,6). O termo “ouvir” aqui implica também “compreender”. Por três vezes, o relato destaca o fato de os presentes poderem “ouvir” em sua própria língua (versículos 6, 8, 11). Assim, Lucas quer enfatizar que o dom do Espírito Santo tem um objetivo missionário e profético: de fazer com que toda a humanidade possa ouvir e compreender a nova linguagem que une todas as raças e culturas, ou seja, a do amor, da solidariedade, do projeto de Jesus, do Reino de Deus. A lista dos presentes tem um sentido especial: estão mencionadas raças, áreas geográficas, culturas e religiões. Todos ouvem as maravilhas do Senhor. Assim, Lucas ensina que a aceitação do Evangelho não exige o abandono da identidade cultural. Contesta a dominação cultural, ou seja, a identificação do Evangelho com uma cultura específica. Durante séculos, esse fato foi esquecido nas Igrejas, e identificava-se o Evangelho com sua expressão cultural europeia. Nos últimos anos, a Igreja tem insistido muito na necessidade da “inculturação”, de anunciar e vivenciar a mensagem de Jesus dentro das expressões culturais das diversas raças e etnias. O texto é uma releitura da Torre de Babel, onde a língua única era o instrumento de um projeto de dominação (uma torre até o céu!) que foi destruído por Deus pela diversidade de línguas. Nenhuma cultura ou etnia pode identificar o Evangelho com sua expressão cultural a respeito dele. Hoje é uma grande festa missionária. Marca a transformação da Igreja de uma seita judaica em uma comunidade universal, missionária (mas não proselitista), comprometida com a construção do Reino de Deus “até os confins da terra”. Lucas insiste que a experiência de Pentecostes não se limita a um evento; é uma experiência contínua, por isso relata novas descidas do Espírito Santo: em uma comunidade em oração, dentro de uma casa (Atos 4,31); sobre os samaritanos (Atos 8,17); e, para o espanto dos judeu-cristãos ortodoxos, sobre os pagãos, na casa de Cornélio (Atos 10,4). Pois o Espírito Santo sopra onde quer, sobre quem quer, em favor do Reino de Deus. Aprendamos do texto de Atos e celebremos nossa vocação missionária, não a de falar em línguas, mas a de falar a língua única do amor e do compromisso com o Reino, para que a mensagem do Evangelho penetre todos os povos, culturas, raças e etnias. Padre Tomaz Hughes, SVD, biblista e assessor da CRB e do Cebi. Dedicou-se a cursos e retiros bíblicos em todo o Brasil. Publicou diversos artigos e o livro “Paulo de Tarso: discípulo-missionário de Jesus”. Faleceu em 15 de maio de 2017. Suas reflexões bíblicas são muito atuais.

