SSpS recebem Moção de Aplausos por Projeto “Escola da Inteligência”

As missionárias servas do Espírito Santo (SSpS) receberam, no último dia 25 de maio, a Moção de Aplausos da Câmara Municipal de Porto União-SC. O reconhecimento foi motivado pela implantação do Projeto “Escola da Inteligência” no Colégio Santos Anjos. A moção foi uma indicação do vereador Vanderlei Werle, em exercício no Poder Legislativo até abril deste ano. O presidente da Casa, o vereador Neilor Grabovski, entregou o certificado à irmã Ilária Matte, diretora da escola. “Esta Moção significou uma benção, uma alegria enorme por sermos reconhecidas por nossos trabalhos e missão ao longo dos 106 anos, na pessoa da Ir. Ilária Matte, atual diretora. Como rezam as nossas Constituições de 1891, ‘a alegria de uma irmã seja a alegria de todas, e regozijem-se as irmãs se podem proporcionar alegria a uma outra irmã’”, afirma a vice-diretora, Ir. Gerci Lopes dos Santos. “A Congregação se orgulha de Ir. Ilária pelos serviços prestados, pela dedicação e empenho em levar a educação em frente, com tanto brilho e competência, prezando pelos valores humanos, cristãos, tecnológicos e científicos, contribuindo para que estes jovens se tornem cidadãos honrados, respeitados, missionários e capazes de transformar o mundo”, disse a Ir. Ilca Maria Hendges, superiora provincial do Sul. Além das SSpS, participaram da cerimônia pais de alunos; a secretária municipal de Educação, Aldair Wengerkiewicz Muncinelli; o bispo da Diocese de Caçador, Dom Cleocir Bonetti; e o pároco da Paróquia Nossa Senhora das Vitórias, Pe. Valmor José de Deus. “A vida é feita de surpresas e, dentro delas, os reconhecimentos e gestos, atitudes de gratidão e de reconhecimento. Esta Menção de Aplausos para a Ir. Ilária foi merecida, justa. Para mim, este momento foi uma experiência forte, sinodal, de um caminhar juntos, pois se encontravam ali o Poder Público e a vida religiosa. As sementes lançadas com dedicação, amor, um dia, a seu tempo, florescerão e os frutos virão”, declarou Ir. Ilca. Sobre o Programa Escola da Inteligência O Programa Escola da Inteligência tem como fundamento a “teoria da inteligência multifocal”, de autoria do psiquiatra e pesquisador Augusto Cury, com o apoio de outras teorias, como a das “inteligências múltiplas”, de Howard Gardner, e a “sociointeracionista”, de Lev Vygotsky. Fundada em 2010, busca desenvolver as habilidades emocionais e de consciência social de jovens estudantes, com o auxílio de materiais audiovisuais, impressos e digitais, bem como a formação de professores e apoio para as famílias. A iniciativa está alinhada às mais atuais descobertas nas áreas de desenvolvimento aprendizagem e da educação socioemocional, tais com as dos campos da neurociência e da neuroeducação. A Ir. Gerci conta que o Programa Escola da Inteligência, realizado no Colégio Santos Anjos desde 2022, requer um espaço adequado para sua viabilização. “Cada turma desenvolve um subtema, como o 6º ano, que trabalha mentes brilhantes e emoções saudáveis; o 7º, ‘Os códigos da inteligência’; o 8º ano, ‘O eu no comando da mente’; e o 9º, ‘O ser humano sem fronteira’, ou seja, a formação de líderes”, explica Ir. Gerci. Rosa M. MartinsMestra em Jornalismo, Imagem e Entretenimento pela Fundação Cásper Líbero, licenciada em Filosofia pela Universidade Salesiana de Lorena (Unisal), bacharela em Teologia pela Pontifícia Universidade São Boaventura de Roma. É missionária scalabriniana e vive em Santo André-SP. Indicada ao Prêmio Tarso Genro de Jornalismo em 2020, foi vencedora do Prêmio Papa Francisco, categoria mestrado, do Prêmio CNBB de Comunicação com a dissertação “Menores estrangeiros não acompanhados: uma análise da representação no fotojornalismo italiano”, em 2021. ______________________________
Terciato 2023 leva membros da Família Arnaldina aos lugares de origem

