Novena de Pentecostes – 3º dia: Discernir a ação do Espírito Santo em minha vida

Pedindo a graça da cura e superação da pandemia do covid-19 Adaptada do livro “Orações Vocacionais e Missionárias”, páginas 49 a 65 – Missionárias Servas do Espírito Santo. Oração Inicial Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém! Enviai, Senhor, o vosso Espírito e tudo será criado!E renovareis a face da Terra. Ó Deus, que instruístes os corações de vossos fiéiscom a luz do Espírito Santo,concedei-nos que neste mesmo Espírito,conheçamos o que é reto e sempre gozemosde sua consolação. Por Cristo, nosso Senhor. Amém! Graça a pedir:Apresentar a Deus minhas intenções e a graça que quero pedir ao Espírito Santo paraesta Novena de Pentecostes, especialmente por todas as pessoas que estão sofrendo em consequência da pandemia do Covid 19: doentes, familiares, profissionais de saúde e todos os que se arriscam pelo bem das outras pessoas. Divino Espírito Santo,tu que és o amor que une o Pai e o Filhona unidade da Trindade, venha em auxíliode nossa Igreja, de nossas famílias, de nossascomunidades e de cada um de nossos irmãos e irmãsque sofrem em consequência da pandemia do Covid 19. Que possamos, inspirados (as) por ti, encontrar o caminhoda solidariedade, do amor, do respeito e da reconciliação.Ajuda-nos a superar todas as situações que enfrentamospor causa do coronavírus e a viver o projeto do Reino de Deusque é amor e comunhão. Desejamos ardentemente um novo tempo e uma vida nova.Por isso, converte os nossos corações, transforma nossosconflitos, dificuldades e sofrimentos em sinal de esperança e nosconduza pelos caminhos da saúde e da paz. Amém.______________________________________________ O Espírito Santo é o amor entre o Pai e o Filho que transborda da Trindade Santa e inunda o coração. Palavra de Deus Na Primeira Carta aos Coríntios, São Paulo apresenta este belíssimo hino ao amor: Leitura: 1Cor 13, 1-8a “Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, se não tiver caridade, sou como o bronze que soa, ou como o címbalo que retine. Mesmo que eu tivesse o dom da profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência; mesmo que tivesse toda a fé, a ponto de transportar montanhas, se não tiver caridade, não sou nada. Ainda que distribuísse todos os meus bens em sustento dos pobres, e ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado, se não tiver caridade, de nada valeria! A caridade é paciente, a caridade é bondosa. Não tem inveja. A caridade não é orgulhosa. Não é arrogante. Nem escandalosa. Não busca os seus próprios interesses, não se irrita, não guarda rancor. Não se alegra com a injustiça, mas se rejubila com a verdade. Tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. A caridade jamais acabará.” Interiorização da Palavra: Reler o texto e deixar que a Palavra penetre o coração. Quais os critérios de discernimento que este texto apresenta para saber se minhas ações são realmente inspiradas pelo Espírito Santo? O discernimento tem sido uma prática em minha vida? De que forma? Oração ao Espírito Santo Santo Agostinho Respirai em mim, ó Espírito Santo,Para que seja santo o meu pensar. Impeli-me, ó Espírito Santo.Para que seja santo o meu agir. Atraí-me, ó Espírito Santo.Para que eu ame o que é santo. Fortalecei-me, ó Espírito santo.Para que eu proteja o que é santo. Protegei-me, ó Espírito Santo.Para que jamais eu perca o que é santo.______________________________________________ Oração Conclusiva Divino Espírito Santo, derrama sobre nósos teus dons de sabedoria, entendimento,ciência, fortaleza, piedade, conselho e temor de Deus para que possamos, iluminados (as) pela tua graça, descobrir qual é a vontade do Paia nosso respeito e assumir com maior empenhoa missão que Jesus nos confia nesse tempo de pandemia. Amém! Bênção: O Senhor nos abençoe e nos proteja.Faça resplandecer sua face sobre nós e nos conceda sua misericórdia e sua paz.Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém!
