A China no coração missionário de Santo Arnaldo Janssen

O Papa Bento XVI instituiu, em 2007, o Dia Mundial de Oração pela Igreja na China, celebrado em 24 de maio. O grande país do Oriente tem lugar central na história missionária da Família Arnaldina. Foi para lá que Santo Arnaldo Janssen enviou os primeiros missionários verbitas e, mais tarde, também as irmãs missionárias servas do Espírito Santo. No artigo, Cristina Maia, da Equipe Nacional de Espiritualidade, conta mais.
Como se anuncia Cristo onde ninguém o conhece

Para São José Freinademetz, primeiro missionário da Congregação do Verbo Divino na China, “a linguagem do amor é a única língua que todos os povos compreendem”. Essa é a fala de um homem simples, sacerdote diocesano da região do Tirol, então pertencente à Áustria, hoje na Itália. Ao ouvir o chamado de Deus para ser missionário, saiu de sua terra e se juntou ao padre Arnaldo Janssen, que havia acabado de fundar uma casa missionária dedicada a São Miguel, em Steyl, Holanda. O objetivo era preparar missionários e enviá-los à China. Após um tempo de formação, o padre Freinademetz fez as promessas, deixou sua terra natal, pais e irmãos, e partiu para a China, uma cultura totalmente desconhecida por ele. Não falava a língua, não conhecia os costumes das pessoas. Ele saiu de um mundo, de cultura cristã, e se viu em uma sociedade não cristã, em um espaço onde havia muitas outras antigas tradições religiosas. Foi naquele contexto que Freinademetz percebeu sua limitação humana e a manifestação da graça de Deus em sua vida. Ele se deu conta de que, para ser missionário naquele país, era necessário fazer-se pequeno, humildade. Primeiramente teve de se esforçar para aprender o idioma, mas, ao mesmo tempo, ele, como estrangeiro, totalmente diferente dos nativos, tanto culturalmente como fisicamente, e sendo observado por todos, não podia deixar de se comunicar com as pessoas que lhe rodeavam. Mas como? Ele não falava chinês. É aí que ele se lembrou de São Paulo, na 1ª Carta aos Coríntios, capítulo 13, onde se lê que o amor cristão, ou seja, o amor ágape, está acima de tudo. Ele praticou esses ensinamentos bíblicos em sua vida cotidiana, junto aos chineses, não por palavras, mas sim pelo testemunho de sua própria vida. Foi por meio do sorriso, da acolhida, da preocupação com os pobres, os doentes e da paciência. Sabia que a obra missionária era de Deus e que ele era um simples operário da messe, como bem escreveu: “O êxito da missão é fruto da graça, tornado possível pela entrega incondicional e dedicação generosa do missionário”. Foi com a convicção na ação de Deus em sua presença missionária entre o povo chinês que ele foi conquistando, pouco a pouco, o povo daquele país. Isso durou anos. São José Freinademetz é, para nós, um exemplo de como um missionário deve se portar num lugar onde se faz necessária a primeira evangelização. Apesar de ele ter vivido a missão no século XIX, seu testemunho é sempre atual: o cuidado com os mais necessitados, a sensibilidade para perceber as demandas do outro, a aproximação com o povo, seu testemunho de fé mediante uma vida de oração como ele mesmo expressa: “Enquanto o permitirem minhas forças e meu limitado entendimento, todos vocês encontrarão em mim uma ajuda sempre pronta e um acolhimento cordial”. Semear Ontem e hoje, além do testemunho, o missionário é chamado a anunciar a pessoa de Jesus Cristo. Assim se expressou Freinademetz: “Ao missionário compete dar testemunho de Jesus Cristo e semear a boa semente do Evangelho, deixando ao Senhor o cuidado de que essa semente dê fruto a seu tempo”. Também o Documento de Aparecida (29) chama atenção sobre a importância do anúncio: “Deus amou tanto nosso mundo que nos deu seu Filho. Ele anuncia a boa-nova do Reino aos pobres e aos pecadores. Por isso, nós, como discípulos e missionários de Jesus, queremos e devemos proclamar o Evangelho, que é o próprio Cristo. Anunciamos a nossos povos que Deus nos ama, que sua existência não é uma ameaça para o homem, que Ele está perto com o poder salvador e libertador de seu Reino, que Ele nos acompanha na tribulação, que alenta incessantemente nossa esperança em meio a todas as provas. Os cristãos são portadores de boas-novas para a humanidade, não profetas de desventuras”. Em sua mensagem para o Mês da Missão de 2021, o Papa Francisco nos recorda que Jesus Cristo é missão, por isso o missionário, a missionária têm o dever de comunicar o conhecimento da Palavra que recebeu gratuitamente, como nos lembra no lema do Mês Missionário: “Não podemos deixar de falar sobre o que vimos e ouvimos” (Atos dos Apóstolos 4,20). O seguimento de Jesus exige do missionário o discernimento da realidade