As missionárias servas do Espírito Santo (SSpS) e os missionários do Verbo Divino (SVD) participam, em Nemi (arredores de Roma, Itália) e Steyl (Holanda), do Curso de Terciato 2023. O evento tem como objetivo favorecer aos participantes um tempo especial para aprofundamento da vida religiosa missionária, experienciar a riqueza da vida comunitária intercultural e ajudar a criar abertura para os desafios no processo de transformação e renovação. O curso tem como cenário os lugares importantes na origem da família espiritual fundada por Santo Arnaldo Janssen. A proposta é favorecer às missionárias e aos missionários a conexão com suas raízes. Para irmã Zoleide Adriana Renosto, SSpS, o Curso de Terciato está sendo um momento enriquecedor, de graça, bênçãos e renovação, por ser um tempo de estudo e oportunidades. “O que estudamos em livros e que as irmãs nos contaram, hoje, estou aqui, vivendo interiormente essa graça de estar onde teve início nossa Congregação, por meio do sonho de Santo Arnaldo Janssen e das Bem-aventuradas Maria e Josefa. Momento único, especial.” Irmã Zoleide se diz agradecida à direção provincial Brasil-Sul por poder fazer a experiência, junto à Família Arnaldina, nos locais de origem dos fundadores, onde toda a história das congregações teve início. “É uma experiência muito boa de convivência, como família, numa caminhada de fé, renovação espiritual, humana, da missão. É um momento de muita emoção interior, de muita fé. Estar em Oies, onde nasceu São José Freinademetz, foi um momento muito marcante para mim. Toda a cidade fala de São José, tudo é dedicado a ele, é um grande missionário. A experiência me alimentou para buscar nele inspiração para ser uma boa serva do Espírito Santo na missão que Deus me confia”, declara. Para a Ir. Nely, é uma possibilidade de conivência muito intensa e tensa entre irmãos e irmãs, com base na mesma espiritualidade e carisma e, ao mesmo tempo, de muitas culturas diferentes. “Foi quase que um laboratório que, às vezes, evidenciou nossas próprias limitações e nos mostrou lugares que nos convidam a crescer e compreensões que convocam a alargar nossas possibilidades de convivência e nossa compreensão de missão”, relata. O curso, diz Ir. Nely, “foi uma oportunidade de aprofundar os lugares onde nossas congregações começaram e ver a compreensão da geração fundadora, irmãos e irmãs, com o elã que se lançaram e com uma meta absolutamente definida, que é preparar uma vida missionária e enviar pessoas em missão. Encanta-me muito a certeza com a qual eles fizeram isso, o que será uma inspiração para novas iniciativas na minha vida religiosa”. “Este foi o melhor presente que pude ganhar nos meus 25 anos de vida consagrada. Eu me sinto tão feliz que não tenho palavras para agradecer”, confessa Ir. Maria Aparecida Ricardo Ribeiro. “O Terciário oferece momentos fortes de vida comunitária e oportunidades de partilhas em grupo das alegrias e dificuldades encontradas na missão”, completa. Também, segundo ela, é um tempo para aprofundamento teórico, bíblico, dos documentos da Igreja, missionário, da história da Congregação e da vida dos fundadores. “Pude pisar onde pisaram os fundadores, um lugar abençoado. Estamos terminando o lindo retiro personalizado, e estou fazendo uma experiência maravilhosa.” Para a Ir. Juliana de Andrade, a convivência entre as congregações, a partilha da missão, o orar juntos, retomar o carisma desde suas origens são experiências que fortalecem e enriquecem a missão. “Abre o desejo e a possibilidade de maior cooperação em nossos trabalhos e na busca de respostas aos desafios atuais”, explica. “O Terciário” – explica Ir. Juliana – “significou um aprofundamento de nossas raízes, de minha identidade como SSpS, assim como abriu novos horizontes, me dando um novo gás para o dia a dia da missão. Só tenho a agradecer à Província e à Congregação por tão bela oportunidade.” Perfil dos participantes Participam do Terciato conjunto 33 pessoas de 17 nacionalidades, entre missionários do Verbo Divino e missionárias Servas do Espírito Santo. Têm a faixa etária entre 42 e 64 anos, com o mínimo de dez anos de votos perpétuos. Missionárias Servas do Espírito Santo A Congregação das Missionárias Servas do Espírito Santo foi fundada, em 8 de dezembro de 1889, por Santo Arnaldo Janssen e com a indispensável colaboração das Bem-aventuradas Maria Helena Stollenwerk (Madre Maria) e Hendrina Stenmanns (Madre Josefa), e outras jovens aspirantes. A missão no Brasil iniciou-se em Juiz de Fora-MG, em 20 de agosto de 1902. Hoje elas marcam presença missionária em 11 Estados. Rosa M. MartinsMestra em Jornalismo, Imagem e Entretenimento pela Fundação Cásper Líbero, licenciada em Filosofia pela Universidade Salesiana de Lorena (Unisal), bacharela em Teologia pela Pontifícia Universidade São Boaventura de Roma. É missionária scalabriniana e vive em Santo André-SP. Indicada ao Prêmio Tarso Genro de Jornalismo em 2020, foi vencedora do Prêmio Papa Francisco, categoria mestrado, do Prêmio CNBB de Comunicação com a dissertação “Menores estrangeiros não acompanhados: uma análise da representação no fotojornalismo italiano”, em 2021.