Novena de Pentecostes – 2º dia: Os frutos do Espírito Santo

Pedindo a graça da cura e superação da pandemia do covid-19 Adaptada do livro “Orações Vocacionais e Missionárias”, páginas 49 a 65 – Missionárias Servas do Espírito Santo. Oração Inicial Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém! Enviai, Senhor, o vosso Espírito e tudo será criado!E renovareis a face da Terra. Ó Deus, que instruístes os corações de vossos fiéiscom a luz do Espírito Santo,concedei-nos que neste mesmo Espírito,conheçamos o que é reto e sempre gozemosde sua consolação. Por Cristo, nosso Senhor. Amém! Graça a pedir:Apresentar a Deus minhas intenções e a graça que quero pedir ao Espírito Santo paraesta Novena de Pentecostes, especialmente por todas as pessoas que estão sofrendo em consequência da pandemia do Covid 19: doentes, familiares, profissionais de saúde e todos os que se arriscam pelo bem das outras pessoas. Divino Espírito Santo,tu que és o amor que une o Pai e o Filhona unidade da Trindade, venha em auxíliode nossa Igreja, de nossas famílias, de nossascomunidades e de cada um de nossos irmãos e irmãsque sofrem em consequência da pandemia do Covid 19. Que possamos, inspirados (as) por ti, encontrar o caminhoda solidariedade, do amor, do respeito e da reconciliação.Ajuda-nos a superar todas as situações que enfrentamospor causa do coronavírus e a viver o projeto do Reino de Deusque é amor e comunhão. Desejamos ardentemente um novo tempo e uma vida nova.Por isso, converte os nossos corações, transforma nossosconflitos, dificuldades e sofrimentos em sinal de esperança e nosconduza pelos caminhos da saúde e da paz. Amém.______________________________________________ Sou convidado (a) a viver segundo o Espírito. Mas como sei se é realmente o Espírito de Deus quem me guia e me conduz?A árvore se conhece pelos seus frutos (cf. Mt 7, 18). Da mesma forma reconheço se o que faço vem de Deus pelos bons frutos que produzo. O principal fruto do Espírito Santo é o amor. Palavra de Deus São Paulo, em sua Carta aos Gálatas, nos ajuda a identificar o que vem do egoísmo e o que é ação do Espírito Santo. Leitura: Gal. 5, 16-26 “Por isso é que lhes digo: vivam segundo o Espírito, e assim não farão mais o que os instintos egoístas desejam. Porque os instintos egoístas têm desejos que estão contra o Espírito, e o Espírito contra os instintos egoístas; os dois estão em conflito, de modo que vocês não fazem o que querem. Mas se forem conduzidos pelo Espírito, vocês não estarão mais submetidos à Lei. Além disso, as obras dos instintos egoístas são bem conhecidas: fornicação, impureza, libertinagem, idolatria, feitiçaria, ódio, discórdia, ciúme, ira, rivalidade, divisão, sectarismo, inveja, bebedeira, orgias e outras coisas semelhantes. Repito o que já disse: os que fazem tais coisas não herdarão o Reino de Deus. Mas o fruto ao Espírito é amor, alegria, paz, paciência, bondade, benevolência, fé, mansidão e domínio de si. Contra essas coisas não existe lei. Os que pertencem a Cristo crucificaram os instintos egoístas junto com suas paixões e desejos. Se vivemos pelo Espírito, caminhemos também sob o impulso do Espírito. Não sejamos ambiciosos de glória, provocando-nos mutuamente e tendo inveja uns dos outros.” Interiorização da Palavra: A partir desta leitura, quais as obras dos instintos egoístas que percebo no meio em que vivo? Quais os frutos do Espírito Santo que experimento em mim, em minha família e na comunidade? Oração para alcançar os Frutos Espírito Santo, amor eterno do Pai e do Filho,dignai-vos conceder-nos os vossos doze frutos. • O fruto da caridade: que nos una inteiramente convosco pelo amor.• O fruto da alegria: que nos encha de santa consolação.• O fruto da paz: que produza em nós a tranquilidade da alma.• O fruto da paciência: que nos faça sofrer tudo por amor de Jesus e Maria.• O fruto da benignidade: que nos leve a socorrer de boa vontade as necessidades dos que sofrem.• O fruto da longanimidade: que nos faça esperar com paciência em qualquer ocasião.• O fruto da brandura: que nos faça suportar com toda mansidão o que o próximo tem de incômodo.• O fruto da modéstia: que nos ajude a viver com simplicidade.• Enfim os frutos da continência e da castidade: que conservem puros os nossos corações e transparente o nosso olhar. Espírito Santo, fazei de nós vossa morada,templo sagrado onde habitais.Ficai conosco durante nossa jornada na terra,para que possamos viver convosco eternamente no Reino da Glória.Amém!______________________________________________ Oração Conclusiva Divino Espírito Santo, derrama sobre nósos teus dons de sabedoria, entendimento,ciência, fortaleza, piedade, conselho e temor de Deus para que possamos, iluminados (as) pela tua graça, descobrir qual é a vontade do Paia nosso respeito e assumir com maior empenhoa missão que Jesus nos confia nesse tempo de pandemia. Amém! Bênção: O Senhor nos abençoe e nos proteja.Faça resplandecer sua face sobre nós e nos conceda sua misericórdia e sua paz.Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém!
Novena de Pentecostes – 1º dia: Quem é o Espírito Santo para mim

Pedindo a graça da cura e superação da pandemia do covid-19 Adaptada do livro “Orações Vocacionais e Missionárias”, páginas 49 a 65 – Missionárias Servas do Espírito Santo. Oração Inicial Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém! Enviai, Senhor, o vosso Espírito e tudo será criado!E renovareis a face da Terra. Ó Deus, que instruístes os corações de vossos fiéiscom a luz do Espírito Santo,concedei-nos que neste mesmo Espírito,conheçamos o que é reto e sempre gozemosde sua consolação. Por Cristo, nosso Senhor. Amém! Graça a pedir:Apresentar a Deus minhas intenções e a graça que quero pedir ao Espírito Santo paraesta Novena de Pentecostes, especialmente por todas as pessoas que estão sofrendo em consequência da pandemia do Covid 19: doentes, familiares, profissionais de saúde e todos os que se arriscam pelo bem das outras pessoas. Divino Espírito Santo,tu que és o amor que une o Pai e o Filhona unidade da Trindade, venha em auxíliode nossa Igreja, de nossas famílias, de nossascomunidades e de cada um de nossos irmãos e irmãsque sofrem em consequência da pandemia do Covid 19. Que possamos, inspirados (as) por ti, encontrar o caminhoda solidariedade, do amor, do respeito e da reconciliação.Ajuda-nos a superar todas as situações que enfrentamospor causa do coronavírus e a viver o projeto do Reino de Deusque é amor e comunhão. Desejamos ardentemente um novo tempo e uma vida nova.Por isso, converte os nossos corações, transforma nossosconflitos, dificuldades e sofrimentos em sinal de esperança e nosconduza pelos caminhos da saúde e da paz. Amém.______________________________________________ Sou chamado (a) a viver em profunda união com o Deus Uno e Trino e a me deixar conduzir e guiar pela ação do Espírito Santo. Palavra de Deus O Espírito Santo é o intérprete que Jesus ressuscitado envia para que compreendamos a verdade que Ele quer comunicar. Leitura: Jo 16, 12-15 “Ainda tenho muitas coisas para dizer, mas agora vocês não seriam capazes de suportar. Quando vier o Espírito da Verdade, ele encaminhará vocês para toda a verdade, porque o Espírito não falará em seu próprio nome, mas dirá o que escutou e anunciará para vocês as coisas que vão acontecer. O Espírito da Verdade manifestará a minha glória, porque ele vai receber daquilo que é meu, e o interpretará para vocês. Tudo o que pertence ao Pai, é meu também. Por isso é que eu disse: o Espírito vai receber daquilo que é meu, e o interpretará para vocês.” Interiorização da Palavra: Reler o Evangelho e deixar que o texto penetre meu coração. Quem é o Espírito Santo para mim? Como me relaciono com Ele? Ação de Graças Obrigado (a), Senhor, pelo teu infinito amor!Obrigado (a), Senhor, pelo dom do teu Espírito que habita em meu coração.Obrigado (a), Senhor, pelo Espírito da Verdade que me ensina a discernir o que é bom.Obrigado (a), Senhor, pelas pessoas que foram curadas do Covid 19.Obrigado (a), Senhor, pelos profissionais de saúde e pelos cientistas que trabalham incessantemente pela cura das doenças.Obrigado (a), Senhor, por tantas pessoas que arriscam sua vida nos serviços essenciais para que não nos falte o necessário para viver.(Continuar com orações espontâneas de agradecimento.)______________________________________________ Oração Conclusiva Divino Espírito Santo, derrama sobre nósos teus dons de sabedoria, entendimento,ciência, fortaleza, piedade, conselho e temor de Deus para que possamos, iluminados (as) pela tua graça, descobrir qual é a vontade do Paia nosso respeito e assumir com maior empenhoa missão que Jesus nos confia nesse tempo de pandemia. Amém! Bênção: O Senhor nos abençoe e nos proteja.Faça resplandecer sua face sobre nós e nos conceda sua misericórdia e sua paz.Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém! ___
Terço ao Espírito Santo pelo fim da pandemia

Em breve, celebraremos a Solenidade de Pentecostes, em que a Igreja revive a vinda do Espírito Santo aos discípulos e discípulas de Jesus, 40 dias após sua ressurreição. E, apesar de ainda ser tempo pascal, com a situação que o Brasil e o mundo enfrentam com a pandemia do covid-19, fica difícil se alegrar e acreditar que a vida sempre tem a última palavra. Foi nesse panorama de sofrimento e angústia diante de tantas vidas ceifadas pela contaminação do coronavírus que Ir. Francisca Romana da Costa pediu luzes ao Espírito Santo para que libertasse a humanidade desta pandemia. Irmã Francisca é missionária serva do Espírito Santo (SSpS). Enfermeira por profissão, ela trabalhou por vários anos no México e, depois que retornou ao Brasil, dedica-se à pastoral, animação vocacional e missionária. Atuava em Belo Horizonte e, um pouco antes da pandemia, foi transferida para a comunidade missionária SSpS em Abreulândia-TO. Ao chegar lá, toda animada para iniciar uma nova etapa em sua vida missionária, foi surpreendida pelas medidas do isolamento social e pela gravidade da situação que se alastrou pelo Brasil e pelo mundo. Nesse contexto e baseada em muita oração, dentro dela, surgiu a récita do terço ao Espírito Santo, diferente de muitos outros terços que já são conhecidos. O fato é que Ir. Francisca, ao rezá-lo, encontrou paz e consolo em seu coração e se sentiu encorajada a intensificar a oração por tantas pessoas e famílias que sofrem por causa das perdas causadas pelo covid-19 ou que estão sofrendo nas unidades de terapia intensiva, uma realidade que ela conhece tão bem. Aqui trazemos o depoimento da Ir. Francisca e o Terço ao Espírito Santo, que ela sentiu o apelo de compartilhar com todos os que estão sofrendo ou se importam com os que sofrem. “Rezei… e o peso do meu coração desapareceu” “Em vários momentos de oração pessoal, sentia-me muito sozinha e com muita angústia em meu coração, especialmente por causa das notícias no mundo todo, com tanta gente morrendo por causa desse vírus destruidor e sem piedade. Na comunidade discutíamos sobre os cuidados necessários e as medidas de isolamento… A Semana Santa foi de impasse: celebrar ou não celebrar com o povo? As pessoas não tinham consciência dos riscos, e pouco entendiam dos cuidados necessários… Perdida nessa situação, intensifiquei minhas orações pessoais, e alguma coisa foi acontecendo no meu coração. Estava desesperada, mas percebi que o mundo está cheio de gente desesperada, sem teto, sem as mínimas condições de vida, muitos morrendo sem possibilidade alguma… Todos seres humanos como eu! Fui rezando a oração do nosso fundador, Santo Arnaldo Janssen: ‘Ante a Luz do Verbo e o Espírito da graça, afastem-se as trevas do pecado e noite da incredulidade…’. Assim, pouco a pouco, as dúvidas e a escuridão foram desaparecendo. Nos momentos de adoração ao Santíssimo e quando me retirava a meu quarto para silenciar-me dessa aflição, pedia a tranquilidade para o meu coração, e tudo foi se transformando. Foi na capela, rezando a Oração ao Espírito Santo, de Santo Agostinho, que me veio a ideia de rezar o terço repetindo frases dessa oração nas dezenas, no lugar das Ave-Marias. Rezei assim várias vezes, e o peso em meu coração desapareceu. Fui acrescentando pedidos pelas pessoas doentes por causa do vírus em todo o mundo. Veio-me o pensamento que está chegando Pentecostes. O Espírito Santo é o respirar da vida, e tantos estão morrendo por falta de ar… Que Ele possa respirar em todos aqueles que mais necessitam de sua graça e sabedoria! Então, alguns dias depois, sentei-me no computador e tentei organizar esse terço, pedindo a cura e a descoberta do tratamento para pôr fim a esta pandemia.”
