Dimensões da sexualidade, diversidade e respeito

A diversidade nos enriquece, e o respeito nos une Durante o ano de 2021, todas as escolas de nossa Rede de Educação Missionárias Servas do Espírito Santo terão como tema transversal “A diversidade nos enriquece, e o respeito nos une”. Esse será o pano de fundo de todas as nossas ações pedagógicas e marca também como reflexão para que toda a nossa comunidade educativa, alunos, educadores e familiares, possa repensar nossas atitudes diante desse mundo tão plural que vivemos e, assim, trabalhemos na construção de uma sociedade mais justa e fraterna. Além disso, aproveitamos também o mês de maio para conversarmos sobre esse tema. No dia 21, celebramos mundialmente o Dia da Diversidade Cultural para o Diálogo e Desenvolvimento. Falar sobre a diversidade é uma tarefa complexa, já que, aos olhos da Antropologia Teológica, todo ser humano é único e irrepetível diante Deus. Cada um, cada uma é parte de um todo que foi pensado e amado por Deus. Fomos criados à sua imagem e semelhança, e, por isso, chamados a viver no e por amor. Nessa lógica, podemos intuir que a diversidade existe desde que a primeira espécie humana (Homo erectus) surgiu neste planeta, há 2 milhões de anos. De acordo com as mais recentes descobertas, o Homo sapiens conviveu com alguns dos seus antepassados, dando mais ênfase a esse convívio diverso. A diversidade está presente em nosso cotidiano, 24 horas por dia. Está em nossas casas, em nossas escolas, em nossos trabalhos e em nossas igrejas. É de suma importância compreender que nossas diferenças nos ajudam a sermos melhores, nos enriquecem e nos tornam mais capazes de construir um mundo mais solidário. Devemos olhar nossas crianças, e digo as menores mesmo, pois, para elas, não existe preconceito, diferenças… Elas convivem de maneira harmônica em nossas salas de aula. Quem trabalha com a educação infantil pode nos ajudar nessa reflexão, mas, conforme o crescimento e as informações que vão recebendo, ou não, essas diferenças vão se tornando obstáculos quando não são bem elaboradas internamente. Jesus, em sua missão, encontrou diversas pessoas, de variadas etnias, opiniões, jeitos de ser, e sua postura foi única: O AMOR, trazendo com ele a misericórdia e a compaixão que derrubam barreiras e preconceitos. Basta olhar o grupo dos doze apóstolos, composto por uma diversidade de pessoas. Em nenhum momento, incitou a violência, de espécie nenhuma, mas acolheu todos aqueles que dele se aproximavam. Isso posto, vamos pontuar alguns aspectos mais específicos da diversidade que desejamos ressaltar. Ao olharmos nosso entorno ou até mesmo quando vemos dados de pesquisas oficiais, fica claro que nossa sociedade é diversa. Geralmente, tende-se a pensar que o modo como lidamos com a diversidade é um assunto já superado e compreendido pela maior parte da sociedade. Mas, ao nos depararmos com as questões que envolvem a diversidade sexual e as dimensões da sexualidade, ainda há caminhos que geram dúvidas e preconceitos. De início, é preciso entender que a sexualidade vai além do conceito biológico do sexo e atrelado ao processo reprodutivo. Ela é algo particular, estando relacionada ao gênero, à identificação das pessoas dentro das possíveis identidades de gênero, ao envolvimento emocional com outras pessoas e consigo próprias. É também uma questão cultural, já que, por ela, são estabelecidos vínculos afetivos e é pautada em padrões criados por grupos de pessoas e valores construídos em cada sociedade. Por conta de toda essa rede de relações (biológica, sociocultural, afetiva e ética), ela deve ser vista e estudada segundo suas várias dimensões e deve ser respeitada e levada a sério. Para que essa compreensão e respeito sejam colocados em prática, é preciso que alguns termos vinculados a essa temática sejam entendidos. Sempre que nos referimos ao sexo biológico, estamos falando da distinção entre macho e fêmea. Porém não devemos confundir o sexo biológico com a identidade de gênero, que se refere ao gênero com o qual o indivíduo se identifica. Desse modo, ser do sexo masculino é ter cromossomos XY; por outro lado, ser do gênero masculino é identificar-se com esse gênero. Embora sexo e gênero tenham uma forte correlação, nem sempre eles são coincidentes. Dentro desse contexto, uma pessoa cisgênero é aquela cuja identidade de gênero coincide com seu sexo biológico, enquanto uma pessoa transgênero é aquela que sua identidade de gênero não coincide com o sexo biológico. Há ainda as pessoas que não se identificam com nenhum dos dois gêneros ou com os dois. Existe ainda o que chamamos de orientação sexual, que é como se caracteriza o desejo sexual predominante de uma pessoa: se é por pessoa de gênero diferente (heterossexual), igual (homossexual) ou de mais de um gênero (bissexuais ou pansexuais). Muitos outros termos existem dentro desse guarda-chuva, mas esses são os mais populares. A discussão sobre sexualidade se torna cada vez mais importante, uma vez que jovens passam por situações de transtorno psicológico por não se entenderem/aceitarem ou não serem aceitos por outros, além de várias situações de preconceito que ainda são vistas e vividas em um país como o nosso, onde, teoricamente, temos a liberdade para viver a sexualidade do modo que nos convier. Compreender as dimensões da sexualidade é fazer com que ela não faça qualquer pessoa perder seus valores, sua atividade e sua vida. Em janeiro de 2015, o Papa Francisco recebeu Diego Neria Lejárraga, espanhol de 48 anos. Diego, que nasceu mulher, mas sempre se sentiu homem, tinha escrito ao Papa para pedir-lhe apoio diante da rejeição e da incompreensão que sofre por parte de seus conhecidos e até mesmo de religiosos quando vai à igreja, por conta de sua mudança de sexo. Durante seu encontro, perguntou ao Santo Padre se havia lugar para ele na casa de Deus. Como resposta, recebeu um abraço. Ao sair do encontro, Diego disse sentir uma imensa paz. É, portanto, imprescindível que seja parte de nossas atitudes diárias promover o acolhimento a todos a nosso redor, independentemente de suas características físicas, étnicas, culturais, religiosas ou sexuais, e que tenhamos em mente que, dentro da sociedade inclusiva