Formação permanente: servas do Espírito Santo discutem as práticas de justiça e paz

“Desenvolvimento e prática da justiça e paz e integridade da Criação” foi o tema da formação permanente das missionárias servas do Espírito Santo, realizada, no formato on-line, no dia 18 de março. O tema é uma proposição do Governo-Geral para que as práticas de justiça e paz, legado dos fundadores, permaneçam como premissa para a missão. Como rezam as normas constitucionais da Congregação,a promoção da justiça, paz, integridade da Criação (Jupic) e defesa da vida humana é parte integrante do chamado religioso-missionário. O evento reuniu cerca de 150 irmãs representantes das missões nos Estados Unidos, Colômbia, Equador, México, Cuba, Paraguai, Chile, Bolívia, Argentina e Brasil. A assessoria foi das irmãs Petronella Maria Boonen e Maria Inês Aragão. Com base nos capítulos-gerais, Ir. Maria Inês aprofundou as práticas de justiça e paz na instituição. A expressão “justiça e paz” apareceu, pela primeira vez, em 1990, no 8º Capítulo-Geral, como desafio de servir à libertação integral da pessoa humana. “A missão justiça e paz, e integridade da Criação é vivida desde a fundação, pois os fundadores sempre tiveram um olhar para as populações mais pobres, o que vale dizer, faz parte do nosso carisma”, acrescenta. Ainda segundo Ir. Maria Inês, nos documentos capitulares, a justiça não se refere a uma justiça corretiva, vingativa, mas a uma justiça evangélica. “Ou seja, construção de comunidades e sociedade de justiça evangélica, reconciliação e cura, onde não haja lugar para qualquer violência pessoal e social, e exista a promoção da integridade da Criação, favorecendo a passagem do consumismo ao uso consciente de recursos, da exploração à ecorresponsabilidade, de uma consciência passiva a um envolvimento ativo nas mudanças sistêmicas.” As práticas de justiça e paz no dia a dia das servas do Espírito Santo Durante o encontro, algumas irmãs puderam testemunhar como se dão, no concreto, as práticas de justiça e paz e integridade da Criação. Irmã Mariel Clapassón, educadora da Escola de Diamante, na Argentina, falou sobre o Projeto Cuidado da Casa Comum, por meio do qual alunos e professores semearam árvores autóctones da zona costeira e limparam espaços públicos, como praças, ruas e a orla do rio Paraná. Quando prontas para o transplante, os alunos do ensino secundário plantaram as árvores nesses espaços, em acordo com a Câmara Municipal da Cidade de Diamante e com a ajuda e orientação dos Parques Nacionais. “A fitoterapia nos permite usufruir respeitosamente as plantas, tirando delas as essências que beneficiam o ser humano, sem danificar a própria natureza. Isso resulta em bem-estar para mim mesma, pois a natureza é minha sobrevivência”, explicou Ir. Maria Aparecida Ricardo Ribeira, de Três Passos, Rio Grande do Sul, que atua nessa área, no Brasil. Irmã Carolina Gonzalez, que trabalha junto às comunidades indígenas no México, afirma que, dentro da pastoral indígena, promove a Jupic, acompanhando os processos de defesa e fortalecimento da identidade cultural dos povos originários Zapotecas, Mixtecas e Chatinos. “Fazemos isso por meio da revitalização de sua língua materna, que se opõe à cultura homogênea, bem como tornando visível sua luta por sua terra e território, a partir da Remam” (Rede Ecológica Eclesial da Mesoamérica). “Trabalhamos com reflorestamento, enriquecimento de bosques com árvores frutíferas, cuidando da cobertura vegetal, cultivo associado de três plantas, em três tempos, no mesmo terreno. Essas plantas crescem e convivem juntas, uma dando força à outra (mandioca, milho e amendoim ou abóbora). Reforçamos, valorizamos e resgatamos o estilo de vida, de trabalhar e plantar dos povos que, muitas vezes, é depreciado”, contou a Ir. Angela Balbuena, que trabalha no projeto de produção agroecológica com as comunidades indígenas Ava Guarani, Mwya Guarani e Paî Tavy Terá (Kaiowá), no Paraguai. Vivat: presença religiosa nas Nações Unidas pela justiça e pela paz Ao ser questionada sobre a origem da Vivat, uma organização que traz em seu bojo a luta pela justiça e pela paz, Ir. Petronella Maria Boonen explicou que é uma fundação das congregações das Missionárias Servas do Espírito Santo e Missionários do Verbo Divino. “A proposta da Vivat é ser presença, diante das Nações Unidas, da vida religiosa, para levar as vozes dos povos e comunidades vulneráveis, seus problemas e preocupações com o cuidado da Casa Comum, a superação da desigualdade e a violação dos direitos humanos. Isso demanda um profetismo inspirado no Evangelho, que escuta e responde aos gritos dos pobres e da terra.” Ainda conforme Ir. Petronella, é preciso fomentar nos membros da Vivat a ação local em rede, conjugada com uma incidência global. “Articular a defesa de direitos humanos com instituições internacionais e pressionar governos locais significa trabalhar em um campo de missão que demanda investir na formação inicial e continuada.” Rosa M. MartinsMestra em Jornalismo, Imagem e Entretenimento pela Fundação Cásper Líbero, licenciada em Filosofia pela Universidade Salesiana de Lorena (Unisal), bacharela em Teologia pela Pontifícia Universidade São Boaventura de Roma. É missionária scalabriniana e vive em Santo André-SP. Indicada ao Prêmio Tarso Genro de Jornalismo em 2020, foi vencedora do Prêmio Papa Francisco, categoria mestrado, do Prêmio CNBB de Comunicação com a dissertação “Menores estrangeiros não acompanhados: uma análise da representação no fotojornalismo italiano”, em 2021.