Tecendo relações em meio ao isolamento social

Alguns meses atrás, quem poderia imaginar as escolas funcionando de portas fechadas, com os alunos em suas casas e os professores também? Mesmo que as escolas da Rede de Educação Missionárias Servas do Espírito Santo estejam bem equipadas com tecnologia de ponta, há muitas situações impostas pelo isolamento social com as quais é difícil de lidar. A pandemia do coronavírus trouxe uma mudança radical no cotidiano dos alunos e de suas famílias, como também no de educadores, sejam professores ou ligados à área administrativa. Para analisar a situação e buscar soluções para manter um ensino de qualidade e dialogar com as famílias, a equipe gestora dos colégios da Rede de Educação se reúne on-line diariamente. Nesse contexto, a equipe percebeu a necessidade do cuidado com as pessoas que passam por momentos de muito sofrimento. Daí surgiu o Projeto Tecendo Relações. Abraçado pela Dimensão Missionária, a iniciativa quer cuidar do emocional das pessoas durante a pandemia e pretende atingir quatro frentes: os alunos; os educadores, tanto administrativos como os professores; os familiares; e as obras sociais. Para isso são organizados encontros específicos para cada grupo. Irmã Maria de Fátima Marques, diretora-presidente da Rede de Educação, diz que, ao participar do projeto, pode perceber melhor o que significa para as pessoas viverem em isolamento social. Ela explica que, “mesmo estando no núcleo familiar, estamos cercados de mistério, de sentimentos de incerteza, de dúvidas, de insegurança” e, nos encontros on-line, os diálogos permitem uma vivência em que “as emoções afloram”. Ela identifica aspectos que aparecem com frequência: “O resgate da dimensão da família, a fé e a esperança, e a importância da equipe”. E acrescenta que o projeto ajuda a sustentar as pessoas neste momento de crise e a fortalecer o sentido de pertença como equipe da Rede de Educação. Agostinho Travençolo Júnior, coordenador da Dimensão Missionária das Escolas, assumiu o papel de mediador dos encontros on-line com os diferentes grupos. Ele considera o Tecer Relações como “um trabalho artesanal, pois se trata do fio que tece a vida, que tece as dores, que tece as nossas fragilidades e também os nossos sonhos”. “É um projeto de cuidado com a vida, em sua amplitude”, completa. “Criar esse canal, utilizando as ferramentas tecnológicas para que as pessoas possam falar um pouquinho de suas vidas, é muito importante e ajuda a fortalecer e abastecer as energias neste tempo de grandes desafios”, afirma. “Temos falado de questões muito essenciais da vida, que dizem respeito à nossa existência humana. As pessoas têm necessidade de falar sobre suas angústias, seus medos, seus afetos, suas preocupações e sua espiritualidade, o que, na verdade, torna todo mundo igual”, explica Agostinho. Os encontros são sempre uma surpresa. Os temas são variados, e cada grupo tem reações bem diferentes. Na avaliação do coordenador da Dimensão Missionária, as pessoas têm se surpreendido, no sentido de que o projeto convida a sair um pouco do trabalho, da rotina, para perceber que há gente se preocupando com elas, com seus familiares, com seus sentimentos. Agostinho confessa que conduzir os encontros tem sido gratificante. “Tem momentos que saio muito emotivo do contato que tenho com cada grupo”, conta. “Acho que temos deixado na vida das pessoas uma marca, possibilitando essa janela em que a gente pode ouvir a alma das pessoas, na qual pode ser essa presença motivadora na vida de cada uma delas.” Inspirado na experiência vivida nos encontros do Tecendo Relações, Agostinho criou este poema: Crochetar Teço tramasAcendo flamasTransformo fiosEntre dramas e desafiosCrio a vida ponto a pontoMesclando cores e encontrosSem pressa em meus devaneiosDançam mãos silenciosasFrágil força em novelos enleioE assim se compõe a vidaMesclando sonhos e desconstruções antigasUm faz e desfaz entrelaçadoOnde se perdem os pensamentosEm fios desembaraçadosMão que criaMão que teceMão que aqueceMão que fiaQue convive com o tempoQue textura utopiaArtesã de relaçõesE histórias de família Conheça um pouco da programação do Tecendo Relações: • Os encontros ocorrem às terças, quartas e quintas-feiras, às 18h.• A cada semana, temos grupos diferentes.• Quinzenalmente, às quintas-feiras, temos o “Tecendo com a Juventude Missionária Conectada”.• A primeira live com as famílias será no dia 28 de maio, às 18h. Live com música No dia 14 de maio, houve uma live com os alunos. O tema foi a Missão Sem Fronteiras de 2017 e 2019. Participou o músico João Pedro, ex-aluno do Colégio Stella Matutina, de Juiz de Fora-MG. A live, transmitida pelo Instagram, proporcionou uma conversa descontraída com os jovens e muita música.
