Irmã Nelly Boonen: os desafios da justiça restaurativa no contexto escolar

A vivência da justiça restaurativa em contexto escolar foi o tema de uma palestra da Ir. Nelly Boonen, missionária serva do Espírito Santo, em Roraima. A atividade, promovida pelo TJ-RR, celebrou os 20 anos do projeto Justiça Comunitária. Irmã Nelly teve uma extensa agenda no Estado, marcada por visitas, formações e uma entrevista à rádio diocesana. Saiba mais!

SSpS do Brasil emitem nota em repúdio a conflitos e reforçam opção pela paz

As irmãs missionárias servas do Espírito Santo (SSpS) do Brasil emitem uma nota em repúdio ao aumento dos conflitos em todo o mundo, o maior número desde a Segunda Guerra Mundial, e reafirmam a opção pela busca da paz, da concórdia e da defesa da Casa Comum. “Não podemos permanecer indiferentes diante do sofrimento de tantas pessoas”, diz a mensagem. Veja a íntegra do documento.

A escola e a cultura de paz

A cultura de paz na escola é um conceito que tem ganhado cada vez mais importância nos dias atuais. Trata-se de um conjunto de valores, práticas e atitudes que visam a fomentar a convivência pacífica entre os indivíduos e a promoção da igualdade, da justiça e do respeito mútuo. Na escola, a cultura de paz se manifesta de diversas maneiras, como na promoção de atividades de cooperação entre os alunos, no incentivo à resolução, de forma pacífica, de conflitos e na valorização do diálogo como forma de comunicação. Uma das principais formas de cultivar a cultura de paz na escola é a educação para os valores. Isso significa que, além do ensino das disciplinas convencionais, a escola deve se empenhar em desenvolver nos alunos habilidades e atitudes que contribuam para a formação de cidadãos pacíficos e responsáveis. Essa educação pode ser promovida por meio de palestras, debates, jogos educativos, entre outras atividades que estimulem a reflexão sobre a importância da convivência harmoniosa. Nesse sentido, as escolas e centros educativos da Rede de Educação Missionárias Servas do Espírito Santo vivenciaram, em abril, muitos momentos de atividades pela paz. De pés descalços, os alunos das escolas montaram um quebra-cabeça gigante para expressar o compromisso com a solidariedade, a cidadania e a empatia. Direcionar o olhar e as ações para a paz e para o outro, a fim de construir uma sociedade mais humana, torna-se o grande desejo que brota da sola dos pés e chega a nossos corações. Além disso, a cultura de paz na escola também depende do engajamento de toda a comunidade escolar, incluindo professores, funcionários e pais de alunos. Todos devem estar alinhados em relação aos valores que a escola deseja transmitir e trabalhar em conjunto para criar um ambiente de respeito e harmonia. Dessa forma, é possível transformar a escola em um espaço de convivência pacífica e de aprendizado para a vida toda, contribuindo para a formação de indivíduos mais conscientes e comprometidos com a construção de um mundo mais justo e solidário. Dimensão Missionária da Rede de Educação SSpS

A política da paz é uma decisão.

A violência, a polarização ou mesmo a intolerância que pode ser observada em alguns acontecimentos atuais podem ser vistas como o reflexo exterior de uma desordem interna bem maior. Um dos grandes exemplos está na radicalização da opção política. O foco da opção política foi deslocado do bem comum [1] para a sedimentação cada vez mais refinada daqueles que compartilham das mesmas ideias. As ideias políticas sobrepuseram-se inclusive aos valores religiosos, como foi atestado pelo pregador apostólico, cardeal Raniero Cantalamessa, em 2021 [2]. Os efeitos de uma polarização intensa é a autodestruição dos laços de proximidade (cf. Mateus 12,25), religiosos e familiares, até chegar o momento em que a tolerância perde seu fundamento, pois a diferença sempre é ameaçadora. O Dicionário Online de Português define o verbete “paz” como “Estado de calmaria, de harmonia, de concórdia e de tranquilidade; calma” [3]. Definições como essa podem trazer um risco de entender a paz como fruto de um comportamento passivo, em que qualquer proatividade ou iniciativa pode destruir esse estado de calmaria. A paz pode ser entendida como virtude quando envolve a liberdade, a vontade e a consciência. Portanto, somente opta pela paz quem tem motivos para fazer guerra. Essa compreensão pode ser vista no Cântico do Irmão Sol, no qual Francisco de Assis afirma: “Louvado sejas, meu Senhor, por aqueles que perdoam (cf. Mateus 6,12) pelo teu amor e suportam enfermidade e tribulação. Bem-aventurados aqueles que as suportam em paz, porque por ti, Altíssimo, serão coroados” [4]. A ofensa é o lugar teológico de onde nasce a misericórdia. A proposta não é romantizar as feridas causadas pelas atitudes humanas, mas retomar o fundamento trinitário da paz e do perdão. Ao longo da Sagrada Escritura, Deus teve diversos motivos justos para punir a humanidade, mas sua misericórdia ultrapassou a justiça. O auge da misericórdia está na encarnação, eucaristia e paixão em que Cristo assinala, de forma permanente, a escolha de Deus pela humanidade. A contemplação do Evangelho levou Francisco a dar o seguinte conselho a um superior: “Não haja no mundo irmão que pecar, o quanto puder pecar, que, após ter visto teus olhos, nunca se afaste sem a tua misericórdia […]. E se depois ele pecar mil vezes diante de teus olhos, ama-o mais do que a mim, para trazê-lo ao Senhor” [5]. Deus opera, por mediações, o bem que Ele quer [6]. Quando a graça de Deus precisa se submeter ao julgamento humano, o ser humano deixa de ser instrumento do bem para tornar-se alfândega da graça divina [7]. A paz é uma opção dolorida, pois, necessariamente, envolve um processo de perdão (ou autoperdão); é um processo de mudança de mentalidade e, ou, conversão. Referências [1] Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/politica/politica-definicao.htm. Acesso em: 19 dez. 2022. [2] Disponível em: https://www.vaticannews.va/pt/vaticano/news/2021-04/raniero-cantalamessa-sexta-feira-santa-pregacao-texto-integral.html. Acesso em: 19 dez. 2022. [3] “Paz”. In: Dicionário Online de Português. Disponível em: https://www.dicio.com.br/paz/. Acesso em: 21 dez. 2022. [4] SÃO FRANCISCO DE ASSIS. Cântico do Irmão Sol (cnt. 10). In: Fontes franciscanas e clarianas. Tradução de Celso Márcio Teixeira et al. Petrópolis: Vozes, 2004. [5] SÃO FRANCISCO DE ASSIS. Carta a um ministro (mn 9-11). In: Fontes franciscanas e clarianas. Tradução de Celso Márcio Teixeira et al. Petrópolis: Vozes, 2004. [6] MORESCO, Kleber; SANTANA, João Henrique. A minoridade como opção pelo seguimento a Cristo. Thaumazein, v. 15, n. 30, p. 98, 2022. [7] PAPA FRANCISCO. Evangelii gaudium (n. 47). Disponível em: https://www.vatican.va/content/dam/francesco/pdf/apost_exhortations/documents/papa-francesco_esortazione-ap_20131124_evangelii-gaudium_po.pdf. Acesso em: 21 dez. 2022. Frei Kleber Moresco, OFM Cap

Todos querem a paz de volta

Depois de tantas polêmicas e confusões nas disputas eleitorais que se deram no País, gerando um nível de estresse nunca visto, todos estão ávidos por dias de paz. Houve ganhadores e perdedores. A maioria venceu e agora é esperar que os eleitos façam bom governo, cumpram o que prometeram. Queremos paz! Este nosso mundo conturbado não somente pelas eleições como também pela guerra que se trava entre Rússia e Ucrânia, e outras mais, gerou um clima de “quase desespero” entre as pessoas de bem. Quantas perguntas foram feitas em busca de respostas para situações tão conflitantes? O nível de saturação emocional chegou ao limite, e muitas pessoas não o suportaram e ficaram doentes. O ideal proclamado em revoluções por liberdade e paz ficou à mercê de muitas confusões e ideologias. Há no ar um pedido de socorro mudo que se reflete nos rostos angustiados. Quanta gente desnorteada, enganada por fake news e mídias tendenciosas que geram confusão mental e levam a situações extremas. Há uma busca por “salvadores da pátria”, pouco disponíveis nos grupos políticos, que estão sem credibilidade, ou nas múltiplas igrejas que propagam um deus segundo seus interesses, que, na verdade, desvirtuam o Deus revelado na Sagrada Escritura. Deus se tornou um fantoche que se presta para justificar posições antagônicas e anacrônicas. Nunca se falou tanto de Deus, infelizmente desfigurado, exigindo desse falso deus milagres que resolvam problemas muitas vezes mesquinhos e satisfaça interesses poucos altruístas. No meio de tantos conflitos, o coração humano geme por um pouco de paz. Queremos paz, chega de problemas, de disque-disque. Queremos respirar um tempo novo de paz e harmonia. A paz desejada não é aquela que se obtém por “tratados” entre guerreadores, mas aquela que acalma o espírito e lhe dá sossego. Queremos o shalom de Deus, aquela paz que traz os bens celestes que reacendem no peito o eco do verdadeiro amor. Queremos rezar com o salmista quando diz “Tu és o meu refúgio e a minha fortaleza, o meu Deus, em quem confio” (Salmo 91), ou ainda com o Salmo 121: “O senhor me guardará de todo o mal, Ele guardará a minha vida”. Na verdade, essa situação toda escondeu o amor de Deus por nós. Ele sempre esteve a nosso alcance, mas nossas perturbações nos desviaram dele e ficamos acéfalos, perdidos em nossas doideiras, distantes do verdadeiro discernimento. Queremos paz. Paz, paz de espírito, paz que revigore nossa mente e coração e nos faça voltar à harmonia e ao convívio social, sem brigas, sem ódios, sem rancores. Precisamos de paz e é nisso que vamos agora nos concentrar. Você que é pessoa de bem, una-se às demais pessoas de bem e, juntos, reconstruamos os vínculos desfeitos e reacendamos nossa esperança. Lutemos por um mundo melhor. Deixemos nossas preferências políticas e busquemos o bem maior que nos une a todos, formando a corrente do bem. Penitenciemo-nos dos males que provocamos e acreditemos no bem que somos capazes de realizar, convivendo pacificamente com os que pensam diferente, mas têm os mesmos desejos de paz e harmonia. Sejamos construtores da paz, divulgadores do shalom de Deus. Pe. Deolino Pedro Baldissera, SDSPadre salvatoriano há 43 anos, professor e psicólogo pela Universidade Gregoriana de Roma, com mestrado em Psicologia e doutorado em Ciências da Religião. Atualmente é pároco em Videira-SC.S

A serviço da justiça, paz e reconciliação

A situação prisional do Brasil é uma catástrofe. Em julho de 2019, a população prisional era de 773.151 pessoas privadas de liberdade. Dessas, 33% não tinham qualquer condenação. A população carcerária triplicou nos últimos 20 anos. De acordo com o Departamento Penitenciário Nacional (Depen), o Estado de São Paulo ocupa a primeira colocação, com 233.755 presos; seguido por Minas Gerais, com 78.003 detentos; Rio de Janeiro, com 59.966; Rio Grande do Sul, com 40.687; e Pernambuco, com 33.555. Diante desse cenário, o Centro de Direitos Humanos e Educação Popular (CDHEP) estabeleceu uma parceria com o Programa de Desenvolvimento das Nações Unidas (PNUD) e o Conselho Nacional da Justiça (CNJ) para implantar ações de justiça restaurativa em dez tribunais do Brasil. Esse avanço é fruto de 15 anos de trabalho e busca inquietante, de uma pesquisa de doutorado e de muitas formações oferecidas dentro e fora do Brasil com os mais diversos públicos. Pouco a pouco, fui me capacitando, ganhando experiências e enxergando lugares de atuação. Desde 2013, outras duas irmãs servas do Espírito Santo (SSpS) de minha comunidade, Martina Gonzalez e Helena Christo, dão formação em fundamentos de justiça restaurativa em presídios de São Paulo, em conjunto com a Pastoral Carcerária. Inspirada na Escola de Perdão e Reconciliação, esse curso trabalha as dimensões cognitivas e emocionais para reconhecer e lidar com sentimentos e necessidades que afetam as relações, aprofundando o perdão como um valor. Ao introduzir a justiça restaurativa, desconstrói e reconstrói conceitos e práticas já enraizadas e propõe um modelo de justiça que conecta e restaura pessoas e relações, possibilitando a reconciliação. O trabalho no presídio tem um aspecto pastoral muito importante, e agradeço minhas irmãs por assumirem essa missão. Cada curso tem dez encontros semanais de três horas de duração, e ouvimos testemunhos edificantes dos presos. Mas me inquietava que o resultado não tinha incidência na política pública. Com o número sempre crescente de encarcerados e as condições nos presídios cada vez mais desumanas, sempre questionava a comunidade: como a justiça restaurativa poderia evitar o encarceramento, a desumanização e a retroalimentação da violência causada pelas respostas punitivas do Estado? Em julho de 2017, participei de uma formação com a juíza Catarina Lima, de Planaltina-DF. Até então, ela era a única juíza criminal que levava em consideração os procedimentos restaurativos para incidir sobre a sentença. Ela estava tão aflita quanto eu em relação à bomba-relógio que o encarceramento em massa está construindo no Brasil. Depois de várias conversas buscando ver como aplicar a justiça restaurativa para ter reflexos na sentença, ela me convidou para trabalhar na Vara Criminal que ela coordena. Aceitei o desafio e a oportunidade, e, ao longo de um ano e meio, uma vez por mês, ia alguns dias a Brasília para os atendimentos. Com formação em Ciências Sociais, tive de aprender muito da área do Direito e descobrir as possibilidades da justiça restaurativa na área criminal. No CDHEP, conseguimos um financiamento para replicar e ampliar os aprendizados em uma Vara Criminal de São Paulo. Contratamos um criminalista e, após quase um ano, com outras duas juízas, iniciamos os atendimentos de casos de crimes graves. No momento, estamos com dez casos criminais e esperamos poder oferecer um bom desfecho para as vítimas, para os ofensores e para a sociedade como um todo. Paralelamente a essas ações, continuaram as reflexões sobre a possibilidade de ampliar a justiça restaurativa na Justiça Criminal. Com mais experiência e apoio de criminalistas, conseguimos oferecer esse novo projeto tendo em vista a diminuição do encarceramento. A parceria com o CNJ pretende contribuir para a implantação, estruturação e fortalecimento de órgãos e serviços de justiça restaurativa nos Tribunais de Justiça, na Rede de Garantia de Direitos e na sociedade civil para atuarem no Sistema de Justiça Criminal e Penitenciário e no Sistema de Justiça Juvenil e Socioeducativo em dez Estados da Federação. O projeto já aprovado se enquadra no Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) 16 da ONU, que almeja o acesso à Justiça para todos e a construção de instituições eficazes, responsáveis e inclusivas em todos os níveis. A mim cabe coordenar a aplicação desse projeto nos dez Estados participantes. Com exceção de São Paulo, são do Norte e Nordeste, os mais pobres e com instituições públicas mais deficientes. Minha sensação é de fecharmos um ciclo de trabalho, indo a outro nível de organização. A paciência, as articulações e as formações de muitos anos produziram uma semente a ser espalhada pelo Brasil. A terra foi preparada. Agora é hora de semear. Um belo desafio e uma ótima oportunidade. Irmã Petronella Maria Boonen (Nelly) é cofundadora da linha de Perdão e Justiça Restaurativa do CDHEP e doutora e mestra em Sociologia da Educação pela USP. O projeto já aprovado: link para https://www.cnj.jus.br/justica-restaurativa-chegara-a-10-tribunais-do-pais/

VIVAT – Brasil assume novos desafios

Durante o workshop que se realizou de 27 a 30 de maio, no Centro Missionário Cultural Santíssima Trindade, em São Paulo-SP, o grupo Vivat – Brasil se consolidou e decidiu tornar-se uma filial da Vivat Internacional. Com isso, a instituição brasileira assumirá, com mais eficácia, o compromisso de trabalhar para a erradicação da pobreza, para o desenvolvimento sustentável, a promoção das mulheres e a cultura da paz. Neste vídeo, você assistirá a uma reportagem completa sobre o Workshop Vivat – Brasil, produzida pela Verbo Filmes, e conhecerá o que é a Vivat Internacional e as prioridades assumidas pela Vivat – Brasil. Mensagem final do Workshop Vivat – Brasil Nós, representantes das congregações religiosas membros da Vivat Internacional: Sociedade do Verbo Divino, Missionárias Servas do Espírito Santo, Congregação do Espírito Santo, Irmãs Missionárias do Espírito Santo, Missionários Combonianos, Missionárias Combonianas, Irmãzinhas da Assunção, Irmãs da Santa Cruz e Missionárias Scalabrinianas, estivemos reunidos no Centro Missionário Cultural Santíssima Trindade, em Santo Amaro, São Paulo, nos dias 27 a 30 de maio. O workshop contou com a presença da equipe executiva da Vivat Internacional / Nova Iorque: padre Robert Mirsel, SVD, e irmã Helen Saldanha, SSpS, e teve como objetivo a rearticulação da Vivat no Brasil e a retomada dos trabalhos em conjunto. A ONG Vivat permite a nossas congregações religiosas consolidar o compromisso evangélico por Justiça, Paz e Integridade da Criação, organizando-nos para uma maior incidência no âmbito das Nações Unidas, na defesa e promoção dos direitos das comunidades que acompanhamos. Nesse sentido, refletimos temas relacionados às prioridades da Vivat: Erradicação da Pobreza, Igualdade de Gênero, Desenvolvimento Sustentável e Cultura da Paz. Fizemos memória da caminhada da Vivat no Brasil e das atividades das congregações presentes, análise da conjuntura nacional, partilha da atuação da equipe da Vivat Internacional junto à ONU e aspectos práticos da organização em nível de Brasil. Essas reflexões, realizadas num clima de muita partilha e comunhão, ajudaram-nos a elaborar um plano de ação e a designar uma equipe de articulação para a Vivat Brasil. Para garantir uma presença mais profética e eficaz, decidimos dar os passos necessários para nos tornarmos uma entidade legalmente reconhecida no Brasil como filial da Vivat Internacional. Também vamos divulgar os compromissos assumidos e envolver nossos irmãos e irmãs, em nossas congregações, bem como os leigos e leigas que atuam conosco. Nossa presença num mundo profundamente injusto e desigual desperta em nós a indignação e a solidariedade que, enraizadas na fonte da espiritualidade, suscita em nós o empenho e um compromisso maior com o trabalho em rede da Vivat, em busca da superação das forças que destroem a vida. Nestes dias de encontro, marcou-nos, em particular, a memória das numerosas vítimas em Manaus, mortas em consequência de um sistema carcerário desumano, e das vidas ceifadas pelos crimes socioambientais da mineração, especialmente em Brumadinho e Mariana. Comprometidos com a realidade do povo brasileiro, assumimos como prioridades o desenvolvimento sustentável (com foco no agronegócio e mineração) e a cultura da paz (com ênfase na migração e na proteção das comunidades e lideranças ameaçadas, em particular povos indígenas e populações tradicionais). Também optamos por uma ação imediata da Vivat Brasil na defesa do Estatuto do Desarmamento e no acompanhamento e apoio aos compromissos que nascerão do Sínodo para a Amazônia, reafirmando o protagonismo dos povos amazônicos em busca de novos caminhos para a Igreja e a Ecologia Integral. Concluímos o workshop fortalecidos na esperança e profundamente comprometidos em contribuir para uma vida melhor para o nosso povo, confiantes que as prioridades assumidas possam ser respostas às necessidades dos grupos mais sofridos. Vivat Brasil São Paulo, 30 de maio de 2019.

A paz depende também de nós

Ao ver tantas situações de sofrimento em nosso País e no mundo, tantas tragédias causadas pela natureza ou pela violência humana, conflitos e guerras em diferentes países, preconceito, fome, miséria, destruição da natureza, abusos de crianças, corrupção e todo tipo de crimes, sinto que estamos chegando ao limite. Muitas vezes, eu me pergunto: o que está acontecendo com nosso mundo? O que está acontecendo no coração do ser humano? Parece-me que estamos colhendo os frutos do ódio, da exploração, da ganância, da perda dos referenciais de fé e da falta de ética e cuidado com os seres humanos e com nosso planeta. Mas será que há alguma coisa que podemos fazer para reverter essa realidade? Com certeza, há, mas depende de cada ser humano, de cada pessoa fazer a sua parte. Num Universo onde tudo está interligado (cf. Laudato Si’), tudo o que acontece ao nosso redor influiu dentro de nós. Mas também o que acontece dentro de nós influiu no mundo a nosso redor. Por isso há uma grande variedade de pequenas ações que estão a nosso alcance e podem fazer uma grande diferença. Por exemplo, se queremos paz no mundo, podemos buscar a paz e a reconciliação dentro de nós e com as pessoas com quem nos desentendemos. Perdoar e pedir perdão pode ser o começo de uma grande transformação. Cultivar a serenidade de espírito, a harmonia, o acolhimento, a tolerância diante das outras pessoas pode transformar o ambiente de trabalho, diminuir o estresse e tornar a vida mais gratificante para mim e para os outros… A meditação e a oração têm o poder de criar o ambiente interior onde as mudanças do pensamento e das atitudes se tornam reais. Cultivar a raiva, o ódio, a crítica destrutiva, a reclamação vai gerar atitudes destrutivas, negativas que prejudicam a mim mesma e aos outros. Mas podemos mudar nossos pensamentos. Bons pensamentos geram bons sentimentos, os quais, por sua vez, levam a atitudes positivas que geram ações que constroem o bem comum. Acreditando nisso, convido você a rezar comigo esta oração, pedindo a Deus a graça da transformação deste mundo violento num mundo de paz, começando com a mudança do meu e do seu mundo interior, de tudo aquilo que ainda precisa ser pacificado e transformado em amor. Oração pela Paz Senhor, diante de ti, trazemos a dor da humanidade que luta e sofre em busca de paz. Trazemos a angústia das vítimas da violência, injustiças e opressão. Trazemos o desespero dos que perderam os entes queridos em situações de conflito. Trazemos também o nosso coração ferido, sedento de tua paz e de teu amor. Queremos, ó Deus, consagrar o dia de hoje à causa da paz, para que chegue o tempo em que todos os dias serão dias de paz. Dá-nos, Senhor, tua luz para construirmos a paz em nossos relacionamentos. Dá-nos, Senhor, tua paz, para aprendermos a acolher sem preconceitos e respeitar a dignidade de cada ser humano. Dá-nos, Senhor, tua paz, para reconhecermos, em cada pessoa, o nosso semelhante e, em toda a criação, o dom generoso de teu amor. Transforma a violência e a injustiça que habitam dentro de nós em dom do amor e compaixão que geram paz. Amém. Irmã Ana Elídia Caffer Neves, SSpSJornalista, membro da Equipe de Comunicação Congregacional e coordenadora de Comunicação da Província Stella Matutina (BRN)

A busca pela cultura de paz

A paz vem sendo buscada a longo da história da humanidade. Essa procura se deu devido à ausência de paz, ocasionada pela guerra, e vem se tornando cada vez mais desafiadora. Apesar disso, ainda existem caminhos para construção de uma possível cultura de paz. A rejeição a violência é primordial para a construção de uma cultura de paz. O ser humano sempre dependeu de seu grupo para sobreviver. Contudo a convivência humana pode ser penosa, necessitando de cuidados, reciprocidade e confiança, elementos que requereram grandes lutas, durante a história, para serem conquistados. Portanto recorrer à violência seria uma forma de retrocesso da humanidade, já que significa abrir mão de tudo o que foi conquistado ao longo do processo milenar de civilização, ocasionando a regressão do ser humano à ignorância. O respeito próximo é vital para o restabelecimento da paz. Gandhi afirmou isso quando disse “Tudo que vive é teu próximo”, enquanto lutava em prol da paz. A Declaração dos Direitos Humanos impõe que todos os seres humanos nascem livres (artigo 1) e que nenhum de seus direitos pode ser negado em decorrência de qualquer que seja a situação de cada indivíduo (artigo 2). Desse modo, se não houver respeito ao próximo, a humanidade estará caminhando contra uma cultura de paz. Cada esforço em favor de promover a paz é significativo. Desde simples atitudes de caridade realizadas no cotidiano até a fundação de organizações que têm como objetivo abranger e comover diversas pessoas, a fim de auxiliar os mais necessitados e colocar a solidariedade em prática, contribuem para o estabelecimento da paz. Ao praticar o bem e deixar de lado o egocentrismo, a humanidade será capaz de construir uma cultura de paz e, consequentemente, silenciar a cultura da violência. Julia Covre é aluna do ensino médio do Colégio Espírito Santo, São Paulo-SP.

“Viver com amor é promover a paz”

A cada ano, inspirado pelo tema e lema da Campanha da Fraternidade, a Rede de Educação Missionária cria o “tema transversal” que tem como objetivo iluminar todas as ações pedagógicas e missionárias das escolas. O processo passa por alguns passos nos quais os educadores elaboram sugestões de temas até o momento final em que se realiza a eleição daquele que mais se adequa e inspira todo o trabalho. Nesse processo, educadores e irmãs se envolvem para que a melhor ideia seja votada. Para este ano, o tema escolhido foi: “Viver com amor é promover a paz”. Por esse motivo, as agendas dos alunos inauguram a apresentação para todos da Rede de Educação. Promotores da vida, do amor e da paz. Esse é o chamado que o tema faz a todas as nossas escolas em tempos nos quais a sociedade clama por menos violência e mais justiça, e a vida seja valorizada e respeitada. Que as bandeiras do amor e da paz sejam a motivação de toda a Rede e que sejamos portadores desses valores nos  espaços em que vivemos.

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