Missionárias servas do Espírito Santo falam sobre os dez anos do pontificado do Papa Francisco

“Conduzido pelo Espírito Santo, Papa Francisco é um profeta, capaz de chorar por seu povo e também de falar com firmeza quando necessário. Sua coragem e sua autenticidade são virtudes que os cristãos e o mundo apreciam”, afirma a irmã Adriana da Silva, SSpS. Por ocasião dos dez anos do pontificado do Papa Francisco, celebrados em 13 de março de 2023, as irmãs missionárias servas do Espírito Santo (SSpS) manifestaram suas impressões sobre a missão de Francisco como líder da Igreja Católica. “Desde que assumiu seu pontificado, embora num contexto desafiador, mostrou ao mundo a importância da solidariedade, da esperança e do amor, por meio de documentos, cartas, discursos, catequeses e homilias”, acrescenta Ir. Adriana. De acordo com a conselheira-geral, a indiana Ir. Tressa Sebastian Nayathuda, Francisco tem marcado seu pontificado pelas virtudes da humildade, da simplicidade e da abertura. “Esses valores se tornaram visíveis quando lavou e beijou os pés de 12 pessoas, tanto mulheres como homens, na prisão, pouco depois da sua eleição como Papa”, afirmou. Irmã Hermelinda Ruschel ressalta, ainda, a grande capacidade de Francisco de se comover com o sofrimento humano causado pela guerra, pela pobreza. Ela também destaca a preocupação dele com o cuidado da natureza e enfatiza seu esforço em favorecer que as mulheres ocupem seu espaço na Igreja. “Aprecio muito a sua iniciativa de fazer ouvir a voz das mulheres na Igreja e seus esforços para realçar as contribuições delas”, declara. Para a irmã Maria Inês Aragão, o caminho da sinodalidade proposto pelo Papa Francisco é um convite a responder, de forma mais adequada, aos desafios de uma época turbulenta e conflitiva: “Como bom pastor, orienta-nos dia a dia, com lucidez”. Nascida na Indonésia, missionária no Brasil há mais de dez anos, a Ir. Theodora Illi sublinha: “Desde o início de seu pontificado, o Papa Francisco tem se mostrado sempre ao lado dos pobres e marginalizados, cheio de ternura para com os que sofrem”. Acrescenta que “embora respeite os dogmas e as doutrinas, é pela vivência do amor que ele tem chegado ao coração do povo”. “O Francisco da misericórdia e da compaixão, acolhedor e atento aos sofrimentos da pessoa. Como pastor zeloso, ensina e orienta o povo de Deus de como vier a sua fé, no concreto da vida”, diz a Ir. Hermelinda Ruschel, de Ponta Grossa-PR. Papa Francisco carrega, em seu nome, o amor pelos pobres e pela criação de Deus, segundo Ir. Juliana de Andrade. “Apesar de estar longe fisicamente, ele se faz tão próximo de nós e nos convida a sermos Igreja em saída que toca o seu povo com misericórdia.” Assista, a seguir, ao depoimento de Ir. Juliana. Dez anos de pontificado Em 2023, a Igreja Católica celebra os dez anos do pontificado do Papa Francisco, o 266º Sumo Pontífice da maior instituição de caridade do mundo, somando 1,2 bilhão de fiéis. Natural de Buenos Aires (Argentina) e eleito Papa em 13 de março de 2013, Jorge Mario Bergoglio é o primeiro Papa não europeu em mais de 1.200 anos. O Papa, ao recordar sua eleição, sempre fala, com reconhecimento e admiração, sobre o amigo brasileiro, Dom Cláudio Hummes, OFM como a inspiração primeira para o nome Francisco. “Na eleição, eu tinha ao meu lado o arcebispo emérito de São Paulo, um grande amigo. Quando a coisa começou a ficar um pouco perigosa, ele começou a me tranquilizar. E, quando os votos chegaram a dois terços, aconteceu o aplauso esperado, pois, afinal, havia sido eleito o Papa. Ele me abraçou, me beijou e disse: ‘Não se esqueça dos pobres’. Aquilo entrou na minha cabeça. Imediatamente lembrei-me de São Francisco de Assis.” É o primeiro Papa que ousa tomar para si o nome de Francisco de Assis. Assumindo sua identidade espiritual, eclesial, teológica e pastoral, torna-se reconhecido por suas encíclicas que convocam o mundo à fraternidade universal e ao cuidado da Casa Comum, e por desafiar a Igreja à saída de si para uma evangelização ampla, fundada na simplicidade, na pobreza na misericórdia. Rosa M. MartinsMestra em Jornalismo, Imagem e Entretenimento pela Fundação Cásper Líbero, licenciada em Filosofia pela Universidade Salesiana de Lorena (Unisal), bacharela em Teologia pela Pontifícia Universidade São Boaventura de Roma. É missionária scalabriniana e vive em Santo André-SP. Indicada ao Prêmio Tarso Genro de Jornalismo em 2020, foi vencedora do Prêmio Papa Francisco, categoria mestrado, do Prêmio CNBB de Comunicação com a dissertação “Menores estrangeiros não acompanhados: uma análise da representação no fotojornalismo italiano”, em 2021.