Solenidade de Pentecostes

“Todos ficaram repletos do Espírito Santo”Atos 2,1-11; João 20,19-23 A liturgia de hoje nos descreve a descida do Espírito Santo sobre a comunidade dos discípulos, em duas tradições: a de Lucas (Atos dos Apóstolos) e a da Comunidade do Discípulo Amado (João 20). Salta aos olhos que uma leitura fundamentalista da Bíblia (infelizmente ainda muito comum entre nós) leva-nos a um beco sem saída, pois, no Evangelho de João, a Ressurreição, a Ascensão e a descida do Espírito se deram no mesmo dia (Páscoa), enquanto Lucas separa os três eventos, num período de 50 dias. Por isso devemos ler os textos dentro dos interesses teológicos dos diversos autores. Os 40 dias de Lucas, por exemplo, entre a Ressurreição e a Ascensão, correspondem aos 40 dias da preparação de Jesus no deserto, para a sua missão. Pois, como Jesus ficou “repleto do Espírito Santo” (Lucas 4,1) e se lançou em sua missão “com a força do Espírito” (Lucas 4,14), a comunidade cristã se preparou durante o mesmo período e, na festa judaica de Pentecostes, também experimentou que “todos ficaram repletos do Espírito Santo” (Atos 2,4). Uma leitura superficial do texto de Atos dá a impressão de um relato uniforme e coeso, mas isso se deve à habilidade literária do autor. Na verdade, ele costurou um relato só, tecendo elementos de duas tradições. Uma leitura cuidadosa nos mostra essas duas tradições: a primeira está nos versículos 1 a 4, uma tradição mais antiga e apocalíptica; a segunda está nos versículos 5 a 11, mais profética e missionária. Nos primeiros versículos, estamos no ambiente de uma casa, onde os discípulos se reuniram. Atos nos faz lembrar que estavam reunidos três grupos distintos, os Onze, as mulheres, entre as quais Maria, a mãe de Jesus, e os irmãos do Senhor. Embora talvez representem três tradições cristológicas diferentes no tempo de Lucas, ele faz questão de enfatizar que todos estavam reunidos com “os mesmos sentimentos e eram assíduos na oração” (Atos 1,14). Quer dizer, a descida do Espírito não é algo mágico, mas consequência da unidade na fé e no seguimento do projeto de Jesus. O primeiro relato (versículos 1 a 4) usa imagens apocalípticas, símbolos da teofania, ou da manifestação da presença de Deus (o som de um vendaval e as línguas de fogo). A expressão externa da descida do Espírito é o “falar em outras línguas” (não o “falar em línguas” – glossolalia – tão valorizado por muitos grupos de cunho neopentecostal). A segunda tradição muda o enfoque. O ambiente muda da casa para um lugar público – provavelmente o pátio do Templo. O sinal visível da presença do Espírito não é mais o falar em outras línguas, mas o fato que todos os presentes pudessem “ouvir, na sua própria língua, os discípulos falarem” (Atos 1,6). O termo “ouvir” aqui implica também “compreender”. Por três vezes, o relato destaca o fato de os presentes poderem “ouvir” em sua própria língua (versículos 6, 8 e 11). Assim, Lucas quer enfatizar que o dom do Espírito Santo tem um objetivo missionário e profético, o de fazer com que toda a humanidade possa ouvir e compreender a nova linguagem, que une todas as raças e culturas, ou seja, a do amor, da solidariedade, do projeto de Jesus, do Reino de Deus. A lista dos presentes tem um sentido especial. Estão mencionadas raças, áreas geográficas, culturas e religiões. Todos ouvem as maravilhas do Senhor. Assim Lucas ensina que a aceitação do Evangelho não exige deixar a identidade cultural. Contesta a dominação cultural, ou seja, a identificação do Evangelho com uma cultura específica. Durante séculos, esse fato foi esquecido nas Igrejas, e identificava-se o Evangelho com a sua expressão cultural europeia. Nos últimos anos, a Igreja tem insistido muito na necessidade da “inculturação”, de anunciar e vivenciar a mensagem de Jesus dentro das expressões culturais das diversas raças e etnias. O texto é uma releitura da Torre de Babel, em que a língua única era o instrumento de um projeto de dominação (uma torre até o céu), que foi destruído por Deus pela diversidade de línguas. Nenhuma cultura ou etnia pode identificar o Evangelho com a própria expressão cultural. Hoje é uma grande festa missionária. Marca a transformação da Igreja de uma seita judaica a uma comunidade universal, missionária, mas não proselitista, comprometida com a construção do Reino de Deus “até os confins da terra”. Lucas insiste que a experiência de Pentecostes não se limita a um evento. É uma experiência contínua, por isso relata novas descidas do Espírito Santo: numa comunidade em oração numa casa (Atos 4,31), sobre os samaritanos (Atos 8,17) e, para o espanto dos judeu-cristãos ortodoxos, sobre os pagãos, na casa de Cornélio (Atos 10,4). Pois o Espírito Santo sopra onde quer, sobre quem quer, em favor do Reino de Deus. Aprendamos do texto de Atos e celebremos nossa vocação missionária, não a de falar em línguas, mas a de falar a língua única do amor e do compromisso com o Reino, para que a mensagem do Evangelho penetre todos os povos, culturas, raças e etnias. João 20,19-23 No texto anterior ao de hoje, Maria Madalena trouxe a notícia da Ressurreição aos discípulos incrédulos. Agora é o próprio Jesus que aparece a eles. Não há reprovação nem queixa em suas palavras, apesar da infidelidade de todos eles, mas somente a alegria e a paz que Jesus tinha prometido no último discurso. Por duas vezes, Jesus proclama seu desejo para a comunidade de seus discípulos: “A paz esteja com vocês”. O nosso termo “paz” procura traduzir, embora de uma maneira inadequada, o termo hebraico “shalom!”, que é muito mais do que “paz”, conforme nosso mundo a compreende. O shalom é a paz que vem da presença de Deus, da justiça do Reino. Na proclamação do saudoso Papa São Paulo VI, “A justiça é o novo nome da paz!”. Jesus não promete a paz do comodismo, mas, pelo contrário, envia seus discípulos na missão árdua em favor do Reino, mas promete o shalom, pois ele

