Zero Waste e Lixo Zero: redes de mobilização para eliminar o desperdício

O Dia Internacional do Lixo Zero é comemorado em 30 de março. Esse é um tema que merece debate e, sobretudo, impõe ação. Com esse objetivo, a professora Marli Teresinha Everling apresenta algumas redes e recursos de mobilização úteis para atividades educacionais. Confira!
Mulher feliz é mulher respeitada

Mesmo com avanços em direitos e políticas em favor das mulheres, o Brasil está em quinto lugar em feminicídio. Em 2025, os casos cresceram 4,7%, com recorde de registros de casos provocados por parceiros ou ex-parceiros, majoritariamente em casa. Maria Terezinha Corrêa apresenta outros dados e fala da importância do cuidado e respeito às mulheres.
Direitos humanos: uma opção pela justiça e pelo bem comum

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) propõe, anualmente, no tempo quaresmal, a Campanha da Fraternidade. O objetivo é colaborar para que a sociedade reflita acerca das dificuldades enfrentadas pela população e sobre a necessidade de conversão. Com isso, o tema escolhido para este ano é “Fraternidade e Políticas Públicas”, com o lema “Serás libertado pelo direito e pela justiça”. Segundo o coordenador da Dimensão Missionária, Agostinho Travençolo Júnior, o tema das políticas públicas está sendo refletido nas escolas da Rede de Educação Missionárias Servas do Espírito Santo e na sociedade como um todo. “O desejo da CF é ajudar a população a pensar na importância das políticas de Estado como meio de assegurar condições para que as pessoas possam viver com dignidade”, explica. Mas o que são políticas públicas? Segundo Agostinho, “Educação, saúde, trabalho, lazer, assistência social, meio ambiente, cultura, moradia, transporte, entre outros, são alguns exemplos de direitos que deveriam ser garantidos aos cidadãos”. Para ele, “O principal objetivo da CF é estimular a participação de todos, à luz da Palavra de Deus, na busca do fortalecimento da cidadania e do bem comum, como sinais de fraternidade”. Agostinho conta que a Equipe Missionária da Rede de Educação e os educadores dos colégios Stella, Sagrado Coração de Maria, Sagrado Coração de Jesus e Espírito Santo se inspiraram na CF 2019 ao escolheram o tema transversal “Direitos humanos: uma opção pela justiça e pelo bem comum”, que permeará todo o trabalho pedagógico da Rede de Educação durante este ano. Pensando na pertinência do tema para o contexto social, Agostinho afirma: “Somos chamados a garantir e colocar em prática direitos que ajudem nosso povo a ser mais feliz”. Tema transversal no Sagrado Cada um dos colégios está colocando em prática o tema transversal e busca viver a CF 2019. Para Simone Fortunato Nunes, coordenadora da Pastoral Missionária do Colégio Sagrado Coração de Jesus, em Belo Horizonte-MG, “A importância de se ter um tema norteador para todas as atividades acadêmicas é a oportunidade de motivar os alunos a perceber que os direitos humanos são o caminho para que a sociedade chegue à justiça e ao bem comum”. “As políticas públicas se tornam necessárias como forma de redistribuição dos bens não ofertados plenamente e suficientemente pelo Estado, principalmente como forma de suprir as demandas existentes, a fim de se evitar que a sociedade corra algum tipo de risco”, explica. Assim, segundo Simone, “O Estado busca garantir a segurança, a ordem e o bem-estar social, almejando, a partir de funções associadas, distributivas e estabilizadoras, as demandas coletivas”. Para a coordenadora, a escola é um desdobramento da garantia de um bem público obrigatoriamente fornecido pelo Estado, que é a educação. E ela define essa área como “um espaço de educação e convívio social, com um papel fundamental na formação de cidadãos críticos, justos e solidários”. Por isso, ela considera imprescindível para as escolas católicas acolher a proposta de reflexão e conversão lançadas pela CNBB. Simone afirma que, “como escola católica, que tem sua filosofia baseada no exemplo do Cristo, torna-se impossível ignorar o desafio social” e explica que “a justiça social é uma das implicações do evangelho”. Por isso, “acreditar, promover e lutar por ela é um testemunho cristão”. “Num mundo afligido por tantas situações que atentam contra a vida, a dignidade e o bem-estar dos seres humanos, é mister que os cristãos reforcem seu compromisso pessoal e social, perguntando-se acerca de sua responsabilidade pelo bem comum, partindo da experiência individual e ampliando para a vivência comunitária, dando vida às palavras do Mestre: ‘Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados!’ (Mateus 5,6)”, conclui. Veja as fotos da abertura da CF – 2019 no Colégio Sagrado Coração de Jesus
Justiça e Paz promove CF 2019

A Comissão Brasileira de Justiça e Paz (CBJP) da CNBB e representantes de Justiça, Paz e Integridade da Criação da Conferência dos Religiosos do Brasil (JPIC – CRB) realizaram, de 22 a 24 de fevereiro, em Brasília-DF, um encontro em aliança das duas organizações. O tema foi “Serás libertado pelo direito e pela justiça” (Is 1,27). O evento teve três objetivos principais: 1) promover a troca de experiências entre as comissões de Justiça e Paz diocesanas, regionais e brasileiras, com as comissões de Justiça, Paz e Integridade da Criação da CRB; 2) analisar a realidade brasileira, tendo como critérios a Encíclica “Laudato Si’”, a Campanha da Fraternidade, a Constituição Brasileira de 1988 e o Sínodo da Amazônia; 3) fortalecer a Rede Brasileira de Justiça e Paz, mobilizando uma comunicação para a transformação social, com destaque para o Dia Mundial dos Pobres, instituído pelo Papa Francisco. A missionária SSpS, irmã Malgarete Scapinelli Conte, membro da Diretoria da Redes (Rede de Solidariedade das Missionárias Servas do Espírito Santo), esteve presente e conta que o encontro reuniu 87 pessoas de 22 Estados. A reunião proporcionou momentos de muita partilha do que cada participante faz relacionado ao tema. “Existe muita vida acontecendo no Brasil, mas se dá pouca visibilidade a esse fazer cotidiano no meio do povo”, afirma Ir. Malgarete. “Apesar das riquezas partilhadas, senti muita indignação ao ver tantas injustiças cometidas por diferentes autoridades”, desabafou. Entre os assuntos discutidos, o que mais a impressionou foram os dados trazidos sobre o modelo predatório de exploração da Amazônia, envolvendo madeira, pecuária, mineração, monocultura e energia. Ela cita que, em quatro décadas, o desmatamento passou de 0,5% do território da floresta original para cerca de 18%. Além de 50% da madeira oriunda da Amazônia serem explorados ilegalmente, pelo menos outros 40% apresentam algum tipo de irregularidade, como fraudes em documentação ou uso de trabalho escravo. De cada 5 hectares de terra na Amazônia 1 é ocupado sem documentação ou com documentos falsos. Irmã Malgarete lembra também que a Amazônia desmatada concentra 9 em cada 10 mortes de ativistas em conflitos no campo e menciona a irmã Dorothy Stang, assassinada em 2005. “A morte da floresta é o fim da nossa vida”, dizia Ir. Dorothy. Muito indignada com a situação, Ir. Malgarete afirma que há estudos que mostram que é possível ter um outro modelo que seja socioambiental e trabalhe a agroecologia direcionada aos povos da floresta e à redistribuição da renda. Reforçando a proposta da Campanha da Fraternidade deste ano (Fraternidade e Políticas Públicas), Ir. Malgarete acrescenta: “Temos muito de trabalhar na conscientização, na formação e troca de experiências, fortalecimento e organização desde as bases e na comunicação, recriando nossa narrativa no anúncio do Reino. É muito importante a participação em conselhos, fóruns, audiências públicas e outros”. A seguir, publicamos a íntegra da carta redigida pelos participantes e dirigida ao povo de Deus. No texto, apresentam suas principais preocupações em relação ao contexto mundial e nacional. Também apresenta propostas de enfrentamento, em consonância com a CF 2019, cujo lema “Serás libertado pelo direito e pela Justiça” (Is 1,27), assumido por eles. MENSAGEM AO POVO DE DEUS III Encontro Nacional da Aliança CBJP/CNBB e JPIC/CRB Nacional de Justiça,Paz e Integridade da CriaçãoXVII Encontro Nacional das Comissões Justiça e Paz e Afins] “Serás libertado pelo direito e pela justiça” (Is 1,27) Nos dias de 22 a 24 de fevereiro de 2019, mais de oitenta representantes da Comissão Brasileira de Justiça e Paz (CBJP), de comissões de Justiça e Paz regionais e diocesanas (CJP), de Justiça, Paz e Integridade da Criação (JPIC) da Conferência de Religiosos e Religiosas do Brasil (CRB) realizaram, em Brasília, na Casa de Retiros Assunção, o III Encontro Nacional da Aliança CBJP/CNBB e JPIC/CRB Nacional, e o XVII Encontro Nacional das CJP e Afins. Os participantes vieram de 22 Estados, garantindo a presença de todas as regiões do País. Com esta carta, saúdam todos e todas que, em nome do Evangelho, dedicam suas vidas à defesa da justiça e à promoção da paz. O cenário nacional e internacional inspirou constante preocupação. A ameaça de conflito internacional envolvendo especialmente a Venezuela, um possível envolvimento brasileiro nesse conflito armado na região, o modelo predador de desenvolvimento nacional, agressões e ameaças a defensores e a defensoras de direitos humanos, e a destruição de direitos sociais (conquistados e incluídos na Constituição Federal de 1988) constituíram elementos imprescindíveis para compreender o que está em jogo atualmente e mereceu a atenção das comissões reunidas. Foram relacionados ainda a Medida Provisória nº 870/2019 (que redefine as atribuições dos órgãos do Poder Executivo), o Projeto Anticrime e a proposta de reforma da Previdência, apresentada pelo governo federal, como aspectos recentes que marcam a conjuntura nacional brasileira e que confirmam um quadro de incertezas nos próximos anos para o País. As comissões reunidas assumem a perspectiva das populações empobrecidas, por quem o Papa Francisco nutre cuidado e dedicação especiais, e porque foi em sua defesa que ele convocou o Sínodo para a Amazônia. São essas populações, formadas pelos povos indígenas, quilombolas, quebradeiras de coco e outros povos originários e comunidades tradicionais, as principais vítimas da Emenda Constitucional nº 95/2016 (que congelou ao reajuste apenas pela inflação, por 20 anos, os recursos destinados à saúde, educação e outras políticas sociais); da terceirização e reforma trabalhista; da entrega dos territórios preservados às mineradoras; da expansão das monoculturas; e da perda da biodiversidade. Essas reformas aprovadas e as propostas apresentadas atingem principalmente as mulheres, as pessoas idosas, os jovens e as crianças. Defender o ecossistema inclui levar em consideração essas populações tradicionais que, milenar ou secularmente, povoam, de forma harmônica, os diferentes biomas brasileiros. Do mesmo modo, manifestam sua preocupação com o modelo de política criminal adotado pelo atual governo, sobretudo no que se refere ao incentivo ao armamento da população e ao estímulo à violência policial, que poderá vitimizar, principalmente, a juventude pobre e negra que habita as periferias. Tais medidas não levam em conta a complexidade do fenômeno, desresponsabilizam o Estado pela segurança pública
Viver bem o tempo da Quaresma

Se você busca Deus e acredita que a fé tem de ser praticada no dia a dia, aqui vão algumas dicas para viver intensamente este tempo da Quaresma. Mas, afinal, o que é mesmo a Quaresma? É o período litúrgico que começa logo depois do carnaval, na Quarta-Feira de Cinzas, e termina antes da celebração da Ceia do Senhor, na Quinta-Feira Santa, quando começa o Tríduo Pascal, que é a celebração da paixão, morte e ressurreição de Jesus. Então, é um caminho de preparação para a Páscoa. E para que serve este tempo? A Igreja Católica sempre ensinou que a Quaresma é um período de conversão, no qual somos chamados a nos tornar pessoas melhores. Para isso, a Igreja propõe algumas práticas espirituais, especialmente o jejum, a oração e a esmola, ou prática da caridade. Vejamos cada uma dessas práticas. Jejum Tem sentido, ainda hoje, jejuar? Tem! Jejuar é deixar de comer ou abster-se de algo. É uma forma de educar o corpo e de fortalecer o espírito para dominar nossas tendências negativas e nos tornarmos pessoas mais livres. Por exemplo, posso jejuar, deixando de comer algo que gosto para ajudar os pobres… Posso também jejuar de vídeo games, de bebida alcóolica e até de cigarro, especialmente se estes começam a prejudicar minha vida. Há outros jejuns também desafiadores e que fazem muito bem, como jejuar de falar mal dos outros… De que tipo de jejum você está precisando? O importante é o sentido de sacrificar algo para o bem do próximo e para corrigir alguma coisa que não está indo bem em minha vida. Oração A oração é muito importante para a nossa vida, especialmente nesta época das redes sociais, que não nos deixam um minuto. Rezar é tirar um tempo para me encontrar com Deus e comigo mesmo; tomar consciência do amor de Deus em minha vida e ver se estou amando de verdade as pessoas. Há muitas maneiras de rezar. Todas as que me ajudam a viver o Evangelho e a fazer o bem ao próximo são boas formas de oração. Esmola Há ainda a esmola e a prática da caridade. O sentido da esmola é ajudar o pobre e quem passa por necessidades. Essa atitude espiritual é básica, e devemos fazê-la com critério. Não basta simplesmente dar uns trocados a qualquer mendigo para acalmar a consciência. É necessário ir às causas que geram mendigos, moradores de rua, crianças abandonadas, pessoas famintas e tantas outras situações que clamam aos céus, e fazer o que está a nosso alcance para superá-las. Campanha da Fraternidade Para nos ajudar a vivenciar as práticas espirituais da Quaresma de tal forma que elas possam transformar as situações de injustiça e melhorar a vida das pessoas, a Igreja no Brasil realiza a Campanha da Fraternidade (CF). A cada ano, a Campanha traz um tema relevante que ajuda a entender, à luz da fé, alguma situação ou problema e a buscar alternativas de solução. Neste ano, o tema da CF 2019 é “Fraternidade e Políticas Públicas”, e o lema “Serás libertado pelo direito e pela justiça” (Is 1,27). Políticas públicas O tema da CF 2019 vai nos ajudar a entender que podemos e devemos atuar como cidadãos e lutar pela garantia dos direitos fundamentais, como educação, saúde, moradia, trabalho, cultura, lazer, preservação do meio ambiente, oportunidade de acesso às novas tecnologias, entre outros. A Constituição Brasileira de 1988 garante todos esses direitos, mas os governos, muitas vezes envolvidos em corrupção, utilizam os recursos públicos para interesses próprios, deixando grande parte da população brasileira totalmente desassistida. Nesse contexto, o exercício da cidadania é fundamental e pode até mesmo mudar, para melhor, os rumos do País. Mas, para isso, o que temos de fazer? Qual é o caminho para que as políticas públicas respondam às reais necessidades da população e sejam de fato implantadas? É o caminho da participação e da política. Para isso precisamos partir para algumas ações bem concretas: tomar conhecimento do que está acontecendo em nossa cidade; acompanhar a atuação dos políticos que elegemos e também dos outros; participar de fóruns de discussão de questões sociais, de movimentos populares e outros; participar na elaboração e implementação de políticas públicas, por meio dos conselhos deliberativos (criança e adolescente, saúde, assistência social e educação). Essas são algumas das possibilidades, mas, para conhecer melhor as propostas da Campanha da Fraternidade, trazemos alguns links para você consultar: Mais informações: https://campanhadafraternidade2019.com.br/ Kit gratuito da CF: https://bit.ly/2Uc2RaB Texto-base: https://portalkairos.org/tag/cf-2019-texto-base/ Irmã Ana Elídia Caffer Neves, SSpSJornalista, membro da Equipe de Comunicação Congregacional e coordenadora de Comunicação da Província Stella Matutina (BRN)