Amar servindo

Hoje celebramos o amor que se faz serviço. Na Quinta-Feira Santa, Jesus nos ensina que amar não é apenas sentir, mas é também agir, cuidar, colocar-se a serviço. Quem serve com amor responde ao chamado de Deus todos os dias. A reflexão de hoje é conduzida pela Ir. Ashrita Soreng, SSpS. Assista!

Casa: lugar do “lava-pés” — gesto ousado que quebra toda pretensão de poder

Com a liturgia da Ceia do Senhor, celebrada na tarde-noite desta Quinta-Feira Santa, abrimos o Tríduo Pascal, o ápice do ano litúrgico. Na série Semana Santa Orante, veja a reflexão elaborada pelo jesuíta padre Adroaldo Palaoro, comentando o Evangelho de João (13,1-15), que traz a passagem do lava-pés, gesto de Jesus na instituição da Eucaristia.

Quinta-feira da Semana Santa

Com a liturgia da Ceia do Senhor, abrimos o Tríduo Pascal, o ápice do ano litúrgico. Na série Semana Santa Orante, veja a reflexão elaborada pelo jesuíta padre Adroaldo Palaoro, comentando o Evangelho proclamado na tarde-noite desta Quinta-Feira Santa, narrado em João 13,1-15.

Quinta-feira da Semana Santa

Veja a reflexão bíblica elaborada por Adroaldo Palaoro, padre jesuíta, comentando o Evangelho desta Quinta-Feira Santa, iniciando o Tríduo Pascal, o centro do calendário litúrgico. A passagem está em João 13,1-15.

