Amar servindo, servir amando

Amar servindo, servir amando. Veja a reflexão elaborada pelo jesuíta padre Adroaldo Palaoro, comentando o Evangelho deste 5º Domingo da Páscoa. A passagem proclamada na liturgia está em João 13,31-35

Escutar é um ato de amor

Escutar é um ato de amor. Veja a reflexão elaborada pelo jesuíta padre Adroaldo Palaoro, comentando o Evangelho deste 4º Domingo da Páscoa, conhecido como o Domingo do Bom Pastor. A passagem proclamada na liturgia está em João 10,27-30.

“Tocar” o Verbo de Deus, “tocar” os crucificados

“Tocar” o Verbo de Deus, “tocar” os crucificados. Veja a reflexão elaborada pelo jesuíta padre Adroaldo Palaoro, comentando o Evangelho deste 2º Domingo da Páscoa, também denominado Domingo da Divina Misericórdia ou Domingo “In Albis”, narrado em João 20,19-31.

A luz da esperança que brilha na noite pascal

A luz da esperança que brilha na noite pascal. Concluindo a série Semana Santa Orante, veja a reflexão elaborada pelo jesuíta padre Adroaldo Palaoro, comentando os evangelhos proclamados neste Domingo da Páscoa na Ressurreição de Jesus. Uma santa e feliz Páscoa!

Sábado Santo da espera e da esperança

Série Semana Santa Orante: o jesuíta padre Adroaldo Palaoro propõe uma reflexão sobre trechos do Evangelho, para nos ajudar na experiência deste Sábado Santo, em que seguidores e seguidoras de Jesus vivem, no silêncio e na oração, a espera e a esperança da vitória de Jesus sobre a morte.

Sexta-feira Santa

Esperança crucificada   “A esperança nasce do amor e funda-se no amor que brota do coração de Jesus trespassado na Cruz” (Papa Francisco, Bula Spes non confundit, n. 3). O mistério Pascal constitui o núcleo central da fé cristã, ou seja, a paixão-morte e ressurreição de Jesus de Nazaré, e a efusão do Espírito sobre toda a Criação. Esse mistério pascal se estende também a todo o povo crucificado, ou seja, a essa grande maioria da humanidade que vive explorada e marginalizada, vítima dos interesses de uma minoria. Por isso, crer no Crucificado implica fazer descer da Cruz todos os que estão dependurados nela. Mas a imagem da crucifixão se aplica também à situação de nossa Terra, explorada, desertificada, contaminada, com a biodiversidade destruída e os oceanos transformados em cemitérios. Por sua atitude de arrogância e de autossuficiência, o ser humano explorou exaustivamente a Terra herdada e a destruiu, depredou, aniquilou, tomou posse dela… Assim, não foi respeitoso para com o Criador que a ele reservou a missão de cuidar do seu jardim e de compartilhar os seus frutos. Há um clamor generalizado que emerge da realidade desafiante enfrentada pela humanidade: o planeta Terra está gravemente enfermo. As consequências trágicas estão presentes por toda parte. O desequilíbrio dos ecossistemas pode comprometer, de forma irreversível, todas as formas de vida sobre a terra. Estamos diante da “Terra crucificada”. A vida cristã significa encontro e seguimento de Jesus de Nazaré, libertador e fundamento de nossa esperança. Na realidade, a esperança cristã nasce a partir da morte de um homem simples e pobre, assassinado numa cruz, desprotegido, abandonado, condenado injustamente como um homem perigoso, porque se rebelou contra as estruturas religiosas e contra os poderosos daquele tempo. Jesus, o Justo e Santo, foi Aquele que não ficou indiferente diante da fome, da doença, da violência e da morte… Seu modo de ser, suas opções, sua liberdade diante da lei, da religião, do templo, seus encontros escandalosos com os pobres e excluídos…, desestabilizou tudo, pôs em crise as instituições e as pessoas encarregadas da religião. Jesus foi condenado como herege e subversivo, por elevar a voz contra os abusos do templo e do palácio, por colocar-se do lado dos