Pentecostes: o Espírito nos leva a servir

Neste domingo, 23 de maio, a Igreja celebra a grande solenidade de Pentecostes. É quando os cristãos comemoram a vinda do Espírito Santo sobre os discípulos de Jesus. Festejamos o “sopro”, a “respiração”, a “brisa”, o “vento” criador de Deus a vivificar a Igreja. A liturgia nessa data é riquíssima, com uma celebração própria para a vigília (sábado) e outra para o domingo. As comunidades cristãs orientais, sobretudo, são muito esmeradas quando se trata do Espírito Santo. Quanto à Terceira Pessoa da Santíssima Trindade, o tesouro místico, litúrgico e teológico dessas tradições é incalculável. Nós, cristãos ocidentais, temos muito a aprender com esses nossos irmãos e irmãs, mas isso não quer dizer que, deste lado do mundo, também não existam riquezas. Estive meditando um pouco sobre o nome que Santo Arnaldo Janssen deu ao primeiro ramo feminino de sua obra evangelizadora: a Congregação das Missionárias Servas do Espírito Santo. Dias atrás, numa formação para os futuros diáconos permanentes da Arquidiocese de Belo Horizonte-MG, tratei sobre o tema “espiritualidade”. Em um resumo bem agudo, destaquei que esse dom é, de fato, vivido na prática; caso contrário, vira espiritualismo. Uma “pessoa espiritualizada” preocupa-se (e procura agir) diante de uma floresta que arde, água e ar poluídos, com o fato de haver pessoas sem um teto, sem uma terra, sem emprego, sem acesso à saúde, à educação, à segurança. Afinal, “Todas as vezes que fizestes isso a um destes mínimos que são meus irmãos, foi a mim que o fizestes!” (Mateus 25,40b). Nessa linha, o servir à Criação, algo essencial para os seguidores de Jesus, é impressionante o horizonte que o Fundador da Família Arnaldina propõe para suas filhas espirituais: irmãs evangelizadoras e servas do Espírito Criador, do Espírito Consolador, do Espírito da Vida. Para Santo Arnaldo, a maior e constante adoração ao Senhor passaria pelo anúncio de Jesus, a Boa Notícia, e pelo serviço principalmente aos mais fragilizados, pois cada ser traz a essência do sagrado, o Espírito que Deus nos soprou nas narinas (cf. Gênesis 2,7). Em síntese: ser serva, servo do Espírito Santo é estar à disposição do próximo, e esse propósito vale para todos os batizados e batizadas, de qualquer tempo e lugar. Viver na espiritualidade de Deus é servir, e bem. Ser discípulas-missionárias, discípulos-missionários, servindo ao Espírito Santo, é, para mim, uma indicação muitíssimo inspirada de ter o coração na Trindade e os pés bem no chão. Não é muito fácil falar sobre essa Brisa Santa. Creio que Deus nos faz mesmo é um convite à experiência de nos deixar levar por esse subversivo “vento que sopra aonde quer” (João 3,8a). Assim, ouso aqui partilhar uma breve oração, vinda do que sinto (e não penso) sobre o Espírito Criador. Permita-se inspirar por aquele que renova a face da Terra e componha a sua prece também. Se temos o dia, Senhor, por vosso Espírito, temos o calor e o Sol.Se temos a noite, por vosso Espírito, Senhor, temos a luz a nos guiar na escuridão.Se temos a chuva, por vosso Espírito, a terra é ventre fecundo.Se temos a semente, por vosso Espírito, temos a árvore e os abundantes frutos.Se temos os livros, por vosso Espírito, temos o mais profundo instrutor.Se temos inteligência, por vosso Espírito, Senhor, recebemos o dom da preciosa sabedoria.Se temos forças, por vosso Espírito, nosso ânimo é inspirado para o bem.Se temos o cansaço, por vosso Espírito, temos o conforto do repouso e da serenidade.Se temos o presente da água, por vosso Espírito, temos o mergulho em Cristo.Se temos a vida, por vosso Espírito, nós a temos em abundância.Se temos fé, por vosso Espírito temos a chama da verdadeira piedade.Se temos as liturgias, por vosso Espírito, celebramos o Mistério e o divino abraço.Se temos a morte e as cruzes, por vosso Espírito, temos a ressurreição e a vida.Se temos o Espírito, temos a fé, a esperança, o amor.Vinde, ó divina Brisa!Vinde, ó Vento de santa rebeldia!Vinde, ó Sopro de vida!Vinde, ó Espírito Santo! Amém. Alessandro Faleiro MarquesDiácono permanente na Arquidiocese de Belo Horizonte, professor, editor de textos para as irmãs missionárias servas do Espírito Santo.