Quinta-Feira da Semana Santa: a refeição de despedida

“Estavam tomando a ceia”; “e começou a lavar os pés dos discípulos…” (Jo 13,2.5) Esta foi a prática de Jesus que mais causou espanto e escândalo: a partilha nas mesas com pobres e pecadores. Literalmente, Jesus foi aquele que “virou mesas” de muitas pessoas e fundou uma outra mesa: mesa da partilha, da festa, mesa da fraternidade onde todos se sentem iguais… Mesa da vida. Trata-se de uma mesa provocativa, questionadora, incômoda… que requer mudança de lugar, de mentalidade, de atitude… Sair da própria mesa e caminhar em direção à mesa dos outros. Comendo e bebendo com todos os excluídos, Jesus estava transgredindo e desafiando as formalidades do comportamento social e das regras que estabeleciam a desigualdade, a divisão, a exclusão… Jesus revelava uma grande liberdade ao transitar por diferentes mesas; mesas escandalosas que o faziam próximo dos pecadores, pobres e excluídos… Ele não só transitou por outras mesas, mas instituiu a grande Mesa para a festa, a intimidade, a memória: a “mesa do Lava-pés e da Última Ceia”. Ali, Ele “despoja-se do manto” (sinal de dignidade de “senhor”) e pega o avental (toalha, “ferramenta” de servidor). Jesus está no meio dos homens como Aquele que serve. “Despojar-se do manto” significa “dar a vida” sob a forma de serviço. Jesus coloca toda a sua pessoa aos pés dos seus discípulos. O Criador põe-se aos pés da criatura para revelar como ela é amada e como deve amar. O texto joanino nos diz que Jesus realizou o “lava-pés” durante a última Ceia. Todas as refeições tinham o “lava-mãos”. Algumas ceias especiais tinham o “lava-pés” no início como sinal de acolhida e de hospitalidade. Jesus realiza seu gesto enquanto a refeição está acontecendo. Certamente Ele estabeleceu uma relação muito estreita entre o comer e o servir, melhor dizendo, entre a refeição e o serviço solidário. Até Jesus, os convidados para a refeição eram servidos e saíam satisfeitos. A partir de Jesus, os convidados para a refeição servem-se uns aos outros e saem da refeição para servir os outros. O dom recebido é partilhado entre os seus; mas isso não basta, ele precisa ser colocado à disposição de todos, a começar pelos mais carentes. O dom é, ao mesmo tempo, graça e missão. O Evangelho de João, portanto, substitui a instituição da Eucaristia pelo Lava-pés. Audaciosa inovação que dirige o gesto eucarístico para a revolução das relações humanas: o poder do Senhor se converte em capacidade para servir; a autoridade não se exerce submetendo o outro, mas possibilitando que o outro “seja”. Com este gesto Jesus desvela uma imagem nova de Deus: o Todo-Misericordioso esvazia toda e qualquer expressão de poder e submissão entre os humanos. Ninguém serve a Deus, a não ser do jeito de Jesus, isto é, lavando os pés, amando até o fim. Nosso Deus não é prepotência, mas condescendência. É o Criador que se põe aos pés da criatura. Nosso Deus é um Deus que “desce”, que se “inclina” para acolher. Mistério da Encarnação: Deus abraçando e sendo encontrado junto aos pés dos seus filhos(as). O “descendimento” do Senhor aos pés dos discípulos e fazendo-se servidor, transforma o status da servidão (“o servo não sabe o que faz seu senhor” – Jo 15,15) em fraternidade (“não vos chamo servos, mas amigos” – Jo 15,15). Deste modo, aqui se revela o verdadeiro senhorio de Jesus: a possibilidade de restabelecer a igualdade entre as pessoas através da superabundância de um amor que se derrama, sem reservas, para todos. Este gesto provocativo de serviço e despojamento d’Aquele que é “Senhor” desperta em cada seguidor(a) o desejo de considerar suas qualidades e capacidades como veículos de doação, não de poder ou de manipulação. A partir deste “ousado gesto” já não se justifica nenhum tipo de superioridade, mas somente a relação pessoal de irmãos(ãs) e amigos(as). O Lava-pés é gesto ousado que quebra toda pretensão de poder. Jesus viu claramente que o perigo mais grave que ameaça seus seguidores é a tentação do poder. Não há dúvida de que isso é o que causa o maior dano a todos, o que mais nos desumaniza, pois alimenta divisão, submissão, obediência infantil… Por isso, com esse gesto, Jesus expressa que nunca quis agir como o superior que se impõe com poder; do mesmo modo, viu em semelhante comportamento uma conduta radicalmente inaceitável entre seus seguidores. A relação que se estabeleceu entre os discípulos e Jesus não foi a de submissão a um poder que manda e dá ordens, mas a do “seguimento” que brota da experiência de sentir-se atraído e seduzido pelo “modo de proceder” do mesmo Jesus. O gesto do lava-pés é repleto da “espiritualidade do cuidado”. O cuidado é um diálogo de presenças, não só de palavras. São seres “vulneráveis” que se encontram. O cuidado é expressão de ternura e delicadeza. É atenção às pessoas; é gesto de inclusão. O cuidado é gesto amoroso para com o outro, gesto que protege e traz serenidade e paz. O amor é a expressão mais alta do cuidado, porque tudo o que amamos cuidamos. E tudo o que cuidamos é um sinal de que também amamos. Cuidar é envolver-se com o outro ou com a comunidade de vida, mostrando zelo e preocupação. Mas é sempre uma atitude de benevolência que quer estar junto, acompanhar e proteger; é ter espírito de gentileza e ternura para captar e sentir o outro como outro, como original, e acolhê-lo na sua diferença. Lava-pés não é teatro, mas modo habitual de proceder e de estar no mundo. “Tal Cristo, tal cristão”: na vivência do serviço evangélico, somos chamados a vestir o “avental de Jesus”. “Vestir o coração” com o avental da simplicidade, da ternura acolhedora, da escuta comprometida, da presença atenciosa, do serviço desinteressado… O que é “tirar o manto?” Para nós o “manto” poderia ser nossa máscara, nossa redoma, nossa capa de proteção que nos distancia dos outros…; é tudo aquilo que impede a agilidade e a prontidão no serviço… “Tirar o manto” é a atitude firme de quem se