Como quebrar o ciclo da violência sexual?

Este percurso de aproximadamente cinco anos como psicóloga na rede socioassistencial me levou a imensas reflexões sobre relações sociais e Política Pública, assim como nossos direitos e deveres como cidadãos. Muitos amigos próximos e familiares que sabem da temática com que trabalho me questionam, “Por que trabalhar com esse tema tão pesado?” ou “Eu não suportaria trabalhar com essa temática”.Gostaria de mencionar os atendimentos psicossociais com crianças, adolescentes, responsáveis e agressores com os quais realizo acompanhamento. Citarei alguns tipos de acompanhamento, assim como experiências e percepções. O trabalho com crianças, adolescentes e famílias inicia-se com os responsáveis, em um grupo. Isso porque julgamos extremamente necessária a implicação destes. A maioria, contudo, tem certa resistência em dar continuidade ao processo, já que o grupo tem o intuito de desvelar gradualmente alguns tipos de violência. Já com crianças e adolescentes, o trabalho é individual e em grupo, planejados em equipe para cada indivíduo, sempre olhando sua história e o tipo de agressão sofrida. A violência na vida de alguém acontece sem pedir licença, sem hora marcada. Cuidar disso significa priorizar, deixando de lado outros compromissos. Assim, é preciso mudar a rotina, o que não é fácil, pois as famílias vivem em vulnerabilidade social extrema, e algumas horas fora do ambiente de trabalho podem fazer “faltar o pão na mesa”, como já ouvi diversas vezes. Procuramos sempre nos adaptar aos horários e dias da semana de cada família. O fenômeno da violência é visto como algo a ser negado, pois, em nossa sociedade, o que é valorizado é a perfeição. Por isso, na maioria das vezes, olhamos a violência como uma atitude do outro ou com olhar de julgamento. A violência quase sempre é justificada, por meio de manipulação, como um “ato de amor”. A violência intrafamiliar e a transgeracionalidade está na sociedade e dentro de nós, em formatos diferentes. Nós também reproduzimos essa violência, e nossos filhos a aprendem de nós e as reproduzem. A criança não tem capacidade de avaliar como aquilo é danoso, ela simplesmente reproduz o que apreende. A violência também está embutida naquilo que achamos ser melhor, como a educação. Existe uma tendência geral a achar que a violência sexual é pior do que as outras formas. No meu ponto de vista, ela é diferente, devido à forma como a sociedade a encara, sendo menos tolerada por estar ligada a tabus referentes à sexualidade e ao corpo. As famílias apresentam certas resistências em compreender que a criança não necessariamente vai sentir a violência sexual como algo ruim, porque ela pode estar envolvida na situação de forma muito sedutora, pode ter uma relação de afeto entre a criança e o agressor, e nem sempre ser realizada de forma violenta. A criança não tem maturidade para entender o que significa escolher ter atos sexuais com um adulto e, dessa maneira, ela não pode ser considerada responsável pelo abuso, ainda que, de alguma maneira, ela tenha aceitado, pois é o adulto quem deveria ter a maturidade suficiente para limitar a relação entre ele e a criança. Com essa forma de violência, a criança sente-se muito confusa em relação à sua própria sexualidade e pode acabar reproduzindo os atos sexuais com outras crianças. Existe sexualidade na criança e está em construção. Ela não se restringe ao ato sexual em si, mas está relacionada à busca do prazer e afetividade, e ainda das possibilidades de interações sociais e da formação da autoimagem, ou seja, como ela se vê, sua autoestima, sua segurança em si própria. Na criança, isso vem como uma maneira de ela procurar ter prazer não com o toque erotizado, mas com o afeto e, ao sofrer violência sexual, a distorção que pode ocorrer é ela achar que uma maneira de carinho se dá pelo toque erotizado, algo que, na verdade, somente ocorre a partir da adolescência, quando o corpo e a mente estão se preparando para a possibilidade de um contato erótico. Ressalto que, se o responsável não buscar cuidado para a violência, dá a autorização para as crianças reproduzirem-na, pois elas a aprendem do adulto. Julgo extremamente necessário criar espaços e ferramentas para dar atendimento ao agressor e quebrar esse ciclo de violência. Isso pode ser por reflexões e orientações tanto com os pacientes como com a sociedade. Atualmente realizo atendimentos psicológicos com homens agressores e também mulheres. Nestes anos de trabalho e estudos, foi possível observar que a maioria dessas pessoas viveu algum tipo de violência na infância ou adolescência. Repetem, na vida adulta, o que sofreram. A pergunta que sempre trago para o grupo de responsáveis das crianças e adolescentes, no intuito de se fazer refletir e ampliar o olhar, é: a penalização do agressor é suficiente para cuidar da violência? A maioria, com sentimentos aflorados, tende a responder com ódio que sim e, nesse momento, acaba por