Poesia: alunos e professores da Rede de Educação SSpS lançam coletânea

Segundo Cassiano Ricardo, poeta, jornalista e ensaísta, a poesia é uma ilha cercada de palavras por todos os lados. Em homenagem ao Dia Mundial da Poesia, comemorado em 21 de março, alunos e professores da Rede de Educação Missionárias Servas do Espírito Santo prepararam a coletânea de poemas “De tudo um pouco”. A obra de 38 páginas contou com a participação de representantes dos ensinos fundamental e médio dos colégios Imaculado Coração de Maria (Rio de Janeiro-RJ), Espírito Santo (São Paulo-SP), Sagrado Coração de Jesus (Belo Horizonte-MG) e Stella Matutina (Juiz de Fora-MG). Acesse o e-book:

12 de março: o bibliotecário em tempos de educação remota

O Dia do Bibliotecário é celebrado em 12 de março, em homenagem ao nascimento do primeiro bibliotecário concursado do Brasil, Manuel Bastos Tigre (1882-1957). Mas essa profissão pouco conhecida surgiu há séculos, nos tempos remotos da civilização.  E o que é que faz um bibliotecário? Bem, esses profissionais organizam, guardam, identificam os assuntos dos livros e dos documentos, traduzem para o sistema da biblioteca e, mais ainda, permitem que eles estejam acessíveis para todos os que possam se interessar. Legal, né?! Não é só na biblioteca que um bibliotecário trabalha, mas provavelmente esse é seu lugar preferido. Já faz um tempo que o mundo digital não é novidade, mas muitos ainda acreditam que as bibliotecas não acompanharam esse ritmo. Será? Bem, posso garantir que isso não é verdade. É só “dar um Google” para descobrir o tanto de bibliotecas digitais e virtuais que existem mundo afora. Sem falar nos inúmeros recursos digitais e on-line que as bibliotecas presenciais oferecem.  No Brasil, por exemplo, temos o Domínio Público, http://www.dominiopublico.gov.br/ uma biblioteca virtual criada pelo Ministério da Educação que conta com mais de 180 mil títulos em diversas mídias, disponíveis para baixar gratuitamente. Já a ONU tem um projeto chamado Biblioteca Digital Mundial, https://www.wdl.org/pt/ que reúne documentos oficiais sobre a cultura de diversos países. Acesse e confira! Em tempos de pandemia Só que veio o novo coronavírus, e o digital e o on-line deixaram de ser exceção. Em muitos casos, viraram regra. Há um ano, espreitávamos o que nunca imaginamos viver: a maior pandemia dos nossos tempos.  Deixamos nossas salas de aula e passamos a ocupar os cantos da casa. Nossos celulares e computadores ficaram cheios de atalhos e arquivos ocupando suas memórias. Os professores e colegas passaram a ser vizinhos de tela no Classroom, cada um ocupando, literalmente, seu próprio quadrado.  Mas onde fica a biblioteca nessa história toda? É engano nosso pensar que a biblioteca está fechada atrás dos portões dos colégios. Tal qual nossa escola é viva, assim também são nossas bibliotecas. Atravessando muros de concreto e a distância, a biblioteca, em tempos de pandemia, tem nos aproximado no amor e na esperança de um breve e caloroso reencontro. Seja nas “aulas de biblioteca” on-line ou nos eventos remotos abrilhantados por um conto ou poema, o papel dos bibliotecários é presente e, às vezes, quase invisível, mas precioso na biblioteca escolar. O paraíso Desde os anos iniciais, os momentos de “contação” de histórias são repletos de encanto e auxiliam no processo de formação de nossos pequenos estudantes, promovendo a resiliência, ampliando o repertório sociocultural e desenvolvendo a comunicação, para a autonomia das crianças.  Em cada ação, esses guardiões dos livros carregam a missão de incentivar o pensamento crítico, a imaginação e a curiosidade, ampliando o gosto pela leitura. Dentro desse ambiente aberto e imaginativo, promovido pelos contos, tudo é possível. Os livros, sejam eles digitais ou físicos, permitem-nos encontros preciosos, arrancam-nos suspiros de medo e curiosidade, transbordam-nos alegria e nos encantam profundamente.  