Das cinzas à vida

Semana Santa. Semana em que os cristãos celebram os últimos acontecimentos em memória da vida de Jesus. Convite ao recolhimento para reflexão e à prática do bem aos mais necessitados.Das cinzas recebidas após o carnaval, na quarta-feira, até a Sexta-Feira da Paixão, todos somos convidados a reviver a semana mais significativa de nossa história cristã. Podemos relacionar as cinzas com a etapa em que se vivem tempos sombrios, nebulosos, cinzentos; período de águas turvas, quando a humanidade vive em meio a choro, lamentações e súplicas, lembrando que do pó viemos e ao pó voltaremos. Nesse sentido, a Semana Santa retrata a angústia, a dor, o sofrimento, o julgamento, o silêncio diante da injustiça humana. Por que será que Jesus teve, mesmo sendo Filho de Deus, de passar por tudo isso? O exemplo serve como ideal de ser humano, que, resiliente, mantém-se sereno. Ademais, durante a Ceia do Senhor, as virtudes presentes são a simplicidade, a amizade, o diálogo, a fidelidade e a humildade, apresentados como ideais a serem seguidos. A reunião eucarística, inaugurada pelo Cristo e celebrada às vésperas da Páscoa, reafirma a fraternidade e o diálogo como compromissos de amor, que têm como objetivo almejar a unidade em meio à diversidade. “A paz é oferecida para todas as pessoas a fim de se construir uma nova humanidade, que não esteja dividida nem orientada pela violência”, conforme afirma o texto-base da Campanha da Fraternidade (item 136; pág. 53). Como está sua prática para a santidade? A busca é apenas durante uma semana? Procure começar já a “lavar os pés” uns dos outros e deixar-se lavar. Purificar seus pensamentos, fortalecer não só sua fé, mas também sua prática no bem. Estamos em tempos mais exigentes de coerências com o ensinamento do Mestre Jesus. Das cinzas pode nascer a vida, de onde uma fagulha pode acender e aquecer muitos corações desanimados. Um simples encontro, como aconteceu na ceia eucarística, pode fortalecer laços de fé, de fraternidade, promover ações afirmativas entre mulheres, jovens, crianças, idosos(as), negros(as) e indígenas, enfim, a todos os homens de boa vontade. Ide e anunciai a Boa-Nova de Jesus! Maria Terezinha CorrêaMestra em Antropologia, especialista em Ensino de Filosofia, graduada em Filosofia e Pedagogia, cursou Teologia pelo Mater Ecclesiae, filiada à ABA, APEOESP, SBPC e APROFFIB, atualmente é professora de Filosofia na Prefeitura de São José-SC, voluntária na Comissão de Prevenção e Combate à Tortura pela ALESC e na Pastoral da Pessoa Idosa, pertencente à Arquidiocese de Florianópolis-SC.

Por que esta semana é santa?