ser um espaço de canalização e reflexão desses sentimentos. Penso que a responsabilização é apenas uma parte, uma vez que, em nossa sociedade, a violência sexual é um crime, e a punição para isso é a privação da liberdade. Acredito ser importante, em certa medida, pois diz para a pessoa que ela não pode fazer aquilo. Mas é preciso também entender os motivos que levaram o agressor a não enxergar que existia uma hierarquia entre ele e a criança. Geralmente são pessoas que têm uma sexualidade infantil e que se enxergam de igual para igual em relação à criança, e isso precisa ser cuidado em um espaço especializado. A mídia trata esse problema como um horror, dizendo que pedofilia é crime. O crime é todo e qualquer ato de cunho sexual realizado contra criança ou adolescente. Pedofilia é uma doença que consiste no desejo sexual do adulto pela criança e que, se concretizar no ato, aí sim, passa a ser crime. O “Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes”, 18 de maio, instituído pela Lei Federal 9.970/00, é uma conquista que demarca a luta pelos direitos humanos de crianças e adolescentes
Semana Laudato Si’ 2020

O ano de 2020 marca o quinto aniversário da Laudato Si’. A encíclica do Papa Francisco sobre o cuidado com a Casa Comum foi assinada em 24 de maio de 2015. Mais que um documento eclesial, a encíclica é uma proposta de um projeto de vida para a humanidade e para o nosso planeta. A Laudato si’ foi acolhida como um documento profundo e cheio de beleza, e impulsionou pessoas ao redor do mundo a refletirem mais profundamente sobre o Criador e a criação. Sua visão da ecologia integral, que vê as conexões entre como tratamos Deus, a natureza e uns aos outros, oferece-nos verdades simples, porém profundas, sobre os laços que nos unem. Certamente esse documento é uma inspiração durante momentos de dificuldade, como a crise que atravessamos atualmente. Ele nos encoraja a refletir sobre os valores que compartilhamos e a criar um futuro mais justo e sustentável. Em uma grande campanha, o Papa convida todas as pessoas a participar da Semana Laudato Si’, de 16 a 24 de maio, que tem como tema “Tudo está interligado”. Assista, a seguir, ao vídeo do Papa Francisco. Para mais informações e materiais, acesse o site: Semana Laudato Si’ 2020 Vídeo do Papa Francisco:
A fé que cura

Sempre ouvi dizer em minha caminhada de Igreja que “as palavras convencem, mas são os testemunhos que arrastam”, por isso compartilho essa experiência de vida e fé com os irmãos. Em julho de 2019, eu e meu esposo, Belchior, fizemos uma viagem a Portugal para visitar alguns parentes. Durante todo tempo em que estivemos lá, diariamente, entramos em contato com os filhos pra saber como estavam aqui no Brasil. Temos três filhos, dois homens e uma mulher. Graças a Deus as notícias sempre foram positivas. Isso nos tranquilizava. Faltando um dia para retornarmos ao Brasil, o filho mais novo, Michel, de 31 anos, nos ligou informando que o filho mais velho, Antônio, de 35, tinha sido internado. Sem informações suficientes, iniciamos, eu e meu esposo, nossas orações pelo restabelecimento de nosso filho, uma vez que, por causa da distância, não era possível fazer nada. No outro dia, já de volta ao Brasil, nossas orações continuavam ininterruptas, porém deixando que Deus conduzisse o barco. Estávamos tranquilos. Sabíamos em quem confiar. Ao chegarmos, fomos nos inteirar da situação. Antônio sentia dores de cabeça ininterruptas já havia alguns dias. O quadro foi piorando, e a noiva, Renata, percebeu, ao acordá-lo no dia anterior, que Antônio não conseguia articular bem as palavras e estava sem coordenação motora. Após se comunicar com Michel, levaram-no até o hospital e lá ficou internado. Já no hospital, informaram-nos que ele estava tomando antibióticos e remédios para dor. Ao vê-lo, nós nos chocamos com a realidade. Estava com os olhos murchos e parecia fora do mundo. Não era a mesma pessoa. Ele nos reconheceu, falou conosco. Assim que saímos, contudo, Renata disse que ele falava frases desconexas, como se estivesse alucinado. Às vezes, chorava com as fortes dores de cabeça. Estava esperando por uma tomografia, porque as radiografias apontavam um tumor. Era preciso confirmar. Os médicos do local não davam esperanças. Mas, como o diagnóstico principal é o do “Médico dos médicos”, permanecíamos confiantes. Renata conhecia uma das enfermeiras do local e, por meio dela, conseguiu ficar numa cadeira ao lado dele durante quatro dias, sem sair, apenas rezando, rezando e rezando. Não queria deixá-lo sozinho. Eu chegava bem cedo ao estacionamento e ficava lá praticamente o dia todo, esperando que Renata me trouxesse notícias, que não eram muito alentadoras. A enfermeira chegou a dizer que tirasse ele de lá, porque o hospital não tinha recursos para tratar adequadamente aquele caso. O que nos sustentava é que toda nossa família, os amigos, as congregações, irmãs, padres e bispos conhecidos de todo o Brasil estavam numa