“O governo não pode ter medo de enfrentar os monstros da Amazônia”

A expressão é da irmã Madalena Hoffmann, missionária serva do Espírito Santo (SSpS) e membro do Cimi (Conselho Indigenista Missionário) do Município de Alto Alegre, Roraima. Presente na Assembleia do Regional Norte 1 do Cimi, realizada de 11 a 14 de fevereiro, Ir. Madalena, que atua também na Pastoral Paroquial, com foco na pastoral indigenista, afirmou que terra, território e água serão o foco principal das atividades do Cimi, no Regional. Entre outras prioridades igualmente importantes, está a atuação, em rede, na região do rio Abacaxis, para garantir direitos; o apoio ao povo Yanomami em suas terras invadidas pelos garimpeiros e demais áreas; e as ações de proteção aos povos indígenas livres. O Cimi se propõe também a avançar na articulação e incidência política, e a fortalecer a aliança com outras entidades (entre elas, a Comissão Pastoral da Terra, universidades, Sares, Repam) que atuam no campo da luta contra a mineração e grandes empreendimentos em terras indígenas (BR-319, Bacia Sedimentar do Solimões)e promover estratégias de diálogo com o governo atual. Irmã Madalena falou ainda sobre a atuação do governo atual na proteção e cuidado dos Yanomami e sobre os desafios que os indígenas enfrentam para viver no mundo urbano. Veja a íntegra da entrevista. A Assembleia teve como tema “Cimi: 50 anos de existência, reafirmando a caminhada na mística, memória, resistência e esperança” e, como lema, “E diga ao povo que avance! Avançaremos!”. Por que esse tema e esse lema? O que eles querem dizer nas entrelinhas para a Igreja, a sociedade e os povos originários? Irmã Madalena: Diante de uma realidade vivida no País, onde era negado aos povos a vivência e o cultivo de seus costumes, crenças, saberes e tradições, pode-se dizer, com certeza e esperança, que o nascimento e a organização do Conselho Indigenista Missionário (Cimi) foi o acontecimento por excelência, tanto na vida eclesial quanto na vida dos próprios povos originários. Aqui na Amazônia, se ainda existe preservação da natureza, floresta em pé, é inegável que isso se dá graças à luta, resistência, teimosia e valentia dos povos originários e de tantos missionários e tantas missionárias que, ao longo desses 50 anos, dedicaram-se incansavelmente a essa grande missão de estar junto a esses guerreiros e guerreiras, somando forças, enfrentando perigos. Muitos, até com seu próprio sangue, testemunharam essa paixão pela causa indígena, que é de todos nós. Portanto, voltar atrás, jamais! Avançar, sempre! Diga ao povo que avance! Avançaremos! Como a senhora avalia a atuação do atual governo ante a tragédia que se instaurou no mundo Yanomami? Irmã Madalena: É como um oásis no deserto! Um ressurgir da vida e da esperança no meio de tanto descaso praticado pelo governo anterior. Onde podemos dizer e repetir com toda a certeza: nunca mais um Brasil sem os povos originários! No momento, o governo foca no cuidado com os povos originários onde a vida está mais ameaçada, o que parece justo. Mas a Amazônia, como um todo, clama por atenção. O grande desafio do atual governo, em relação à Amazônia, é não ter medo de enfrentar os monstros que sempre sugaram as riquezas naturais às custas de tantas vidas machucadas, marginalizadas, ameaçadas e pisoteadas por esse sistema que gera morte, em nome de um falso progresso e desenvolvimento. Sabemos que não será uma tarefa simples e vai exigir do governo um pulso firme e destemido. E vai precisar, mais do que nunca, de uma sociedade civil organizada e forte, através dos movimentos sociais, igrejas e tantas outras instituições promotoras do bem viver. Os povos indígenas livres precisam de proteção, e essa é uma das prioridades abraçadas pelo Cimi na Assembleia do Regional Norte 1, que acabou de acontecer. Na prática, quais são as reais ameaças à vida dos povos indígenas livres? Irmã Madalena: Os povos livres sofrem constantemente o assédio de pessoas; e pasme, muitas vezes, pessoas religiosas das igrejas pentecostais. Recordemos que, durante o desgoverno passado, inúmeras vezes, pastores, “gente do bem e de Deus…”, em nome de uma fé esvaziada, entravam nos espaços dos povos, os quais eles chamavam de isolados, cuja alma tentavam salvar. Também a Igreja Católica teve atitude semelhante durante a primeira colonização. Mas, por trás dessa “boa” intenção, vieram também grandes interesses pelas riquezas naturais das florestas. Com isso, entram as doenças, os vícios dos brancos, o aliciamento de pessoas. Isso continua muito forte nos dias de hoje. O Cimi tem o projeto de trabalhar essas questões nos lugares onde já houve ou está havendo esses estragos, para