A Semana Santa é um tempo de vivência profunda da fé, no qual acompanhamos de maneira intensa o mistério da paixão, morte e ressurreição de Jesus, especialmente na Sexta-Feira Santa, no Sábado Santo e no Domingo de Páscoa. Este ano, no entanto, a Semana Santa será completamente diferente dos outros anos. Com a pandemia provocada pelo coronavírus, não poderemos participar das celebrações nas igrejas… Não haverá a missa do Lava-pés na Quinta-Feira Santa… Não haverá a adoração da cruz nem a celebração da paixão de Jesus na Sexta-Feira Santa… Tampouco haverá a Vigília Pascal com a bênção do fogo e a entrada triunfante do círio pascal. Também não teremos a missa do Domingo de Páscoa… Então, como esta semana será santa? Como vamos viver a nossa fé e celebrar o ponto culminante da vida cristã que é a Páscoa? Talvez, este momento de sofrimento que atinge todos os países, seja uma oportunidade de participar do mistério da paixão de Jesus, oferecendo nossa dor, nossas incertezas e perdas, a solidão do isolamento, o medo e a angústia que sentimos, unindo-nos ao sofrimento de Jesus para o resgate de toda a humanidade. Viver esta Semana Santa na fé é um grande desafio, mas somos convidados a fazer de nossa casa uma Igreja doméstica, a reunir nossa família e acompanhar pelas TVs católicas as celebrações das missas. Em comunhão espiritual, podemos nos unir a Jesus no dom de sua entrega total e rezar por todos os que estão sofrendo nos hospitais, e também por tantas pessoas que, a exemplo de Jesus, estão colocando a própria vida em risco para cuidar dos doentes ou prestar serviços essenciais. O que celebramos na Semana Santa é justamente o mistério da vida de Jesus e seu amor infinito, que se doa até o fim. É o esvaziamento do Deus que veio ao mundo como criança, ensinou o mandamento do amor e mostrou que é possível, em nossa humanidade, aproximar-nos do Pai e nos acolher como irmãos e irmãs, por que, em Deus, somos todos um. Mas talvez esta realidade ficou esquecida e foi necessário que um vírus invisível viesse nos mostrar que de fato somos um e o que acontece com os demais também nos atinge. A ressurreição de Jesus é a confirmação de tudo quanto Ele fez e ensinou. É o cumprimento da promessa da salvação de Deus que, em Jesus, liberta-nos da morte e nos convida a participar da vida plena. Mas, para chegar à ressurreição, Jesus enfrentou o sofrimento e a morte na Cruz. Nós também superaremos esta crise! Que Deus nos ajude a aprender de tudo o que estamos passando. Que Jesus nos dê a força da solidariedade para viver também o mistério da paixão, morte e ressurreição de toda a humanidade. Quinta-feira Santa Na verdade, o Tríduo Pascal começa na noite da quinta-feira, quando a Igreja recorda a última ceia de Jesus com os seus discípulos. Nessa missa, há o rito do lava-pés, em que Jesus revelou o caminho do serviço e do cuidado com o próximo. Conforme narra o Evangelho de São João, durante a refeição, Jesus pôs um avental, pegou uma toalha e lavou os pés dos seus discípulos. Depois os convidou a fazer o mesmo. Também lembramos a instituição da Eucaristia, quando Jesus, durante a ceia, tomou o pão e o vinho, e os deu aos discípulos, dizendo que eram o seu corpo e o seu sangue. Em todas as missas, fazemos a memória de Jesus, quando o padre consagra o pão e o vinho, que se tornam o corpo e o sangue de Cristo. Após a ceia, Jesus foi ao Monte das Oliveiras, ou Getsêmani, e, sabendo o que estava para acontecer, colocou-se em oração diante do Pai e pediu que afastasse o cálice da dor e da morte, mas se entregou totalmente, dizendo “Faça-se a tua vontade e não a minha”. Naquela mesma noite, Jesus foi preso, humilhado, maltratado… Nas igrejas, no fim da missa dessa noite, o Santíssimo Sacramento é retirado do sacrário e levado para outro local, onde a comunidade fica em adoração. Sexta-feira da Paixão Recordando a paixão e a morte de Jesus, que ocorreram na sexta-feira, os católicos fazem um dia de jejum e oração. Acompanhamos a Via-Sacra de Jesus, desde seu julgamento injusto e condenação à morte, sua flagelação e o caminho até o calvário, carregando a cruz de todas as maldades humanas. A Sexta-Feira da Paixão está muito presente na religiosidade popular, pois, diante de todas as dificuldades que o povo enfrenta para sobreviver, identifica-se com Jesus sofredor. No Senhor, encontra forças e esperança para suportar os desafios da vida. Nas igrejas de todo o mundo, os católicos se reúnem pelas três da tarde para rezar na mesma hora em que Jesus morreu na cruz. É o único dia do ano em que não se celebra a missa. Não se tocam instrumentos musicais e até o altar fica completamente despojado. É feita a narração da paixão de Jesus e se reza por todas as situações do mundo. Na adoração da Cruz, os fiéis se aproximam e beijam o crucifixo. É costume também haver a meditação da Via-Sacra pelas ruas, muitas vezes com encenações, acompanhando os passos de Jesus até o calvário. Na Via-Sacra, rezamos também por todas as pessoas que sofrem injustamente ou são perseguidas, pela superação das forças da morte que oprimem a humanidade, como a fome, o desemprego, a falta de sentido, a falta de saúde, de moradia e tudo o que destrói a dignidade humana, como o abuso sexual, as drogas e tantos outros. Também recordamos Maria, a mãe de Jesus, que o acompanhou em todos esses momentos, entregando-o a Deus. Em seu sofrimento, ela foi corredentora. Em muitas comunidades, há a tradição de rezar as sete dores de Maria. Sábado Santo No Sábado Santo, nós lembramos Jesus na sepultura. É um dia de silêncio e reflexão. Somos convidados a experimentar o vazio e refletir sobre tudo o que Jesus fez e significa em nossa vida. Na

“Tomem e comam”

“Desejei ardentemente comer esta ceia com vocês antes de sofrer” (Lc 22,14). Meu coração se consome de dor por ter de deixá-los. Por isso, invoquei o Pai, e Ele me concedeu uma maneira de continuar presente em cada um, cada uma de vocês. Meus sentimentos de amor, carinho e saudade já se antecipam à despedida. Sim, quero deixar-lhes um presente. Quero dar-lhes a mim mesmo como presente para que vocês possam continuar comigo. Como tudo que experimentei do Pai é verdadeiro, eis uma forma de permanecer, mesmo Eu tendo de partir. Quero tanto que vocês, meus discípulos e discípulas, experimentem em mim o que experimentei do Pai. E eu, mesmo partindo, continue tão vivo e presente em vocês como o Pai está em mim… Tinha de ser algo simples, mas profundo, capaz de transformar o mundo. Escolhi, então, a ceia, pois nada é tão íntimo como a amizade que nos une. E compartilhar o alimento representa a comunhão de nossas vidas. Então escolhi o pão, alimento que sustenta e sacia. Mas quero dar-lhes algo que seja mais que o pão. Quero lhes dar a mim mesmo! “Eu sou o pão da vida!” (Jo 6,35). Comam, isto é o meu corpo… Assim, alimentando-se de mim, minha vida circula em cada um de vocês. É a união perfeita do amor: Eu em vocês e vocês em mim. Assim, somos um, um único corpo. Da mesma forma, o sangue, derramado em sacrifício e redenção pelos pecados… É este sangue que lhes dou como bebida, este mesmo sangue gerado no ventre de Maria, alimentado com o amor do Pai e impregnado da essência da vida. O que melhor que o vinho para o assumir? O fruto da videira, esmagado e fermentado, transformado em espírito de festa e de alegria… O vinho da nova e eterna aliança, o vinho do nosso amor e amizade, e de tudo quanto compartilhamos… Este é o meu sangue! Tomai e bebei para que, circulando em suas veias, vocês possam participar da vida eterna que gozo junto do Pai. Venham! Aproximem-se. Este é o presente que lhes dou. Sou eu mesmo! Meu corpo e meu sangue! Agora não será mais despedida. Agora só encontro, permanência, comunhão. Não, não morrerei! A vida é mais forte do que a morte. Estarei com cada um, cada uma de vocês para sempre, e os alimentarei com meu corpo e meu sangue. Este é um compromisso eterno, selado com o sangue derramado na Cruz e confirmado pela Ressurreição. Venham, aproximem-se! Não há mais nada por que temer. Eu sou a VIDA, não existe mais a morte. Nem para mim nem para quem está comigo! Irmã Ana Elídia Caffer Neves, SSpSJornalista, membro da Equipe de Comunicação Congregacional e coordenadora de Comunicação da Província Stella Matutina (BRN)

Por que esta semana é santa?