em que ele se encontra. Aí se faz necessária a vivência do Evangelho, que se expressa nos gestos e palavras que unem a todos na fraternidade. A união somente é possível quando Jesus é o centro, pois Ele nos comunica o amor do Pai, como nos recorda o Papa Francisco: “Quando experimentamos a força do amor de Deus, quando reconhecemos a sua presença de Pai na nossa vida pessoal e comunitária, não podemos deixar de anunciar e partilhar o que vimos e ouvimos”. São José Freinademetz, na missão de proclamar o Reino de Deus que é amor, compaixão, perdão e misericórdia, fez-se chinês com os chineses, sem deixar de ser tirolês. A partir de dentro, da proximidade com os chineses, proclamou com alegria o amor de Deus que “foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado” (Romanos 5,5), amou aquele povo, sentiu-se um chinês entre os chineses e percebeu que a pátria do missionário é o mundo: “Se um missionário já não tem pátria neste mundo, é porque todo o mundo se tornou sua pátria”. Seu testemunho e seu amor ao povo chinês foram tão grandes que, no fim da vida, disse: “Os chineses são tudo para mim. Quero ser sepultado no meio deles… e continuar a ser chinês no Céu”. Padre Djalma Antônio da Silva, SVDMissionário do Verbo Divino na Província Brasil Norte (BRN), doutor e mestre em Ciências Sociais. Diretor do CCM (Centro Cultural Missionário), órgão vinculado à CNBB, em Brasília-DF.
Testemunho de um missionário verbita que se evangelizou com sua missão

São José Freinademetz nasceu na Itália, nas Montanhas das Dolomitas, no Tirol. A formação de suas raízes religiosas primariamente foi feita pelas devoções de sua família. Diariamente, rezavam o rosário nas intenções missionárias. Mais tarde, sentindo a vocação ao chamado sacerdotal, fez os estudos de Teologia no seminário de Bressanone. Depois de um tempo, sentiu que sua vocação era ser missionário e conheceu a Congregação do Verbo Divino. Foi para Steyl, Holanda, onde Santo Arnaldo Janssen estava fundando a Congregação. O primeiro passo foi dado enquanto José Freinademetz superava os obstáculos dos idiomas. Ele era ladino, com sua própria língua, foi estudar Teologia em Alemão e, em sua região, também se fala italiano. O missionário foi enviado para a China por sua Congregação do Verbo Divino. Ele sempre foi pessoa simples e humilde, verdadeiro homem de Deus. Sabia que era para sempre e que não voltaria para suas montanhas. Ele levava no coração o envio para evangelizar outros povos. Chegando à China, teve problemas em aprender outra língua e cultura, além de enfrentar um mundo hostil a uma evangelização colonialista daquele tempo. Até na própria comunidade, nem sempre foi fácil a convivência. Mas o missionário, dotado de uma fé profunda e com uma vontade férrea em propagar a Palavra de Deus, foi superando as muitas dificuldades. Naquele ambiente, o padre José foi descobrindo que o Espírito Santo atua por meio das pessoas e culturas para as quais havia sido enviado, passando por sua própria conversão primordialmente. Santuário Quando voltei de minha missão no Paraguai para trabalhar na Itália, foi-me proposta a construção do Santuário, com uma igreja, museu e hospedagem para grupos de retiro. No primeiro momento, achei que era uma grande pretensão poder contribuir para essa obra no lugar onde o santo tinha marcado a vida de muitas pessoas. Com o tempo, aceitei o desafio, porque senti que era um processo pelo qual eu poderia me identificar com os valores aprendidos na missão e que enriqueceriam os peregrinos que passavam por Oies, na busca de um lugar tranquilo onde poderiam rezar e meditar a vida missionária com o exemplo de São José Freinademetz. Um ambiente sossegado, onde as pessoas vão ao encontro com elas mesmas e se abrem à escuta de Deus. Gostei dessa motivação que estimulou minha caminhada como verbita missionário, podendo incluir um testemunho que é muito animador e inspirador na obra de Deus. A cada vez que vou à Itália, passo vários dias na Casa do Santo, buscando entender como ele segue acompanhando a mim e a tantos outros verbitas e peregrinos em busca de respostas valiosas, até o dia de hoje, aos desafios na missão. É uma graça que Deus me proporciona quando sinto essa aproximação e que me guia no dia a dia, no meio de um discernir o que é de Deus e o que posso abandonar. Daqui, vejo o quanto são importantes os testemunhos de vida que deixamos trilhar neste mundo e que fazem a diferença de uma vida plena, com uma espiritualidade com o pé no chão, perto do povo, percebendo a vontade de Deus em nossa vida. Agradeço essa possibilidade de comunicar, com carinho e alegria, o que me faz mais verdadeiro como missionário verbita. Irmão Paollo Delucca, SVD.