Aprendemos muito, nesse último ano, sobre o valor da vida. Percebemos que o que realmente importa, muitas vezes, esteve sempre conosco e não precisamos de muito mais para sermos felizes.  O escritor argentino Jorge Luis Borges disse: “Sempre imaginei que o paraíso fosse uma espécie de biblioteca”. Parece que ele está certo, não é mesmo? Nem precisamos estar dentro delas para perceber o quanto as bibliotecas são nosso lugar de repouso e alento. Nunca foi um lugar só para aprender e estudar. Em nossas escolas, isso não é novidade. É só observarmos os olhares dos alunos para percebermos que a leitura é a receita que diminui qualquer distância. Teily Ane Teles de AssisBibliotecária escolar no Colégio Stella Matutina, Juiz de Fora-M

A diversidade nos enriquece, e o respeito nos une

Aos poucos, nossas escolas estão retomando e ganhando vida novamente. Porque escola só tem vida e alegria quando tem gente. Gente com G maiúsculo, aberta às possibilidades e que goste de gente. Por esse motivo, após viver oportunamente, em 2020, o tema “Escola viva, vê, sente e cuida”, em meio a um confinamento involuntário e necessário, nós nos tornamos mais resilientes e resistentes. Agora, abrindo este novo ano, ainda com muitos cuidados e protocolos, apresentamos o novo tema: “A diversidade nos enriquece, e o respeito nos une”. Antes de continuar, pare e pense um instante: o que esse tema provoca em você? A cada ano, inspirados pela Campanha da Fraternidade, os educadores da Rede de Educação, juntamente com as irmãs, participam do processo de elaboração e de escolha do tema transversal. O tema escolhido e lançado no início do ano letivo é responsável por permear e inspirar todas as ações pedagógicas e as vivências em nossas comunidades educativas. Falar em diversidade, respeito e unidade é sempre genial e desafiador. Genial porque diz respeito ao que buscamos como humanidade e pelas conquistas já realizadas. Desafiador por compreender que temos ainda um grande caminho a ser trilhado, em que a educação tem um papel fundamental. É fundamentalmente na escola que, além de pensar este e outros temas, temos a possibilidade de conviver com pessoas tão diferentes da gente, construindo relações harmoniosas e de respeito. Por isso ainda precisamos aprender muito sobre a diversidade. Precisamos entender que muitas são as visões de mundo, não uma única, e que somente com essa compreensão poderemos entender o outro em sua individualidade. Cada cosmovisão tem seu valor. Para isso, precisamos nos colocar em atitude de bons ouvintes e observadores, deixando de lado nossas formas impositivas. Pelo diálogo, conseguimos entender que todos cabem neste mundo, cada qual do seu jeitinho. Não por acaso, quando comecei a pensar e escrever sobre este tema, caiu em minhas mãos o livro Ideias para adiar o fim do mundo, o qual recomendo a você. Segundo Ailton Krenak, vivemos uma lógica atual que “suprime a diversidade, nega a pluralidade das formas de vida, de existências e de hábitos. Oferece o mesmo cardápio, o mesmo figurino e, se possível, a mesma língua para todo mundo”. Talvez porque estejamos ainda condicionados a uma única ideia de ser humano e a um único tipo de existência possível. Por isso somos convidados a desconstruir essa concepção e fazer novas escolhas. Afinal, “definitivamente não somos iguais, e é maravilhoso saber que cada um de nós é diferente do outro, como constelação. O fato de podermos compartilhar esse espaço, de estarmos juntos viajando não significa que somos iguais, significa exatamente que somos capazes de atrair uns aos outros pelas diferenças, que deveriam guiar nosso roteiro de vida”. Com essa última ideia do líder indígena Krenak, deixo aberta nossa reflexão para o ano de 2021, convidando você e sua escola para ampliar nosso círculo de reflexão, a fim de contribuir na construção da sociedade que buscamos. Agostinho Travençolo JúniorEducador e coordenador da Dimensão Missionária da Rede de Educação SSpS