Domingo de Pentecostes

No dia de Pentecostes, principal festa das missionárias servas do Espírito Santo, celebramos a vinda do Espírito Santo sobre os apóstolos e o início da Igreja. Convidamos você para rezar a Oração de Pentecostes e assistir ao vídeo do Evangelho de hoje. Oração de Pentecostes Divino Espírito Santo, enviai-nos como pequenas chamas desprendidas do grande Pentecostes. Que o mesmo Espírito que naquela manhã radiante em que os discípulos rezavam juntos com Maria, no cenáculo, possa tomar conta do nosso ser e enviar-nos pelo mundo a testemunhar a força e o poder do vosso amor. Que a mesma mensagem que contagiou os apóstolos naquela manhã de Pentecostes, possa contagiar a cada um (a) de nós e nos dar um impulso novo de criatividade na missão. Ó Eterno Consolador, dai-nos o teu Espírito e renovai nossas comunidades, nossas paróquias, nossa congregação e toda a Igreja. Enfim, renovai a face da Terra. Coragem! Dai-nos vosso Espírito de Coragem, de ousadia e de profetismo. Afastai de nós todo o medo, pois tudo está em vossas mãos e sois um Deus de amor! Alegria! Dai-nos vosso Espírito de Alegria e dancemos juntos na leveza do vento. Convosco podemos sorrir e nos alegrar, pois tudo está em vossas mãos e sois um Deus de bondade! Amor! Dai-nos vosso Espírito de Amor, de carinho, de ternura, de amizade e compaixão. Arrancai de nós o medo de amar, de nos doar e de nos acolher mutuamente, pois tudo está em vossas mãos e sois um Deus de misericórdia! Criatividade! Cria Dai-nos vosso Espírito Criador, que renova a face da Terra! Em vossa presença podemos sonhar, criar e acreditar num mundo melhor, pois tudo está em vossas mãos e sois um Deus sempre novo! Liberdade! Dai-nos vosso Espírito de Liberdade, que provém da verdade e da humildade. Tornai-nos livres e cantaremos leves e soltos (as), sem preconceitos e sem medos, pois tudo está em vossas mãos e sois um Deus sem limites! Solidariedade! Dai-nos vosso Espírito de Solidariedade, que revela que somos irmãs e irmãos de todos, que a humanidade é nossa casa e a dor dos outros ferem nosso coração. Convosco podemos abrir nossos braços e nos comprometer com os que sofrem, pois tudo está em vossas mãos e sois um Deus que ama os pequenos e excluídos. Comunhão! Dai-nos vosso Espírito de Comunhão, de unidade e verdadeira comunicação. Convosco somos fortes, não porque somos muitos, mas porque somos um. Pois tudo está em vossas mãos e sois um Deus Uno e Trino! Irmã Ana Elídia Caffer Neves, SSpSJornalista, membro da Equipe de Comunicação Congregacional e coordenadora de Comunicação da Província Stella Matutina (BRN)

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