2020: tempo de multiplicar talentos

Um homem muito rico se viu, de repente, preocupado com o aumento do desmatamento e do aquecimento global, o que o levou a refletir: “Como posso contribuir para que a natureza seja preservada e as gerações vindouras possam viver em um mundo melhor?”. E movido por esse questionamento, decidiu comprar terras e reflorestar. Sua missão não era fácil e exigia dedicação, cuidado e paciência, porém, sabendo das grandes dificuldades enfrentadas em todo o planeta, resolveu partir em busca de mais terras, na intenção de reflorestar um maior número de espaços possível. Assim, o homem resolveu convidar algumas pessoas de sua comunidade para ajudar na missão de plantar e cuidar das sementes que ele havia preparado. Esse convite foi feito de forma bem criteriosa, considerando as habilidades de cada um deles. Para o primeiro vizinho ele entregou sementes de flores coloridas, que dariam cor, perfume e alegria para o mundo. Para o segundo ele entregou sementes de árvores frutíferas, que seriam fonte de alimento para os que por ali passassem. Para o terceiro ele entregou sementes de árvores frondosas, que serviriam de abrigo em dias de sol e muito calor. Assim que entregou as sementes, o homem pediu a cada um que cuidasse muito bem delas e que se esforçasse para que elas não morressem. O primeiro vizinho tratou logo de convidar a família para ajudar na tarefa de plantar, adubar e cuidar das sementes. O segundo vizinho chamou a família e alguns amigos para, juntos, plantarem as sementes e cuidarem delas. Como eram muitos, foi possível dividir tarefas e cuidar das sementes com mais dedicação. O terceiro vizinho pensou: “E se as sementes morrerem? E se não chover? E se o sol estiver muito quente e acabar por queimar as sementes?”. E foi pensando assim que ele decidiu guardar as sementes para plantá-las depois. O tempo passou, e o dono das terras voltou. Ao chegar, cheio de expectativas, pois confiava em seus vizinhos, ele foi ver como estavam as terras. As sementes de flores coloridas haviam germinado, perfumando e colorindo todo o terreno. As árvores frutíferas, apesar de ainda não darem frutos, já mostravam os brotos nascendo. Porém ele sentiu falta das árvores que dariam sombra. Por isso procurou pelo terceiro vizinho e perguntou: “Onde estão as árvores que darão sombra às pessoas?”. O vizinho respondeu: “Senhor, eu tive medo. Medo de que não chovesse, medo de que o sol queimasse as sementes, enfim, medo de as sementes não brotarem. Por isso escolhi guardá-las para um momento oportuno”. O Senhor, perplexo, disse: “O nosso terreno está florido, perfumado e, em pouco tempo, dará frutos. Porém, por você ter se deixado vencer pelo medo e pela insegurança, faltará para muitos a sombra. Devolva-me as sementes, que as entregarei aos outros vizinhos, para que possam plantá-las o quanto antes. Quanto a você, busque encarar e vencer seus medos. Eles existem em todos nós, porém servem como um alerta. Não podem nos paralisar. Seus colegas corriam os mesmos riscos e, mesmo assim, acreditaram, plantaram, cuidaram, e hoje temos flores e frutos. Na vida, somos como os vizinhos do senhor que queria reflorestar o planeta. Somos convidados a contribuir com nossos dons, transformando-os em talentos, para fazer do planeta um lugar colorido, perfumado e bom de se viver. Por isso, neste início do ano de 2020, convido você a refletir acerca de seus talentos, de maneira a se comprometer em desenvolvê-los e colocá-los a serviço de sua própria realização e do bem comum. As perguntas a seguir são, na verdade, o primeiro passo para que você possa refletir acerca de seu propósito para o ano que se inicia. Por isso responda com sinceridade e, com base no que você disser, estabeleça metas e estratégias para sua vida: ● Com qual dos personagens dessa história você se identifica? ● Quais talentos você reconhece em si mesmo? ● De que maneira você pode aprimorar seus talentos para se sentir mais realizado e feliz? ● Nossos talentos são dádivas divinas. Nós os recebemos por graça e é gratificante quando podemos compartilhá-los com as pessoas. De que maneira seus talentos podem contribuir para a felicidade e o bem comum? ● Ao fim do ano de 2020, você se sentirá feliz e realizado se seu talento… Para refletir: “O talento ou acaso não escolhem, para manifestar-se, nem dias nem lugares.” José Saramago. Simone Fortunato Nunes Professora, assistente social, coordenadora da Pastoral Missionária do Colégio Sagrado Coração de Jesus, Belo Horizonte-MG.