perdedores, por ser amigo dos últimos, de todos os caídos. Tornou-se um perigo a ser eliminado. “Jesus morreu de vida”: de bondade e de esperança lúcida, de solidariedade alegre, de compaixão ousada, de liberdade arriscada, de proximidade curadora… Nesse sentido, a cruz de Jesus não é um “peso morto”; ela tem sentido porque é consequência de uma opção radical em favor do Reino. A Cruz não significa passividade e resignação; ela nasce de sua vida plena e transbordante; ela resume, concentra, radicaliza, condensa o significado de uma vida vivida por Jesus na fidelidade ao Pai que quer que todos vivam intensamente.  A vida humana é fecunda, é potencialidade, é explosão de criatividade… Assim como na semente há vida latente esperando a oportunidade de expandir-se, também no ser humano encontram-se ricas possibilidades, esperando a morte do “eu mesquinho”, para se plenificarem. Alguém já teve a ousadia de afirmar que a morte é mais universal que a vida; todos morrem, mas nem todos sabem viver, porque incapazes de reinventar a vida no seu cotidiano e alimentar uma ousada esperança. Por isso, viver é uma arte; é necessário reinventar a vida no dia a dia, carregá-la de sentido. A maior perda da vida é aquilo que “resseca” dentro de cada um, enquanto vive: sonhos, criatividade, intuição, esperança. “A tragédia não é quando um ser humano morre; a tragédia é aquilo que morre dentro da pessoa enquanto ela ainda está viva” (Albert Schweitzer). Uma vida pensada sem “mortes” perde-se, no final, na total irresponsabilidade. E viver significa esvaziar-se do ego para deixar transparecer o que há de divino em seu interior. O grão de trigo que não morre apodrece e não multiplica as mil possibilidades latentes em seu interior. O “depois da vida” é um grande encontro onde seremos perguntados: “o quanto você viveu sua vida?”. Quando fazemos o percurso em direção ao Gólgota, em comunhão com Aquele que foi fiel até o fim, não estamos fazendo um ato derrotista nem de tristeza inútil, nem de mergulho na escuridão existencial. Estamos fazendo uma profissão de fé na força da esperança. Esperança é uma virtude vencedora. Quando tudo parece perdido, irremediável, destruído, ela comparece para salvar. Ela é capaz de transformar a derrota em vitória, o perigo em alívio, o desespero em alegria. A esperança é tão poderosa que consegue tirar do domínio da morte os que não veem mais razões para viver.  A esperança transforma as cinzas em fênix, a cruz em sinal de vida, as lágrimas em vitória. A esperança é a última que morre, diz o jargão popular. Ela é desprezada pelos pessimistas, ameaçada pelos gananciosos, agredida pelos incrédulos. Da esperança tudo renasce, ainda que pareça impossível recomeçar.  O pecado costuma bloquear a esperança, causar o desânimo e desiludir quem ia bem e de repente cai. A esperança é uma senhora que vem dar a mão àquele que se desiludiu consigo mesmo ou com a situação em que foi precipitar-se. Embora tudo pareça arruinado, há uma potência interior que não permite ao ser humano desistir de si mesmo nem dos outros. Ela recobra a energia do perdão, o ânimo para não desistir, a confiança nas pessoas, a amizade que ficou ameaçada, a fidelidade a uma causa nobre.  A esperança é filha da fé, e ambas se juntam para que aconteça a caridade.  Ao entrar no caminho do Calvário, mergulhamos no mar da esperança e dele saímos transformados, renovados em nosso ânimo e certos de que a morte não tem a última palavra, pois a Cruz já aponta para a Ressurreição, e aquilo que parecia não ter mais remédio encontrou vida nova. Podem nos roubar a paz, a honra, a dignidade, a saúde, a alegria, a confiança, mas não podem nos roubar a esperança, se cremos na força criativa de nós mesmos, na capacidade de reerguer do

Quinta-feira da Semana Santa

Com a liturgia da Ceia do Senhor, abrimos o Tríduo Pascal, o ápice do ano litúrgico. Na série Semana Santa Orante, veja a reflexão elaborada pelo jesuíta padre Adroaldo Palaoro, comentando o Evangelho proclamado na tarde-noite desta Quinta-Feira Santa, narrado em João 13,1-15.

Quarta-feira da Semana Santa

Na série Semana Santa Orante, veja a reflexão elaborada pelo padre Adroaldo Palaoro, jesuíta, comentando o Evangelho proclamado na liturgia desta Quarta-Feira Santa, narrado em Mateus 26,14-25.

Terça-feira da Semana Santa

“Um de vós me entregará… Era noite” A ceia de Betânia foi rica em símbolos de amor, de amizade, de festa…, um esbanjamento de humanidade. A ceia de hoje (em Jerusalém) é marcada por uma comoção profunda, onde Jesus se vê traído, vendido, enganado e abandonado por aqueles que juravam fidelidade e amizade profunda. Jesus está celebrando a última ceia com os seus discípulos; tinha acabado de lavar os pés deles e de ter falado do dever de todos em lavar os pés uns dos outros. Judas já tinha tomado a trágica decisão e, depois de tomar o último pedaço de pão das mãos de Jesus, saiu para cumprir sua traição.  De fato, na contemplação da Última Ceia, um personagem vem sempre à nossa lembrança: Judas Iscariotes. Reagimos negativamente frente sua traição a Jesus, mas, no fundo, ele nos causa repulsa porque é projeção das nossas infidelidades e traições. Ele é o espelho no qual nos vemos. Mas… o que vem a ser a traição? Como ela se manifesta na nossa vida? Por que traímos a confiança do outro? Por que traímos o amor de Deus por todos nós? Judas ficou decepcionado com o chamado de Jesus. Tinha outros interesses e não conseguiu entrar em sintonia com o coração e o projeto do Mestre; ele destoa porque não captou que, em torno a Jesus, tudo é gratidão e gratuidade. Judas aparece nos três relatos evangélicos destes dias (segunda, terça e quarta-feira), não como protagonista, mas como alguém deslocado, frio e insensível diante do drama que Jesus está vivendo; aliás, é ele mesmo que alimenta mais ainda o drama da dor e da perseguição imposta a Jesus. Os evangelistas não deram muita importância à figura de Judas; na realidade, sentiam-se incomodados com ele e não aceitavam suas posturas e suas atitudes. No entanto, dada a importância do tema da traição, é Jesus quem intervém diretamente e desvela as questões espinhosas que esse discípulo carregava em seu coração. Há coisas que estão muito além do dinheiro: a delicadeza com as pessoas, os gestos de ternura e compaixão, o cuidado com os mais necessitados, o espírito gratuito de serviço…  A vida da comunidade cristã deve estar fundamentada nas atitudes oblativas e não nas conveniências do próprio “amor, querer e interesse”. Na Última Ceia, que Jesus mesmo preparara com tanto cuidado, Judas só está fisicamente presente no ritual, mas seu coração está ausente, não consegue entrar no clima da refeição. Ele tem outras coisas para fazer e desaparece na noite, sem se inteirar do sentido desse momento. Na verdade, ele está “vendido” a outros poderes; recebe promessas “de fora”, mas não se sente bem dentro da comunidade. Chegar à traição é só um passo. O tema da CF deste ano – “Fraternidade e Ecologia integral” – vem denunciar a grande “traição” vivida pela humanidade inteira; recebemos do Criador a nobre missão de “cuidar e guardar” a Casa Comum; no entanto, traímos a confiança que Deus depositou em cada um de nós; traímos a Criação inteira porque nossa presença se revelou destruidora da grande rede de vida; traímos as pessoas porque a insensibilidade ecológica é expressão de nossa insensibilidade diante do outro, sobretudo o outro violentado e excluído. Por trás da palavra “traição” se esconde o drama da existência humana. Esse drama mostra-se trágico, pois revela uma aparente situação insolúvel que dilacera o coração e estraçalha a esperança humana. A experiência de traição é de desvio de rota, de frustração da própria vocação, experiência que nos desumaniza e nos faz viver uma existência vazia; com isso, passamos a viver exilados, desterrados, solitários…  Nossa comunhão sagrada com a natureza, nossa fonte de vida e de significado, foi substituída por um profundo desespero. De fato, temos lavrado nosso próprio “inferno”. Hoje constatamos as chagas ecológicas estampadas por toda parte e os próprios seres humanos deformados pela miséria e exclusão: buracos na camada de ozônio, mutações climáticas provocadas pelo efeito estufa, enchentes diluvianas, secas prolongadas e devastadoras, desertificação de imensas áreas, erosão de solos férteis, desaparecimento de florestas devido ao desmatamento e às chuvas ácidas, rios assoreados e poluídos devido ao esgoto doméstico e aos detritos industriais, ar irrespirável pela presença de monóxido de carbono e outros gases venenosos, poluição sonora e visual das grandes cidades, crescimento e acúmulo de lixo urbano e industrial, esgotamento das fontes de energia não renováveis e dos lençóis freáticos de água, extinção continuada e crescente de espécies vegetais e animais, pondo em risco a biodiversidade e o equilíbrio dos ecossistemas são pecados do nosso dia a dia… O drama do ser humano é perder a memória de que é parte do todo: seu instinto de posse e domínio o leva a romper a relação cordial com todas as criaturas, caindo num devastador vazio existencial. A “centração em si mesmo”, sem levar em conta a rede de relações que o envolve, provoca a quebra da “re-ligação” com tudo e com todos. Este é o veneno que corrói o ser humano por dentro: petrificação de sua interioridade, a perda do gosto pela verdade, pelo belo e pelo bem, o extravio da ternura e da transcendência, a atrofia da comunhão com o todo cósmico… Há muitas causas que nos fizeram chegar à atual crise ecológica. Mas é preciso chegar à última: a traição do ser humano que significa ruptura permanente da religação básica que ele introduziu, alimentou e perpetuou com o conjunto do universo e com seu Criador.  Com sua traição, o ser humano rompe com a solidariedade natural entre todos os seres, contradiz o desígnio do Criador que o quis como cocriador e que, através de sua inteligência, completasse a criação imperfeita.  A salvação reside na religação com todas as coisas. Não precisa necessariamente ser mais religioso, mas mais humilde, sentindo-se parte da natureza, mais responsável por sua sustentabilidade e mais cuidadoso com tudo o que faz. Ele precisa voltar à Terra da qual se exilou e sentir-se seu guardião e cuidador. Então será refeito o contrato natural. E, ao se abrir ao

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