A simples observação

Pensar na estrutura da escola de hoje nos faz refletir sobre os grandes desafios da Educação. Vivemos numa era digital, com uma economia globalizada, tendo informações rápidas, em tempo real e em grande escala. Chamo a atenção para um pequeno, mas fundamental exercício: a observação dos alunos. Ter vários jovens, com diferentes aspirações e criações distintas, em um mesmo ambiente sempre foi um desafio. Mantê-los atentos por um longo período, então, é uma árdua missão. Os educadores têm de lidar não só com as questões comportamentais das crianças e dos adolescentes, mas também acompanhar e aprimorar-se com o uso das inovações metodológicas. Há pouco tempo, a preocupação de pais e professores era deixar os aparelhos celulares fora das salas de aula, hoje a cultura digital é uma das competências estabelecidas pela Base Nacional Comum Curricular. Essas inovações obrigam os docente a terem uma nova postura em sala de aula, utilizando recursos mais dinâmicos, atraentes e desafiadores para despertar a atenção de seus alunos. A cultura digital propõe compreender, utilizar e criar novas tecnologias educacionais que aprimorem a comunicação, o acesso e a produção de novos conhecimentos, além da resolução de problemas, o exercício da cidadania e tornando os alunos protagonistas da própria aprendizagem. Com todas essas mudanças, temos observado que muitas escolas priorizam cada vez mais a tecnologia e esquecem o que é essencial na formação do estudante: a criação de uma cultura que proporcione o diálogo, o respeito e a empatia para uma convivência fraterna. Estabelecer um vínculo baseado no acolhimento e em valores sólidos auxilia na criação de uma relação saudável em trocas frutíferas entre professor, aluno e família. Um dos desafios dos educadores é, portanto, perceber o comportamento de seus alunos, pela simples observação. Esse é um trabalho contínuo que ocorre em todos os espaços escolares. Não é possível, na sociedade contemporânea, abrir mão da discussão dos fenômenos tecnológicos, uma vez que as metodologias de ensino tradicionais não atendem mais às expectativas dos alunos do século XXI, mas sem perder de vista o desenvolvimento da pessoa humana. Lílian Correia SedlmayerDiretora Educacional do Colégio Stella Matutina, Juiz de Fora-MG.