Quem foi São José Freinademetz?

Um homem corajoso! Simples assim. O italiano José Freinademetz, nascido em 15 de abril de 1852, tinha uma fé simples e muita vontade de ajudar os outros. Após estudar teologia no Seminário Diocesano de Bressanone (Brixen), foi ordenado sacerdote e depois de dois anos conseguiu finalmente viajar para realizar seu sonho. Ele foi o primeiro missionário da Congregação do Verbo Divino, primeira congregação fundada pelo nosso fundador, Santo Arnaldo Janssen, a viajar para a China. Seu destino foi Hong Kong e, em seguida, para a primeira missão católica em Shantung do Sul, uma província com 12 milhões de habitantes e somente 158 cristãos. Nesta missão, ele foi marcado por diversas pedras em seu caminho: a dificuldade para se adaptar à nova cultura, assaltos, viagens longas e a complicação na formação das comunidades. Mas ele não desistiu. Pelo contrário, virou o jogo. Ele investiu na formação de leigos que o ajudaram com todo o trabalho missionário. “Finalmente, estou no meio de um povo totalmente pagão. Está realizado o sonho da minha juventude”. Cada dia seu desejo de aumentar os fiéis era maior, então ele dedicou grande esforço à preparação, animação espiritual, formação de sacerdotes e missionários. Também desenvolveu um manual para a catequese em chinês. Padre José era tão entusiasmado com tudo que fazia, que recebeu o apelido de Fu Shen Fu, que significa Padre Feliz. Isso sim que é felicidade! Será que um dia a gente consegue chegar a esse nível? “Oração, trabalho e sacrifício. Quero dar-me totalmente e lutar toda a minha vida pelos meus queridos chineses” – São José Freinademetz Sua felicidade era completa. Ele aprendeu a amar o povo chinês durante os 29 anos que conviveu com eles e fez tudo o que estava ao seu alcance para ajudá-los a e também para falar das boas novas do amor de Cristo. Infelizmente, durante uma epidemia de tifo na qual ele estava à frente no atendimento e socorro às vítimas, ele acabou contraindo a doença, vindo a falecer em 28 de janeiro. Canonizado em 2003 pelo Papa João Paulo II, São José Freinademetz é festejado no dia de sua morte. Reconhecido como ‘o padre fundador da Igreja do Sul da província de Shandong’, seu sepulcro transformou-se num centro de peregrinação para os cristãos. “Os chineses são tudo para mim. Quero ser sepultado no meio deles… e continuar a ser chinês no Céu” – São José Freinademetz Podemos aprender com São José Freinademetz que nossa vida tem um propósito e que a nossa felicidade pode ser completa quando realizamos este propósito. Você já sabe qual é o seu? Quem sabe não te ajudamos a descobrir? Envie-nos uma mensagem e viva uma transformação plena dando um sentido único para a sua vida. “O pouco que fazemos não é nada comparado com o que o bom Filho de Deus faz por nós”.
Aquele rolê na China

Já viajou pra um lugar onde você não conhecia ninguém, não sabia que gosto tinha a comida e ainda nem falava a língua? A gente se sente como um peixe fora d’água não é? Essas situações são vividas por milhões de migrantes no mundo inteiro. Hoje queremos contar a história de vida de um migrante muito importante pra nós. José Freinademetz, o primeiro missionário do Verbo Divino, Congregação que também foi fundada pelo nosso fundador. Nascido em abril de 1852, no Norte de Itália, era de uma família simples e com uma grande fé católica. Estudou Teologia no Seminário Diocesano de Bressanone (Brixen) e foi neste momento de sua vida que nasceu a paixão pela missão. Em 1978 foi para China em Shantung do Sul, uma província com 12 milhões de habitantes e somente 158 cristãos. Foram dois anos marcados por duras e longas viagens, assaltos e dificuldades na formação das pequenas comunidades cristãs. Mas apesar de todo o sofrimento, José Freinademetz sempre se manteve dedicado à preparação, animação espiritual e formação de sacerdotes chineses e de outros missionários. Seu amor pela China era tão grande, que ele quase queria se transformar num chinês, numa carta para sua família ele disse: “Eu amo a China e os chineses; eu quero morrer e ser sepultado entre eles. E no céu eu quero ser um chinês”. Faleceu em janeiro de 1908 e o seu sepulcro se transformou num centro de peregrinação para os cristãos. Antes de ir, ele deixou uma lição muito bonita, a de que o amor é um exercício diário, é deve ser feito mesmo nas pequenas atitudes. Pois, foi com o estímulo do amor, que ele conseguiu conviver num país estranho e superar todos os momentos difíceis. Se você é migrante e se sente sozinho, venha visitar o nosso Centro de Integração do Migrante, estamos te esperando de braços abertos.