corrente de oração e nós sentíamos essa força. Meu esposo rezava e buscava alternativas para retirá-lo daquele lugar. Deus sempre enviando seus anjos. Belchior foi levado a uma senhora simples e humilde que movimentou céus e terra, e conseguiu levá-lo para outro hospital para fazer tomografia. Com o laudo apontando uma lesão no cérebro, conseguiu uma internação no Hospital das Clínicas. Após uma série de exames, a equipe médica disse que, no mundo, havia somente vinte casos como o de Antônio: um abscesso cerebral provocado por um dente de siso. Foi preciso operar para sugar o líquido do abscesso que pressionava o cérebro e extrair o siso causador de todo aquele problema. Nossas orações continuavam. Pedíamos a intercessão da Virgem Maria, que Ela o cobrisse com seu manto de amor, pois havia o risco de ele ficar com sequelas graves. Graças a Deus, deu tudo certo. A dor de cabeça começou a ceder. Os exames continuavam, enfim monitoravam tudo. Mas, um dia, a dor de cabeça voltou e deixou todos muito apreensivos. Uma nova tomografia acusou ainda um resto de líquido. Aumentaram a dose do antibiótico. Enfim, seu estado melhorou. Ele se alimentava bem, não sentia dores, conversava e recebia a visita da família toda, inclusive do diretor da empresa onde trabalha e de sua filha, Júlia, de 11 anos, deixando-o muito feliz. Ao fim de dois meses, ele finalmente pôde sair do hospital; com a graça de Deus, sem sequelas. Voltou a trabalhar e a realizar suas atividades normalmente. Em tudo demos graças a Deus. Durante todo o tempo oferecendo o terço a Nossa Senhora e pedindo sua intercessão, Antônio nos revelou que, por duas vezes, havia passado pelo quarto uma senhora muito simpática, que o cumprimentava pelo nome, perguntava se ele estava bem e, sorrindo, desejava melhoras e ia embora. Conversando com as atendentes do quarto, procurou pela senhora e pela descrição. Ninguém sabia quem era e não a conheciam. Guardamos tudo isso no coração, agradecendo a Virgem que também foi mãe, a Mãe de nosso Salvador, por tanto carinho. Não temos dúvidas sobre a valorosa intercessão de Maria. Confiamos cada vez mais na força da oração. A oração nos fortalece, aproxima-nos dos irmãos e nos anima a caminhar e a aceitar os desígnios do Pai. Tudo que Deus permite é bom. Hoje vejo toda minha família, esposo, filhos, noras e netos unidos em oração na missa dominical e me emociono, agradecida por tantas bênçãos recebidas. Suely Pereira da Silva BelchiorCasada há 38 anos com Antônio Manuel Belchior. Formada em Comunicação Social e Turismo e licenciada em História. Junto com a família, é missionária leiga, membro do Instituto Missionário Catolicanet.
Rezar unidos cura a humanidade

Nesta quinta-feira, 14 de maio, um grande milagre está acontecendo, independentemente dos efeitos sobre a pandemia… Pessoas de diferentes religiões estão se unindo em prece, pedindo a cura da doença causada pelo covid-19 e o fim da pandemia. Imagine milhões de pessoas rezando unidas pela mesma causa! Isso é capaz de transformar o mundo! O próprio Jesus disse: “Pois, onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, ali estou no meio deles” (Mt 18,20). Se a oração de dois ou três tem a força de tocar o coração de Deus, imagine a oportunidade de superarmos nossas diferenças e nos unir num único pedido! E isso todos nós podemos fazer! Muitas vezes, pedimos a Deus para atender a nossas necessidades e esperamos respostas mágicas. A cura de Deus não é assim. Ela passa por nossa participação. Jesus sempre repetia: “A tua fé te curou”. Talvez o primeiro passo que realizamos na oração é nos abrir para que Deus possa agir em nossa vida, uma vez que ele respeita nosso livre-arbítrio. Ele conhece tudo o que sentimos e o que sofremos. Ele quer nos curar, mas somente agirá se nós o permitirmos. Não adianta pedir e não abrir o coração para as mudanças que a cura de Deus realiza em nós… Por isso é muito importante pedirmos juntos a mesma graça, pois nos fortalecemos mutuamente para receber a transformação que Deus promove em nós. Ao pedirmos juntos, superamos nossos preconceitos, nossos pensamentos estreitos e mesquinhos e nos abrimos para aquilo que realmente somos: uma única família humana, filhos de um mesmo Deus que é adorado com diferentes nomes. Se nos descobrimos como irmãos de fé e culturas diferentes, graves doenças da humanidade já começam a ser curadas: a desunião, a desconfiança, a intolerância, a xenofobia e tantas outras que nos distanciam de nossa irmandade existencial. E isso abre as portas para um futuro melhor, em que a paz se torna uma possibilidade real. Há ainda outras doenças que precisam também de tratamento, como a ganância, o acúmulo, o egocentrismo, a exploração desenfreada da natureza e tantas outras. Mas tudo tem a mesma raiz… Então, com muita fé, com muito amor, com muita confiança que Deus quer nos curar e nos libertar desta pandemia, vamos nos unir espiritualmente a toda a humanidade, convidar nossos familiares, nossos amigos, nossos vizinhos, nossas listas de contatos para rezarmos, todos, nesta única intenção: pelo fim da pandemia. Como é importante conhecer como surgiu essa iniciativa, trazemos aqui alguns links com informações importantes para rezarmos conscientemente e reforçarmos a busca por mais fraternidade. Vídeo do Papa Francisco e informações sobre o dia de jejum e oração. 14 de maio, a oração que faz de nós uma só família. Entrevista com o cardeal Ayuso. O que é o Alto Comitê para a Fraternidade Humana e quem participa. Artigo da Revista IHU Unisinos sobre o dia 14 de maio. Irmã Ana Elídia Caffer Neves, SSpSJornalista, membro da Equipe de Comunicação Congregacional e coordenadora de Comunicação da Província Stella Matutina (BRN)