Natal da Casa Comum

Enfim, chegamos ao fim do ano de 2020. Para muitas pessoas, este é um período em que as reflexões sobre as próprias atitudes, desejos e planos passam a fazer parte dos pensamentos. Entretanto vivemos um período bastante atípico, pois tais reflexões permeiam os pensamentos de muitos de nós há meses. Muitas famílias precisaram se reestruturar. Muitos profissionais precisaram se reinventar. Muitos trabalhadores descobriram novas habilidades. Perdemos muitas vidas, não somente causadas por uma nova doença, mas também pela ganância de algumas pessoas, destruindo parte de nossa Casa Comum, em busca de riqueza material. Algumas pessoas perderam a esperança. Entretanto, em meio a tantas novidades, desafios, dor e medo, tem sido possível resgatarmos partes simples, mas fundamentais para a vida em qualidade de todos os seres. Tivemos, como nunca, a oportunidade de refletir, por um tempo maior, a respeito do que realmente importa. Para você, o que realmente importa? Como resposta a essa pergunta, em um momento entre alguns educadores do Colégio Espírito Santo, no qual partilhávamos reflexões e memórias de trabalhos já realizados neste período em anos anteriores, concluímos que, para nós, o que realmente importa é o amor. Amor às pessoas, à natureza, à vida. Neste ano, fizemos uso da tecnologia em situações que nunca havíamos imaginado. E, por que não a utilizar para dividir amor e bons desejos? Afinal, quando compartilhamos amor e emanamos energias positivas, não devemos escolher quem receberá, apenas nos permitimos sentir e contagiamos o outro com os bons sentimentos. Assim, para dividirmos os bons pensamentos, neste Natal, criamos, junto com nossos alunos da educação infantil, 1º e 2º anos do ensino fundamental, um livro virtual no qual cada criança registrou, por meio de desenhos, palavras, frases ou cartinhas, qual o significado do Natal para cada um e quais desejos nossas crianças querem compartilhar com todas as pessoas do mundo. A princípio, esse material será enviado a todas as famílias do Colégio Espírito Santo e todos os alunos de nossos centros educacionais. Mas a ideia (e nosso desejo) é que o amor registrado em cada página alcance e afete o maior número de pessoas possível e, assim, conseguiremos, juntos, celebrar o Natal, a vida e o cuidado em nossa Casa Comum. É com muito carinho que dividimos com você os dois volumes deste livro virtual. Para isso, basta acessar os links a seguir. Sinta-se abraçado, também, neste Natal! Clique na imagem. Nathalia Fernandes Soares Hino é coordenadora pedagógica da educação infantil do Colégio Espírito Santo, em São Paulo-SP.

É tempo de celebrar

Estamos chegando ao fim deste ano tão desafiador. Desde o início da pandemia, sabíamos que não seria fácil enfrentar este momento inédito e global. Em março, entramos em crise. Não exclusiva de nosso país, de nossa cidade ou de nossa escola. Uma crise vivida em todo o mundo, sem distinção de classe social ou etnia. O mundo literalmente parou. Mais de 1,5 milhão de pessoas perderam suas vidas. Só no Brasil, já foram mais de 180 mil. Foi preciso adaptar-se, seguir novas regras e afastar-se dos que amamos como medida de cuidado. Foi difícil… E continua difícil, afinal somos todos humanos e permanecemos com medo e inseguros com o que ainda vem pela frente. Estamos completando nove meses em que nossas escolas estão fechadas, que nossos pátios estão silenciosos, as salas de aula vazias. Compartilhamos com nossos educadores e alunos a dor da saudade e da ausência. Para chegarmos até aqui, foi preciso nos unir e caminhar juntos. A tecnologia foi imprescindível nesse processo. No momento de maior complexidade, que foi a suspensão das aulas presenciais, tivemos a tranquilidade de saber que os colégios de nossa Rede de Educação contam, há mais de quatro anos, com uma plataforma digital educacional, que já estava em pleno funcionamento e inserida na rotina dos educadores e estudantes. Assim, seguimos firmes em nosso compromisso de garantir a educação de qualidade a nossos alunos, mesmo que de forma remota. E, para isso, a união entre nossos educadores foi fundamental. Não teríamos chegado até aqui sem o apoio de cada um que ressignificou a forma de ensinar com tanta dedicação e carinho. Estejam certos de nossa gratidão a cada de um de vocês. Em breve, teremos um novo ano pela frente, que ainda não saberemos como será… Contudo podemos lembrar São Paulo na Carta aos Tessalonicenses, que nos convida a dar “graças em todas as circunstâncias, porque essa é, a vosso respeito, a vontade de Deus em Jesus Cristo”. Por esse motivo, queremos celebrar. Celebrar o nascimento de Jesus Menino. Celebrar a vida. Celebrar 2020. Celebrar a esperança junto de nossos educadores no dia 18 de dezembro, às 20h, pelo canal da Rede de Educação. Ainda é tempo de reflexão, de esperança e de cuidado. Vamos exercer a solidariedade e empatia com o próximo! Um Natal feliz e abençoado, com orações por dias melhores. Irmã Maria de Fátima Marques, SSpS, diretora presidente da Rede de Educação Missionárias Servas do Espírito Santo.

