Novena de Pentecostes 2022 – 4º dia

ORAÇÃO INICIAL Vem, Espírito de Entendimento,e supera em nós todas as barreiras. Vem, Espírito de Encontro,e constrói pontes entre nós. Vem, Espírito de Paz,e traz a cura a nossos corações e a nosso mundo. Vem, Espírito de Abertura,e rompe a mesquinhez de nossos corações. Vem, Espírito de Conselho,e mostra-nos o seguinte passo a dar. Vem, Espírito de Conhecimento,e mostra-nos o caminho a seguir, conforme a tua vontade. Vem, Espírito de Sabedoria,e aprofunda nossa confiança em tua orientação. Vem, Espírito de Amor,e ajuda-nos a ser instrumentos de tua bondade. Vem, Espírito de Discernimento,e faz-nos escutar tua voz e seguir teu caminho.                                                (autor desconhecido) Sugestão:  momento de silêncio, para interiorizar a oração e, depois fazer eco da mesma (pode-se utilizar música). ______________________________________________________________ Quarto dia“Reconhecemos que somos parte da escuridão na Igreja e na sociedade. Aceitando nossa vulnerabilidade, nós nos erguemos em esperança e unidade com o mundo ferido e dividido. Nós nos comprometemos a viver radicalmente nossa consagração em comunidades interculturais, internacionais e intergeracionais.” (XV CG) Canto ao Espírito Santo (escolhido pela responsável da oração) Introdução A parábola sobre a qual refletimos hoje (Lucas 10,25-37) é desconcertante, porque Jesus diz que o ferido era judeu, enquanto aquele que parou e o ajudou era samaritano. Esse detalhe é muito significativo para nossa reflexão sobre um amor que inclui a todos (independentemente da cultura, idade, nacionalidade, língua, religião). Ao se aproximar e se fazer presente, o samaritano venceu todas as barreiras culturais e históricas. Jesus conclui a parábola dizendo: “Ide e fazei o mesmo” (Lucas 10,37). Em outras palavras, Ele nos desafia a colocar de lado todas as diferenças e, diante do sofrimento, a nos aproximar dos outros sem fazer perguntas. Não devo mais dizer que tenho vizinhos para ajudar, mas que eu mesmo devo ser “próximo” para todos. (Fratelli tutti, n. 81 e 82) (Tomemos uns momentos de silêncio para refletir sobre esses textos) ORAÇÃO INICIAL Palavra de Deus (Lucas 10,25-37) Levantou-se um doutor da Lei e, para pô-lo à prova, perguntou: “Mestre, que devo fazer para possuir a vida eterna?”. Disse-lhe Jesus: “Que está escrito na Lei? Como é que lês?”. Respondeu ele: “Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todas as tuas forças e de todo o teu pensamento (Deuteronômio 6,5); e a teu próximo como a ti mesmo” (Levítico 19,18). Jesus acrescentou: “Respondeste bem; faz isso e viverás”. Mas ele, querendo justificar-se, perguntou a Jesus: “E quem é o meu próximo?”. Jesus então contou: “Um homem descia de Jerusalém a Jericó, e caiu nas mãos de ladrões, que o despojaram; e depois de o terem maltratado com muitos ferimentos, retiraram-se, deixando-o meio morto. Por acaso, desceu pelo mesmo caminho um sacerdote; viu-o e passou adiante. Igualmente um levita, chegando àquele lugar, viu-o e passou também adiante. Mas um samaritano que viajava, chegando àquele lugar, viu-o e moveu-se de compaixão. Aproximando-se, atou-lhe as feridas, pondo nelas azeite e vinho; colocou-o sobre sua própria montaria e levou-o a uma hospedaria, e tratou dele. No dia seguinte, tirou dois denários e deu-os ao hospedeiro, dizendo-lhe: ‘Trata dele e, quanto gastares a mais, na volta, vou pagar-te’”. Jesus, então, perguntou: “Qual desses três parece ter sido o próximo daquele que caiu nas mãos dos ladrões?”. Respondeu o doutor da Lei: “Aquele que usou de misericórdia para com ele”. Então, Jesus lhe disse: “Vai e faz tu o mesmo”.   Dirigente: Em silêncio (aproximadamente dez minutos), reflitamos sobre o texto e a imagem, perguntando-nos: como Jesus está me chamando para reconhecer e aceitar minha vulnerabilidade pessoal, para abraçar as diferenças culturais (étnicas, nacionais, geracionais, de gênero) e para viver radicalmente minha vida consagrada como uma SSpS hoje? (Depois deste tempo de silêncio, partilhar a reflexão/oração) Oração: Pai-Nosso Canto (escolhido pela responsável da oração) ______________________________________________________________ ORAÇÃO FINAL Deus de ternura e compaixão,Três em Um,sempre dançando,sempre amando,sempre nos chamando a ti,para unir-nos à tua dança… Estivemos reunidas, reunidos,e Tu rezaste conosco e em nós,derramaste teu Espírito em nossos corações,cantaste tua música em nossas almas… Fica conosco agora, para que,ao continuarmos nosso caminho de transformação,possamos levar tua dança ao mundo,escutando e respondendo a teu gritono grito da mãe terra e de nossos irmãos e irmãs; abraçando apaixonadamente sua missãoem nossas comunidades interculturais,como testemunhas de tua bondade e compreensão. Que possamos unir-nos corajosamente à tua dança, Deus de amor,e ser instrumentos de tua compaixão neste mundo. Rezamos esta oração por meio de Jesus Cristo, no Espírito, Amém. Canto final a Maria (escolhido pela responsável da oração) Reze conosco seguindo as publicações diárias, ou com sua comunidade baixando a novena completa.

Novena de Pentecostes 2022 – 3º dia

ORAÇÃO INICIAL Vem, Espírito de Entendimento,e supera em nós todas as barreiras. Vem, Espírito de Encontro,e constrói pontes entre nós. Vem, Espírito de Paz,e traz a cura a nossos corações e a nosso mundo. Vem, Espírito de Abertura,e rompe a mesquinhez de nossos corações. Vem, Espírito de Conselho,e mostra-nos o seguinte passo a dar. Vem, Espírito de Conhecimento,e mostra-nos o caminho a seguir, conforme a tua vontade. Vem, Espírito de Sabedoria,e aprofunda nossa confiança em tua orientação. Vem, Espírito de Amor,e ajuda-nos a ser instrumentos de tua bondade. Vem, Espírito de Discernimento,e faz-nos escutar tua voz e seguir teu caminho.                                                (autor desconhecido) Sugestão:  momento de silêncio, para interiorizar a oração e, depois fazer eco da mesma (pode-se utilizar música). ______________________________________________________________ Terceiro dia“Despertadas pelo grito da Trindade, através da dor e do sofrimento da Mãe Terra e de nossas irmãs e irmãos nas margens, descobrimos que a conversão ecológica e a vida sustentável se tornam um compromisso ético irrenunciável.” (XV CG) Canto ao Espírito Santo (escolhido pela responsável da oração) Introdução A Mãe Terra grita por causa dos danos que lhe infligimos, por nosso uso irresponsável e abuso dos bens com os quais Deus a dotou. Chegamos a ver-nos como seus senhores e donos, com o direito de saqueá-la à vontade. A violência presente em nossos corações, feridos pelo pecado, reflete-se também nos sintomas de doença evidentes no solo, na água, no ar e em todas as formas de vida. O Patriarca Bartolomeu falou da necessidade de cada um de nós se arrepender das formas como prejudicamos o planeta, pois “conforme todos nós geramos pequenos danos ecológicos”, somos chamados a reconhecer “nossa contribuição, menor ou maior, para a desfiguração e destruição da Criação”. Ele nos desafia a reconhecer nossos pecados contra a Criação. Ele chama a atenção para as raízes éticas e espirituais dos problemas ambientais e nos pede que substituamos o consumo pelo sacrifício, a ganância pela generosidade e o esbanjamento pelo espírito de partilha. (Adaptado de Laudato si’, n. 2, 8 e 9) (Tomemos uns momentos de silêncio para refletir sobre esses textos) ORAÇÃO INICIAL Palavra de Deus (Mateus 25,31-40) Quando o Filho do Homem voltar em sua glória e todos os anjos com ele, vai sentar-se em seu trono glorioso. Todas as nações vão reunir-se diante dele, e ele separará uns dos outros, como o pastor separa as ovelhas dos cabritos. Colocará as ovelhas à sua direita e os cabritos à sua esquerda. Então, o Rei dirá aos que estão à direita: “Vinde, benditos de meu Pai, tomai posse do Reino que vos está preparado desde a criação do mundo, porque tive fome e me destes de comer; tive sede e me destes de beber; era peregrino e me acolhestes; nu e me vestistes; enfermo e me visitastes; estava na prisão e viestes ver-me”. Os justos vão lhe perguntar: “Senhor, quando foi que te vimos com fome e te demos de comer, com sede e te demos de beber? Quando foi que te vimos peregrino e te acolhemos, nu e te vestimos? Quando foi que te vimos enfermo ou na prisão e te fomos visitar?”. Responderá o Rei: “Em verdade, eu vos declaro: todas as vezes que fizestes isso a um destes meus irmãos mais pequeninos, foi a mim que o fizestes”.   Dirigente: Em silêncio (aproximadamente dez minutos), reflitamos sobre o texto e a imagem, perguntando-nos: como respondeu Jesus, em palavras e ações, ao grito da Trindade em seu tempo? Como sou chamada a responder a esse grito hoje? (Depois deste tempo de silêncio, partilhar a reflexão/oração) Oração: Pai-Nosso Canto (escolhido pela responsável da oração) ______________________________________________________________ ORAÇÃO FINAL Deus de ternura e compaixão,Três em Um,sempre dançando,sempre amando,sempre nos chamando a ti,para unir-nos à tua dança… Estivemos reunidas, reunidos,e Tu rezaste conosco e em nós,derramaste teu Espírito em nossos corações,cantaste tua música em nossas almas… Fica conosco agora, para que,ao continuarmos nosso caminho de transformação,possamos levar tua dança ao mundo,escutando e respondendo a teu gritono grito da mãe terra e de nossos irmãos e irmãs; abraçando apaixonadamente sua missãoem nossas comunidades interculturais,como testemunhas de tua bondade e compreensão. Que possamos unir-nos corajosamente à tua dança, Deus de amor,e ser instrumentos de tua compaixão neste mundo. Rezamos esta oração por meio de Jesus Cristo, no Espírito, Amém. Canto final a Maria (escolhido pela responsável da oração) Reze conosco seguindo as publicações diárias, ou com sua comunidade baixando a novena completa.

Novena de Pentecostes 2022 – 1º dia

ORAÇÃO INICIAL Vem, Espírito de Entendimento,e supera em nós todas as barreiras. Vem, Espírito de Encontro,e constrói pontes entre nós. Vem, Espírito de Paz,e traz a cura a nossos corações e a nosso mundo. Vem, Espírito de Abertura,e rompe a mesquinhez de nossos corações. Vem, Espírito de Conselho,e mostra-nos o seguinte passo a dar. Vem, Espírito de Conhecimento,e mostra-nos o caminho a seguir, conforme a tua vontade. Vem, Espírito de Sabedoria,e aprofunda nossa confiança em tua orientação. Vem, Espírito de Amor,e ajuda-nos a ser instrumentos de tua bondade. Vem, Espírito de Discernimento,e faz-nos escutar tua voz e seguir teu caminho.                                                (autor desconhecido) Sugestão:  momento de silêncio, para interiorizar a oração e, depois fazer eco da mesma (pode-se utilizar música). ______________________________________________________________ Primeiro dia“Imersas na dança da Trindade, somos urgidas a percorrer um caminho profético de transformação, para nos tornarmos uma melodia de compaixão neste mundo.” (XV CG) Canto ao Espírito Santo (escolhido pela responsável da oração) Introdução: Nós, a comunidade das, dos que seguem Jesus (portanto, seguem o Pai e o Espírito), somos chamadas a esta “dança” divina. Entrar nesta dança deve preparar o terreno para que nos convertamos em pessoas capazes de viver relações marcadas pelo amor e pela compaixão. Essa verdade nos chama a viver de maneira interdependente, umas, uns com as outras, os outros, chamando, guiando, acompanhando e seguindo esta dança no ministério (serviço missionário). (Adaptado de Cynthia H. Rich) Na passagem do Evangelho que rezamos neste primeiro dia de nossa novena (Lucas 3,21-22, 4,14-21), Lucas revela como Jesus experimenta a intimidade do Pai no Espírito enquanto ora depois de seu batismo. A certeza de ser o Amado revigorará a paixão de Jesus pela missão de Deus, pois ele se propõe a ser uma presença de compaixão e cura para todos. (Tomamos uns momentos de silêncio para refletir sobre estes textos) ORAÇÃO INICIAL Palavra de Deus (Lucas 3,21-22; 4,14-21) Sucedeu que, quando todo o povo estava a ser batizado, Jesus também foi batizado. Enquanto orava, o céu se abriu, e desceu o Espírito Santo, em forma corpórea, como uma pomba; e veio do céu uma voz que dizia: “Tu és meu Filho; Eu, hoje, te gerei.” Jesus voltou para a Galileia na força do Espírito, e sua fama se espalhou por toda a região. Ele ensinava nas sinagogas, era aclamado por todos. Veio a Nazaré, onde se havia criado, e, segundo seu costume, entrou na sinagoga em dia de sábado e levantou-se para fazer a leitura. Entregaram-lhe o livro do profeta Isaías, e desenrolando o livro, leu a passagem onde estava escrito: “O Espírito do Senhor está sobre mim, porque me ungiu para anunciar aos pobres a Boa-Nova, enviou-me a proclamar a libertação aos cativos e a vista aos cegos, para dar a liberdade aos oprimidos e proclamar o ano da graça do Senhor.” Enrolando o livro, Ele o devolveu ao ministro e sentou-se. Na sinagoga todos os olhos estavam fixos nele. Começou, pois, a dizer-lhes: “Esta Escritura que acabais de ouvir cumpriu-se hoje”.   Dirigente: Em silêncio (aproximadamente dez minutos), reflitamos sobre o texto e a imagem, perguntando-nos: de que maneira sou desafiada a entrar em um caminho de transformação (como o fez Jesus) para converter-me em uma pessoa mais compassiva? (Depois deste tempo de silêncio, partilhar a reflexão/oração) Oração: Pai-Nosso Canto (escolhido pela responsável da oração) ______________________________________________________________ ORAÇÃO FINAL Deus de ternura e compaixão,Três em Um,sempre dançando,sempre amando,sempre nos chamando a ti,para unir-nos à tua dança… Estivemos reunidas, reunidos,e Tu rezaste conosco e em nós,derramaste teu Espírito em nossos corações,cantaste tua música em nossas almas… Fica conosco agora, para que,ao continuarmos nosso caminho de transformação,possamos levar tua dança ao mundo,escutando e respondendo a teu gritono grito da mãe terra e de nossos irmãos e irmãs; abraçando apaixonadamente sua missãoem nossas comunidades interculturais,como testemunhas de tua bondade e compreensão. Que possamos unir-nos corajosamente à tua dança, Deus de amor,e ser instrumentos de tua compaixão neste mundo. Rezamos esta oração por meio de Jesus Cristo, no Espírito, Amém. Canto final a Maria (escolhido pela responsável da oração) Reze conosco seguindo as publicações diárias, ou com sua comunidade baixando a novena completa.

Adoção: um ato de amor, um sentido para a vida

Em 2002, foi criado no Brasil o Dia Nacional da Adoção, estabelecido para ser comemorado em 25 de maio. Adotar uma criança ou um adolescente é, em primeira instância, um ato de amor. A despeito de todos os trâmites burocráticos e legais, adotar significa abrir nossa vida, nossa casa, nosso amor a um ser humano que precisa de nossa ajuda. Junto a esse status de ato de amor, pode-se dizer que adotar também é um ato de fé. Fé em um mundo melhor, com valores mais sólidos, respeito e dignidade para todas as pessoas. Ao adotar uma criança ou um adolescente, damos o maior passo que alguém pode dar na direção do cuidado com outro ser humano. Há um ditado japonês que fala que vive mais quem encontra um sentido na vida. Muitas vezes, as crianças adotadas passam a ser o sentido da vida dos pais. O legado deixado pelos pais, biológicos ou adotivos, no formato abstrato de ética e moral, é a mais valorosa dádiva que alguém pode receber. Doar seu amor, seu carinho, todas as condições necessárias para que uma pessoa se desenvolva, faz do ato de adotar um grande sentido de vida. No Brasil, as adoções ainda não conseguem dar conta do montante de crianças em abrigos, que esperam por alguém que resolva tomá-las como filhos. Somos um país pobre, que, infelizmente, nos últimos anos, voltou para o mapa da fome. Além das razões financeiras, adotar ainda exige a quebra de paradigmas quanto aos laços sanguíneos. Por mais que os estudos de genética do comportamento e do próprio genoma humano estejam muito avançados, ainda não se pode afirmar, com certeza, que o comportamento se deva somente a influências do meio. Tal fator, somado ao dado de que a maioria das crianças disponíveis para adoção são aquelas cuja história de desestruturação familiar, violência doméstica, morte dos genitores em situação violenta colabora para que as pessoas sejam resistentes à adoção. Mesmo assim, os números são animadores e têm crescido. O Brasil teve aumento de 11,9% nos casos de adoção em 2021, em relação a 2020. Tal dado corrobora a teoria de que, cada vez que a humanidade passa por períodos de grande agitação e estresse, em seguida, aumentam os números de nascimentos e adoções. Foi assim ao fim da II Guerra Mundial, quando a explosão de natalidade foi chamada “baby boom”. A pandemia de covid-19 talvez tenha trazido muitas indagações sobre o sentido da vida para as pessoas que aumentaram os números da adoção em 2021. Afinal, se, segundo Sigmund Freud, o maior medo do ser humano é o medo da morte, um de seus maiores deleites é buscar a felicidade. São inúmeros os casais cujo objetivo principal de se candidatarem à adoção é a busca desse sentido na vida, a oportunidade de amar uma pessoa em crescimento. O aumento da idade da mulher para se ter o primeiro filho também cresceu consideravelmente há mais de 30 anos. A entrada da mulher no mercado de trabalho, consequentemente sua necessidade de formação, tirou-a da linha reprodutiva e construtora de famílias por um tempo. Muitas começam a pensar em formar uma família após os 35 anos. Biologicamente, a mulher tem uma condição que a diferencia consideravelmente do homem na questão reprodutiva. Quanto mais velha, mais difícil se torna a gestação natural. Na falta de condições financeiras para a FIV (fertilização in vitro, processo de reprodução assistida), ou por outras impossibilidades biológicas e patológicas, a adoção acaba sendo a alternativa que mais certamente dará resultados para se ter um filho. Grupos de apoio a adoção estão espalhados pelo Brasil. Fazem reuniões obrigatórias para se entrar na fila da adoção, e os futuros pais aprendem sobre seus filhos, sem os ter ainda. Porém o exercício projetivo mostra pais esperançosos de que, nos meses seguintes, sejam capazes de carregar seu filho e não um boneco realista. Ao contrário de alguns países, como o Japão, por exemplo, que tem elevado índice de adoção de homens adultos, entre 20 e 30 anos, no Brasil, a adoção dos mais jovens é muito mais frequente. Quanto maior a distância temporal do nascimento, mais difícil se torna para a criança ou adolescente ser adotado. No Japão, a prática centenária se deve ao valor que a tradição sanguínea e a hereditariedade de direito têm. A busca de casais por filhos adotivos adultos, principalmente se são possuidores de alguma empresa familiar, é alta. Além de adotá-los como herdeiros, o processo também inclui se casar com a filha herdeira. Nesse caso, o homem herdará o nome da família da esposa para poder perpetuá-lo. Os brasileiros, por sua vez, acreditam que, quanto mais jovem, e mais “sem memórias” for a criança adotada, mais fácil será sua adaptação aos novos pais. Outro fator importante no Brasil é o propósito legal e jurídico de não se separarem irmãos. Ou seja, caso os pais biológicos percam o direito sobre todos os filhos menores de 18 anos, a preferência na adoção é que todos sejam adotados pela mesma família, evitando assim sua separação. Esse fator também acaba por impedir, muitas vezes, que a adoção se realize. Seja a adoção burocrática ou não, fato é que uma criança reacende a chama da vida numa família que pode estar desesperançada. É muito comum que técnicas para “revelação da origem”, ou seja, quando se conta para a criança que ela não é filha biológica, sejam apresentadas argumentações como: “O papai e a mamãe eram muito tristes até o dia em que Papai do Céu trouxe você de presente”; ou ainda, “Você não nasceu da barriga da mamãe! Você veio do meu coração! Por isso você é nosso filho do coração! Porque é no coração que a gente sente que ama uma pessoa. E eu sinto aqui, no meu coração, como eu amo você desde o dia em que você veio para a nossa casa”. Neste Dia Nacional da Adoção, que todos os brasileiros possam parar um minuto e pensar na importância que há em dar a uma criança ou

Novena de Pentecostes 2022 – 2º dia

ORAÇÃO INICIAL Vem, Espírito de Entendimento,e supera em nós todas as barreiras. Vem, Espírito de Encontro,e constrói pontes entre nós. Vem, Espírito de Paz,e traz a cura a nossos corações e a nosso mundo. Vem, Espírito de Abertura,e rompe a mesquinhez de nossos corações. Vem, Espírito de Conselho,e mostra-nos o seguinte passo a dar. Vem, Espírito de Conhecimento,e mostra-nos o caminho a seguir, conforme a tua vontade. Vem, Espírito de Sabedoria,e aprofunda nossa confiança em tua orientação. Vem, Espírito de Amor,e ajuda-nos a ser instrumentos de tua bondade. Vem, Espírito de Discernimento,e faz-nos escutar tua voz e seguir teu caminho.                                                (autor desconhecido) Sugestão:  momento de silêncio, para interiorizar a oração e, depois fazer eco da mesma (pode-se utilizar música). ______________________________________________________________ Segundo dia“Movidas pelo Espírito vivificante, reavivamos nossa paixão pela missão de Deus. Buscamos cruzar múltiplas fronteiras para encontrar-nos com as pessoas ali onde estão, especialmente com aquelas que são marginalizadas ou excluídas por nosso mundo.” (XV CG) Canto ao Espírito Santo (escolhido pela responsável da oração) Introdução Quando considero as histórias sobre Jesus, vejo, uma e outra vez, como Ele se abriu a esses encontros (com os pobres). Há uma história hindu que diz: “Olhei à distância, vi algo que se movia e pensei que fosse um animal. Quando me aproximei, vi que era um homem. Quando parei e o olhei nos olhos, vi que era meu irmão”. Se nossa vida espiritual pessoal e nossa experiência coletiva na Igreja nos protegem dessas experiências intensas (de encontrar os pobres), então estamos violando o chamado de nossa fé. Se pensarmos na espiritualidade e na Igreja como um refúgio contra esses encontros desconfortáveis, então provavelmente estamos perdendo a Cristo (que se encontra) entre nós. (Ir. Philip Pinto, CFC) (Tomemos uns momentos de silêncio para refletir sobre esses textos) ORAÇÃO INICIAL Palavra de Deus (Marcos 5,21.25-34) Tendo Jesus passado outra vez para a outra margem, de novo afluiu a ele uma grande multidão. Ora, havia ali uma mulher que, já por doze anos, padecia de um fluxo de sangue. Sofrera muito nas mãos de vários médicos, gastando tudo o que possuía, sem achar nenhum alívio; pelo contrário, piorava cada vez mais. Tendo ela ouvido falar de Jesus, veio por detrás, entre a multidão, e tocou-lhe no manto. Dizia ela consigo: “Se tocar, ainda que seja na orla de seu manto, ficarei curada”. Ora, no mesmo instante, se lhe estancou a fonte de sangue, e ela teve a sensação de estar curada. Jesus percebeu imediatamente que saíra dele uma força e, voltando-se para o povo, perguntou: “Quem tocou minhas vestes?”. Responderam-lhe os seus discípulos: “Vês que a multidão te comprime e perguntas: ‘Quem me tocou?’”. E ele olhava ao redor para ver quem o fizera. Ora, a mulher, atemorizada e trêmula, sabendo o que nela se tinha passado, veio lançar-se a seus pés e contou-lhe toda a verdade. Mas Ele lhe disse: “Filha, a tua fé te salvou. Vai em paz e sê curada do teu mal”.   Dirigente: Em silêncio (aproximadamente dez minutos), reflitamos sobre o texto e a imagem, perguntando-nos: como a presença sanadora de Jesus me desafia a crescer na paixão pela missão de Deus e a verdadeiramente “encontrar as pessoas onde elas estão”? (Depois deste tempo de silêncio, partilhar a reflexão/oração) Oração: Pai-Nosso Canto (escolhido pela responsável da oração) ______________________________________________________________ ORAÇÃO FINAL Deus de ternura e compaixão,Três em Um,sempre dançando,sempre amando,sempre nos chamando a ti,para unir-nos à tua dança… Estivemos reunidas, reunidos,e Tu rezaste conosco e em nós,derramaste teu Espírito em nossos corações,cantaste tua música em nossas almas… Fica conosco agora, para que,ao continuarmos nosso caminho de transformação,possamos levar tua dança ao mundo,escutando e respondendo a teu gritono grito da mãe terra e de nossos irmãos e irmãs; abraçando apaixonadamente sua missãoem nossas comunidades interculturais,como testemunhas de tua bondade e compreensão. Que possamos unir-nos corajosamente à tua dança, Deus de amor,e ser instrumentos de tua compaixão neste mundo. Rezamos esta oração por meio de Jesus Cristo, no Espírito, Amém. Canto final a Maria (escolhido pela responsável da oração) Reze conosco seguindo as publicações diárias, ou com sua comunidade baixando a novena completa.

Dia do Abraço: “O que tiramos de grandes tragédias?”

Em 22 de maio, comemora-se o Dia do Abraço. Esse gesto, às vezes, tão mecânico ou formal, pode ganhar profundos significados conforme o sentimento envolvido. Giovanna Capato Corte Real perdeu, num intervalo de poucos dias, pessoas muito próximas, devido à covid-19. Ela dá um forte testemunho e um conselho que precisa ser ouvido com atenção. Veja a seguir: “Eu me chamo Giovanna, tenho 40 anos e venho falar sobre um assunto ainda muito delicado para mim. Nossa pauta de hoje é o ‘Dia do Abraço’, ou melhor, no meu caso, a falta de alguns desses abraços. Em 2020, no pico da pandemia, o pior ano da minha vida, perdi alguns desses abraços. A covid levou do meu convívio pessoas muito próximas, todos em um intervalo de 12 dias. Foram eles: meu pai, meu avô, minha avó, minha tia e uma prima que se encontrava grávida; perdemos o bebê também. O meu mundo acabou! Eu ainda me encontro em reconstrução, pois foi um baque muito grande e de difícil aceitação. A saudade é muito grande, já que eu tinha convívio diário com essas pessoas. No entanto, o abraço fora reprimido bem antes da partida deles, por conta do isolamento que já acontecia naquele momento. Um abraço que não será substituído! Não houve tempo de viver novos tempos! O que tiramos de grandes tragédias? Na grande maioria, renascemos, a fé fortifica, e o tempo faz com que, de alguma maneira, aceitemos os desígnios de Deus. Amadurecemos. Com isso, passamos a valorizar coisas que antes nos passavam despercebidas, reavaliamos a existência. E a ideia, já que estamos falando de abraço, não é substituir e sim suprir com outros tão importantes abraços. Portanto, hoje, no Dia do Abraço, aconselho: ABRACE!”

6º Domingo da Páscoa

“Eu lhes dou a minha paz”João 14,23-29 A porta de entrada do texto é o versículo anterior, em que Judas (não o Iscariotes) pergunta a Jesus, durante a Última Ceia, “Por que vais se manifestar a nós e não ao mundo?” (vers. 22). Jesus dá a resposta: o Pai vem morar no cristão que guarda sua Palavra, pois suas palavras são as do Pai. O mundo (aqui entendido como o antirreino, não o mundo físico) não ama a Deus. A presença de Deus somente pode ser experimentada por quem o ama. Não é possível amar Deus sem guardar sua Palavra. O versículo 26 traz a segunda predição no Último Discurso da vinda do Paráclito (João 14,15). Aqui se focaliza mais seu papel de ensinamento, um ensinamento que clarifica o que Jesus ensinou. Ele vai fazer com que os discípulos “lembrem” tudo o que Jesus disse. Aqui, “lembrar” significa a capacidade de entender o verdadeiro sentido das palavras e ações de Jesus, depois da ressurreição (João 2,22; 12,16). O Espírito Santo, aqui descrito como Paráclito (no sistema judicial grego, o Paráclito era o advogado da defesa), não trará ensinamento que seja independente da revelação de Jesus. Ele vai preservar os discípulos de erro e guardá-los perto de Jesus. Com esse dom, Jesus deixa sua paz a sua comunidade. Ele usa a palavra tradicional dos judeus para a paz: shalom. É uma paz baseada na vinda do Espírito, que será atualizada na noite de Páscoa, quando dirá “A paz esteja com vocês! Recebam o Espírito Santo” (João 20,21-22). Enfatiza que não é a paz como o mundo a entende, muitas vezes simplesmente como a ausência de briga. Com frequência, a paz que o mundo dá é aquela falsa, que depende da força das armas para reprimir as legítimas aspirações do povo sofrido, como tantos países experimentaram durante as ditaduras de direita e de esquerda. O shalom é tudo o que o Pai quer para seu povo. Somente existe quando reina o projeto de vida de Deus. Implica a satisfação de todas as necessidades básicas da pessoa humana, da libertação da humanidade do pecado e de suas consequências. Como dizia o saudoso Papa São Paulo VI, “Justiça é o novo nome da paz!”. O shalom dos discípulos não pode ser perturbado pelo fato de sua partida, pois é pela volta do Filho para o Pai que o shalom vai se instalar. A verdadeira paz, o shalom, é um dom de Deus, mas precisa da colaboração humana. Diante de tantas barbaridades hoje, de tanta violência no campo e na cidade, da exploração do latifúndio, da impunidade, qual deve ser a atitude do cristão? Se nós acreditamos no shalom, nunca podemos compactuar com sistemas repressivos ou elitistas que tiram da maioria (ou de uma minoria) os direitos básicos que pertencem a todos os filhos e filhas de Deus. Às vezes, esse shalom convive ao lado do sofrimento e perseguição por causa do Reino, mas quem experimenta na intimidade a presença da Trindade, também experimenta a verdade da frase do texto de hoje: “Não fiquem perturbados nem tenham medo” (vers. 27), pois, disse Jesus, “Eu venci o mundo”. Por isso devemos sempre “fazer a memória de Jesus” (aqui se destaca o momento privilegiado da celebração eucarística), de sua pessoa e de seu projeto, para que tenhamos critérios certos para verificar a presença (ou ausência) do shalom em nossa sociedade e nos comprometemos com a criação do mundo mais justo que Deus quer. Padre Tomaz Hughes, SVD, biblista e assessor da CRB e do Cebi. Dedicou-se a cursos e retiros bíblicos em todo o Brasil. Publicou diversos artigos e o livro “Paulo de Tarso: discípulo-missionário de Jesus”. Faleceu em 15 de maio de 2017. Suas reflexões bíblicas são muito atuais.

5º Domingo da Páscoa

“Amem-se uns aos outros”João 13,31-33a.34-35 O texto situa-se no contexto do último discurso de Jesus, na Ceia Pascal. Começa logo após a saída de Judas para trair o Senhor, depois que Jesus lhe disse “o que você pretende fazer, faça-o logo” (João 13,27). Com a licença oficial dada ao agente de Satanás para iniciar o processo que iria matá-lo, Jesus começa o processo de sua glorificação. Sua fidelidade ao projeto do Pai vai levá-lo à cruz, que, no Quarto Evangelho, não é um sinal de derrota, mas da vitória última e permanente de Deus. Por isso, a morte de Jesus, aparente vitória do mal, será a glorificação de Jesus e, nele, do Pai. O anúncio de sua partida, para os judeus uma ameaça (vers. 33), é, para a comunidade de seus discípulos, um momento de emoção e carinho. Sua última dádiva a eles é um novo mandamento: “Eu dou a vocês um novo mandamento: amem-se uns aos outros. Assim como eu amei vocês, vocês devem se amar uns aos outros” (vers. 34). O que há de novo nesse mandamento? O que diferencia a proposta de amor de Jesus e de seus seguidores de outras propostas já conhecidas? O mundo do tempo de Jesus, tanto na sociedade pagã como na judaica, conhecia propostas de amor mútuo. O mandamento de Jesus é novo, em primeiro lugar, porque ele se impõe como exigência essencial para entrar na comunidade “escatológica”. Essa é a comunidade que já experimenta a presença do Reino de Deus, mesmo que ainda espere sua plena realização, ou seja, uma comunidade que experimenta a salvação já realizada em Jesus enquanto ainda experimenta sua situação permanente de fraqueza. Também é novo porque não se fundamenta nas leis sobre o amor, da tradição judaica (por exemplo: Levítico 19,18 ou os documentos do Qumran), mas na entrega de si, de Jesus. O modelo desse amor é o exemplo do próprio Jesus: “Assim como eu vos amei!”. E como Ele nos amou? Entregando-se até a morte, para que todos pudessem “ter a vida, e a vida plenamente” (João 10,10). Esse amor não é sinônimo de simpatia ou sentimento de atração. Exige humildade e a disposição para o serviço que leva a morrer pelos outros. Esse “morrer” normalmente não se expressa por uma morte física, mas morrendo diariamente ao egoísmo e à busca do poder dominador, para que sejamos servidores, especialmente dos mais humildes, a exemplo do Mestre que “não veio para ser servido, mas para servir” (Marcos 10,45). Esse amor é tão fundamental para a comunidade dos discípulos de Jesus que deve se tornar seu sinal característico: “Assim todos reconhecerão que vocês são meus discípulos” (vers. 35). Mais do que uma lista de doutrinas, mais do que práticas litúrgicas ou rituais, embora essas tenham seu lugar, é o amor mútuo e concreto que deve distinguir os discípulos de Jesus. Os Atos dos Apóstolos (11,26) nos lembram que “foi em Antioquia que os discípulos receberam, pela primeira vez, o nome de ‘cristãos’”. Receberam uma nova designação, da parte dos outros, porque sua maneira de viver era marcadamente diferente das outras comunidades religiosas da cidade: era marcada pelo amor mútuo. O Evangelho de hoje nos convida para que honestamente nos examinemos a nós mesmos, para verificar se esse amor-serviço ainda é a marca característica de nós, discípulos e discípulas de Jesus, em nossa vida individual e comunitária. Padre Tomaz Hughes, SVD, biblista e assessor da CRB e do Cebi. Dedicou-se a cursos e retiros bíblicos em todo o Brasil. Publicou diversos artigos e o livro “Paulo de Tarso: discípulo-missionário de Jesus”. Faleceu em 15 de maio de 2017. Suas reflexões bíblicas são muito atuais.Pe. Tomaz Hughes, SVD

A maternidade nas palavras de uma mãe

Neste segundo domingo de maio, em várias partes do mundo, é celebrado o Dia das Mães. Ainda que tenha ganhado um tom fortemente comercial (fica atrás apenas do Natal), a data pode ser também uma ocasião de se refletir a respeito de algo bem mais profundo: a experiência da maternidade. Ninguém melhor do que uma própria mãe para dizer sobre a grandeza dessa missão. Assim, pedimos à senhora Leda Lopes Duarte Oliveira, aposentada, que vive em São Paulo-SP, para nos contar um pouco de sua vida. Veja! “Meu nome é Leda. Tenho 60 anos, quatro filhos e cinco netos. Essa missão de ser mãe começou quando eu tinha 19 anos e conheci meus primeiros filhos. Ali tive a oportunidade de desenvolver vários sentimentos e fazer um grande estágio de acertos e erros, porém com todo o carinho e ternura em meu coração, para receber mais dois filhos depois de dez anos. Formamos uma grande família, e concluo o quanto é importante uma figura da mãe. Sinto muita falta da minha, pois foi ela quem me ajudou muito nesta minha caminhada, não só com seu amor e apoio, mas com seus exemplos que hoje tento aplicar no relacionamento com meus netos. Responsabilidade? Muita! Formar moralmente um ser não é fácil, mas diria que é a melhor parte de ser mãe. Mãe com carinho, mãe que perdoa, mãe que agrega valores, mãe que une a família, mãe que releva, mãe presente e mãe que se permite ser frágil e forte ao mesmo tempo, e que tem a oportunidade de experimentar o maior sentimento da vida, o amor.” Desejamos a todas as mães as mais copiosas bênçãos de Deus! Sintam-se abraçadas por todas nós, missionárias servas do Espírito Santo. Feliz Dia das Mães!

4º Domingo da Páscoa

“O Pai e eu somos um”João 10,27-30 O texto de hoje se situa no contexto duma polêmica nos arredores do Templo, entre Jesus e as autoridades judaicas, na ocasião da Festa da Dedicação do Templo. Nos versículos anteriores, estas desafiaram Jesus para que se declarasse abertamente como sendo o Messias. Ele respondeu que já tinha mostrado isso muitas vezes, por meio de suas obras, mas que eles não queriam acreditar, pois não eram suas ovelhas. Assim, fica claro que as ovelhas são os discípulos, pois o verdadeiro discípulo ouve a palavra do Senhor e o segue. São conhecidos por ele; e aqui cumpre lembrar que, na linguagem bíblica, a palavra “conhecer” tem conotações mais profundas do que em nosso uso comum. Significa não tanto um saber intelectual, mas uma intimidade profunda do amor. A Bíblia, muitas vezes, até usa o verbo “conhecer” para significar relação sexual. Assim, Maria questiona o anjo, pois ela “não conhece” homem (Lucas 1,34). O verdadeiro discípulo é aquele ou aquela que realmente tem um relacionamento de intimidade com Deus e que põe em prática sua palavra. E quem conhece Jesus conhece o Pai, pois “o Pai e eu somos um”, como diz Jesus em nosso texto. O versículo 28 afirma que Jesus dá a vida eterna a seus seguidores. Esse é um tema típico de João, e outros textos do Evangelho podem nos ajudar a aprofundá-lo. No Último Discurso, Jesus explica em que consiste a vida eterna: “A vida eterna é esta: que eles conhecem a ti, o único Deus verdadeiro, e aquele que tu enviaste, Jesus Cristo” (João 17,3). Mais uma vez, liga o conceito da vida eterna ao de “conhecer”. Mas em que consiste “conhecer” Deus? O profeta Jeremias pode esclarecer. Em um trecho contundente, no qual ele enfrenta o rei Joaquim e o condena por não pagar os salários de seus operários na construção de seu palácio, Jeremias diz o seguinte, referindo-se ao falecido rei justo Josias: “Ele julgava com justiça a causa do pobre e do indigente; e tudo corria bem para ele! Isso não é me conhecer? – oráculo de Javé” (Jeremias 22,16). Conhecer Deus não é, em primeiro lugar, um exercício intelectual, mas uma atitude de vida: a prática da justiça, especialmente em favor do oprimido e fraco. Segundo João, a vida eterna é, portanto, o prêmio de quem pratica a justiça de Deus (proposta dos discípulos de Jesus) e não dos que “sabem” muita coisa sobre Deus, mas que não praticam a justiça (representados, no texto de hoje, pelas autoridades do Templo). Nosso texto nos traz motivo de muita coragem, pois afirma que ninguém vai arrancar da mão de Jesus o verdadeiro discípulo (vers. 28). Também nos desafia a verificarmos se somos realmente discípulos verdadeiros, se conhecemos Jesus e o Pai, isto é, se praticamos a justiça de seu projeto. Pois a prova de ser verdadeiro discípulo está na prática das obras do Pai e não no conhecimento teórico de religião. Padre Tomaz Hughes, SVD, biblista e assessor da CRB e do Cebi. Dedicou-se a cursos e retiros bíblicos em todo o Brasil. Publicou diversos artigos e o livro “Paulo de Tarso: discípulo-missionário de Jesus”. Faleceu em 15 de maio de 2017. Suas reflexões bíblicas são muito atuais.

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