O racismo nosso de cada dia

“Serviço de preto” para se referir ao trabalho malfeito, “cabelo ruim” para aludir-se ao cabelo encaracolado dos negros, “denegrir a imagem” para falar sobre alguma atitude imoral, “negro de alma branca” para afirmar que a pessoa em questão tem atitudes moralmente aceitas, “ter o pé na cozinha” para identificar que a pessoa tem mãe negra. Essas e tantas outras expressões fizeram e ainda fazem parte do cotidiano nacional, especialmente nos lugares onde a população negra foi, ou é, majoritária. O que essas frases dizem a nosso respeito como sociedade? Além dessas expressões, as estatísticas evidenciam realidades históricas sobre nosso país. A população negra, entregue à própria sorte desde a Abolição, em 1888, é quem figura no topo do ranking, quando se trata de dados negativos. Eis alguns deles. Em 2018, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontou que, da parcela pobre da população brasileira, 75% eram negros (soma da população que se intitula preta ou parda). Nesse mesmo levantamento, viu-se que apenas 11,9% dos cargos gerenciais eram ocupados por pessoas pretas ou pardas. Com relação aos salários, novamente a população negra apareceu como sendo a que menos recebia proporcionalmente. Enquanto o rendimento médio domiciliar per capita da população branca atingia R$ 1.846,00, o da população negra chegava a R$ 934,00. Em 2019, novamente o IBGE trouxe dados sobre a realidade da população negra. Dessa vez, foi com relação às chances de serem vítimas de homicídio. Segundo os índices, essa parcela da população tinha 2,7 chances a mais de ser vítima desse tipo de crime do que a branca. Observando os números do sistema carcerário do Brasil, chegou-se novamente à constatação de que negros eram os que figuravam no topo das prisões. Dos cerca de 700 mil presos no Brasil, 61,7% eram pretos ou pardos. O que esses dados dizem a respeito de nós como sociedade? Esses números são apenas alguns que nos permitem compreender um retrato produzido ao longo de cinco séculos. O Brasil conviveu com a instituição da escravidão (inicialmente indígena e depois negra) por mais de três séculos e meio. Ao longo desse período, foram arrancados do continente africano e trazidos ao Brasil cerca de 5 milhões de pessoas que se tornariam escravizadas. Vilipendiados em sua liberdade, essa população africana escravizada foi os braços e as pernas da economia nacional. Quando, no século XIX, as pressões externas e internas da política e da economia se iniciaram, a instituição da escravidão foi colocada em xeque. Fruto de um processo histórico, a abolição da escravatura, por meio da Lei Áurea, em 13 de maio de 1888, foi a quarta de um conjunto que se iniciou em 1850, sendo a Lei Eusébio de Queirós a responsável, inicialmente, por extinguir o tráfico negreiro. Posteriormente, em 1871, foi assinada a Lei do Ventre Livre, que concedia liberdade aos filhos de escravos nascidos a partir daquela data; por fim, em 1885, foi aprovada a Lei dos Sexagenários, que concedia liberdade aos escravizados acima de 60 anos. O fato é que, com a extinção da escravidão, a população negra continuou a viver à margem da sociedade brasileira. Livres no sentido jurídico, porém excluídos socialmente pelo racismo, pela submoradia dos cortiços, pelo analfabetismo, pela falta de políticas públicas, a população negra continua entregue à própria sorte. O que se viu ao longo de mais de 13 décadas foi a potencialização dessas condições e, como vimos, os dados e as estatísticas são plurais para não nos deixarem dúvidas. Como sociedade e nação, as expressões elencadas no início do texto bem como os dados apontados anteriormente são espelhos que refletem uma realidade contra a qual lutamos para não ver. A escravidão produziu danos sociais difíceis de serem extirpados. A abolição da escravatura ocorreu com a assinatura de uma lei, porém o preconceito e o racismo não são extintos da mesma forma. Oxalá as futuras gerações possam viver em um país onde a cor da pele não seja obstáculo para o pleno desenvolvimento humano. Carlos Aurélio SobrinhoDoutor, mestre e bacharel em Ciências Sociais, licenciado em Filosofia e História, professor de História, Filosofia e Sociologia no ensino médio.