A celebração da Páscoa é o ponto culminante da fé cristã. A ressurreição de Jesus é a confirmação de tudo quanto Ele fez e ensinou. É o cumprimento da promessa da salvação de Deus que, em Jesus, liberta-nos da morte e nos convida a participar da vida plena. Mas, para chegar à ressurreição, Jesus enfrentou o sofrimento e a morte na Cruz. O que celebramos na Semana Santa é justamente o mistério da vida de Jesus e seu amor infinito, que se doa até o fim. É o esvaziamento do Deus que veio ao mundo como criança, ensinou o mandamento do amor e mostrou que é possível, em nossa humanidade, aproximar-nos do Pai e nos acolher como irmãos e irmãs, por que, em Deus, somos todos um. A Semana Santa concentra os principais fatos relacionados à paixão, morte e ressurreição de Jesus, especialmente durante o Tríduo Pascal. Mas o que é o Tríduo Pascal? Como o nome diz, são os três dias de vivência intensa do mistério pascal: a Sexta-Feira Santa, o Sábado Santo e o Domingo de Páscoa. Quinta-feira Santa Na verdade, o Tríduo Pascal começa na noite da quinta-feira, quando a Igreja recorda a última ceia de Jesus com os seus discípulos. Nessa missa, há o rito do lava-pés, em que Jesus revelou o caminho do serviço e do cuidado com o próximo. Conforme narra o Evangelho de São João, durante a refeição, Jesus pôs um avental, pegou uma toalha e lavou os pés dos seus discípulos. Depois os convidou a fazer o mesmo. Também lembramos a instituição da Eucaristia, quando Jesus, durante a ceia, tomou o pão e o vinho, e os deu aos discípulos, dizendo que eram o seu corpo e o seu sangue. Em todas as missas, fazemos a memória de Jesus, quando o padre consagra o pão e o vinho, que se tornam o corpo e o sangue de Cristo. Após a ceia, Jesus foi ao Monte das Oliveiras, ou Getsêmani, e, sabendo o que estava para acontecer, colocou-se em oração diante do Pai e pediu que afastasse o cálice da dor e da morte, mas se entregou totalmente, dizendo “Faça-se a tua vontade e não a minha”. Naquela mesma noite, Jesus foi preso, humilhado, maltratado… Nas igrejas, no fim da missa dessa noite, o Santíssimo Sacramento é retirado do sacrário e levado para outro local, onde a comunidade fica em adoração. Sexta-feira da Paixão Recordando a paixão e a morte de Jesus, que ocorreram na sexta-feira, os católicos fazem um dia de jejum e oração. Acompanhamos a Via-Sacra de Jesus, desde seu julgamento injusto e condenação à morte, sua flagelação e o caminho até o calvário, carregando a cruz de todas as maldades humanas. A Sexta-Feira da Paixão está muito presente na religiosidade popular, pois, diante de todas as dificuldades que o povo enfrenta para sobreviver, identifica-se com Jesus sofredor. No Senhor, encontra forças e esperança para suportar os desafios da vida. Nas igrejas de todo o mundo, os católicos se reúnem pelas três da tarde para rezar na mesma hora em que Jesus morreu na cruz. É o único dia do ano em que não se celebra a missa. Não se tocam instrumentos musicais e até o altar fica completamente despojado. É feita a narração da paixão de Jesus e se reza por todas as situações do mundo. Na adoração da Cruz, os fiéis se aproximam e beijam o crucifixo. É costume também haver a meditação da Via-Sacra pelas ruas, muitas vezes com encenações, acompanhando os passos de Jesus até o calvário. Na Via-Sacra, rezamos também por todas as pessoas que sofrem injustamente ou são perseguidas, pela superação das forças da morte que oprimem a humanidade, como a fome, o desemprego, a falta de sentido, a falta de saúde, de moradia e tudo o que destrói a dignidade humana, como o abuso sexual, as drogas e tantos outros. Também recordamos Maria, a mãe de Jesus, que o acompanhou em todos esses momentos, entregando-o a Deus. Em seu sofrimento, ela foi corredentora. Em muitas comunidades, há a tradição de rezar as sete dores de Maria. Sábado Santo No Sábado Santo, nós lembramos Jesus na sepultura. É um dia de silêncio e reflexão. Somos convidados a experimentar o vazio e refletir sobre tudo o que Jesus fez e significa em nossa vida. Na tradição da Igreja, esse é o dia em que Jesus desce à região dos mortos e resgata Adão e toda a humanidade com ele. Mas, quando chega à noite, toda a tristeza transforma-se em alegria, durante a Vigília Pascal. Está é a mais bela e a mais longa de todas as celebrações. Começa do lado de fora da igreja, ao redor de uma fogueira. O fogo é abençoado e, com ele, acende-se o círio pascal, uma grande vela que é sinal da luz de Cristo ressuscitado. Depois, todo o povo, com velas na mão, entra na igreja ainda escura. O diácono ou o sacerdote entra carregando o círio e anuncia três vezes: “Eis a luz de Cristo!”, e o povo responde: “Demos graças a Deus!”. Da chama do círio pascal, todos acendem a sua vela, iluminando toda a igreja. Então com cantos, leituras e orações, recorda-se a história da salvação desde a criação do mundo até a ressurreição de Cristo. Na Igreja primitiva, a Vigília Pascal terminava ao amanhecer. Atualmente a celebração pode durar de duas a três horas. Além do anúncio da Páscoa, dos cantos alegres e animados, há também a celebração do batismo de adultos e a renovação das promessas batismais. Domingo de Páscoa Domingo é o Dia do Senhor por causa da Ressurreição de Jesus. De manhã bem cedo, as mulheres foram ao túmulo de Jesus e encontraram removida a pedra que o fechava e vazio o lugar. Um anjo anunciou-lhes que Jesus havia ressuscitado, e elas correram, cheias de alegria, anunciar aos apóstolos que Jesus estava vivo. Páscoa é a festa da vida que vence a morte. Por isso é cheia de símbolos que falam de

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