A consciência, a caridade e a missão

Se se opuser à paz a guerra, aquela se tem, portanto, distanciado de qualquer cidadão brasileiro por conta desta. Algo distante, considerando o fato de que sua precedência já se perdeu em qualquer memória de cidadão vivo, pois não há guerra por aqui há anos. Se se opuser à paz a violência, aquela se tem apenas pelo espectro da televisão higienizada no conforto dos lares da classe média. Infelizmente distante e, algumas vezes, politicamente incorreta. Se se opuser à paz a “a-pro-atividade” em favor de uma sociedade mais humanizada, talvez se possa discorrer sobre os casos de pessoas comuns e conformadas com o mundo que as cerca. Muitas pessoas aceitaram bem o distanciamento proporcionado pela televisão, ainda que uma lágrima preguiçosa escorra de quem anda sentado no sofá de sua sala climatizada, regozijando seu biscoito recheado.  A televisão e suas campanhas encapsulam, cercam e não permitem que a sociedade, nos altos condomínios urbanos, se infecte e se afete das mazelas sociais que, lá de cima, são miradas em distância e com pouco comprometimento. Isso porque há quem crê que a pseudoconsciência de seus compromissos humanitários se encerra com um “obrigada!” da telefonista plantonista dos call-centers de doações. Será que a paz se revela apenas na facilidade de um telefonema para doação aos carentes, motivado por essa mesma televisão que vende o conforto das consciências coletivas? Será que o vidro da janela da sala do apartamento marca o limite entre a minha afetação e a dor do outro, a necessidade do outro, a linguagem do outro, o outro? Por que a caridade deve ser asséptica? Para aqueles que não entendem os vários efeitos de sentido de missão, resta o costumeiro conformismo. Não há como abandonar a caridade, tampouco não se envolver. Não há de se permitir que a televisão reconcilie as ambições que se tenham de justiça na sociedade contemporânea, virtualizando qualquer ação assertiva a favor dos mais necessitados.  Veja um caso. Dobri Dobrev tem mais de noventa anos. É búlgaro. Perdeu a audição durante a guerra. Vive em uma modestíssima casa nos arredores de Sófia. Modesta, mas sem a depauperação que os intelectuais sociólogos de favela brasileira chamam de miserável. Ostenta uma grande barba e um certo carisma não ameaçador. Vive da mendicância pelas ruas da capital e uma bolsa-família de oitenta euros. Com seu pulôver grande e religiosidade extrema, arrecadou da “generosidade” búlgara mais de quarenta mil euros em esmolas. Essa pequena fortuna, Dobri doou em sua totalidade, sem pestanejar, à caridade. Quarenta mil euros ao orfanato cuidado pela Igreja que frequenta, num gesto de humildade e desprendimento. Em um gesto de paz. Se se opuser à paz o peso social da consciência, aquela palavra deve ser substituída por Dobri Dobrev e por tudo o que ele representa. Desprendimento, crença e ação em prol do outro. Como na Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios: “Agora permanecem estas três coisas: a fé, a esperança e a caridade; mas a maior de todas é a caridade”. Não é por nada que as irmãs desta Congregação têm a missão no nome. Não é semântica. É linguagem, é ação, é a palavra que se faz verbo e é um verbo que se faz ação: missionárias. A palavra é nossa primeira missão. Nas escolas da Rede, talvez este seja o maior problema enfrentado pela comunidade escolar: não poder ir até os locais dos enfermos, dos idosos, das crianças. A  reclusão necessária à saúde também criou um vazio enorme, uma falta. A falta do outro na caridade da afetação. A pandemia amordaçou as mãos de todos nós. Amordaçou, porque era na linguagem do toque que conhecíamos a nós mesmos; vivificamos nossa identidade. Todos fazem parte de tudo. Esteja onde estiver. Todos fazem parte de um todo. Não há paz onde não há consciência. Não há consciência onde só há letargia. Tony Labanca Professor do Colégio Sagrado Coração de Jesus, em Belo Horizonte-