Gentileza: crianças enviam cartas para idosos

Consideradas um dos meios de comunicação mais antigos do mundo, as cartas perduraram como principal veículo de informações a distância por muitos séculos. Entretanto, a chegada do telefone, em 1870, provocou mudanças na cultura da escrita de cartas, mesmo que continuassem a contribuir para que as pessoas se comunicassem e expressassem seus sentimentos, desejos, projetos e desabafos. No entanto, no século XXI, com a internet e a divulgação das redes sociais, o que era escrito em folhas de papel passou a ser digitalizado em telas dos smartphones, tablets e computadores, e as pessoas que viveram grande parte de suas vidas fora da Era Digital e hoje moram em lares de idosos viram-se, muitas vezes, impedidas de escrever e receber cartas, aumentando, por exemplo, a solidão e sensação de abandono. Assim, a Prefeitura de Belo Horizonte-MG, em parceria com o Movimento Gentileza, lançou, no dia 22 de outubro, o projeto “Cartas para você”. O objetivo é promover um intercâmbio geracional entre crianças, jovens e idosos, além de permitir o desenvolvimento de um elo afetivo por meio de cartas manuscritas. O Colégio Sagrado Coração foi convidado a participar da iniciativa, representando as escolas privadas de Belo Horizonte. Assim, 413 crianças e adolescentes dedicaram um tempo para escrever uma carta para uma idosa ou idoso, compartilhando histórias, sentimentos e sonhos. As mensagens, por sua vez, foram entregues pelos correios, reacendendo nos idosos residentes em 28 lares da capital mineira as memórias dos tempos em que as cartas eram esperadas ansiosamente, pois traziam notícias de pessoas amadas e que viviam longe. Cerimônia de lançamento Os alunos Maria Luiza Vanucci Ferreira, Rafaela Andrade Alves, Nicole Cunha Ribeiro e João Freire Villela participaram da cerimônia de lançamento do projeto, no salão nobre da Prefeitura. “Abro meu coração quando escrevo uma carta”, revelou a aluna Maria Luiza, em depoimento ao Jornal Estado de Minas. Em paralelo a esse depoimento, recordarmos um dos pensamentos de Madre Josefa, uma das fundadoras da Congregação da Missionárias Servas do Espírito Santo que norteia a filosofia dos colégios: “Nossa missão é abrir os corações ao amor”. Com isso, esperamos que as cartas levem ânimo, alegria e carinho aos corações dos idosos e idosas dos 28 lares, como os residentes do Lar Nossa Senhora da Saúde. Assim nos escreveu a assistente social Juliana Moreira: “Recebemos as cartas aqui no lar, e os idosos adoraram. Ficaram muito felizes e interessados ao abrir a carta e poder ter contato com essas crianças maravilhosas do Colégio Coração de Jesus, do 6º ano”. Escrever uma carta é um gesto significativo de gentileza, mas existem muitos outros. Nossos alunos fizeram a parte deles. Agora é sua vez de também espalhar gentileza, cumprindo o que Madre Josefa nos deixou como legado: “Abrir os corações ao amor”! Simone Fortunato NunesCoordenadora da Pastoral Missionáriado Colégio Sagrado Coração de Jesus ________ Assista ao vídeo publicado pelo Jornal Minas: