Previsões do tempo…

Qual a previsão do tempo para hoje? Ensolarado? Nublado? Com ameaças de temporais? São alternativas que o tempo apresenta no decorrer dos dias. Seja qual for a previsão, não podemos esquecer que, sempre, acima das nuvens, permanece o “Sol” que ilumina o universo e nunca o deixa de iluminar. Nos dias ensolarados, o céu fica azul, bonito, muitos se queixam de calor, mas nem todos os dias assim são calorentos. Há aqueles deliciosos para se viver num clima agradável, o qual gostaríamos que assim fosse sempre. Há dias em que só uma parte do céu está ensolarada e o restante nublado; qual vai prevalecer? Nos dias nublados, surge a dúvida ao sair de casa: levar guarda-chuva ou não? Pode chover e atrapalhar as idas e vindas. Nessa situação, é necessário conviver com a incerteza até que as nuvens definam o que vão fazer, se vão se dispersar ou chover. Nos dias com ameaças de temporais, o grau de incerteza aumenta, e as preocupações também, porque podem ocorrer a qualquer hora e despencar fortemente numa dada região, fazendo estragos de pôr em risco a vida ou tirar seus confortos. A situação pode ficar mais dramática conforme as evidências começam a se confirmar. Os trovões e relâmpagos correm pelo céu, dando sustos com raios que caem troando com força. Quando isso acontece, não sobram muitas alternativas a não ser aquelas de minimizar os prejuízos com algumas providências possíveis. Refugiar-se em lugar mais seguro, torcer para que a ventania e a tempestade passem logo e não causem tanto estrago. Fica tudo meio imprevisível. Não dá para controlar tudo. Se a tempestade começar a durar muito, avolumam-se os prejuízos e também os descontroles sobre a situação. O caos vai se agravando, e o desespero tomando conta. A experiência diz que, mesmo que demorem um pouco mais que o desejável, a tempestade não vai se eternizar. Uma hora, ela passa. Mesmo se apresentando com toda essa fúria, o tempo vai se acalmar e voltar a seu normal. Assim são as “previsões do tempo”. A esperança de dias ensolarados deve permanecer, mesmo quando há tempestade. Nossa vida “vivida no tempo” pode ser comparada a essas oscilações temporais, guardando-se as proporções. Sabemos que há dias mais amenos e outros mais turbulentos. Parafraseando as previsões do tempo, façamos uma “viagem” nos “tempos favoráveis e intempéries” de nossa vida. Há dias, por exemplo, em que amanhecemos radiantes, otimistas, com horizontes claros, sabendo o que queremos e que rumos seguir. Tudo parece concorrer para nossa alegria e felicidade. Vivemos o encanto pela vida que está favorável e tudo contribuindo para a realização de nossos sonhos. Gostaríamos que fosse sempre assim e aí não precisaríamos lidar com angústias, frustrações, dissabores, preocupações com sobrevivência, e assim a vida pareceria sempre uma poesia de encantos mil. É verdade! Há momentos que são assim; que pena, constatamos, que não o sejam sempre! Precisamos nos habituar também com as turbulências. Vivenciamos dias nublados, em que a mente e o coração amanhecem com uma série de dúvidas e preocupações que se antecipam e começam a estressar. São queixas que aparecem porque não se vai dar conta de tudo o que há por fazer, porque o cansaço se apoderou, minando as forças que havia de reserva. Alguém ficou doente na família e precisa de cuidados; alguém está passando por uma crise de relacionamentos e fica nervoso, contagiando o ambiente que antes estava tranquilo; ou alguém que perdeu o emprego, e o futuro fica comprometido, gerando insegurança. Ou ainda, alguém foi mal nos negócios que fez e teve prejuízo, e comprometeu sua renda; outro ainda exagerou no cartão de crédito e ficou sem fundos para pagar as prestações; alguém esperava solidariedade e compreensão, e elas não vieram, deixando uma mágoa no coração e uma decepção que mina a confiança nas pessoas. Não bastasse isso o carro precisa de conserto, a máquina de lavar roupa enguiçou, o cano de água estourou, a entrega do material para reparos atrasou, o gato fugiu e o cachorrinho ficou doente, precisa de veterinário. A pessoa que prometeu que viria não veio, deixou na mão; a notícia do telejornal fala dos aumentos que virão sobre combustíveis e alimentos, a inflação vai diminuir o poder de compra, além de lembrar que o “ômicron” está se alastrando como ventania; as mensagens no grupo do WhatsApp, querendo ajudar, oferecem milagres desde que se façam alguns ritos, mas eles demoram para acontecer e, para piorar a situação, ainda é preciso lidar com as “fake news”. Além disso, precisa levar a criança para a escola e depois buscá-la, calcular direito o tempo para não chegar atrasado ao serviço, não se esquecer de fazer um “pix” para pagar as contas, recarregar o celular… Tanta coisa por fazer! E a novela já vai começar, quero assistir o “Big Brother”, mas vai ficar tarde para dormir, a insônia não me deixa descansar direito, o remédio não está fazendo efeito… Tudo isso vai dando nó na cabeça. Quando as coisas vão caminhando assim, o dia, que estava meio ensolarado, começa a ceder espaço às nuvens pesadas, um céu se fechando, ameaçando temporal. Há os dias de tempestades iminentes. O acúmulo de situações e desgastes emocionais se avolumam que o psíquico não consegue dar conta de processar tudo. A mente começa a ficar confusa, o ânimo vai diminuindo, e as esperanças também. Uma crise aparece ameaçadora no horizonte, e a vida vai se espremendo nas poucas brechas que ficam. Nessa situação, pode desabar a torrente incontrolada de emoções contidas a longo tempo e sentimentos se apoderarem, tirando o chão da vida, e a pessoa fica “fora da casinha”, entrando em estado de depressão ou outras manifestações doentias da psique. Nessa situação o “céu desabou” sobre ela, e ela perde o controle sobre si mesma, precisando de socorro urgente, alguém que a tire dessa situação. Nem sempre esse “resgate” obtém sucesso. Muitos sucumbem, tirando a própria vida antes. São as situações limítrofes que atingem um bom número de pessoas, embora longe de alcançar a

4º Domingo do Tempo Comum

“Nenhum profeta é bem recebido na sua pátria”Lucas 4,21-30 Não é fácil entender o desfecho da visita de Jesus a Nazaré, logo após seu batismo. É muito violenta a mudança de atitude dos nazarenos: da admiração à fúria. Talvez Lucas tenha unido dois acontecimentos em uma só história. Mas, seja como for, alguns pontos importantes saltam aos olhos. Em primeiro lugar, “todos aprovavam Jesus, admirados com as palavras cheias de encanto que saíam de sua boca” (vers. 22). Com certeza, essa reação não foi causada pela oratória de Jesus nem porque soubesse usar “artifícios para seduzir os ouvintes” (1 Coríntios 1,4), como fazem tantos pregadores midiáticos e políticos hoje. Não, foram palavras cheias de encanto porque brotaram de sua intimidade com o Pai, de sua espiritualidade profunda, de sua capacidade de compaixão, de coerência entre sua fala e sua vivência. Aqui há um desafio para todos nós: de deixar que sejamos tomados pela Palavra de Deus, de tal maneira que nossa palavra não seja mais a nossa, mas a manifestação do Espírito que habita em nós. Só assim nossas palestras e pregações surtirão efeito. Ao contrário, por tão eloquente que possa ser nossa fala, seremos “sinos ruidosos ou símbolos estridentes” (1 Coríntios 13,2): chamam a atenção, mas não deixam frutos. Como disse em uma ocasião o Papa Bento XVI, “A Igreja não vive de si, mas do Evangelho e encontra sempre, e de novo, sua orientação nele para seu caminho. É algo que cada cristão tem de ter em conta e aplicar-se a si mesmo: só quem escuta a Palavra pode converter-se depois em seu anunciador. Não deve ensinar sua própria sabedoria, mas a sabedoria de Deus, que, com frequência, parece estupidez aos olhos do mundo”. A reação dos vizinhos de Nazaré encontra eco, muitas vezes, nas comunidades de hoje. É o pobre que não acredita no pobre! Jesus é rejeitado por ser considerado o filho de José, um simples carpinteiro de Nazaré. Quantas vezes, hoje, ocorre que, em lugar de incentivar nossas lideranças das bases, os próprios companheiros de comunidade os rejeitamos por não serem “doutores”, por não saberem “falar bonito”, como o sabem muito bem nossos exploradores. Parece, às vezes, que há gente que sente prazer em destruir as lideranças. Mas as coisas vão mudar somente quando o pobre começar a acreditar no pobre. Outro motivo para tal reação, com certeza, era o fato de Jesus desafiar os preconceitos e comodismo da comunidade nazarena, usando os exemplos da ação de Deus em favor de um estrangeiro (Naamã, o sírio) e uma estrangeira (a viúva de Sarepta). Pois Jesus era um profeta, e o profeta sempre incomoda, porque nos desafia a sair de nossas fronteiras e a olhar o mundo como Deus o vê. É difícil que alguém goste de ser incomodado, e por isso preferimos, com frequência, criar uma religião de ritos e rituais, com certezas absolutas que nos confirmam em nossa visão do mundo. Mas a verdadeira religião não é apenas de ritos (embora estes tenham grande importância na celebração de nossa fé). É o seguimento de Jesus, que veio “para que todos tenham a vida e a vida plenamente” (João 10,10), vivenciando a solidariedade e a fraternidade entre todas as pessoas, sem preconceitos nem exclusões. É triste ver, em tantos lugares hoje, que a maior preocupação de muitas Igrejas parece ser com as minúcias rituais, com um número cada vez maior de normas, decretos e rubricas, enquanto se ignoram as grandes questões da humanidade, como a violência, a exploração, a destruição da natureza, o extermínio de indígenas, e assim por diante. Dificilmente se pode imaginar Jesus de Nazaré agindo assim. Por isso talvez se fale tanto nos programas religiosos dos meios de comunicação apenas do Cristo glorificado e tão pouco de Jesus de Nazaré, profeta perseguido por causa de suas opções concretas em favor dos sofredores, sem levar em conta sua raça, religião ou situação social. Jesus nos dá o exemplo de como enfrentar estes problemas, diante de críticas e rejeição, quando realmente tentamos ser coerentes com o Profeta de Nazaré. Ele “continuou seu caminho” (Lucas 4,20). É isso mesmo! Apesar das críticas, da não aceitação, das gozações, o cristão tem de “continuar seu caminho”. Jesus sofreu com isso, mas não se abalou, pois sua convicção não se baseava na opinião, aprovação e aceitação dos outros, mas na oração, na interiorização da Palavra. Oxalá todos nós cresçamos nesse sentido, seguindo o exemplo do Mestre! Como recomenda a Carta aos Hebreus (12,3): “Para que vocês não se cansem e não percam o ânimo, pensem atentamente em Jesus, que suportou contra si tão grande hostilidade por parte dos pecadores”. Padre Tomaz Hughes, SVD, biblista e assessor da CRB e do Cebi. Dedicou-se a cursos e retiros bíblicos em todo o Brasil. Publicou diversos artigos e o livro “Paulo de Tarso: discípulo-missionário de Jesus”. Faleceu em 15 de maio de 2017. Suas reflexões bíblicas são muito atuais.

Combate às novas formas de escravidão

Mais um ano, e a humanidade continua com vários desafios a resolver: desemprego, fome, exploração de menores e pessoas vulneráveis, e tantas outras misérias que violam os direitos humanos. Desde os tempos da escravidão que a dignidade humana está ameaçada ou costuma ser abalada pela insegurança e violência. Quais as formas de escravidão que ainda existem? Como combater essa situação? Embora, no Brasil, a Abolição da Escravidão tenha sido declarada em maio de 1888, muitos ainda vivem uma vida escrava. Historicamente, no período do Brasil Colônia, muitos indígenas foram escravizados, tendo de fazer trabalhos forçados, o que causou muitas mortes por doenças e maus-tratos, mesmo com a resistência de alguns. O comércio de escravos negros, vindos do continente africano, passou a ser um comércio inumano. Mesmo com a Abolição, não houve indenização a essas vítimas. A mão escrava passou a ser a mão de obra explorada pelos grandes latifundiários e indústrias. Com a Proclamação da República, muitos imigrantes também passaram a ter uma vida escravizante nas lavouras. Esses fatos causaram novas formas de escravidão contemporânea. Hoje, situações degradantes tornaram-se as novas formas de escravidão em nossa sociedade. Isso devido ao analfabetismo, à falta de qualificação, à consequência de muitos escravos não terem recebido instrução e nenhum pedaço de terra para plantar, à exploração do trabalhador em jornadas exaustivas, à exploração do trabalho infantil, ao trabalho por dívida, à exploração sexual. Como combater esses problemas que vão contra os direitos humanos, a dignidade humana? Lutemos pelo cumprimento de leis trabalhistas conquistadas por vários movimentos sindicais e sociais, denunciemos situações de injustiças, evitemos preconceitos e discriminação, respeitemos cada um, independentemente de sexo, cor, língua, religião. Que possamos erradicar a pobreza, conforme um dos objetivos que constam na Constituição da República Federativa do Brasil de 1988, cobrando políticas públicas nos Municípios onde a camada social menos favorecida é mais atingida. O compromisso político, a empatia, a solidariedade e a fraternidade devem fazer parte das relações sociais, não apenas das pessoais. Procure, neste novo ano de 2022, promover momentos de instrução social para que os menos favorecidos conheçam seus direitos, pois muitos são iludidos com promessas de melhoria de vida, mas, por ingenuidade, acabam caindo em situações sub-humanas. Promova cursos para aqueles que necessitam de orientação não somente técnica, mas também jurídica. Ensine a ler, a escrever, a ter acesso a novas oportunidades, enfim, a educação deve ser o caminho para a libertação da escravidão contemporânea. Unamos forças em ideias novas. Maria Terezinha CorrêaMestra em Antropologia (USP), especialista em Ensino de Filosofia (UFSCar), graduada em Filosofia (UFJF) e Pedagogia (Unitins), em Teologia pelo Mater Ecclesiae, filiada à ABA, APEOESP e SBPC, atualmente, professora de Filosofia na Prefeitura de São José-SC, membro da Comissão de Prevenção e Combate à Tortura, pela ALESC, voluntária na Pastoral da Pessoa Idosa, ligada à Arquidiocese de Florianópolis, membro da diretoria da Aproffib (Associação de Professores de Filosofia e de Filósofos do Brasil).

Educação: alavanca para o presente e para o futuro…

Desde a presença da Coroa Portuguesa, da Companhia de Jesus (religiosos jesuítas) e, muito antes, com a presença dos povos originários, a educação se faz presente na transmissão e na construção de conhecimentos no Brasil. Foram trajetórias de consensos e dissensos, mas com uma unanimidade: a educação é imprescindível. É alavanca para transformação social, para encontrar caminhos de cultura e de paz e para fortalecer o compromisso com a dignidade da vida. É elemento fundante, aquele ponto de apoio que faz mover até a Terra. Nutriente certeiro para promover relações de pertencimento, proximidade, justiça e paz, contribuindo para o desenvolvimento integral e para o cuidado com a Casa Comum. A educação tem muitas faces que dão conta da diversidade de seu alcance, seja em ambientes formais ou não. Para ilustrar, cito algumas: educação ambiental, educação pública, educação patrimonial, educação digital, educação a distância, educação financeira, educação tributária, educação profissional, educação urbanística, educação para o consumo, educação para inclusão, educação para diversidade, educação humanista, educação solidária, educação católica. Nossa esperança está depositada toda vez que nos encontramos numa relação educativa, que privilegia a formação para vida fraterna e para a cidadania. Apesar dos esforços de universalização, temos um gargalo no acesso inicial e ainda temos um funil quando se trata de garantir a permanência. Esse cenário da educação precisa ser revertido com oportunidades e ações assertivas, considerando especialmente as desigualdades territoriais, para garantir o acesso e a permanência, desde a mais tenra idade até quando a pessoa queira seguir estudando. Educação é “locus” da reflexão e do debate, e deve estar a serviço da comunidade, buscando caminhos criativos para os desafios de seu tempo e contribuindo para formar uma nova humanidade. Nas palavras do Papa Francisco, é necessário nos reunir em torno do desafio de educar, “reavivando o compromisso em prol e com as gerações jovens, renovando a paixão por uma educação mais aberta e inclusiva, capaz de escuta paciente, diálogo construtivo e mútua compreensão. Nunca, como agora, houve necessidade de unir esforços numa ampla ‘aliança educativa’ para formar pessoas maduras, capazes de superar fragmentações e contrastes e reconstruir o tecido das relações em ordem a uma humanidade mais fraterna”. É claro que, sozinha, a educação não transforma a sociedade. Que as palavras de Paulo Freire sigam nos inspirando: “Educação não transforma o mundo. Educação muda as pessoas. Pessoas transformam o mundo”. Maria José Brant (Deka), assistente social, analista de políticas públicas na Prefeitura de Belo Horizonte-MG, mestra em Gestão Social, mosaicista nas horas vagas.

3º Domingo do Tempo Comum

“O Espírito do Senhor está sobre mim”Lucas 1,1-4; 4,14-21 O texto relata a primeira experiência da vida pública de Jesus. Deu-se em sua terra de criação: Nazaré. Na linguagem de hoje, Jesus foi para a capela da comunidade e foi convidado a fazer parte da equipe litúrgica, para fazer a segunda leitura. Naquela época, o culto da sinagoga tinha duas leituras: a primeira, tirada da Lei; a segunda, dos Profetas. Jesus, abrindo o livro do profeta Isaías, encontrou a passagem que diz: “O Espírito do Senhor está sobre mim, porque Ele me consagrou para anunciar a Boa Notícia aos pobres; enviou-me para proclamar a libertação aos presos e, aos cegos, a recuperação da vista; para libertar os oprimidos e para proclamar um ano da graça do Senhor” (Lucas 4,18-19). Não que Ele encontrasse essa passagem por acaso. Pelo contrário, Jesus a procurou até achar, pois Ele identificava sua missão com aquela descrita pelo profeta. Por isso, na hora da homilia, começou com a frase chocante: “Hoje se cumpriu essa passagem da Escritura que vocês acabaram de ouvir” (Lucas 4,21). Jesus identificou sua missão com a do capítulo 61 de Isaías. Nós, como discípulos dele, temos a mesma missão. Olhemos os elementos: a) “Anunciar a Boa Notícia aos pobres”: o evangelho é “Boa Notícia”, não uma série de leis nem uma lista de práticas rituais, nem uma moral (embora tenha todos esses elementos), mas uma experiência de Deus que traz alegria, felicidade (para os pobres). Portanto, Ele toma posição; o que é boa notícia para uns é má notícia para outros. O que é boa notícia para o oprimido é má notícia para o opressor. Não existe uma Boa Notícia neutra, igualmente boa para todos. E não devemos diluir o termo “pobre”: aqui não é o pobre de espírito nem de coração, nem de fé… É o pobre mesmo, aquele, aquela que não tem o necessário para uma vida digna (Lucas usa o termo grego ptochois, que significa, mais ou menos, “indigente”). Com certeza, em nossa sociedade, abrange todos os excluídos. b) “Proclamar a libertação aos presos”: não apenas aos na cadeia, mas que estão sem a liberdade dos filhos de Deus, presos hoje pelas consequências do neoliberalismo, do desemprego, do salário mínimo; pelas correntes de racismo, machismo, clericalismo e tudo o que oprime. Também aos presos em seu próprio egoísmo, pois o assumir dos valores evangélicos vai libertá-los. Porém essa libertação passa pela mudança radical em sua maneira de viver. c) “Aos cegos, a recuperação da vista”: quanta gente cega hoje! E não por doença dos olhos, mas cegada pela ideologia dominante, que não deixa ver a realidade do mundo e dos sofridos; pelas falsas utopias alienantes e pela manipulação de informação pelos meios de comunicação, dominados pela elite, que “fazem a cabeça”; quantos cegos diante da possibilidade de mudança por meio da força histórica dos oprimidos! Vale a pena notar que o texto enfatiza a “recuperação” da vista, não a doação dela. Ou seja, trata-se de ajudar os que, uma vez, viram a realidade com os olhos de Deus, mas foram cegados pela ideologia dominante, a ponto de não enxergarem mais a verdade. d) “Libertar os oprimidos”: aqui há o eixo fundamental de toda a Bíblia: o Êxodo como processo permanente. No livro do Êxodo, Deus se identificou como o Deus que liberta os oprimidos (Êxodo 3,76-10). Jesus se coloca (e coloca todos os seus seguidores) nesse mesmo compromisso. Hoje a época é diferente, mas a opressão continua, e Deus nos conclama para que todos nós nos empenhemos nessa luta para concretizar a libertação dos oprimidos. e) “Proclamar o ano de graça do Senhor”: o Ano da Graça (o ano jubilar!), memória da proposta de Levítico 25, o ano do perdão das dívidas, da libertação dos escravos, da devolução das terras a seus donos originais. Como concretizar, na realidade do Brasil de hoje, essa visão? O que significa hoje o perdão das dívidas, a libertação dos escravos e a devolução das terras? Questões evangélicas da fé, que têm fortes consequências políticas e econômicas, e desafiam a tendência a uma religião intimista, individualista e desencarnada da realidade. Pois júbilo, alegria, não pode ser decretado. Tem de brotar de algum motivo profundo. Aqui o próprio Jesus fala de sua missão, que é também a nossa. Pois fomos todos “consagrados com a unção, para anunciar a Boa Notícia aos pobres; para proclamar a libertação aos presos e, aos cegos, a recuperação da vista; para libertar os oprimidos e para proclamar o ano da graça do Senhor” (Lucas 4,18-21). Padre Tomaz Hughes, SVD, biblista e assessor da CRB e do Cebi. Dedicou-se a cursos e retiros bíblicos em todo o Brasil. Publicou diversos artigos e o livro “Paulo de Tarso: discípulo-missionário de Jesus”. Faleceu em 15 de maio de 2017. Suas reflexões bíblicas são muito atuais.

Educar para o direito à liberdade religiosa

No Brasil, o direito à liberdade de religião ou crença é previsto pela Constituição Federal. A legislação garante o livre exercício de cultos religiosos e a proteção aos locais de culto e suas liturgias. Em nosso país, também celebramos anualmente, em 21 de janeiro, o Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa, com o objetivo de promover o diálogo inter-religioso, a tolerância e o respeito, além de alertar as pessoas sobre esse problema gerado pelo desrespeito às diversas crenças existentes no mundo. Apesar das incessantes lutas pelo direito à liberdade religiosa e a garantia de direitos constitucionais, a desinformação e a falta de educação acerca da diversidade religiosa da sociedade brasileira é o principal fator gerador da intolerância religiosa. O preconceito nada mais é do que um juízo preconcebido de algo que se desconhece, e é dessa forma que a intolerância religiosa cresce na sociedade. Por meio do conhecimento, é possível romper essas barreiras. A educação é a mais eficaz forma de combate às diversas formas de intolerância e preconceito. O indivíduo que for educado e conscientizado acerca da importância do respeito ao próximo e à diversidade religiosa do País seguramente contribuirá para a construção de uma sociedade mais inclusiva e justa. Pela educação religiosa, é possível promover o diálogo entre as mais diversas crenças e religiões na percepção de que, independentemente das formas diferentes de expressarem a fé, existe um elo que as une, seus princípios de bondade, liberdade e amor. O outro é diferente, tem certamente outras referências e experiências culturais, porém, pelo encontro e o diálogo, é possível eliminar as distâncias e condicionamentos que levam ao isolamento, indiferença ou irresponsabilidade, para harmonizar as diferenças e interagir. Evidenciada a urgente necessidade de uma cultura do encontro, o Papa Francisco exorta a educação católica a promovê-la, de modo que possa ser uma proposta de esperança e confiança para nosso tempo. Em um de seus discursos, enfatiza que “as mentes e os corações devem estar em harmonia na busca do bem comum universal e na busca do desenvolvimento integral de cada pessoa, sem exceções ou injustas discriminações”. Essa reflexão do Santo Padre diz muito sobre a importância de uma formação integral dos educandos, para que estejam comprometidos com a realidade social, os valores, a moral e a ética. Nesse sentido, o Ensino Religioso se destaca na promoção de uma educação aberta à transformação sociocultural que forma cidadãos que compreendem os processos sociais, desenvolvendo atitudes de escuta, respeito e serviço na perspectiva de uma formação que contemple a cultura do diálogo e do encontro. Esse diálogo deve ser amplo e aberto com todas as pessoas: o diálogo ecumênico, inter-religioso, com os não crentes, com as ciências, com a economia, a política, a arte, etc. O Ensino Religioso tem esse importante papel de encontrar-se com aqueles que têm outras opiniões e diferentes opções, sem abdicar os próprios princípios, valores e convicções. Proporciona um encontro autêntico que não coloca em risco a própria identidade, mas a enriquece com aquilo que o outro oferece. Pela dinâmica do diálogo (que requer falar e ouvir, receber e dar), dá-se o reconhecimento do outro como alguém valioso, que tem algo a oferecer. Diante dos desafios e incertezas enfrentados pela humanidade, o Ensino Religioso busca novos e criativos caminhos que conduzam ao diálogo e ao encontro, olhando para o próximo como irmão. É fundamental educar crianças e jovens sobre todas as doutrinas religiosas e, principalmente, sobre a relevância do respeito a todas. O saber é fundamental para a liberdade dos indivíduos. É a educação que, de forma eficaz, combaterá esta grave “doença” social, a intolerância religiosa, que fere e desrespeita tantos direitos fundamentais, e construirá o respeito à diversidade religiosa existente no País. Mariana Botelho CoimbraProfessora de Ensino Religioso do Colégio Imaculado Coração de Maria, no Rio de Janeiro-RJ.

Começar um novo ano

Pe. Deolino Pedro Baldissera, SDS É sempre bom começar um novo ano, porque concluímos mais um e vamos iniciar outro! Nossa história pessoal fica mais comprida e cheia de novos dias para viver e realizar tarefas, lidar com as coisas cotidianas, envolver-se com pessoas, com negócios, com desafios, com preocupações, com frustrações e com tudo aquilo que pertence à vida. Teremos um mundo diante de nós que nos apresentará atrativos de todo o tipo e maravilhas que encantarão nossos olhos, exigindo que o coração pulse mais forte. Novas perguntas para a inteligência resolver. Caminhos novos, com suas encruzilhadas e retas, com suas subidas e descidas, vão desfilar diante de nós. No novo ano, a vida vai se envolver com afazeres novos e, ao mesmo tempo, continuará lidando com os velhos. Haverá dias com alegrias nunca experimentadas, outros com tristezas, porque morre alguém ou porque se decepciona com algo. Começar um novo ano é retrilhar os caminhos já conhecidos e estar preparados para as surpresas dos outros que aparecerão. Na dinâmica da vida, ela continuará contando com as próprias capacidades para se autossustentar, mantendo também alguma reserva para suportar os insucessos e limitações diante das coisas desconhecidas. Nossas emoções vão nos submeter a novas sensações. Novas experiências vão mexer com nossos brios e nos angustiar por momentos de indecisões. Nossos valores serão postos diante de novos questionamentos, e nossas convicções passarão pela prova da verdade. Nossas crenças serão confrontadas, e mantê-las firmes exigirá convicções profundas e posturas coerentes. Nosso tempo será cronometrado por nossas responsabilidades a serem desempenhadas dentro do campo de atuação de cada um. Nossos amores sofrerão os impactos das reações de nossos sentimentos diante dos apelos que entram por nossos olhos, e o teste da fidelidade exigirá vigilância constante. Nossas canções preferidas serão recantadas, e nossos ouvidos ouvirão novas músicas com seus arranjos ainda desconhecidos. Para começar um novo ano, é preciso munir-se de esperanças fortes e de otimismo, porque ainda não se sabe como será. Nossas intuições nos dizem que será melhor do que o ano findante. O anúncio do ano novo vem com o pipocar de muitos fogos de artifício enfeitando o céu de muitas cores e estrondos diferentes. É uma contagem regressiva, 10, 9… 1, e se começa o ritual de abraços e um tal de desejar um FELIZ ANO NOVO que vai se misturando com sorrisos e brindes, deixando todo mundo alegre. Estamos preparados! Que venha 2022! Nós o esperamos para o primeiro minuto depois da meia-noite e continuaremos com ele até o próximo ano. A VOCÊ QUE LEU ATÉ AQUI, TENHO A DESEJAR-LHE O MEU E RECEBER O SEU FELIZ ANO NOVO! Pe. Deolino Pedro Baldissera, SDSPadre salvatoriano há 43 anos, professor e psicólogo pela Universidade Gregoriana de Roma, com mestrado em Psicologia e doutorado em Ciências da Religião. Atualmente é pároco em Videira-SC.S

2º Domingo do Tempo Comum

“Façam tudo o que ele lhes disser”João 2,1-11 A primeira parte do Quarto Evangelho é comumente chamada “O Livro dos Sinais”, pois o evangelista relata uma série de sete sinais que, passo por passo, revelam quem é Jesus e qual é sua missão. Embora algumas bíblias traduzem o termo grego que João usa por “milagre”, a tradução mais acertada é “sinal”. O primeiro desses sinais se deu no contexto das Bodas de Caná, o Evangelho de hoje. Como todo o Evangelho de João, o relato está carregado de simbolismo, em que pessoas, números e eventos funcionam simbolicamente para nos levar além da aparência das coisas, numa caminhada de descoberta sobre a pessoa de Jesus. Um dos temas centrais do Quarto Evangelho é o da “hora” de Jesus. A “hora” não se refere à cronometria, mas a hora de glorificação de Jesus, por sua morte e ressurreição. Em resposta ao pedido feito por Maria (João nunca se refere a Ela pelo nome, mas pelo título “Mulher”), usando de uma maneira até estranha esse termo para sua mãe, João quer indicar que Jesus rejeita uma esfera meramente humana de ação para Maria, para reservar a ela um papel muito mais rico, ou seja, o da mãe de seus discípulos. Maria somente vai aparecer mais uma vez neste Evangelho: ao pé da Cruz, onde Ela e o Discípulo Amado assumem um relacionamento de Mãe e Filho. Devemos lembrar que o Discípulo Amado simboliza a comunidade dos discípulos do Senhor, ou seja, nós hoje. Apesar de nossa tradição piedosa mariana, é importante não reduzir a ação de Maria no texto à de uma incomparável intercessora. Embora seja comum essa interpretação na devoção popular, não se sustenta do ponto de vista exegético. É melhor ver Maria aqui como discípula exemplar, pois embora a resposta de Jesus indique um distanciamento entre sua expectativa e a visão dele, Ela continua com confiança no Filho e leva outros a acreditar nele. O simbolismo da água tornada vinho é também importante. Não é qualquer água, é a água da purificação dos judeus. Com essa história, João quer mostrar que, doravante, os ritos judaicos de purificação estão superados, pois a verdadeira purificação vem por Jesus. Podemos entender isso como a mudança de uma prática religiosa baseada no medo do pecado (uma prática que exclui muita gente), para uma nova relação entre Deus e a humanidade, a partir de Jesus. Assim, em Caná, Jesus começa a substituir as práticas do judaísmo do Templo, que vai continuar ao longo do Evangelho de João. A quantia do vinho chama a atenção: 600 litros! O vinho em abundância era símbolo dos tempos messiânicos e, na tradição rabínica, a chegada do Messias seria marcada por uma colheita abundante de uvas. Assim, João quer dizer que a expectativa messiânica se realiza em Jesus. As talhas transbordantes simbolizam a graça abundante que Jesus traz. A figura do mestre-sala é também simbólica, bem como a dos serventes. Aquele que devia saber a origem do vinho da festa não sabia, enquanto estes, sim. Assim, o mestre-sala representa os chefes do Templo que não sabiam a origem de Jesus, enquanto os servos representam os discípulos que acreditaram nele. Fazendo comparação entre o vinho antigo e o novo, João quer reconhecer que a Antiga Aliança era boa, mas a Nova a superou. Os ritos e práticas judaicos, ligados à purificação e ao sacrifício, não têm mais sentido, pois uma nova era de relacionamento entre a humanidade e Deus começou em Jesus. O ponto culminante do relato está no versículo 11: “Foi em Caná que Jesus começou seus sinais, e os seus discípulos acreditaram nele”. A fé deles não é intelectual ou teórica, mas o seguimento concreto do Mestre, na formação de novos relacionamentos de amor. Passo por passo, o autor vai revelando Jesus por meio de sinais, para que nós, os leitores, possamos “acreditar que Jesus é o Messias, o Filho de Deus. E para que, acreditando, tenhamos a vida em seu nome” (João 20,31). Padre Tomaz Hughes, SVD, biblista e assessor da CRB e do Cebi. Dedicou-se a cursos e retiros bíblicos em todo o Brasil. Publicou diversos artigos e o livro “Paulo de Tarso: discípulo-missionário de Jesus”. Faleceu em 15 de maio de 2017. Suas reflexões bíblicas são muito atuais.

Websérie Diálogos: sírio fala de sua situação no Brasil e de projetos em favor dos refugiados

Há uma década, o povo da Síria, nação localizada no Oriente Médio, vem sofrendo devido a uma disputa de poder. O país está situado em uma região estratégica e atrai a cobiça de poderosos locais e estrangeiros. Apesar da riqueza de uma cultura multimilenar, os efeitos da guerra continuam a ter um impacto desastroso sobre os sírios em todo o mundo. Cerca de 12 milhões de pessoas, quase a metade da população pré-conflito, estão deslocados tanto dentro quanto fora do país, inclusive no Brasil. Abdulbaset Jarour fugiu da Síria aos 20 anos e, em 2014, buscou refúgio no Brasil. Ele nasceu em Alepo, a maior cidade do país e uma das mais antigas do mundo. Em conversa com a irmã Maria Inês Aragão, missionária serva do Espírito Santo, Abdulbaset conta que sua terra natal é um lugar de referências bíblicas. As memórias são talvez as coisas mais essenciais que podemos estimar ao longo de nossa vida. Elas desenvolvem nosso caráter conforme nossas percepções, e os encontros passados ficam lá guardados. As memórias da guerra e da violência desempenharam um papel significativo na formação do que Abdulbaset é hoje. “A vida me tornou refugiado pela maldade humana”, afirma. Somente quem vive em uma terra estrangeira entende o que significa ser um refugiado. Ele conta que é muito doloroso estar nessa condição. Por sentir na pele o drama de ter de abandonar a própria terra, hoje é ativista em favor da causa migratória e tem projetos para fazer ainda mais pelas pessoas que estão na mesma situação. Qual é a nossa resposta para pessoas refugiadas? Cito o 14º Capítulo-Geral da Congregação das Irmãs Missionárias Servas do Espírito Santo: “As necessidades de nosso planeta são esmagadoras e sempre mudando. Nosso carisma nos chama a servir aqueles que mais precisam receber as boas-novas do amor de Deus que tudo inclui. Suas histórias se tornam nossa história, e nossa história não pode ser dita sem eles”. Por meio da dimensão de Comunicação SSpS no Brasil, trazemos um dos episódios sobre o contexto dos refugiados em nosso país. Podemos fazer algo para promover a paz e a fraternidade? Veja a entrevista! Ir. Elizabeth Rani, SSpSMissionária serva do espírito santo, nascida na Índia e há um ano no Brasil. Estudou Pedagogia e Literatura Inglesa e faz parte da Equipe de Comunicação da Província.

Habilidades emocionais: irmãs SSpS conduzem atividade em abrigo

Entre os dias 22 e 26 de novembro, as irmãs Martina Gonzalez e Petronella Boonen, ambas missionárias servas do Espírito Santo, realizaram um trabalho sobre habilidades emocionais com 36 funcionários do abrigo Recanto Feliz, no Município de Aracruz-ES. A obra é parte da Associação Beneditina de Educação e Assistência Social. No período mais agudo da pandemia, devido à necessidade de isolamento, o abrigo teve de reduzir espaços de convivência e atividades escolares, esportivas, entre outras. A medida provocou uma sobrecarga emocional em crianças, jovens, famílias e nos próprios agentes educacionais. Com a estabilização da pandemia, os trabalhadores solicitaram um acompanhamento para que pudessem recuperar as energias e prosseguir na missão. Com diligência, a direção da entidade atendeu ao pedido dos colaboradores. As irmãs contam que ficaram impressionadas com o alto nível de estresse dos agentes educacionais. Ajudaram a agravar a situação as tensões intrafamiliares, a insegurança por medo do desemprego e a infecção de membros das famílias. Além disso, foi constatado, ao longo das atividades, o trauma por mortes prematuras causadas pela covid-19, por outras doenças ou por homicídios. Ao longo da semana, foi possível criar um ambiente seguro que permitiu a partilha e a acolhida dessas tensões. Por meio de psicodrama, expressões com argila, desenhos, exercícios físicos, conversas, leituras, exercícios de respiração e algumas exposições teóricas, foi possível oferecer ferramentas para as pessoas expressarem os sentimentos. Fazendo o percurso proposto, o grupo foi achando um caminho para aliviar a tensão, avaliar suas respostas às demandas externas e treinar novas possibilidades. Outra proposta foi abordar o perdão como uma forma de lidar com situações difíceis do passado. Grande parte das metodologias empregadas foram inspiradas pela Escola de Perdão e Reconciliação (Espere), metodologia de educação popular desenvolvida na Colômbia e articulada pela Rede Espere no Brasil. Os participantes agradeceram o apoio e o consideraram positivo. Os agentes, como destacaram nas avaliações, aprenderam o valor de ouvir o outro, transformar o olhar de vítima, para ter mais qualidade de vida e, assim, diminuir o estresse. Ir. Petronella Maria Boonen (Nelly) é co-fundadora da linha de Perdão e Justiça Restaurativa do CDHEP e doutora e mestra em Sociologia da Educação pela USP.)

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