Vidas preciosas: uma homenagem às vítimas da pandemia

O ano de 2020 ficará marcado na história devido ao inesquecível surto do novo coronavírus. Centenas de milhares de pessoas em todo o mundo morreram em meio à pandemia, tanto pela doença conhecida como covid-19 quanto por outras enfermidades. Cada vida tem valor e é importante para o mundo. Um ato memorial justifica e honra o significado de uma vida única e bela. Neste dia, lembramos e homenageamos as vítimas da pandemia. O físico pode ter acabado, mas o vínculo permanece. Um memorial é momento de celebrar uma pessoa e o sentimento que por ela mantemos. É dizer adeus a um antigo relacionamento, relembrar uma vida bem vivida e mantê-la acesa por meio de lembranças, histórias, por dizer o nome da pessoa querida. A morte tem o poder de apenas tirar o físico, mas a vida permanece para sempre na partilha das histórias de nossos amados. Sim, temos a capacidade de manter vivos nossos entes queridos, por nossas memórias e nossa voz, e esse é, de fato, um poder incrível. “Deixem suas vidas permanecerem em nossas memórias e nossa dor em uma música.” Quando uma pessoa perde alguém querido, é comum realizar um funeral para celebrar sua vida. Mas, com o coronavírus se espalhando rapidamente, apenas os ligados a serviços fúnebres, enquanto trabalham silenciosamente nos bastidores, testemunham o tamanho da crise, chocados com o número de corpos deixados para trás. Funerais alheios a tradições e familiares e amigos privados de participar dos ritos de despedida tornam mais difícil a superação do luto. Lembro-me de quando minha avó morreu. Eu olhava para o rosto dela e tentava memorizar cada detalhe, sabendo que seria a última vez antes de ela ser sepultada. Na pandemia, a obrigação do distanciamento não tem dado a oportunidade de estar ao lado dos moribundos ou de cumprirem-se os ritos fúnebres. Sempre que vou de férias, uma coisa que gosto de fazer é folhear as páginas dos álbuns de fotos. Desejo conhecer as fotografias adicionadas durante minha ausência, então me sento com minha mãe para ouvir a história das novas imagens ou das recuperadas. Embora hoje tiremos milhares de fotos e as salvemos em nossos celulares, computadores, elas não podem ser comparadas às dos álbuns. Nas últimas férias, quando pude visitar minha família, exerci minha atividade favorita de folhear aquelas páginas. Encontrei a foto de minha infância. Fiquei muito surpresa ao me ver como uma criança pequena, em um vestido marrom estampado com flores brancas, e meu pai me segurando… A foto contava a história do “tempo”. Para uma criança, o tempo é eterno, mas agora, como adulta, interpreto como passado. Meu sentimento principal quando olhei aquelas fotos foi de tristeza: meu pai falecido… O tempo passa, o momento passa ao clique do obturador. Mas essas imagens são uma fonte de memórias ligadas à tristeza. Ao testemunhar a morte de um querido, você percebe que o tempo não é eterno e nossos amados também partem. “Dias e noites passam, também a vida como as árvores testemunham as estações da vida.” “Para tudo há uma ocasião e um tempo para cada propósito debaixo do céu: tempo de nascer e tempo de morrer, tempo de plantar e tempo de arrancar o que se plantou” (Eclesiastes 3,1-2). Quando alguém morre, somos forçados a refletir sobre o significado da vida e da morte. Somos obrigados a reconhecer e aceitar a realidade da finitude. Ao enfrentar esse fato, muitas vezes, restam as perguntas: “Por que eles morreram?”, “Por que isso está acontecendo comigo?”. A verdade é que todo mundo morre. Um rito fúnebre pode nos ajudar a lembrar que morrer é inevitável, ao mesmo tempo em que nos encoraja a viver nossas vidas com zelo e paixão, porque ninguém vive para sempre e não nos foi prometido outro dia. Reconhecer a morte e a necessidade de viver uma vida plena oferece esperança para os vivos. Assista ao vídeo em homenagem às vítimas da pandemia. Ir.Elizabeth Rani, é missionária serva do espírito santo, nascida na Índia e há um ano no Brasil. Estudou Pedagogia e Literatura Inglesa e faz parteda Equipe de Comunicação da Província.
SSpS: 118 anos de presença missionária no Brasil

No dia 20 de agosto, as missionárias servas do Espírito Santo (SSpS) recordam a chegada das seis primeiras irmãs ao Brasil, em 1902. Naquela época, com apenas 13 anos de fundação, a jovem Congregação experimentava uma vitalidade missionária extraordinária. Fundada em Steyl, na Holanda, já havia enviado missionárias para Argentina (1895), Togo (1897), Papua-Nova Guiné (1899) e Estados Unidos (1891). A disposição de vir para o Brasil partiu do próprio fundador, Santo Arnaldo Janssen. Após muita oração e discernimento, ele decidiu pelo envio do grupo pioneiro. Madre Josefa era a Superiora-Geral e ajudou a preparar as irmãs. Eram elas as irmãs Walburgis, Laurência, Bonifácia, Crescência, Regina e Córdula. O objetivo principal das missionárias na América Latina era reavivar a fé nas famílias cristãs. No Brasil, havia também a grande necessidade de escolas. Por isso, as irmãs já vieram focadas em iniciar um colégio, a partir do qual poderiam estar em contato com muitas pessoas. É surpreendente a coragem das primeiras missionárias. Em janeiro de 1903, poucos meses após a chegada, ainda mal falando o português, deram início a uma escola que depois viria a se tornar o Colégio Stela Matutina, em Juiz de Fora-MG. Depois delas, outras irmãs foram chegando, não somente para as escolas, mas também para trabalhar em hospitais e nas pastorais. Muito rapidamente, espalharam-se pelo Brasil, assumindo diferentes frentes missionárias, especialmente em locais onde as necessidades eram maiores. Em 1963, quando decidiram estabelecer uma segunda província no Brasil, já somavam um total de 461 irmãs, entre missionárias vindas da Europa e irmãs brasileiras. Sempre atentas aos apelos do Espírito Santo, as missionárias SSpS acompanharam as grandes transformações pelas quais passou a Igreja, com o Concílio Vaticano II e as conferências de Medellín e Puebla. Foram ao encontro dos mais pobres nas periferias das grandes cidades e para o interior, nos locais onde a Igreja ainda não estava devidamente estabelecida. Desde então, marca presença também com populações indígenas. Atualmente, o número de missionárias SSpS no Brasil está em torno de 200, organizadas nas províncias Stela Matutina (Estados de São Paulo, Tocantins, Rio de Janeiro e Minas Gerais) e Divina Sabedoria (Paraná, Santa Catarina, Mato Grosso do Sul, Rondônia, Pará, Amazonas e Roraima). Um aspecto marcante da Congregação, e que sempre esteve presente nestes 118 anos no Brasil, é a interculturalidade. No início, isso se dava pela presença de irmãs europeias e brasileiras. Atualmente, a variedade cultural está crescendo, com a chegada de irmãs de outros continentes, especialmente da Ásia. O compromisso com a vida e a busca de construir comunhão se fortalecem com as práticas cotidianas de “Justiça, Paz e Integridade da Criação”, conhecidas pela sigla Jupic, e que fazem parte do estilo de vida das missionárias. Concretamente, significa que as irmãs priorizam o cuidado com a ecologia, defendem os direitos humanos e os grupos menos favorecidos, assumem as principais causas sociais e promovem uma cultura de paz, fundamentadas nos valores do Evangelho. Os campos de missão são muito diversificados em cada uma das províncias. Mas, ao viverem o carisma missionário e a espiritualidade trinitária, seja qual for a obra social, educacional, pastoral ou da área da saúde, as irmãs sempre buscam vivenciar o lema de nossa congregação “Viva Deus Uno e Trino em nossos corações e nos corações de todas as pessoas”. Irmãs SSpS Brasil Norte em sua história…
Centro Missionário abre novos cursos

A formação missionária e pastoral dos leigos e leigas é uma das prioridades do Centro Missionário Cultural Santíssima Trindade, em São Paulo-SP. A instituição está abrindo inscrições para quatro novos cursos, todos marcados para começar em 2020. As formações são direcionadas a catequistas, lideranças paroquiais e de comunidades, agentes de pastoral em geral, mas também a educadores e católicos em geral que desejam aprofundar na fé e nos conhecimentos bíblicos. A duração é de quatro meses, de 5 de março a 2 de julho, às quintas-feiras, das 19h30min às 21h30min, no Centro Missionário. Além de professores muito capacitados, o ambiente do curso é agradável, com salas confortáveis e bem equipadas, rodeadas de varandas e de jardim, uma vez que o Centro Missionário funciona dentro do Convento Santíssima Trindade. Conheça o local… Outra conveniência é a facilidade de acesso ao local. Diversas linhas de ônibus param bem em frente, e a estação Borba Gato, da Linha Lilás do Metrô, fica a apenas sete minutos a pé. Conheça os cursos VAGAS ESGOTADAS – O Curso Perdão e Reconciliação é teórico e vivencial, com dinâmicas que ajudam a lidar com os conflitos em família, nas comunidades ou outros, buscando caminhos de superação e de melhoria dos relacionamentos e alívio do sofrimento. Ver mais… O Curso Bíblico abordará as cartas de São Paulo, revelando sobre a vida do apóstolo e das primeiras comunidades cristãs. Será um mergulho no tempo e uma oportunidade de conhecer o pensamento paulino e a teologia presente nos escritos daquele que é uma das colunas da Igreja. Ver mais… VAGAS ESGOTADAS – Para as pessoas que têm dificuldade de falar em público, o Curso Como Falar em Público oferece a oportunidade de não apenas treinar práticas de retórica e oratória, mas também de conhecer e trabalhar os próprios bloqueios e dificuldades, melhorando a comunicação e a habilidade de falar em público. Ver mais… Para quem trabalha na catequese, pastoral do batismo, crisma e outras pastorais, o Curso de Formação para Catequistas dará a preparação necessária para trabalhar tanto os conteúdos como a didática. É ideal também para quem deseja estar a serviço da evangelização em diferentes situações. Ver mais… Os interessados poderão se inscrever a partir de agora, garantindo sua vaga. O cadastro pode ser feito on-line, acessando o link, pelo WhatsApp (11 98550-0227) ou no próprio local do curso. O endereço é Rua São Benedito, 2146 – Santo Amaro, São Paulo-SP.
Natal feliz sem estresse

De repente, saímos à rua e vemos os enfeites de Natal, e só então nos damos conta de que mais um ano se passou e já estamos com tudo atrasado para as festas de fim de ano. Passado o susto inicial, vêm reflexões como “mais um ano que termina, e não fiz um terço do que tinha me proposto”; “o Natal e as férias estão chegando, e não organizei nada; jurei que este ano seria diferente!”, e assim vai. Frustrações, ansiedades, expectativas se mesclam com lembranças, saudades e sentimentos de solidão para alguns. Tudo isso é sinônimo de estresse. Importantíssimo lembrar que só podemos mudar efetivamente o que depende de nós. E, para isso, precisamos mudar paradigmas. Assuma, por exemplo, que aquela prima que sempre diz que ajudará você a preparar a festa e sempre se atrapalha não mudará, então pare de esperar pela ajuda dela e assuma o que apenas depende de você fazer. Assuma também que o dia somente tem 24 horas e que você tem limites de ação. Aprenda a delegar coisas e, se não fizerem, não se fez e pronto. Simplifique sua vida. De nada adianta fazermos tudo o que cremos que deve ser feito e chegarmos exaustos ao Natal. A palavra crise vem do grego krisis, que significa julgar, selecionar. Então avalie e selecione o que você tem como prioridade e o que pode fazer sem se exaurir. Santo Agostinho já recomendava as reflexões diárias como método de autoaprimoramento e evolução da consciência, então vamos lá. Sem a consciência da necessidade da mudança de atitudes e paradigmas, nada muda. Em Programação Neurolinguística (PNL), dizemos que “loucura é fazermos sempre a mesma coisa esperando resultados diferentes”. Fomos criados numa sociedade que nos cobra acertarmos sempre, fazermos tudo sempre perfeito, sermos sempre vencedores, e a realidade da vida não é essa; somos apenas seres humanos com possibilidades e limites. A cada vez que um leão sai para caçar, sete vezes volta com fome. A vida é assim, e precisamos encarar as realidades. Observe a si mesmo e verifique o que lhe traz conforto e desconforto. Use isso como referência de autorrespeito. Não é egoísmo, é autorrespeito. O dinheiro está curto? Então não comprarei presentes e já avisarei a todos. Estou muito cansado, cansada? Então não farei aquele peru que preparo todos os anos e todos adoram, vamos comprar pronto, por exemplo. Simplifique, faça essa experiência. Você vai se surpreender com os resultados. Deixemos então falsas expectativas de lado, sejamos realistas e selecionemos o que é possível e prioritário. Também em PNL aprendemos que o cérebro se organiza melhor quando fazemos planos por escrito. Não é lista no celular, é escrever mesmo, num papel, e se dando prazos. Como “até dia tal, estarei com tais coisas resolvidas e, para isso, preciso priorizar isso e aquilo”. Outra coisa que ajuda muito no gerenciamento do estresse, em qualquer época, é o ato de prestarmos atenção em nós, em cada momento, intencionalmente, especialmente observarmos nossa respiração. Essa simples e eficaz técnica faz parte do repertório de atitudes orientais para a saúde, que são as chamadas práticas meditativas. Há milênios que a sabedoria oriental tem muitas práticas para a saúde e que, apenas há poucas décadas, o Ocidente vem olhando e aproveitando. Você pode parar para fazer essa observação de sua respiração regularmente, todos os dias, durante cinco a dez minutos, sempre no mesmo horário, de preferência; por exemplo, ao acordar ou antes de dormir, ou no intervalo do almoço, e então simplesmente observar a respiração, o ar que entra e que sai e, muito importante, observar as sensações que vêm enquanto você observa a respiração. Quando os pensamentos vierem, deixe que passem como nuvens levadas pelo vento e volte a prestar atenção na respiração, apenas isso. Fique nessa prática enquanto estiver confortável ou pelo tempo que você tiver disponível, também em qualquer momento do dia em que você estiver muito ansioso, irritado, estressado, como na enorme fila do supermercado. Você pode se desligar do entorno e simplesmente, por um ou dois minutos, observar sua respiração com atenção. Essas pequenas pausas ao longo do dia acalmarão sua mente e melhorar todo o funcionamento cerebral. Assim você ficará mais produtivo, produtiva. Experiente e verá. Quando puder, faça também planos para o ano que virá, faça isso por escrito, olhando um calendário, escrevendo o que quer, como agirá para chegar lá, ou seja, quais estratégias usará, quais recursos já tem para alcançar a meta, quais lhe faltam e que prazos terá. Isso também aliviará o estresse que surge ao pensar no novo ano que está chegando. Se, nesta época, você se sente nostálgico, solitário, então é hora de se engajar em uma obra filantrópica e levar seu carinho e atenção aos que precisam mais que você, exercendo assim o mais puro espírito cristão. E por falar em espírito cristão, lembremo-nos sempre da finalidade essencial do Natal, que é o nascimento do Cristo. Pense: como posso, nesta época, sintonizar minha alma com o Cristo? Que práticas espirituais diárias podem ser feitas para cultivar o espírito cristão diariamente até a chegada do Natal? Cinira A. PalottaBióloga, pós-graduada em Cuidados Integrativos (Departamento de Neurologia da Unifesp), professora de Ioga, mestra em PNL e terapeuta em florais de Bach.
À Luz do Evangelho Dominical

Já estamos no terceiro domingo do Advento, chamado “Gaudete”. A liturgia ganha um tom de alegria, dando uma amostra de como será o encontro com o Senhor, que já está perto. O Evangelho de Mateus (11,2-11) coloca próximos Jesus e João Batista, precursor de Cristo e, segundo o Mestre, o maior entre os que já nasceram, mas ínfimo diante do menor no Reino dos Céus. Padre Arlindo Dias, missionário do Verbo Divino, reflete que João teve a missão de anunciar o Cristo que viria libertar o povo. Diante das ações de Jesus, que comunicava paz, vida e esperança aos marginalizados, em vez de um motim, o Precursor parece confuso e busca saber se o ilustre primo era realmente o Ungido que libertaria Israel da opressão. Como resposta, Jesus baseia-se na profecia de Isaías e descreve um pouco de suas ações de resgate da dignidade do ser humano e evangelização dos pobres. “Feliz aquele que não se escandaliza por causa de mim” (Mt 11,6). O espanto que Jesus provoca é o da misericórdia, bem diferente de um “vingador” esperado pelo povo, pelas autoridades e mesmo pelo Batista e discípulos. Assista à produção da Verbo Filmes e saiba mais.
Ensino Religioso nas escolas

Em 2015, a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) começou a ser elaborada a partir da análise e da reflexão dos documentos curriculares já existentes. Sua ideia é de apresentar o que se deve aprender nas escolas brasileiras da educação infantil ao ensino médio, garantindo o direito à aprendizagem dos estudantes, de uma formação democrática, inclusiva e integral. Finalidade do Ensino Religioso Uma das grandes novidades apresentadas na BNCC está nas competências que ela oferece e, de forma especial, para o Ensino Religioso. Das competências propostas pela Base Nacional Curricular para o Ensino Religioso, ideias como conhecer diferenças, respeitar manifestações religiosas, diretos humanos e cultura de paz constituem conceitos-chave para serem ensinados, bem como a educação socioemocional que, além de permear todas as áreas, está também muito presente aqui. O objetivo é oferecer aos estudantes conteúdos que fundamentam a perspectiva religiosa do ser humano, despertando para o desenvolvimento da espiritualidade e para um maior compromisso com a construção de um mundo melhor, como lembra a orientação das escolas da Rede das Irmãs Servas do Espírito Santo. Para que isso se torne prática, a formação dos educadores é o caminho. Isso se dá com estudo, leituras, reflexões e participação em simpósios e congressos. Espírito ecumênico e inter-religioso Um grupo de educadores da Rede de Educação marcou presença no X Congresso Nacional de Ensino Religioso (Conere), na PUC Paraná, em Curitiba, entre os dias 18 e 20 de novembro. Além dos temas referentes ao Ensino Religioso, Ciências da Religião e Teologias, o encontro, que reuniu pessoas de diferentes denominações religiosas, provocou os participantes a pensar os desafios do mundo contemporâneo, apresentando perspectivas práticas para a vida cotidiana diante de um mundo que muda a cada instante. Em relação à Casa Comum, uma das reflexões que mais chamaram a atenção foi proferida pelo pastor Werner Fucks. De forma profunda e lúcida, além de levar questões urgentes para repensar um estilo de vida sustentável, salientou o quanto temos de aprender com a natureza sobre sua capacidade de regeneração. Dialogar e ouvir diferentes visões de mundo, que foram das cosmologias religiosas às agnósticas, em clima de harmonia e respeito, foi outra característica marcante do encontro, em sintonia com o conceito de “religare” que nos irmana. Assim, os participantes das escolas da Rede das Irmãs Servas do Espírito Santo retornam para suas realidades ressignificados e comprometidos em multiplicar o conhecimento adquirido, além de levarem a responsabilidade de promover uma educação em que tolerância e respeito andem de mãos dadas. Agostinho Travençolo Júnior, educador e coordenador da Dimensão Missionária da Rede de Educação SSpS. _______
Bibliodrama: uma experiência de vida

Durante o ano de 2019, o grupo de coordenadores missionários da Rede de Educação, de missionários leigos de Deus Uno e Trino e das irmãs missionárias servas do Espírito Santo se reuniu no Centro Missionário Cultural Santíssima Trindade, em São Paulo-SP, para o Curso de Bibliodrama. A formação foi ministrada por irmão Paolo de Lucca, SVD; irmã Maria de Fátima Marques, SSpS; irmã Heloíse Matos, SSpS; e Agostinho Travençolo Júnior, coordenador missionário. O encontro de encerramento foi no fim de semana, entre 29 de novembro e 1º de dezembro. A temática envolveu sonho e missão que perpassam o encontro com a Palavra. Foram dias de crescimento pessoal, vivência em grupo e aprofundamento da fé. A cada encontro, tive a oportunidade de trazer a Bíblia para a centralidade de minha vida, de maneira única, diferente de todas as outras, levada por minhas intuições, emoções, revelando que Deus comunica-se comigo e que o Espírito está em ação, pela escuta, pela transformação. Nem sempre, nos encontros de bibliodrama, foi possível nomear as emoções, mas foi possível vivenciá-las e promover um encontro comigo mesma e com o outro. Tive, em muitos momentos, oportunidade de escutar, ouvir com atenção, ser ouvida, perguntar, responder, compreender a dor do outro que, muitas vezes, era a minha também e não a percebia… Pela dança, um dos elementos do bibliodrama, tive a chance de vivenciar maior interação com o grupo e de deixar pulsar no coração sentimentos vividos na experiência da Palavra. Neste último encontro, fizemos a experiência do bibliodrama completo: estruturação do texto, leituras, esculturas, gestos, “bibliolog”, entrevistas, entre outros. Estes me fizeram crer que é bom olhar para dentro de mim e contar minha história, relembrar meu caminho, percebendo que Jesus me fala também por meio de outras pessoas. Um fim de semana rico de novas experiências que contribuíram para minha própria história e para minha prática como educadora. Um curso que me fez ressignificar o valor das pequenas coisas: sentar-me à mesa com a família, escutar com paciência meus filhos, alunos, amigos, viver intensamente cada momento, descobrir o que há de especial em cada pessoa sem me prender a aparências e rótulos, perdoar para ter a capacidade de amar intensamente e agradecer sempre. _ “Se eu quiser falar com Deus tenho que me aventurar Eu tenho que subir aos céus Sem cordas pra segurar tenho que dizer adeus dar as costas, caminhar“ (Gilberto Gil, “Se eu quiser falar com Deus”) Luciana Marzullo Araujo, coordenadora da Pastoral Missionária no Colégio Stella Matutina, pedagoga e cientista das religiões. ________
À Luz do Evangelho Dominical

Neste segundo domingo do Advento, a Igreja celebra a Solenidade da Imaculada Conceição de Maria. A liturgia destaca o Evangelho de Lucas (1,26-38), que narra o anúncio de dois nascimentos: o de Jesus e o de João Batista, cumprindo as profecias. Padre Arlindo Dias, missionário do Verbo Divino, explica que a mensagem é dada pelo Anjo Gabriel, que significa “A Força de Deus”. No pequeno povoado de Nazaré, Deus encontra Maria e a chama “Cheia de Graça”. O evento é marcado por algumas transgressões às normas religiosas daquele tempo e um alerta contra aquilo que, em nome de Deus, é usado para marginalizar, oprimir. Ao responder “Eu sou a serva do Senhor”, a Mãe de Jesus se identifica com todo o povo que punha em Deus a confiança. Quais situações de hoje pequem que nos tornemos servos, servas do Senhor? Assista à produção da Verbo Filmes e saiba mais.
Reeducação dos homens diminui violência contra a mulher

Projeto Construindo Novos Valores: uma perspectiva de promover a equidade de gênero. A violência doméstica e familiar contra as mulheres apresenta um grande entrave para a conquista da equidade de gênero e exige a formulação de políticas públicas específicas para a sua prevenção e combate. Com a promulgação da Lei 11.340 (Lei Maria da Penha), em 2006, o debate sobre serviços de atendimento a homens autores de violência tem atraído cada vez mais visibilidade. Apesar de escassos no Brasil, esses serviços, denominados como “centros de educação e de reabilitação” ou “programas de recuperação e reeducação” nos artigos 35 e 45 da Lei, são consolidados em vários países como um complemento às iniciativas voltadas às mulheres. Esses espaços devem proporcionar o engajamento da população masculina na promoção da equidade de gênero e nas ações pelo fim da violência praticada por homens contra as mulheres. A importância de criar espaços de atendimento para homens autores de violência contra mulheres está na possibilidade de proporcionar ao sujeito a chance de reconhecer suas dificuldades e criar instrumentos para lidar com elas. “Eu não sei o que acontece, mas, quando ela fala alto comigo, eu perco a noção; quando vejo, já bati. Eu gosto dela, gosto muito”, ouvimos de um autor de violência. Ao ser questionado sobre o porquê dessa agressividade ao ouvir uma fala em um tom mais alto, após alguns minutos pensando, respondeu: “Acho que é porque, quando eu era pequeno, meu pai chegava bêbado em casa, ele gritava e batia na gente”, referindo-se aos irmãos e à mãe. A Lei Maria da Penha significou uma conquista e tem se traduzido em avanço no acesso aos direitos específicos das mulheres. A partir da norma, os crimes de violência contra a mulher começaram a ser mais visíveis, passando a ser combatidos e punidos. Porém uma lei por si só não transforma uma realidade. Ela precisa ser acompanhada de uma ampla mudança de paradigmas, de desconstrução de velhos valores e a elaboração de novas formas educacionais e culturais. Em uma sociedade que tem como prioridade o capital, todos os sujeitos se tornam vítimas constantes das diversas formas de violência, reproduzidas nas relações sociais. O Projeto Construindo Novos Valores foi criado, em 2014, para buscar compreender e apresentar ferramentas para combater a violência de gênero, especificamente a ocorrida no espaço doméstico, local e resultado de relações de poderes, onde as vítimas, em sua maioria, são esposas e filhas dos autores da agressão. A iniciativa é voltada para homens que se encontram em conflitos familiares causados por violência doméstica contra as mulheres. A partir de um processo de responsabilização, reflexão e reeducação, mediante atendimentos gratuitos, discutimos assuntos voltados à masculinidade, gênero, relações marido-mulher, o sentimento de posse, o perdão e o autoperdão. O objetivo é orientar o homem a rever e transformar os próprios valores, trabalhar a agressividade e a adotar um estilo de vida mais equilibrado. Os atendimentos individuais e em grupo são realizados por uma equipe composta por quatro psicólogos e três assistentes sociais. São realizados em espaço cedido generosamente pela Fundação Julita, localizado a Rua Nova do Tuparoquera, 249 – Jardim São Luís, em São Paulo-SP. Às segundas-feiras, das 19h às 21h, há os grupos psicossociais; às terças-feiras, das 18h às 21h, o acolhimento; e, às quartas-feiras, das 18h às 21h, atendimentos individuais. Os serviços são ofertados aos homens em conflitos familiares que chegam encaminhados pelo Judiciário e serviços de garantia de direitos do território, assim como aqueles que buscam o projeto de forma espontânea. Para além dos atendimentos diretos, o Projeto Construindo Novos Valores trabalha a prevenção da violência e a promoção da cultura de paz por meio da oficina “Ninguém mete a colher”, junto ao Fórum Social Sul, a Rede de Saúde e a Rede de Educação. Trabalhar com os homens é fazer política pública de enfrentamento à violência contra a mulher. Venha fazer parte conosco, associe-se ao Instituto Novos Valores. Rosita da Cruz Assistente social Especialista em Políticas Públicas Fundadora e presidente do Instituto Novos Valores cnv.inova@gmail.com (11) 95123-7672
Curso de Teologia celebra primeira formatura

A primeira turma de Formação Teológica e Missionária para Leigos recebeu o certificado de conclusão após três anos de estudos. O grupo de 70 formandos com seus familiares e amigos, alunos, professores e membros da equipe expressaram muita alegria e gratidão por todo o processo vivenciado, especialmente a convivência, os conhecimentos adquiridos e o compromisso com a missão. A formanda Joselene Maria Rosa Marinho participa da Pastoral da Saúde, é ministra extraordinária da comunhão eucarística e membro do Apostolado da Oração. Para ela, o curso ajudou a aprofundar o amor incondicional do Pai, que precisa ser partilhado com os “irmãos deste mundo”. “As disciplinas foram excelentes porque abriram nossa mente para um conhecimento maior da Palavra de Deus”, acrescenta. “O curso, para mim, foi um oásis, aprendizagem, conhecimento, crescimento, foi um desamarrar de ideias”, afirmou Márcia Bozza Gomez. Formada em Filosofia, sempre atuou na educação e pretende empregar os novos conhecimentos em sua ação pastoral na paróquia, nas visitas que realiza há dez anos na Santa Casa de Santo Amaro, no trabalho de meditação com os funcionários no Regional Sul e também na Pastoral da Escuta, que, segundo ela, é o mais difícil. Carlos Eduardo Guenka coordena, junto com a esposa, a Pastoral Familiar da Diocese de Santo Amaro e trabalha em conexão com várias outras pastorais. Para ele, o curso lhe abriu os olhos para várias questões, além da oportunidade de conhecer mais a fé e “sair da posição de espectador para a de entender melhor a Teologia que alinha fé e razão”. Ele está confiante que o curso vai ajuda-los na formação espiritual das famílias, especialmente as divididas ou em segunda união, além dos noivos. “O conhecimento do curso, com certeza, nos fará multiplicadores de temas importantes para o cristão”, completa. A criação do curso é fruto da parceria da Congregação das Missionárias Servas do Espírito Santo com a Diocese de Santo Amaro, em São Paulo-SP. Em 2016, apresentaram ao bispo a proposta de um trabalho conjunto visando à formação missionária de leigos e leigas no espaço do Centro Missionário Cultural Santíssima Trindade, localizado na Diocese. Segundo a Ir. Ana Elídia C. Neves, uma das idealizadoras e membro da equipe de coordenação, o bispo de Santo Amaro, Dom José Negri, acolheu a proposta das irmãs e indicou o Pe. Francisco das Chagas para representar a Diocese na viabilização do projeto. Padre Oswair Cavalheiro, coordenador do Comidi (Comissão Missionária Diocesana), logo aderiu e, com a participação de um grupo muito dedicado de leigos e leigas, formaram uma equipe para pensar e organizar o curso. Percebendo a necessidade de um curso de Teologia para os agentes de pastoral, a equipe de voluntários se reuniu inúmeras vezes para planejar a formação, que teve início em março de 2017. Padre Oswair comenta que foi a oração, a reflexão e a busca da vontade de Deus que fortaleceram a equipe para assumir tal desafio. Padre Chagas acrescenta que outro elemento fundamental foi o relacionamento fraterno e a amizade que se construiu no grupo. Os professores foram escolhidos em vista da qualidade do conteúdo e de uma comunicação acessível às pessoas que vinham das paróquias, com diferentes níveis de escolaridade. O bom acolhimento, desde o início, estava entre os objetivos do curso e se manifestou na presença da equipe, no lanche, no ambiente e no carinho com que todos os alunos sempre foram recebidos. O curso começou com duas salas, e o número de inscrições superou a expectativa dos organizadores. Atualmente ocupa cinco salas, com um total aproximado de 200 alunos. Com a formatura, já estão abertas as inscrições para duas novas turmas para março de 2020. As aulas são realizadas sempre às terças-feiras, das 19h30min às 21h30min. A partir do próximo ano, o Centro Missionário também oferecerá cursos mais curtos, de apenas um semestre, para a formação de catequistas, e outros, como Bíblia, como falar em público e sobre perdão e reconciliação. Para mais informações e inscrições clique abaixo.