Declamando emoções e espalhando sentimentos

A poesia nos toca por meio dos gestos e palavras. Produzir e declamar poesia nos torna mais reflexivos, nos deixa mais próximos de nossa humanidade. Como gênero literário, o estudo da poesia tem papel fundamental na formação reflexiva e crítica de um leitor e escritor. Todos os anos, os alunos do 4º ano do ensino fundamental do Colégio Espírito Santo, em São Paulo-SP, são convidados a experimentar, brincar e poetizar as palavras. O projeto, desenvolvido ao longo do ano letivo, resulta num livro de poemas e num sarau repleto de declamações cheias de significados. Neste ano, mesmo atípico, não poderia ser diferente. Nos dias 28, 29 e 30 de setembro, os alunos apresentaram, de forma on-line, para seus familiares e amigos, as produções realizadas durante o trabalho desenvolvido com suas professoras. O tema das poesias foi “Sentimentos”, e os alunos tiveram a oportunidade de registrar em palavras aquilo que, muitas vezes, guardamos para nós mesmos. Foram noites com apresentações fascinantes. Pudemos ver familiares e alunos envolvidos no encantamento do mundo poético e na mesma emoção. Além das declamações das poesias dos alunos, houve uma apresentação musical e declamação de um poema escrito em inglês, criado em cada turma. Envolvendo múltiplas linguagens, o evento foi um sucesso e nos mostrou o potencial que é envolver amor, alunos empenhados, familiares comprometidos e tecnologia a nosso favor. Mariana Moura, Michele Lourenço e Stephani Maeda, professoras do 4º ano, Colégio Espírito Santo, São Paulo-SP.

Entenda a relevância da gentileza para uma sociedade harmoniosa

Propagar ações mais humanas, divulgar boas práticas e transmitir amor são pilares que norteiam as bases do conceito de gentileza. Praticar a gentileza é ser mais humano, colocar-se no lugar dos outros, dispor-se a fazer o bem sem olhar a quem e, como o próprio nome já diz, ser gentil. Viver em sociedade nos imprime conceitos e obrigações que devemos cumprir, e uma dessas tarefas é a gentileza. A partir do momento em que não se praticam bons atos para com os outros, torna-se comum o aparecimento de problemas sociais, como violência, pobreza e disseminação de discursos de ódio.Por isso, é fundamental destacar o papel da gentileza para uma sociedade mais harmoniosa, a fim de manter relações sociais mais fluidas e diminuir o índice de violência (física ou não). É como diz a citação de Jean de La Bruyère: “A gentileza faz com que o homem pareça exteriormente como deveria ser interiormente”. No ambiente escolar, a gentileza é trabalhada por meio dos mediadores dos alunos, que são os próprios professores. É claro que educação vem de casa, mas prezar que as crianças tenham atitudes gentis é algo que norteia o papel pedagógico dos professores e da equipe pedagógica, principalmente os profissionais ligados aos primeiros anos do colégio. Gestos de gentileza também fazem com que as pessoas que os praticam se destaquem na própria sociedade, uma vez que atitudes do bem são cada vez menos comuns em uma população que olha mais para si do que para o próximo. Pessoas empáticas são vistas como diferenciadas e, por muitas, acabam sendo ridicularizadas. Ainda é importante ressaltar que gestos gentis também devem ser devolvidos com agradecimento, essa é uma forma de devolver simbolicamente a gentileza feita a você. Afinal, gentileza gera gentileza, é uma relação mútua de trocas, como diria o grande Profeta Gentileza. Trabalhar a concepção de gentileza e afabilidade em um ambiente escolar é fundamental em uma sociedade que preza por uma geração que, além de dar valor a boas atitudes, também busca humanizar o conceito de educação. No dia 29 de outubro, a Rede de Educação Missionárias Servas do Espírito Santo promoveu a Webinar Tecendo Relações com a premiada atriz Denise Fraga. O tema foi “O poder da gentileza: como levar uma vida mais leve”. Confira, na íntegra, o bate-papo com a atriz que marcou sua carreira nas telas do cinema e da televisão, no teatro e como autora de livros. Assista! Professora Andréa Diegues Gomes de Souza, Colégio Imaculado Coração de Maria, Belo Horizonte-MG, formada em Letras/Literatura.

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