Janeiro é o mês dos nossos santos. Você sabe por quê?

Neste mês celebramos Santo Arnaldo, fundador da nossa congregação e São José Freinademetz, o primeiro missionário verbita na China. Saiba aqui um pouco mais sobre eles: Santo Arnaldo Janssen Santo Arnaldo nasceu em Goch, na Alemanha, em 5 de novembro de 1837. Criado numa família profundamente religiosa, ingressou no Seminário Diocesano de Münster e, em 15 de agosto de 1861, foi ordenado padre. Durantes 12 anos, dedicou-se à docência (ciências e matemática) e, em 1875, deixou o cargo para se dedicar integralmente à promoção do Apostolado da Oração. Durante esse tempo, viajou por toda a Alemanha e dirigiu a revista missionária Pequeno Mensageiro do Coração de Jesus. Foi o momento em que se intensificou uma campanha para a fundação de uma casa missionária, com o intuito de enviar missionários de língua alemã aos países onde o Evangelho ainda não era suficientemente conhecido. Com a ajuda de alguns bispos, Santo Arnaldo inaugurou no dia 8 de Setembro de 1875 em Styel (Holanda) a sua tão desejada casa missionária, fundando a Congregação do Verbo Divino. Praticamente desde o começo, um grupo de mulheres se pôs ao serviço da comunidade. Estas mulheres desejavam servir a missão como religiosas. O fiel e dedicado serviço que elas ofereciam livremente e o reconhecimento da importância do papel que a mulher poderia desempenhar na missão, levaram Arnaldo a fundar, no dia 8 de Dezembro de 1889, a Congregação Missionária das Servas do Espírito Santo (SSpS). Em 8 de dezembro de 1896, fundou um ramo contemplativo, a Congregação das Irmãs Servas do Espírito Santo da Adoração Perpétua (SSpSAP), que se dedicaria a orar pela atividade missionária das outras duas congregações. Santo Arnaldo dedicou sua vida à missão e faleceu em 15 de janeiro de 1909. Foi beatificado pelo Papa Paulo VI em 19 de outubro de 1975 e canonizado pelo Papa João Paulo II em 5 de outubro de 2003. São José Freinademetz Nascido em 4 de abril de 1852, em Oies Badia, no Tirol do Sul, São José Freinademetz era filho de uma família de agricultores. Foi ordenado padre no dia 25 de julho de 1875 e, três anos depois, ingressou na casa missionária fundada por Santo Arnaldo Janssen, de onde foi enviado para a China no ano seguinte. A comunidade cristã na China contava com menos de 200 fiéis numa população total de 9 milhões de habitantes. A evangelização foi, inicialmente, feita por meio de visitas às vilas e contato com as famílias. José chegou cheio de preconceitos contra a cultura local e, depois de alguns anos, passou a amá-la tão profundamente a ponto de afirmar: “Amo a China e os chineses. No céu, quero continuar sendo chinês”. Depois de se tornar um oriental entre os orientais, o santo ganhou do povo o carinho e o apelido de Fu-Schenfu (Padre Feliz). Com muito esforço, São José Freinademetz conseguiu construir a igreja, o seminário, o orfanato, a tipografia e a escola. Em 1898, padre José adoeceu e viajou para Nagasaki, no Japão, onde se tratou de uma tuberculose. Dois anos mais tarde, quando a China viveu a Rebelião dos Boxers, que perseguia os cristãos e a cultura ocidental, padre José permaneceu firme ao lado do povo, rezando e sofrendo com eles. A China sofreu uma epidemia de tifo, declarada oficialmente em 1905. Ao socorrer as vítimas, também contraiu a doença. Morreu em Taikia, em 28 de janeiro de 1908. Nesse tempo, a diocese já contava com 40 mil adultos convertidos e 150 mil crianças batizadas. Santo Arnaldo e São José Freinademetz foram canonizados juntos no dia 05 de outubro de 2003 pelo Papa D. Paulo II.