que, justamente, possam existir mecanismos de proteção e denúncia dessas situações. Poderia falar sobre os principais desafios que os indígenas que vivem em contexto urbano, como os Yawaripë/Yanomami, enfrentam? Que tipo de acompanhamento seria eficaz? Irmã Madalena: Em relação aos povos da cidade, falando da situação concreta de Boa Vista, com a invasão dos garimpeiros, muitos foram aliciados através de “migalhas” a irem para a cidade. Ao chegar, sofrem as piores e atrozes consequências. Por exemplo, não têm onde ficar, ficam muito doentes, são atropelados e mortos pelas ruas de Boa Vista, são tidos como indigentes e assim são sepultados. Os filhos de quem morre se negam a voltar para o território, pois dizem “A mãe morreu aqui, e aqui eu quero morrer também”. Já existe uma equipe em Boa Vista acompanhando essas situações. É uma realidade também do Amazonas. Por isso, foi acrescentada como uma forte prioridade essa questão. Há algum desafio em ser mulher, missionária nessa luta? E alegrias? Irmã Madalena: Muitos desafios, mas muito mais alegrias, mesmo em tempos sombrios que passamos, pois só o fato de saber que estamos do lado da vida, especialmente lá onde ela é mais ameaçada, já é motivo de nos alegrarmos por nos sentirmos no lado certo. O misto de desafios e alegrias na vida missionária é o que nos impulsiona a avançar sempre nessa caminhada. Poderia falar um pouco sobre a atuação da mulher e mulher consagrada no Conselho Indigenista? O que faz a diferença com a presença delas? Irmã Madalena: Na verdade,
Na corrida frenética pelo ouro, quem paga o preço são os indígenas e a natureza

Desde os anos 1970, a Terra Indígena Yanomami (TIY) é cobiçada para a exploração do ouro não obstante a demarcação realizada em 1992. Com quase 10 milhões de hectares, a reserva em Roraima, com uma população de cerca de 20 mil indígenas vive uma crise sem precedentes que traz à tona o descaso do governo federal nos períodos de 2019 a 2022, de acordo com testemunhas que há anos vivem e labutam na defesa dos direitos dos Povos e da floresta. Se em 2014 os dados de adoecimento não superavam 2 mil, em 2022, esse número teve uma alteração de 10 vezes mais. A extração de recursos minerais, – como o ouro -, dos solos ou cursos d’água em escala ilimitada, – associado a organizações criminosas -, por meio de técnicas manuais ou de maquinários como retroescavadeiras e dragas tem sido a maior causa da crise humanitária que se instalou entre os Yanomami. Estudo conduzido por pesquisadores pelos Instituto de Pesquisas Espaciais (INPE) e da Universidade do sul do Alabama, EUA, revela que quase todo o garimpo ilegal (95%), se se dá em três terras indígenas, Kayapó, Munduruku e a Yanomami, a mais afeta pela ilegalidade. Rica em depósitos de ouro, soma uma população de 26 mil Yanomami e Ye’kwana, distribuídos em 321 aldeias. Não é um cálculo difícil de se fazer para este problema matemático, social, político e ambiental. Nesse meio de campo quem tem mais recursos e forças na disputa, sai na frente. Os garimpeiros, por sua vez, contam com uma megaestrutura favorecida por poderes econômicos, elites locais e o aumento do preço do ouro no mercado internacional, e ainda teve garantido o apoio do governo anterior que durante o mandato favoreceu o transito no parlamento de um projeto de lei para regulamentar, abrir as terras indígenas ao garimpo, o que é inconstitucional. O missionário da Consolata ugandês, no Catrimani desde 2019, padre Bob Mulega, 34, enfatiza que os garimpeiros, também eles, são vítimas de um sistema de exploração dos povos e da natureza. “Os que atuam nos garimpos ilegais são os mais pobres que não tem outra opção, pois sabemos que no garimpo as condições de vida são péssimas”, conta. Como uma ferida aberta no coração da floresta, uma estrada de 10 km que adentra o território Yanomami para o desmatamento e as grandes crateras abertas que desnudam a terra na busca de fortuna, tem consequência drástica na vida, na cultura e na espiritualidade e na saúde física dos povos indígenas e, por outro lado, uma contaminação sem precedentes que devasta a natureza na sua limpidez. “Os postos de saúde ficaram desabastecidos de remédios básicos como dipirona, paracetamol, remédios para tratamento da malária. Mais de 500 crianças morreram por patologias que são curáveis. Abandono completo do posto de saúde usado como posto de combustível pelos garimpeiros”, desabafa em entrevista o padre Corrado Dalmonego, IMC, que realiza pesquisa de doutorado sobre os impactos do garimpo no território. Como uma rede de violação dos direitos humanos, o garimpo além de prejudicar a saúde por transmissão de doenças e por favorecer a negação dos devidos cuidados, impedindo a entrada de recursos, da presença dos missionários, desestrutura a vida familiar, quando se trata das questões de prostituição imposta às mulheres em troca de benesses. Quem adentra a floresta tem uma visão de ambição pelas riquezas naturais com o objetivo de obter lucro em detrimento do bem-viver da floresta e das pessoas que ali convivem em harmonia com ela. O garimpo afeta esse modo de vida. Para o padre Mulega, “a vida do povo tem piorado por causa do contato com as doenças que vêm de fora, a extração ilegal que destrói o meio ambiente, falta de assistência e atendimento adequado à saúde”. Uma séria consequência disso é a migração dos jovens indígenas para a cidade que, segundo o missionário os atrai para o mundo das drogas e outros contra valores. “Os empresários e políticos precisam ser responsabilizados pela tragédia do garimpo” Vale recordar que juntamente com os povos originários e a natureza, as pessoas que estão com a mão na massa extraindo o ouro, pobres, marginalizadas, também elas pagam e pagarão alto preço por suas ações, porque como dizem os antigos, “a corda sempre arrebenta pelo lado mais fraco”. Mas para a liderança católica, membro do Conselho Indigenista de Roraima, Gilmara Fernandes, os verdadeiros responsáveis pela tragédia do garimpo precisam ser responsabilizados e, do outro lado, o governo precisa dar atenção aos pobres garimpeiros que estão saindo das terras Yanomami. “Os que estão lá embaixo, trabalhando no garimpo, os mineiros, são a ponta do iceberg. Aqueles que dão a logística, a manutenção, a alimentação, que financiam, – que são os empresários e os políticos -, eles é que precisam ser responsabilizados, investigados”. Sem essa infraestruta os garimpeiros não conseguem viver dentro do território. Ainda, segundo Fernandes, é preciso se perguntar sobre a vida desses garimpeiros pós- saída deste trabalho financiado. Em 1993, garimpeiros foram tirados da terra indígena, porém, se tornaram agricultores, conseguiram acesso à terra, entraram em projetos de reforma agrária, mas hoje, com a chegada da soja, os valores da terra aumentaram significativamente. “A maioria das terras em Roraima está concentrada nas mãos de políticos, empresários, grandes produtores de soja, sendo impossível compra-la. Para onde eles irão, como manterão suas famílias? O governo precisa pensar nessas pessoas que saem do garimpo e vão para os municípios, que voltam para as suas casas ou vão para outras áreas de garimpo”, enfatiza. A vida yanomani por trás das Câmeras Daquilo que as câmeras não captam, tem conhecimento de causa os missionários da Igreja Católica que há mais de 50 anos convivem com os Yanomami, no Catrimani. Para Mulega os Yanomami são uma sociedade bem estruturada à sua maneira, a partir das suas crenças, do seu modo de conceber a vida e a criação. A forma e os horários de alimentação, as regras para bem-vive em sociedade, o cuidado com a natureza, o lugar das mulheres e das crianças, o papel
Do ser negro à consciência negra no Brasil

Como preâmbulo desta reflexão sobre a temática do negro na sociedade contemporânea e os desafios que dela fazem parte, gostaria de acenar o primeiro passo para que o negro possa ocupar seu lugar na sociedade brasileira, como qualquer outro ser humano ou qualquer outra cultura: é necessário que o Brasil se reconheça como um país racista. Sem esse passo fundamental, falaremos e agiremos às apalpadelas, impossibilitados de encontrar nenhuma luz ao fim do túnel. Por que o Brasil é um país racista? As raízes do racismo se encontram cravadas no colonialismo que implantou a escravidão negra no Brasil. Nele se origina a não aceitação do negro como pessoa, explicitada e confirmada pelos atos macabros de inferiorização do negro, reduzindo-o a animal sem razão, impondo-lhe cabrestos, imobilizando-o em troncos, metendo-lhe garganta abaixo litros e litros de água fervente. Recordemos o que nos registrou a história da escravidão no Brasil, história negada nos livros, desde a educação infantil à universidade: após a independência de Portugal, em 1822, uma das primeiras medidas do governo brasileiro foi proibir que alunos negros frequentassem as mesmas escolas que os brancos. Um dos motivos apontados era o temor de que eles pudessem transmitir doenças contagiosas. A lista das origens do racismo no Brasil advindas do colonialismo é quilométrica. Porém, a sociedade brasileira, longe de uma compreensão clara da história, porque negada, mantém atitudes veladas ou claras de não aceitação do negro, impossibilitando-o de uma ascensão, intimando-o a uma condição se subalternidade, relegando-o à marginalidade. Onde está o negro, a negra na sociedade brasileira? Essa é a pergunta que constantemente me faço quando entro nas escolas e universidades particulares, nos restaurantes da classe média e nos cinemas. Eles não se encontram ali. Onde se encontram? Escondidos nos serviços desses mesmos estabelecimentos, lavando, limpando, cozinhando. Invisíveis. Aliás, visíveis de acordo com a conveniência do sistema. Explico-me: almoçando com uns amigos nas redondezas de Perdizes, bairro nobre de São Paulo, de dentro das dependências, assistíamos a uma cena de discriminação da polícia com um motoboy que entrou na contramão. Em um minuto, apareceram cinco viaturas para gerar uma multa a um pobre trabalhador negro que entrou por engano no contrafluxo. Ao ser liberado e enviesado pelos olhares que saíam do restaurante, seu semblante triste e humilhado me partiu o coração. Era conveniente para a polícia mostrar à elite que estava trabalhando, escorraçando com negros trabalhadores, para manter a pose da elite paulista. Sentada ali, juntos aos brancos, perguntando-me onde estariam, naquele momento, meus irmãos e irmãs negras, os olhares que vão e vem me informavam que eu não deveria estar ali. E me impondo, respondi com meu olhar resistente que ali era que todos deveríamos estar, juntos, numa festa de cores, ao verdadeiro molde de Brasil, como de fato é: um país rico em cores, em diversidade cultural. Eu conceituo o racismo à brasileira, o pior que possa existir. Velado, dia a dia, mina a autoafirmação do negro, sobre o que falaremos mais adiante. Para o jornalista do Portal Senado, Ricardo Westin, o racismo é desastroso para as populações negras. Ele vai muito além do fato narrado acima. Ele se manifesta de formas menos gritantes, mas produz efeitos devastadores na vida do negro. “Em qualquer aspecto da vida, os pretos e os pardos (grupos que o IBGE classifica como negros) estão sempre em franca desvantagem na comparação com os brancos”, considera. “No Brasil, ser negro significa ser mais pobre do que o branco, ter menos escolaridade, receber salário menor, ser mais rejeitado pelo mercado de trabalho, ter menos oportunidades de ascensão profissional e social, dificilmente chegar à cúpula do Poder Público e aos postos de comando da iniciativa privada, estar entre os principais ocupantes dos subempregos, ter menos acesso aos serviços de saúde, ser vítima preferencial da violência urbana, ter mais chances de ir para a prisão, morrer mais cedo”, afirma. Como enfrentar o racismo à brasileira? Aqui, deixo preciosa colaboração do psiquiatra negro, martinicano, Frantz Fanon, para a resposta cotidiana, eficiente e eficaz que o negro deve dar para enfrentar e lutar contra o racismo. Fanon (lê-se Fênon) foi um pensador, filósofo e psiquiatra negro nascido em Martinica. Ao viajar à França pela primeira vez, levou um choque de realidade. Considerando-se francês, ou ao menos à altura destes, por suas possibilidades e oportunidades, deparou-se com uma cena que colocou seus pés no chão. Uma criança, ao vê-lo nas ruas de Paris, gritou de medo: “Mamãe, olhe o negro, estou com medo, mamãe…”. A partir daquele momento, a vida de Fanon virou do avesso. Dedicou o resto de sua vida a compreender os efeitos do colonialismo na vida das pessoas negras. Faleceu aos 36 anos, deixando obras preciosíssimas como “Os condenados da terra”, “Pele negra, máscaras brancas”, “Alienação e liberdade”, “Revolução africana, dentre outros”. Fanon sugere que, para vencer o racismo, faz-se necessário tirar as máscaras brancas que o negro sempre usou diante do branco. Como? Assumindo-se, autoafirmando-se. Essa sugestão eu a traduzo assim: mostre seu cabelo, seu penteado africano. Seja você, orgulhe-se de si mesmo. Estude. Empodere-se. Afirme e confirme a cor de sua pele. Trate bem sua pele. Mostre-a linda e saudável. Cuide-se. Imponha-se. Sem dúvida, não se vencerá o racismo apenas com essas atitudes, mas elas são o começo de uma nova história. O governo, o país todo precisa entender-se como racista para mudar. A negação, ressalta Westin, “É essencial para a continuidade do racismo”, porque somente assim ele conseguirá se reproduzir e permanecer, como também continuar a ser naturalizado e incorporado no dia a dia. Por isso o Dia da Consciência Negra (celebrado no dia em que se comemora a morte de Zumbi dos Palmares, data tão mal compreendida por aqueles que se dizem não racistas), quer ser, exatamente uma oportunidade para o Brasil olhar para si mesmo, perceber sua verdadeira face e buscar um caminho novo em relação à maioria da população brasileira, 53% dela negros e negras. Um dia que precisa ser compreendido como necessário para exterminar de vez esse mal que continua